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A estatística que nos motiva e nos diferencia

1º Tema:

Jamais, em tempo algum, o Vasco disputou uma decisão em dois ou mais jogos (atuando pelo menos num deles no Rio de Janeiro) sem ter sido campeão quando garantido ao menos um empate no primeiro confronto, em termos de títulos interestaduais, nacionais, sul-americanos ou intercontinentais.

ABAIXO O RESUMO:

1953 – Torneio Intercontinental Rivadávia Corrêa Meyer

Decisão:

Vasco x São Paulo

1º Jogo: São Paulo-SP 0 x 1 Vasco

2º jogo: Vasco 2 x 1 São Paulo-SP

Vasco Campeão

—–

1989 – Campeonato Brasileiro

Decisão:

Vasco x São Paulo

1º Jogo: São Paulo-SP 0 x 1 Vasco

*Não houve necessidade do 2º jogo

Vasco Campeão

—–

1993 – Torneio Interestadual João havelange

Decisão:

Vasco x Mogi-Mirim-SP

1º Jogo: Vasco 4 x 0 Mogi-Mirim-SP

2º Jogo: Mogi-Mirim-SP (3) 4 x 0 (4) Vasco

Vasco Campeão

——

1997 – Campeonato Brasileiro

Decisão:

Vasco x Palmeiras-SP

1º Jogo: Palmeiras-SP 0 x 0 Vasco

2º Jogo: Vasco 0 x 0 Palmeiras-SP

Vasco Campeão

——-

1998 – Copa Libertadores

Decisão:

Vasco x Barcelona-EQU

1º Jogo: Vasco 2 x 0 Barcelona-EQU

2º Jogo – Barcelona-EQU 1 x 2 Vasco

Vasco Campeão

——

1999 – Torneio Rio-São Paulo

Decisão:

Vasco x Santos-SP

1º jogo: Vasco 3 x 1 Santos-SP

2º Jogo: Santos-SP 1 x 2 Vasco

Vasco Campeão

——

2000 – Copa Mercosul

Decisão:

Vasco x Palmeiras-SP

1º Jogo – Vasco 2 x 0 Palmeiras-SP

2º Jogo: Palmeiras-SP 1 x 0 Vasco

3º Jogo: Palmeiras-SP 3 x 4 Vasco

Vasco Campeão

——–

2000 – Campeonato Brasileiro

Decisão:

Vasco x São Caetano-SP

1º Jogo – São Caetano-SP 1 x 1 Vasco

2º Jogo – Vasco 3 x 1 São Caetano-SP

Vasco Campeão

——-

2011 – Copa do Brasil

Decisão:

Vasco x Coritiba-PR

1º Jogo – Vasco 1 x 0 Coritiba-PR

2º Jogo – Coritiba-PR 3 x 2 Vasco

Vasco Campeão

——

2025 – Copa do Brasil

Decisão:

Vasco x Corinthians-SP

1º jogo – Corinthians-SP 0 x 0 Vasco

—–

2º Tema:

A história do futebol brasileiro demonstra que períodos prolongados sem títulos não são exceção, mas parte do ciclo natural dos grandes clubes. Ao longo do século XX, as principais agremiações do eixo Rio–São Paulo atravessaram fases de escassez esportiva que ultrapassaram uma década sem conquistas oficiais, fenômeno amplamente registrado nos arquivos das competições estaduais e nacionais.

A análise comparativa desses intervalos revela um dado relevante: enquanto todos os grandes clubes do eixo viveram, em algum momento, jejuns superiores a dez anos, o Vasco da Gama construiu uma trajetória singular dentro desse contexto histórico.

OS GRANDES CLUBES E SEUS PERÍODOS DE JEJUM

1) FLUMINENSE – Jejum entre 1924 e 1936: O Fluminense foi campeão carioca em 1924, em um contexto marcado pela cisão do futebol do Rio de Janeiro, motivada por disputas institucionais e pelo debate racial e social da época. Naquele ano, o Vasco da Gama conquistou o título (Bicampeonato Carioca Invicto) numa liga (a mesma da conquista de 1923, FMDT), enquanto o Fluminense disputou junto a outros clubes preconceituosos o campeonato numa outra liga, formada naquele ano (AMEA). O clube das Laranjeiras só voltaria a ser campeão carioca em 1936, em novo momento de cisão do futebol carioca, conquistando o título numa liga (LCF) em que figuravam, além dele, Flamengo e America, enquanto o Vasco foi Campeão Carioca noutra liga (FMD), onde atuavam, também, Botafogo, Bangu e São Cristóvão, desde 1935. A paz no futebol carioca viria apenas em 1937, com a criação da LFRJ, que absorveria todos os principais clubes da cidade, já campeões até ali.

2) FLAMENGO – Jejum entre 1927 e 1939: O Flamengo conquistou o Campeonato Carioca em 1927 e só voltaria a levantar um título carioca em 1939. Trata-se de um intervalo de 11 anos sem conquistas. O título de 1939 marcou o encerramento dessa seca rubro-negra.

3) BOTAFOGO – Jejum entre 1968 e 1989: O Botafogo viveu um dos jejuns mais longos entre os grandes clubes do Rio de Janeiro. O clube venceu a Taça Brasil de 1968 (edição oficialmente reconhecida como título de 1968, embora encerrada em 1969). O retorno às conquistas só ocorreria em 1989, encerrando um intervalo de 20 anos sem títulos expressivos no cenário principal.

