O Vasco não pode escolher entre ser responsável financeiramente e ser competitivo.
O futebol é a principal atividade esportiva do Vasco e deve voltar a ser tratado como um projeto de longo prazo, com planejamento, competência, responsabilidade financeira e ambição esportiva.
O objetivo é construir um modelo capaz de combinar formação de jogadores, contratações estratégicas, infraestrutura de alto nível e comissões técnicas alinhadas, criando condições para que o Vasco volte a disputar e conquistar títulos de maneira consistente.
Objetivo
- Reconstruir a cultura vencedora do futebol do Vasco, estabelecendo metas esportivas claras para cada competição e evitando a normalização de resultados incompatíveis com a história do clube.
- Montar elencos equilibrados, competitivos e financeiramente sustentáveis, priorizando qualidade em vez de quantidade.
- Realizar contratações pontuais e criteriosas, priorizando:
- jogadores sem contrato;
- atletas em condições de assinatura de pré-contrato;
- empréstimos com condições favoráveis;
- oportunidades de mercado;
- jogadores com potencial de valorização;
- atletas capazes de exercer liderança técnica e servir como referência para o elenco e para a torcida.
- Estabelecer metas esportivas objetivas:
- Campeonato Estadual: disputar para conquistar o título e não permanecer um triênio sem conquistas estaduais.
- Copa do Brasil: entrar anualmente com o objetivo de conquistar a competição.
- Competições Sul-Americanas: disputar sempre visando à conquista do título.
- Campeonato Brasileiro: estabelecer como objetivo mínimo sempre se classificar para a Copa Libertadores da América.
- Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana: disputar para vencer sempre que o Vasco conquistar o direito de participar.
- Mundial de Clubes: garantir a presença do Vasco entre os grandes clubes do futebol mundial e disputar a competição em condições competitivas.
- Ampliar significativamente o espaço da base no futebol profissional, criando uma transição planejada entre as categorias de formação e a equipe principal.
- Transformar a formação de atletas em um dos pilares esportivos e financeiros do clube, aumentando a capacidade de revelar, utilizar, valorizar e negociar jogadores.
- Trazer referências esportivas para os jovens, jogadores veteranos de sucesso e aproximando atletas formados no clube da equipe profissional e utilizando ex-jogadores em funções de formação e orientação.
- Desenvolver uma política permanente de prospecção e captação de talentos, no Brasil e, progressivamente, no exterior.
- Ampliar a presença do Vasco em comunidades e regiões onde existam jovens com potencial esportivo, utilizando parcerias com escolinhas e projetos de formação.
- Concluir e qualificar os Centros de Treinamento existentes, transformando-os em estruturas completas e de alto nível para o futebol profissional e para a formação.
- Fazer com que infraestrutura, metodologia, captação e futebol profissional façam parte de um único projeto esportivo, e não de iniciativas isoladas.
Execução
Planejamento esportivo de longo prazo
Será elaborado um Plano Estratégico do Futebol, com horizonte mínimo de três anos, estabelecendo:
- metas esportivas;
- perfil de elenco;
- política de contratações;
- política de utilização da base;
- metas de desenvolvimento dos atletas;
- planejamento de vendas e reposição de jogadores.
A montagem do elenco deverá partir de uma análise objetiva das necessidades do time, evitando contratações por impulso ou por pressão externa. Cada contratação deverá responder a uma necessidade previamente identificada.
Presença constante na Copa Libertadores
A classificação recorrente para a Copa Libertadores da América deverá ser tratada como uma prioridade esportiva e também como uma estratégia de recuperação financeira e crescimento institucional do Vasco. A competição não representa apenas uma oportunidade de conquista esportiva: a participação recorrente amplia as possibilidades de receitas provenientes de direitos de transmissão, premiações, bilheteria, patrocínios e exploração comercial, além de aumentar a exposição nacional e internacional da marca Vasco.
A Libertadores também proporciona ao clube maior visibilidade diante de patrocinadores e parceiros comerciais, amplia o alcance internacional da marca e cria oportunidades para conquistar novos torcedores, especialmente em outros países da América do Sul e entre o público interessado no futebol brasileiro. A presença frequente na competição pode, portanto, estabelecer um ciclo positivo em que melhor desempenho esportivo gera maior exposição, maior exposição amplia receitas e maiores receitas permitem novos investimentos no futebol.
