As Crianças Vascaínas de Sábado
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]Numa tarde perdida do início da década de 80, entrei pela primeira vez num estádio de futebol. Era o Maracanã. O jogo não me lembro bem qual foi. Diz meu pai que foi um Vasco x Bangu de Estadual, mas a memória teima em falhar e me deixa só resquícios, traços, marcas desencontradas daquele dia. Eu usava o uniforme inteiro vascaíno como outros garotos de quatro, cinco anos. Até hoje me recordo do som trovejante vindo daquele túnel claro à frente, a iluminar o concreto, as pessoas, as bandeiras que aos montes entravam. Ouvi barulhos desconhecidos por mim até aquele instante. Hoje sei que eram cantos, palmas e bateria.
Para um guri de mãos dadas com o pai, era espera, fantasia, devaneio. Expectativa de brincadeira, festa e alegria. Sem angústias maiores, cálculos matemáticos na cabeça, nomes de jogador decorados, iras bíblicas contra o juiz ou desejos de vitória, de pontos ganhos, de saldo de gols. Regulamentos não passeiam pela mente da tenra infância, tampouco táticas, adversários ou que raios de campeonato vai ser disputado naquela hora. O que gira nos pensamentos é a música arrebatadora, imediatamente repetida e decorada, os múltiplos tons do preto e branco que vazam a retina, os cheiros bons ou ruins que atravessam sem pedir licença. A subida de uma rampa de estádio até um túnel de luz é da ordem do religioso, quase. É transcendental. Só um torcedor para explicar o arrepio inédito na alma quando se abre diante dos olhos uma multidão num anel gigantesco de cimento. É marca que fica tatuada nos baús mais profundos de recordações. Um batismo de êxtase.
Quando cresci um bocadinho, com oito anos contados, estava eu lá a comprar revistas, a ler cadernos de esportes roubado do pai e a entender mais de futebol. Via jogos na televisão (embora fossem raríssimos comparados aos dias de hoje) e escutava os mitológicos radinhos de pilha (tinha um em formato de calhambeque, sabe-se lá a razão da combinação exdrúxula). Em 84, cismei que iria acompanhar de perto o Campeonato Brasileiro que iniciava. Pedi para comprarem o Guia do certame pra mim, fiquei com tabelinha de bolso (era uma febre!) e só perdi alguns poucos jogos. Lembro como se estivessem jogando à minha frente agora Arturzinho, Pires, Roberto Costa no gol, Mário e Roberto. Vem à lembrança a doce goleada contra a Tuna Luso do Pará por 9×0 em São Januário e o garotinho do placar ensandecido com tantos gols. O meu dilema aquele dia, levado como questão filosófica, era: “Se o Vasco fizer dez, tem como colocar no placar, pai?”.
Sabemos como aquele campeonato acabou, infelizmente. Sei que atravessando uma rua, talvez a São Francisco Xavier, saindo do Maracanã após a perda do título para o Flu de Romerito, estava chorando. Meu pai tentava me consolar, mas nada me impactou mais do que um desconhecido, a quem devo até hoje a previsão tomada de afeto, que chegou ao meu lado e disse: “Garoto, não chora não, teu Vasco ainda vai ganhar muito daqui pra frente!”. Não sei se o desconhecido era tricolor ou vascaíno. O fato é que minha paixão de moleque começou a me dar rios de presentes nos anos seguintes. Passei uma geração inteirinha dentro de um colégio e, depois, uma faculdade, torcendo pelo clube mais vitorioso da cidade.
Adulto, tomado de preocupações, medos e afazeres, continuei na rota vascaína. Passei a escrever sobre o que me apaixonava. Não havia nada mais simples e mais saboroso. Começava um novo prazer na minha vida cruzmaltina: ser lido por gente de todos os cantos do Brasil (e até de fora do país), receber comentários, elogios e catiripapos na orelha. E, sobretudo, receber frases de identificação como “Você escreveu o que eu estava pensando! Tirou as palavras da minha boca!”. Nada paga essa comunhão de sentimentos.
Pois não é que num dia trágico para todos nós, o Vasco cai para a Segundona? No dia do jogo fatídico contra o Vitória, refiz toda minha caminhada de torcedor na memória e saí com uns vinte e tantos minutos do segundo tempo. Nunca saíra de um estádio antes do apito final do juiz, mas nesse dia não consegui conter a amargura a correr minhas veias. Fui um dos primeiros a sair por um dos portões de São Januário. Caminhei pela Rua General Almério de Moura cabisbaixo e ainda tive que escutar numa conversa de taxistas que o time baiano havia marcado mais um gol. O Vasco da minha infância estava aos pedaços no chão. Não me recordo de uma ida pra casa tão ferida. Era como se, simplesmente, voltasse de um funeral.
A escrita se perdeu, fiquei sem voz, sem letra, em silêncio. Devo ter rascunhado umas quatro ou cinco crônicas como esta aqui no ano todo de 2009. O esforço para que cada palavra viesse à cabeça era tamanho. Transpirava a cada tentativa. Algumas chegaram até vocês leitores, outras não. Terminaram no lixo.
E, de repente, surge no horizonte, o jogo Vasco x Juventude no próximo sábado. Estádio lotado para comemorar a subida para a Primeira Divisão. Torcedores eufóricos por lá e eu sem encontrar lugar nesta festa. Vivo exilado de sensações arrepiantes, dos gols vascaínos, dos lances antológicos. A mácula da descida aos porões não me deixou outra alternativa a não ser a angústia pura, puríssima, feito uísque escocês. Não sei como serão os outros anos, mas uma imagem me clareia a confusão de ideias e a melancolia. São simples cenas de crianças de uniformes vascaínos de quatro ou cinco anos. Sorrio.
Se num dia de 1997, vi um Vasco x Juventude no Maracanã que nada valia a não ser a espera pelo terceiro título brasileiro, muitos irão ao mesmo estádio (e, por coincidência, para ver o mesmo adversário) nesta semana para se inebriar da ilusão de uma mera subida para o lugar de direito. A comparação entre os dois jogos é curiosa e interessante. Se um levou pouquíssimas pessoas ao campo de jogo, mas abria as portas para um duelo Vasco x Palmeiras inesquecível, o do próximo sábado encherá as arquibancadas para ver o óbvio ululante galopar.
Diante de tanta lógica desencontrada, me salvo com a visão das criancinhas de sábado. Não sabem que campeonato estão vendo, não sabem que maldito adversário de verde e branco é aquele, talvez nem saibam as regras do futebol, mas pularão, comerão doces, salgados, se lambuzarão, gritarão gol nos colos dos pais, prestarão atenção no ambulante do picolé, não no lance perigoso do campo, e sairão alegres como de um jardim zoológico ou um circo. Ao fim, não saberão de pontos ganhos, tampouco entenderão quando disserem a elas “O Vasco subiu!”. “Subiu pra onde?”, perguntarão, cândidas.
Homenageio aqui as crianças de sábado e sua admirável felicidade. Quanto aos marmanjos, perguntarei ironicamente feito moleque atrevido: “O Vasco subiu para onde mesmo?”.
Rafael Fabro
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05/11/2009 11:36h
Caro Rafael, esse retorno do Vasco para onde não devia ter saído me lembra uma parábola que eu, quando criança, não entendia bem. A parábola do filho pródigo.
Assim como o pai do filho pródigo, eu vou comemorar, no próximo sábado, a volta do Vasco para a 1ª divisão, pois sei que se eles, os responsáveis, não tivessem cumprido a obrigação e reconduzido o Vasco ao seu lugar de direito, eu estararia mais arrasado do que fiquei em dez/2008.
Vou comemorar, pois o meu Vasco, mesmo dominado por usurpadores de momento, está voltando para casa.
Saudações vascaínas.
RENUNCIA, BOB!
05/11/2009 11:58h
Rafael Fabro,
Muito legal essas suas lembranças, bacana mesmo esse seu texto, me fez retornar a minha infância e um jogo Vasco X Mulambada pelo terceiro turno do carioca de 1974, final em que o Vasco foi vencido e fiquei chorando inconsolável em frente a TV, era um mixto de raiva e tristeza profunda ver a derrota para os arquirivais, porém ao final do ano estava eu em uma alegria sem tamanho gritando para todos ouvirem: VASCOOOOOOOOOOOOOOO.
SV/+/
05/11/2009 12:17h
RENUNCIA, BOB! (Eu sei que que tu não aguenta mais!)
05/11/2009 12:47h
Subiu pra onde mesmo?
Isso é antológico, poeta.
05/11/2009 13:54h
Boa tarde sr Rafael
Me permita contar um fato.
Tenho um amigo muito próximo que ano passado ficou doente. Doença grave que eu julgava ser terminal. Fiquei muito triste, foi um ano dolorido. Mas nunca abandonei, nunca deixei de visita-lo. E pra minha surpresa no proximo sábado talvez eu receba a notícia que ele está curado. Será portanto um sábado de muita alegria, talvez um dos mais alegres que já tive. Afinal meu amigo doente estará finalmente curado.
Mas não é normal todos terem saúde? Por que então estarei tão feliz com sua recuperação?
Acho que é porque ele é meu (melhor) amigo…
Escrevi isto para tentar responder a sua pergunta.
Um grande abraço…
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A metáfora até que é boa, Douglas, mas o caso é que o paciente citado por você entrou em estado terminal por “negligência médica”. Também nunca deixamos de visitá-lo, cada um a sua maneira. O fato é que alguns de nós pleiteamos que de forma justa seja cobrado dos “médicos” o descaso com um organismo vivo. Se ele saiu do estado terminal, ótimo. Estamos todos felizes, mas mais do que isso, ALIVIADOS. Pois ele, o “paciente”, voltou ao estado anterior à negligência médica: saudável.
Que os tais “médicos” não examinem, diagnostiquem nem tratem mais nosso caro paciente como açougueiros, companheiro.
Rafael Fabro
05/11/2009 14:28h
Texto de uma sinseridade plena, onde se percebe claramente quem de fato sentiu o tranco do rebaixamento e o golpe sofrido pelo Clube, perpetrado por por essa turma que lá se instalou, e teima em continuar.
05/11/2009 15:01h
Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal!
Rafael Fabro e Ciro Aranha, tudo a ver!
Mais uma vez fomos brindados com um belíssimo texto de um membro da SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS.
05/11/2009 15:42h
Pobres dos seguidores do Eurico… Deve ser um martírio ver o Vasco se reerguendo…Só três palavras: EURICO NUNCA MAIS !!!
