Resposta a Patetices 4 – 2004
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]Segue abaixo mais um capítulo da série.
Particularmente fiquei muito feliz com a oportunidade de rememorar ao torcedor vascaíno os prejuízos de arbitragem sofridos durante as competições nacionais em 2003. Realmente é algo estarrecedor. Ser prejudicado em treze partidas, considerando apenas lances capitais, e beneficiado em apenas uma mostra de forma clara e inequívoca uma má vontade com o Vasco neste quesito. Agora que todos tiveram a oportunidade de relembrar isso, veremos que o bonde da história nos mostrará uma conduta indignada da própria torcida a respeito do tema no ano de 2004.
Boa leitura a todos.
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O ano de 2004 inicia com o Vasco, na figura de seu presidente e corpo diretivo, disposto a equacionar o clube num trabalho de médio e longo prazo, pois àquela altura toda a conta do que fora herdado do final de governo do ex-presidente Calçada, mais os primeiros 18 meses da primeira gestão de Eurico Miranda (a época do torniquete) “bateria” em cima do clube.
Desta forma, a montagem do time de futebol se faria com uma aposta na base e algumas contratações de impacto. A mais falada do início daquele ano foi o retorno de Marcelinho Carioca – Campeão Estadual do ano anterior – ao clube, após acirrada disputa com o Fluminense, também interessado no concurso do atleta. Por fim o Vasco venceu a queda de braço e trouxe o atacante de volta a São Januário. Seriam ele e o jovem Morais as grandes apostas para o ano de 2004.
O Vasco contava ainda com o seguro goleiro Fabio, tinha o retorno do zagueiro Henrique que participara das campanhas vitoriosas do clube, campeão da Taça Guanabara e Copa Mercosul do ano 2000 (trazido no segundo semestre do ao anterior), Rodrigo Souto, no time de cima já há dois anos, mais Beto, polêmico meia (uma espécie de Zé Roberto atual) com bom futebol em campo e muitos problemas fora dele, também parte do elenco desde o Campeonato Brasileiro de 2003, mais Valdir que não se houvera muito bem na última temporada, vítima de contusões naquele período.
Duas outras contratações de menor peso viriam para dar opção ao setor ofensivo do clube, o meia atacante Róbson Luiz (vindo do Vitória) e o ponta Alex Alves (vindo do Atlético-MG, mas com passe vinculado ao Hertha Berlim-ALE) que chegava com boa expectativa, aos 29 anos, mas teve na balança seu maior adversário em 2004.
Os atletas da base a serem utilizadas no ano de 2004 foram muitos, praticamente todos pertencentes a uma geração que fizera sucesso nas categorias inferiores, da qual se destacavam Claudemir, Wescley, Victor Boleta, Igor, Coutinho, Morais e Anderson.
No comando técnico, um treinador tido na época como de ponta: Geninho – Campeão Brasileiro com o limitado Atlético-PR de 2001 e Paulista dirigindo o Corínthians em 2003 – seria o responsável para levar o Vasco ao Bi Campeonato Carioca e fazer boa figura no Brasileiro.
A expectativa de se contar com Marcelinho Carioca como grande estrela da companhia foi se perdendo, pois o atleta não conseguia se recuperar de uma lesão que o impedia de ir a campo. Após a Taça GB, quando o Vasco perdeu quando não podia, no play-off semifinal, outra notícia desagradável. Morais tentava se desvencilhar do clube usando como subterfúgio a “barriga de aluguel” Portuguesa Santista, com o propósito do clube paulista repassar o atleta ao Cruzeiro. Com muito esforço o Vasco, através do advogado Paulo Reis, conseguiu manter o vínculo de Morais com o clube e após algumas discussões o jogador foi emprestado ao Atlético-PR.
Sem Marcelinho e Morais, o Vasco no segundo turno já era tido como carta fora do baralho. Um grupo muito jovem, sem poder contar com o bom futebol de Alex Alves, às voltas com um sistemático problema de peso, dependeria de um bom esquema tático e espírito coletivo para alcançar bons resultados. No primeiro clássico da Taça Rio, contra o Fluminense, uma goleada de 4 x 0 surpreendeu e fez de Valdir o nome do time. Ele – já artilheiro do campeonato àquela altura – marcaria três gols no clássico e passaria a ser a referência do time. É justo destacar que durante a Taça Rio atletas como Robson Luiz e Beto realizaram boas partidas chegando aos play-offs como também destaques daquele plantel. Enquanto na semifinal Robson Luiz marcou o gol do Vasco e Fabio garantiu nos pênaltis a classificação para a final, na decisão brilharam Valdir e Beto (este com um golaço) frente ao Fluminense de Odvan, Ramon, Roger, Romário e Edmundo.