Política de contratações
O Vasco, por meio do seu centro de inteligência e análise (CIA Vasco), será responsável por mapear permanentemente jogadores que estejam dentro do perfil técnico, financeiro e comportamental definido pelo clube.
A prioridade serão operações que tragam jogadores de referência, qualidade, com perfil de liderança e que possam elevar o nível do time, focando principalmente em:
- jogadores livres;
- pré-contratos;
- empréstimos;
- atletas jovens com potencial de desenvolvimento;
- oportunidades de mercado;
- jogadores em final de contrato;
- negociações que permitam redução do desembolso inicial.
Isso não significa abrir mão de jogadores de alto nível. Significa fazer com que o investimento seja concentrado onde os jogadores de alto nível possuem valor de mercado reduzido, ampliando o custo-benefício e que possam desenvolver os jovens da base e elevar os seus valores.
Base como eixo esportivo e financeiro
O planejamento da base será integrada diretamente ao planejamento do futebol profissional.
Cada categoria deverá possuir metas de desenvolvimento e um caminho definido para o jogador chegar ao profissional. Os atletas mais promissores deverão ter contato progressivo com a equipe principal, respeitando seu estágio de formação e sem saltar etapas.
A utilização da base deverá deixar de ser apenas uma solução emergencial para momentos de dificuldade e passar a ser uma estratégia permanente do clube.
O objetivo é aumentar simultaneamente a quantidade e a qualidade dos jogadores capazes de chegar ao profissional.
Rede nacional de captação
O Vasco deverá ampliar sua rede de observação por meio de parcerias com escolinhas, projetos sociais e centros de formação espalhados pelo Brasil. Serão estabelecidos modelos contratuais que assegurem ao parceiro participação futura nas negociações, desde que juridicamente adequados e economicamente vantajosos para o Vasco, estabelecendo limites para evitar que uma parcela excessiva dos direitos econômicos dos atletas seja comprometida antes mesmo de sua formação.
Será criado dentro da CIA Vasco, setor com equipe dedicada exclusivamente à prospecção de atletas para as categorias de base.
Ex-atletas profissionais do Vasco serão incorporados a esse processo como observadores, captadores, orientadores e referências, aproveitando sua experiência e sua capacidade de identificação de talentos.
Captação também fora do Brasil
Em uma segunda etapa, o projeto deverá buscar oportunidades de captação internacional, especialmente em mercados onde existam talentos subvalorizados.
A expansão internacional somente ocorrerá se houver estrutura para acompanhar esses atletas e se o custo da operação for compatível com o retorno esperado.
Conclusão e modernização dos CTs
Os Centros de Treinamento deverão ser tratados como investimento estratégico do futebol, e não simplesmente como despesa de infraestrutura.
O objetivo será concluir as estruturas existentes no CT Moacyr Barbosa e no CT de Caxias e equipá-las para atender integralmente às necessidades do futebol profissional e da formação, transformando-os em CTs completos de altíssimo nível para atrair os melhores jogadores, conseguir sua mais alta performance e desenvolver o máximo possível o potencial dos jovens. Dando sustentação ao projeto esportivo.
Centros de Treinamento de alto nível hoje tem custo estimado entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões, não é algo a ser celebrado da noite para o dia. O investimento pode ser planejado para que a primeira grande venda de um jogador formado no clube seja direcionada prioritariamente à conclusão e consolidação do CT, transformando a venda de um talento em patrimônio permanente e criando um ciclo em que a base financia a estrutura que formará os próximos talentos. Princípio central
O Vasco não pode escolher entre ser responsável financeiramente e ser competitivo. O desafio é construir um modelo em que uma coisa sustente a outra.
A proposta é substituir a lógica de contratações emergenciais para tapar buraco e mudanças constantes por um projeto permanente de futebol, no qual a base abasteça o profissional, o profissional conquiste títulos, os atletas sejam valorizados e negociados quando necessário e parte desses recursos seja reinvestida novamente na formação do elenco, da base e da estrutura.
O objetivo final é fazer o Vasco voltar a competir para vencer, sem transformar a falta de títulos em justificativa para recuperação financeira do clube e nem a busca desesperada por reforços em justificativa para comprometer o futuro financeiro do clube.