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Elucidações sobre Vasco, Nations Bank, Projeto Olímpico, inadimplência, narrativas, fatos e a atualidade

No Instagram, há cerca de dez dias, foi publicada uma tese sobre Vasco, Nations Bank, consequências, dias atuais, com uma narrativa que induz o leitor a concluir algo díspar dos fatos. É a terceira vez nos últimos meses que vemos o assunto abordado em contas do Instagram. Nas outras comentários foram feitos na própria página que publicou sua tese mas, desta vez, optamos por publicar uma nota de elucidação, com mais detalhes sobre o histórico.

Tanto nessa oportunidade, como nas outras duas (em contas diferentes do Instagram) o método para publicação foi o mesmo: imagens (serão aqui reproduzidos apenas os textos delas), com, eventualmente, alguma matéria de mídia que busque balizar algumas afirmações feitas.

O teor daquilo que está nas imagens será transcrito, as imagens postas detalhadas e a elucidação virá imediatamente abaixo.

Imagem 1

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…
Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.
Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro destruiu um clube campeão?”

ELUCIDAÇÕES:

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões em uma dívida de 100 milhões em 3 anos”. Falso.

Vamos, inicialmente, à dívida do Vasco, que no início de 2001 se configuraria, sem reservas para contingências, ou seja, sem contar ações que o Vasco respondia, mas não havia perdido na Justiça, em definitivo.

O Vasco já possuía uma dívida superior a R$100 milhões de reais na virada do século. 

Vejamos:

O Vasco perdeu aproximadamente R$60 milhões (no balanço de 1999 o número era de R$52.243.741,00) referente a ativos com atletas, em virtude da Lei Pelé, com o fim do passe. Isso se deu no início de 2001. 

O Vasco tinha uma dívida fiscal acumulada e estava no REFIS. O número de débito com o IR era de R$23.921.234,59, anunciado anos depois, do FGTS R$10.842.794,70, também anos depois, e do INSS era, também, muito elevado.

O clube comprara o passe de Euller em agosto de 2000, mas não pudera pagar (8,6 milhões de reais foi o valor da compra), devia quase três meses de salários e outros mais em termos de direitos de imagem, visto que o Bank of America não pagou os U$12 milhões que davam lastro a vários gastos do clube. 

Havia, ainda, uma confissão de dívida em favor da Rede Globo, fruto de cotas adiantadas, na ordem de 37,4 milhões. Boa parte desse valor o Vasco tinha como expectativa que o banco sanasse, pagando à emissora, o que não ocorreu, e isso levou o clube a processar o banco, ganhando a ação, em dezembro de 2001, e, com isso, o direito de receber o montante contratual acordado e não pago.

Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro (conseguido por Eurico Miranda) se deu? 

Por que acabou? 

Quais prejuízos trouxe ao clube o seu descumprimento por parte do banco? 

E como o Vasco, apesar disso, conseguiu, até a troca de gestão no clube, em 01/07/2008, manter-se em situação muito melhor financeira, se comparado aos outros três grandes do Rio? 

Vamos entender para não repetir despautérios ou fazer condensações de outras publicações que surgem na rede, a fim de criar uma tese, que tende a ser uma distorção.

Sigamos.


Imagem 2

Nos anos 90, o futebol brasileiro entrou em uma nova era.
Dinheiro da TV, patrocínios milionários, a promessa de clubes mais profissionais…
E foi nesse cenário que, em 1998, o Vasco assinou um acordo que parecia mudar tudo.

ELUCIDAÇÕES:

Nos anos 1990 o Vasco conquistou um tricampeonato carioca (1992/1993/1994) e um campeonato brasileiro (1997) com a estrutura que tinha.

O Palmeiras, em 1992, fechou um contrato com a Parmalat e vários clubes fizeram parcerias, nos últimos, dois três, quatro anos do milênio, com empresas que se dispunham a investir no futebol brasileiro. O Vasco fez a sua com o Nations Bank (1998), Flamengo e Grêmio com a ISL (1999); Corinthians com o banco Excel (1997), depois com a HTMF (1999); Cruzeiro com a HTMF (1999), entre outros.

O dinheiro da TV já existia (para todos os clubes), os patrocínios, no caso do Vasco, seriam obtidos pela VGL (Vasco da Gama Licenciamentos), que teria os direitos sobre a marca para negociar contratos referentes ao tema e ter 50% do valor deles para si, enquanto o Vasco receberia os outros 50%.

Não foi o banco um patrocinador e sim um investidor. Ele visava, com o crescimento da marca, a amplitude internacional dela e lucros consequentes. Daí terem visto no Projeto Olímpico uma grande oportunidade para isso, como já enxergavam, desde 1999, com os Jogos Pan-Americanos. E visavam ganhos futuros, a partir da reforma de São Januário e construção do centro de treinamento do clube em Caxias, que se previa iniciar, com aporte do próprio banco (U$70 milhões), a partir de 2000.

A satisfação com a parceria e a projeção para o exposto acima foram confirmados em junho de 1999, junto às grandes expectativas sobre o Pan-Americano de Winnipeg, no qual mais de 60 atletas vinculados ao Vasco viriam a fazer parte da delegação.

Havia, também, investimentos em outros esportes não olímpicos, como os radicais, de luta, o futsal e o basquete masculino (que não iria aos Jogos Olímpicos de Sydney), mantido com uma equipe de primeira linha e campeã.

Sobre profissionalização, o Vasco já era profissional (aliás o era desde 1933), mas a palavra “profissionalização” passou a ser justificativa para a entrega do futebol brasileiro, com o fim da Lei do Passe (sem qualquer proteção aos clubes), iniciando o crescimento numérico e patrimonial dos empresários no futebol, que se consolidou na primeira década do século e prosperou dali por diante mais ainda. Nos anos 1990 o discurso, que se tentou fazer virar lei, era o da necessidade de os clubes deixarem de ser associações para virarem clubes-empresa, o que acabou não passando na Lei Pelé, como obrigatório, mas facultativo.


Imagem 3

O Bank of America (na época Nations Bank), surgiu com um acordo:
Por 10 anos controlaria a marca Vasco: camisas, direitos de TV, licenças…
O clube recebia U$30 milhões de adiantamento e ficaria com 50% de receita.
A expectativa era faturar R$150 milhões/ano.
Mas o que parecia o maior contrato da história do futebol brasileiro tomou um rumo inesperado.

Para ratificar a informação é apresentada matéria da Folha de São Paulo, datada de 10 de fevereiro de 1998, sob o título “Vasco fechará acordo para faturar R$150 mi por ano.”

ELUCIDAÇÕES:

O contrato teve termos aditivos e a parceria que, inicialmente, seria de 10 anos, passou para 25 anos, exatamente pelo fato de o banco perceber que o investimento valia ser feito e os ganhos a longo prazo poderiam ser bastante satisfatórios.

Em 1999 o Vasco teve, após grande incremento nos investimentos, R$93,96 milhões de receita. A receita em 1997 havia sido, segundo dito por Eurico Miranda à época, de R$15 milhões, com o clube chegando à conquista do Campeonato Brasileiro naquele ano. Eurico entendia, em 1998, que após três anos de parceria, poderia multiplicar por 10 os R$15 milhões, chegando a R$150 milhões de reais. Com pouco mais de um ano e meio de parceria a receita do Vasco já havia ultrapassado 60% daquilo que o representante vascaíno esperava obter em três anos.

As discussões junto à TV tinham o Vasco como negociante e não o banco ou qualquer representante seu.

O que teria ocorrido para que o contrato tomasse um rumo inesperado? Mais detalhes na imagem 4.


Imagem 4

O Vasco fez o que quase qualquer clube faria: apostou alto e acelerou gastos.
Vieram contratações em peso como Juninho Paulista, Euller, Edmundo, Romário.
Sendo que os dois últimos passaram a ter os maiores salários do futebol brasileiro.
E, por um momento, parecia que tinha dado certo”.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco fez o que qualquer clube faria, baseado em sua premissa associativa, qual seja, investir o que obtém de recursos em patrimônio, profissionais, estrutura, equacionamento de dívidas, mas, claro, com o lastro daquilo que teria garantido por contrato. 

A competência é evidenciada com três títulos no período em que recebeu o devido da outra parte, entre abril de 1998 e junho de 2000. 

A competência é mais ainda visível com a conquista da Copa Mercosul de 2000 e do Campeonato Brasileiro da mesma edição, ganho em janeiro de 2001, mesmo com a inadimplência do banco, desde julho de 2000.

Quando se fala em competência é bom que se faça um comparativo com o outro clube daqui do Rio de Janeiro, no caso o Flamengo, à época com sua parceria (ISL), que teve despejado dinheiro em grande quantidade no segundo semestre do ano de 2000, (32 milhões de reais em contratações, fora salários) para trazer Gamarra, Alex, Denilson e Edilson, a fim de obter o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul, vencidos pelo Vasco em plena fase de inadimplência de seu parceiro.

Sobre Romário e Edmundo juntos, com os grandes salários que tinham, o Vasco os manteve em sua folha, dessa maneira, por cerca de oito meses apenas, afinal Edmundo foi emprestado para o Santos em julho de 2000 e não mais jogou no Vasco no período em que Romário estava no clube.

A parceria de Edmundo e Romário no Vasco deu errado, mas a parceria do banco com o Vasco, enquanto aquele cumpriu o acordado com o clube, dando lastro a investimentos e pagamento do custo operacional, deu muito certo.


Imagem 5

Entre 1998 e 2000, o Vasco viveu uma das fases mais vitoriosas da sua história:
Ganharam a Libertadores, Brasileiro, Mercosul, Carioca. Parecia o começo de algo grande.
Até que uma decisão mudou tudo.

ELUCIDAÇÕES:

A fase vitoriosa, como todos sabemos, se inicia com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1997.