4) CORINTHIANS – Jejum entre 1954 e 1966: O Corinthians conquistou o Campeonato Paulista de 1954 (edição definida em fevereiro de 1955) e só voltou a ser campeão 11 anos depois, quando dividiu o título do Torneio Rio-São Paulo com Vasco, Botafogo e Santos, no ano de 1966.

5) SÃO PAULO – Jejum entre 1957 e 1970: O São Paulo foi campeão paulista em dezembro de 1957, em final disputada no Pacaembu contra o Corinthians. O clube só voltaria a conquistar o Campeonato Paulista em 1970, encerrando um jejum de 12 anos. A conquista marcou o início de um novo ciclo, impulsionado por reforços importantes, como a chegada de Gérson, ex-Botafogo, ao elenco tricolor.

6) SANTOS – Jejum entre 1984 e 1997: O Santos foi campeão paulista em 1984 e permaneceu 12 anos sem títulos de expressão. O jejum foi quebrado em 1997 com a conquista do Torneio Rio–São Paulo, vencido no Maracanã, em fevereiro daquele ano, poucos dias antes do Carnaval, marcando o retorno do clube ao cenário de conquistas relevantes.

7) PALMEIRAS – Jejum entre 1976 e 1993: O Palmeiras foi campeão paulista em 1976 e atravessou um longo período de 16 anos sem títulos. O jejum foi encerrado com a conquista do Campeonato Paulista de 1993, título simbólico e amplamente celebrado, apesar de o clube ainda conquistar, naquele mesmo ano, outros certames importantes, incluindo o Campeonato Brasileiro. O Paulista de 1993 foi o marco que oficialmente tirou o clube da fila.

O CASO SINGULAR DO VASCO DA GAMA

Dentro desse panorama histórico, o Vasco da Gama se destaca por um dado estatístico que o diferencia dos demais clubes do eixo Rio–São Paulo. Ao longo de sua história centenária, o clube jamais chegou à marca de dez anos consecutivos sem a conquista de um título oficial, mesmo atravessando períodos de instabilidade esportiva, financeira e/ou administrativa.

Abaixo as conquistas do Vasco em toda a sua história, desde Campeonatos Cariocas:

1923 – Campeão Carioca

1924 – Bicampeão Carioca (Invicto)

1929 – Campeão Carioca

1934 – Campeão Carioca

1936 – Campeão Carioca

1945 – Campeão Carioca (Invicto)

1947 – Campeão Carioca (Invicto)

1948 – Campeão Sul-Americano (Invicto)

1949 – Campeão Carioca (Invicto)

1950 – Bicampeão Carioca

1952 – Campeão Carioca

1953 – Campeão do Torneio Intercontinental Rivadávia Corrêa Meyer (Invicto)

1956 – Campeão Carioca

1958 – Campeão do Torneio Rio-São Paulo

1958 – Campeão Carioca

1966 – *Campeão do Torneio Rio-São Paulo

*Empatado com Botafogo, Corinthians e Santos.

1970 – Campeão Carioca

1974 – Campeão Brasileiro

1977 – Campeão Carioca

1982 – Campeão Carioca

1987 – Campeão Carioca

1988 – Bicampeão Carioca

1989 – Campeão Brasileiro

1992 – Campeão Carioca (Invicto)

1993 – Bicampeão Carioca

1993 – Campeão do Torneio Interestadual João Havelange

1994 – Tricampeão Carioca

1997 – Campeão Brasileiro

1998 – Campeão Carioca

1998 – Campeão Sul-Americano

1999 – Campeão do Torneio Rio-São Paulo

2000 – Campeão da Copa Mercosul

2000 – Campeão Brasileiro

2003 – Campeão Carioca

2011 – Campeão da Copa do Brasil

2015 – Campeão Carioca

2016 – Bicampeão Carioca (Invicto)

Essa característica coloca o Vasco em uma posição singular no recorte histórico dos grandes clubes brasileiros. Diferentemente de seus pares, o clube sempre conseguiu interromper seus ciclos negativos antes de atingir uma década completa sem conquistas.

Com a conquista da Copa do Brasil neste domingo, diante do Corinthians, o clube não apenas adicionará um título de peso nacional ao seu acervo, como também reafirmará um dado histórico relevante: permanecerá como o único clube do eixo Rio–São Paulo que nunca completou dez anos sem levantar um campeonato oficial, desde estaduais.

Trata-se de um fato objetivo, sustentado por dados cronológicos, que ultrapassa o debate emocional e se insere no campo da história esportiva. A conquista ratificará uma regularidade rara, em um futebol marcado por longos ciclos de hegemonia e jejum.

Equipe Casaca!

MUV – Movimento Unido Vitimista 

“Léo Jardim leva cartão vermelho por supostamente retardar a partida. Ressonância Magnética desmente a tese do árbitro, dublê de médico por um dia”.

Alguém já viu o queridinho da mídia ser prejudicado pela arbitragem em um jogo decisivo? Não se lembra? Pois é. Provavelmente essa situação hipotética jamais tenha existido.

O futebol envolve paixões e muito, muito dinheiro. E por tais razões, entretenimento pode ser mais interessante que competição.