A vitória fez parte da mídia (destacando-se o rubro-negro Roberto Assaf) crer ser o Vasco o favorito para a conquista do campeonato. De fato, o time encaixara e se arrumasse uma maneira de marcar Felipe (único jogador rubro-negro que desequilibrava) estaria com meio caminho andado.
No dia 09 de março um ato de coragem, responsabilidade social e pioneirismo entre os grandes clubes cariocas. A criação do Colégio Vasco da Gama, com o objetivo de formar alunos no primeiro e segundo graus, dando a eles condições, com isso, de vislumbrarem no futuro algo para além do esporte na vida profissional. A diferença do colégio e de mil outras ações sociais reveladas com pompa por representantes do Poder Público, ongueiros e políticos profissionais é o fato de que ela não só se tornou realidade como funcionou de forma adequada e eficiente, tendo inclusive nos últimos anos servido de exemplo, em função de alunos formados nela ingressarem na universidade. Há, no entanto, uma parte de vascaínos que incomodada com a realização e sucesso do projeto procurou desfazer dele dizendo por anos: “eu quero é título”. Por não terem noção do quanto são idiotas, cabe com relação a eles o sentimento puro e simples de pena. Nunca entenderão o que representa o Vasco, sua história, objetivos e preceitos. Pobres coitados.
Antes do primeiro jogo da decisão, uma partidinha que parecia não ter lá muita importância foi realizada no meio de semana. O Vasco enfrentaria o XV de Campo Bom, vice-campeão gaúcho do ano anterior e que perdera o título daquele ano em seu estádio, na prorrogação. Seu técnico era o ainda desconhecido Mano Menezes, mas o Vasco (que empatara no sul por 1 x 1 atuando com um homem a menos em toda a segunda etapa) levou o jogo em banho Maria achando que o resolveria a hora que quisesse. No segundo tempo, entretanto, em 12 minutos, levou três gols e saiu prematuramente da competição. O surpreendente time gaúcho chegou às semifinais, sendo eliminado pelo Santo André em função do saldo de gols. A equipe paulista na decisão da Copa do Brasil venceu facilmente o Flamengo no Maracanã, mostrando que as zebras estavam com a corda toda naquele ano.
O torcedor do Vasco, entretanto, pouco se importou com a eliminação pois vira o time conquistar sua nona Taça Rio três dias antes (é ainda hoje o maior vencedor do troféu) e tinha suas atenções voltadas para a decisão que se iniciaria quatro dias após..
No primeiro jogo final o Flamengo abriu o placar no primeiro tempo com um gol irregular, aumentou na segunda etapa e, atuando melhor àquela altura, via-se com uma das mãos na Taça, quando aos 47 minutos do segundo tempo Coutinho, num golaço, diminuiu. Rodrigo Souto, encarregado da marcação de Felipe, deixara muito espaço ao meia. Este fora decisivo na vitória rubro-negra e o grande desafio para os cruzmaltinos na segunda partida seria marcá-lo.
No início da semana, observando a onda pró-mengão e, ao mesmo tempo a passividade dos vascaínos diante do massacre midiático a favor do mais queridinho da mídia, Eurico Miranda declarou que o Vasco seria campeão e o chopp já estaria comprado. Diferentemente, por exemplo, do jornalista Paulo Stein que vaticinara o título tricolor um ano antes, Eurico estava no seu papel de representante do Vasco e preocupado que não houvesse no domingo uma disparidade gigantesca entre os torcedores dos dois clubes na arquibancada. Deu certo. A torcida do Vasco compareceu e se não dividiu o Maracanã com a do Flamengo mostrou-se presente em bom número diante da situação imposta de reversão do placar para levar a decisão aos pênaltis, ou vantagem de dois gols para ser campeão direto.
Durante a semana num treino “alemão” as câmeras da Globo pegaram um áudio do técnico Geninho falando a um atleta “Ficou parado morde o tornozelo dele. Vamos.” O treino alemão é realizado para diminuir espaços, aumentar a criatividade dos atletas que estão com a bola, pois o campo é reduzido e, ao mesmo tempo, incentivar ao time que defende apertar na marcação. O comentário de Geninho foi posto na Rede Globo, sendo sugestionado, a partir daí, que o treinador indicara a seu atleta o que fazer com Felipe. A leviandade proposta pela mídia teve em Renato Mauricio Prado (olha ele aí!) um grande defensor e o clima para o jogo de domingo já estava preparado contra o marcador de Felipe.