O Campeonato Carioca de 1998 e a Taça Libertadores do mesmo ano foram conquistados um e quatro meses após o início da parceria e os títulos da Copa Mercosul e do Campeonato Brasileiro posterior se dão em pleno período de inadimplência do parceiro, iniciada em julho de 2000.


Imagem 6

Em 1999, o vice-presidente Eurico Miranda decidiu ir além do futebol.
Ele queria transformar o Vasco em uma potência olímpica, pensando nos jogos de Sydney.
Vieram contratações de atletas de alto nível, em várias modalidades.
E o resultado?

ELUCIDAÇÕES:

Os investimentos a maior em outros esportes se iniciaram em 1998. Na mesma temporada o Vasco voltou a ser Campeão Carioca de Remo, o que não ocorria desde 1982 e, também, Campeão Brasileiro. Nela própria o clube obteve o primeiro título sul-americano de sua história no Basquete Masculino, Campeão da Copa Sul-Americana de Clubes. Foi o Vasco, ainda, Campeão da Taça Brasil de Futebol Feminino, Campeão Carioca Masculino e Feminino de Tênis de Mesa e, finalmente, Campeão Brasileiro e Carioca (em dois estilos) no Tiro com Arco. No ano anterior, 1997, o clube não obteve nenhuma vitória em âmbito nacional nos esportes coletivos, fora o futebol profissional masculino.

Os investimentos tiveram enorme incremento em 1999, com o Vasco levando aos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg 64 atletas, que trouxeram, individualmente, 34 medalhas (10 de ouro, 13 de prata e 11 de bronze).

O projeto multiesportivo trazia retorno de mídia, espaço maior do clube nos mais variados meios de comunicação e novas possibilidades de negócios. Exatamente aquilo de que necessitava a VGL (Vasco da Gama Licenciamentos) para explorar a marca e obter retorno com a exposição dela.

Fernando Gonçalves, presidente da VGL, falava do apoio do banco à iniciativa do Vasco, prevendo o sucesso já nos Jogos Pan-Americanos de 1999, afirmando isso em junho daquele ano. No mês anterior exaltava as contratações de Gustavo Borges e Luis Lima na natação, de Adriana Behar e Shelda no Vôlei de Praia feminino, a liderança no Campeonato Estadual de Remo e a chegada do clube à final da Liga Nacional de Basquete masculino.

Em 02/01/2000, Fernando Gonçalves afirmou: “Não há clube no mundo hoje como o Vasco”. Em outro trecho disse: “Queremos deixar o Vasco cada vez mais caro para os investidores (TV, patrocinadores). Esse é o objetivo nos próximos dois, três anos.” Celebrava-se à época as contratações de Romário, Manoel Tobias (Futsal), Ronaldo da Costa (que batera o recorde mundial na maratona de Berlim, em setembro 1998, mantido por 13 meses), como exemplos de destaque em suas áreas.

O balanço patrimonial do clube, referente a 1999, mostra que o Vasco teve 67% do valor gasto em futebol e 22% gasto em todos os outros esportes (juntos). Nos Jogos Pan-Americanos o Brasil realizou sua maior participação na história até ali.

A despesa com todos os esportes olímpicos em 1999 foi de 13,6 milhões (22% do total de despesas do período, como dito acima). 

A despesa com o futebol foi de 41,3 milhões de reais (67% do total de despesas no período, como informado acima). 

Conta-se aí, nos referidos 13,6 milhões, o gasto em esportes olímpicos e não olímpicos. 

No ano subsequente o Vasco manteve o investimento de 1999 e o aumentou, chegando a 83 atletas olímpicos brasileiros, mais três estrangeiros. O foco não foi, apenas, contratar profissionais visando, exclusivamente, os Jogos Olímpicos, mas, notoriamente, montagens de times em esportes coletivos (Basquete Feminino, Vôlei Masculino e Feminino, como principais exemplos), reforços para o Futsal, aumento do número de nomes olímpicos no Atletismo, após a parceria do Vasco com Funilense e São Caetano (de seis atletas no Pan, o Vasco passou a ter 17 nos Jogos), outras contratações para esportes de luta (como Vale-Tudo) e investimentos em esporte radicais, com a busca pelo retorno de mídia que dariam. O gasto foi bem mais elevado que o de 1999, ultrapassando R$20 milhões, somando todos os esportes, exceto futebol profissional masculino, o qual teve aumento de custo considerável, em função da disputa do Mundial Interclubes em janeiro e pela tentativa de o Vasco conquistar outros títulos ao longo da temporada. Mas tudo isso tinha lastro para ocorrer, cumprindo o banco aquilo que fora acordado.

Um jornal de São Paulo (Folha de São Paulo) publicou, em 24 de novembro de 2000, que o Vasco naquele ano teria gasto R$30 milhões no Projeto Olímpico, enquanto o COB R$23 milhões. Outras matérias pretéritas do diário falavam no mesmo número.

Não há qualquer levantamento discriminado que justifique ter o Vasco em 2000 gasto R$30 milhões em Projeto Olímpico, mas o custo, de todos os esportes, olímpicos e não olímpicos, ultrapassou R$20 milhões.

A matéria cita um gasto, em 1999, de 17,8M com esportes amadores (todos, olímpicos e não olímpicos), quando na verdade foram 13,6M, como citado acima e exposto no balanço do Vasco. 

Por outro lado, a própria matéria cita que o Vasco pagava as contas em dia até a realização dos Jogos, nos esportes que apurou. Os jogos foram realizados entre 15/09 e 01/10/2000. 

A matéria traz em seu bojo uma conclusão solta de que Eurico Miranda havia feito o Projeto Olímpico para se eleger presidente do Vasco e ela foi publicada duas semanas após Eurico conseguir fazer a 1ª e a 2ª chapas na eleição de São Januário, em 10/11/2000. 

Embora a conclusão não tenha qualquer sustentáculo, ela põe o Projeto Olímpico num lugar que dimensiona sua importância na própria visão do jornal, sabedor do que representava em termos de retorno de mídia o investimento do Vasco naquele contexto.

A matéria não cita que o banco não pagava ao Vasco desde julho de 2000.

Mas e o resultado?


Imagem 7

A visibilidade do clube aumentou – mas o retorno financeiro não.
O projeto olímpico sozinho custou cerca de R$30 milhões em um ano.
O excesso de gastos foi motivo de questionamentos da diretoria do banco.
A receita prometida não veio, enquanto os gastos e dívidas só cresciam…”

ELUCIDAÇÕES:

Resultado:  inúmeras medalhas conquistadas pelo Vasco, que mantém décadas depois o clube como maior vencedor dentre os cariocas (incluindo atletas da natação de outra nacionalidade, medalhistas de ouro em Sydney), internacionalização da marca, retorno de mídia altíssimo e os ganhos correlatos disso, entre eles o crescimento da torcida do Vasco, quatro anos após, em outubro de 2004, em 14%, após pesquisa realizada e publicada pelo site Netvasco.

Em junho de 1999 a VGL se mostrava satisfeita por ter faturado U$10,8 milhões (e o Vasco idem), com o contrato de patrocínio junto a Proctor & Gamble, sem se importar de já ter aportado U$75 milhões, elogiando a administração do Vasco pela participação destacada no futebol e em outros esportes e entendia que faturaria alto com a reforma e ampliação do estádio, que daria ao parceiro (por contrato), direitos junto à bilheteria (compartilhada), ganhos outros via complexo esportivo, material esportivo, placas publicitárias, outros patrocínios e vendas de produtos licenciados (todos com ganhos compartilhados com o Vasco).

O banco não podia questionar o caminho percorrido pelo Vasco, porque isso não fazia parte do acordo entre as duas partes. Ele não administrava o clube. Aportava o valor devido e buscava a valorização da marca no mercado, o que a direção vascaína ajudava, proporcionando o maior retorno de mídia entre clubes brasileiros, com inúmeros atletas vinculados participando de competições no país e mundo afora, internacionalizando cada vez mais sua visibilidade, e com um time de futebol forte, disputando todas as competições para ganhar.

Não podia, por exemplo, o banco questionar a aquisição de uma rua inteira para o complexo de São Januário, que foi iniciada em 1998 e terminaria em 2002. Foram cerca de 14.000 metros quadrados, que correspondem hoje, considerando o valor a ser pago ao Vasco, via Potencial Construtivo, cerca de R$34 milhões. Não cabia ao banco determinar aquilo que deveria ser feito pelo clube, mas este cumpria o objetivo desejado pelo parceiro para valorização da marca Vasco, primordialmente.

A receita a vir era de competência da VGL, pois desde o início dos investimentos em esportes olímpicos, lá em 1998, era sabido que eles não davam retornos dos mais relevantes, individualmente. O projeto tinha em seu bojo a intenção de que o Vasco conseguisse – pela força de sua marca e com o futebol atuando para conquistar todas as competições – visibilidade e retorno de mídia que a valorizasse para busca de patrocínios e afins.

Não é difícil raciocinar que se o responsável pela VGL, Fernando Gonçalves, dizia, em junho de 1999, ser intenção do parceiro aportar U$70 milhões, em menos de dois anos, para reforma e ampliação do complexo de São Januário e construção de um CT, para que pudesse ter direitos junto à bilheteria (compartilhada), ganhos outros via complexo esportivo, material esportivo, placas publicitárias, outros patrocínios e vendas de produtos licenciados (todos com ganhos compartilhados com o Vasco), que a conta só fecharia a longo prazo. Daí o contrato ter sido ampliado, de 10 para 25 anos.

