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Elucidações sobre Vasco, Nations Bank, Projeto Olímpico, inadimplência, narrativas, fatos e a atualidade

No Instagram, há cerca de dez dias, foi publicada uma tese sobre Vasco, Nations Bank, consequências, dias atuais, com uma narrativa que induz o leitor a concluir algo díspar dos fatos. É a terceira vez nos últimos meses que vemos o assunto abordado em contas do Instagram. Nas outras comentários foram feitos na própria página que publicou sua tese mas, desta vez, optamos por publicar uma nota de elucidação, com mais detalhes sobre o histórico.

Tanto nessa oportunidade, como nas outras duas (em contas diferentes do Instagram) o método para publicação foi o mesmo: imagens (serão aqui reproduzidos apenas os textos delas), com, eventualmente, alguma matéria de mídia que busque balizar algumas afirmações feitas.

O teor daquilo que está nas imagens será transcrito, as imagens postas detalhadas e a elucidação virá imediatamente abaixo.

Imagem 1

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…
Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.
Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro destruiu um clube campeão?”

ELUCIDAÇÕES:

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões em uma dívida de 100 milhões em 3 anos”. Falso.

Vamos, inicialmente, à dívida do Vasco, que no início de 2001 se configuraria, sem reservas para contingências, ou seja, sem contar ações que o Vasco respondia, mas não havia perdido na Justiça, em definitivo.

O Vasco já possuía uma dívida superior a R$100 milhões de reais na virada do século. 

Vejamos:

O Vasco perdeu aproximadamente R$60 milhões (no balanço de 1999 o número era de R$52.243.741,00) referente a ativos com atletas, em virtude da Lei Pelé, com o fim do passe. Isso se deu no início de 2001. 

O Vasco tinha uma dívida fiscal acumulada e estava no REFIS. O número de débito com o IR era de R$23.921.234,59, anunciado anos depois, do FGTS R$10.842.794,70, também anos depois, e do INSS era, também, muito elevado.

O clube comprara o passe de Euller em agosto de 2000, mas não pudera pagar (8,6 milhões de reais foi o valor da compra), devia quase três meses de salários e outros mais em termos de direitos de imagem, visto que o Bank of America não pagou os U$12 milhões que davam lastro a vários gastos do clube. 

Havia, ainda, uma confissão de dívida em favor da Rede Globo, fruto de cotas adiantadas, na ordem de 37,4 milhões. Boa parte desse valor o Vasco tinha como expectativa que o banco sanasse, pagando à emissora, o que não ocorreu, e isso levou o clube a processar o banco, ganhando a ação, em dezembro de 2001, e, com isso, o direito de receber o montante contratual acordado e não pago.

Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro (conseguido por Eurico Miranda) se deu? 

Por que acabou? 

Quais prejuízos trouxe ao clube o seu descumprimento por parte do banco? 

E como o Vasco, apesar disso, conseguiu, até a troca de gestão no clube, em 01/07/2008, manter-se em situação muito melhor financeira, se comparado aos outros três grandes do Rio? 

Vamos entender para não repetir despautérios ou fazer condensações de outras publicações que surgem na rede, a fim de criar uma tese, que tende a ser uma distorção.

Sigamos.


Imagem 2

Nos anos 90, o futebol brasileiro entrou em uma nova era.
Dinheiro da TV, patrocínios milionários, a promessa de clubes mais profissionais…
E foi nesse cenário que, em 1998, o Vasco assinou um acordo que parecia mudar tudo.

ELUCIDAÇÕES:

Nos anos 1990 o Vasco conquistou um tricampeonato carioca (1992/1993/1994) e um campeonato brasileiro (1997) com a estrutura que tinha.

O Palmeiras, em 1992, fechou um contrato com a Parmalat e vários clubes fizeram parcerias, nos últimos, dois três, quatro anos do milênio, com empresas que se dispunham a investir no futebol brasileiro. O Vasco fez a sua com o Nations Bank (1998), Flamengo e Grêmio com a ISL (1999); Corinthians com o banco Excel (1997), depois com a HTMF (1999); Cruzeiro com a HTMF (1999), entre outros.

O dinheiro da TV já existia (para todos os clubes), os patrocínios, no caso do Vasco, seriam obtidos pela VGL (Vasco da Gama Licenciamentos), que teria os direitos sobre a marca para negociar contratos referentes ao tema e ter 50% do valor deles para si, enquanto o Vasco receberia os outros 50%.

Não foi o banco um patrocinador e sim um investidor. Ele visava, com o crescimento da marca, a amplitude internacional dela e lucros consequentes. Daí terem visto no Projeto Olímpico uma grande oportunidade para isso, como já enxergavam, desde 1999, com os Jogos Pan-Americanos. E visavam ganhos futuros, a partir da reforma de São Januário e construção do centro de treinamento do clube em Caxias, que se previa iniciar, com aporte do próprio banco (U$70 milhões), a partir de 2000.

A satisfação com a parceria e a projeção para o exposto acima foram confirmados em junho de 1999, junto às grandes expectativas sobre o Pan-Americano de Winnipeg, no qual mais de 60 atletas vinculados ao Vasco viriam a fazer parte da delegação.

Havia, também, investimentos em outros esportes não olímpicos, como os radicais, de luta, o futsal e o basquete masculino (que não iria aos Jogos Olímpicos de Sydney), mantido com uma equipe de primeira linha e campeã.

Sobre profissionalização, o Vasco já era profissional (aliás o era desde 1933), mas a palavra “profissionalização” passou a ser justificativa para a entrega do futebol brasileiro, com o fim da Lei do Passe (sem qualquer proteção aos clubes), iniciando o crescimento numérico e patrimonial dos empresários no futebol, que se consolidou na primeira década do século e prosperou dali por diante mais ainda. Nos anos 1990 o discurso, que se tentou fazer virar lei, era o da necessidade de os clubes deixarem de ser associações para virarem clubes-empresa, o que acabou não passando na Lei Pelé, como obrigatório, mas facultativo.


Imagem 3

O Bank of America (na época Nations Bank), surgiu com um acordo:
Por 10 anos controlaria a marca Vasco: camisas, direitos de TV, licenças…
O clube recebia U$30 milhões de adiantamento e ficaria com 50% de receita.
A expectativa era faturar R$150 milhões/ano.
Mas o que parecia o maior contrato da história do futebol brasileiro tomou um rumo inesperado.

Para ratificar a informação é apresentada matéria da Folha de São Paulo, datada de 10 de fevereiro de 1998, sob o título “Vasco fechará acordo para faturar R$150 mi por ano.”

ELUCIDAÇÕES:

O contrato teve termos aditivos e a parceria que, inicialmente, seria de 10 anos, passou para 25 anos, exatamente pelo fato de o banco perceber que o investimento valia ser feito e os ganhos a longo prazo poderiam ser bastante satisfatórios.

Em 1999 o Vasco teve, após grande incremento nos investimentos, R$93,96 milhões de receita. A receita em 1997 havia sido, segundo dito por Eurico Miranda à época, de R$15 milhões, com o clube chegando à conquista do Campeonato Brasileiro naquele ano. Eurico entendia, em 1998, que após três anos de parceria, poderia multiplicar por 10 os R$15 milhões, chegando a R$150 milhões de reais. Com pouco mais de um ano e meio de parceria a receita do Vasco já havia ultrapassado 60% daquilo que o representante vascaíno esperava obter em três anos.

As discussões junto à TV tinham o Vasco como negociante e não o banco ou qualquer representante seu.

O que teria ocorrido para que o contrato tomasse um rumo inesperado? Mais detalhes na imagem 4.


Imagem 4

O Vasco fez o que quase qualquer clube faria: apostou alto e acelerou gastos.
Vieram contratações em peso como Juninho Paulista, Euller, Edmundo, Romário.
Sendo que os dois últimos passaram a ter os maiores salários do futebol brasileiro.
E, por um momento, parecia que tinha dado certo”.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco fez o que qualquer clube faria, baseado em sua premissa associativa, qual seja, investir o que obtém de recursos em patrimônio, profissionais, estrutura, equacionamento de dívidas, mas, claro, com o lastro daquilo que teria garantido por contrato. 

A competência é evidenciada com três títulos no período em que recebeu o devido da outra parte, entre abril de 1998 e junho de 2000. 

A competência é mais ainda visível com a conquista da Copa Mercosul de 2000 e do Campeonato Brasileiro da mesma edição, ganho em janeiro de 2001, mesmo com a inadimplência do banco, desde julho de 2000.

Quando se fala em competência é bom que se faça um comparativo com o outro clube daqui do Rio de Janeiro, no caso o Flamengo, à época com sua parceria (ISL), que teve despejado dinheiro em grande quantidade no segundo semestre do ano de 2000, (32 milhões de reais em contratações, fora salários) para trazer Gamarra, Alex, Denilson e Edilson, a fim de obter o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul, vencidos pelo Vasco em plena fase de inadimplência de seu parceiro.

Sobre Romário e Edmundo juntos, com os grandes salários que tinham, o Vasco os manteve em sua folha, dessa maneira, por cerca de oito meses apenas, afinal Edmundo foi emprestado para o Santos em julho de 2000 e não mais jogou no Vasco no período em que Romário estava no clube.

A parceria de Edmundo e Romário no Vasco deu errado, mas a parceria do banco com o Vasco, enquanto aquele cumpriu o acordado com o clube, dando lastro a investimentos e pagamento do custo operacional, deu muito certo.


Imagem 5

Entre 1998 e 2000, o Vasco viveu uma das fases mais vitoriosas da sua história:
Ganharam a Libertadores, Brasileiro, Mercosul, Carioca. Parecia o começo de algo grande.
Até que uma decisão mudou tudo.

ELUCIDAÇÕES:

A fase vitoriosa, como todos sabemos, se inicia com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1997.

O Campeonato Carioca de 1998 e a Taça Libertadores do mesmo ano foram conquistados um e quatro meses após o início da parceria e os títulos da Copa Mercosul e do Campeonato Brasileiro posterior se dão em pleno período de inadimplência do parceiro, iniciada em julho de 2000.


Imagem 6

Em 1999, o vice-presidente Eurico Miranda decidiu ir além do futebol.
Ele queria transformar o Vasco em uma potência olímpica, pensando nos jogos de Sydney.
Vieram contratações de atletas de alto nível, em várias modalidades.
E o resultado?

ELUCIDAÇÕES:

Os investimentos a maior em outros esportes se iniciaram em 1998. Na mesma temporada o Vasco voltou a ser Campeão Carioca de Remo, o que não ocorria desde 1982 e, também, Campeão Brasileiro. Nela própria o clube obteve o primeiro título sul-americano de sua história no Basquete Masculino, Campeão da Copa Sul-Americana de Clubes. Foi o Vasco, ainda, Campeão da Taça Brasil de Futebol Feminino, Campeão Carioca Masculino e Feminino de Tênis de Mesa e, finalmente, Campeão Brasileiro e Carioca (em dois estilos) no Tiro com Arco. No ano anterior, 1997, o clube não obteve nenhuma vitória em âmbito nacional nos esportes coletivos, fora o futebol profissional masculino.

Os investimentos tiveram enorme incremento em 1999, com o Vasco levando aos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg 64 atletas, que trouxeram, individualmente, 34 medalhas (10 de ouro, 13 de prata e 11 de bronze).

O projeto multiesportivo trazia retorno de mídia, espaço maior do clube nos mais variados meios de comunicação e novas possibilidades de negócios. Exatamente aquilo de que necessitava a VGL (Vasco da Gama Licenciamentos) para explorar a marca e obter retorno com a exposição dela.

Fernando Gonçalves, presidente da VGL, falava do apoio do banco à iniciativa do Vasco, prevendo o sucesso já nos Jogos Pan-Americanos de 1999, afirmando isso em junho daquele ano. No mês anterior exaltava as contratações de Gustavo Borges e Luis Lima na natação, de Adriana Behar e Shelda no Vôlei de Praia feminino, a liderança no Campeonato Estadual de Remo e a chegada do clube à final da Liga Nacional de Basquete masculino.

Em 02/01/2000, Fernando Gonçalves afirmou: “Não há clube no mundo hoje como o Vasco”. Em outro trecho disse: “Queremos deixar o Vasco cada vez mais caro para os investidores (TV, patrocinadores). Esse é o objetivo nos próximos dois, três anos.” Celebrava-se à época as contratações de Romário, Manoel Tobias (Futsal), Ronaldo da Costa (que batera o recorde mundial na maratona de Berlim, em setembro 1998, mantido por 13 meses), como exemplos de destaque em suas áreas.

O balanço patrimonial do clube, referente a 1999, mostra que o Vasco teve 67% do valor gasto em futebol e 22% gasto em todos os outros esportes (juntos). Nos Jogos Pan-Americanos o Brasil realizou sua maior participação na história até ali.

A despesa com todos os esportes olímpicos em 1999 foi de 13,6 milhões (22% do total de despesas do período, como dito acima). 

A despesa com o futebol foi de 41,3 milhões de reais (67% do total de despesas no período, como informado acima). 

Conta-se aí, nos referidos 13,6 milhões, o gasto em esportes olímpicos e não olímpicos. 

No ano subsequente o Vasco manteve o investimento de 1999 e o aumentou, chegando a 83 atletas olímpicos brasileiros, mais três estrangeiros. O foco não foi, apenas, contratar profissionais visando, exclusivamente, os Jogos Olímpicos, mas, notoriamente, montagens de times em esportes coletivos (Basquete Feminino, Vôlei Masculino e Feminino, como principais exemplos), reforços para o Futsal, aumento do número de nomes olímpicos no Atletismo, após a parceria do Vasco com Funilense e São Caetano (de seis atletas no Pan, o Vasco passou a ter 17 nos Jogos), outras contratações para esportes de luta (como Vale-Tudo) e investimentos em esporte radicais, com a busca pelo retorno de mídia que dariam. O gasto foi bem mais elevado que o de 1999, ultrapassando R$20 milhões, somando todos os esportes, exceto futebol profissional masculino, o qual teve aumento de custo considerável, em função da disputa do Mundial Interclubes em janeiro e pela tentativa de o Vasco conquistar outros títulos ao longo da temporada. Mas tudo isso tinha lastro para ocorrer, cumprindo o banco aquilo que fora acordado.

Um jornal de São Paulo (Folha de São Paulo) publicou, em 24 de novembro de 2000, que o Vasco naquele ano teria gasto R$30 milhões no Projeto Olímpico, enquanto o COB R$23 milhões. Outras matérias pretéritas do diário falavam no mesmo número.

Não há qualquer levantamento discriminado que justifique ter o Vasco em 2000 gasto R$30 milhões em Projeto Olímpico, mas o custo, de todos os esportes, olímpicos e não olímpicos, ultrapassou R$20 milhões.