Geninho escalara Coutinho para ser o homem encarregado pela marcação de Felipe. Com dois minutos de jogo, Valdir, impedido, abria o placar. Também sob esse aspecto, Vasco e Flamengo se igualavam e os outros 88 minutos seriam pau a pau para saber quem levaria o título.
Mas o roteiro global já tinha um discurso relativamente pronto. Com segundos de partida o narrador Galvão Bueno falava de uma polêmica na semana dizendo ter o técnico vascaíno dito besteira, etc… Aos 11 minutos de partida um desenho globalizado do que iria ocorrer no restante da decisão. Vejam: Fala de Galvão Bueno. “Coutinho já deu a primeira. Vai tomar o primeiro cartão porque chegou… E deu no tornozelo, amigo (não havia visto ainda o replay do lance). E os jogadores do Flamengo… Tudo isso que aconteceu (refere-se provavelmente à edição de imagens e áudio feitas no treino do Vasco no decorrer da semana e a polêmica posterior) vai gerar isso. Agora vai tomar o cartão. E ele vai mudar a marcação, claro. Se não mudar a marcação vai acabar sendo expulso. Não foi no tornozelo, não (após ver o replay). Ele chegou, botou a perna e empurrou, mas é aquela história. Ficou na cabeça de todo mundo.”(Galvão confiando que a verdade criada pela Globo tivesse influenciado a todos, a ponto de erros como o dele, só corrigidos após o repeteco do lance, serem corroborados por uma grande massa de manobra).
Para desespero da onda pró-mengão, Coutinho passou a ganhar todas de Felipe. O volante desarmou o rubro-negro em uma, duas, três oportunidades, até que aos 27 minutos o meia apelou. Após tentar passar mais uma vez por seu marcador, sem sucesso, reclamou de falta, inexistente, e tendo visto frustrada sua cobrança, fez gestos – na lateral do campo em frente ao bandeira e próximo do árbitro – característicos de que a arbitragem estava metendo a mão no seu time. O gesto de Felipe foi agressivo, mas o juiz não teve coragem de expulsá-lo. Ao final da primeira etapa o Vasco perderia o zagueiro Fabiano com fratura na costela e para o segundo tempo deveria vir com Santiago, seu reserva, que, porém, sentiu no vestiário e não pôde vir a campo. Os cruzmaltinos entraram na segunda etapa com apenas um zagueiro e Igor um pouco mais recuado. Antes dos cinco minutos o Fla empatou. Aos nove, na terceira falta cometida por Coutinho sobre Felipe em todo o jogo (a primeira que mereceria cartão) o vascaíno foi expulso de campo. O golpe foi quase fatal e delineou o vencedor do segundo confronto decisivo. O Fla fez 3 x 1, sendo o último gol do jogo também irregular.
Uma curiosa pesquisa saiu no site Netvasco após a decisão perdida contra o tradicional rival. Perguntava-se de quem seria a culpa pela não obtenção do bi campeonato. Eurico Miranda “ganhou” ficando os atletas em segundo e a arbitragem em terceiro lugar. “Tempo, tempo, tempo, tempo faço um acordo contigo…” (Caetano Veloso).
Para o Campeonato Brasileiro, enquanto Petkovic era contratado sairiam no início da competição Marcelinho e Beto após receberem boas propostas do exterior.
Mais uma vez a arbitragem teria uma influência direta no rendimento do time, mais especificamente no primeiro quarto da competição. Entre a nona e a décima terceira rodada a equipe cruzmaltina foi prejudicada pela arbitragem em lances capitais simplesmente em todas as partidas, inclusive nas que venceu. Palmeiras, Paraná, Internacional, Figueirense e Vitória tiveram benesses dos apitadores na ocasião. Ocorreu, entretanto, um pequenino detalhe. No jogo contra o Vitória, disputado em São Januário, o último da série, a torcida do Vasco deu um basta. Faixas foram colocadas nos mais variados pontos do estádio com dizeres do tipo: “Teixeira, todos já sabem: na dúvida contra o Vasco”; “Teixeira, chega de perseguição: arbitragem limpa”.