A ideia do banco, em relação a São Januário, era a de que, após a reforma, este tivesse capacidade para 60 mil espectadores, dois ginásios e uma arena poliesportiva, na qual coubessem 10.400 pessoas, além de um vasto centro de treinamento, shopping center e até mesmo um museu interativo. Em janeiro de 2000 os valores para tudo isso eram calculados em R$100 milhões de reais a serem desembolsados pelo parceiro, com o fim de que tudo isso fosse possível. O término das obras era previsto para 2003.

Em 21/06/2000, segundo noticiado pelo “Jornal do Brasil”, Eurico Miranda e Fernando Gonçalves tiveram uma reunião para tratar das questões inerentes a obras e com o terreno da rodovia Washington Luiz liberado para a construção de uma Vila Olímpica. Essa primeira reforma foi programada para ser iniciada no mês seguinte. Finalizada a obra partir-se-ia para a reforma no complexo de São Januário, que crescia em metragem, dadas as aquisições de dezenas de imóveis situados nas adjacências do próprio complexo.

Em junho de 2000 o Vasco já tinha vinculado a si mais de 70 atletas dentre os 83 que chegariam aos Jogos Olímpicos de Sydney, fora os estrangeiros. Nada era questionado pelo parceiro, que cada vez mais tinha na marca valorizada sustentáculo para a sua busca por fazê-la crescer economicamente.

Vamos relembrar: 

Não havia crescimento de dívida, em relação aos contratos feitos, até o banco inadimplir. 


Imagem 8

A VGL, empresa criada para gerir a parceria, passou a travar os repasses.
E em 2001, o Vasco tomou a decisão mais arriscada possível:
Rompeu unilateralmente o contrato.
O problema é que a parceria era a base de toda a estrutura financeira do clube.

ELUCIDAÇÕES:

A VGL não travou repasse. O banco não pagou o devido, sendo responsabilidade no Brasil de o Banco Liberal, braço do Bank of America no país, fazê-lo. Isso ficou claro, após, em 12 de dezembro de 2001, por decisão unânime na 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, três votos a zero, o Club de Regatas Vasco da Gama ter ganho ação para receber o valor de 12 milhões de dólares contra o Bank of America, corroborando sua opinião quanto ao débito do banco em relação ao clube.

O Vasco esperou pelo aporte por oito meses. Com contas vencendo, problemas se acumulando e ainda com a marca presa, denunciou o contrato (isso em fevereiro de 2001).

Claro que o sustentáculo para os investimentos era o acordo, previsto para 25 anos. Mas diante da inadimplência do banco cabia ao Vasco agir exatamente como fez, comprovada sua razão com a ação ganha em dezembro de 2001.

No primeiro semestre de 2002, após a vitória do Vasco na Justiça em dezembro do ano anterior, foram retiradas as ações propostas pelas duas partes e correlatos a elas. A VGL se achava no direito de receber do Vasco cerca de U$40 milhões, mas sem sucesso nos tribunais. E o Vasco encaminhou o acordo para ter sua marca livre, assinando pouco depois com uma nova marca de material esportivo.


Imagem 9

Isso porque o Vasco já havia antecipado cotas futuras de TV, apostando que o dinheiro da parceria cobriria tudo.
Mas a conta não fechou – e o banco foi à Justiça.
O clube acabou ficando com uma dívida milionária e multas pelo rompimento.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, assim como todos os grandes, antecipava cotas de TV, mas parte do valor que a Globo entendeu se referir à antecipação de cotas foi adiantamento de valores que o clube imaginou ser compensado pelo banco (que lhe devia). 

A conta não fechou nesse a maior antecipado porque o banco inadimpliu em 12 milhões de dólares.

O clube contestou aquilo que a Globo entendeu como antecipação e quando as partes voltaram a conversar, em 2002, a Globo voltou a pagar o Vasco (embora afirmasse antes que as cotas estavam antecipadas até 2003). Isto se deu após o clube não ter dado unanimidade à solicitação da emissora de mudança contratual, referente a direitos de TV. Ela buscava desconsiderar o crescimento previsto (dolarizado) para pagamento das cotas aos clubes, a partir daquele ano.

Os outros grandes clubes brasileiros poderiam capitular, pois antecipavam cotas com a emissora, mas o Vasco não. Eurico Miranda, que se desligara do Clube dos Treze em janeiro de 2001, por desentendimentos com a entidade, iniciados próximo ao fim do ano anterior (o clube desligou-se três meses depois, oficialmente), voltou a ele, liderando o processo e, posteriormente, colocando o Vasco, junto a Corinthians, Flamengo e São Paulo no primeiro grupo entre os recebedores de cotas de TV (o Palmeiras chegaria ao mesmo grupo anos depois, com a anuência do Vasco, na figura do Vice-Presidente da entidade, o próprio Eurico Miranda). 

Vale destacar que no Campeonato Carioca a cota de Vasco e Flamengo era igual, mas superior a de Fluminense e Botafogo. Isso desde 1999.

O rompimento não fez o Vasco ficar com dívida alguma contratual.

O acordo firmado em 2002, como já dito na imagem 8, fez com que as duas partes encerrassem as ações propostas, uma contra a outra.


Imagem 10

O que era para ser um acordo de 10 anos terminou em apenas 3 e deixando algumas feridas abertas pro clube.
– A dívida chegou a R$100 milhões.
– Passivos trabalhistas cresceram
– Patrocinadores sumiram e a credibilidade foi embora
E quando parecia que o pior havia passado…

Matéria do jornal “O Globo” (sem a data específica) é posta para dar sustentáculo à primeira informação da imagem 1. Lembremos dela.

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…

Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.”

Na matéria pinçada o diário carioca publica, em 2022, que o clube herdou uma dívida de R$100 milhões de reais, a qual ajudou a crescer o passivo trabalhista do clube, citando que a empresa 777 atacaria tal dívida através do RCE.

ELUCIDAÇÕES:

O acordo foi cumprido por 26 meses e se não durou mais tempo foi porque o banco não aportou o que era devido, inadimpliu por oito meses, obrigando o clube, que tinha por contrato a marca presa, a tomar as medidas cabíveis para liberá-la, como ocorreria cerca de 15 meses depois.

A dívida, a partir da vigência da Lei Pelé, já era superior a 100 milhões de reais, como já esmiuçado na imagem 1. 

Os passivos trabalhistas do Vasco cresceram sim, mas em comparação aos demais clubes do Rio a situação era muito melhor. 

A revista Consultor Jurídico, em publicação de 30/05/2005 (ver site Netvasco do dia 31/05/2005) mostrava ser a situação do Vasco disparada a melhor do Rio.

Número de ações trabalhistas contra os clubes:

Vasco: 286

Flamengo: 534

Fluminense: 662

Botafogo: 723

O São Paulo tinha sete ações trabalhistas a mais que o Vasco contra si, o Palmeiras 20 a menos e o Corinthians 40 a menos. 

Como o Vasco não vive num aquário sozinho, a situação do clube não era nem de longe dramática, comparada a dos outros clubes do Rio. 

A credibilidade se manteve, porque o Vasco se manteve com crédito para qualquer eventual antecipação de verba solicitada. 

O clube, além de credibilidade, apresentou em junho de 2004 certidões positivas com efeito de negativas, quanto a débitos fiscais. 

Em uma nota oficial à imprensa, o Vasco, a 18/06/2004, afirmou que “não precisou de recursos de terceiros para equacionar a questão fiscal e, ainda, saneou suas dívidas em um momento em que os demais clubes brasileiros não conseguem regularizar a sua situação fiscal perante à União.”

O jornal “O Globo” publicou, em 05 de julho de 2005, uma matéria sob o título de “Lamentomania Carioca”, na qual Flamengo, Fluminense e Botafogo suplicavam pela Timemania, loteria que possibilitaria aos clubes consolidar suas dívidas fiscais e obter certidões positivas com efeito de negativas, tirando a faca do pescoço deles.

Disse o presidente do Flamengo, Márcio Braga: “Os clubes não terão condições de sobreviver no segundo semestre de 2005 se alguma posição não for estabelecida pelo governo.”

Falou o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas: “O Botafogo está chegando ao limite, que é o fechamento das portas. O que estamos reivindicando é a possibilidade de sobreviver.”

Declarou o presidente do Fluminense, Roberto Horcades: “Nosso encontro tem importância histórica. Como as coisas estão colocadas, será difícil de manter os clubes funcionando.”

O Vasco não era citado na matéria, pois mantinha suas certidões positivas com efeito de negativas e nem apareceu na reunião, mostrando-se apenas solidário aos clubes, mas dizendo não aceitar a proposta que estava à mesa na época para a constituição da loteria (modificada posteriormente).

Sobre patrocínio (o grande discurso massificado pelo MUV), o Vasco teve patrocinador em 2007 e em 2008, recusou propostas consideradas baixas antes, teve alguns patrocínios pontuais, também antes, mas o fundamento de receita dos clubes na primeira década do século não era receita de patrocínio e sim das cotas de TV. 

Sobre a matéria do jornal “O Globo”, repetimos aqui que está sem data, mas supõe-se ter sido publicada em 2022, pois se fala nela da 777 partners, como se esta estivesse por comprar o futebol do Vasco ou o tivesse adquirido. De qualquer forma, como o processo foi muito rápido, o ano seria 2022. Três comentários necessários:

1 – O Vasco já estava no RCE antes de a empresa comprar o futebol do Vasco. A matéria sugere que a dívida trabalhista existente à época seria “atacada” via RCE. Isso não se trata de ataque à dívida, mas simplesmente de cumprimento do acordado pelo clube antes.

2 – Parece inacreditável que em 2022 fale-se de uma dívida trabalhista, com foco nas pendências deixadas, após o fim da parceria, como sustentáculo para a narrativa. Isso porque o Vasco aderiu e cumpriu um Ato Trabalhista em 2004, o que lhe permitiu acordar outro, em dezembro de 2007, em condições de pagamento, por sinal, muito melhores que as de Fluminense e Botafogo à época, também signatários do mesmo Ato. Por outro lado, quando finalmente as dívidas fiscais foram consolidadas pelos clubes, dado o surgimento da Timemania, a dívida fiscal rubro-negra era o dobro da do Vasco e a de Botafogo e Fluminense eram próximas do montante consolidado pelo clube da Gávea.