A matéria cita um gasto, em 1999, de 17,8M com esportes amadores (todos, olímpicos e não olímpicos), quando na verdade foram 13,6M, como citado acima e exposto no balanço do Vasco. 

Por outro lado, a própria matéria cita que o Vasco pagava as contas em dia até a realização dos Jogos, nos esportes que apurou. Os jogos foram realizados entre 15/09 e 01/10/2000. 

A matéria traz em seu bojo uma conclusão solta de que Eurico Miranda havia feito o Projeto Olímpico para se eleger presidente do Vasco e ela foi publicada duas semanas após Eurico conseguir fazer a 1ª e a 2ª chapas na eleição de São Januário, em 10/11/2000. 

Embora a conclusão não tenha qualquer sustentáculo, ela põe o Projeto Olímpico num lugar que dimensiona sua importância na própria visão do jornal, sabedor do que representava em termos de retorno de mídia o investimento do Vasco naquele contexto.

A matéria não cita que o banco não pagava ao Vasco desde julho de 2000.

Mas e o resultado?


Imagem 7

A visibilidade do clube aumentou – mas o retorno financeiro não.
O projeto olímpico sozinho custou cerca de R$30 milhões em um ano.
O excesso de gastos foi motivo de questionamentos da diretoria do banco.
A receita prometida não veio, enquanto os gastos e dívidas só cresciam…”

ELUCIDAÇÕES:

Resultado:  inúmeras medalhas conquistadas pelo Vasco, que mantém décadas depois o clube como maior vencedor dentre os cariocas (incluindo atletas da natação de outra nacionalidade, medalhistas de ouro em Sydney), internacionalização da marca, retorno de mídia altíssimo e os ganhos correlatos disso, entre eles o crescimento da torcida do Vasco, quatro anos após, em outubro de 2004, em 14%, após pesquisa realizada e publicada pelo site Netvasco.

Em junho de 1999 a VGL se mostrava satisfeita por ter faturado U$10,8 milhões (e o Vasco idem), com o contrato de patrocínio junto a Proctor & Gamble, sem se importar de já ter aportado U$75 milhões, elogiando a administração do Vasco pela participação destacada no futebol e em outros esportes e entendia que faturaria alto com a reforma e ampliação do estádio, que daria ao parceiro (por contrato), direitos junto à bilheteria (compartilhada), ganhos outros via complexo esportivo, material esportivo, placas publicitárias, outros patrocínios e vendas de produtos licenciados (todos com ganhos compartilhados com o Vasco).

O banco não podia questionar o caminho percorrido pelo Vasco, porque isso não fazia parte do acordo entre as duas partes. Ele não administrava o clube. Aportava o valor devido e buscava a valorização da marca no mercado, o que a direção vascaína ajudava, proporcionando o maior retorno de mídia entre clubes brasileiros, com inúmeros atletas vinculados participando de competições no país e mundo afora, internacionalizando cada vez mais sua visibilidade, e com um time de futebol forte, disputando todas as competições para ganhar.

Não podia, por exemplo, o banco questionar a aquisição de uma rua inteira para o complexo de São Januário, que foi iniciada em 1998 e terminaria em 2002. Foram cerca de 14.000 metros quadrados, que correspondem hoje, considerando o valor a ser pago ao Vasco, via Potencial Construtivo, cerca de R$34 milhões. Não cabia ao banco determinar aquilo que deveria ser feito pelo clube, mas este cumpria o objetivo desejado pelo parceiro para valorização da marca Vasco, primordialmente.

A receita a vir era de competência da VGL, pois desde o início dos investimentos em esportes olímpicos, lá em 1998, era sabido que eles não davam retornos dos mais relevantes, individualmente. O projeto tinha em seu bojo a intenção de que o Vasco conseguisse – pela força de sua marca e com o futebol atuando para conquistar todas as competições – visibilidade e retorno de mídia que a valorizasse para busca de patrocínios e afins.

Não é difícil raciocinar que se o responsável pela VGL, Fernando Gonçalves, dizia, em junho de 1999, ser intenção do parceiro aportar U$70 milhões, em menos de dois anos, para reforma e ampliação do complexo de São Januário e construção de um CT, para que pudesse ter direitos junto à bilheteria (compartilhada), ganhos outros via complexo esportivo, material esportivo, placas publicitárias, outros patrocínios e vendas de produtos licenciados (todos com ganhos compartilhados com o Vasco), que a conta só fecharia a longo prazo. Daí o contrato ter sido ampliado, de 10 para 25 anos.

A ideia do banco, em relação a São Januário, era a de que, após a reforma, este tivesse capacidade para 60 mil espectadores, dois ginásios e uma arena poliesportiva, na qual coubessem 10.400 pessoas, além de um vasto centro de treinamento, shopping center e até mesmo um museu interativo. Em janeiro de 2000 os valores para tudo isso eram calculados em R$100 milhões de reais a serem desembolsados pelo parceiro, com o fim de que tudo isso fosse possível. O término das obras era previsto para 2003.

Em 21/06/2000, segundo noticiado pelo “Jornal do Brasil”, Eurico Miranda e Fernando Gonçalves tiveram uma reunião para tratar das questões inerentes a obras e com o terreno da rodovia Washington Luiz liberado para a construção de uma Vila Olímpica. Essa primeira reforma foi programada para ser iniciada no mês seguinte. Finalizada a obra partir-se-ia para a reforma no complexo de São Januário, que crescia em metragem, dadas as aquisições de dezenas de imóveis situados nas adjacências do próprio complexo.

Em junho de 2000 o Vasco já tinha vinculado a si mais de 70 atletas dentre os 83 que chegariam aos Jogos Olímpicos de Sydney, fora os estrangeiros. Nada era questionado pelo parceiro, que cada vez mais tinha na marca valorizada sustentáculo para a sua busca por fazê-la crescer economicamente.

Vamos relembrar: 

Não havia crescimento de dívida, em relação aos contratos feitos, até o banco inadimplir. 


Imagem 8

A VGL, empresa criada para gerir a parceria, passou a travar os repasses.
E em 2001, o Vasco tomou a decisão mais arriscada possível:
Rompeu unilateralmente o contrato.
O problema é que a parceria era a base de toda a estrutura financeira do clube.

ELUCIDAÇÕES:

A VGL não travou repasse. O banco não pagou o devido, sendo responsabilidade no Brasil de o Banco Liberal, braço do Bank of America no país, fazê-lo. Isso ficou claro, após, em 12 de dezembro de 2001, por decisão unânime na 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, três votos a zero, o Club de Regatas Vasco da Gama ter ganho ação para receber o valor de 12 milhões de dólares contra o Bank of America, corroborando sua opinião quanto ao débito do banco em relação ao clube.

O Vasco esperou pelo aporte por oito meses. Com contas vencendo, problemas se acumulando e ainda com a marca presa, denunciou o contrato (isso em fevereiro de 2001).

Claro que o sustentáculo para os investimentos era o acordo, previsto para 25 anos. Mas diante da inadimplência do banco cabia ao Vasco agir exatamente como fez, comprovada sua razão com a ação ganha em dezembro de 2001.

No primeiro semestre de 2002, após a vitória do Vasco na Justiça em dezembro do ano anterior, foram retiradas as ações propostas pelas duas partes e correlatos a elas. A VGL se achava no direito de receber do Vasco cerca de U$40 milhões, mas sem sucesso nos tribunais. E o Vasco encaminhou o acordo para ter sua marca livre, assinando pouco depois com uma nova marca de material esportivo.


Imagem 9

Isso porque o Vasco já havia antecipado cotas futuras de TV, apostando que o dinheiro da parceria cobriria tudo.
Mas a conta não fechou – e o banco foi à Justiça.
O clube acabou ficando com uma dívida milionária e multas pelo rompimento.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, assim como todos os grandes, antecipava cotas de TV, mas parte do valor que a Globo entendeu se referir à antecipação de cotas foi adiantamento de valores que o clube imaginou ser compensado pelo banco (que lhe devia). 

A conta não fechou nesse a maior antecipado porque o banco inadimpliu em 12 milhões de dólares.

O clube contestou aquilo que a Globo entendeu como antecipação e quando as partes voltaram a conversar, em 2002, a Globo voltou a pagar o Vasco (embora afirmasse antes que as cotas estavam antecipadas até 2003). Isto se deu após o clube não ter dado unanimidade à solicitação da emissora de mudança contratual, referente a direitos de TV. Ela buscava desconsiderar o crescimento previsto (dolarizado) para pagamento das cotas aos clubes, a partir daquele ano.

Os outros grandes clubes brasileiros poderiam capitular, pois antecipavam cotas com a emissora, mas o Vasco não. Eurico Miranda, que se desligara do Clube dos Treze em janeiro de 2001, por desentendimentos com a entidade, iniciados próximo ao fim do ano anterior (o clube desligou-se três meses depois, oficialmente), voltou a ele, liderando o processo e, posteriormente, colocando o Vasco, junto a Corinthians, Flamengo e São Paulo no primeiro grupo entre os recebedores de cotas de TV (o Palmeiras chegaria ao mesmo grupo anos depois, com a anuência do Vasco, na figura do Vice-Presidente da entidade, o próprio Eurico Miranda). 

Vale destacar que no Campeonato Carioca a cota de Vasco e Flamengo era igual, mas superior a de Fluminense e Botafogo. Isso desde 1999.

O rompimento não fez o Vasco ficar com dívida alguma contratual.

O acordo firmado em 2002, como já dito na imagem 8, fez com que as duas partes encerrassem as ações propostas, uma contra a outra.


Imagem 10

O que era para ser um acordo de 10 anos terminou em apenas 3 e deixando algumas feridas abertas pro clube.
– A dívida chegou a R$100 milhões.
– Passivos trabalhistas cresceram
– Patrocinadores sumiram e a credibilidade foi embora
E quando parecia que o pior havia passado…

Matéria do jornal “O Globo” (sem a data específica) é posta para dar sustentáculo à primeira informação da imagem 1. Lembremos dela.

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…

Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.”

Na matéria pinçada o diário carioca publica, em 2022, que o clube herdou uma dívida de R$100 milhões de reais, a qual ajudou a crescer o passivo trabalhista do clube, citando que a empresa 777 atacaria tal dívida através do RCE.

ELUCIDAÇÕES:

O acordo foi cumprido por 26 meses e se não durou mais tempo foi porque o banco não aportou o que era devido, inadimpliu por oito meses, obrigando o clube, que tinha por contrato a marca presa, a tomar as medidas cabíveis para liberá-la, como ocorreria cerca de 15 meses depois.

A dívida, a partir da vigência da Lei Pelé, já era superior a 100 milhões de reais, como já esmiuçado na imagem 1. 

Os passivos trabalhistas do Vasco cresceram sim, mas em comparação aos demais clubes do Rio a situação era muito melhor. 

A revista Consultor Jurídico, em publicação de 30/05/2005 (ver site Netvasco do dia 31/05/2005) mostrava ser a situação do Vasco disparada a melhor do Rio.

Número de ações trabalhistas contra os clubes:

Vasco: 286

Flamengo: 534

Fluminense: 662

Botafogo: 723

O São Paulo tinha sete ações trabalhistas a mais que o Vasco contra si, o Palmeiras 20 a menos e o Corinthians 40 a menos. 

Como o Vasco não vive num aquário sozinho, a situação do clube não era nem de longe dramática, comparada a dos outros clubes do Rio. 

A credibilidade se manteve, porque o Vasco se manteve com crédito para qualquer eventual antecipação de verba solicitada. 

O clube, além de credibilidade, apresentou em junho de 2004 certidões positivas com efeito de negativas, quanto a débitos fiscais. 

Em uma nota oficial à imprensa, o Vasco, a 18/06/2004, afirmou que “não precisou de recursos de terceiros para equacionar a questão fiscal e, ainda, saneou suas dívidas em um momento em que os demais clubes brasileiros não conseguem regularizar a sua situação fiscal perante à União.”

O jornal “O Globo” publicou, em 05 de julho de 2005, uma matéria sob o título de “Lamentomania Carioca”, na qual Flamengo, Fluminense e Botafogo suplicavam pela Timemania, loteria que possibilitaria aos clubes consolidar suas dívidas fiscais e obter certidões positivas com efeito de negativas, tirando a faca do pescoço deles.

Disse o presidente do Flamengo, Márcio Braga: “Os clubes não terão condições de sobreviver no segundo semestre de 2005 se alguma posição não for estabelecida pelo governo.”

Falou o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas: “O Botafogo está chegando ao limite, que é o fechamento das portas. O que estamos reivindicando é a possibilidade de sobreviver.”

Declarou o presidente do Fluminense, Roberto Horcades: “Nosso encontro tem importância histórica. Como as coisas estão colocadas, será difícil de manter os clubes funcionando.”

O Vasco não era citado na matéria, pois mantinha suas certidões positivas com efeito de negativas e nem apareceu na reunião, mostrando-se apenas solidário aos clubes, mas dizendo não aceitar a proposta que estava à mesa na época para a constituição da loteria (modificada posteriormente).

Sobre patrocínio (o grande discurso massificado pelo MUV), o Vasco teve patrocinador em 2007 e em 2008, recusou propostas consideradas baixas antes, teve alguns patrocínios pontuais, também antes, mas o fundamento de receita dos clubes na primeira década do século não era receita de patrocínio e sim das cotas de TV. 

Sobre a matéria do jornal “O Globo”, repetimos aqui que está sem data, mas supõe-se ter sido publicada em 2022, pois se fala nela da 777 partners, como se esta estivesse por comprar o futebol do Vasco ou o tivesse adquirido. De qualquer forma, como o processo foi muito rápido, o ano seria 2022. Três comentários necessários:

1 – O Vasco já estava no RCE antes de a empresa comprar o futebol do Vasco. A matéria sugere que a dívida trabalhista existente à época seria “atacada” via RCE. Isso não se trata de ataque à dívida, mas simplesmente de cumprimento do acordado pelo clube antes.

2 – Parece inacreditável que em 2022 fale-se de uma dívida trabalhista, com foco nas pendências deixadas, após o fim da parceria, como sustentáculo para a narrativa. Isso porque o Vasco aderiu e cumpriu um Ato Trabalhista em 2004, o que lhe permitiu acordar outro, em dezembro de 2007, em condições de pagamento, por sinal, muito melhores que as de Fluminense e Botafogo à época, também signatários do mesmo Ato. Por outro lado, quando finalmente as dívidas fiscais foram consolidadas pelos clubes, dado o surgimento da Timemania, a dívida fiscal rubro-negra era o dobro da do Vasco e a de Botafogo e Fluminense eram próximas do montante consolidado pelo clube da Gávea.

