Em meio à pressão causada pela campanha de “público zero” e pela baixa popularidade da atual direção, o Vasco decidiu reduzir em 50% o valor dos ingressos para a partida contra o Atlético-MG. A diminuição no preço das entradas é uma pauta defendida há bastante tempo, já que o clube pratica, hoje, um dos tickets médios mais altos do futebol brasileiro.
É evidente que as limitações estruturais de São Januário influenciam diretamente nesse cenário e acabam elevando o valor dos ingressos. Ainda assim, vale lembrar que, em um passado não tão distante, o estádio chegou a receber cerca de 24.500 torcedores numa semifinal de Copa do Brasil. Com melhorias estruturais, o Vasco também poderá voltar a discutir com o CBMRJ e o BEPE um possível aumento da capacidade do estádio.
Outro fator que pesa nessa conta é a impossibilidade de mandar partidas no Maracanã, alternativa que poderia contribuir para equilibrar a relação entre presença de público e preço dos ingressos.
A redução anunciada mostra que é possível ao Vasco praticar valores mais populares, em sintonia com a sua história e com a identidade construída ao longo do tempo. Também abre espaço para que, a partir de 2027, com um novo governo estadual, o clube possa voltar a discutir a questão do Maracanã.
No entanto, é importante destacar que política de ingresso popular não pode surgir apenas em momentos de crise, pressão ou desgaste da diretoria. O acesso do torcedor ao estádio precisa ser tratado como parte permanente da reconstrução do clube e da valorização da sua torcida, que sempre esteve ao lado do Vasco, independentemente da fase vivida dentro de campo.