3 – A matéria ignora o fato público, notório e reconhecido no Poder Judiciário de que o banco não pagou U$12 milhões de dólares, portanto, não saiu, simplesmente. Ele inadimpliu e o contrato foi denunciado pelo Vasco, após oito meses de tal inadimplência. Afora isso, os problemas vividos pelo Vasco no início do século também tiveram por parte da Globo um dos motivos, pois, como citado por um executivo dela ao jornal “Meio e Mensagem” em 2001, a emissora aplicaria um torniquete financeiro no clube, com a intenção de jogar a torcida contra Eurico Miranda, a fim de que ele perdesse o apoio dela. Vale relembrar que após 18 meses de torniquete e resistência do Vasco, a emissora voltou a conversar com o clube, depois deste não aquiescer a que uma mudança no contrato de TV assinado por ela, fosse feita nos parâmetros (valores) desejados por ela própria. O Vasco foi exceção: todos os outros grandes clubes, que antecipavam cotas com a emissora (e continuaram antecipando entre 2001 e 2002) eram a favor. A ação, inclusive, como já dito em outra imagem, fez o Vasco voltar ao Clube dos Treze, com Eurico Miranda em posição de liderança e com o próprio Vasco mantendo-se no primeiro grupo entre os recebedores das cotas de TV. O seria junto a Corinthians, Flamengo e São Paulo. Anos depois o Palmeiras também entraria no seleto grupo, formado, então, por cinco clubes e assim o foi até a saída de Eurico Miranda da presidência do Vasco, em 30/06/2008, que deixou acertada a renovação de outro, nas mesmas condições para o Vasco, que se encerraria em 2011.

Ainda tem mais.

Vejam a imagem 11.


Imagem 11

O contrato virou alvo da CPI do Futebol em 2001.

Depoimentos apontaram que metade do dinheiro investido pelo banco não passou pela tesouraria do clube.

A outra metade? Teria sido depositada na conta de terceiros por ordem de Eurico Miranda.

E dentro do campo os reflexos vieram rápido…

ELUCIDAÇÕES:

Em novembro de 2000, a VGL (chamada de Vascolic em matéria publicada pelo jornal “Tribuna da Imprensa”) virou alvo da CPI, a partir de investigação da Polícia Federal, que teve por consequência uma descoberta: a empresa Deportes Sports Holding Limited detinha o controle (com 99,6% das ações ordinárias) da VGL e tinha sede em Grande Cayman, capital das Ilhas Cayman.

A Vascolic foi comprada apenas quatro meses após ter sido criada. À época de sua fundação teve a Vascolic como controladora a empresa Barewwod Trading Inc., com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A administração da Vascolic, todavia, continuou sob responsabilidade de executivos ligados ao Banco Liberal, braço brasileiro do Bank of America.

Cheguemos a 2001, agora falando de CPI. Nela própria foi declarado pelo diretor executivo do Bank of America, em abril daquele ano, que as remessas ao exterior de R$3,35 milhões, R$2,33 milhões, R$2,85 milhões e R$4,02 milhões, totalizando R$12,55 milhões, se deram por intermédio do Banco Central e o Bank of America intermediou a transação sabendo que a transferência seria para pagamento de empréstimos e de passes de jogadores e que foram feitos com lisura.

Em 16 de setembro de 1998, portanto muito antes de se falar em CPI da Nike ou do Futebol, o Vasco, em documento assinado por Antônio Soares Calçada e Eurico Miranda, cita cinco valores de transferências, quatro deles lembrados pelo diretor executivo do Bank of America, cerca de 30 meses depois, mais um de 2,3 milhões de reais. O documento enviado pelo clube ao banco fala sobre o cumprimento de obrigações relacionadas ao Departamento de Futebol, especificamente relacionadas com aquisição de jogadores, pagamento de débitos relacionados à aquisição de jogadores, ou pagamentos relativos a aluguel de jogadores, relacionados com os créditos originados pelo referido Instrumento. Todas as remessas se deram por intermédio do Banco Central.

Em 12 de dezembro de 2001, por decisão unânime na 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, três votos a zero, o Club de Regatas Vasco da Gama ganhou a ação no valor de 12 milhões de dólares contra o Bank of America, corroborando sua opinião, quanto ao débito do banco em relação ao clube.

Dentro do campo, em 1998, os reflexos vieram rápido, com os títulos conquistados, considerando a estrutura já montada desde o ano anterior.

Dentro de campo, após o inadimplemento do banco, os resultados vieram rápido, por competência do clube, campeão da Copa Mercosul.

Já em plena CPI, com perseguição a Eurico Miranda, desumanizado e demonizado, a partir da edição de imagens feita pela Rede Globo de Televisão no final de dezembro do ano 2000 (que ela admitiu ter executado, quase 24 anos depois) o Vasco foi Campeão Brasileiro (neste caso em janeiro de 2001).

Apesar de passar por um torniquete financeiro de 18 meses, dito antes por um executivo da Globo, ao jornal paulista “Meio e Mensagem”, que ocorreria, com o propósito de colocar a torcida vascaína contra Eurico Miranda, o clube resistiu, igualando o recorde de oito vitórias consecutivas na Taça Libertadores (que fora obtido pelo Cruzeiro em 1976), conquistando a Taça Rio (1º lugar) por antecipação, dando as maiores goleadas da história no Botafogo (7 x 0), São Paulo (7 x 1) e vencendo de mão aberta o Flamengo (cinco de novo), no mesmo ano. 

Também em 2001 o Vasco conquistou o Bicampeonato Brasileiro e Carioca de Basquete Masculino e foi Campeão Brasileiro e Bicampeão Carioca no Feminino, além de ter sido campeão em três das quatro categorias de base no Basquete Masculino.

No futebol de base conquistou o Mundialito e o Campeonato Carioca de Juniores, além do Campeonato Carioca no Sub11 e Sub13.

No Remo foi conquistado o Tetracampeonato Carioca e Brasileiro. O clube foi Tricampeão Carioca Masculino e Feminino no Atletismo.

Na Natação o Vasco foi Tricampeão da Taça Brasil e do Troféu José Finkel, mantendo-se pelo segundo ano consecutivo como primeiro do ranking, foi Campeão Brasileiro Feminino de Maratonas Aquáticas e Bicampeão do Troféu Brasil de Saltos Ornamentais.

No Futsal o Vasco foi Bicampeão Estadual e Municipal e no Handebol Hexacampeão Carioca.

No Judô, Taekwondo e Karatê o Vasco foi Bicampeão Carioca e no Vale-Tudo, com Wanderlei Silva, venceu o Pride 13 e o Pride 14.

No Tênis, com Joana Cortez, representando-o, o Vasco conquistou o Campeonato Brasileiro e Carioca, além de dois torneios internacionais de duplas ITF, na Colômbia e no México. No Tênis de Mesa o clube foi Tetracampeão Carioca Masculino e Feminino.

Na Vela o Vasco foi Bicampeão Mundial e Brasileiro na classe Laser e Campeão Brasileiro na classe Star, no Hipismo, através de Rodrigo Pessoa, montando Baloubet du Roet, foi Campeão do Grand Prix de Milão (Itália) e no Bodyboarding, com Guilherme Tâmega chegou ao título mundial, o quinto da carreira do atleta.

No Vôlei de Praia, com a dupla Adriana Behar e Shelda representando-o, foi Tricampeão do Circuito Mundial, Campeão da Copa do Mundo e Tricampeão do Circuito Banco do Brasil.

Em 2002, o Vasco encerrou a compra dos imóveis que faltavam para o complexo de São Januário. No mesmo ano o clube passou a alugar o Vasco-Barra (em janeiro), após o Flamengo ter sido despejado de lá em agosto de 2000. O clube ainda se manteve conquistando títulos em vários esportes.

No futebol de base houve a conquista da Copa Rio SUB 17. Dela participaram Bahia, Palmeiras, Atlético-MG (os dois últimos vencidos pelo Vasco no mata-mata), entre outros clubes, além do Bicampeonato Carioca no Sub-13. Nos demais esportes o Vasco foi Campeão da Liga Sul-Americana de Basquete Feminino; Pentacampeão Carioca e Brasileiro de Remo, conquistando, ainda cinco medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano; no Vôlei de Praia, através da dupla Adriana Behar e Shelda, conquistou o Teracampeonato do Circuito Brasileiro Banco do Brasil Feminino; foi Tetracampeão Carioca Masculino e Feminino no Atletismo; obteve duas medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano de Natação; foi Tricampeão Carioca de Karatê; Pentacampeão Carioca Masculino de Tênis de Mesa, além de campeão no Tênis, com Joana Cortez, de um Torneio ITF em duplas (Torneio de Mallorca-ESP) e, com Guilherme Tâmega, Hexacampeão Mundial de Bodyboard, com o atleta usando o símbolo do Vasco na prancha, por gratidão e paixão pelo clube que o patrocinou em 2000, quando foi Hexacampeão Nacional.

Entre agosto de 2002 e o início de 2003 foi montado o time Campeão da Taça Guanabara, Taça Rio e do Campeonato Carioca daquele ano. No ano seguinte o clube conquistou o Bi da Taça Rio (2º turno), derrotando na decisão o Fluminense de Ramon Menezes, Roger, Edmundo e Romário, por 2 x 1. Houve falta de títulos na sequência e nenhuma comemoração, praxe no Vasco desde os anos 1920, quando se tornou grande no futebol, por vices ou semifinais alcançados. Na base, títulos cariocas, em nível interestadual e internacional foram conquistados no Sub11 (2), Sub13 (2), Sub15 (2) e Sub17 (entre 2003 e 2007).