3 – A matéria ignora o fato público, notório e reconhecido no Poder Judiciário de que o banco não pagou U$12 milhões de dólares, portanto, não saiu, simplesmente. Ele inadimpliu e o contrato foi denunciado pelo Vasco, após oito meses de tal inadimplência. Afora isso, os problemas vividos pelo Vasco no início do século também tiveram por parte da Globo um dos motivos, pois, como citado por um executivo dela ao jornal “Meio e Mensagem” em 2001, a emissora aplicaria um torniquete financeiro no clube, com a intenção de jogar a torcida contra Eurico Miranda, a fim de que ele perdesse o apoio dela. Vale relembrar que após 18 meses de torniquete e resistência do Vasco, a emissora voltou a conversar com o clube, depois deste não aquiescer a que uma mudança no contrato de TV assinado por ela, fosse feita nos parâmetros (valores) desejados por ela própria. O Vasco foi exceção: todos os outros grandes clubes, que antecipavam cotas com a emissora (e continuaram antecipando entre 2001 e 2002) eram a favor. A ação, inclusive, como já dito em outra imagem, fez o Vasco voltar ao Clube dos Treze, com Eurico Miranda em posição de liderança e com o próprio Vasco mantendo-se no primeiro grupo entre os recebedores das cotas de TV. O seria junto a Corinthians, Flamengo e São Paulo. Anos depois o Palmeiras também entraria no seleto grupo, formado, então, por cinco clubes e assim o foi até a saída de Eurico Miranda da presidência do Vasco, em 30/06/2008, que deixou acertada a renovação de outro, nas mesmas condições para o Vasco, que se encerraria em 2011.

Ainda tem mais.

Vejam a imagem 11.


Imagem 11

O contrato virou alvo da CPI do Futebol em 2001.

Depoimentos apontaram que metade do dinheiro investido pelo banco não passou pela tesouraria do clube.

A outra metade? Teria sido depositada na conta de terceiros por ordem de Eurico Miranda.

E dentro do campo os reflexos vieram rápido…

ELUCIDAÇÕES:

Em novembro de 2000, a VGL (chamada de Vascolic em matéria publicada pelo jornal “Tribuna da Imprensa”) virou alvo da CPI, a partir de investigação da Polícia Federal, que teve por consequência uma descoberta: a empresa Deportes Sports Holding Limited detinha o controle (com 99,6% das ações ordinárias) da VGL e tinha sede em Grande Cayman, capital das Ilhas Cayman.

A Vascolic foi comprada apenas quatro meses após ter sido criada. À época de sua fundação teve a Vascolic como controladora a empresa Barewwod Trading Inc., com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A administração da Vascolic, todavia, continuou sob responsabilidade de executivos ligados ao Banco Liberal, braço brasileiro do Bank of America.

Cheguemos a 2001, agora falando de CPI. Nela própria foi declarado pelo diretor executivo do Bank of America, em abril daquele ano, que as remessas ao exterior de R$3,35 milhões, R$2,33 milhões, R$2,85 milhões e R$4,02 milhões, totalizando R$12,55 milhões, se deram por intermédio do Banco Central e o Bank of America intermediou a transação sabendo que a transferência seria para pagamento de empréstimos e de passes de jogadores e que foram feitos com lisura.

Em 16 de setembro de 1998, portanto muito antes de se falar em CPI da Nike ou do Futebol, o Vasco, em documento assinado por Antônio Soares Calçada e Eurico Miranda, cita cinco valores de transferências, quatro deles lembrados pelo diretor executivo do Bank of America, cerca de 30 meses depois, mais um de 2,3 milhões de reais. O documento enviado pelo clube ao banco fala sobre o cumprimento de obrigações relacionadas ao Departamento de Futebol, especificamente relacionadas com aquisição de jogadores, pagamento de débitos relacionados à aquisição de jogadores, ou pagamentos relativos a aluguel de jogadores, relacionados com os créditos originados pelo referido Instrumento. Todas as remessas se deram por intermédio do Banco Central.

Em 12 de dezembro de 2001, por decisão unânime na 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, três votos a zero, o Club de Regatas Vasco da Gama ganhou a ação no valor de 12 milhões de dólares contra o Bank of America, corroborando sua opinião, quanto ao débito do banco em relação ao clube.

Dentro do campo, em 1998, os reflexos vieram rápido, com os títulos conquistados, considerando a estrutura já montada desde o ano anterior.

Dentro de campo, após o inadimplemento do banco, os resultados vieram rápido, por competência do clube, campeão da Copa Mercosul.

Já em plena CPI, com perseguição a Eurico Miranda, desumanizado e demonizado, a partir da edição de imagens feita pela Rede Globo de Televisão no final de dezembro do ano 2000 (que ela admitiu ter executado, quase 24 anos depois) o Vasco foi Campeão Brasileiro (neste caso em janeiro de 2001).

Apesar de passar por um torniquete financeiro de 18 meses, dito antes por um executivo da Globo, ao jornal paulista “Meio e Mensagem”, que ocorreria, com o propósito de colocar a torcida vascaína contra Eurico Miranda, o clube resistiu, igualando o recorde de oito vitórias consecutivas na Taça Libertadores (que fora obtido pelo Cruzeiro em 1976), conquistando a Taça Rio (1º lugar) por antecipação, dando as maiores goleadas da história no Botafogo (7 x 0), São Paulo (7 x 1) e vencendo de mão aberta o Flamengo (cinco de novo), no mesmo ano. 

Também em 2001 o Vasco conquistou o Bicampeonato Brasileiro e Carioca de Basquete Masculino e foi Campeão Brasileiro e Bicampeão Carioca no Feminino, além de ter sido campeão em três das quatro categorias de base no Basquete Masculino.

No futebol de base conquistou o Mundialito e o Campeonato Carioca de Juniores, além do Campeonato Carioca no Sub11 e Sub13.

No Remo foi conquistado o Tetracampeonato Carioca e Brasileiro. O clube foi Tricampeão Carioca Masculino e Feminino no Atletismo.

Na Natação o Vasco foi Tricampeão da Taça Brasil e do Troféu José Finkel, mantendo-se pelo segundo ano consecutivo como primeiro do ranking, foi Campeão Brasileiro Feminino de Maratonas Aquáticas e Bicampeão do Troféu Brasil de Saltos Ornamentais.

No Futsal o Vasco foi Bicampeão Estadual e Municipal e no Handebol Hexacampeão Carioca.

No Judô, Taekwondo e Karatê o Vasco foi Bicampeão Carioca e no Vale-Tudo, com Wanderlei Silva, venceu o Pride 13 e o Pride 14.

No Tênis, com Joana Cortez, representando-o, o Vasco conquistou o Campeonato Brasileiro e Carioca, além de dois torneios internacionais de duplas ITF, na Colômbia e no México. No Tênis de Mesa o clube foi Tetracampeão Carioca Masculino e Feminino.

Na Vela o Vasco foi Bicampeão Mundial e Brasileiro na classe Laser e Campeão Brasileiro na classe Star, no Hipismo, através de Rodrigo Pessoa, montando Baloubet du Roet, foi Campeão do Grand Prix de Milão (Itália) e no Bodyboarding, com Guilherme Tâmega chegou ao título mundial, o quinto da carreira do atleta.

No Vôlei de Praia, com a dupla Adriana Behar e Shelda representando-o, foi Tricampeão do Circuito Mundial, Campeão da Copa do Mundo e Tricampeão do Circuito Banco do Brasil.

Em 2002, o Vasco encerrou a compra dos imóveis que faltavam para o complexo de São Januário. No mesmo ano o clube passou a alugar o Vasco-Barra (em janeiro), após o Flamengo ter sido despejado de lá em agosto de 2000. O clube ainda se manteve conquistando títulos em vários esportes.

No futebol de base houve a conquista da Copa Rio SUB 17. Dela participaram Bahia, Palmeiras, Atlético-MG (os dois últimos vencidos pelo Vasco no mata-mata), entre outros clubes, além do Bicampeonato Carioca no Sub-13. Nos demais esportes o Vasco foi Campeão da Liga Sul-Americana de Basquete Feminino; Pentacampeão Carioca e Brasileiro de Remo, conquistando, ainda cinco medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano; no Vôlei de Praia, através da dupla Adriana Behar e Shelda, conquistou o Teracampeonato do Circuito Brasileiro Banco do Brasil Feminino; foi Tetracampeão Carioca Masculino e Feminino no Atletismo; obteve duas medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano de Natação; foi Tricampeão Carioca de Karatê; Pentacampeão Carioca Masculino de Tênis de Mesa, além de campeão no Tênis, com Joana Cortez, de um Torneio ITF em duplas (Torneio de Mallorca-ESP) e, com Guilherme Tâmega, Hexacampeão Mundial de Bodyboard, com o atleta usando o símbolo do Vasco na prancha, por gratidão e paixão pelo clube que o patrocinou em 2000, quando foi Hexacampeão Nacional.

Entre agosto de 2002 e o início de 2003 foi montado o time Campeão da Taça Guanabara, Taça Rio e do Campeonato Carioca daquele ano. No ano seguinte o clube conquistou o Bi da Taça Rio (2º turno), derrotando na decisão o Fluminense de Ramon Menezes, Roger, Edmundo e Romário, por 2 x 1. Houve falta de títulos na sequência e nenhuma comemoração, praxe no Vasco desde os anos 1920, quando se tornou grande no futebol, por vices ou semifinais alcançados. Na base, títulos cariocas, em nível interestadual e internacional foram conquistados no Sub11 (2), Sub13 (2), Sub15 (2) e Sub17 (entre 2003 e 2007).

Conquistas em outros esportes foram obtidas em 2003: Basquete Feminino (Campeão Carioca); Atletismo (Pentacampeão Carioca Masculino, mais duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, uma de ouro e outra de bronze); Karatê (Tetracampeão Carioca); Tênis (medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, com Joana Cortez e mais três conquistas dela em torneios internacionais ITF de duplas, no México, EUA e Itália); Tênis de Mesa (Hexacampeão Carioca Masculino), Vôlei de Praia (Pentacampeão do Circuito Brasileiro Feminino Banco do Brasil), além de três medalhas de prata e duas de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, obtidas por remadores ligados ao Vasco.

Renato Carvalho, representando o Vasco, iniciaria uma série de conquistas individuais no Judô, desde Campeonatos Cariocas, Estaduais, Interestaduais, Brasileiros e Sul-Americanos, de 2003 a 2008, a tenista Joana Cortez ainda conquistaria, entre 2004 e 2005 mais seis torneios ITF de Duplas, três em Portugal, dois no Brasil e um na Itália, a dupla Adriana Behar e Shelda ganharia a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, além de obter o Circuito Mundial Feminino e o Hexacampeonato do Circuito Banco do Brasil no mesmo ano. Foram conquistadas quatro medalhas de ouro nos Jogos Sul-Americanos de Atletismo, Remo e Karatê (duas), em 2006, por atletas vascaínos e, também por eles, mais uma medalha de ouro, duas de prata e três de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, além de títulos estaduais e brasileiros no Remo, muito forte até 2008. Vale lembrar que outros esportes não olímpicos foram continuados pelo clube, ou iniciados no período anterior à troca de gestão no Vasco, ocorrida em 2008. Houve, também, a preocupação com os esportes Paralímpicos, desde o apoio a eles dado em 2000, vide as duas medalhas de ouro e uma de prata obtidas por Mauro Brasil na Natação, nos Jogos Parapan-Americanos do Rio em 2007, posteriores às conquistas de dois ouros, em 2005 e duas pratas, em 2006, em campeonatos mundiais dos respectivos anos.


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“O Vasco passou a brigar contra o rebaixamento.

Vieram a queda de público, crise políticas e problemas administrativos.

Em 2004, o balanço do clube foi considerado como o menos transparente entre 18 da Série A.”

Na imagem, mais abaixo, surge matéria do UOL, de 14/07/2005, que trata do balanço patrimonial do Vasco, do ano de 2004, citando o CRC (Conselho Nacional de Contabilidade) como sustentáculo da informação. O título da matéria e seu teor, tal qual foi publicado no Instagram, faz uma associação livre entre a opinião do CRC e a sua própria. Ei-lo: “Futebol do Vasco vê o fundo do poço perto”.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, entre 2001 e 2008, até a troca de gestão, jamais esteve na zona de rebaixamento no returno do Campeonato Brasileiro (que se iniciou em 2003 neste formato). 

No ano de 2002 (ainda no modelo sem returno) o Vasco esteve uma rodada na zona de rebaixamento. 

Entre 2001 e 2002 o Flamengo se salvou do descenso na última rodada (em 2001) e figurou várias rodadas no Z4 em 2002, ano no qual o Botafogo caiu, tal como o Palmeiras, salvando-se o Internacional-RS na última rodada. 

No ano seguinte (2003), o Fluminense (que ficou oito rodadas na zona de rebaixamento) teve chances de cair até a última do campeonato.

Entre 2004 e 2005 o Vasco esteve, no primeiro ano, três rodadas na zona de rebaixamento (entre a 3ª e a 5ª do turno). Na mesma competição o Flamengo figurou na zona rebaixamento em 24 rodadas e o Botafogo (que havia subido em 2003) em 33 rodadas. Em 2004 outro grande clube brasileiro caiu, no caso o Grêmio.

Em 2005 o Vasco esteve nove rodadas na zona de rebaixamento, todas no turno. Considerando os jogos posteriormente anulados e disputados novamente, bem como seus resultados, o Vasco teria ficado apenas duas rodadas na zona de rebaixamento (12ª e 15ª rodadas). Na mesma competição o Flamengo figurou na zona de rebaixamento por 15 rodadas, a última delas a 37ª (naquele ano o campeonato foi disputado por 22 equipes). Nessa edição outro grande foi rebaixado: o Atlético-MG.

Quando da troca de gestão no Vasco (01/07/2008), o clube não figurava no Z4 havia 108 rodadas e jamais entrara nele quando a competição passou a ter 20 clubes. Em 2006 o clube esteve na zona da Libertadores em nove rodadas, em 2007 em 19 rodadas e até haver a troca de gestão, em 2008 (oito rodadas disputadas até ali), numa rodada. O Vasco foi deixado em nono lugar na competição.

No mesmo período, até a troca de gestão, em 30/06/2008, o Flamengo esteve seis vezes na zona de rebaixamento em 2006 e uma em 2007, o Botafogo sete rodadas em 2006 e o Fluminense em cinco das oito primeiras no ano de 2008. Em 2007 outro grande caiu: o Corinthians.

Ou seja, até a troca de gestão, em junho de 2008, desconsiderando os anos de 2001 e 2002, quando o Flamengo quase caiu (por duas vezes) e o Botafogo efetivamente caiu (em 2002), O Vasco, entre 2003 e 2008, esteve 12 rodadas na zona de rebaixamento (que viriam a ser cinco, considerando a anulação dos jogos no Campeonato Brasileiro, apitados por Edilson Pereira de Carvalho em 2005), enquanto o Flamengo esteve 46 rodadas na zona de rebaixamento, o Botafogo em 41 rodadas e o Fluminense em 13 rodadas.