A partir do jogo seguinte (vitória de 1 x 0 sobre o Flamengo) os árbitros passaram a se comportar melhor, mas o prejuízo causado já havia sido feito. Na décima quinta rodada do primeiro turno, caso os erros dos juízes contra o Vasco não tivessem ocorrido, o clube estaria na liderança da competição com 26 pontos, mesmo sendo derrotado no jogo contra o Coritiba em casa (posterior ao clássico com o rubro-negro), mas naquele instante o Vasco somava mesmo 20 pontos, próximo ao meio da tabela.
No dia 08 de setembro o goleiro Fábio quis se desvincular do clube alegando inadimplência quanto ao fundo de garantia. Pedia 10 milhões de reais de indenização (é mole?). O Vasco informou estar adimplente e disse que a atitude do atleta, neste ano convocado para a Seleção Brasileira, só prejudicaria a si. Fábio nem jogou, nem foi liberado em 2004.
O time do Vasco – que já não contava com Fabio – era barato e pouco experiente. Ao longo do campeonato se manteve mesmo numa posição intermediária na tábua de classificação. Chegou a golear o Botafogo (4 x 0) e vencer os dois confrontos diante do Flamengo, sendo o último realizado há dez rodadas do fim da competição. A derrota pôs o rubro-negro lutando diretamente contra o rebaixamento, mesma posição em que se encontrava o Botafogo. Para se ter uma idéia, após o triunfo cruzmaltino sobre o clube da Gávea, o Botafogo se encontrava na zona de rebaixamento e o Flamengo a um ponto dela. A cinco rodadas do fim, Fla e Bota se enfrentaram em partida que terminou empatada. Na ocasião os flamenguistas é que estavam na zona de rebaixamento e os botafoguenses a um ponto dela. O empate manteve ambos na corda bamba.
E o Vasco? Simplesmente não precisaria somar qualquer ponto nas últimas 5 rodadas do Campeonato que mesmo assim não cairia. Repetindo: o Vasco não precisaria somar um único ponto nas últimas 5 rodadas para se manter na primeira divisão, ou seja, (para quem ainda não entendeu), dos últimos 15 pontos a serem disputados não haveria necessidade do Vasco somar qualquer um deles para continuar no grupo de elite em 2005. Enquanto isso, os outros dois co-irmãos viviam com a corda no pescoço.
No dia 04 de outubro pesquisa do IBOPE registrou aumento da torcida vascaína na ordem de 14% nos últimos seis anos até 2004.
Em 15 de novembro, o presidente rubro-negro Márcio Braga declarou que o Vasco era o clube mais importante do Rio de Janeiro, dando tal declaração com o intuito de que o Gigante da Colina aderisse à Liga Carioca criada por outros clubes grandes da cidade, dentre eles o próprio rubro-negro. Eurico Miranda entendeu a colocação como uma obviedade e se manteve filiado à FERJ.
Vinte e quatro horas depois Eurico Miranda declarava não se interessar em fazer parte da Timemania pelo fato do Vasco não possuir dívidas tributárias com a União. De fato, o clube já havia apresentado no site oficial certidões positivas com efeito de negativas fornecidas pela Secretaria da Receita Federal e pelo INSS. A certidão emitida pela Previdência Federal foi concedida após um mandado de segurança, já que a mesma alegava ainda existir débitos, que estavam sendo questionados pelo Vasco.
Voltando ao Campeonato Brasileiro, a duas rodadas do fim, o sensacionalismo prevaleceu na mídia. Esta, obrigada semanalmente a noticiar a briga do seu mais queridinho junto ao clube do mais moderninho (Bebeto de Freitas, presidente do Botafogo) conseguiu a fórceps encaixar o Vasco naquele grupo. Numa combinação matemática quase improvável foi posto o Vasco como um dos candidatos ao rebaixamento com 4,5% de chances de cair.
O que embasou a mídia para o discurso foi, no fim das contas, o causador do clube ter ficado mordido. Para ela o Vasco obviamente perderia para Atlético-PR (líder e segundo vaticinavam virtual Campeão Brasileiro) e Santos, o vice-líder, na última rodada, em São Paulo. Daí por diante se A ganhasse B, C empatasse com D, E vencesse F, G surpreendesse H, o cateto do quadrado da hipotenusa desse x/2 os cruzmaltinos estariam rebaixados para a segundona. Pronto: a equipe de São Januário também era para o quarto poder candidata ao rebaixamento. O fato de ter o Vasco naquele momento cinco clubes atrás de si (entre eles Flamengo e Botafogo) dos que escapavam da zona de rebaixamento foi posto de lado. O negócio era colocar o Vasco no bolo.
Em meio às ilações da mídia, Eurico foi perguntado a respeito do Vasco temer Atlético-PR e Santos. O presidente vascaíno rebateu: “Eles é que tem de temer o Vasco, pois terão que passar por nós nos próximos jogos”. Enquanto a imprensa tratou o episódio como fanfarronice, Eurico passou a motivar o jogo chamando a torcida do Vasco.
Houve no meio da semana uma declaração curiosa do suposto candidato à presidência pelo grupo oposicionista MUV, Carlos Roberto de Oliveira. Para o ex-atleta, Eurico não deveria ter dito que os outros é que deveriam se preocupar com o Vasco e sim que o Vasco teria condição de tirar pontos das duas equipes. Roberto dava uma dica para os não alienados, com aquela fala, de como via o Vasco perante seus adversários, ou seja, pequeno, ínfimo, arqueado. Um retrato de sua patética figura nos dias atuais. Disse ainda o representante do MUV que não era hora para inaugurar escola e sim pensar no futebol (Roberto não sabia que a notícia dada a respeito da escola era o anúncio da primeira formatura no colégio Vasco da Gama e não inauguração da escola, fato ocorrido em março).
Ao jogo e… vencemos! Uma vitória por 1 x 0 com São Januário cheio, tirando o Atlético-PR da liderança, mesmo contando os cruzmaltinos com a entrada do desconhecido arqueiro Everton, oriundo do Volta Redonda, que fechou o gol naquele dia.
Após o encerramento da partida Eurico cercado por microfones disse que o Atlético começou a perder o jogo quando ousou desrespeitar o Vasco. Subiu numa cadeira e puxou o grito de Casaca junto à Força Jovem. Um gesto simbólico para mostrar que um clube como o Vasco nunca perde de véspera e que deve sempre ser respeitado.
Como não poderia deixar de ser, a imprensa desvirtuou o fato e disse que Eurico havia subido na cadeira e puxado o Casaca para comemorar o não rebaixamento do Vasco. Pior do que isso fez na semana seguinte: pinçou uma declaração do seu queridinho gestor, Bebeto de Freitas dizendo que não havia nada a comemorar, após o Botafogo (clube que dirigia) escapar do rebaixamento no último jogo, fazendo um contraponto entre os dois presidentes. Sensacional!
Na última rodada do Brasileiro o Vasco acertou um patrocínio para aquele jogo na ordem de 250 mil com o canal Sony/AXN. O valor na época estava muito acima do mercado e Eurico reafirmava (ainda resistindo a pressões de outros clubes no Clube dos 13 que insistiam em reduzir as cotas de TV do Vasco, maior receita para os clubes naquele momento) que só poria no uniforme do clube uma marca que pagasse aquilo que o Vasco merecia receber. A estratégia na verdade inibia que nas discussões no Clube dos 13 fosse questionado o valor da cota que o clube deveria receber, comparando um eventual patrocínio com o de outras agremiações. Preferia manter a camisa limpa até sedimentar a posição do Vasco como parte integrante do grupo que maior valor recebia, composto à época pelo Gigante da Colina Flamengo, Corínthians, São Paulo e Palmeiras.
O balanço do ano nos outros esportes trazia novas conquistas em cinco modalidades: Boliche, Futebol de Mesa, Karatê, Tênis e mais uma vez o Vôlei de Praia. Por sinal a dupla composta por Adriana Behar e Shelda trouxe mais duas medalhas olímpicas de prata não deixando o clube passar em branco nos jogos que contaram também com a participação dos remadores Thiago Gomes e José Carlos Sobral.
Em 23 de dezembro, em meio à distribuição de cestas de natal, Eurico Miranda reafirmava que os salários estavam em dia. O Vasco iniciara em 2004 seu reerguimento, mas eram vislumbrados ainda anos difíceis, até que a situação financeira do clube fosse devidamente equacionada.
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Vamos agora a seus questionamentos, Junior.
1) Ano IV sem Patrocínios;
Houve um acordo da prefeitura do Rio com o Vasco de que esta, em contrapartida da exposição no uniforme de propaganda sua pagaria ao Vasco por isso valores que foram chutados na imprensa, mas eram inferiores ao exposto no item abaixo. A prefeitura não pagava e em dado momento do ano justificou que não o fazia em função do clube ter débitos fiscais que a impediam de satisfazer o acordo feito. O Vasco apresentou quitação de tais débitos (algo parecido com o que o clube tenta fazer em relação a Eletrobrás hoje, sem sucesso, e só vai conseguir através de liminar) no mês de outubro. Poderia, portanto, receber o acordado. Mas a prefeitura enrolou e como o acordo foi feito no fio do bigode, Cesar Maia preferiu raspá-lo. O Vasco, por sua vez, não quis ser belicoso (Nelson de Almeida ficaria encantado) e preferiu não se indispor com a prefeitura na ocasião por ter interesse em outras ações para o clube, optando com isso que o relacionamento não fosse azedado. Houve, portanto, um patrocínio que não foi pago.