O C. R. Vasco da Gama, clube historicamente popular, foi a negação do sistema que privilegiou clubes de origem aristocrática ou vocação populista. Não lhe restaram alternativas que não fossem enfrentar um sistema que o excluía, ou se conformar por medo do enfrentamento. Alguns exemplos: 1979 – tri em 2 anos, 1981 – ladrilheiro, 1986 – papeletas amarelas. Pesquisem. Naquele momento surgia um vascaíno que resolveu se insurgir contra esse beneficiamento sistêmico. Eurico Miranda pagou o preço de rejeitar uma realidade que insistia em fazer do Vasco um coadjuvante.

Por outro lado, o sistema se reorganizava para combatê-lo. Não mais nos clubes da zona sul, mas dentro do Vasco. Nos anos 90, surgia o MUV. Incensado pela flapress, foi oposição à chapa que venceria o pleito de 1997. Coincidência ou não, a chapa vencedora daria início ao que seria o período mais glorioso da história do C. R. Vasco da Gama.

Já o que vemos nos dias de hoje é a continuação daquele movimento, que se habituou a usar a popularidade de ex-jogadores para ganhar voto.

Movimento que se acostumou a justificar resultados pífios, escorando-se no passado. Fraco nos bastidores do futebol, exatamente onde deveria trabalhar contra o sistema. 

Mas optam pelo vitimismo, a fim de não ir de encontro à mídia, tampouco evidenciar a própria incompetência. Aceitam o lugar de coadjuvante, pois imaginam que isso os exime da responsabilidade. Ora amarelos, ora roxos. 

Movimenta-se unido. 

Unido pelo Vitimismo.

Luiz Baptista Lemos

A cera e os “médicos”

Diante da absurda expulsão do goleiro Léo Jardim na partida contra o Internacional, realizada no último domingo, 27 de julho, no Estádio Beira Rio, é necessário que teçamos as críticas aos doutores de plantão mídia afora e na comissão de arbitragem da CBF. O episódio se configurou numa clara injustiça contra um atleta do clube, além de representar uma afronta ao que está expresso na regra.

Durante a partida, ficou comprovado que o goleiro Léo Jardim comunicou com absoluta clareza ao árbitro sentir dores e precisar de atendimento médico. A evidência foi confirmada por meio de leitura labial, com base no vídeo do lance, e a partir da captação de áudio registrada no microfone utilizado por Flávio Rodrigues de Souza, árbitro da partida. Trata-se de uma gravação à qual a Confederação Brasileira de Futebol tem total acesso. Mesmo diante da manifestação objetiva do atleta, o árbitro optou por ignorar a situação e aplicou o segundo cartão amarelo, resultando em sua expulsão de forma absolutamente indevida.

No dia seguinte à partida, em 28 de julho, foi emitido um laudo médico oficial, assinado pelo doutor Luiz Fernando Schwinden, no qual se confirma que o goleiro Léo Jardim apresentava alterações contusionais na junção costocondral do último arco costal esquerdo, além de hematomas musculares profundos… A constatação clínica põe em xeque certezas empíricas do árbitro e de seus defensores ao longo das 24 horas seguintes. A expulsão aplicada por Flávio Rodrigues de Souza, teve como justificativa a suposta prática de “cera”, como se o atleta estivesse retardando deliberadamente o reinício da partida. Contudo, o laudo do exame faz crer o contrário.

De acordo com o que estabelecem as normas do futebol, o goleiro é uma exceção à regra, quanto à proibição do atendimento em campo. A lógica disso versa sobre o fato de ser ele o único atleta cuja ausência inviabiliza a continuidade do jogo. A omissão do árbitro em acionar o atendimento médico, bem como a punição disciplinar imposta a Léo Jardim, violam frontalmente esse princípio e ferem a lógica mínima do bom senso, da segurança e da própria regra de jogo.

Tendo em vista a gravidade dos fatos, cabe ao Club de Regatas Vasco da Gama (que comanda a VascoSAF) adotar posicionamento firme junto aos órgãos competentes. A anulação do cartão vermelho aplicado ao goleiro Léo Jardim, bem como sua liberação para a próxima partida do Campeonato Brasileiro, desde que esteja clinicamente apto, é uma excepcionalidade diante da excentricidade vista pela arbitragem no caso. Por outro lado, o árbitro Flávio Rodrigues de Souza, diante do ocorrido, não deveria ser envolvido em qualquer partida do Vasco durante o atual Campeonato Brasileiro, seja com o clube atuando como mandante ou visitante.

O episódio insólito de domingo não pode ter o fim que se quis dar, num roteiro no qual se fez cera para tocar o dedo na ferida do erro cometido pelo árbitro, absolvido devido ao diagnóstico dado por “médicos” de ocasião.

Casaca!

Atropelo e desproteção do clube, sem fiscalização dos Conselhos

O que ocorreu na reunião do Conselho Deliberativo do Club de Regatas Vasco da Gama, realizada no dia 11 de junho de 2025, na sede náutica da Lagoa, representa mais um grave capítulo do processo de esvaziamento democrático e de atropelo promovido pela atual gestão.

Sem um debate mais extenso e com visível desrespeito à participação efetiva dos órgãos estatutários, a diretoria impôs a votação de um estatuto (elaborado por ela própria) da Sociedade de Propósito Específico (SPE), entidade que irá gerir patrimônio e decisões estratégicas que impactarão diretamente o presente e o futuro do Vasco.

Desde o início, o CASACA! e vários conselheiros alertaram: não se trata de decisão administrativa comum, mas de um movimento estrutural e complexo, que exige profundo debate, responsabilidade e, acima de tudo, a participação soberana dos sócios, legítimos donos da instituição.