No ano de 2005, no pior do momento do clube, em plena zona de rebaixamento, o Vasco tinha a sétima maior média de público do Campeonato Brasileiro, disputado, então, por 22 equipes. 

Se houve uma insana sede de poder por parte da oposição, desqualificando o clube e se unindo à parte da imprensa para atacá-lo, isso não é crise política e sim uma espécie de sabotagem ao próprio clube. São coisas diferentes. 

Em 2005 o CRC tinha em seus quadros, destacadamente, o futuro Vice de Finanças do clube, que era oposição a Eurico Miranda e fazia parte do MUV (Movimento Unido Vascaíno). Suas críticas eram encaradas pela direção do Vasco, como sendo motivadas por razões políticas. Em sua gestão teve três balanços reprovados pelo Conselho Fiscal do clube (2009, 2010 e 2011). O último deles, inclusive, suscitou a sua saída da função que exercia, em setembro de 2012. Viria, ainda, pedir demissão do cargo eleito, segundo vice-presidente do clube, em dezembro do mesmo ano. O balanço patrimonial de 2011 seria republicado sob a responsabilidade de um novo Vice de Finanças, posteriormente, no início de 2013. Um ex-companheiro de MUV, também oposição a Eurico Miranda (independentemente da declaração a seguir), afirmou para a coluna De Prima do jornal Lance, em outubro de 2012, o seguinte: “Se esse balanço de 2011 tivesse sido apresentado na época do Eurico, já estariam pedindo a prisão dele”.

Sobre a matéria do UOL, que fala do futebol do Vasco no fundo do poço, fazendo correlação com a crítica a respeito do balanço, de autoria do CRC, mais parece uma tentativa de querer comparar bananas com maçãs. Se um balanço (alegadamente) intransparente do ano anterior traz resultados ruins em campo no ano seguinte (quando aquele é discutido pelo público em geral), o que dizer do balanço de 2010, reprovado pelo Conselho Fiscal e a conquista da Copa do Brasil por parte do Vasco em 2011?

De qualquer maneira, a fase péssima no futebol passou e o Vasco terminou o Campeonato Brasileiro de 2005 classificado à Copa Sul-Americana daquele ano, aliás, como já dito acima, o último no qual o clube frequentou o Z4 até a saída de Eurico Miranda em 30/06/2008. Por outro lado isso vem demonstrar o tamanho do Vasco à época. O fundo do poço do futebol do Vasco traduzia-se em 12 rodadas na zona de rebaixamento, no somatório daqueles dois últimos anos, enquanto seu principal rival, o Flamengo, não estava no fundo do poço no futebol, apesar de acumular, ao fim da competição de 2005, 39 rodadas (mais que o triplo, se comparado ao Vasco) no Z4 ao longo do mesmo período.


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“Nesse meio tempo foram rebaixados quatro vezes.

Até que em 2022 o clube aprova a transformação em SAF (Sociedade Anônima).

Vende 70% das ações para 777 partners.

Com o acordo de R$1,4 bilhão em investimentos e pagamento de dívidas antigas.”

ELUCIDAÇÕES:

Nesse meio tempo, antes de o MUV entrar no clube, fato ocorrido em 01/07/2008,, o Vasco não foi rebaixado vez alguma, mas o foi duas vezes na gestão subsequente (no campo) e, também, nos recebimentos de cotas de TV.

O pulo para 2022 pode até ser conveniente para a narrativa que se pretende, mas não faz sentido algum.

Após a troca de gestão, ocorrida em 01/07/2008, até seu fim, em dezembro de 2014, o Vasco teve quase triplicada a sua dívida real e quase duplicada aquela que jogou no balanço. Esta, por sinal, chamou a atenção em dois pontos:

a) Imobilizado

Foi reduzido no ativo permanente o imobilizado do Vasco em 12,657M, no balanço de 2008 (contado a partir de 01/07/2008), elaborado pela gestão sucessora. Curiosamente, nos dois balanços subsequentes, referentes a 2009 e 2010, o valor do imobilizado cresceu 8,914M no 1º ano e 11,192M no 2º ano, totalizando 20,106 milhões no somatório dos dois anos. Vale lembrar que a obra relevante feita por aquela gestão no complexo de São Januário foi inaugurada em dezembro de 2011, após seis meses de seu início, que contemplou a construção de uma Mega-Loja e algumas salas mais abaixo dela.

b) Reservas para Contingências:

O Vasco pôs em seu balanço, na conta “Provisão de Contingências”, R$103,882 milhões em 2008. Essa conta diz respeito a ações que o clube respondia na Justiça, consideradas as que o Vasco perderia, ou provavemente perderia, ou possivelmente perderia, ou remotamente perderia. Até 2007 o clube não considerava esse item em seu balanço patrimonial.

Vale ressaltar que o Flamengo, com uma dívida fiscal, que fora consolidada em 180 milhões de reais para o ingresso do clube na Timemania em 2008 (o dobro da do Vasco) e com centenas de ações trabalhistas a mais que o Vasco contra si, pôs em reservas para contingências (no mesmo exercício em que o Vasco destacou 103,882 milhões de reais no item) o valor de R$7,592 milhões, modificado próximo às eleições na Gávea pela Comissão Permanente de Finanças de seu Conselho Deliberativo, em novembro de 2009, para 36,498 milhões.

Passado esse período, Eurico Miranda retornou ao clube e o geriu no triênio 2015 a 2017.

Quando chegou no Vasco, além da dívida real do clube praticamente triplicada, este tinha dois anos de antecipação das cotas de TV, receita com o quadro de sócios antecipada, receita com produtos licenciados antecipada, dois meses de salários atrasados, mais décimo terceiro, fora direito de imagens a pagar.

Havia, ainda, dívida de dez milhões de reais com a CEDAE (o Vasco nada devia até a saída dele Eurico, em 2008) e dívida até mesmo com caminhão pipa.

Fora isso, várias ações contra o clube que haviam chegado à FIFA (todas da gestão anterior), base alocada em Itaguaí, patrimônio abandonado, São Januário com capacidade para 15.311 pessoas, toneladas e mais toneladas de lixo a céu aberto no complexo de São Januário, hotel concentração, construído em 2003 para os profissionais, largado, parque aquático sob tapumes, ginásio abandonado, alojamento da base sem condições de uso, vindo do 3º lugar da 2ª divisão, sem ter liderado a competição em rodada alguma, com um histórico naqueles seis anos e cinco meses de 03 vitórias contra o Flamengo e 10 derrotas, além de uma até então inimaginável freguesia diante do Botafogo (06 x 09).

Nesse período, entre 2015 e 2017, com Eurico Miranda presidindo o clube, o Vasco suplantou todos os três grandes do Rio no confronto direto (5 x 3, 6 x 4 e 6 x 1), ganhou mais títulos e taças oficiais que todos os três (JUNTOS), conquistou dois títulos (um invicto), aliás os dois últimos do Vasco até aqui, eliminou pela primeira vez na história o Flamengo de três campeonatos consecutivos (no confronto direto), conquistando dois deles, venceu todas as finais que disputou e foi deixado na Taça Libertadores, pela última vez, até 2025. 

Destaque-se, ainda, o trabalho junto à base, antes alocada em Itaguaí, fora a recuperação do patrimônio (reforma do alojamento da base, reforma e utilização novamente do ginásio e do Parque Aquático), criação do CAPRRES, CAPRRES Olímpico e CAPRRES da base, construção de um campo anexo, elevação em mais de 40% da capacidade de público em São Januário (considerando a que encontrou), melhorias nas outras sedes, clássicos jogados dentro de sua casa, novamente, em Campeonato Carioca e Brasileiro (3 vitórias, 1 empate e 1 derrota), obtenção de certidões fiscais positivas com efeito de negativas (pela última vez até aqui e sem entrada em Recuperação Judicial, ocorrida, recentemente), de verbas da CBC em função disso, de novos títulos no Basquete, ressuscitado praticamente (Liga Ouro, Super Four, Copa Avianca) e em outros esportes, novos títulos na base (Campeão no Sub 17 após oito anos, no Sub 20 após sete anos, duas vezes no Sub 11, com Rayan), o primeiro atleta vascaíno olímpico, medalhista de ouro no futebol (Luan), efetivação da maior venda de um atleta de base no século, Douglas Luiz, e uma joia (Paulinho) deixada para a gestão seguinte negociá-la, em menos de 90 dias, por 56,6 milhões líquidos (11 milhões recebidos previamente na primeira semana após assumir). 

Por fim, a dívida do Vasco foi reduzida (sem o clube entrar em Recuperação Judicial, mas apenas por competência administrativa) de 690 para 589 milhões, segundo decisão final do Conselho Deliberativo, após o grupo de finanças da gestão sucessora ter entendido que a dívida fora diminuída de 690 para 645 milhões de reais.

Por outro lado, o clube foi assumido com uma receita anual de 129 milhões de reais e deixado com 192 milhões nesse item, após o fim do triênio. Passados quatro anos a receita anual do Vasco, apresentada no balanço de 2021, foi seis milhões menor que a apresentada em 2017. 

Se em 2001, após a disputa de 13 das 27 rodadas previstas na primeira fase do Campeonato Brasileiro, Eurico Miranda, a 29/09, afirmou que tudo seria feito para impedir a chegada do Vasco às finais da competição, comprovando-se isso ao longo de quatro dos últimos 14 jogos da equipe, nos quais, de forma flagrante, prejuízos se deram contra São Caetano, em São Januário, Fluminense, Portuguesa de Desportos, no Canindé, e Atlético-MG, em Belo Horizonte, perdendo o Vasco dez pontos nos quatro jogos, dois deles em que perdeu, quando, sem prejuízos de arbitragem, venceria, no ano de 2015, durante a disputa do Campeonato Brasileiro, notadamente no returno da competição, Eurico Miranda, novamente presidindo o Vasco, denunciou um suposto esquema de favorecimento aos clubes de Santa Catarina (que eram quatro naquela edição). A questão chegou ao STJD, ocasião na qual Eurico Miranda ratificou sua insatisfação, foi apenas advertido e se concluiu, por parte do tribunal, que deveria haver averiguações sobre o tema.

Naquele ano, o Vasco, que já havia experimentado “pequeno” prejuízo de arbitragem no turno, três pontos, nos jogos contra o Internacional-RS em São Januário e Sport-PE, em Recife, teria no returno um volume de erros de arbitragem em lances capitais jamais visto na história dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro (o que com o VAR, a partir de 2019, deve tornar a marca de 2015 inalcançável). Foram 11 pontos tirados do clube, via arbitragem, nas últimas 16 rodadas, em jogos contra o Atlético-MG, no Maracanã, Cruzeiro, em Belo Horizonte, Avaí, em Santa Catarina, Chapecoense, no Maracanã, São Paulo, no Morumbi e Coritiba, em Curitiba.

Não era novidade para o Vasco prejuízos em momentos decisivos, pois desde 1986 – quando Eurico Miranda assumiu a Vice-Presidência de Futebol (ele teria cargo eleito na direção do clube apenas em 1992) – com o escândalo das papeletas amarelas (denúncias de dentro do Flamengo de que o clube supostamente subornara árbitros para obter o título de Campeão Carioca), os prejuízos flagrantes ao Vasco foram empilhados, tirando do clube o próprio Campeonato Carioca de 1986, a classificação à final no Campeonato Brasileiro de 1992, o título invicto no Campeonato Carioca de 1994 (embora o Vasco tenha sido campeão), a classificação aos play-offs no Campeonato Brasileiro de 1998, o título carioca de 1999, a classificação às semifinais do Campeonato Brasileiro de 1999, o Mundial Interclubes de 2000, o Campeonato Carioca de 2001, a classificação aos play-offs da Copa Mercosul em 2001, a classificação às semifinais do Torneio Rio-São Paulo em 2002, a classificação aos play-offs do Campeonato Brasileiro de 2002, a possível classificação às semifinais da Copa do Brasil de 2003 (com arbitragem correta a vaga seria disputada nos pênaltis), a classificação à decisão da Copa do Brasil de 2008, a classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil em 2016, além dos flagrantes prejuízos de arbitragem no Campeonato Brasileiro de 2011 e a perda do título carioca de 2014, noutra gestão, ocasiões nas quais o Vasco foi vice. Ressalte-se, ainda, o ocorrido no Campeonato Brasileiro de 2020, quando foi pela última vez o Vasco rebaixado, primordialmente por um erro de direito, visto na derrota para o Internacional-RS, em São Januário, quando sem VAR e sem aviso ao árbitro, a cabine definiu em desfavor dos anfitriões um lance capital do jogo.

Para fechar, em 2017 o Vasco foi prejudicado no Campeonato Brasileiro em seis pontos (de sétimo lugar, classificado à Libertadores, teria ficado em terceiro). Na ocasião o Vasco tomou quatro gols irregulares (Bahia e Atlético-MG no turno, Corinthians e Avaí no returno), teve oito pênaltis contra si marcados, apenas um pênalti assinalado em seu favor (na última rodada das 38 previstas) e cinco não marcados, que existiram (Corinthians, Atlético-GO, Flamengo e Santos no turno, Coritiba no returno), fora outros discutíveis. Os seis pontos de prejuízo, em lances capitais, que tiraram pontos do Vasco, se deram frente a Flamengo (1 ponto) e Santos (2 pontos) no turno, Corinthians (1 ponto) e Coritiba (2 pontos) no returno.

Voltando a 2015, ressalte-se que a resposta dada pelo Vasco, diante do maior prejuízo sofrido por um clube na história dos Campeonatos Brasileiros (14 pontos) foi ficar sete meses sem perder, de 08/11/2015 a 07/06/2016 (curiosamente dia do aniversário de Eurico Miranda), batendo seu recorde pessoal de partidas oficiais invictas, superando, ainda as melhores marcas de Atlético-MG, Flamengo, Internacional-RS e Palmeiras no quesito. Nesse período o clube conquistou, em 2016, seu sexto bicampeonato carioca invicto (que não obtinha havia 23 anos) e, de forma invicta (não conseguia um título invicto carioca havia 24 anos), na ocasião em que mais clássicos disputou (oito), comparando-se às demais conquistas sem derrota alcançadas pelo clube, através dos tempos.