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Deve ser um martírio ficar eufórico por uma subida para o mesmo lugar de que caiu, não? Emocionante! Bom, Felippe, escreverei pouco para que volte para o seu Playstation e suas matérias de colégio. Não sei se você consegue ler mais do que três linhas. Visite sempre o seu site favorito: o CASACA!
Rafael Fabro
05/11/2009 16:22h
Rafael, se aquela criança sentiu, no fatídico jogo contra o Vitória, soar o funeral de um torcedor, que os pequenos vascaínos amadureçam rapidamente e percebam que os cânticos da subida equivalem à Missa do Vaqueiro, do Quinteto Violado.
05/11/2009 16:45h
fellipe
05/11/2009 15:42h
Ô BOISÃO: SE ERGENDO DO CHÃO QUE O ROBERTO JOGOU, NÃO É ISSO QUE VOCÊ QUIZ DIZER?
SÓ UMA PALAVRA:
MÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ
MASTURBE-SE COM A SEGUNDA DIVISÃO, POIS JÁ GOZEI MUITO NA PRIMEIRA!
05/11/2009 17:01h
Felipe 05/11/09
Martírio, deve ser ficar confinado no PASTO, e não poder sair!
Vais comemorar aí no PASTO, por via das dúvidas já mandei passar o cadeado.
Cuidado para não ter uma indisgestão com tanto CAPIM.
05/11/2009 17:03h
Caro Rafael,
Pior será, um pai desalmado, dizer para o filho que o VASCO está ganhando do PALMEIRAS, ao invés do JUVENTUDE… pelo menos a camisa é verde.
05/11/2009 17:10h
“Estádio lotado para comemorar a subida para a Primeira Divisão. Torcedores eufóricos por lá e eu sem encontrar lugar nesta festa. ”
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o Casaca é cheio de envergonhadinhos…
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Luiz, eu diria que o CASACA! é cheio de pessoas que pensam um pouco diferente de pessoas que, informadas, vibram como se fosse uma Libertadores uma reles subida de divisão. Ué, não caiu? Então, não é lógico que suba? Por que raios a comemoração? Ou você não acreditava no Vasco?
Rafael Fabro
05/11/2009 18:00h
Rafael,
Sempre me emociono lendo seus textos.
Parabéns!
05/11/2009 18:03h
fellipe
05/11/2009 15:42h
MAIS UM BEZERRINHO NOS VISITANDO…
MAIS UM SEGUIDOR DO BANANA!!!
05/11/2009 18:03h
Cada vez que chega mais perto da volta, fico aliviado. Comemorar não dá.
05/11/2009 18:32h
Caro Rafael, acompanho o VASCO desde 1977, quando tinha 06 (seis) de idade, mas a lembrança de 1984 ainda é forte, na perda do título para o Fluminense. Nesta segunda feira, durante o programa BEM AMIGOS, no qual o atual presidente/deputado, participou e ao contrário do EURICO MIRANDA, era interrompido e não conseguiu se expressar de forma correta nem uma vez. não conseguindo aumentar a audiência do programa. Aqueles jornalistas?, da antiga, que compararam a jogada da segunda partida da final que terminou 0 x 0, quando o deputado/presidente ficou cara a cara com o Paulo Vitor e chutou em cima do goleiro. Recordo que compararam o deputado/presidente com o Drº Sócrates que contra a Itália na copa de 82, participou de uma jogada muito parecida. E o doutor conseguiu fazer o gol, na derrota de 3 x 2. Como sacanearam o deputado/presidente por ter perdido aquele gol, após a partida e durante a semana. E, na segunda no SPORTV, elogiavam o deputado/presidente. EM TEMPO. Não consegui assistir todo o programa na segunda feira. É, muita hipocrisia e o programa tem muita mentira.
05/11/2009 19:45h
Luiz
05/11/2009 17:10h
Matadouro também vive cheio.
Múúúúú
Múúúúú
Múúúúú
Cuidado com a aftosa!
Os Bananetes são tão alegrinhos…
05/11/2009 20:03h
Grande mestre Rafael Fabro, teus textos me fazem viajar pela minha infância, recordar situações de muita felicidade, desde 66 acompanho o Vasco, meus nove anos de idade, muito obrigado por tudo, poeta, que bom que tu voltou com a corda toda, é muito bom ler teus textos, comungamos pelo Vasco sempre.
05/11/2009 21:05h
“Vem à lembrança a doce goleada contra a Tuna Luso do Pará por 9×0 em São Januário e o garotinho do placar ensandecido com tantos gols.”
OBRIGADO RAFAEL POR CITAR NESTE LINDO TEXTO A MINHA PRIMEIRA VEZ EM SÃO JANUÁRIO.
05/11/2009 21:14h
Rafael, infelizmente os “bezerros” não tiveram a mesma felicidade que nós da geração passada tivemos.
Este Vasco x Juventude vai ser o marco da vida deles como vascaínos.
Uma das minhas foi o Vasco 4 x 3 Palmeiras de 2000. Eu estava lá.
Veja a diferença…
SV !!!
05/11/2009 21:32h
Rapaz, meu primeiro jogo foi um Vasco e Atlético_MG que nem sei quando foi e como terminou (acho que 1 a 1) ou em 84 ou 85. As vezes é bom recordar.
Agora, você foi um dos guerreiros que foram naquele jogo (Juventude-97)? Nas fases decisivas, só não fui neste jogo. Portuguesa, a final, os 2 jogos contra o Urubu… Mas vc ainda foi naquele jogo? Você é guerreirão. Embora, convenhamos, aquele time reserva dava de 3 neste atual ´timaço´. Bons tempos que irão voltar.
E só para lembrar para a pirralhada: Em 1997, o Vasco não perdeu 1 no Rio de Janeiro. O ´timaço´ de hoje tomou um baile do poderoso Ceará…
abraços
Leandro
05/11/2009 21:35h
Sei que nunca deveriamos ter decido, mas, vou discordar e comerar sim, porquê sou Vasco todos os dias, horas, minutos e segundos. Quando concretizou o descenço pensei que não mais sairia de casa pela amolação dos rivais. Para supresa minha foi só nos primeiros dias, depois ganhamos da urubuzada e até agora não mais recebi tanta zuação. Constantemente o que acontecia e me chateava quando ouvia a expressão Vice. Menosprezar os times da segunda divisão ?? No campeonato Carioca então só dá para assistir jogo com a mulambada; Botafogo e Flu estiveram lá e os outros participantes do Rio estão em niveis melhores?
sds.,
05/11/2009 21:48h
Caro Douglas,
Além do diagnóstico preciso do Fabro em resposta ao seu comentário, complemento: Cuidado, pois se o paciente – no caso seu amigo – foi tratado com paliativos a recaída, via de regra, é fatal.
Marinho Picorelli
Grajaú – RJ
05/11/2009 22:05h
fellipe,
B O V V I N N O!!!!!!!!!!!
05/11/2009 22:06h
Rafael:Ao ler sua cronica,lembre-me do meu primeiro jogo de futebol profissional que assisti(VascoXSão Paulo)1949 no Estadio Vasco da Gama(São Januário)Levado pelas mãos do meu querido e saudoso pai,fundador do São Paulo Futebol Clube.O São Paulo venceu 2X1.Ao sair de São Januário,meu pai feliz me pergunta gostou?E eu respondi pai eu sou Vasco.Nascia ahí o grande amor da minha vida.Rafael obrigado por ter voltado no tempo e saber quanto foi boa a minha opção.SALVEM O VASCO.
05/11/2009 22:13h
para fellipe,
você é um daqueles q se contenta com merda né! Subir para onde sempre estivemos (saímos por culpa do BANANA). O Eurico ganhou cariocas, brasileiros, Libertadores, Rio-são Paulo, Mercosul entre outros. O Banana subiu d volta para o lugar de onde ele nos tirou. Então, meu caro, se vc se contenta com “pouca merda”,q fique com essa opção. Eu não me contento com pouco. Fui mal acostumado… Muito mal acostumado a ganhar tudo e de todos…..
Foi mal……
05/11/2009 23:01h
Caro Rafael
Assim como você, também não consigo encontrar espaço nessa “festa” (que mais me parece uma claque de programa auditório de TV barata, com atores e apresentadores de 5ª categoria).
Não há o que se comemorar, muito menos com entusiasmo.
Aos eufóricos, deixo o recado: ACORDEM, O VASCO CAIU PRA SEGUNDONA E NADA MAIS NATURAL QUE RETORNE PRA SUA DIVISÃO LEGÍTIMA !
MAS ATENÇÃO: ESTÁ MUITO DIFÍCIL EMPATAR COM OS FORTALEZAS DA VIDA. SERÁ QUE O FLAMENGO TERIA A MESMA DIFICULDADE ?
ACORDEM E PAREM DE SE VENDER COM CHURRASCOS, CAMISETAS, VIAGENS COM ORGANIZADAS, ESPELHINHOS E OUTRAS QUINQUALHARIAS DO GÊNERO, POIS O SEU EGOÍSMO É A VELOCIDADE DA DERROCADA DO VASCO, OUTRORA VENCEDOR DENTRE OS GRANDES.
SER GRANDE, ENTRE OS PEQUENOS, É SINAL DE FRAQUEZA.
FORTE É SER GRANDE, ENTRE OS GRANDES.
Vasco sempre !!!
05/11/2009 23:05h
RAFAEL FABRO:
MUITO LINDA SUA COLUNA!!!
PARABÉNS!!!
05/11/2009 23:27h
Caro Rafael,
Se eu substituísse algumas datas e jogos pelos citados por você, poderia ser minha história. Devo dizer que compartilho seus sentimentos, desde o longínquo 1984 até o previsível e vindouro 07 de novembro de 2009.
Meu batismo em estádios foi em 1977, em um camarote do Maracanã lotado, para ver Brasil e Alemanha Ocidental, com Roberto Dinamite em campo. Terminou 1 a 1 e guardo poucas lembranças, como o gol de Rivelino, todos levantando para o Hino, a multidão e a presença do craque Rummenigge em campo. Depois foi em São Januário, provavelmente no mesmo ano, para ver um Vasco e Vila Nova. Minha paixão cruzmaltina despertou na final do carioca de 1977, ao comemorar no carro, ouvindo a rádio Nacional, a vitória nos pênaltis sobre nossos rivais. A primeira grande decepção viria no ano seguinte, no troco dado pelo rival, no fatídico gol de Rondinelli, uma dor que parecia não ter igual para um moleque de seis anos. Veio então uma sequência de dores estaduais e nacionais: Londrina, Zenon, Chico Spina, Edinho, rivais, ladrilheiro. Até que o baixinho Marco Antônio Rodrigues me deu um espasmo de alegria, sucedido por mais anos de decepções – Romerito incluído aí. E, finalmente, Cocada, Sorato e o período das vacas gordas – o resto da história que todos conhecem e viveram.
