COMENTAR E COMANDAR: EIS A DIFERENÇA!

O que se viu na última noite em São Januário não foi apenas mais um jogo de futebol. Foi a prova escancarada da diferença entre quem fala sobre o jogo e quem carrega nas costas a responsabilidade de comandar um clube como o Vasco da Gama. Não é papel para covardes, nem para burocratas de gabinete. É função para quem entende que o Vasco não é só bola rolando: é história, é povo, é arquibancada que não aceita silêncio diante de injustiça.

Pedrinho, comentarista de sofá durante anos, viveu ontem a pancada da realidade. No estúdio, o ar-condicionado refresca, a poltrona é macia, e criticar dirigente é moleza. Na beira do campo, com o coração da torcida pulsando, a cobrança é diferente. Eurico Miranda, que tanto foi criticado por Pedrinho em seus tempos de microfone, sabia disso melhor do que ninguém: ser presidente do Vasco não é fazer análise fria, é viver em guerra constante.

E a guerra foi declarada. O árbitro João Vitor Gobi fez vista grossa para entradas criminosas em Philippe Coutinho e Puma Rodríguez. Lances de expulsão claríssimos viraram apenas faltas. O Bahia teve um expulso? Sim. Mas e os outros? A cada dividida ignorada, crescia o risco de ver o Vasco perder seus principais jogadores por semanas, talvez meses. E aí? Quem paga essa conta? A torcida? O técnico? Não. Quem paga é o clube inteiro, que vê sua temporada comprometida.

Foi nesse cenário que Pedrinho explodiu. Partiu para cima do árbitro no intervalo, teve de ser contido por seguranças e policiais e acabou relatado na súmula por ofensas. Para alguns, descontrole. Para a arquibancada, finalmente um sinal de vida. O presidente deixou de lado o verniz de comentarista e mostrou que, sim, sente o que a torcida sente.

E aqui não tem como fugir: Eurico, com todos os seus excessos, nunca deixou o Vasco ser pisado sem resposta. Berrava, peitava, brigava com a CBF, com a imprensa, com quem fosse preciso. Podia ser exagerado? Sem dúvida. Mas omisso, nunca. E o vascaíno, mais do que tudo, não perdoa presidente frouxo.

Ontem, Pedrinho mostrou, talvez, entender o que significa vestir a faixa de presidente no peito. O Vasco não é “queridinho” da mídia, não tem tapinha nas costas da CBF, e o torcedor sabe disso. O Vasco é tratado sempre com desconfiança, quase como um intruso incômodo. Por isso, o presidente tem que ser o escudo. Não para fazer cena, mas para deixar claro: aqui ninguém pisa.

Mesmo vencendo, a noite poderia ter acabado em tragédia esportiva. Bastaria Coutinho sair de maca, ou Puma sentir o joelho, para todo o restante temporada ser comprometido. É esse o ponto: a vitória não basta se o respeito não vem junto. Dentro e fora do campo, o Vasco precisa se impor.

O torcedor não quer presidente de gabinete, quer presidente de arquibancada. Não quer silêncio diplomático, quer voz firme. Não quer um dirigente que se esconda atrás de notas oficiais, mas alguém que desça para o gramado e encare quem for preciso. O Vasco não nasceu para ser submisso. O Vasco nasceu para enfrentar, para incomodar, para resistir.

Pedrinho, ontem, deu um passo. Pequeno, mas significativo. Mostrou que pode largar o papel de comentarista distante e começar a agir como dirigente de verdade. O caminho é longo, cheio de armadilhas e pressões, mas já está claro: comandar o Vasco é lutar. Todos os dias, contra todos os poderes. Porque aqui não basta ganhar jogos, é preciso ganhar respeito.

E o respeito precisa voltar! Ponto.

Tiago Scaffo

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