O acúmulo de prejuízos de arbitragem ao Vasco na era dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro, no período Pré-VAR se evidenciou nos anos de 2003 (8 pontos), 2004 (6 pontos), 2005 (5 pontos), 2006 (7 pontos), 2011 (7 pontos), 2012 (4 pontos), 2015 e 2017 (os dois últimos já citados). Com isso, o Vasco deixou de ir à Libertadores em 2007 e 2013. Em outros anos, como os prejuízos e benefícios de arbitragem foram poucos ou se anularam, não serão citados. A única ocasião em que os benefícios maiores que prejuízos se evidenciaram a favor do Vasco nos Campeonatos Brasileiros de pontos corridos Pré-VAR ocorreu em 2010 (5 pontos).

Deixa-se aqui de se considerar prejuízos reclamados pelos torcedores nos jogos de mata-mata, referentes ao Campeonato Carioca de 2000 e Copa do Brasil de 2009 (semifinal), pois embora o Vasco, de fato, tenha sido prejudicado num dois dois confrontos decisivos (ou em ambos), a diferença numérica de placar ou a compensação de erro no outro confronto impedem que sejam listados. Por outro lado, a crítica em relação à demora do tira-teima em 2012, nas quartas-de-final da Taça Libertadores contra o Corinthians, primeiro jogo, deve ser registrada, independentemente de, posteriormente, tanto Rede Globo, como a FOX, transmissoras da partida realizada em São Januário (0 x 0), tenham dado como veredicto o impedimento de Alecsandro, autor do gol, na ocasião.

Finalmente, sobre títulos que possam ser contestados por erros em favor do Vasco, existem dois no período: o da Taça Guanabara de 2003, em virtude de um gol mal anulado do Flamengo, três minutos antes de a equipe rubro-negra empatar a partida (o resultado de 1 x 1 deu o título ao Vasco) e o da Copa do Brasil de 2011, no Paraná, diante do Coritiba, em função de um pênalti supostamente cometido por Dedé sobre o atacante Leonardo (quando o placar era de 3 x 2 em favor dos anfitriões), entendido como tal por muitos, mas questionado pelo árbitro Sálvio Spínola, que apitou a partida e mesmo anos depois permaneceu defendendo ter sido correta a sua avaliação de deixar o jogo seguir, na derrota do Vasco para o Coritiba (2 x 3), que, mesmo assim deu o título ao clube, em função da vitória no jogo de ida (1 x 0).

Antes de 1986, em vários momentos decisivos, nas mais variadas competições, o Vasco também experimentou prejuízos dos mais diversos, via arbitragem, mas aqui se faz um recorte, apenas, dos últimos 40 anos.

O Vasco, na prática, foi entregue a terceiros, em 2022, por 700 milhões de reais, enquanto a dívida já existente poderia ser paga com os próprios ativos do clube, ao longo do tempo. Na ocasião da venda, o Vasco estava no RCE (dívidas equacionadas cíveis e trabalhistas) e no Profut (parcelamento de dívidas fiscais). 


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“Com o (sic) SAF sendo controlada pela 777, o Vasco passa 24 de 38 rodadas na zona de rebaixamento.

Isso com uma campanha fraca e muita contestação ao projeto pelo torcedor.

Até que, em 2024, o clube vai à Justiça e suspende o contrato com a 777 – com a prova de que apenas 31% do capital prometido foi investido.

E a história se repete novamente…”

Para alicerçar o que está dito é publicada parte de uma matéria do GE, meramente informativa.”

ELUCIDAÇÕES:

A mudança de associação para SAF e de controle, saindo este do Vasco para um comprador, deu no que deu. 

O clube conseguiu na Justiça algo, que se não obtivesse, manteria a caixa preta da SAF sem abertura, porque quando se entrega o clube, tanto a transparência, como ações do dono dependem de sua vontade e dos conselhos da própria empresa, controlados, em maioria, pelo novo dono, ficando o clube à mercê disso.


Imagem 15

– Hoje o Vasco carrega uma dívida de R$1 bilhão.

– Busca um novo investidor para assumir a SAF

– Está em processo de recuperação judicial

– Passa por mudança constante do elenco

– Não disputou nenhum título nos últimos anos.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, de 2018 a 2024 elevou sua dívida em quase um bilhão de reais.

A busca não é por um novo investidor e sim de outro dono, o que não faz sentido algum, considerando o aumento de receitas do clube entre 2021 e 2025, que triplicou por quatro fatores básicos: novos contratos de TV, crescimento do valor de vendas de atletas para o exterior, investimento pesado das casas de apostas nos clubes para propagandearem suas marcas e aumento considerável das premiações pagas pelos organizadores das competições, por performance esportiva. 

Afora isso, a Recuperação Judicial (desnecessária) constituiu-se num calote legal de percentuais de débito do clube com cerca de 500 credores, reduzindo o montante a pagar na ordem de mais ou menos 300 milhões de reais.

Em 2026, considerando a venda de Rayan e o contrato com a Nike, a receita aumentará em ao menos 25% do valor de 2025, que chegou a aproximadamente 600 milhões.

Com o Potencial Construtivo e a responsabilidade de se fazer uma obra em 2027, que seja, no limite do valor líquido a ser recebido, na ordem de 450 milhões, por alto (valor dado para o clube), aumenta-se para dois ou três anos depois a possibilidade de arrecadação de bilheteria a maior, sem contar jogos eventuais no Maracanã. 

Ao mesmo tempo, o clube tem, ainda, a oportunidade de nova receita, com os naming rights do estádio e em 2029 um novo contrato de TV será negociado.

A Vasco SAF pode ter parceiros, investidores, mas não ser entregue a terceiros, com quem quer que seja (que não o Club de Regatas Vasco da Gama) tendo o controle acionário.

O que se propagandeou, desde o fim de dezembro de 2025, foi a perda do controle acionário a troco de um investimento por x tempo. 

Especula-se hoje dois bilhões de reais de investimento. Por outro lado, um comprador dizer que vai assumir a dívida não é nada complexo, pois a garantia da receita anual da instituição já existe para pagá-la, ao longo dos anos.

Sobre nenhum campeonato ganho há dez anos, é um recorde na história do Vasco e isso se deu num período em que a dívida do Vasco cresceu em quase 1 bilhão de reais.

Qual a lição disso tudo?


Imagem 16

“Ter recursos não é suficiente se você não souber administrá-los.
Isso serve tanto para vida, negócios ou investimentos.
O maior contrato do futebol brasileiro virou um dos maiores desastres justamente por isso.”

ELUCIDAÇÕES:

Contar a história de maneira equivocada, contendo inverdades ou más informações, leva a que a continuidade dela se dê torta e errática. 

As consequências de discursos disformes ao histórico são os resultados, que batem no torcedor e transformam o Vasco num clube de menor cobrança, resignado, e que começa a internamente comemorar até mesmo vice-campeonato, num ano em que venceu 23 partidas e perdeu 28, pior resultado no século, na proporção disso, o que ocorreu em 2025.

A história ensina. Aprende quem a considera. A distorção, consciente ou inconsciente dela, faz com que o Vasco se comporte institucionalmente, através de seus coitados dirigentes, como se desaprendesse sua essência.

Sérgio Frias

A estatística que nos motiva e nos diferencia

1º Tema:

Jamais, em tempo algum, o Vasco disputou uma decisão em dois ou mais jogos (atuando pelo menos num deles no Rio de Janeiro) sem ter sido campeão quando garantido ao menos um empate no primeiro confronto, em termos de títulos interestaduais, nacionais, sul-americanos ou intercontinentais.

ABAIXO O RESUMO:

1953 – Torneio Intercontinental Rivadávia Corrêa Meyer

Decisão:

Vasco x São Paulo

1º Jogo: São Paulo-SP 0 x 1 Vasco

2º jogo: Vasco 2 x 1 São Paulo-SP

Vasco Campeão

—–

1989 – Campeonato Brasileiro

Decisão:

Vasco x São Paulo

1º Jogo: São Paulo-SP 0 x 1 Vasco

*Não houve necessidade do 2º jogo

Vasco Campeão

—–

1993 – Torneio Interestadual João havelange

Decisão:

Vasco x Mogi-Mirim-SP

1º Jogo: Vasco 4 x 0 Mogi-Mirim-SP

2º Jogo: Mogi-Mirim-SP (3) 4 x 0 (4) Vasco

Vasco Campeão

——

1997 – Campeonato Brasileiro

Decisão:

Vasco x Palmeiras-SP

1º Jogo: Palmeiras-SP 0 x 0 Vasco

2º Jogo: Vasco 0 x 0 Palmeiras-SP

Vasco Campeão

——-

1998 – Copa Libertadores

Decisão:

Vasco x Barcelona-EQU

1º Jogo: Vasco 2 x 0 Barcelona-EQU

2º Jogo – Barcelona-EQU 1 x 2 Vasco

Vasco Campeão

——

1999 – Torneio Rio-São Paulo

Decisão:

Vasco x Santos-SP

1º jogo: Vasco 3 x 1 Santos-SP

2º Jogo: Santos-SP 1 x 2 Vasco

Vasco Campeão

——

2000 – Copa Mercosul

Decisão:

Vasco x Palmeiras-SP

1º Jogo – Vasco 2 x 0 Palmeiras-SP

2º Jogo: Palmeiras-SP 1 x 0 Vasco

3º Jogo: Palmeiras-SP 3 x 4 Vasco

Vasco Campeão

——–

2000 – Campeonato Brasileiro

Decisão:

Vasco x São Caetano-SP

1º Jogo – São Caetano-SP 1 x 1 Vasco

2º Jogo – Vasco 3 x 1 São Caetano-SP

Vasco Campeão

——-

2011 – Copa do Brasil

Decisão:

Vasco x Coritiba-PR

1º Jogo – Vasco 1 x 0 Coritiba-PR

2º Jogo – Coritiba-PR 3 x 2 Vasco

Vasco Campeão

——

2025 – Copa do Brasil

Decisão:

Vasco x Corinthians-SP

1º jogo – Corinthians-SP 0 x 0 Vasco

—–

2º Tema:

A história do futebol brasileiro demonstra que períodos prolongados sem títulos não são exceção, mas parte do ciclo natural dos grandes clubes. Ao longo do século XX, as principais agremiações do eixo Rio–São Paulo atravessaram fases de escassez esportiva que ultrapassaram uma década sem conquistas oficiais, fenômeno amplamente registrado nos arquivos das competições estaduais e nacionais.

A análise comparativa desses intervalos revela um dado relevante: enquanto todos os grandes clubes do eixo viveram, em algum momento, jejuns superiores a dez anos, o Vasco da Gama construiu uma trajetória singular dentro desse contexto histórico.

OS GRANDES CLUBES E SEUS PERÍODOS DE JEJUM

1) FLUMINENSE – Jejum entre 1924 e 1936: O Fluminense foi campeão carioca em 1924, em um contexto marcado pela cisão do futebol do Rio de Janeiro, motivada por disputas institucionais e pelo debate racial e social da época. Naquele ano, o Vasco da Gama conquistou o título (Bicampeonato Carioca Invicto) numa liga (a mesma da conquista de 1923, FMDT), enquanto o Fluminense disputou junto a outros clubes preconceituosos o campeonato numa outra liga, formada naquele ano (AMEA). O clube das Laranjeiras só voltaria a ser campeão carioca em 1936, em novo momento de cisão do futebol carioca, conquistando o título numa liga (LCF) em que figuravam, além dele, Flamengo e America, enquanto o Vasco foi Campeão Carioca noutra liga (FMD), onde atuavam, também, Botafogo, Bangu e São Cristóvão, desde 1935. A paz no futebol carioca viria apenas em 1937, com a criação da LFRJ, que absorveria todos os principais clubes da cidade, já campeões até ali.

2) FLAMENGO – Jejum entre 1927 e 1939: O Flamengo conquistou o Campeonato Carioca em 1927 e só voltaria a levantar um título carioca em 1939. Trata-se de um intervalo de 11 anos sem conquistas. O título de 1939 marcou o encerramento dessa seca rubro-negra.

3) BOTAFOGO – Jejum entre 1968 e 1989: O Botafogo viveu um dos jejuns mais longos entre os grandes clubes do Rio de Janeiro. O clube venceu a Taça Brasil de 1968 (edição oficialmente reconhecida como título de 1968, embora encerrada em 1969). O retorno às conquistas só ocorreria em 1989, encerrando um intervalo de 20 anos sem títulos expressivos no cenário principal.

4) CORINTHIANS – Jejum entre 1954 e 1966: O Corinthians conquistou o Campeonato Paulista de 1954 (edição definida em fevereiro de 1955) e só voltou a ser campeão 11 anos depois, quando dividiu o título do Torneio Rio-São Paulo com Vasco, Botafogo e Santos, no ano de 1966.

5) SÃO PAULO – Jejum entre 1957 e 1970: O São Paulo foi campeão paulista em dezembro de 1957, em final disputada no Pacaembu contra o Corinthians. O clube só voltaria a conquistar o Campeonato Paulista em 1970, encerrando um jejum de 12 anos. A conquista marcou o início de um novo ciclo, impulsionado por reforços importantes, como a chegada de Gérson, ex-Botafogo, ao elenco tricolor.

6) SANTOS – Jejum entre 1984 e 1997: O Santos foi campeão paulista em 1984 e permaneceu 12 anos sem títulos de expressão. O jejum foi quebrado em 1997 com a conquista do Torneio Rio–São Paulo, vencido no Maracanã, em fevereiro daquele ano, poucos dias antes do Carnaval, marcando o retorno do clube ao cenário de conquistas relevantes.

7) PALMEIRAS – Jejum entre 1976 e 1993: O Palmeiras foi campeão paulista em 1976 e atravessou um longo período de 16 anos sem títulos. O jejum foi encerrado com a conquista do Campeonato Paulista de 1993, título simbólico e amplamente celebrado, apesar de o clube ainda conquistar, naquele mesmo ano, outros certames importantes, incluindo o Campeonato Brasileiro. O Paulista de 1993 foi o marco que oficialmente tirou o clube da fila.

O CASO SINGULAR DO VASCO DA GAMA

Dentro desse panorama histórico, o Vasco da Gama se destaca por um dado estatístico que o diferencia dos demais clubes do eixo Rio–São Paulo. Ao longo de sua história centenária, o clube jamais chegou à marca de dez anos consecutivos sem a conquista de um título oficial, mesmo atravessando períodos de instabilidade esportiva, financeira e/ou administrativa.

Abaixo as conquistas do Vasco em toda a sua história, desde Campeonatos Cariocas:

1923 – Campeão Carioca

1924 – Bicampeão Carioca (Invicto)

1929 – Campeão Carioca

1934 – Campeão Carioca

1936 – Campeão Carioca

1945 – Campeão Carioca (Invicto)

1947 – Campeão Carioca (Invicto)

1948 – Campeão Sul-Americano (Invicto)

1949 – Campeão Carioca (Invicto)

1950 – Bicampeão Carioca

1952 – Campeão Carioca

1953 – Campeão do Torneio Intercontinental Rivadávia Corrêa Meyer (Invicto)

1956 – Campeão Carioca

1958 – Campeão do Torneio Rio-São Paulo

1958 – Campeão Carioca

1966 – *Campeão do Torneio Rio-São Paulo

*Empatado com Botafogo, Corinthians e Santos.