Isso tudo para chegar ao sábado. Houve gente, nos últimos anos, que pediu desculpas por vibrar com título estadual, vitórias, etc. Algumas carapuças pintaram por aqui, lembrando um codinome adequado para eles (envergonhadinhos). Não é o meu caso e, pelo que li, também não é o seu. Não sou sequer envergonhado – ser Vasco não me envergonhará nunca, é minha identidade, minha escolha, um de meus pilares definidores. O problema é que eu simplesmente não me reconheço nessa euforia toda.
Uma das coisas que aprendi desde pequeno é que ser Vasco implica em viver todos os ciclos, tanto da euforia quanto da dor. Nossas derrotas sempre foram destacadas e acompanhadas de sarcasmo generalizado, ao contrário de outros clubes, em que existe sempre uma força-tarefa pronta a manter a fantasia, seja culpando juiz, seja culpando malas de diversas cores. E nós sempre tivemos que lamber nossas feridas e digerir as tristezas. Acompanho a segunda divisão resignado, como parte do luto necessário. Não passou pela minha cabeça não voltar ao nosso lugar de direito. Mas não passa pela minha cabeça aceitar a concessão que nos dá a imprensa para sermos felizes, como claquete de programa de auditório, agora que finalmente nos colocaram de joelhos nas trevas futebolísticas brasileiras.
A única coisa boa é realmente admirar as crianças felizes, em particular as minhas, que só veem a grande festa vascaína, sem querer saber exatamente que série é aquela. Munido de uma boa dose de cinismo, reconheço que fica muito mais fácil consolidar a vascainidade delas. Mas, aqui dentro, é só “esse grito contido, esse samba no escuro”.
Abraços cruzmaltinos solidários!
Luiz Felipe
05/11/2009 23:35h
Fabro,
Sabe o que é engraçado?
Os mesmos caras que até pouco tempo atrás eram os maiores envergonhadinhos, estão felizes que nem mosca em merda de cachorro!!!
Eu pensando aqui com os meus botões consegui entender a mente de merda desses vascaínos idiotas (ou seriam idiotas vascaínos?). O problema deles é o Flamengo! Eu quero ver ano que vem, quando o VAsco disputar o Carioca e o Brasileiro, em igualdade de condições com ambos na 1ª divisão, se esses bundas-rachadas vão aparecer para fazer essa festa toda! Eu que sempre fui rato de estádios, SEMPRE vi os vascaínos com o rabisquete entre as pernas quando o Vasco joga contra os malígnos! Eu lá de camisa, torcendo como louco e a maioria calada… Acho que detectei o motivo da festa com a segundona!!!
Por mim podia pegar esse “troféu”, pica-lo em milhares de pedaços e dar para cada um dos homens-boi que aompanham os imundos que hoje operam no Vasco!!!
OBS: Grande Escriba desculpe o meu jeito tosco com as palavras e os palavrões, mas a minha paciência com esses imbecis que comemoram a merda que estão já findou faz tempo!!
Abraço
06/11/2009 0:51h
Esses dois bovinos, Luiz e Fellipe, devem ser daqueles garotinhos que fizeram o primário em 8 anos (cada ano em dois)e a cada ano que passavam, vibravam e achavam que eram inteligentes.
06/11/2009 2:23h
Eu também tinha um radio-calhambeque! Pra ligar bastava girar um dos pneus. O mesmo para selecionar estações.
Nostalgia tecnológica.
Nostalgia futebolística.
Que o Vasco volte a viver verdadeiras glórias.
06/11/2009 3:23h
Rafael Fabro,
Me impressiona a maneira como escreves bem, de fato, como disse o grande Bira, um Poeta!
Belíssimo texto, como é de praxe ver aqui no CASACA!.
Me sinto exatamente como o senhor: Um exilado dessa pseudo-festa. Comemorarei, porém. Talvez uma tentativa de me enganar.
Mais uma vez, parabéns pelo texto. E aqui vai um pedido: Escreva com mais frequência, por favor. É um presente ao leitor.
Saudações Cruzmaltinas.
06/11/2009 7:56h
Difícil acreditar que algumas pessoas vão comemorar esse título medíocre…
06/11/2009 8:08h
o seu rafael fabro, voces do casaca pensam para o vasco igualzinho à aquele charuteiro nojento: pensam pequeno! em oito anos de direção o vasco fugiu de suas tradições, ficou apequenado, desrespeitados por tudo e por todos, enfim, gostaria que voce me desse um motivo qualquer para que eu me convença que estou errado. o vasco caiu como o dinamite sim, mais tambem os restos que ele pegou do eurico heim! mesmo que o charuteiro continuasse no camando em 2008, o vasco nao chegaria a lugar nenhum de destaque, iria da mesma forma lutar para nao cair, ficando lá no decimo quinto ou decimo sexto sei lá!, como nos outros anos anteriores(2001 a 2007)
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Se nem no CASACA! os integrantes pensam de forma igual, como pensar que seguimos alguma cartilha? A única coisa que nos norteia aqui é o Vasco, camarada. Só. Por exemplo, ficamos aliviados pela subida para a Primeira Divisão. Mas como festejar uma subida? Subir depois de cair num buraco não é óbvio ululante? Ou você não acreditava que o Vasco subiria? É, pode até ser, né? Com essa administração que anda por São Januário…
Os “restos” do Eurico pro Roberto são conhecidos: milhões em caixa pela venda de Phillippe Coutinho, contas dos funcionários pagas, dois patrocínios de camisa, fornecedora Reebok conhecida mundialmente e que não deixava fregueses na mão, um nono lugar na tabela de classificação do Brasileiro a cinco pontos da zona da Libertadores na oitava rodada e tantas outras heranças (que clichê manjado esse dos restos ou da herança, hein, Antonio? Estás lendo Globo e Lance demais). Como jogadores, alguns interessantes: Wagner Diniz, Pablo, Mateus, Alex Teixeira, Morais, Jean, Edmundo, Leandro Amaral e outros. Não sei se você lembra, mas Tita como técnico, Johnny como jogador (esse cara é jogador mesmo?) e Neca como vice de futebol não foram culpa do Orico.
E vai ler um pouco da história do Vasco. Faz bem. Lendo bem, talvez num dia só você pense duas vezes antes de festejar com rojões uma mera subida para um lugar que é de direito do Vasco.
Rafael Fabro
06/11/2009 8:16h
Rafael,
PARABÉNS!
06/11/2009 9:31h
Mesmo sendo católico fervoroso, fui à Bahia fazer um trabalho especial para ver o insucesso do Novo Vasco. Para tanto, dirigi-me ao Gantois, onde fui conduzido a um sessão que no começo me causou certo medo. Depois, ao ver a mãe-de-santo incorporar o segundo homem mais importante da República, depois do Doutor Eurico, o saudoso ACM, acalmei-me. Espero que tenha dado certo.
Venho lançar com os verdadeiros vascaínos uma campanha para que, se o Vasco ganhar a tal série B, que essa taça seja quebrada a marretadas. Que lançemos a campanha tolerância zero para que todos os títulos ganhos por esses aventureiros golpistas também sejam quebrados. Ou sejam derretidos para que possamos construir uma estátua para nosso inestimável Doutor, para ficar ao lado do eterno Reimário.
Maldito seja o novo Vasco!
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Até que a ironia foi boa, Julio. Passa na média. Vai ver até pega alguns acreditando em “inestimável Doutor” ou “Eterno Reimário”. O negócio é que aqui, meu caro, vale a autenticidade lavrada em cartório. Não adianta escrever comentários com rabos de gato mal escondidos. Se o tom é pretensamente de chacota, a resposta segue a onda.
Pois bem, respondendo no tom pedido por você, maestro Julio: siga buscando no dia-a-dia, quem sabe até no Gantois, o Vasco que conhecemos. Sei que encontrarás pelo caminho caixas pretas, heranças malditas, terras arrasadas, vilões terríveis de suspensórios, mas não se amedronte. Terás ao teu lado um fiel escudeiro de nome Renato Maurício Prado. Ganharás para o teu regozijo também outro: Fernando Calazans. Os amigos te sustentarão com seus poderes mágicos conhecidos (as luminosas frases feitas, as fofocas de ouro e suas fontes animais, como Rolinhas, Raposas Felpudas e outros membros da fauna). Outros virão te apaziguar a alma e formarão a Sociedade do Anel da Imprensa (com trocadilho, por favor).
Verás que ao fim és um sábio, Julio, condecorado por essa Sociedade do Anel inigualável em admiração e carinho pelo Club Regatas Vasco da Gama desde sua fundação.
Agora, se não gostar muito de gerúndios e prezar por pensar sozinho, Julio, arranca, foge da Sociedade. Quem sabe, não encontras o Vasco ao seu jeito, sem intermediadores?
Rafael Fabro
06/11/2009 9:52h
Para os Amigos do Casaca: Vasco da Gama está Voltando da longa viagem!!
O Vasco que vai encher o Maracanã e de alegria os Vascainos pelo Brasil
Honrará a tradição plural e democrática que havia sido sucateada e sacaneada num passado recente terrível e temivel!!
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É verdade, Valdemar: o Vasco volta de uma longa viagem. Os pilotos do avião se perderam, foram parar numa floresta, mas pegaram o caminho de volta depois de um ano, veja você que demora pra fazerem o óbvio! Os passageiros já pensam em pedir indenizações milionárias à Instituição por atos de negligência, má manutenção da aeronave e descaso profundo.
E olha que nunca nenhum avião da Instituição havia caído antes, hein? Como pode, né?
Rafael Fabro
06/11/2009 10:23h
Agradeço a todos aqui pela acolhida ao texto e pelos comentários um tanto insanos que também passearam por aqui. Deixo aqui meu obrigado a toda gente que parou um pouquinho sua vida pra ler o cantinho aqui: Rangel, meu mestre casaquista Bira, Luizão, Chicão, Sandra, Carlos Augusto, Pasqual, José Oliveira, Paulo, Manoel, Rodrigo Alonso e Rodrigo Brito, Fábio, Claúdio Ribeiro, o companheiro casaquista Leandro Cardoso, Miguel, Marinho, grande Dodô, José Luiz Mano, Bruno, Cláudio Bordallo, Luiz Felipe Willcox, Celso Martins, Daniel Külkamp e Daniel Arcanjo, André Leite, José Acácio e aos demais que registraram comentários e aos que não.