Conquistas em outros esportes foram obtidas em 2003: Basquete Feminino (Campeão Carioca); Atletismo (Pentacampeão Carioca Masculino, mais duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, uma de ouro e outra de bronze); Karatê (Tetracampeão Carioca); Tênis (medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, com Joana Cortez e mais três conquistas dela em torneios internacionais ITF de duplas, no México, EUA e Itália); Tênis de Mesa (Hexacampeão Carioca Masculino), Vôlei de Praia (Pentacampeão do Circuito Brasileiro Feminino Banco do Brasil), além de três medalhas de prata e duas de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, obtidas por remadores ligados ao Vasco.

Renato Carvalho, representando o Vasco, iniciaria uma série de conquistas individuais no Judô, desde Campeonatos Cariocas, Estaduais, Interestaduais, Brasileiros e Sul-Americanos, de 2003 a 2008, a tenista Joana Cortez ainda conquistaria, entre 2004 e 2005 mais seis torneios ITF de Duplas, três em Portugal, dois no Brasil e um na Itália, a dupla Adriana Behar e Shelda ganharia a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, além de obter o Circuito Mundial Feminino e o Hexacampeonato do Circuito Banco do Brasil no mesmo ano. Foram conquistadas quatro medalhas de ouro nos Jogos Sul-Americanos de Atletismo, Remo e Karatê (duas), em 2006, por atletas vascaínos e, também por eles, mais uma medalha de ouro, duas de prata e três de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, além de títulos estaduais e brasileiros no Remo, muito forte até 2008. Vale lembrar que outros esportes não olímpicos foram continuados pelo clube, ou iniciados no período anterior à troca de gestão no Vasco, ocorrida em 2008. Houve, também, a preocupação com os esportes Paralímpicos, desde o apoio a eles dado em 2000, vide as duas medalhas de ouro e uma de prata obtidas por Mauro Brasil na Natação, nos Jogos Parapan-Americanos do Rio em 2007, posteriores às conquistas de dois ouros, em 2005 e duas pratas, em 2006, em campeonatos mundiais dos respectivos anos.


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“O Vasco passou a brigar contra o rebaixamento.

Vieram a queda de público, crise políticas e problemas administrativos.

Em 2004, o balanço do clube foi considerado como o menos transparente entre 18 da Série A.”

Na imagem, mais abaixo, surge matéria do UOL, de 14/07/2005, que trata do balanço patrimonial do Vasco, do ano de 2004, citando o CRC (Conselho Nacional de Contabilidade) como sustentáculo da informação. O título da matéria e seu teor, tal qual foi publicado no Instagram, faz uma associação livre entre a opinião do CRC e a sua própria. Ei-lo: “Futebol do Vasco vê o fundo do poço perto”.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, entre 2001 e 2008, até a troca de gestão, jamais esteve na zona de rebaixamento no returno do Campeonato Brasileiro (que se iniciou em 2003 neste formato). 

No ano de 2002 (ainda no modelo sem returno) o Vasco esteve uma rodada na zona de rebaixamento. 

Entre 2001 e 2002 o Flamengo se salvou do descenso na última rodada (em 2001) e figurou várias rodadas no Z4 em 2002, ano no qual o Botafogo caiu, tal como o Palmeiras, salvando-se o Internacional-RS na última rodada. 

No ano seguinte (2003), o Fluminense (que ficou oito rodadas na zona de rebaixamento) teve chances de cair até a última do campeonato.

Entre 2004 e 2005 o Vasco esteve, no primeiro ano, três rodadas na zona de rebaixamento (entre a 3ª e a 5ª do turno). Na mesma competição o Flamengo figurou na zona rebaixamento em 24 rodadas e o Botafogo (que havia subido em 2003) em 33 rodadas. Em 2004 outro grande clube brasileiro caiu, no caso o Grêmio.

Em 2005 o Vasco esteve nove rodadas na zona de rebaixamento, todas no turno. Considerando os jogos posteriormente anulados e disputados novamente, bem como seus resultados, o Vasco teria ficado apenas duas rodadas na zona de rebaixamento (12ª e 15ª rodadas). Na mesma competição o Flamengo figurou na zona de rebaixamento por 15 rodadas, a última delas a 37ª (naquele ano o campeonato foi disputado por 22 equipes). Nessa edição outro grande foi rebaixado: o Atlético-MG.

Quando da troca de gestão no Vasco (01/07/2008), o clube não figurava no Z4 havia 108 rodadas e jamais entrara nele quando a competição passou a ter 20 clubes. Em 2006 o clube esteve na zona da Libertadores em nove rodadas, em 2007 em 19 rodadas e até haver a troca de gestão, em 2008 (oito rodadas disputadas até ali), numa rodada. O Vasco foi deixado em nono lugar na competição.

No mesmo período, até a troca de gestão, em 30/06/2008, o Flamengo esteve seis vezes na zona de rebaixamento em 2006 e uma em 2007, o Botafogo sete rodadas em 2006 e o Fluminense em cinco das oito primeiras no ano de 2008. Em 2007 outro grande caiu: o Corinthians.

Ou seja, até a troca de gestão, em junho de 2008, desconsiderando os anos de 2001 e 2002, quando o Flamengo quase caiu (por duas vezes) e o Botafogo efetivamente caiu (em 2002), O Vasco, entre 2003 e 2008, esteve 12 rodadas na zona de rebaixamento (que viriam a ser cinco, considerando a anulação dos jogos no Campeonato Brasileiro, apitados por Edilson Pereira de Carvalho em 2005), enquanto o Flamengo esteve 46 rodadas na zona de rebaixamento, o Botafogo em 41 rodadas e o Fluminense em 13 rodadas.

No ano de 2005, no pior do momento do clube, em plena zona de rebaixamento, o Vasco tinha a sétima maior média de público do Campeonato Brasileiro, disputado, então, por 22 equipes. 

Se houve uma insana sede de poder por parte da oposição, desqualificando o clube e se unindo à parte da imprensa para atacá-lo, isso não é crise política e sim uma espécie de sabotagem ao próprio clube. São coisas diferentes. 

Em 2005 o CRC tinha em seus quadros, destacadamente, o futuro Vice de Finanças do clube, que era oposição a Eurico Miranda e fazia parte do MUV (Movimento Unido Vascaíno). Suas críticas eram encaradas pela direção do Vasco, como sendo motivadas por razões políticas. Em sua gestão teve três balanços reprovados pelo Conselho Fiscal do clube (2009, 2010 e 2011). O último deles, inclusive, suscitou a sua saída da função que exercia, em setembro de 2012. Viria, ainda, pedir demissão do cargo eleito, segundo vice-presidente do clube, em dezembro do mesmo ano. O balanço patrimonial de 2011 seria republicado sob a responsabilidade de um novo Vice de Finanças, posteriormente, no início de 2013. Um ex-companheiro de MUV, também oposição a Eurico Miranda (independentemente da declaração a seguir), afirmou para a coluna De Prima do jornal Lance, em outubro de 2012, o seguinte: “Se esse balanço de 2011 tivesse sido apresentado na época do Eurico, já estariam pedindo a prisão dele”.

Sobre a matéria do UOL, que fala do futebol do Vasco no fundo do poço, fazendo correlação com a crítica a respeito do balanço, de autoria do CRC, mais parece uma tentativa de querer comparar bananas com maçãs. Se um balanço (alegadamente) intransparente do ano anterior traz resultados ruins em campo no ano seguinte (quando aquele é discutido pelo público em geral), o que dizer do balanço de 2010, reprovado pelo Conselho Fiscal e a conquista da Copa do Brasil por parte do Vasco em 2011?

De qualquer maneira, a fase péssima no futebol passou e o Vasco terminou o Campeonato Brasileiro de 2005 classificado à Copa Sul-Americana daquele ano, aliás, como já dito acima, o último no qual o clube frequentou o Z4 até a saída de Eurico Miranda em 30/06/2008. Por outro lado isso vem demonstrar o tamanho do Vasco à época. O fundo do poço do futebol do Vasco traduzia-se em 12 rodadas na zona de rebaixamento, no somatório daqueles dois últimos anos, enquanto seu principal rival, o Flamengo, não estava no fundo do poço no futebol, apesar de acumular, ao fim da competição de 2005, 39 rodadas (mais que o triplo, se comparado ao Vasco) no Z4 ao longo do mesmo período.


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“Nesse meio tempo foram rebaixados quatro vezes.

Até que em 2022 o clube aprova a transformação em SAF (Sociedade Anônima).

Vende 70% das ações para 777 partners.

Com o acordo de R$1,4 bilhão em investimentos e pagamento de dívidas antigas.”

ELUCIDAÇÕES:

Nesse meio tempo, antes de o MUV entrar no clube, fato ocorrido em 01/07/2008,, o Vasco não foi rebaixado vez alguma, mas o foi duas vezes na gestão subsequente (no campo) e, também, nos recebimentos de cotas de TV.

O pulo para 2022 pode até ser conveniente para a narrativa que se pretende, mas não faz sentido algum.