1970 – Campeão Carioca

1974 – Campeão Brasileiro

1977 – Campeão Carioca

1982 – Campeão Carioca

1987 – Campeão Carioca

1988 – Bicampeão Carioca

1989 – Campeão Brasileiro

1992 – Campeão Carioca (Invicto)

1993 – Bicampeão Carioca

1993 – Campeão do Torneio Interestadual João Havelange

1994 – Tricampeão Carioca

1997 – Campeão Brasileiro

1998 – Campeão Carioca

1998 – Campeão Sul-Americano

1999 – Campeão do Torneio Rio-São Paulo

2000 – Campeão da Copa Mercosul

2000 – Campeão Brasileiro

2003 – Campeão Carioca

2011 – Campeão da Copa do Brasil

2015 – Campeão Carioca

2016 – Bicampeão Carioca (Invicto)

Essa característica coloca o Vasco em uma posição singular no recorte histórico dos grandes clubes brasileiros. Diferentemente de seus pares, o clube sempre conseguiu interromper seus ciclos negativos antes de atingir uma década completa sem conquistas.

Com a conquista da Copa do Brasil neste domingo, diante do Corinthians, o clube não apenas adicionará um título de peso nacional ao seu acervo, como também reafirmará um dado histórico relevante: permanecerá como o único clube do eixo Rio–São Paulo que nunca completou dez anos sem levantar um campeonato oficial, desde estaduais.

Trata-se de um fato objetivo, sustentado por dados cronológicos, que ultrapassa o debate emocional e se insere no campo da história esportiva. A conquista ratificará uma regularidade rara, em um futebol marcado por longos ciclos de hegemonia e jejum.

Equipe Casaca!

A cera e os “médicos”

Diante da absurda expulsão do goleiro Léo Jardim na partida contra o Internacional, realizada no último domingo, 27 de julho, no Estádio Beira Rio, é necessário que teçamos as críticas aos doutores de plantão mídia afora e na comissão de arbitragem da CBF. O episódio se configurou numa clara injustiça contra um atleta do clube, além de representar uma afronta ao que está expresso na regra.

Durante a partida, ficou comprovado que o goleiro Léo Jardim comunicou com absoluta clareza ao árbitro sentir dores e precisar de atendimento médico. A evidência foi confirmada por meio de leitura labial, com base no vídeo do lance, e a partir da captação de áudio registrada no microfone utilizado por Flávio Rodrigues de Souza, árbitro da partida. Trata-se de uma gravação à qual a Confederação Brasileira de Futebol tem total acesso. Mesmo diante da manifestação objetiva do atleta, o árbitro optou por ignorar a situação e aplicou o segundo cartão amarelo, resultando em sua expulsão de forma absolutamente indevida.

No dia seguinte à partida, em 28 de julho, foi emitido um laudo médico oficial, assinado pelo doutor Luiz Fernando Schwinden, no qual se confirma que o goleiro Léo Jardim apresentava alterações contusionais na junção costocondral do último arco costal esquerdo, além de hematomas musculares profundos… A constatação clínica põe em xeque certezas empíricas do árbitro e de seus defensores ao longo das 24 horas seguintes. A expulsão aplicada por Flávio Rodrigues de Souza, teve como justificativa a suposta prática de “cera”, como se o atleta estivesse retardando deliberadamente o reinício da partida. Contudo, o laudo do exame faz crer o contrário.

De acordo com o que estabelecem as normas do futebol, o goleiro é uma exceção à regra, quanto à proibição do atendimento em campo. A lógica disso versa sobre o fato de ser ele o único atleta cuja ausência inviabiliza a continuidade do jogo. A omissão do árbitro em acionar o atendimento médico, bem como a punição disciplinar imposta a Léo Jardim, violam frontalmente esse princípio e ferem a lógica mínima do bom senso, da segurança e da própria regra de jogo.

Tendo em vista a gravidade dos fatos, cabe ao Club de Regatas Vasco da Gama (que comanda a VascoSAF) adotar posicionamento firme junto aos órgãos competentes. A anulação do cartão vermelho aplicado ao goleiro Léo Jardim, bem como sua liberação para a próxima partida do Campeonato Brasileiro, desde que esteja clinicamente apto, é uma excepcionalidade diante da excentricidade vista pela arbitragem no caso. Por outro lado, o árbitro Flávio Rodrigues de Souza, diante do ocorrido, não deveria ser envolvido em qualquer partida do Vasco durante o atual Campeonato Brasileiro, seja com o clube atuando como mandante ou visitante.

O episódio insólito de domingo não pode ter o fim que se quis dar, num roteiro no qual se fez cera para tocar o dedo na ferida do erro cometido pelo árbitro, absolvido devido ao diagnóstico dado por “médicos” de ocasião.

Casaca!

Expulsão de Léo Jardim no Beira Rio exige reação do Vasco

No domingo, 27 de julho, no estádio Beira Rio, em Porto Alegre, o Vasco empatou por 1 a 1 com o Internacional-RS em uma partida marcada por um episódio controverso, que alterou o rumo do jogo: a expulsão do goleiro Léo Jardim aos 40 minutos do segundo tempo. A decisão tomada pelo árbitro Flávio Rodrigues de Souza gerou revolta no elenco vascaíno e colocou em xeque os critérios adotados pela arbitragem brasileira em situações semelhantes.

Léo Jardim, até então um dos grandes nomes da partida, fazia uma atuação decisiva, com defesas fundamentais, que sustentavam a vantagem vascaína no placar. No lance em questão, o goleiro permaneceu sentado próximo à trave, reclamando de dores nas costas. O árbitro interpretou o episódio como cera e, sem qualquer advertência verbal ou avaliação médica, aplicou o segundo cartão amarelo e o expulsou de campo. A partir dali, o Vasco, em inferioridade técnica com um goleiro reserva sem ritmo, sofreu o empate no final do segundo tempo.

Não se trata de dizer que o empate aconteceu exclusivamente por causa da expulsão, nem que o Internacional não demonstrava sinais de reação. O time gaúcho pressionava, sim, mas é inegável que a decisão de expulsar Léo Jardim interferiu diretamente na dinâmica do jogo e no desfecho final da partida. A arbitragem rompeu com o equilíbrio natural do confronto e empurrou o Vasco para uma situação de desvantagem em um momento crítico, prejudicando não apenas o desempenho, mas o próprio planejamento da equipe para os minutos finais.

A questão central não é se a punição encontra respaldo literal na regra, mas sim como e quando essa regra é aplicada. O que se viu no Beira Rio foi uma decisão isolada, extrema e fora do padrão adotado pela arbitragem em situações idênticas. Léo Jardim apresentava dores nas costas e foi punido sem qualquer parcimônia ou critério contextual. Isso levanta uma dúvida considerável: qual é o parâmetro utilizado pelos árbitros brasileiros para distinguir cera de lesão? Porque se a lógica for a vista ontem, qualquer jogador lesionado corre o risco de ser expulso apenas por não conseguir se levantar com a rapidez que o árbitro exige. O visto no Beira Rio não foi apenas um exagero, mas uma aplicação excêntrica da regra, que não encontra respaldo no padrão de conduta adotado em outras partidas. É justamente essa excepcionalidade que torna a decisão inaceitável.

Nesse contexto, vale lembrar que esse não é um caso isolado. Em julho de 2024, Flávio Rodrigues de Souza expulsou o goleiro Gustavo, do Criciúma, aos 16 minutos do segundo tempo em duelo contra o Bahia no Estádio Heriberto Hülse, quando o Criciúma vencia por 2 a 1. Após a expulsão, o Bahia conseguiu o empate em 2 a 2, mostrando que decisões semelhantes já influenciaram o resultado final de outra partida. Essa recorrência evidencia que o critério usado pelo árbitro tem histórico de interferência direta na dinâmica dos jogos.

Após o fim do confronto, o técnico Fernando Diniz foi direto, afirmou que o árbitro “não é médico” e tomou uma decisão injustificável sem avaliar minimamente a condição do jogador. Disse ainda jamais ter visto algo parecido em sua carreira. Vegetti, por sua vez, disparou que “a gente foi roubado”. As declarações refletem o sentimento generalizado de indignação dentro do clube. O que aconteceu no Beira Rio não foi um erro trivial, foi um episódio simbólico de como a arbitragem brasileira pode agir de maneira isolada, insensata e prejudicial, sem qualquer consequência.

A diretoria do Vasco deve agir com firmeza imediata. É obrigação institucional do clube exigir explicações públicas pelo acontecido, acionar formalmente a Comissão de Arbitragem, a CBF e tornar claro que não teve cabimento a decisão tomada pela arbitragem. É necessário cobrar que critérios quaisquer partam da premissa do bom senso. A regra oportuniza a que acréscimos sejam dados, conforme o tempo de paralisação da partida.

O que se viu no Beira Rio foi grave e precisa ser combatido com rigor. Se a diretoria do Vasco não se impuser agora, estará autorizando que episódios como esse se repitam, enfraquecendo o clube dentro e fora de campo.

Tiago Scaffo.

Atropelo e desproteção do clube, sem fiscalização dos Conselhos

O que ocorreu na reunião do Conselho Deliberativo do Club de Regatas Vasco da Gama, realizada no dia 11 de junho de 2025, na sede náutica da Lagoa, representa mais um grave capítulo do processo de esvaziamento democrático e de atropelo promovido pela atual gestão.

Sem um debate mais extenso e com visível desrespeito à participação efetiva dos órgãos estatutários, a diretoria impôs a votação de um estatuto (elaborado por ela própria) da Sociedade de Propósito Específico (SPE), entidade que irá gerir patrimônio e decisões estratégicas que impactarão diretamente o presente e o futuro do Vasco.

Desde o início, o CASACA! e vários conselheiros alertaram: não se trata de decisão administrativa comum, mas de um movimento estrutural e complexo, que exige profundo debate, responsabilidade e, acima de tudo, a participação soberana dos sócios, legítimos donos da instituição.

É fundamental deixar registrado que, na Assembleia Geral Extraordinária anteriormente realizada, os sócios autorizaram tão somente a constituição da SPE, sem qualquer deliberação sobre o conteúdo de seu estatuto social. A gestão avançou na definição unilateral de cláusulas e regras, sem a necessária oportunização de debates aprofundados, elaboração de emendas, além do fato de que nenhuma comissão para a elaboração do estatuto foi convocada nos Conselhos.

É evidente que o Conselho Deliberativo do Vasco, quando aprovou a constituição de uma Sociedade de Propósito Específico, não estava abrindo mão de discutir os termos, a forma de controle e de fiscalização, uma vez que a empresa só existirá para satisfazer algo vinculado ao patrimônio do próprio Vasco e com apenas o clube como ÚNICO acionista. É óbvio, também, que, sendo a criação de algo não previsto no estatuto, o seguimento de tal criação, uma vez umbilicalmente ligado ao clube, teria de ser discutido de forma densa e passando por trâmites similares às criações surgidas de interesse do próprio clube. Ademais, o artigo 37 do Regimento Interno do Conselho Deliberativo é claro: “O Conselho Deliberativo, como poder supremo do Clube, resolverá qualquer dúvida ou questão não prevista no estatuto ou neste Regimento Interno.” A questão (estatuto da SPE), de alto interesse do Club de Regatas Vasco da Gama, está, portanto, prevista para ser discutida, considerando o Regimento Interno. E o procedimento similar ao adotado em reformas estatutárias e criação de códigos das mais variadas ordens seria o caminho natural a seguir no caso em tela.

No Conselho de Beneméritos, já haviam sido levantados diversos pontos sensíveis, que exigiam reflexão, tais como: a necessidade de elaboração de um Regimento Interno da SPE, com importante papel entre as competências das comissões dos Conselhos Deliberativo e de Beneméritos sobre o tema; a própria vinculação do Estatuto da SPE, mais do que a legislações específicas, também aos Poderes colegiados do clube, como órgãos de controle (inclusive de um percentual das verbas que foge ao controle do Poder Público e perfaz 20% do valor total do Potencial Construtivo, ou seja, R$ 100.000.000,00); e a absoluta falta de debate prévio, que permitisse aos interessados estatutariamente avaliar, com a devida profundidade, o tema de forma mais abrangente e segura ao clube.

Durante a própria sessão do Conselho Deliberativo do dia 11/06, diante da gravidade das lacunas e das inúmeras dúvidas levantadas, foram colocadas quatro propostas para apreciação, duas delas (a terceira e a quarta) oriundas de debate ocorrido no âmbito do Conselho de Beneméritos, em reunião anterior à do Conselho Deliberativo, ocorrida no fim da tarde do mesmo dia.

1️⃣ Aprovação direta (SIM) do Estatuto da SPE, como defendido pela gestão;

2️⃣ Rejeição total (NÃO) do Estatuto da SPE;

3️⃣ Aprovação condicionada à posterior elaboração de um Regimento Interno, conforme proposta encaminhada pelo Grande Benemérito Alexandre Bittencourt, incorporando as demandas levantadas pelas comissões dos Conselhos Deliberativo e de Beneméritos;

4️⃣ Remarcação da votação para o dia 17 de junho de 2025, como sugerido pelo Benemérito Sérgio Frias, permitindo o necessário debate plural, a apresentação de emendas e o devido amadurecimento da matéria.

Mesmo diante de propostas sensatas, que visavam proteger o Clube e respeitar seu processo institucional, a gestão e seu agrupamento político, fundamentalmente, optaram pelo caminho da mera anuência aos desejos da administração, ignorando as ponderações e os questionamentos apresentados.

O resultado da votação, considerando a manifestação de vários conselheiros de oposição, membros do corpo de Beneméritos e apenas um conselheiro da situação — fora da diretoria administrativa —, manifestando intenção prévia de não dar aceite à proposta do sim pura e simplesmente, deixa evidente o cenário de esvaziamento do debate.

Os votos no Conselho Deliberativo foram assim divididos:

Abstenção: 0 (zero);

Favoráveis à aprovação direta do Estatuto da SPE: 14 votos no plenário presencial e 72 votos no plenário virtual, totalizando 86 votos;

Favoráveis à rejeição total: 5 votos no plenário presencial e 0 voto no virtual, totalizando 5 votos;

Favoráveis à proposta de Alexandre Bittencourt (aprovação com Regimento Interno obrigatoriamente construído com participação das comissões oriundas dos Conselhos de Beneméritos e Deliberativo do Vasco): 1 voto presencial e 6 votos virtuais, totalizando 7 votos;

Favoráveis à proposta de Sérgio Frias (adiamento para o dia 17/06 e abertura para emendas e debates, considerando, também, como positivos os pontos inerentes à construção do Regimento Interno, levantados imediatamente acima): 9 votos presenciais e 12 votos virtuais, totalizando 21 votos.