Bom, depois desse autêntico abraço de Maguila pela Bandeirantes, deixo o meu também a todos vocês. Valeu, turma da fuzarca!
Grande Abraço!
Rafael Fabro
06/11/2009 10:35h
Fabro, parabéns…
lembrei-me de meus primeiros jogos (Anteriores aos seus primeiros. rs)…
Mesmo os Muvianos que estão em peso no casaca devem ter relembrado as coisas boas que passaram com o Vasco.
Vou ao jogo, justamente para levar meu filho… e só.
Mas posso afirmar que doi no peito ver o Vasco na 2º… Doi no peito ver a torcida vibrando por ganhar os jogos da 2º… Doi no peito ver que hoje a torcida esta do mesmo lado que Renatos, Trajanos, Globos, Lances e porcarias mais que sempre torceram contra o Vasco…
Realmente NOVO VASCO NÃO…
06/11/2009 11:01h
É ridículo o estágio atual do Vasco, cercado de mentiras e mentirosos que insistem em tentar iludir e ludibriar a inteligência dos verdadeiros vascaínos e em manobrar, como fantoches mamulengos, os “new vascaínos”, também conhecidos como puxa-sacos e corneteiros do dinamite.
Será o benedito que vamos ter que aturar por muito tempo ainda, dentro do Vasco, a mesma prática rasteira da politicagem nacional, estilo “herança maldita” e também “para os inimigos porrada e para os “cumpanheiro” vale até deixar roubar”?
O Vasco agora é a “região anal” da mãe Joana, onde todo tipo de escória humana quer enfiar o dedinho para depois lambê-lo e dizer que é “doce de leite”?
Pois é isso que tem representado esta “administração” espúria, capitaneada pelo outrora atleta e ídolo do clube, sr. dinamite, se é que ele tem alguma liderança sobre este grupo podre que o acompanha na “festinha de bringar de presidente” do Vasco, todo oriundo do fatídico “MUV”, que desintegrou e espero que queime nas chamas do inferno.
Liderança é algo nato e que se manifesta, entre outras coisas, por atos de descortino, iniciativa, desprendimento e, sobretudo, humildade e ausência de vaidade. Não há hipótese de encaixar o dinamite em nehuma destas situações, agora e no passado, uma vez que ele sempre foi submisso e incapaz de tomar decisões quando mais jovem (lembram da finada Jurema, sua ex-esposa, que falava e tomava decisões por ele?)e hoje em dia, apesar de toda a sua falta de cultura e da sua aparência física caricata e disforme, disparando sorrisos com a sua dentadura de porcelana sustentada por uma boca mole mambembe, mesmo assim, o indivíduo “se acha” e não tem a percepção de que ele é uma marionete na mão de pulhas e cada vez que se manifesta em público é uma desgraça e motivo de chacota, que denigrem a imagem do clube e orgulha os nossos inimigos, que se sentem vitoriosos e seguros de que o Vasco com ele no “comando” não será ameaça para os rivais “queridinhos”.
Por isso, amigos do CASACA!, vamos a luta por eleições URGENTE!!!!!
Lutemos para que o verdadeiro Vasco seja retomado das mão sujas desta gente desprezível e patética que ora se borra no poder.
SV
Paulo Roberto Fernandes de Oliveira
06/11/2009 11:42h
Porra Rafael…
Esse seu texto foi demais..
Me lembrei da minha infância (sou de 1965) quando realmente a gente ouvia Jorge Coury, João Saldanha e Waldyr Amaral (golll legallll)no radinho de pilha. Esse rádio do calhambeque eu já era maiorzinho..
Voce conseguiu com maestria buscar aquela época romântica do Vascão Vira-Vira (essa pecha do time da virada é o time do amor é recente) Antes era vascão Vira-Vira em batalhas antológicas, impossíveis de serem revertidas..
Com sua crônica eu futuquei o fundo do baú e fui buscar minhas fotos de 8, 10 1 11 anos com a camisa do glorioso CRVG…
VASCO DA GAAAMMMAAAAAA
06/11/2009 12:07h
Caro Rafel, bela coluna.
A queda foi horrível e vergonhosa. Não sei em quem colocar a conta e para falar a verdade não me interessa. O fato é que o Vasco teve péssimas gestões recentes, para ficar só no “óbvio gritante” como exemplo, era de uma incompetência dantesca a ausência de patrocíno.
Como a coluna é de memória ( meu primeiror jogo foi contra o Bangu também) lembro de 1995 que foi a PIOR campanha do Vasco no Brasilerião, passamos muita vergonha aquele ano, com direito a goleadas e algumas inclusive dentro de São Januário. deste ano sempre me lembro do Ricardo Rocha caído no chão em vexame contra o Corinthians.
Todo clube passa por momentos bons e maus, o fato de termos caído ano pasado não significa que este foi o pior ano da história recente do Vasco. Outros foram piores, mas que com os regulamentos frouxos da época não se refletiram em rebaixamento.
Sábado é um dia júbilo, deixemos de negativismo.Lhe respondo sua pergunta retórica com outra.
Essa é a primeira vez que levantamaos?
Saudações do eterno time da virada,
Yuri
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Yuri, digo a você com leveza d’alma: não, não é a primeira vez que nos levantamos. Mas será a única e de triste memória que nos ergueremos de um buraco (diferentemente da década de 20 em que fomos subindo e arrombando as portas aristocráticas do Rio) profundo e duro de suportar.
Segundo você, um buraco que tem o dedo de gestões passadas; segundo minha opinião e de outros tantos aqui um buraco cavado unicamente pela atual administração, tal o número de fatos que contrariavam a possibilidade de rebaixamento no ano de 2008. Provavelmente, não conciliaremos argumentos. É difícil, bem sei.
No mais, você bem sabe que não sou dado a negativismos. Se já leu crônicas minhas, deve lembrar. Contar realidades pode cortar um pouco o barato de uma festa de subida (fato: nem título é; quando for, será da Série B… O que tem isso de negativo? É apenas o óbvio ululante como você citou) cheia de ilusões e pirotecnia.
Mas, vamos lá, que meu otimismo irritante vende meus olhos e não me faça ver funcionários famintos, o Colégio do Vasco com problemas aos montes, jogadores fracos (uns 70%) que não terão vez no elenco cruzmaltino do ano que vem, um Carlos Leite esperando sua restituição na esquina, Roberto Dinamite e seu sorriso amarelo com o bônus de discursos sem nexo e prenhe de gerúndios,…
É muita coisa para fazer meu otimismo irritante voltar da Sibéria de mala e cuia. Por enquanto, fico com minha realidade de pão-com-manteiga e a simplicidade dos fatos.
Que a atual administração ainda tenha tempo para dar ao Vasco tudo que desenhou pra ele nos seus projetos de marketing. Que não fique tudo na fantasia, embora não acredite mais nisso, Yuri. Viver uma Série B, além da mancha histórica, foi ter que se deparar com um certame em que já se sabia o final (feito um filme comercial ruim), exatamente pela crença na camisa vascaína apesar de todos os pesares conhecidos. Claro, quem gosta de vitórias contra bêbados é uma redenção, sem dúvida. Porém, o Vasco é maior que isso tudo, Yuri. Não se presta a festejar miséria. Quer muito porque é gigante. E nisso não guardo um pingo de negativismo, muito pelo contrário.
Rafael Fabro
06/11/2009 13:58h
Valdemar
06/11/2009 9:52h
JÁ QUE ESTA COLUNA É DE SAUDADE, VOCÊ ME LEMBRA UMA MÚSICA DO ED LONCOLN:
“Tenho uma história pra contar,
de um rapaz que ontem vi passar,
tinha um cachorrinho pela mão,
cahorrinho, au, au
desfilando ia o bonitão,
e não dá bola pra garota,
balança o corpo sem parar,
o seu cabelo é um estouro,
que chega até a enrolar,
sabe o nome que vou lhe contar,
sabe/ sabe o nome dele é Waldemar…
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Varandão da Saudade, hein, José? Mas valeu a pena, tô gargalhando até agora aqui com o Waldemar… O CASACA! e seus leitores nos redimem. Um verdadeiro remédio!
Rafael Fabro
06/11/2009 14:57h
Rafael Fabro,
Parabéns pela coluna. Tenho tb várias histórias do Vasco para contar. Mas, não tenho o dom da escrita para passá-las para o papel .Como eng° aposentado sempre lidei mais com n°s e tive, infelizmente, pouco tempo para ler. Pelo o que vc contou sobre o jogo com o flu , conclui que tenho idade para ser seu pai .Fui a este jogo ,mas não chorei no final.Eu só choro nas alegrias e quando me emociono .Nas tristezas apenas com a morte de uma pessoa querida . Lembro-me que saí muito chateado no final do jogo, pois o Vasco merecia ganhar. Naquela época era muito brabo e brigão e saí esbravejando e encarando qq torcedor adversário que, ao invés de comemorar o título , estava cantando uma canção grosseira , ridicularizando o Vasco.Ao mesmo tempo, falava para muitos vascaínos, principalmente às crianças para não ficarem tristes porque o Vasco ainda nos daria muitas alegrias . Seria para mim uma feliz coincidência que uma dessas crianças tenha sido vc . Juro que o que estou contando é verdade , eu não preciso disso.Para talvez ativar a sua lembrança , eu sou alto, forte e ,na época, ainda tinha cabelos castanhos e fumava.
Aproveitando a oportunidade , gostaria de contar um fato que me aconteceu em 1970,no jogo contra o botafogo ,em que o Vasco , na penúltima rodada , poderia ser ,e foi campeão após 12anos. O estádio do Maracanã não estava cheio , bem vazio pelo que eu esperava, o torcedor do Vasco estava com medo de mais uma decepção .Um torcedor que estava ao meu lado na arquibancada , ao invés de ver o jogo , ele ficava de costa para o campo, ajoelhado de frente a uma vela acesa , rezando várias orações. Como no final , o Vasco vencia de 2×0 e o botafogo fez um gol , e o jogo apertou, ele me implorou que ficasse tb ajoelhado com ele rezando, e acendeu outra vela.Falei que só sabia rezar a Ave-Maria e, mal ,o Padre Nosso, ele disse que não importava que rezava por mim ,era só para dar força. Era gozado que ele não olhava , mas pedia ,de vez em quando , que eu olhasse para o campo para lhe dar algumas informações, nós não tínhamos rádio nem relógio . No final do jogo havia umas 8 velas acesas. E, após o apito final, foi uma loucura , uma das maiores alegrias que tive na minha vida ,eu nunca abracei tanta gente desconhecida.Gostaria muito de dar, após tanto tempo, um novo abraço a esse meu amigo de reza que nem sei o nome.