Após a troca de gestão, ocorrida em 01/07/2008, até seu fim, em dezembro de 2014, o Vasco teve quase triplicada a sua dívida real e quase duplicada aquela que jogou no balanço. Esta, por sinal, chamou a atenção em dois pontos:

a) Imobilizado

Foi reduzido no ativo permanente o imobilizado do Vasco em 12,657M, no balanço de 2008 (contado a partir de 01/07/2008), elaborado pela gestão sucessora. Curiosamente, nos dois balanços subsequentes, referentes a 2009 e 2010, o valor do imobilizado cresceu 8,914M no 1º ano e 11,192M no 2º ano, totalizando 20,106 milhões no somatório dos dois anos. Vale lembrar que a obra relevante feita por aquela gestão no complexo de São Januário foi inaugurada em dezembro de 2011, após seis meses de seu início, que contemplou a construção de uma Mega-Loja e algumas salas mais abaixo dela.

b) Reservas para Contingências:

O Vasco pôs em seu balanço, na conta “Provisão de Contingências”, R$103,882 milhões em 2008. Essa conta diz respeito a ações que o clube respondia na Justiça, consideradas as que o Vasco perderia, ou provavemente perderia, ou possivelmente perderia, ou remotamente perderia. Até 2007 o clube não considerava esse item em seu balanço patrimonial.

Vale ressaltar que o Flamengo, com uma dívida fiscal, que fora consolidada em 180 milhões de reais para o ingresso do clube na Timemania em 2008 (o dobro da do Vasco) e com centenas de ações trabalhistas a mais que o Vasco contra si, pôs em reservas para contingências (no mesmo exercício em que o Vasco destacou 103,882 milhões de reais no item) o valor de R$7,592 milhões, modificado próximo às eleições na Gávea pela Comissão Permanente de Finanças de seu Conselho Deliberativo, em novembro de 2009, para 36,498 milhões.

Passado esse período, Eurico Miranda retornou ao clube e o geriu no triênio 2015 a 2017.

Quando chegou no Vasco, além da dívida real do clube praticamente triplicada, este tinha dois anos de antecipação das cotas de TV, receita com o quadro de sócios antecipada, receita com produtos licenciados antecipada, dois meses de salários atrasados, mais décimo terceiro, fora direito de imagens a pagar.

Havia, ainda, dívida de dez milhões de reais com a CEDAE (o Vasco nada devia até a saída dele Eurico, em 2008) e dívida até mesmo com caminhão pipa.

Fora isso, várias ações contra o clube que haviam chegado à FIFA (todas da gestão anterior), base alocada em Itaguaí, patrimônio abandonado, São Januário com capacidade para 15.311 pessoas, toneladas e mais toneladas de lixo a céu aberto no complexo de São Januário, hotel concentração, construído em 2003 para os profissionais, largado, parque aquático sob tapumes, ginásio abandonado, alojamento da base sem condições de uso, vindo do 3º lugar da 2ª divisão, sem ter liderado a competição em rodada alguma, com um histórico naqueles seis anos e cinco meses de 03 vitórias contra o Flamengo e 10 derrotas, além de uma até então inimaginável freguesia diante do Botafogo (06 x 09).

Nesse período, entre 2015 e 2017, com Eurico Miranda presidindo o clube, o Vasco suplantou todos os três grandes do Rio no confronto direto (5 x 3, 6 x 4 e 6 x 1), ganhou mais títulos e taças oficiais que todos os três (JUNTOS), conquistou dois títulos (um invicto), aliás os dois últimos do Vasco até aqui, eliminou pela primeira vez na história o Flamengo de três campeonatos consecutivos (no confronto direto), conquistando dois deles, venceu todas as finais que disputou e foi deixado na Taça Libertadores, pela última vez, até 2025. 

Destaque-se, ainda, o trabalho junto à base, antes alocada em Itaguaí, fora a recuperação do patrimônio (reforma do alojamento da base, reforma e utilização novamente do ginásio e do Parque Aquático), criação do CAPRRES, CAPRRES Olímpico e CAPRRES da base, construção de um campo anexo, elevação em mais de 40% da capacidade de público em São Januário (considerando a que encontrou), melhorias nas outras sedes, clássicos jogados dentro de sua casa, novamente, em Campeonato Carioca e Brasileiro (3 vitórias, 1 empate e 1 derrota), obtenção de certidões fiscais positivas com efeito de negativas (pela última vez até aqui e sem entrada em Recuperação Judicial, ocorrida, recentemente), de verbas da CBC em função disso, de novos títulos no Basquete, ressuscitado praticamente (Liga Ouro, Super Four, Copa Avianca) e em outros esportes, novos títulos na base (Campeão no Sub 17 após oito anos, no Sub 20 após sete anos, duas vezes no Sub 11, com Rayan), o primeiro atleta vascaíno olímpico, medalhista de ouro no futebol (Luan), efetivação da maior venda de um atleta de base no século, Douglas Luiz, e uma joia (Paulinho) deixada para a gestão seguinte negociá-la, em menos de 90 dias, por 56,6 milhões líquidos (11 milhões recebidos previamente na primeira semana após assumir). 

Por fim, a dívida do Vasco foi reduzida (sem o clube entrar em Recuperação Judicial, mas apenas por competência administrativa) de 690 para 589 milhões, segundo decisão final do Conselho Deliberativo, após o grupo de finanças da gestão sucessora ter entendido que a dívida fora diminuída de 690 para 645 milhões de reais.

Por outro lado, o clube foi assumido com uma receita anual de 129 milhões de reais e deixado com 192 milhões nesse item, após o fim do triênio. Passados quatro anos a receita anual do Vasco, apresentada no balanço de 2021, foi seis milhões menor que a apresentada em 2017. 

Se em 2001, após a disputa de 13 das 27 rodadas previstas na primeira fase do Campeonato Brasileiro, Eurico Miranda, a 29/09, afirmou que tudo seria feito para impedir a chegada do Vasco às finais da competição, comprovando-se isso ao longo de quatro dos últimos 14 jogos da equipe, nos quais, de forma flagrante, prejuízos se deram contra São Caetano, em São Januário, Fluminense, Portuguesa de Desportos, no Canindé, e Atlético-MG, em Belo Horizonte, perdendo o Vasco dez pontos nos quatro jogos, dois deles em que perdeu, quando, sem prejuízos de arbitragem, venceria, no ano de 2015, durante a disputa do Campeonato Brasileiro, notadamente no returno da competição, Eurico Miranda, novamente presidindo o Vasco, denunciou um suposto esquema de favorecimento aos clubes de Santa Catarina (que eram quatro naquela edição). A questão chegou ao STJD, ocasião na qual Eurico Miranda ratificou sua insatisfação, foi apenas advertido e se concluiu, por parte do tribunal, que deveria haver averiguações sobre o tema.

Naquele ano, o Vasco, que já havia experimentado “pequeno” prejuízo de arbitragem no turno, três pontos, nos jogos contra o Internacional-RS em São Januário e Sport-PE, em Recife, teria no returno um volume de erros de arbitragem em lances capitais jamais visto na história dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro (o que com o VAR, a partir de 2019, deve tornar a marca de 2015 inalcançável). Foram 11 pontos tirados do clube, via arbitragem, nas últimas 16 rodadas, em jogos contra o Atlético-MG, no Maracanã, Cruzeiro, em Belo Horizonte, Avaí, em Santa Catarina, Chapecoense, no Maracanã, São Paulo, no Morumbi e Coritiba, em Curitiba.

Não era novidade para o Vasco prejuízos em momentos decisivos, pois desde 1986 – quando Eurico Miranda assumiu a Vice-Presidência de Futebol (ele teria cargo eleito na direção do clube apenas em 1992) – com o escândalo das papeletas amarelas (denúncias de dentro do Flamengo de que o clube supostamente subornara árbitros para obter o título de Campeão Carioca), os prejuízos flagrantes ao Vasco foram empilhados, tirando do clube o próprio Campeonato Carioca de 1986, a classificação à final no Campeonato Brasileiro de 1992, o título invicto no Campeonato Carioca de 1994 (embora o Vasco tenha sido campeão), a classificação aos play-offs no Campeonato Brasileiro de 1998, o título carioca de 1999, a classificação às semifinais do Campeonato Brasileiro de 1999, o Mundial Interclubes de 2000, o Campeonato Carioca de 2001, a classificação aos play-offs da Copa Mercosul em 2001, a classificação às semifinais do Torneio Rio-São Paulo em 2002, a classificação aos play-offs do Campeonato Brasileiro de 2002, a possível classificação às semifinais da Copa do Brasil de 2003 (com arbitragem correta a vaga seria disputada nos pênaltis), a classificação à decisão da Copa do Brasil de 2008, a classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil em 2016, além dos flagrantes prejuízos de arbitragem no Campeonato Brasileiro de 2011 e a perda do título carioca de 2014, noutra gestão, ocasiões nas quais o Vasco foi vice. Ressalte-se, ainda, o ocorrido no Campeonato Brasileiro de 2020, quando foi pela última vez o Vasco rebaixado, primordialmente por um erro de direito, visto na derrota para o Internacional-RS, em São Januário, quando sem VAR e sem aviso ao árbitro, a cabine definiu em desfavor dos anfitriões um lance capital do jogo.

Para fechar, em 2017 o Vasco foi prejudicado no Campeonato Brasileiro em seis pontos (de sétimo lugar, classificado à Libertadores, teria ficado em terceiro). Na ocasião o Vasco tomou quatro gols irregulares (Bahia e Atlético-MG no turno, Corinthians e Avaí no returno), teve oito pênaltis contra si marcados, apenas um pênalti assinalado em seu favor (na última rodada das 38 previstas) e cinco não marcados, que existiram (Corinthians, Atlético-GO, Flamengo e Santos no turno, Coritiba no returno), fora outros discutíveis. Os seis pontos de prejuízo, em lances capitais, que tiraram pontos do Vasco, se deram frente a Flamengo (1 ponto) e Santos (2 pontos) no turno, Corinthians (1 ponto) e Coritiba (2 pontos) no returno.