Após os votos favoráveis à aprovação direta, a quarta proposta foi a que recebeu a maior adesão do Conselho, deixando claro que havia significativa parcela de conselheiros cientes da complexidade da matéria e defensores de um debate mais profundo, com ampla participação dos Conselhos e cuidados diversos a serem tomados em defesa do Vasco, para além de administrações.

O Casaca! permanece firme na defesa consistente do Club de Regatas Vasco da Gama.

A diretoria passará. O Club de Regatas Vasco da Gama, sua história de luta, resiliência, zelo, cuidado e consequente proteção institucional, permanecerão.

Casaca!

Nota Oficial: AGE e SPE de 23/05/2025

Nas últimas 48 horas, o CASACA!, representado pelo Benemérito Sérgio Frias e com o respaldo integral de todo o grupo, foi diligente, visando a assegurar a proteção institucional do Club de Regatas Vasco da Gama no processo em curso de constituição de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE).

A ação se deu a partir da preocupação com riscos e implicações associados à formação de uma SPE vinculada ao Clube.

Diante disso, houve a mobilização imediata junto a figuras proeminentes do clube, representantes de poder e da Comissão de Patrimônio dentro do Conselho de Beneméritos, dialogando, debatendo e alertando a todos, com o objetivo de garantir que os princípios estatutários do Club de Regatas Vasco da Gama fossem respeitados.

Como resultado dessa atuação e da movimentação de outros, foram promovidas alterações relevantes tanto no texto do Estatuto da SPE (ainda em construção) quanto no edital de convocação da AGE.

Alterações no conteúdo do texto estatutário ocorreram ainda no dia 22 de maio, refletindo os esforços diretos em ajustar o processo às exigências de governança interna e proteção dos interesses do Clube relacionados à SPE.

Após amplo e intenso debate interno, o CASACA! informa que sua posição será favorável (VOTO SIM) à constituição da SPE, mas com ressalvas, considerando duas questões essenciais, posteriores à aprovação da SPE:

  1. Análise e aprovação do Estatuto da SPE pelo Conselho Deliberativo do Club de Regatas Vasco da Gama;
  2. Participação ativa e contínua das instâncias estatutárias do Clube, assegurando que qualquer iniciativa vinculada ao seu patrimônio ou operação respeite tal premissa.

Nesse sentido, comunicamos que iremos protocolar, ao longo da Assembleia Geral Extraordinária de hoje, documento requerendo que o Estatuto da SPE, enquanto em fase de construção, seja obrigatoriamente submetido à análise e deliberação dos Conselhos Deliberativo e de Beneméritos do clube. Tal providência reforça a coerência do posicionamento do grupo, sendo condição essencial para a manifestação favorável à constituição da SPE.

Reiteramos o compromisso com a institucionalidade e o cumprimento estatutário do CRVG.

CASACA!

Certa vez

Certa vez o Vasco foi lanterna do Campeonato Brasileiro (1969), mas nove meses depois  foi Campeão Carioca por antecipação, saindo da fila de 11 anos sem conquistar o título.

Certa vez o Vasco bateu seu recorde negativo de derrotas seguidas (1971), mas classificou-se no Campeonato Brasileiro para a fase semifinal de grupos.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo Operário-MT (1976), mas atuou como um leão diante do Fluminense na decisão do Campeonato Carioca e voltou à competição nacional, ganhando a repescagem em seu grupo.

Certa vez o Vasco ficou de fora da classificação para o Campeonato Brasileiro, por ter sido 7º no Campeonato Carioca, em dois turnos (1983), mas, convidado pela CBF, conforme previa o regulamento, chegou à final do Campeonato Brasileiro meses depois.

Certa vez o Vasco teve que brigar por seus direitos para não ser rebaixado na canetada, diante da péssima campanha feita na 1ª fase do Capeonato Brasileiro (1986), mas se classificou para os play-offs após a disputa da 2ª fase.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo Vitória-BA na Copa do Brasil (1989), mas, meses depois, foi Campeão Brasileiro.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo CSA-AL na Copa do Brasil (1992), mas, meses depois, foi Campeão Carioca Invicto.

Certa vez o Vasco estava obrigado a jogar cinco partidas em dez dias (2000), mas o clube conseguiu esparsar os jogos, contrariando os interesse da Rede Globo.

Certa vez o Vasco foi para o intervalo numa decisão em que atuava fora de casa, perdendo por 3 x 0 (2000), mas virou para 4 x 3, feito jamais igualado na história do futebol mundial em decisões até 2025.

Certa vez houve um incidente com queda do alambrado de São Januário (2000), com edição de imagens que desfigurava o ocorrido, por parte da Rede Globo e tentativa de interdição de São Januário, mas o Vasco jogou lá em 2001 pela Libertadores, Copa Mercosul, Campeonato Brasileiro, Torneio Rio-São Paulo e Campeonato Carioca, o clube emprestou (em seus termos) o próprio estádio para a  final da Copa do Brasil de 2005 (Fluminense x Paulista-SP) e 23 anos depois a Globo admitiu o que tinha feito quanto à edição das imagens contra Eurico Miranda.

Certa vez o Vasco sofreu um torniquete financeiro da Globo por 18 meses (2001/2002), mas resistiu e ao não dar aval para a emissora renovar o contrato de TV com os clubes sem pagar o Vasco, ocasionou a que as partes novamente negociassem, mantendo-se o Vasco no grupo principal, entre os recebedores das cotas de TV.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo XV de Campo Bom-RS na Copa do Brasil (2004), mas quatro dias depois conquistou a Taça Rio (1º lugar), derrotando o Fluminense de Ramon Menezes, Roger, Romário e Edmundo na decisão.

Certa vez o Vasco foi eliminado da Copa do Brasil para o Baraúnas-RN  (2005), goleado pelo Athletico-PR no Brasileiro, mas meses depois classificou-se para a Copa Sul-Americana (tal qual o clube paranaense, derrotando-o como era normal em São Januário no returno) e teve o artilheiro do Campeonato Brasileiro, no caso Romário, com 39 anos de idade à época.

Certa vez o dirigente do Flamengo, Kleber Leite, de olho num possível empréstimo de São Januário para o rubro-negro, em face dos Jogos Pan-Americanos  do Rio que estavam por vir (2007) teceu elogios ao Vasco, afirmando até que era inconstitucional o próprio Vasco não poder atuar em seu estádio, mas o presidente Eurico Miranda disse simplesmente que era problema dos outros não terem campo pra jogar.

Certa vez o Vasco foi eliminado da Copa do Brasil pelo Gama-DF, mas ficou metade do Campeonato Brasileiro na zona da Libertadores e foi fundamental para o rebaixamento do Corinthians no fim do ano, derrotando-o no Pacaembu.

Certa vez o Vasco foi assumido (2014) com uma receita de 129 milhões ano e 688 milhões de dívida (posta nesse valor sem carregar tintas quanto às reservas para contingências, a fim de não causar prejuízos ao Vasco na busca por sua recuperação junto ao mercado e parceiros) e a diminuiu no fim do triênio, segundo balanço feito pela gestão sucessora e em valor maior ainda após decisão do Conselho Deliberativo sobre o mesmo tema, mais próximo ao fim de 2018.

Certa vez o Vasco foi assumido (2015), contando oito jogos sem vencer o Flamengo, mas pôs o adversário nove sem ganhar, eliminando-o de três competições consecutivas no confronto direto e sendo campeão de duas delas.

Certa vez o Vasco caiu de divisão, roubado em 14 pontos (2015), mas em sequência ficou sete meses sem perder uma partida e sagrou-se Campeão Carioca Invicto pela 6ª vez.

Certa vez outro hoje ex-presidente do Flamengo pediu para Eurico Miranda que emprestasse São Januário ao rubro-negro (2016), mas o presidente do Vasco disse não.

Certa vez o Vasco, tal qual em 1989, foi eliminado pelo Vitória-BA na Copa do Brasil (2017), mas chegou à Libertadores.

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Por outro lado,

Certa vez o MUV entrou no Vasco, cheio de promessas, com o clube em 9º lugar no Campeonato Brasileiro (2008) e finalizou a competição em 18º, rebaixado.

Certa vez o Vasco caiu pela primeira vez de divisão no Campeonato Brasileiro (2008), fazendo 30 pontos nos últimos 30 jogos, e comemorou de forma efusiva o “título” de Campeão da Série B no ano seguinte, igualando-se ao Campo Grande em conquistas daquela competição.

Certa vez, com o Vasco na 2ª divisão (2009), a AAV (Associação dos Amigos do Vasco), uma criação excêntrica de apoiadores do MUV, resolveu ter num show do humorista Chico Anysio, chamado “Vasco na segunda” um caminho para supostamente pagar dívidas do clube (numa propaganda política disfarçada em coitadismo para justificar a própria queda do Vasco ocorrida pouco antes) e a ideia partiu de um rubro-negro, dono do Centro Cultural Veneza, diretor financeiro do Flamengo à época, e que sugeriu num clima de humor o nome “Vasco na segunda” para o show.

Certa vez o Vasco apresentou um balanço, carregando tintas nas reservas para contingências (2009), com o objetivo de pôr a dívida do clube como a  maior do Brasil (apresentou quase 110 milhões de reservas para contingências contra, por exemplo, 7,6 milhões do Flamengo, que tinha mais de 200 ações trabalhistas que o Vasco, contra si) e ao fim do período daquela gestão triplicou a dívida real que o clube tinha e dobrou aquela que pôs na canetada.

Certa vez o Vasco caiu de 1º para 5º nas cotas de TV (2011), com aceite seu porque receberia mais, e abriu o espaço para seu principal rival ganhar praticamente o dobro daquilo que passaria a perceber, criando uma futura PG em favor do rival por conta disso.

Certa vez o Vasco conquistou a Copa do Brasil (2011) e a gestão reeleita, também por isso, não tinha como pagar os atletas (contratou sabendo disso), perdendo-os depois (vários deles, a partir do fim do ano seguinte) e constituindo dívidas com boa parte dos principais daquele elenco, além de comprar Eder Luis e não pagar ao Benfica-POR, posteriormente emprestá-lo ao mundo árabe, novamente não pagar, e deixar o problema para a gestão seguinte resolver, ocasião na qual (em 2016), o clube teve que arrumar 12 milhões de reais em 48 horas, a partir de ordem da FIFA, para satisfazer o débito.

Certa vez o Fluminense quis ficar com o lado direito do Maracanã para sua torcida, em detrimento do Vasco (2013) e apesar disso só ser possível caso o Vasco concordasse, seu representante o fez.

Certa vez o Vasco caiu de divisão pela segunda vez (2013) e o que se tentou foi uma antecipação da eleição do ano seguinte para que o MUV se mantivesse no poder, com outro rosto conveniente.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo ABC-RN (2014) e tomou de 5 x 0 do Avaí na Série B.

Certa vez o Vasco foi deixado na Taça Libertadores (2017) e ficou por um gol para não cair no Brasileiro (2018).

Certa vez houve uma denúncia no Vasco de desvio de rendas de jogos do clube, oriunda de dentro do próprio clube (2018) e diante do grande mantra do MUV sobre a famosa renda levada por Eurico Miranda para casa (como era hábito dos dirigentes dos grandes clubes fazerem para que o clube não tivesse que pagar carro-forte, segundo matéria do Jornal do Brasil evidenciando isso na época) e o roubo dela, transformado em piada num ano de eleição (1997), esperava-se a abertura de um inquérito para se apurar os fatos, mas o grupo à época dito “amarelo”, pertencente ao Conselho Deliberativo (do qual fazia parte Carlos Osório na ocasião, poucos anos depois vinculado a outro grupo), que se dissera traído pelo presidente do clube (que era de sua chapa e se disse, ele sim, traído pelo mesmo grupo) ajudou para que não houvesse a investigação, votando contra ela, numa demonstração de pouco se importar com esse tipo de assunto, só servindo para discurso e contação de anedotas alhures.

Certa vez o Vasco caiu de divisão pela quarta vez (2021) e comemorou o “título” da Taça Rio, que deu o 5º lugar ao clube no Campeonato Carioca.

Certa vez o Vasco emprestou São Januário para o Fluminense (2021) e permitiu que as bandeirinhas do Vasco fossem trocadas pelas do adversário, que tomara emprestado o estádio para um jogo seu.

Certa vez o Vasco foi mantido na segunda divisão (2021) e meses depois eliminado na Copa do Brasil pelo Juazeirense-BA.

Certa vez o futebol do Vasco foi vendido (2022) e meses depois eliminado pelo ABC-RN na Copa do Brasil.

Certa vez o Vasco teve negociado seu futebol (2022), dizendo-se com uma dívida de 735 milhões e no ano seguinte discursou sobre um valor a mais (200 milhões), chamado de dívida oculta, que oportunizaria à SAF ficar com mais 20% das ações pertencentes ao Club de Regatas Vasco da Gama, diluindo-as.

Certa vez o Vasco sofreu sua maior goleada na história para o time da Gávea (2024) e a responsabilidade pela vinda do treinador, que simbolizou o desastre, não foi atribuída ao responsável por autorizar a contratação, mesmo com o Vasco voltando a gerir seu futebol uma semana antes da conclusão do negócio.

Certa vez o Vasco teve de receita 473 milhões e apresentou dívida de 1,4 bilhão (2024), dizendo-se falido quanto à SAF, e entrou em concordata meses depois.

Certa vez o presidente do Vasco declarou que queria o Vasco atuando contra o Flamengo no Campeonato Brasileiro em São Januário (2025) e no primeiro não se calou, mantendo-se silente apesar de advogados vascaínos, desvinculados da gestão, terem conseguido uma liminar que oportunizava ao Vasco continuar brigando por seus direitos. Após órgaõs de mídia reverberarem que aquilo seria uma estratégia para um bom acordo com Flamengo e Fluminense, mudando inclusive, possivelmente, termos contratuais, os dois clubes da zona sul emitiram notas refutando, enquanto o Vasco manteve-se silente.

Certa vez o Vasco se tornou o primeiro clube brasileiro a perder de 4 para uma equipe venezuelana em competiçãoes da Conmebol (2025) e o discurso vigente é de que a solução seria entregar o clube para terceiros, em nome do “fim da política”.

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Até quando o torcedor vascaíno será enganado por MUV e cores, esperando que a grande mídia vá dizer para ele a óbvia diferença institucional do clube com eles e sem eles? São 13 anos e 10 meses dos últimos 17 no Vasco. O torcedor do Vasco foi conduzido como massa de manobra, serviu de joguete dos discursos arrumadinhos, levado ao desespero para justificar venda, concordata, revenda e se encher de receios quanto a possíveis brigas a serem compradas pelo clube, que facilitaram exatamente o aceite à inação das gestões desse período, muitas vezes após discursos que sugeririam o contrário, protagonizados por ela própria.

