A SAF deve existir para fortalecer o Vasco, e não para enfraquecer o patrimônio e a capacidade financeira do CRVG, recuperação do equilíbrio econômico entre CRVG e SAF e preservação do controle estratégico do clube sobre o futebol. A SAF deve ser uma ferramenta de financiamento e profissionalização do futebol, e não um mecanismo de transferência permanente do patrimônio e das receitas do Vasco.
Objetivo
Reconstruir uma relação equilibrada entre o Club de Regatas Vasco da Gama e a Vasco SAF, corrigindo distorções contratuais que comprometeram receitas, patrimônio e fluxo de caixa do CRVG e ampliando os mecanismos de controle do clube sobre a empresa.
O objetivo é garantir que o patrimônio histórico, a marca, os símbolos, as instalações, a formação de atletas e a capacidade de geração de receitas do Vasco sejam devidamente remunerados, permitindo ao CRVG recuperar sua capacidade de investimento e ampliar suas atividades sociais, esportivas, culturais e patrimoniais.
A SAF deverá permanecer como instrumento de desenvolvimento e financiamento do futebol, mas sua estrutura societária e seus contratos deverão assegurar controle estratégico do CRVG, participação econômica adequada do clube e mecanismos que dificultem uma futura perda de controle.
Execução
Reequilíbrio dos contratos entre CRVG e Vasco SAF
Promover uma revisão ampla dos contratos existentes entre o CRVG e a Vasco SAF, buscando adequar a remuneração pelo uso do patrimônio do clube e estabelecer maior participação do CRVG nas receitas geradas a partir de seus ativos.
A revisão deverá contemplar:
- Cessão da marca, símbolos e cores do Vasco;
- Comercialização de produtos oficiais;
- Divisão e utilização das redes sociais;
- Utilização e aluguel de São Januário;
- Exploração comercial dos eventos realizados no estádio;
- Utilização de outros ativos pertencentes ao CRVG.
A prioridade será estabelecer contratos que reconheçam economicamente o patrimônio do clube e, simultaneamente, permitam que a SAF tenha condições adequadas para operar o futebol.
Produtos e exploração comercial
O CRVG deverá manter o controle sobre a comercialização de produtos relacionados aos esportes que não sejam o futebol, preservando para o clube a exploração econômica de suas demais modalidades.
Nos produtos relacionados ao futebol, deverá ser estabelecido um modelo de divisão de resultados, acompanhado por mecanismos de transparência.
Maior participação do CRVG nas receitas geradas pelo futebol
Estabelecer mecanismos que garantam ao clube participação direta em determinadas receitas produzidas pela atividade da SAF.
Mecanismos de solidariedade: 80% dos valores recebidos a título de mecanismos de solidariedade deverão ser destinados ao CRVG.
Negociações de atletas formados na base: 20% do valor das negociações de atletas oriundos das categorias de base do clube deverão ser destinados diretamente ao CRVG.
A medida busca reconhecer que a formação de atletas é resultado de um patrimônio esportivo construído pelo Vasco ao longo de décadas.
Participação do CRVG nos patrocínios da SAF
Os patrocínios contratados pela Vasco SAF deverão gerar um repasse de 10% ao CRVG.
Como contrapartida, o clube assumirá o compromisso de não utilizar marcas concorrentes às empresas patrocinadoras da SAF nas modalidades esportivas que pratique.
Caso o CRVG opte por utilizar uma marca concorrente, poderá abrir mão do recebimento correspondente ao patrocínio.
Esse modelo cria uma relação de reciprocidade comercial, permitindo que o clube seja remunerado pela exclusividade concedida aos patrocinadores da SAF.
Pulverização acionária da Vasco SAF
Deverá ser estudada a possibilidade de pulverização de parte minoritária das ações entre diversos investidores.
Cada investidor teria participação limitada, inicialmente entre 0,1% e 0,5%, evitando a concentração significativa das ações em um único grupo.
O objetivo seria:
- captar recursos;
- ampliar a capacidade de investimento da SAF;
- diversificar as fontes de financiamento;
- preservar o controle estratégico do CRVG;
- reduzir o risco de concentração acionária;
- dificultar futuras operações que possam resultar na perda de controle da SAF por parte do CRVG.
A pulverização deverá ser acompanhada de regras estatutárias e societárias que impeçam a formação indireta de grupos de controle e garantam ao CRVG mecanismos permanentes de proteção de sua posição.
Parcerias internacionais estratégicas
Buscar parceiros internacionais em países e continentes nos quais o futebol brasileiro possua forte reconhecimento, priorizando instituições interessadas não apenas no retorno financeiro de curto prazo, mas também na construção de uma relação estratégica com o Vasco.
Como princípio, nenhum parceiro poderá receber mais de 20% dos lucros relacionados ao futebol, e a parceria terá duração máxima de seis anos, evitando dependência estrutural ou perda permanente de receitas futuras.