Voltando a 2015, ressalte-se que a resposta dada pelo Vasco, diante do maior prejuízo sofrido por um clube na história dos Campeonatos Brasileiros (14 pontos) foi ficar sete meses sem perder, de 08/11/2015 a 07/06/2016 (curiosamente dia do aniversário de Eurico Miranda), batendo seu recorde pessoal de partidas oficiais invictas, superando, ainda as melhores marcas de Atlético-MG, Flamengo, Internacional-RS e Palmeiras no quesito. Nesse período o clube conquistou, em 2016, seu sexto bicampeonato carioca invicto (que não obtinha havia 23 anos) e, de forma invicta (não conseguia um título invicto carioca havia 24 anos), na ocasião em que mais clássicos disputou (oito), comparando-se às demais conquistas sem derrota alcançadas pelo clube, através dos tempos.

O acúmulo de prejuízos de arbitragem ao Vasco na era dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro, no período Pré-VAR se evidenciou nos anos de 2003 (8 pontos), 2004 (6 pontos), 2005 (5 pontos), 2006 (7 pontos), 2011 (7 pontos), 2012 (4 pontos), 2015 e 2017 (os dois últimos já citados). Com isso, o Vasco deixou de ir à Libertadores em 2007 e 2013. Em outros anos, como os prejuízos e benefícios de arbitragem foram poucos ou se anularam, não serão citados. A única ocasião em que os benefícios maiores que prejuízos se evidenciaram a favor do Vasco nos Campeonatos Brasileiros de pontos corridos Pré-VAR ocorreu em 2010 (5 pontos).

Deixa-se aqui de se considerar prejuízos reclamados pelos torcedores nos jogos de mata-mata, referentes ao Campeonato Carioca de 2000 e Copa do Brasil de 2009 (semifinal), pois embora o Vasco, de fato, tenha sido prejudicado num dois dois confrontos decisivos (ou em ambos), a diferença numérica de placar ou a compensação de erro no outro confronto impedem que sejam listados. Por outro lado, a crítica em relação à demora do tira-teima em 2012, nas quartas-de-final da Taça Libertadores contra o Corinthians, primeiro jogo, deve ser registrada, independentemente de, posteriormente, tanto Rede Globo, como a FOX, transmissoras da partida realizada em São Januário (0 x 0), tenham dado como veredicto o impedimento de Alecsandro, autor do gol, na ocasião.

Finalmente, sobre títulos que possam ser contestados por erros em favor do Vasco, existem dois no período: o da Taça Guanabara de 2003, em virtude de um gol mal anulado do Flamengo, três minutos antes de a equipe rubro-negra empatar a partida (o resultado de 1 x 1 deu o título ao Vasco) e o da Copa do Brasil de 2011, no Paraná, diante do Coritiba, em função de um pênalti supostamente cometido por Dedé sobre o atacante Leonardo (quando o placar era de 3 x 2 em favor dos anfitriões), entendido como tal por muitos, mas questionado pelo árbitro Sálvio Spínola, que apitou a partida e mesmo anos depois permaneceu defendendo ter sido correta a sua avaliação de deixar o jogo seguir, na derrota do Vasco para o Coritiba (2 x 3), que, mesmo assim deu o título ao clube, em função da vitória no jogo de ida (1 x 0).

Antes de 1986, em vários momentos decisivos, nas mais variadas competições, o Vasco também experimentou prejuízos dos mais diversos, via arbitragem, mas aqui se faz um recorte, apenas, dos últimos 40 anos.

O Vasco, na prática, foi entregue a terceiros, em 2022, por 700 milhões de reais, enquanto a dívida já existente poderia ser paga com os próprios ativos do clube, ao longo do tempo. Na ocasião da venda, o Vasco estava no RCE (dívidas equacionadas cíveis e trabalhistas) e no Profut (parcelamento de dívidas fiscais). 


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“Com o (sic) SAF sendo controlada pela 777, o Vasco passa 24 de 38 rodadas na zona de rebaixamento.

Isso com uma campanha fraca e muita contestação ao projeto pelo torcedor.

Até que, em 2024, o clube vai à Justiça e suspende o contrato com a 777 – com a prova de que apenas 31% do capital prometido foi investido.

E a história se repete novamente…”

Para alicerçar o que está dito é publicada parte de uma matéria do GE, meramente informativa.”

ELUCIDAÇÕES:

A mudança de associação para SAF e de controle, saindo este do Vasco para um comprador, deu no que deu. 

O clube conseguiu na Justiça algo, que se não obtivesse, manteria a caixa preta da SAF sem abertura, porque quando se entrega o clube, tanto a transparência, como ações do dono dependem de sua vontade e dos conselhos da própria empresa, controlados, em maioria, pelo novo dono, ficando o clube à mercê disso.


Imagem 15

– Hoje o Vasco carrega uma dívida de R$1 bilhão.

– Busca um novo investidor para assumir a SAF

– Está em processo de recuperação judicial

– Passa por mudança constante do elenco

– Não disputou nenhum título nos últimos anos.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, de 2018 a 2024 elevou sua dívida em quase um bilhão de reais.

A busca não é por um novo investidor e sim de outro dono, o que não faz sentido algum, considerando o aumento de receitas do clube entre 2021 e 2025, que triplicou por quatro fatores básicos: novos contratos de TV, crescimento do valor de vendas de atletas para o exterior, investimento pesado das casas de apostas nos clubes para propagandearem suas marcas e aumento considerável das premiações pagas pelos organizadores das competições, por performance esportiva. 

Afora isso, a Recuperação Judicial (desnecessária) constituiu-se num calote legal de percentuais de débito do clube com cerca de 500 credores, reduzindo o montante a pagar na ordem de mais ou menos 300 milhões de reais.

Em 2026, considerando a venda de Rayan e o contrato com a Nike, a receita aumentará em ao menos 25% do valor de 2025, que chegou a aproximadamente 600 milhões.

Com o Potencial Construtivo e a responsabilidade de se fazer uma obra em 2027, que seja, no limite do valor líquido a ser recebido, na ordem de 450 milhões, por alto (valor dado para o clube), aumenta-se para dois ou três anos depois a possibilidade de arrecadação de bilheteria a maior, sem contar jogos eventuais no Maracanã. 

Ao mesmo tempo, o clube tem, ainda, a oportunidade de nova receita, com os naming rights do estádio e em 2029 um novo contrato de TV será negociado.

A Vasco SAF pode ter parceiros, investidores, mas não ser entregue a terceiros, com quem quer que seja (que não o Club de Regatas Vasco da Gama) tendo o controle acionário.

O que se propagandeou, desde o fim de dezembro de 2025, foi a perda do controle acionário a troco de um investimento por x tempo. 

Especula-se hoje dois bilhões de reais de investimento. Por outro lado, um comprador dizer que vai assumir a dívida não é nada complexo, pois a garantia da receita anual da instituição já existe para pagá-la, ao longo dos anos.

Sobre nenhum campeonato ganho há dez anos, é um recorde na história do Vasco e isso se deu num período em que a dívida do Vasco cresceu em quase 1 bilhão de reais.

Qual a lição disso tudo?


Imagem 16

“Ter recursos não é suficiente se você não souber administrá-los.
Isso serve tanto para vida, negócios ou investimentos.
O maior contrato do futebol brasileiro virou um dos maiores desastres justamente por isso.”

ELUCIDAÇÕES:

Contar a história de maneira equivocada, contendo inverdades ou más informações, leva a que a continuidade dela se dê torta e errática. 

As consequências de discursos disformes ao histórico são os resultados, que batem no torcedor e transformam o Vasco num clube de menor cobrança, resignado, e que começa a internamente comemorar até mesmo vice-campeonato, num ano em que venceu 23 partidas e perdeu 28, pior resultado no século, na proporção disso, o que ocorreu em 2025.

A história ensina. Aprende quem a considera. A distorção, consciente ou inconsciente dela, faz com que o Vasco se comporte institucionalmente, através de seus coitados dirigentes, como se desaprendesse sua essência.

Sérgio Frias

Nós vamos voltar a sorrir

Está doendo. Dói de um jeito que não cabe no corpo. Dói na garganta, no peito, na memória. Dói porque acreditamos. Porque sonhamos. Porque, por alguns instantes, vimos o futuro se abrindo diante de nós. E ele se fechou de forma brutal.

O que vivemos no Maracanã não foi apenas uma derrota. Foi um luto coletivo. Foi o silêncio depois do apito final. Foi o choro contido, depois solto. Foi a sensação de ter perdido alguém que faz parte da nossa vida. Alguém da família. Porque o Vasco é isso. Não é um clube apenas. É vínculo, é herança, é identidade, é amor que atravessa gerações e ignora qualquer lógica.

Essa dor não é sinal de fraqueza. Ela é a prova do amor. Só sofre assim quem ama de verdade. Só sente esse vazio quem colocou o Vasco acima de muitas coisas, acima de outros afetos, acima da razão. E nós colocamos. Sempre colocamos.

A noite de domingo ficará marcada para sempre. Talvez como a maior dor que um vascaíno já sentiu. Não apenas pela derrota em si, mas pelo que ela representava. A possibilidade de um título. A chance de uma virada histórica. A sensação de que, finalmente, o caminho estava mudando. Que o peso dos últimos anos estava prestes a ser deixado para trás. Que um portal, tantas vezes fechado, começava a se abrir para a grandeza que sempre foi nossa.

Mas a nossa história nunca foi feita apenas de glórias. Ela também é feita de quedas. De tropeços. De injustiças. De erros. E, paradoxalmente, foi justamente isso que fez o vascaíno amar ainda mais esse clube. Um amor que não se explica, que não se mede, que não se abandona.A derrota de ontem bateu no teto da dor. Foi frustrante. Foi decepcionante. Foi cruel. O torcedor chegou ao limite. Mas a história não termina ali. Ela nunca termina ali.