É fundamental deixar registrado que, na Assembleia Geral Extraordinária anteriormente realizada, os sócios autorizaram tão somente a constituição da SPE, sem qualquer deliberação sobre o conteúdo de seu estatuto social. A gestão avançou na definição unilateral de cláusulas e regras, sem a necessária oportunização de debates aprofundados, elaboração de emendas, além do fato de que nenhuma comissão para a elaboração do estatuto foi convocada nos Conselhos.

É evidente que o Conselho Deliberativo do Vasco, quando aprovou a constituição de uma Sociedade de Propósito Específico, não estava abrindo mão de discutir os termos, a forma de controle e de fiscalização, uma vez que a empresa só existirá para satisfazer algo vinculado ao patrimônio do próprio Vasco e com apenas o clube como ÚNICO acionista. É óbvio, também, que, sendo a criação de algo não previsto no estatuto, o seguimento de tal criação, uma vez umbilicalmente ligado ao clube, teria de ser discutido de forma densa e passando por trâmites similares às criações surgidas de interesse do próprio clube. Ademais, o artigo 37 do Regimento Interno do Conselho Deliberativo é claro: “O Conselho Deliberativo, como poder supremo do Clube, resolverá qualquer dúvida ou questão não prevista no estatuto ou neste Regimento Interno.” A questão (estatuto da SPE), de alto interesse do Club de Regatas Vasco da Gama, está, portanto, prevista para ser discutida, considerando o Regimento Interno. E o procedimento similar ao adotado em reformas estatutárias e criação de códigos das mais variadas ordens seria o caminho natural a seguir no caso em tela.

No Conselho de Beneméritos, já haviam sido levantados diversos pontos sensíveis, que exigiam reflexão, tais como: a necessidade de elaboração de um Regimento Interno da SPE, com importante papel entre as competências das comissões dos Conselhos Deliberativo e de Beneméritos sobre o tema; a própria vinculação do Estatuto da SPE, mais do que a legislações específicas, também aos Poderes colegiados do clube, como órgãos de controle (inclusive de um percentual das verbas que foge ao controle do Poder Público e perfaz 20% do valor total do Potencial Construtivo, ou seja, R$ 100.000.000,00); e a absoluta falta de debate prévio, que permitisse aos interessados estatutariamente avaliar, com a devida profundidade, o tema de forma mais abrangente e segura ao clube.

Durante a própria sessão do Conselho Deliberativo do dia 11/06, diante da gravidade das lacunas e das inúmeras dúvidas levantadas, foram colocadas quatro propostas para apreciação, duas delas (a terceira e a quarta) oriundas de debate ocorrido no âmbito do Conselho de Beneméritos, em reunião anterior à do Conselho Deliberativo, ocorrida no fim da tarde do mesmo dia.

1️⃣ Aprovação direta (SIM) do Estatuto da SPE, como defendido pela gestão;

2️⃣ Rejeição total (NÃO) do Estatuto da SPE;

3️⃣ Aprovação condicionada à posterior elaboração de um Regimento Interno, conforme proposta encaminhada pelo Grande Benemérito Alexandre Bittencourt, incorporando as demandas levantadas pelas comissões dos Conselhos Deliberativo e de Beneméritos;

4️⃣ Remarcação da votação para o dia 17 de junho de 2025, como sugerido pelo Benemérito Sérgio Frias, permitindo o necessário debate plural, a apresentação de emendas e o devido amadurecimento da matéria.

Mesmo diante de propostas sensatas, que visavam proteger o Clube e respeitar seu processo institucional, a gestão e seu agrupamento político, fundamentalmente, optaram pelo caminho da mera anuência aos desejos da administração, ignorando as ponderações e os questionamentos apresentados.

O resultado da votação, considerando a manifestação de vários conselheiros de oposição, membros do corpo de Beneméritos e apenas um conselheiro da situação — fora da diretoria administrativa —, manifestando intenção prévia de não dar aceite à proposta do sim pura e simplesmente, deixa evidente o cenário de esvaziamento do debate.

Os votos no Conselho Deliberativo foram assim divididos:

Abstenção: 0 (zero);

Favoráveis à aprovação direta do Estatuto da SPE: 14 votos no plenário presencial e 72 votos no plenário virtual, totalizando 86 votos;

Favoráveis à rejeição total: 5 votos no plenário presencial e 0 voto no virtual, totalizando 5 votos;

Favoráveis à proposta de Alexandre Bittencourt (aprovação com Regimento Interno obrigatoriamente construído com participação das comissões oriundas dos Conselhos de Beneméritos e Deliberativo do Vasco): 1 voto presencial e 6 votos virtuais, totalizando 7 votos;

Favoráveis à proposta de Sérgio Frias (adiamento para o dia 17/06 e abertura para emendas e debates, considerando, também, como positivos os pontos inerentes à construção do Regimento Interno, levantados imediatamente acima): 9 votos presenciais e 12 votos virtuais, totalizando 21 votos.

Após os votos favoráveis à aprovação direta, a quarta proposta foi a que recebeu a maior adesão do Conselho, deixando claro que havia significativa parcela de conselheiros cientes da complexidade da matéria e defensores de um debate mais profundo, com ampla participação dos Conselhos e cuidados diversos a serem tomados em defesa do Vasco, para além de administrações.

O Casaca! permanece firme na defesa consistente do Club de Regatas Vasco da Gama.

A diretoria passará. O Club de Regatas Vasco da Gama, sua história de luta, resiliência, zelo, cuidado e consequente proteção institucional, permanecerão.