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Henrique, saiba que seu comentário foi tocante pra mim. Comovente. Se quem encontrei saindo do jogo lá pela São Francisco Xavier foi você, tanto melhor. Coincidência das mais gratas e bonitas. Adoto você como esse “profeta” das conquistas vascaínas que estavam ali na esquina nos esperando.
E a “loucura das velas” foi sensacional pra dizer o mínimo! Que teu amigo de reza esteja em paz, ainda curtindo uma velinha pra amainar a tensão vascaína. Nessas horas, a gente vira um pouco de Pai Santana, acredita num pouco de tudo, confunde reza, olha pra cima, cruza dedo, ajoelha ao lado de um desconhecido, abraça outro ao lado na hora do gol,…
Amores desatinados de vascaínos… Vai entender nossas maluquices, né? Nem eu que sou psicanalista… rerere…
Rafael Fabro
06/11/2009 16:12h
JOSÉ LUIZ MANO
05/11/2009 22:06h
Rafael: Ao ler sua cronica,lembre-me do meu primeiro jogo de futebol profissional que assisti (Vasco X São Paulo)1949 no Estadio Vasco da Gama(São Januário) Levado pelas mãos do meu querido e saudoso pai, fundador do São Paulo Futebol Clube. O São Paulo venceu 2X1. Ao sair de São Januário, meu pai feliz me pergunta: “gostou?” E eu respondi: “pai, eu sou Vasco”. Nascia ahí o grande amor da minha vida. Rafael obrigado por ter voltado no tempo e saber quanto foi boa a minha opção. SALVEM O VASCO!
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MANO, TALVEZ ESTEJA FAZENDO UMA CORREÇÃO QUE MEXA COM A HISTÓRIA DE SUA VIDA: ESSE JOGO FOI EM SÃO PAULO, NO PACAEMBU.
SEGUE A FICHA DELE:
1º DE JUNHO DE 1949, QUARTA-FEIRA
SÃO PAULO 2X1 VASCO
ÁRBITRO: Alberto da Gama Malcher
SPFC: Bertolucci, Savério, Mauro; Bauer, Rui, Noronha; Friaça, Ponce de Leon, Leônidas, Remo e Teixeirinha. Técnico: Vicente Feola.
VASCO: Barbosa, Augusto, Sampaio (Laerte); Ely, Danilo, Jorge; Nestor, Ademir, Heleno, Maneca (Ipojucan) e Mário. Técnico: Flavio Costa.
GOLS: Ademir 27/1ºT (VAS); Friaça 37/2ºT (SP) e Teixeirinha 43/2ºT (SP).
06/11/2009 16:42h
Caro Fabro,
Belíssimo texto. Parabéns!
Com ele parece que voltamos todos aos nossos primeiros dias de paixão pelo Vasco!
Em muitas de minhas turmas de escola eu era o único vascaíno (pelo menos assumido).
Em compensação era o único nas peladas da rua a ter a camisa do clube de coração. Que felicidade!
Meu ídolo era Andrada e eu tinha também uma preta, de goleiro, com a Cruz de Malta e CRVG bordados. O que na época era uma raridade.
Pelos relatos, vários de nós estiveram juntos em muitos dos jogos.
E com que orgulho torcíamos!
Saudades daquele tempo!
Eu comecei um pouco mais cedo, em 70. Mas, de cara, Campeão Carioca!
Depois o Brasileiro de 74! O Santos ainda tinha Pelé. O Cruzeiro, Dirceu Lopes.
Éramos o único clube do Rio a vencer um certame nacional!
Em 77, o Estadual! Putz, a partir de então carreguei o apelido de Lelé (e com que orgulho!)até mesmo depois da Faculdade, por causa do nosso inesquecível lateral direito Orlando Lelé!
Daí para a frente passamos pelas mesmas situações.
Rapaz! Que viagem!
Que a felicidade invada os pequenos corações amanhã com uma grande vitória!
A criançada merece isso!
Quanto a nós, sabemos o que se passa. Quando chegar a hora ele também saberão!
Um grande abraço.
Saudações Cruzmaltinas.
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Obrigado, Orlando ou Orlando Lelé, como queira! Grandes anos que amigos meus mais velhos me trazem com sorrisos escancarados. Nasci na década de 70, em 76, mas passei por ela num repente. Queria ter vivido o Estadual de 70, o Brasileiro de 74, o Estadual brilhante de 77, aquela defesa impenetrável,…
Queria ter vivido o Super-Super de 58, para ir mais atrás. Queria nas mãos o Expresso da Vitória. Olha que queria até a pioneira década de 20 diante dos meus olhos. E já que estou mendigando memórias, queria mesmo era estar ali no dia da ata da fundação desse negócio gigantesco chamado Club de Regatas Vasco da Gama. Como o nosso tempo é contadinho em vida, fico com as histórias dos mais velhos, seus choros, as rezas diante de velas nas arquibancadas (essa é de um leitor aqui que escreveu um comentário dos mais tocantes e comoventes), toda essa vascainidade a transbordar.
Como você disse: “Que viagem!”.
Rafael Fabro
06/11/2009 17:36h
FABRO, PARABÉNS POR MAIS ESSE EMOCIONANTE TEXTO!
NOSSAS INOCENTES CRIANÇAS VASCAÍNAS ESTÃO ABSOLVIDAS DE PARTICIPAREM DESSA SANDICE. AO MENOS ESTARÃO REFORÇANDO O SENTIMENTO INFANTIL DE AMAREM A CAMISA CRUZMALTINA. ESPERO QUE TENHAM MOTIVOS DE SOBRA PARA CONTINUAR AMANDO E VIBRANDO COM CONQUISTAS VERDADEIRAMENTE DE PRIMEIRA A PARTIR DO ANO QUE VEM.
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ABENÇOADAS SEJAM AS CRIANÇAS QUE, COMO EU, ESTIVERAM PRESENTES NAS DERROTAS EM 1978 (RONDINELLI QUASE NO ÚLTIMO MINUTO); EM 1979 (TITA ENCOBRINDO LEÃO); DE NOVO EM 79, EM MEU PRIMEIRO JOGO NOTURNO (GOLS DO RESERVA COLORADO CHICO SPINA); EM 1980 (FRANGO DE MAZARÓPI); E EM 1981, DESSA VEZ NAS CADEIRAS (NA FAMOSA INVASÃO DO LADRILHEIRO).
DO MEU PRIMEIRO TÍTULO AOS 12 ANOS (QUE PARECEU DEMORAR UMA ETERNIDADE PARA CHEGAR) ATÉ OS DIAS ATUAIS, LÁ SE FORAM MAIS DE MIL VISITAS AOS ESTÁDIOS FLUMINENSES (E ALGUNS POUCOS EM OUTROS ESTADOS) E DEZENAS DE TAÇAS COMEMORADAS.
MAS A QUE ESTÁ POR VIR, SERÁ COM CERTEZA A MAIS TRISTE DE NOSSA HISTÓRIA.
INCLUSIVE JÁ DISSE A MEU FILHO DE 11 ANOS (COMPANHEIRO FIEL DE ARQUIBA, JÁ COM UMA CENTENA DE JOGOS EM SEU CURRÍCULO) QUE ESSE TÍTULO DA SÉRIE B É PARA SER COMEMORADO APENAS COMO MAIS UM JOGO EM NOSSAS VIDAS, COMO QUALQUER VITÓRIA BUDEGUDA CONTRA O NOVA CIDADE NO ESTADUAL…
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Alexandre, gostei e gargalhei aqui com a comparação feita da Série B com uma vitória contra o Nova Cidade lá de duas décadas atrás. Nem sei se existe mais o glorioso esquadrão… E obrigado pelas palavras, companheiro.
Rafael Fabro
06/11/2009 18:55h
Aplausos e gritos de BRAVO para nosso poeta!!!
Me lembrei de um outro jogo, em 1982, Vasco da Gama 7 x 0 Moto Club, em que o Cláudio Adão meteu três gols e Roberto Dinamite fez um.
Estava em moda a serigrafia, onde fazíamos desenhos e textos nas camisas com moldes. Então, eu com 12 anos, fiz uma camisa com o texto : “Dinamite e Adão, dupla explosiva” e fui ao jogo com meu saudoso pai. Era uma alusão a meus outros ídolos na época, Terence Hill e Bud Spencer, ou, Trinity e Carambola, que tinham um filme com esse título.
As pessoas me parabenizavam pela camisa, foi demais. Apesar de depois achar que ficaria melhor sendo “Dinamite e Adão, dupla explosão”.
Bons tempos em o Roberto Dinamite só nos dava alegria …. Bons tempos que não voltam mais ….
Local : São Januário
Data : 24/01/1982 (dois dias após meu aniversáio)
Escalação : Mazarópi, Rosemiro (Galvão), Ivan, Rondinelli e Pedrinho, Serginho Carioca, Dudu e Renato Sá (Marquinho Carioca), Wilsinho, Roberto Dinamite e Cláudio Adão.
Técnico : Antônio Lopes
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Obrigado, André! Lembro do jogo que você citou do alto dos meus seis anos. Fui até dar uma olhada no Futpédia (uma das poucas coisas interessantes para os boleiros dentro do Globoesporte.com) para ver detalhes daquele jogo: http://futpedia.globo.com/campeonatos/campeonato-brasileiro/1982/01/24/vasco-7-x-0-moto-club
Valeu pela admiração e pela boa lembrança!
Rafael Fabro
06/11/2009 19:01h
Parabéns pelo belissímo texto, pra começar eu queria dizer isso.
No sábado levarei minha filha de 6 anos pela primeira vez ao Maracanã e consequentemente a um jogo de futebol.
E espero que mesmo que ela nao tendo o entendimento que temos, de que o Vasco JAMAIS deveria ter caído para a segunda divisão, que pelo menos isso sirva para aumentar a paixão pelo time que pai torçe, pois lá em casa a batalha é dura ( minha mãe é flamenguista e talvez esse seja seu único defeito, kkk ).
Nao costumo tecer comentários nem a favor ou contra a situação ou oposição, só sei que me emocionei ( de verdade, quase chorei ) ao lembrar das diversas alegrias e até decepções com o nosso Vasco.
Só faço esse comentário numa forma de dar uma força ao rafael fabro pelo brilhante texto.
Saudações Cruz-Maltinas
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Obrigado, xará! E que sua filha de seis anos se lambuze bastante de picolé, pule, grite e fique feliz ao fim. Para falar de criança a gente deixa meio que de lado as armas cheias de argumentos, as contradições e toda a discórdia que nos atazana a vida vascaína. É verdade que não há outro meio hoje de se lidar com o Vasco, a não ser através dessa confrontação. Mas, parabéns, por trazer um comentário mais leve à mesa. Agradeço.
Rafael Fabro
06/11/2009 19:02h
Me irrita muito não me lembrar do meu primeiro jogo!!! Que raiva!!! Acredito que foi por volta de 1977/1978 pois me lembro dos jogadores dessa época, infelizmente nunca perguntei ao meu pai, e agora não dá mais. Que raiva de quem tem boa memória!!!!!!
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André, de cada dez vascaínos a quem pergunto sobre o primeiro jogo, nove falam sobre traços, sons, cores e nada mais. Não lembram do placar, às vezes lembram do adversário por causa da pessoa que o levou, mas fica tudo embaralhado na nossa ilha de edição chamada memória. Adoraria poder ver num vt de fantasia como entrei no Maraca naquele dia, como foi o jogo (provavelmente, uma grossa pelada) e tudo o mais. Idade que se perde no baú da recordação… Não lembro de quase nada antes dos quatro ou cinco anos. Para você ver, uma das poucas coisas (guardo nos dedos de uma mão tais cenas) é a subida do túnel. É como se fosse hoje. Com a diferença que na época não estávamos na Série B…
Rafael Fabro
06/11/2009 21:08h
Henrique Niemeyer, essa da reza é sensacional, quando contou pessoalmente, é de rolar de rir, agora lendo, a tua imagem contando, vem na memória, com o vascaíno te intimando a participar da reza, com um “Vamos rezar!” , “Não para, não! “Como é que tá o jogo?”, quantas loucuras nós já fizemos pelo Vasco. Seria muito bom se conseguissemos promover o reencontro desses dois vascaínos de fé. Essa tinha que ir pro almanaque.
07/11/2009 1:37h
Fabro parabéns pelo Texto Perfeito!
O primeiro jogo que fui na minha vida meu pai avó materno Antônio Faria levou-me,foi em 1982,em São Januário,uma inesquecível e alegre goleada,eu tinha 5 anos de idade!
14/03/1982,um jogo muito bom para um bom começo de pequeno vascaíno!
Meu avô Dintonho(como era chamado) levou-me ao jogo aqui no Rio de Janeiro,em São Januário,ao nosso Estádio Verdadeiro!
Vasco 7 x 1 Operário-MS, São Januário, 14/03/1982.
Público de 23.589 pagantes.
Segunda Fase do Campeonato Brasileiro de 1982(Primeira Divisão como sempre era na época boa do Vasco).
GOL Mazarópi DEF Ivan DEF Rondinelli MEI Dudu MEI Serginho Carioca LAT Rosemiro (1) ATA Marquinho Carioca (3) ATA Silvinho ATA Wilsinho (2) ATA Cláudio Adão (1) ATA Roberto Dinamite LAT Pedrinho
TÉC Antônio Lopes
Neste jogo o Ivan do Vasco tomou um cartão amarelo!O primeiro cartão que vi aplicar a um jogador do Vasco,lembro que mesmo sendo criança eu chinguei o árbitro Márcio,era o nome do juiz na época.
No jogo o Silvinho entrou no lugar do Marquinho Carioca.
Foi uma grande goleada!
Os gols foram 3 do Marquinho Carioca,2 do Wilsinho,1 do Rosemiro e 1 do Cláudio Adão,os primeiros gols que comemorei ao vivo do Vasco.
Já meu primeiro jogo no Maracanã com o Vasco campeão foi no dia 5 de dezembro de 1982 o Vasco da Gama venceu o Framulambo no Maracanã por 1 a 0, na sensacional decisão do Campeonato Estadual de 1982. Com esse triunfo, a equipe cruzmaltina espantou uma seqüência de quatro anos amargando a segunda colocação, enterrando o sonho do bicampeonato burro-negro e acabando de vez com a banca do rival que se achava insuperável na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro.
VASCO DA GAMA (RJ) 1 X 0 FLAMENGO (RJ)
Data: 5/12/1982
Campeonato Carioca
Local: Maracanã
Árbitro: José Roberto Wright
Renda: CR$ 83.219.900,00
Público: 113.271 pagantes
Gol: Pedrinho Gaúcho (olímpico) 3’/2º
Cartões amarelos: Andrade, Tita e Dudu.
Expulsão: Júnior 26’ do 2º tempo.
VASCO DA GAMA: Acácio, Galvão, Ivan, Celso, Pedrinho; Serginho, Dudu (Marquinho, no intervalo) e Ernâni; Pedrinho Gaúcho (13-Rosemiro, no 2º tempo), Roberto Dinamite e Jérson / Técnico: Antônio Lopes
Isto mesmo,gol olímpico do Pedrinho Gaúcho e o Maraca lotado!
Os mulambos choraram e só dava Vascão da Gama!
Bons tempos aqueles que continuaram felizes até junho de 2008,depois em julho isto foi estragado com um Golpe de Estado que rebaixou o Vasco para Segunda Divisão,Bananamite foi o culpado!
Entusiasmados pelo jovem técnico Antônio Lopes, que à véspera da estréia no triangular final tivera a coragem de promover cinco alterações em sua equipe titular, os vascaínos ignoraram a fama do adversário e partiram para cima do rival, tornando o jogo franco e emocionante. Já que o empate não resolveria nada – nesta hipótese, teríamos uma partida extra -, o time de São Januário se aproveitou do suposto cansaço do adversário, que disputava com o mesmo afinco duas competições ao mesmo tempo, e com um futebol veloz e audacioso buscou o resultado do início ao fim. Mesclando experiência e juventude nas mudanças que fez, Lopes encontrou a fórmula do equilíbrio para uma equipe que vinha decaindo no segundo turno. Deixou Mazarópi no banco, colocando para jogar a revelação Acácio, um goleiro que já havia ganhado notoriedade dois anos antes quando defendia o Serrano em partida contra o Framulambos!Antônio Lopes foi herói,descobriu o valor novo do Vasco,o goleiro Acácio que em 1987/1988 também foi Bi Campeão em cima dos Framulambos!É,foi muita festa e o Eterno Presidente Eurico Miranda distribui várias cocadas zuando a mulambada que tomou o gol na final do Cocada!
Tristeza para quem não teve a minha sorte de ver momentos mágicos do Vasco,os bovinos novinhos que só conhecem o Vasco hoje e nem viram o passado!
Além disso vi o Tri Campeonato Carioca 92/93/94,vi 3 vitórias de 3 títulos Brasileiros,1989,1997,2000(que o Vascão venceu o timinho azul da terra da champs no Maraca,com show do Reimário!
Vi os títulos da Libertadores 1998,Carioca,1998,Mercosul 2000 com uma virada histórica que todos os clubes mundiais nos invejam!
Vi um grande campeonato carioca de 2003 no futebol,uma magia vascaína,muita festa!Com toque de letra e tudo!
POR ISTO PEÇO VOLTA CHAPA AZUL!
VOLTA ETERNO PRESIDENTE EURICO MIRANDA!
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Mateus, obrigado pela leitura do texto e pelo comentário saudoso. É bom ver tantos vascaínos compartilhando suas memórias infantis. Que venham mais recordações!
Rafael Fabro
07/11/2009 1:43h
E para coroar um título histórico no Futebol do Vascão da Gama,vi o Milésimo Gol do Romário,nosso Eterno Ídolo!
Romário, enfim, cumpriu a sua missão e marcou o milésimo gol. O Sport acabou se transformando na vítima do momento histórico. São Januário, o palco. E o dia 20 de maio de 2007 entra para a História.
Mas o Baixinho fez o gol de pênalti, quando o relógio marcava 19h17m. E o Vasco, então, fazia 3 a 0 no Sport. O gol saiu aos 2 minutos do segundo tempo. E foi muito parecido com o milésimo gol de Pelé. Mesmo lado do campo, uma paradinha antes do chute, mesmo lado da trave. Apenas o goleiro pulou para o lado errado.
Dá-lhe Romário!
07/11/2009 10:01h
Rafael, excelente texto.
Concordo com o Rafa Mendes. Vou levar meu afilhado de 4 anos pela primeira vez a um jogo. O uniforme já está separado. É óbvio que ele não entende nada, mas vai sentir a emoção de un estádio cheio.
um abraço,
Edu
07/11/2009 13:37h
Rafael, existe alguma possibilidade de vc lançar um livro com estas histórias e crônicas ?? Se lançar , eu compro com certeza !!!
Existem dezenas de livros sobre a mulanbada e poucos sobre o nosso amado Vasco…
+++++++++
Rodrigo
Essa é uma demanda minha, do Paulo Miller e de todo o Casaca. Olha aí, Fabro: tem mais gente esperando. Um dia sai, ah sai. O resto é paisagem. Aliás, humilde sugestão para o título: “O Resto é Paisagem”.
João Carlos Nóbrega
07/11/2009 13:52h
FABRO, SOU PERNAMBUCANO E TORÇO PELO NAUTICO E TAMBEM PASSEI A TORÇO PELO VASCO NA DECADA DE 70. ERA DEMAIS O VASCO JOGANDO DE PRETO, ERA MAZZAROPI, MOISES, ORLANDO, ABEL, DIRCEU, MARCO ANTONIO, E UM CABELUDO CHAMADO “DINAMITE”. HOJE O “DINAMITE?” NÃO E NADA. FABRO, DÊ UM DESCONTO AO LUIZ,FELLIPE E AO ANTONIO, ELES SO COMPRAM LANCE,GLOBO,EXTRA,EXPRESSO,O DIA, MEIA HORA…
07/11/2009 16:14h
São 16h05, horário brasileiro de verão, sábado, 7/11/09. Começará a ser disputado Vasco e Juventude, que pode ser histórico tão somente por formalizar o fim do nosso luto. O calor saariano para se disputar uma partida de futebol mostra o quão mudadas estão as coisas no futebol, refém de uma grade de programação televisiva inflexível e insensível.