2) Eurico diz que acertou com a Prefeitura do RJ, um patrocínio PÚBLICO vinculado ao PAN, em que por exibir o logo do mesmo, receberia por mês R$ 300 Mil, sendo que o que exibiu foi o brazão da Prefeitura e nunca recebeu nada até a presente data;
Eurico diz, não. Eurico acertou. Como foi explicado anteriormente. Não compare o contrato da Petrobrás ou Eletrobrás com isso. O Vasco tinha, na época, interesse direto no Pan, pois ele poderia trazer reformas no complexo de São Januário, benfeitorias, etc… Daí também não houve uma briga direta do clube com a prefeitura pelo não recebimento.
3) É novamente Vice-Campeão Carioca para o Flamerda, na que seria a ÚLTIMA FINAL de Campeonatos Estaduais, de sua Gestão;
No ano anterior foi Campeão Carioca e o Fla foi vice do Vasco na Taça Guanabara. Assim sendo, o novamente não faz sentido. Venceu a Taça Rio em cima do Fluminense que, este sim, novamente sucumbiu diante do Vasco numa final, como das seis vezes anteriores. Um recorde em disputas entre os grandes deste estado até então. Também é verdade que foi a última decisão de estadual da gestão Eurico Miranda, pois nos quatro anos subseqüentes quatro disputas de pênaltis perdidas e arbitragens infelizes impediram que o clube chegasse a outras, mas não foi a última decisão da qual o Vasco participou na gestão Eurico Miranda, como bem sabemos.
4) É eliminado pelo XV de Campo Bom/RS por 3×0 em pleno Estádio de São Januário;
Equipe que chegou a semifinal da Copa do Brasil perdendo para o campeão em função do saldo de gols, obtendo um resultado sobre este que não viria a ocorrer na decisão entre seu algoz (Santo André) e Flamengo. Foi, por sinal, contra o time do ABC paulista que o XV perdeu sua única partida na competição. Por fim , como sabemos, o jogo ocorreu três dias após a decisão da Taça Rio e quatro dias antes da primeira partida decisiva do Carioca. O clube, portanto, estava focado em outra competição.
5) No Brasileiro, nova campanha pífia, sendo salvo do Rebaixamento por Petkovic que voltou ao Vasco nesse mesmo ano, saindo de novo, ao Final;
Falou bobagem quanto ao rebaixamento, novamente. Não foi uma boa campanha, sem dúvida, mas pífia foi a de Flamengo e Botafogo, quase rebaixados em 2004.
6) Comemora subindo em uma Mesa a fuga do rebaixamento em um jogo dramático na penúltima rodada contra o Atlético/PR;
Como pôde perceber pelo texto, você não entendeu o porquê daquela atitude.
7) Assina um Patrocínio de um jogo só (SONY/AXN), em uma partida em que foi coadjuvante do Santos que foi o Campeão;
Assina por um único jogo um excelente patrocínio de 250 mil reais. O Vasco, no final das contas, demonstrou ser o fator de desequilíbrio do campeonato. O Santos, por sua vez, não provocou o Gigante da Colina durante a semana, pois se o fizesse certamente teria muita dificuldade para alcançar o título. É aquela história: Quem tem, tem medo.