Casaca!

Nota Oficial: AGE e SPE de 23/05/2025

Nas últimas 48 horas, o CASACA!, representado pelo Benemérito Sérgio Frias e com o respaldo integral de todo o grupo, foi diligente, visando a assegurar a proteção institucional do Club de Regatas Vasco da Gama no processo em curso de constituição de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE).

A ação se deu a partir da preocupação com riscos e implicações associados à formação de uma SPE vinculada ao Clube.

Diante disso, houve a mobilização imediata junto a figuras proeminentes do clube, representantes de poder e da Comissão de Patrimônio dentro do Conselho de Beneméritos, dialogando, debatendo e alertando a todos, com o objetivo de garantir que os princípios estatutários do Club de Regatas Vasco da Gama fossem respeitados.

Como resultado dessa atuação e da movimentação de outros, foram promovidas alterações relevantes tanto no texto do Estatuto da SPE (ainda em construção) quanto no edital de convocação da AGE.

Alterações no conteúdo do texto estatutário ocorreram ainda no dia 22 de maio, refletindo os esforços diretos em ajustar o processo às exigências de governança interna e proteção dos interesses do Clube relacionados à SPE.

Após amplo e intenso debate interno, o CASACA! informa que sua posição será favorável (VOTO SIM) à constituição da SPE, mas com ressalvas, considerando duas questões essenciais, posteriores à aprovação da SPE:

  1. Análise e aprovação do Estatuto da SPE pelo Conselho Deliberativo do Club de Regatas Vasco da Gama;
  2. Participação ativa e contínua das instâncias estatutárias do Clube, assegurando que qualquer iniciativa vinculada ao seu patrimônio ou operação respeite tal premissa.

Nesse sentido, comunicamos que iremos protocolar, ao longo da Assembleia Geral Extraordinária de hoje, documento requerendo que o Estatuto da SPE, enquanto em fase de construção, seja obrigatoriamente submetido à análise e deliberação dos Conselhos Deliberativo e de Beneméritos do clube. Tal providência reforça a coerência do posicionamento do grupo, sendo condição essencial para a manifestação favorável à constituição da SPE.

Reiteramos o compromisso com a institucionalidade e o cumprimento estatutário do CRVG.

CASACA!

Parabéns, Garotos do Vasco Sub-17! Campeões da Copa do Brasil e mostram caminho que a Diretoria precisa seguir

O Vasco da Gama reafirmou nesta terça-feira (6) a sua vocação histórica como clube formador ao conquistar, de maneira invicta, o seu primeiro título da Copa do Brasil Sub-17. Em uma decisão emocionante no Estádio Luso-Brasileiro, os Meninos da Colina empataram por 2 a 2 com o Bahia no tempo regulamentar, com gols de Andrey Fernandes e Cristofer, e venceram por 5 a 3 nos pênaltis, com uma defesa decisiva do goleiro Lucas Andrade. O título é simbólico: mostra que, mesmo em meio a dificuldades, o talento forjado em São Januário continua pulsando.

A história do Vasco sempre foi construída com base em sua força nas divisões inferiores. De lá saíram nomes que marcaram época, como Roberto Dinamite, maior artilheiro do clube e do Campeonato Brasileiro, e Romário, que começou sua trajetória no Vasco antes de se tornar o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1994 e ser peça-chave na conquista do tetracampeonato com a Seleção. Outros nomes como Philippe Coutinho, Alex Teixeira, Douglas Luiz, Paulinho, Alan Kardec, Ricardo Graça, Luan Garcia, Alan, Morais, Evander e Gabriel Pec também saíram da base cruzmaltina e ganharam o mundo.

É impossível falar dessa tradição sem citar Felipe Maestro e Pedrinho, revelados em São Januário e multicampeões no final dos anos 1990. Hoje, ambos ocupam posições de liderança no clube, Felipe como diretor técnico e Pedrinho como presidente. São dois ex-atletas que conhecem, como poucos, o valor da base e sua importância no resgate do Vasco. Justamente por isso, é incompreensível e frustrante que essa gestão esteja negligenciando a integração entre os talentos formados no clube e o elenco profissional.

A diretoria atual, apesar do discurso de reconstrução, insiste em repetir erros de outras administrações recentes ao priorizar contratações que pouco contribuem tecnicamente, ignorando o potencial dos jovens que vestem a cruz de malta desde cedo. Falta planejamento, convicção e, sobretudo, sensibilidade para perceber que a base é mais do que uma promessa: é um ativo estratégico, esportivo e financeiro. Ver Felipe e Pedrinho, figuras que simbolizam essa tradição, não atuando firmemente para promover essa conexão é decepcionante. Justamente quem viveu essa transição e sabe o peso de uma oportunidade no time principal deveria liderar esse movimento com convicção.

O título da Copa do Brasil Sub-17 é mais do que uma taça: é um sinal claro de que o caminho está traçado. Cabe agora à gestão reconhecer esse potencial e agir com coerência. A mescla entre juventude e experiência sempre foi uma receita segura no futebol. No Vasco, ela está sendo desperdiçada.

Valorizar a base não é o único caminho, mas certamente é um dos principais para que o Vasco volte a ser protagonista de sua própria história, e da história do futebol brasileiro. Os Meninos da Colina mostraram que estão prontos para dar o próximo passo. Resta saber se quem comanda o clube terá a grandeza de olhar para dentro e reconhecer que o verdadeiro futuro do Vasco já está sendo moldado, e como sempre, em São Januário.