Youtube e Canal 100 juntos, um interessante contraste de épocas. Registro abaixo uma lembrança marcante do meu Vasco. O grande Mazzaropi; os inesquecíveis Orlando Lelé, Abelão e a Barreira do Inferno; Zanata, Zé Mário (o Narigueta) e Dirceuzinho; Roberto, o meu Dinamite de verdade: uma lembrança do meu primeiro Vasco e da falta de sentido nesse tom de imploração para o sentimento não parar – como se, para nós, fosse possível qualquer outro sentimento!
http://www.youtube.com/watch_popup?v=a29DMbN7zuo#t=59
Um Casaca par todos nós!
PS.: Para não deixar de endurecer, ainda que com ternura: reparem na referência do narrador ao nosso grande craque. Pelo visto, para ele e muitos outros, o jogador com vocação de gol virou craque lá pra 2008.
07/11/2009 19:08h
Rafael,
Minha primeira lembrança triste, não do jogo mas da situação, foi no Vasco e Flamengo no fatídico gol do Rondinelli. Eu moleque, aquela gritaria toda e a vontade de não sair de casa. A outra lembrança vem do 1×0 gol de Edinho em falha de Mazarropi em 1980. A redenção parcial veio em 1982 com a raspada de cabeça que o Marco Antonio Rodrigues deu, em um jogo que o Pedrinho ganhou o moto rádio como craque do jogo. Do time de 84 me recordo da estréia contra o galo no maracanã, 3X1 se não me falaha a memória de virada, gols de roberto marquinho e mario. Naquele ano também, ficou famosa a matéria do globo esporte sobre os 7 anões de são januário, referencia ao Edu, marquinho, arturzinho, pires, geovani, mauricinho e mário. O gol do Romerito foi uma ducha de água num time que jogava um belíssimo futebol, na época éramos os eternos fregueses do tricolor e do Romerito em particular. A redenção total veio em 1988, quando nos ultimos 5 minutos em gol de bismarck e gol contra vencemos o fluminenese, ganhamos a taça rio e fomos para a final com o Flamengo e vencemos as tres partidas (sendo o início da famosa sena que fizemos sobre eles). Lembrava com meu irmão que no último jogo, do famoso gol do Cocada, do encontro dele com dois dos nossos mais chatos amigos flamenguistas que, a caminho do maracanã, soltaram aquela que é a maior mentira inventada pela impresan e repetida há décadas “deixaram a gente chegar”. O final histórico todos nós conhecemos.
Agora somos obrigados a assistir a patética comemoração pela volta mais do que previsível à primeira divisão.
Parabéns pela coluna!
Daniel
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Obrigado pela mensagem, Daniel! Faz um bem danado ler memórias do nosso Vasco e não ter que assistir uma comemoração de um título que não houve e que se houver, como deverá acontecer, será de Segunda Divisão. O pessoal deve estar soltando rojões por todas conquistas do Vasco que você citou somadas. Esqueceram de fazer isso na época e aproveitam agora contra o portentoso Juventude com jogador de linha no gol.
Grande abraço!
Rafael fabro
07/11/2009 19:15h
Apesar de toda a torcida contra de vocês, o Vasco está de volta a 1ª divisão. Isto significa que a última oportunidade da turma da safadeza voltar morreu hoje. Afinal, se na 2ª divisão os verdadeiros vascaínos queriam o ex-ditador longe, imagine agora. Para vocês, a noite é de muita tristeza. Vocês que riram tanto com a queda para a 2ª divisão, agora terão muito o que lamentar em 2010. Já dizia o ditado popular: Quem ri por último, ri melhor…Saudações VERDADEIRAMENTE vascaínas.
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Caro autor da Teoria da Relatividade
Errou de site. Vá a algum do rival da Gávea para atazanar a paciência. Por aqui, o jogo contra o Juventude foi de alívio pela subida para a Primeira Divisão. Simples assim. Agora, pedir pra gente comemorar como se estivéssemos diante da Virada da Mercosul de 2000, não dá, né, colega? Haja relatividade!
Rafael Fabro
07/11/2009 19:32h
einstein coutinho de almeida
07/11/2009 19:15h
ISTO MESMO FABRO, É MAIS UM BOVINO QUE ADORA UMA BANANA E SE CONTENTA COM POUCO, MUITO POUCO…
MÚÚÚÚÚÚÚÚ PRÁ VOCÊ, SEM TEORIA NENHUMA, SEU BOVINO!!!
07/11/2009 20:03h
EINSTEIN. 07.11.09
Vais comemorar em qual PASTO, o título? Se precisar de um reforço de capim, é só falar que a gente remaneja de outro PASTO.
VC realmente é um GÊNIO BOVINO.
JÁ ZEROU O QI HOJE LÁ NO SUPERBOVINOS????
07/11/2009 20:14h
Fabro, parabéns pelo texto. Emocionante. Fará parte do livro “VASCO. O RESTO É PAISAGEM”. E ainda ficou melhor com as lembranças de vários colaboradores.
Mas, hoje é sábado, cara! Anda mais rápido nessa moderação. É só deletar os malucos que estão aparecendo por aqui. Deu uma olhadinha, viu que é maluco, detona!
07/11/2009 23:12h
Boa Fabro, confesso que me surpreendi pelo fato da minha ironia ter sido reconhecida. Não por você, perceba, mas por saber que os seguidores do estimado Doutor não são todos cegos de paixão. Verdade seja dita, você é um sujeito diferenciado e seus textos são todos, no mínimo, acima da média. Faço questão de lhe congratular pela presença de espírito, pois esperava ser recebido com as ofensas típicas dos súditos do Dotô. Acredito que, apesar das diferenças, hoje você está feliz. Feliz como eu estava no dia que o meu ídolo retornou do Barcelona. Abraço fraternal.
Julio
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Julio, se essa não foi outra ironia, posso dizer a você que mais do que feliz, estou aliviado com o Vasco na Primeira. É um recomeço, apenas. Comemorar aí depende de cada um, mas pra mim é fetiche pantanoso, quase uma tara. Digo a mim mesmo: “Pombas, comemorei Estadual, Rio-SP, Brasileiro. Mercosul e Libertadores, fora títulos no basquete, categorias de base e outros esportes. Como vou enfiar pela goela da minha lógica que comemorar uma subida de divisão tem a mesma medida?”. Não consigo, simplesmente, é mais forte do que eu.
Abraço
Rafael Fabro
08/11/2009 14:59h
Lembro também da alegria com a volta do Dinamite da Catalunha. O problema do ídolo de todos nós é que, depois que parou com o futebol, foi-se embora pra Pasárgada, onde é amigo do governador, e nunca mais foi visto.
09/11/2009 10:34h
Rodrigo Alonso, Carlos André e meu companheiro João Carlos, gostei do título pro livro: “O resto é paisagem”. Um dia sai e acho que não vai demorar. E obrigado pelo estímulo!
Rafael Fabro
09/11/2009 15:11h
Prezado Rafael,
Cometi o “pecado” de não ler a sua coluna no dia 05 quando ela foi publicada. Agora, passado o jogo de sábado e feliz por ver tantos vascaínos orgulhosos do time (!!!) quero parabenizá-lo pela excelente coluna que me fez voltar ao início dos anos 80 num jogo entre Vasco e Nacional-AM em Manaus. Muito emocionante, espero que vc consiga sempre por em palavras tudo o que 20 milhões de vascaínos sente por esse time.
SV
09/11/2009 15:36h
Caro Rafael,
Parabéns pelo texto. Realmente inspirador. Assim como você gosto de, vez por outra, submeter algumas idéias deconcertadas para juri popular. Aqui no Casaca mesmo já tive algumas publicadas. Infelizmente, contudo, não foram inspiradas pela nostalgia, como a sua, e sim pela revolta do acontecido, que todos já estão carecas de saber e não pretendo relembrar mais uma vez.
Minha primeira aparição no maior templo do futebol brasileiro foi na apoteótica final do brasileiro de 1974. Sem muito entender a magnitude do momento, codjuvei o gol do Jorginho Carvoeiro com um amassado cachorro-quente Geneal em uma mão e um abraço em meu pai com o outro braço. Tudo isso em meio a gritos incompreensíveis e coreografias desritmadas de mais de 100.000 pessoas.
A partir de então continuei minha trajetória de vascaíno saudável, comparecendo a alguns jogos ou ouvindo pelo Moto-Rádio na grande maioria. Porém com tempo e a idade avançando, meu pai, meu maior companheiro de arquibancada, foi perdendo motivação para enfrentar as maratonas de idas e vindas do maracanã, agravada pelo constante aumento da frequência de jogos televisionados. Mesmo assim, estive presente em vários momentos importantes da nossa história. Títulos cariocas (um com direito a farta distribuição de cocadas durante a semana), brasileiros e sulamericano ao longo da década de 80 e 90. Roberto voltando da europa em 80 e se despedindo contra o La Coruna em 93. A embaixada tripla de Vivinho em gol imaculado no brasileirão de 89. A estreia de Bebeto em 89, a do Edmundo em 92 e a reestreia em 96. Todos, entre muitos outros, momentos inesquecíveis.
Até que veio à tona o Mundial da Fifa de 2000. Fui a todos os jogos do Maracanã, inclusive ao martírio derradeiro de 14 de Janeiro. Novamente na companhia de meu pai, vi um maracanã se calar, dessa vez das cadeiras, após um penalty perdido pelo nosso ídolo Edmundo.