Sérgio Frias




03/06/2010 13:38h
Sérgio, aquele campeonato carioca de 2004 foi um espelho da tradicional cagada rubro-negra. O time do Vasco, no papel, tinha todas as condições de ser o campeão, mas passou o campeonato inteiro sofrendo com problemas de contusão de jogadores e com a pressão do morais para sair. O alex alves era um excelente centroavante e se não tivesse começado a jogar fora a sua carreira justamente naquele ano poderia ter sido bastante útil ao time. O marcelinho quase não jogou e o henrique também fez bastante falta. Já o flamerda contou com a tradicional proteção do capeta e, com a exceção do jogo com o Vasco na taça rio quando escalou um time misto, a mulambada jogou todos os outros clássicos com o time completíssimo, sem nenhum problema. Além disso, o fluminense passou o campeonato tentando fazer jogar o seu time com roger, romário e edmundo e acabou não fazendo grande coisa, ajudando a abrir mais ainda o caminho para o urubu. Uma fato “curioso” daquele campeonato foi que na derrota da mulambada para o botafogo no segundo turno houve grande xororô dos mulambos contra a arbitragem do ubiraci damásio. Segundo os mulambos o árbitro foi conivente com suposta violência alvinegra contra o bibelô do felipe. Foi apenas xororô, é claro, mas “curiosamente” nunca mais eu vi o tal ubiraci damásio apitar outro jogo do flamerda…
Em tempo: Será que o Sérgio “enciclopédia” Frias pode confirmar se o ubiraci damásio era o árbitro escalado originalmente para apitar a partida final do campeonato carioca de 2001 e que foi misteriosamente substituído em cima da hora por um árbitro cujo nome me falha agora e que prejudicou o Vasco no lance capital do jogo, aquela falta no finalzinho?
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Era o Ubiraci Damásio sim, Eduardo. Passou mal e foi substituído por Léo Feldman que deixou de marcar um pênalti claro sobre Euller na primeira etapa quando o placar era de 1 x 0 favorável ao Flamengo. Depois de apitar essa partida Léo Feldman se aposentou e passou a ser comentarista da TVE.
Abraço,
Sérgio Frias
03/06/2010 13:39h
A V I S O.
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Gostaria de solicitar, a quem vai compareçer a Casa dos Poveiros no dia 07, se possivel ir com a camiseta da Oposição. Várias camisas foram vendidas, e seria interessante até como efeito VISUAL.
- OS CAMISAS NEGRAS VOLTARAM – “NO TÚNEL DO TEMPO”
03/06/2010 13:52h
Mais um vez excelente Sergio. Tinha que se fazer um documentário desse período. Ponto a ponto assim como você está descrevendo. Com as imagens, videos, audio… deixar tudo preto no branco. Doa a quem doer.
Temos que voltar a ser a ROCHA no chinelo dessa gente. Quero ver o Vasco incomodando essa corja.
Só que quando o VASCO voltar… não vai ter mais quem tenha coragem ou chance de vir com propostas mirabolantes. Dessa vez vai ser definitivo e os séculos futuros do Vasco serão de dias melhores.
CASACA NELES!
P.S.: Estou contando com a transmissão ao vivo da reunião dessa segunda!
03/06/2010 17:39h
Caro Sérgio, tenho certeza de que suas explicaçoes não são dirigidas a pessoas de pouca ou nenhuma inteligência como esse tal de Júnior, mas sim aos vascaínos que não se permitem enganar pela mídia fantasiosa e inescrupulosa. Eu sou somente um torcedor que não conhece nada de administração esportiva e muito menos da política interna do Clube, e por isso deixo aqui somente um desabafo: Hoje não consigo sentir o mesmo orgulho em torcer pelo Vasco. Parece que falta alguma coisa. Parece que o time que está em campo não tem a mesma magia de tempos passados. Parece que faltam a tradição e o orgulho curzmaltinos. Pensando um pouco mais e relembrando alguns acontecimentos recentes, entendi que realmente falta muita coisa, mas a principal ausência é a de um dirigente convicto de suas idéias, conhecedor dos regulamentos das competições e dos trâmites jurídicos, um dirigente que coloque o Vasco em primeiro lugar e que honre a história do Clube, mesmo que para isso tenha que ir de encontro à poderosa mídia podre, travestida numa rede de televisão e suas ramificações. Um dirigente que não se curve para Galvões, Renatos, Jucas, e tantos outros omissos ditos jornalistas. Um dirigente que tenha domínio e conhecimento sobre o que acontece no Clube. Um dirigente que não entregue o Vasco nas mãos dos ambiciosos empresários. Um dirigente que administre e trate com respeito os atletas da base. Um dirigente que vença desafios. Vieram, então, em minha mente as finais da Copa João Havelange e da Série B, e constatei a seguinte realidade: O Roberto jamais será esse dirigente, uma vez que nunca terá a capacidade, o conhecimento e a coragem do Sr. Eurico Miranda. Esclareço que não conheço o Eurico e muitas vezes não concordei com sua postura como Presidente, mas a coragem desse homem em defender o Vasco, muitas vezes encheu-me de orgulho. Não reconhecer sua capacidade e dedicação ao Vasco, assim como tentar desmerecer e menosprezar seus feitos é, na minha opinião, a maior das imbecilidades.