Tiago Scaffo

De Ídolo a Alvo

O Vasco da Gama atravessa um dos períodos mais conturbados de sua história recente, marcado por decisões administrativas controversas, falta de planejamento e um distanciamento crescente entre a diretoria e sua apaixonada torcida. A gestão atual, liderada por Pedrinho, tem acumulado erros que comprometem não apenas o desempenho esportivo, mas também a credibilidade institucional do clube.

A ascensão de Pedrinho à presidência foi inicialmente recebida com simpatia por boa parte da torcida. Ex-jogador do clube e comentarista de TV, ele carregava consigo uma imagem positiva, associada a um período bom da história vascaína e reforçada por sua postura técnica, comentando futebol, uma vez na imprensa. No entanto, ao assumir a presidência, a relação simbólica com a torcida deu lugar à realidade dura das cobranças por resultados e gestão eficaz. A empatia inicial se transformou em frustração, sobretudo quando decisões fundamentais começaram a expor a falta de preparo e comando.

Em maio de 2024, já com o controle do futebol de volta ao clube, após a ruptura com a 777 Partners, a diretoria permitiu que o técnico português Álvaro Pacheco, contratado ainda na transição, assumisse o cargo. Sua estreia resultou em uma derrota inaceitável por 6 a 1 para o Flamengo, a maior sofrida pelo Vasco na história do clássico. Pacheco permaneceu apenas 30 dias no cargo, com um desempenho de três derrotas e um empate, sendo demitido em junho. Pedrinho demorou dois dias para se pronunciar após o vexame citado, agravando a sensação de omissão.

Ainda no final de 2024, houve a tentativa frustrada de contratar Renato Gaúcho, que recusou o convite por divergências salariais. Essa tentativa, seguida pela chegada de Fábio Carille já em 2025, escancarou a ausência de planejamento técnico. O elenco, por sua vez, teve nas contratações de atletas, com poucas exceções, performances até aqui não correspondidas quanto às expectativas, sendo amplamente alvo de contestação por parte da torcida.

No plano econômico-financeiro, a gestão se mostrou desorganizada. O balanço patrimonial de 2023 foi apresentado com mais de três meses de atraso, revelando uma dívida de R$ 212 milhões. Posteriormente, em fevereiro de 2025, o clube ingressou com um pedido de recuperação judicial para reestruturar uma dívida estimada em R$ 1,4 bilhão. A medida, anunciada sem debate prévio com os sócios e nenhum na reunião que definiu a escolha pelo caminho da Recuperação Judicial (antiga Concordata) no Conselho Deliberativo, apesar de inúmeros questionamentos dos conselheiros não vinculados à situação. Pouco mais de um mês depois, foi apresentado pela empresa que fará a função de Administrador Judicial na Concordata um número de admissões do mês de maio em diante, superior a 100 funcionários (contra pouco mais de 30 demissões), enquanto o clube alegava dificuldades financeiras e se punha numa situação falimentar, em relação à SAF, no discurso de dentro da própria direção, fora as compras de direitos econômicos, que fizeram dessa gestão, no século, a que mais gastou com esse modelo de contratação, em considerando o Vasco tomando as rédeas do futebol, como sempre ocorreu em mais de 125 anos, dos seus quais 127 anos de vida.

Um episódio emblemático dessa desorganização financeira foi a dívida com o São Paulo pela contratação do zagueiro Léo. O Vasco adquiriu o jogador em 2023 por R$ 17 milhões, mas pagou apenas 45% do valor acordado. Mesmo sem quitar a dívida, o clube carioca vendeu o atleta ao Athletico-PR por R$ 12,5 milhões. Diante da inadimplência, o São Paulo acionou a CBF e a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), e considerou recorrer à FIFA para solicitar sanções contra o Vasco, como o impedimento de registrar novos jogadores, enquanto o clube jogou na recuperação judicial o débito .

No campo institucional e organizacional, a gestão Pedrinho demonstrou fragilidade. Não houve posicionamento firme em episódios cruciais, como as polêmicas do Campeonato Carioca de 2025, a falta de pressão institucional frente à FERJ em arbitral prévio à competição, ou quanto à vontade exposta de atuar contra o Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2025 em São Januário e a omissão posterior à fala. A condução administrativa ficou marcada por relações pessoais e escolhas questionáveis, como a manutenção de aliados próximos em cargos-chave e a ausência de reações firmes e explícitas em episódios que exigiam liderança, como o recente caso envolvendo o diretor técnico Felipe, com quem Pedrinho tem relação próxima.

Tudo isso resultou em um ambiente de crescente impaciência da torcida e desgaste da figura presidencial. A imagem de Pedrinho, antes blindada por sua história no clube, passou a ser diretamente associada ao fracasso técnico, à falta de direção institucional e à desconexão com os anseios do torcedor. A situação culminou em um episódio simbólico e grave: a agressão, em Brasília, de um torcedor que protestava pacificamente contra a diretoria, cometida por um segurança do clube. Longe de ser um fato isolado, esse ato violento representa o colapso da relação entre gestão e torcida, um reflexo direto de uma administração que, em vez de ouvir e dialogar, tem preferido o silêncio, o bloqueio nas redes sociais e a repressão.

Diante desse cenário, é imperativo que a diretoria do Vasco da Gama adote uma postura mais transparente, dialogando com sócios e torcedores e estabelecendo um planejamento estratégico claro e eficaz. A reconstrução da confiança passa por reconhecer erros, abandonar relações políticas personalistas e reafirmar um compromisso institucional com os valores históricos do clube. Só assim o Vasco poderá superar a crise atual e retomar o caminho das vitórias e conquistas, dentro e fora de campo.

Tiago Scaffo

A Perda da Essência: Do Futebol de Raiz ao Modelo Importado

Houve um tempo em que o Brasil ditava o ritmo do futebol mundial. Não apenas pela excelência técnica de seus jogadores ou pelos quatro títulos mundiais conquistados (até então), mas pela forma única com que o esporte era vivido e compreendido em território nacional. Antes da chegada da Lei Pelé, em 1998, que mais de duas décadas depois desembocaria na Lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), em 2021, o futebol brasileiro operava sob uma lógica muito mais conectada com sua cultura e realidade socioeconômica do que com um ideal abstrato de gestão empresarial.

Nesse cenário anterior, clubes eram, em essência, associações civis sem fins lucrativos, regidas pelo direito privado e protegidas por uma lógica comunitária e cultural. Embora marcados por problemas de governança e clientelismo político, mantinham um vínculo orgânico com suas torcidas, seus territórios e suas histórias. O futebol funcionava como uma extensão da vida social, era memória, identidade e resistência.

A Lei nº 9.615/1998, conhecida como Lei Pelé, representou uma ruptura. Substituiu a antiga Lei Zico (Lei nº 8.672/1993) e impôs uma série de mudanças com o discurso da profissionalização do esporte. Uma das principais alterações foi o fim do “passe”, mecanismo que garantia aos clubes formadores alguma retenção sobre os atletas. Embora isso tenha favorecido os jogadores do ponto de vista contratual, criou um vácuo legal que facilitou a atuação de empresários e intermediários no mercado, acelerando o êxodo precoce de talentos. O Brasil, que antes exportava craques depois de consagrá-los, passou a fornecer matéria-prima bruta, sob medida para os interesses da Europa.

Ao longo dos anos 2000, os clubes brasileiros, fragilizados financeiramente, enfrentaram crescente dificuldade de manter suas estruturas e plantéis. Em vez de revisitar e reformar o modelo associativo com base em critérios técnicos e culturais nacionais, optou-se por importar soluções jurídicas com base no modelo europeu. Esse processo culminou na aprovação da Lei nº 14.193/2021, que instituiu a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Inspirada parcialmente em estruturas de clubes-empresa europeus, especialmente da Inglaterra e da Alemanha, a SAF foi vendida como a panaceia para a crise dos clubes brasileiros. Contudo, a aplicação desse modelo em solo nacional desconsidera elementos estruturais: a ausência de regulação federativa eficiente, o pouco controle sobre o capital investido e a fragilidade institucional das entidades esportivas.

A imprensa esportiva brasileira teve papel determinante nesse processo. Longe de ser um espaço plural de debate, consolidou-se como agente ideológico da europeização. Programas e colunistas passaram a repetir, quase como mantra, que o futebol brasileiro era “atrasado” e que somente a lógica empresarial, com capital externo, CEOs e planilhas, poderia salvá-lo. Não houve espaço para questionar a viabilidade desse modelo em um país com tamanha desigualdade regional, ausência de cultura de compliance esportivo e enorme disparidade de receitas entre clubes.

Esse processo encontra um caso emblemático na trajetória recente do Vasco da Gama. Clube de origem popular e tradição inclusiva (tendo sido protagonista no movimento contra o racismo e o elitismo no futebol nos anos 1920 com a célebre Resposta Histórica), o Vasco foi um dos clubes que mais sofreu com a imposição de uma narrativa de crise crônica e incapacidade gerencial. A venda de 70% da SAF vascaína para a empresa norte-americana 777 Partners, em 2022, foi amplamente apoiada por segmentos da mídia como uma medida “inevitável” para a modernização do clube. Curiosamente, grande parte da torcida vascaína, mesmo ciente da histórica parcialidade da imprensa contra o clube, acabou aderindo ao discurso, aceitando a SAF como “única saída”. Trata-se de um caso evidente de como a mídia, ao longo do tempo, não apenas informou, mas moldou a percepção e o comportamento coletivo, mesmo em ambientes de resistência.

O modelo europeu, exaltado como padrão de sucesso, tampouco é homogêneo ou infalível. A Espanha é o exemplo mais explícito de distorção: enquanto Real Madrid e Barcelona seguem como associações com forte apoio estatal e privilégios fiscais, os demais clubes foram forçados a se tornarem sociedades anônimas. O resultado é uma liga profundamente desigual. A Alemanha, por sua vez, mantém a regra do “50+1”, que exige que os sócios do clube tenham a maioria do controle acionário, uma salvaguarda contra a perda de identidade e controle popular. Mas esses modelos são ignorados no debate nacional, que prefere importar versões adaptadas à conveniência de investidores.

Ao transformar clubes em produtos e torcedores em consumidores, o Brasil abdicou de sua liderança cultural no futebol. A essência comunitária do esporte foi sacrificada em nome de uma modernidade que, na prática, reproduz desigualdades, concentra poder e aliena o torcedor de suas próprias instituições. O país que outrora inspirou o mundo com sua irreverência e genialidade dentro de campo agora tenta desesperadamente copiar fórmulas que não respeitam sua alma.

