Enquanto houver a preocupação com um coração infantil o Vasco será imortal!
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]Teve uma noite, depois de um programa lá na rádio, em que ofereci carona para o Bira. Naquele dia, porém, ele não aceitou. Saiu andando pela rua antes que eu pegasse o carro. Deu tempo de andar a distância suficiente para que eu, ao sair com o carro, pudesse vê-lo. Entendi logo a razão da recusa. Ele queria meditar. Precisava da solidão. Minutos antes, na porta da rádio, o assunto era a provável queda do Vasco para a segunda divisão. Não era ainda muito claro aquele vexame. A colocação na tabela dava alguma folga e bastava um desempenho medíocre para se livrar. Mesmo assim já estávamos todos bem próximos da certeza, da pior das certezas: nosso futuro imediato era sombrio. A mudança ocorrida na direção do Vasco desorganizara em tempo recorde um dos mais bem organizados clubes do planeta. E não dava a menor indicação de que houvesse qualquer coisa para por em seu lugar. Não havia nem fila de patrocinadores na porta nem fila de quem se dispusesse a comandar o futebol do clube, muito menos os seus demais esportes, pior ainda para sustentar o colégio que funcionava a pleno vapor. Só havia em quem botar a culpa, e isso era um péssimo sinal. Era a autorização para deixar o Vasco ser destruído. Afinal, para destruir um clube que funciona não é necessário quebrar nada, jogar bomba nas suas dependências, incendiá-lo, nada disso. Basta que ninguém faça nada, que ninguém tome providência alguma para sua manutenção. Era o que nos esperava; foi o que chegou e aí está.
Mas a meditação do Bira, como consegui saber pelas intervenções que fez nos programas seguintes e nas conversas que tivemos, tinha a ver com um futuro mais distante. Bira sabia que no Vasco preparava-se para o futuro de curto, de médio e de longo prazo. Sem dúvida, mas preparava-se também para todo o futuro, pois, como bem diz o título de um autor francês, o futuro dura muito tempo. Porque é essa a projeção existencial do Vasco. Ele sabia disso. O Vasco nasceu para ter um futuro que dura muito tempo, bem maior do que qualquer futuro que tenha algum prazo para ser realizado. O Vasco é luta contínua, ininterrupta. Por isso a necessidade da formação ininterrupta desse futuro com a formação de atletas em todos os esportes, abraçando todas as categorias de base, porque não é só começar, deve prosseguir, oferecer condições de carreira na modalidade escolhida e com a certeza do sustento, do apoio psicológico e material.
Bira estava preocupado com o começo da quebra das categorias de base, principalmente com as arbitrárias dispensas de menores de idade, atletas vascaínos que estavam sendo mandados de volta para casa sem maiores explicações e sem assistencia social, médica ou psicológica. Bira não entendia como crianças que tinham esperanças em uma vida melhor eram devolvidas sem dó nem pena aos seus carentes pais, aos seus carentes bairros ou municípios de origem. Sofriam a dispensa como se fossem os adultos empregados do Vasco, aos quais, apesar da crueldade, era apontado o caminho da Justiça do Trabalho. Bira imaginava a dor dos adultos e, muito mais, a dos menores, que nem tinham esse caminho. Não conseguia ficar em paz. A cada notícia de demissão de empregados ou de dispensa de jogadores das categorias menores, ficava mais revoltado, mais indignado. Era vascaíno mesmo, daqueles que entendem que o Vasco não é mero time de futebol. Ele pensava e sentia o Vasco como comunidade de sentimento, no mais amplo sentido. Ser Vasco, ser vascaíno, é uma maneira de viver neste mundo. É uma maneira de viver em comunidade com aqueles que têm os melhores sentimentos de fraternidade e escolheram as práticas esportivas e tudo que em torno delas é preciso organizar para expressar as melhores qualidades humanas. E cada um fazendo do seu jeito um jeito de ser assim. Por isso, apesar de jornalista de grande talento e categoria, tenho certeza, esse era apenas o seu jeito de ser o que mais o deixava orgulhoso de sua vida: ser Vasco, Vasco da Gama, vascaíno. Ele sabia que não era uma simples questão de escolher um clube para torcer; era a definição da sua condição humana entre as mais elevadas condições de ser homem.