São quatro rebaixamentos, 1,2 bilhão de dívidas feitas no período, freguesia para o Botafogo, 05 vitórias e 27 derrotas para o Flamengo (zero a 10 em Campeonatos Brasileiros), de 3º no ranking da CBF, em 2008, para 15º hoje, venda do futebol do clube, concordata, nenhum Campeonato Carioca ganho em 14 edições, recorde de tempo na história do Vasco sem taças conquistadas (1º lugar), tentativas de melar eleições na Justiça, que perderam ou estavam perdendo quatro vezes no século (2003, 2006, 2017, 2020).

Por que imaginam os vascaínos que os protagonistas e apoiadores desses 13 anos e 10 meses de gestão querem ver o clube revendido, entregue a terceiros (os que assim pensam)?  Não é, nunca foi, nem nunca será pelo Vasco. O grande problema da esmagadora maioria dessa gente é o Vasco ter jeito sem eles. Preferem que acabe, que vá para a Série D ou Z, até porque se fosse por algo lógico seguiriam a lógica de 2/3 dos grandes clubes brasileiros, que nem SAF viraram, após quase quatro anos da lei existir, lembrando que a do Vasco foi a primeira a entrar em concordata.

A narrativa permanecerá sendo a deles, afinal são 14 anos (quase) em 17, discursando e normalmente com apoio midiático, quando o contraponto é o lado inverso do deles. Esse próprio texto será prova disso. Leiam os comentários, observem as justificativas para tentar induzi-los, percebam como se tenta construir narrativas para se afastar dos números, dos comparativos, da discrepância de dois modelos antagônicos de gestão (não é de estilo e sim de gestão). O enfrentamento externo, contra o enfrentamento interno. A exigência de respeito ao clube, desgastando-se se necessário for, contra o recolhimento, aguardando uma boa hora para falar e ter confetes jogados para ou por si próprios, o hábito de superar todos do Rio no confronto, contra a freguesia para 2/3 deles, o número de títulos Brasileiros, Sul-Americanos e de Libertadores obtidos pelos adversários num tipo de modelo e o mesmo item no outro modelo, 19 x 16 contra o Flamengo neste século (9 x 5 em Campeonatos Brasileiros) num modelo e 5 x 27 (0 x 10 em Campeonatos Brasileiros) no outro. Quaisquer argumentos usados, surrados para tentar fazer igualar ou serem parecidas gestões do MUV e cores com quaisquer outras, nos últimos 55 anos do Vasco, é mera fantasia, cinismo, sofisma.

Sérgio Frias

Fontes de Pesquisa: Netvasco, “O Globo”, “Jornal dos Sports”, “Jornal do Brasil”

Nota aos vascaínos: posição do Casaca! em relação à SAF, 777 e CRVG

Aos vascaínos,

Nosso posicionamento desde 2021 foi contrário a que o Vasco fosse gerido por terceiros, uma vez que diferentemente daquilo por muitos vendido há sim condições de o clube ser gerido por aqueles que se candidatam para isso e são escolhidos pelo quadro social, exatamente por isso.

Em 2022 a direção do clube à época percorreu um caminho às cegas, vendendo informações distorcidas ao público, desesperando os torcedores com a manutenção do clube na Série B, afirmando seus dirigentes à época que (com eles lá) não viam qualquer perspectiva de resolução não fosse a criação de uma SAF.

A partir da criação da SAF o que não se debateu foi quem controlaria o futebol do Vasco. O próprio clube ou terceiros? Foi compelido aos vascaínos, num contrato obscuro quanto ao seu teor, decidir por sim ou não, pressionados pelo “sim”, induzidos ao “sim”, quase que chantageados pelo “sim”.

Os quase mil associados contrários ao que se pretendia fazer estavam cobertos de razão, mas a razão de todos eles não estava alicerçada em mero achismo. Muitas e muitas horas de elucidação ao público, de enfrentamento a retóricas vazias, mas fundamentalmente baseados no bom senso. O mesmo bom senso faz com que oito dos grandes clubes brasileiros estejam esperando o momento certo para se tornar SAF (ou vender percentual de ações a terceiros uma vez adotando tal modelo), aguardando que surjam no mercado candidatos a parceiros e não a donos, pois sabem, como a coletividade vascaína sabe em relação ao seu clube, a grandeza que possuem. São clubes menores que o Vasco, muito mais endividados que o Vasco, imersos em brigas políticas das mais ferrenhas, mas com uma visão em comum: a soberania deles enquanto instituição.

Há mais de 100 anos brigas que começavam nos conselhos e se expandiam à mídia eram assunto quando se falava em Vasco. Um grupo exigia que o candidato à presidência do clube fosse português, outro lado entendia que deveria ser um brasileiro, mas quando o Vasco era alvo de terceiros os dois grupos se uniam em prol do clube e daquilo que institucionalmente deveria ser protegido.

O Vasco, como instituição, não pode se proteger sozinho. É necessário para isso que haja a ação de quem o representa naquele momento, de seu quadro social, de sua torcida.

O discurso vendido nos últimos anos, como o de solução, desprotege o Vasco, avilta o Vasco e, por consequência, seus torcedores, independentemente se possuem cargos, título de sócios ou apenas uma camisa do Vasco que os identifique como torcedores.

Mais uma vez nosso papel é exemplar. Ao invés de nos focarmos em discussões menores, temos nos posicionado em favor daquilo que a direção procura passar ao público, quanto à necessidade de que o Vasco saia dessa furada na qual se meteu.

Não sabemos se o Vasco, como clube, terá a oportunidade de recuperar sua soberania, sua autonomia, como acionista majoritário de uma empresa que tem nele, na sua marca, no seu histórico e em seus torcedores um norte. Mas sabemos que se a oportunidade for dada, seus gestores ou quetais devem, baseado em todos os discursos de amor e paixão ao clube proferidos por anos, décadas, não revendê-lo por 30 ou 60 dinheiros.

Casaca!

Sergio Frias emite nota em resposta ao atual presidente do CRVG

Sobre a citação do atual presidente do Club de Regatas Vasco da Gama, Pedro Paulo de Oliveira, a mim, Sérgio Frias:

Gestão esportiva eu também fiz. Sou formado em gestão esportiva desde 2001, em universidade. Curso sequencial de aproximadamente 20 meses. O primeiro do país à época. Era eu dos poucos que confrontava a Lei Pelé e os males que ela traria para o futebol brasileiro, primordialmente aos clubes.

Lembro de um professor que resolveu elaborar uma questão tendo como cabeçalho que São Januário estava superlotado no jogo contra o São Caetano em 2000. Rasurei o enunciado, respondi à minha maneira e tirei ótima nota.

Tive aulas com Eduardo Viana que sabia muito, mas na minha frente não falava mal do Vasco. Questionei quem dava uma matéria sobre história do futebol, das instituições esportivas e acabei contratado por ele para trabalhar em pesquisa sobre o tema.

Fui representante de turma e uma voz combativa ao modelo que se pretendia criar no Brasil. Assim agi em seminários, contra aquilo que entendia ser uma forma de europeizar o futebol brasileiro, defendida por treinadores e gerentes de futebol/supervisores à época.

A palestra inicial do curso foi de João Havelange e quem teve oportunidade de ouvi-la entendeu o cenário da época, as oportunidades e riscos para o futuro. Mas isso é passado. Passado longínquo.

O que eu imaginava que viria a ocorrer, aconteceu e hoje o Brasil é um pequeno espectro do mundo futebolístico, recheado de fórmulas, narrativas e soluções de cátedra, que na prática sucumbem ao contratempo do dia a dia, aos obstáculos, ao resultado esportivo, à insatisfação do público, à desproteção cada vez maior dos clubes quanto à legislação vigente e, claro, à fraca moeda brasileira, em relação a euro ou dólar.

Tal fato narrado acima não significa que eu estaria apto a gerir um clube (dono de seu próprio nariz quanto ao seu principal esporte) que eu não vivenciasse dia a dia (ou tivesse me disposto a vivenciar, caso oportunidades não me fossem dadas), ao menos numa gestão, dentro da área administrativa, ou dentro do Conselho Deliberativo do próprio clube.

Sobre deixar dívida ou não, espero que com o futebol (não apenas o futebol, claro) a cargo de Pedrinho, ele não deixe dívidas, afinal elas advém dos gastos com o futebol, mesmo porque o restante é pago exatamente com os ganhos do futebol e o que deixa de ser pago é utilizado no próprio futebol. Basta ver o orçamento do futebol e dos demais esportes e gastos proporcionais ao longo da vida do Vasco, incluindo a época do Projeto Olímpico.

Não ter o futebol e trabalhar com orçamento curto, sem correr riscos, até porque os riscos que se corre e interessam ao torcedor dizem respeito primordialmente ao futebol, é algo até certo ponto tranquilo. Estamos falando de um Vasco que não existe (sem a responsabilidade de gerir o futebol), desde 1914/1915, mas que hoje nem precisa investir forte no Remo, pois diferentemente da época citada, o referido esporte hoje não arrebata corações e multidões como no bi e no tri do clube em seus primeiros 16 anos de vida.

Por outro lado, fico feliz em saber que Pedrinho pretende gerir o futebol na qualidade de presidente do Vasco, sendo o próprio futebol parte orgânica do todo que é a administração do próprio clube. Também desejo que isso ocorra, pois quero que o Vasco seja dono de seu próprio nariz, quanto a seu esporte principal.

Diferentemente dele e de muitos eu quis isso quando a onda de ilusionismo aos vascaínos dizia que o caminho correto era o contrário. Mas arrependimento e conserto fazem parte do todo que tangencia o aprendizado.

Sobre gerir, um dos preceitos básicos é trazer, como líder, segurança aos liderados, o que foi a antítese daquilo que Pedrinho fez na última coletiva marcada por ele próprio. Esperamos todos que não cometa mais o mesmo erro, pois ele não está representando ali a ele próprio, mas sim o Vasco, que tem de poder falar, questionar, sugerir e criticar (até veementemente, com responsabilidade) quem quer que seja na condição que ostenta de acionista minoritário, embora hoje não possa gerir o futebol.

Sobre entender que liderar, presidir é escolher pessoas que considera aptas e aguardar relatos delas, isso não é gerir e sim delegar.

Gerir não é só delegar, mas ter ciência do todo no qual está envolvido, ao menos conceitualmente, e programar com sua equipe rumos, objetivos, missões, metas, a partir de sua expertise e plano de gestão, bem como saber que surgindo obstáculos eles terão de ser enfrentados pelo gestor, que em pouco conhecendo as particularidades de cada função delegada, tende a não saber resolver problemas que lhe baterão na conta se parte do organismo criado falhar.

Sobre os que deixaram dívidas, desde 1951, todos eles aprenderam, com paciência, no Vasco e souberam manter o clube, até 2008, como o de menor dívida real do Rio.

Como sabemos, o Vasco não vive num aquário sozinho. Ele possui adversários e competidores e a comparação devida deve ser com eles, no caso os grandes clubes do futebol brasileiro, primordialmente com os daqui, que dividem mercado com o Vasco.

Somente uma gestão diminuiu a dívida do Vasco, desde 2008. Foi a de Eurico Miranda, entre 2015 e 2017, após tê-la recebido (a real) quase triplicada no espaço de seis anos e cinco meses (entre 2001 e 2008 a dívida real cresceu de aproximadamente 150 milhões {sem contar reservas para contingências} para cerca de 230 milhões {idem}, mesmo após um torniquete financeiro sofrido pelo clube por 18 meses).

As outras gestões só aumentaram a dívida e a última vendeu o clube para tentar diminuí-la, apresentando ao público uma “dívida oculta” de 200 milhões de reais, cerca de oito meses após a venda de 70% do futebol.

Vale dizer que foi com alegria que aquilo posto à mesa por nós como obrigação do Vasco, levado à via administrativa por um associado vinculado também a nós, e, com a ajuda de nosso assessor de imprensa, posto na mídia convencional, cobrando uma atitude da direção do clube à época, que até ali deixava em aberto exercer ou não o direito do bônus de subscrição, que o tenha feito, enfim, na ocasião. Atitude correta, embora, claro, fosse mera obrigação.

Importante, também, ressaltar que minha defesa em relação a quem geriu o Vasco e teve sempre meu apoio para ser o gestor do clube, se dá com embasamento nos números alcançados em comparação a seus adversários externos do Rio (todos fregueses do Vasco com ele) e internos (todos, até aqui, muito inferiores a ele em resultados).

Ele não teve curso, mas palestrou em vários, e do discurso à prática deu aula aos adversários, sem jamais calar a boca, enfrentasse quem fosse aquele que ousasse se contrapor ao tamanho, importância e grandiosidade do Vasco. Serve de exemplo.

Por fim, entendo (não acho, e sim entendo) que Pedrinho como presidente do clube não deve pensar no que pensam dele, como o imaginam, qual expectativa possuem a seu respeito, mas sim apenas trabalhar para reverter uma situação que seu grupo de fé ou de apoio recente (2022), impingiu ao clube, via Conselho Deliberativo, agindo de forma irresponsável com o Vasco, diferentemente do que fariam (creio) se um contrato não lido mexesse com suas particularidades.

Se Pedrinho quer o Vasco dono de seu próprio nariz em relação ao futebol, não há oposição a isso internamente no clube e sendo a gestão atual a herdeira natural disso, que ela faça o Vasco novamente campeão e devidamente respeitado pelos clubes adversários neste triênio.

De minha parte, torço para a reversão e que tenha Pedrinho, com o Vasco obtendo-a, muito sucesso, não como um eventual membro do corpo do futebol, em qualquer função, mas sem o controle do próprio futebol, e sim com o Vasco dono do próprio nariz no futebol, com Pedrinho escolhendo os melhores e ajudando a fazer deles vencedores, como Eurico Miranda cansou de fazer, independentemente das circunstâncias e daquilo que eventualmente achavam dele.

Sérgio Frias

Fotogaleria da Confraternização de 22 anos do CASACA

No último sábado (09/04), o CASACA promoveu uma confraternização pelo seu aniversário de 22 anos. O evento aconteceu no 2o andar do restaurante Na Brasa Columbia, em Botafogo.

A família casaquista esteve presente, assim como alguns membros do Conselho de Beneméritos e amigos de luta em oposição à atual diretoria interina do Vasco.

Tempo de reencontro e união para reafirmar que o Vasco é dos Vascaínos e das Vascaínas! Juntos somos mais fortes. Agradecemos a todos(as) pela preseça!

Confira a fotogaleria: