São Januário não deve ser tratado como uma obra que precisa simplesmente ser concluída, mas como um patrimônio que precisa continuar funcionando enquanto é transformado.
São Januário é um patrimônio histórico, cultural e esportivo do Vasco e dos vascaínos. Mais do que a casa do futebol, o estádio representa uma das maiores forças de identidade e de mobilização do clube. Por isso, sua modernização deve ser realizada com responsabilidade, transparência e planejamento, preservando sua capacidade de funcionamento durante o maior período possível das obras e evitando que o Vasco assuma riscos financeiros que comprometam seu futuro, principalmente levando em consideração o atual litígio com o Maracanã e sua administração.
Objetivo
Modernizar e ampliar São Januário, tendo como meta um estádio com capacidade para no mínimo 40 mil espectadores, utilizando prioritariamente os recursos líquidos provenientes do Potencial Construtivo, dos Naming Rights e complementados por uma campanha de doações dos vascaínos, com contrapartidas simbólicas e institucionais.
A reforma deverá respeitar o projeto já aprovado no âmbito da legislação do Potencial Construtivo, mas será organizada de forma modular e progressiva, permitindo que São Januário permaneça em funcionamento durante a maior parte possível do período de execução.
O modelo busca conciliar três objetivos fundamentais:
- Modernizar São Januário sem paralisar o futebol e as demais atividades do clube;
- Reduzir o risco financeiro, evitando que a continuidade de toda a obra dependa de uma única fonte de recursos;
- Garantir que, mesmo diante de eventuais dificuldades financeiras ou administrativas, o Vasco mantenha um estádio operacional, sem deixar uma obra inacabada comprometer sua principal casa.
Execução
A reforma será dividida em quatro grandes etapas independentes, seguindo a concepção do projeto já aprovado:
1ª etapa – Setor Sul, Torre 02, Espaço Social, Torre Esportiva e Parque Aquático
Será priorizada a área que permitirá a implantação da nova Torre Esportiva, possibilitando a transferência e reorganização de atividades esportivas e administrativas enquanto o resto do estádio funciona normalmente, permitindo a manutenção dessas atividades enquanto a obra nos outros setores estiver em execução. Essa primeira fase também contempla a manutenção da capela.
2ª etapa – Setor Norte, Torre 01 e Esplanada
Após a conclusão da primeira fase, serão executadas as intervenções correspondentes ao Setor Norte, à Torre 01 e à Esplanada, etapa fundamental para ampliar a área externa de São Januário em frente a Barreira e facilitar a circulação de torcedores.
3ª etapa – Fachada e Setor Social
Nesta fase será realizada a recuperação e modernização da fachada histórica, juntamente com as intervenções previstas para o Setor Social, conciliando a preservação da identidade arquitetônica de São Januário com as exigências de um estádio moderno. Permitindo também a preparação temporária do que serão os camarotes para receber as cabines de imprensa enquanto houver obra no Setor Leste (4ª etapa).
4ª etapa – Setor Leste
Por fim, será executada a intervenção no Setor Leste, concluindo o conjunto principal das obras e permitindo alcançar a configuração final projetada para o estádio.
A divisão das etapas deverá ser precedida por um estudo técnico de engenharia, operação e logística, de modo a confirmar a independência possível entre os setores e estabelecer quais áreas poderão permanecer abertas em cada momento da obra.
O cronograma financeiro também deverá acompanhar essa lógica: cada etapa deverá possuir orçamento, fonte de recursos, cronograma e condições mínimas de conclusão claramente definidos antes de seu início. Dessa forma, o Vasco não ficará obrigado a manter simultaneamente uma obra de grande dimensão sem recursos suficientes para sua continuidade.
A estratégia apresenta como principal contrapartida um prazo potencialmente maior de conclusão e um custo de obra possivelmente superior ao de uma intervenção integral. Entretanto, esse custo adicional deve ser analisado em conjunto com a redução dos riscos esportivos, operacionais e financeiros.
São Januário não deve ser tratado como uma obra que precisa simplesmente ser concluída, mas como um patrimônio que precisa continuar funcionando enquanto é transformado. A prioridade será fazer a reforma avançar sem colocar em risco a atividade do clube, preservando o estádio como casa do Vasco durante todo o processo.