Em 2016, Flamengo e Fluminense se enfrentavam pela 30ª rodada do campeonato brasileiro. Aos 39 do 2º tempo, o zagueiro Henrique faz de cabeça aquele que seria o gol de empate. O bandeira marca impedimento. O árbitro Sandro Meira Ricci chama a responsabilidade pra si e valida o gol. A TV reprisa o lance 5 vezes de 3 ângulos diferentes. Narrador e comentarista do Premiere batem o martelo: gol irregular. A informação chega no banco do Flamengo. Reservas, titulares e comissão técnica partem pra cima do juiz. Ele recebe diversas informações pelo ponto eletrônico e de agentes externos. Um verdadeiro colegiado foi criado para analisar o lance. Oito minutos depois, Sandro Meira Ricci anula o gol.
https://youtu.be/2rDbobalTCA
2017, sexta rodada do campeonato brasileiro, Avai 1×1 Flamengo. Aos 34 minutos do 2º tempo, pênalti para o time catarinense assinalado pelo árbitro. Novamente replays exaustivos são exibidos de todos os ângulos possíveis e imagináveis. O comentarista de arbitragem Paulo Cesar Oliveira da TV Globo, diz que não houve a infração.
Cabe interpretação. Uns podem achar que sim (como o juiz da partida achou) e outros não.
Nova reunião de um colegiado especial apenas para analisar o lance. Dois minutos se passam. Eis que, num ataque de sinceridade, o narrador Luis Roberto, após ver o árbitro se dirigir ao auxiliar, solta a seguinte frase:
“Ih, vai consultar a gente de novo! Vai consultar a gente de novo!”
https://youtu.be/AHCOiDd2alo
Resultado: o árbitro oficial, auxiliado pelo árbitro oficialesco, anula a marcação da penalidade.
Alguém pode perguntar: “O que o Vasco tem com isso?”.
Apesar da resposta ser óbvia, pois tratam-se de adversários diretos numa competição extremamente equilibrada, iremos expor porque isso tem a ver com o Vasco e é simples:
Também queremos replays exaustivos nos lances polêmicos. Também queremos que as arbitragens consultem o vídeo e após uma reunião do colegiado de homens de amarelo (e que amarelam), decida-se pela anulação de pênaltis mal marcados (dos seis contra nós, pelo menos dois não foram e 1 cabe interpretação), pela retificação dos não marcados (já foram três, sendo um contra o Palmeiras, um contra o Fluminense e outro contra o Corinthians) e que gols oriundos de jogadas de impedimento sejam anulados (no gol do Bahia contra o Vasco, Allione, que participou ativamente da jogada, estava impedido).
Mas é claro: tudo isso só terá validade, se for referendado pelos árbitros oficialescos. E pra isso, é preciso ser amigo do Rei. Ou da Rainha. A tal Vênus Platinada.
Em um país em que “excesso de provas” de um crime se transforma em prova de inocência, pode se esperar de tudo.
E o futebol nada mais é do que um reflexo da bagunça institucionalizada.
Rodrigo Alonso