Desde então, confesso, me ausentei dos estádios. Não fui testemunha ocular de nenhuma peleja, nem das que culminaram no último título carioca, brasileiro ou da mercosul. Sim, estava inconsolável com aquela derrota de 2000. A bem da verdade, ainda estou. Ainda é uma ferida que não cicatrizou. Talvez esse problema de cicatrização seja genético, pois meu falecido avô, outro vascaíno ilustre, jamais pisou em um estádio após a final da copa de 50. Enfim, quem sai aos seus…
É possível, até, que eu jamais voltasse a um estádio. Contudo, neste meio tempo virei pai. Pai de 2 pequenos vascaínos – espero que se mantenham assim, apesar da pressão oposta da ala materna. E o mais velho, hoje com quase 5 anos, precisa conhecer mais do Vasco. Talvez jamais ele conheça o Vasco que eu conheci. O Vasco guerreiro, respeitado. O Vasco altivo, altaneiro, o Vasco respeitado e contestador. Mas, apesar dos muitos Vascos vistos pelos arquibaldos e cadeireiros de hoje, eu preciso ensinar-lhe principalmente as coisas únicas, as que não mudam: a nossa história, as nossas lutas, o nosso patrimônio e o nosso manto. E assim, em 5 de abril deste ano, viajei para minha cidade natal, o nosso Rio de Janeiro, para que ele um dia também possa contar para seus filhos que conheceu o nosso estádio, os nossos trofeus, a nossa torcida. Foi um Vasco x Bangu pela Taça Rio. Após um passeio pela sala de troféus, das poltronas especiais de São Januário, ele viu o gigante da colina vencer por 4×0 um Bangu indefeso, muito diferente, assim como o meu Vasco, daquele Bangu que eu vi quase vencer um campeonato brasileiro.
Também o levei na nossa festa de aniversário contra o Ipatinga. Ele precisava também conhecer um Macanã repleto de vascaínos em um uníssono “casaca”.
Mas confesso, caro Fabro, hoje com 43 anos, não tenho mais a alegria que outrora. Não reconheço mais “aquele” Vasco nesse destes dias. Não reconheço “aquela” torcida nestes vascaínos desses tempos. No jogo do Ipatinga eu estava na tribuna de honra. Mesmo com a vitória, juro, fiquei triste. Enquanto via a imprensa e os presentes assediando atual presidente, um grande ex-jogador de futebol, sem dúvida, e deixando, quase como um torcedor comum como eu, o nosso Eterno e mais vitorioso Presidente Antônio Soares Calçada ao relento. Não seria leviano em supor que mais de metade dos presentes sequer sabiam quem era aquele senhor de cabelos brancos, calça social e olhar sereno.
Que Vasco é esse que celebra momentos que deveriam ser de vergonha e esquece os paladinos dos tempos de glória?
Não é o meu Vasco.
E, pior: para meu desespero, é o Vasco que eu tenho que ensinar meus filhos a amar.
Um Grande Casaca !
Saudações Cruzmaltinas
Marcelo Siqueira
19/11/2009 11:48h
Rafael,
O conheço pouco. Mas pelo pouco que li, seus textos têm consistência, são interessantes e não me resta dúvida alguma que és um grande vascaíno.
Provavelmente temos a mesma idade, já que meus primeiros jogos no Maracanã foram no começo dos anos 80 e eu era uma criança com menos de 10 anos, com certeza.
Mas tenho algumas ponderações a fazer:
1) Algumas coisas óbvias (ululantes) só assim o são quando vistas de alguns ângulos. É pensar muito pequeno que um time como o Vasco cai de uma divisão para outra em 28 rodadas. Não, não cai. Por mais doloroso que isso possa parecer é essa a verdade.
2) Seus textos para as colunas são, realmente, muito bem escritos. Mas aqui vai uma dica: tente manter a boa escrita quando os assuntos não são condizentes com a forma que você pensa, ou seja, nas respostas dos vascaínos (sim, vascaínos que não pensam da mesma forma, mas vascaínos) que não rezam da mesma opinião editorial do site.
3) Também é óbvio (isso, é claro, se visto de outros ângulos) que o time está passando por uma reestrutura. Digo o time pois o clube, ao meu ver, ainda vai demorar um pouco para se reestruturar. Eurico Miranda era um dirigente de clube, não de time.
4) A “virada da Mercosul”, a Libertadores, todos nossos grandes títulos (históricos) são de uma tremenda importância, não há dúvida. Mas a realidade hoje (ou até semana passada) é essa. Futebol é um esporte. Futebol não é uma ciência exata. Não existe obrigação. Existe trabalho bem feito. E não há como negar que o trabalho realizado na Série B foi bem feito. TODOS nós Vascaínos devemos, sim, fiscalizar e patrulhar sempre para que isso nunca mais ocorra. E, principalmente, aprendermos com esses erros.
5) E por último, mas não menos importante, não levemos TÃO a sério assim o que o Eurico Miranda diz. Seguir cegamente o que uma pessoa fala nós sabemos muito bem o que pode acontecer, vide um certo país (outrora dividido) da Europa… torço para que o Eurico faça parte da política do Vasco SIM. Em termos de dirigente de clube ele é bom. Afinal, a democracia clama por oposições. Mas como mandatário do clube eu não quero mais. E se todos vissempor todos os ângulos, certamente teríamos a mesma opinião.
Saudações,
Marcelo Vieira
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Marcelo, obrigado pela elegância dos comentários discordantes em certos tons. Às vezes, temos que ler discordâncias um tanto quanto ofensivas.
Bom, vamos lá. Antes de tudo, agradeço as palavras sobre a escrita. Geralmente, não respondo em tópicos, mas para facilitar a leitura dos demais, sigo:
1. A queda se deu. Fato. O que resta são opiniões para os motivos, algumas com mais consistência, outras nem tanto. Acredito que pela sua escrita, devas ter uma argumentação mais bem edificada do que a que lemos por vezes aqui e em jornais. Espero que não uses clichês e parta para algo singular. Veja, é exatamente esse arranhar do disco provocado por alguns jornais e canais que nos incomoda. Há algo aí estranho, de uma uniformidade bizarra num mundo amplamente diverso como o da imprensa esportiva. Como, de repente, virou uma cantilena a expressão “herança maldita” para dar conta de tudo na base das simplificações?
2. Acredito que mantenho minha escita nas respostas com a devida tolerância, mas sem me desapegar da ironia. Sem isso, não posso nem assinar Rafael Fabro nem atravessar a rua ou chupar um Chicabon, como diria Nelson Rodrigues. Acho que os leitores compreendem, Marcelo.
3. Você foi no ponto quanto à diferenciação entre time e clube. Os bastidores da vitrine chamada futebol são de estarrecer, Marcelo, infelizmente. E o futebol do nosso clube não pode ser tomado como referência no ano de 2009 pelo simples motivo de não ter disputado a principal competição do país no ano. Não há como medir adequadamente seu rendimento.
Quanto a Eurico, discordo no que tange à formação de times antes da Lei Pelé que engessou tantos clubes por aí para a alegria de empresários. Ele sabia como poucos montar bons times, mesclando categoria de base com alguns craques pescados aqui e ali. E levava tais times a conquistas por seu bom gerenciamento, por nunca falar mal dos jogadores (coisa que, infelizmente, foi um dos primeiros atos do nosso atual presidente ao chegar, depreciando o elenco) e por protegê-lo, blindá-lo nos piores momentos. Eurico foi e pode ser um bom dirigente para o Club de Regatas Vasco da Gama, incluindo aí o futebol, portanto.
4. A realidade hoje é nua e crua, Marcelo, desafortunadamente. Que bom que assim vê: é diferente da grandeza do Vasco. Não poderíamos ter passado por tal infortúnio de jogar uma Segundona para ficarmos cicatrizados por décadas. Lembre que nossa marca maior era exatamente a subida de 1922 para a elite e ela foi arranhada em dezembro de 2008. 2009 é apenas a continuação do livro de tristezas. E aqui, não vai nada de político, entenda bem. Muitos vascaínos que conheço que não são euriquistas viram essa Série B como uma dor ou até uma injeção anestésica como escrevi no texto de hoje do site. Ficamos moribundos por meses, Marcelo. Não há o que pague essa conta simbólica.
5. O importante não é seguir a pessoa, mas as ideias. Isso vale para qualquer cena política. E creio que, em relação ao trabalho da oposição, você foi bem oportuno, Marcelo.
Cordialmente,
Rafael Fabro
19/11/2009 14:06h
Rafael,
Não entendo de política do Vasco. Não sou do time do Eurico nem do Time do Roberto. Sou Vasco. Mas quero te parabenizar pelas palavras e pelo alto nível dos argumentos, coisa que venho tentando estabelecer aqui desde que entrei pela primeira vez no site. Infelizmente não tive sucesso.
Podemos discordar em vários pontos (e discordamos) mas o importante é apenas uma coisa: o Vasco.
Acompanho às terças (ou quintas) o “Só dá Vasco” e acompanho às segundas o “Casaca” pelo simples fato de querer ouvir ambos os lados e me manter informado do clube que eu amo. Por isso foi com tristeza que me senti “jogado de lado” ao tentar expor meus argumentos (por vezes perguntas) no site e não ter conseguido.
Por isso lhe dou os parabéns. É dessa maneira (conversando, debatendo) que conseguimos expor nossas opiniões e entender as opiniões que às vezes são contrárias as nossas.
Entendo e acredito que muitos comentários que chegam aqui devem ser jocosos, com palavrões e tentativas insanas de mostrar pontos divergentes. Minhas tentativas sempre foram como as que mandei para você.
Não me interessa ser “publicado”. Me interessa expor opiniões, ler opiniões e principalmente debater opiniões. Mesmo que contrárias.
Não tenho amores pelo Presidente Roberto, mas vejo coisas muito boas em sua gestão. Divergemos sobre “obrigação da subida” e, é claro, com o modo que ele dirige o clube. Mas vejo (de fora, como disse não me envolvo na política do clube) um trabalho muito melhor realizado do que o do Presidente Eurico. Esse eu não gostei e não queria mais no Vasco. Queria de volta o Vice de Futebol Eurico. Esse sim.
Não concordo com as idéias do Eurico mas gosto da pessoa Eurico. Por isso vejo com bons olhos seu retorno ao clube como benemérito. Oposições são benvindas!
E para finalizar, Rafael… digo com certeza que você ganhou um fã.
Abs,
Marcelo Vieira
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Agradeço, Marcelo e desde já, peço desculpas pela demora em responder. Volte mais vezes, pois realmente mesmo discordando de alguns pontos importantes sobre o Vasco, somos sobretudo vascaínos. Há conversa possível sim, por que não? Se há elegância nos comentários e sobriedade na argumentação, há espaço aberto para o debate. Acertou quando disse que por várias vezes recebemos comentários jocosos, mas são excluídos de pronto, nem lidos após três palavras ofensivas ou são respondidos com sarcasmo ou raiva mesmo (somos humanos, Marcelo, nem sempre dá pra manter a paciência e a tolerância com gente que chegou aqui outro dia para falar mal da colônia portuguesa, só para citar um exemplo).
E repito: o que diz sobre a Oposição é fundamental. Ela é saudável ao clube, a qualquer um.
Rafael Fabro