Na Casa dos Poveiros, num almoço, ele sentou à mesa em frente a mim e conversamos sobre o Pinga, sobre o sentimento que o Pinga despertava entre os vascaínos e de como era bem diferentre do sentimento despertado pelo Romário. Como sentimento não se descreve, apelamos para a “sintonia”, para a simpatia mútua, e entendemos bem que não podíamos explicar para o Carlos Eduardo que a questão não era a qualidade dos dois como jogadores, mas o que cada um representou para a comunidade de sentimento nos diferentes tempos em que jogaram. Preferimos o Pinga, sem milésimo gol, sem estátua, sem maiores badalações, porque, discreto como ele era, era mais íntimo, mais solidário com o nosso sentimento vascaíno de meninos dos anos 50. Nada a opor a ninguém; nada contra os ídolos que vieram depois do Pinga. O Vasco é inesgotável. Existe Vasco para todos os tipos de vascaínos. Até para os que não estão entendendo que o Vasco não está hoje nas nossas mãos, nas mãos dos vascaínos. Concordamos que os aventureiros, os aproveitadores e os políticos profissionais em causa própria não podem continuar com ele. Foi assim nosso último papo.
A mensagem final do Bira todos sabem: todo apoio possível às divisões de base de todos os esportes. Não é só o futuro do Vasco. É a eternidade do Vasco.




09/03/2010 5:23h
Já temos uma enorme dificuldade em transformar nossos filhos e netos em Vascaínos, lutamos contra a mídia e contra todos e agora temos que lutar contra os próprios homens que administram o clube, desconhecedores que são do mesmo. Mas venceremos, com a inocência das crianças oe com a sabedoria dos idosos. O Vasco não será imortal, o Vasco é imortal.
Vasco Forever.
09/03/2010 7:44h
É isso aí professor Valter!
Tão bem explicado e tão fácil de entender.
E, ao mesmo tempo, de compreensão inalcansável para muitos.
O Vasco para todos os gostos? Não.
O Vasco para os que pouco compreendem as coisas à sua volta.
Afinal, somos as viúvas do Eurico.
09/03/2010 8:41h
Parabéns mestre Valter, continuemos a luta.
Que DEUS receba nosso BIRA em seus braços DIVINOS.
Abraços Milton
09/03/2010 8:56h
Sei que é meio fora do tópico, mas o Bira, que não conheci, deve estar satisfeito, onde estiver, com a façanha do nosso Vasco da Gama da África do Sul. Que o Cabo das Tormentas se transforme no Cabo da Boa Esperança!
amsl
09/03/2010 9:12h
karate vascaino acabou de ser campeão COPA BRASIL BIOLAB DE KARATE EM POUSO ALEGRE MG e quer dedicar essa vitoria a um dos maiores incentivadores do karate no vasco BIRA.
Apesar de não sermos equipe oficial do vasco, sempre seremos vascaino e continuaremos a fazer campeões.
Enquanto houver um coração infantil, o vasco sera imortal.
manoel varella
o kara …..te
09/03/2010 12:17h
Eles falam que isso é romantismo. Concordo, acrescentando: não só romantismo na melhor acepção da palavra, mas acima disso, também amor à instituição Vasco da Gama, levando esse amor ao respeito e á perpetuação desse CLUBE, uma comunidade de sentimento. E, este sentimento nunca parou e não pode parar.
Só entende CRVG, quem pensa e age segundo esses valores. O resto é fumaça! Professor Valter, o texto é doutrinário e cativante pelo conteúdo. Parabéns pela excelente coluna!