Mais do que uma falha de gestão, trata-se de um erro de identidade. E talvez seja justamente por isso que o futebol brasileiro, apesar da abundância de talentos, vive um vazio simbólico. Perdemos a referência não porque fomos superados, mas porque abrimos mão de ser quem éramos.

Tiago Scaffo.

Palavras, apenas palavras, pequenas palavras ao vento: A fala que expôs o despreparo

As palavras de Felipe Loureiro, após o empate contra o Operário, pela Copa do Brasil, dizem muito mais sobre o momento do Vasco do que o desempenho em campo. Ao ser questionado por um jornalista na entrevista coletiva sobre a situação do zagueiro Manuel Capasso, o técnico interino e também diretor técnico do clube respondeu com desprezo: “Se você gosta dele, não tem problema, eu não gosto.” Foi desnecessário. Foi arrogante. Foi desrespeitoso.

A frase, por si só, já seria grave, mas torna-se ainda mais preocupante por ter vindo de quem ocupa duas funções centrais no futebol de um clube do tamanho do Vasco. Capasso pode estar fora dos planos, pode ter recusado propostas, pode estar envolvido em desentendimentos entre diretoria e empresário, nada disso justifica ser atacado publicamente dessa maneira. Ele é jogador do clube, e um dirigente de qualquer nível deveria saber que o respeito à instituição começa pelo respeito às pessoas que a representam.

Felipe expôs um ativo do clube com ironia. Expôs também um repórter que apenas fazia seu trabalho. E, mais uma vez, mostrou que prefere os microfones à gestão. É a vaidade se sobrepondo à função. E é justamente aí que mora o problema: o Vasco precisa de comando, não de ego.

Em campo, mais do mesmo. O empate em 1 a 1 contra o Operário foi triste de assistir, salvo por um único momento de brilho: o lindo gol de Nuno Moreira que até aqui, a única contratação de 2025 que efetivamente deu certo. O restante foi um time sem identidade, sem intensidade, sem direção.

Fora de campo, o cenário é ainda mais revoltante. O torcedor vascaíno segue sendo o maior ativo do clube. É ele quem viaja, quem lota arquibancadas pelo Brasil, quem grita, chora, canta e nunca abandona. E o que tem recebido em troca? Desorganização, falas desrespeitosas, falta de resultados e promessas vazias. A diretoria parece alheia ao que vive a arquibancada. Não responde com futebol, não responde com transparência, não responde com respeito.

Felipe Loureiro precisa entender o que significa estar à frente do futebol do Vasco. Não é sobre vencer disputas verbais. É sobre reconstruir um departamento que vive um colapso técnico e institucional há anos. É sobre liderar com profissionalismo e compromisso, não com frases de efeito.

Porque, como já se ouviu, e é cada vez mais apropriado repetir: “Quem ganha a vida com a boca é cantor”. Felipe tem falado demais e entregue de menos.

O Vasco não aguenta mais palavras. Precisa de trabalho, e trabalho competente.

Tiago Scaffo.

A base ensina: a aula do Sub-17 no clássico

O Vasco venceu — e venceu com autoridade. No clássico mais simbólico do futebol carioca, o Sub-17 cruzmaltino mostrou, mais uma vez, como se joga contra o Flamengo: com entrega, talento e consciência coletiva. A vitória por 3 a 0, que garantiu a classificação para a final da Copa do Brasil Sub-17, não foi apenas um placar expressivo. Foi uma afirmação de identidade, de projeto e, principalmente, de vascainidade viva.

Kaique abriu o caminho. Diego Minete e Andrey Fernandes completaram o serviço. E mais importante do que os nomes ou os gols foi o que se viu no comportamento do time. Maturidade, coragem e respeito pela história que carregam no peito.

O resultado coroou uma sequência irretocável do Vasco Sub-17 contra o rival em 2025. Já são três vitórias em três clássicos no ano: 3 a 1 pela Taça Guanabara, 4 a 2 no jogo de ida da Copa do Brasil, e o 3 a 0 no jogo de volta. Um placar agregado de 10 a 3, que não deixa dúvidas sobre a superioridade cruzmaltina na categoria até aqui.

E é nesse momento que vale refletir: quem acredita que a solução do Vasco está na venda do futebol, se engana. A verdadeira saída para o clube está no próprio Vasco — como sempre esteve. Está na força de São Januário, nos muros da Colina que abrigam garotos sonhadores, nos corredores do Colégio Vasco da Gama, onde muitos desses atletas foram formados não só como jogadores, mas como cidadãos identificados com a história do clube.

O Vasco não precisa de promessas milagrosas, nem de administrações aventureiras que transformam o clube em trampolim para lucros rápidos de empresários ou empresas parasitas — como se viu na breve e desastrosa passagem da 777 Partners. O que o Vasco precisa é de valorização da base, de gestão comprometida com a essência do clube e de um projeto esportivo que respeite sua tradição.

Numa temporada em que o profissional ainda busca rumo e consistência, a base aponta a direção com futebol. Enquanto se discute paciência e projetos de longo prazo, o Sub-17 entrega o presente com competência. E mais: resgata o orgulho do torcedor, em momentos em que ele anda machucado.

Essa geração mostra que o futuro pode — e deve — ser diferente. Mas para isso, precisa ser cuidada com carinho, com responsabilidade e com a grandeza que o Vasco merece.

O recado foi dado em campo. O Vasco está vivo. E a sua essência pulsa forte na base.

Fabrício Amaral