03/06/2010 18:30h
Sugiro que elabore também um:
Resposta a Patetice 8-2008/2º Semestre;
Resposta a Patetice 9-2009.
Mostra para os envergonhados as merdas cometidas nesses 1,5 anos desastrosos.
04/06/2010 1:39h
“Perto do Vasco, o Atlético-PR é um timeco” – Eurico Miranda.
04/06/2010 8:15h
Contra fatos não existem argumentos!!!
Nada mais à declarar!!!
Saudações Vascaínas.
04/06/2010 11:47h
Mais um flamenguista querendo negociar com o VASCO.
http://www.netvasco.com.br/news/noticias15/79102.shtml
04/06/2010 13:12h
Sem comentários..
Grato pela aula de história, estou salvando todas as respostas.
SV
04/06/2010 13:26h
Estou enviando novamente por que o primeiro travou…
Acho que o Casaca nem precisa ficar perdendo tempo dando essas respostas a patetices.
O banana e sua corja maldita é que deveriam explicar todas as denúncias escabrosas que surgem diariamente…
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- DESVIO DE DINHEIRO DO CLUBE PARA AS ILHAS CAYMAN.
http://www.midiasemmedia.com.br/paulinho/?p=18173
- NEGOCIAR COM UM EMPRESÁRIO QUE ROUBOU O VASCO E AINDA PAGAR COMISSÃO.
http://www.midiasemmedia.com.br/paulinho/?p=18330
- DEPÓSITO DE 118 MIL REAIS NA CONTA DE PAULO TEIXEIRA QUANDO A DÍVIDA ERA DE CERCA DE 36 MIL.
http://www.midiasemmedia.com.br/paulinho/?p=18350
- DESRESPEITO A FIFA, DEPOSITANDO VALORES DE TRANSFERÊNCIA DE JOGADORES EM CONTAS DE TERCEIROS, QUANDO DEVERIAM SER DEPOSITADOS EM CONTAS DO CLUBE
http://www.midiasemmedia.com.br/paulinho/?p=18350
- NOTA FISCAL “001″ PARA A EMPRESA DE FRANCK HENOUDA, QUE ATUA HÁ MAIS DE 9 ANOS.
http://www.midiasemmedia.com.br/paulinho/?p=18356
- DEPOSITAR DINHEIRO DESTINADO A FORMAÇÃO DE ATLETAS EM CONTA DE EMPRESÁRIOS, SUJEITANDO O VASCO A PUNIÇÕES DA FIFA.
http://www.midiasemmedia.com.br/paulinho/?p=18366
- ENVOLVIMENTO COM O ADVOGADO CONGOLÊS, PROCURADO PELA JUSTIÇA, INVESTIGADO PELO MPF POR LAVAGEM DE DINHEIRO, EVASÃO DE DIVISAS E FORMAÇÃO DE QUADRILHA, SUSPEITO DE SER TESTA DE FERRO DE UM DOS MAIORES CRIMINOSOS DO MUNDO (JEAN-PIERRE BEMBA) ACUSADO DE CRIMES CONTRA A HUMANIDADE (HOMICÍDIO E ESTUPRO), TRÊS CRIMES DE GUERRA (HOMICÍDIO, ESTUPRO E PILHAGEM) E TAMBÉM TRÁFICO DE SERES HUMANOS.
http://www.midiasemmedia.com.br/paulinho/?p=18406
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Só não vale “entregar nas mãos de Deus”, ou dizer “que eu saiba, não” !!!
É muita sujeira pra quem vomitava COMPETÊNCIA, CREDIBILIDADE E TRANSPARÊNCIA a todo instante…
É muita falta de vergonha na cara pra quem arrotava na mídia o tempo todo que ia botar uma auditoria pra investigar a gestão do Eurico…
ANTES DE BOTAR AUDITORIA PRA INVESTIGAR O EURICO, OS VERMES DEVERIAM TER OLHADO PARA O PRÓPRIO RABO…
CADÊ AS EXPLICAÇÕES???? OS VASCAÍNOS ESTÃO AGUARDANDO ANSIOSAMENTE.
04/06/2010 13:31h
até o gabriel pensador quer tirar uma lasquinha do “novo vasco”,por que essa mula manca não acampa lá na mulambada?
23/06/2010 15:49h
Sérgio… vamos continuar com essa série maravilhosa.
Principalmente agora que vem a parte da recuperação e melhoria. O retorno a competições Sul Americanas, as melhores campanhas no Brasileiro… a Reebok, MRV, Habib’s.
Não podemos deixar de fechar esse ciclo.