Quanta dedicação do Mestre Bira, um cidadão que também se realizou por ser vascaíno. Naturalmente, o Ubiratan Solino assumia essa atitude-dever para com a Instituição.
09/03/2010 12:42h
Fora, churrasqueiros e vampiros sulistas. Fora, banana e trupe impostora!
“Enquanto houver a preocupação com um coração infantil o Vasco será imortal!”. Seus estelionatários, anotem isso.
09/03/2010 15:55h
Bira estava preocupado com o começo da quebra das categorias de base, principalmente com as arbitrárias dispensas de menores de idade, atletas vascaínos que estavam sendo mandados de volta para casa sem maiores explicações e sem assistencia social, médica ou psicológica.
…
Infelizmente estamos sem o nosso saudoso Bira… E por falar em categorias de base, encontrei o texto abaixo, por incrível que pareca, NO SITE DA BOVINADA !!!
Sinal que a sem-vergonhice e falta de vergonha na cara dos golpistas vem atingindo níveis insustentáveis.
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Seria bom alguém do Casaca, ou o próprio Eurico, averiguar se isso realmente está acontecendo.
xxxxxxxx
Olá Claudio,
Independentemente de qualquer “ouvi falar” ou algo do gênero o Casaca já afirmou que a situação na base é periclitante, citou o caso de Muralha, além de outros e sobre demissões de gente competente e conhecedora do clube por outros que agradam à corte sem um ou ououtro, ou ambos.
Que outros meios de comunicação nos repitam nada mais é do que o óbvio. Quem se interessa pelo clube e quer saber o que ocorre nele vem ao Casaca.
Muitas vezes é difícil chegar aqui e ver tantas mazelas do clube. Imaginar que a mídia esconde os fatos e procura mostrar um Vasco que não existe. O sensacional primeirão da segunda. Depois a ficha cai e as críticas tecidas neste espaço e os fatos apresentados, com o tempo se mostram a verdade sobre o Vasco. Foi assim com a questão da queda, o balanço, orçamentos, inversão de votos no Conselho Deliberativo, aplauso para goleada sofrida, time fraco do ano passado, Eletrobrás e certidões, desrespeito ao Conselho de Beneméritos,programa de sócios, demissões descabidas e admissões por quantias fora do razoável, jóias raras da base, empresário vascainíssimo se dando bem no clube, Champs, desrespeito às divisões de base, gênios que não são gênios, falta de credibilidade, de transparência e de competência.
A demora no enxergar prejudica só o Vasco. E quem tem sentimento do que é e representa o Vasco. Como disse muito bem Valter Duarte, o Vasco não está nas mãos do Vasco. Quanto mais tempo durar isso mais o clube vai seguir um caminho disforme do que lhe foi e deveria ser sempre sua senda.
Grande abraço,
Sérgio Frias
09/03/2010 22:14h
Vascaínos
Conforme sugeri ao Sérgio Frias, no velório do Bira, volto a tocar no assunto. Tendo em vista que a sala de imprensa do Vasco recentemente foi nominada, pode ser criada a sala de imprensa virtual, um cantinho no site, do Casaca com o nome do Bira. Dessa forma, seria êle homenageado por aqueles com quem compactuava com as mesmas idéias em defesa do Vasco.
Dinoel Sant’Anna
xxxxxx
Olá Dinoel,
Estamos elaborando uma homenagem neste sentido, a partir da sua sugestão. Anunciaremos na Rádio no próximo programa.
Grande abraço,
Sérgio Frias
10/03/2010 5:42h
Professor Valter Ferreira, obrigado e parabéns pelo texto sensível e doutrinário, como já disseram aqui. Repassei a meia duzia de amigos renitentes com muita esperança de “ferir” seus corações e mentes.
10/03/2010 18:53h
Que Deus sempre abençoe a alma do nosso Eterno Bira!
10/03/2010 21:11h
Grande Valter Ferreira!
Belíssima coluna!
Meus parabéns!
Saudações Cruzmaltinas!