Agora é o momento mais difícil. É o momento de juntar os cacos. De engolir o choro. De aceitar o luto. De sentir a revolta. De cobrar. De xingar o mundo, se for preciso. Porque dói demais. Porque a expectativa foi gigante e o retorno não veio. Hoje é como o dia seguinte ao enterro. Tudo parece sem cor, sem sentido, sem chão.Mas, mesmo assim, existe algo que não morreu. A certeza.

Não é só esperança. É convicção.Nós vamos voltar.Voltaremos porque a nossa história exige isso. Voltaremos porque um clube que atravessou oceanos, preconceitos, títulos, tragédias e reconstruções não se perde em uma noite, por mais dolorosa que ela seja. Voltaremos porque o Vasco é maior do que os erros, maior do que as derrotas, maior do que qualquer fase.

Um dia, essa ferida ainda aberta será cicatriz. Um dia, vamos lembrar da noite de 21 de dezembro de 2025 e dizer que doeu, mas que valeu a pena continuar. Valeu o choro. Valeu o luto. Valeu o amadurecimento. Valeu não desistir.Hoje é dia de sofrer. Amanhã será dia de resistir. E, mais à frente, será dia de celebrar.

Depois da tempestade, depois desse mar revolto, o Vasco vai se reerguer. E nós estaremos aqui, como sempre estivemos. Firmes. Machucados. Mas leais.Nós vamos voltar a escrever páginas de glória.

Nós vamos voltar a vencer.Nós vamos voltar a ser grandes.Porque o Vasco não morre.E o vascaíno sofre, mas nunca abandona.Nós vamos voltar a sorrir!

Autor: Tiago Scaffo e a Imensa Torcida Vascaína

Das Tempestades ao Porto da Glória

Há 30 anos, eu ainda não sabia quem eu era, nem o tamanho do amor que caberia dentro do meu peito. Eu era apenas uma criança, caminhando sem mapa, sem rota, sem porto seguro. Foi então que eu te vivi, Vasco, e desde aquele instante passei a atravessar mares ao teu lado. Vivi alegrias que iluminaram dias, dores que me ensinaram a resistir, esperas que me moldaram a alma, quedas que me fortaleceram as pernas. Dizem que o amor pelo Vasco não mudou. Mudou, sim. Cresceu como crescem as coisas eternas, no silêncio, na luta, na persistência. Hoje ele é maior, mais consciente, mais profundo, mais indestrutível do que jamais foi.

Agora faltam apenas dois jogos. E acreditar nunca foi escolha, sempre foi destino. Acreditar é o nosso idioma, a nossa herança, a nossa forma de existir. Porque, se Vasco da Gama não tivesse desafiado o Cabo da Boa Esperança, o mundo não teria se aberto em novas rotas. Não carregamos apenas um nome, carregamos a coragem de quem enfrenta o desconhecido e segue em frente.

O que pulsa hoje no coração vascaíno é resposta. Uma resposta escrita com suor, com fé, com memória. Resposta a quem tentou nos diminuir, a quem ousou nos chamar de pequenos, a quem quis apagar nossa grandeza com palavras vazias. Tentaram nos igualar ao que nunca fomos, tentaram rebaixar nossa história ao nível do comum. Mas o Vasco não é comum. O Vasco construiu. O Vasco conquistou. O Vasco deixou marcas que o tempo não apaga.

O Vasco é mais do que um clube grande. É origem, é valor, é causa. É um celeiro de ídolos que não cabem em listas curtas, ídolos que atravessam gerações como faróis acesos no nevoeiro. Ontem, o vascaíno viveu uma noite que não cabe no calendário. Houve um momento em que tudo silenciou, e só restou a fé. E ninguém conhece melhor a fé do que aquele que aprendeu a acreditar quando o mundo inteiro já havia desistido.

O Vasco tem uma sede. Uma sede que não se contenta com títulos apenas. Ela vive em São Januário, mas mora, sobretudo, dentro de cada vascaíno. É chama que não se apaga, raiz que não se arranca, voz que não se cala. O verdadeiro vascaíno não abandona. Não negocia. Não esquece. Porque o Vasco não é circunstância, é identidade. Foi forjado na dificuldade, moldado na adversidade, lapidado na dor. Nada nunca foi simples, e por isso mesmo, tudo o que ele conquista carrega peso, verdade e grandeza.

E ainda assim, ou exatamente por isso, o Vasco sempre segue. Nossa história é feita de glórias e tempestades, de vitórias e noites longas. Nunca prometeram mares calmos, mas sim a certeza da travessia. O Vasco é um almirante histórico, e quem carrega esse nome aprende a enfrentar o vento, a onda, o escuro. Mas aprende, sobretudo, a chegar.

O barco balança. A caravela range. O oceano testa a coragem. As adversidades se acumulam como nuvens pesadas. Mas há uma certeza que atravessa tudo, nós vamos superar. Vamos vencer. Vamos alcançar o destino. E o nosso destino sempre foi a glória.

Em algum ponto do universo, esse caminho já está traçado. Porque ninguém apequena o que nasceu gigante. Ninguém apaga o que foi escrito com coragem. O Vasco nasceu grande pela sua história, pelas suas conquistas, pelas lutas que escolheu travar, pela forma como encara cada batalha, pela maneira como se reconstrói quando tentam derrubá-lo.

O Vasco da Gama é um colosso. Não é apenas esporte, é humanidade. É gesto, é posição, é legado. Contribuiu para o futebol, para a sociedade, para a dignidade. E isso não se apaga. E como diz a brilhante frase: “Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal”.

A vitória de ontem não foi apenas um placar. Foi um sinal. Um aviso. Mostra que o tempo não vence quem sabe esperar, que a dor não derrota quem sabe resistir. Mesmo que leve quatorze anos, nós voltamos. Sempre voltamos.

Pode vir o mar que for. A caravela pode balançar, mas não afunda. Ele segue. E quando enfim tocarmos o Porto da Glória, vamos comemorar como só nós sabemos, intensos, apaixonados, vivos demais. Porque ninguém ama como o vascaíno ama o Vasco.

Saudações Vascaínas!
Seremos campeões! 💢🏆

COMENTAR E COMANDAR: EIS A DIFERENÇA!

O que se viu na última noite em São Januário não foi apenas mais um jogo de futebol. Foi a prova escancarada da diferença entre quem fala sobre o jogo e quem carrega nas costas a responsabilidade de comandar um clube como o Vasco da Gama. Não é papel para covardes, nem para burocratas de gabinete. É função para quem entende que o Vasco não é só bola rolando: é história, é povo, é arquibancada que não aceita silêncio diante de injustiça.

Pedrinho, comentarista de sofá durante anos, viveu ontem a pancada da realidade. No estúdio, o ar-condicionado refresca, a poltrona é macia, e criticar dirigente é moleza. Na beira do campo, com o coração da torcida pulsando, a cobrança é diferente. Eurico Miranda, que tanto foi criticado por Pedrinho em seus tempos de microfone, sabia disso melhor do que ninguém: ser presidente do Vasco não é fazer análise fria, é viver em guerra constante.

E a guerra foi declarada. O árbitro João Vitor Gobi fez vista grossa para entradas criminosas em Philippe Coutinho e Puma Rodríguez. Lances de expulsão claríssimos viraram apenas faltas. O Bahia teve um expulso? Sim. Mas e os outros? A cada dividida ignorada, crescia o risco de ver o Vasco perder seus principais jogadores por semanas, talvez meses. E aí? Quem paga essa conta? A torcida? O técnico? Não. Quem paga é o clube inteiro, que vê sua temporada comprometida.

Foi nesse cenário que Pedrinho explodiu. Partiu para cima do árbitro no intervalo, teve de ser contido por seguranças e policiais e acabou relatado na súmula por ofensas. Para alguns, descontrole. Para a arquibancada, finalmente um sinal de vida. O presidente deixou de lado o verniz de comentarista e mostrou que, sim, sente o que a torcida sente.

E aqui não tem como fugir: Eurico, com todos os seus excessos, nunca deixou o Vasco ser pisado sem resposta. Berrava, peitava, brigava com a CBF, com a imprensa, com quem fosse preciso. Podia ser exagerado? Sem dúvida. Mas omisso, nunca. E o vascaíno, mais do que tudo, não perdoa presidente frouxo.

Ontem, Pedrinho mostrou, talvez, entender o que significa vestir a faixa de presidente no peito. O Vasco não é “queridinho” da mídia, não tem tapinha nas costas da CBF, e o torcedor sabe disso. O Vasco é tratado sempre com desconfiança, quase como um intruso incômodo. Por isso, o presidente tem que ser o escudo. Não para fazer cena, mas para deixar claro: aqui ninguém pisa.

Mesmo vencendo, a noite poderia ter acabado em tragédia esportiva. Bastaria Coutinho sair de maca, ou Puma sentir o joelho, para todo o restante temporada ser comprometido. É esse o ponto: a vitória não basta se o respeito não vem junto. Dentro e fora do campo, o Vasco precisa se impor.

O torcedor não quer presidente de gabinete, quer presidente de arquibancada. Não quer silêncio diplomático, quer voz firme. Não quer um dirigente que se esconda atrás de notas oficiais, mas alguém que desça para o gramado e encare quem for preciso. O Vasco não nasceu para ser submisso. O Vasco nasceu para enfrentar, para incomodar, para resistir.

Pedrinho, ontem, deu um passo. Pequeno, mas significativo. Mostrou que pode largar o papel de comentarista distante e começar a agir como dirigente de verdade. O caminho é longo, cheio de armadilhas e pressões, mas já está claro: comandar o Vasco é lutar. Todos os dias, contra todos os poderes. Porque aqui não basta ganhar jogos, é preciso ganhar respeito.

E o respeito precisa voltar! Ponto.

Tiago Scaffo

FLAMENGO, MÍDIA E A VIOLÊNCIA NO FUTEBOL: QUANDO O “MAIS QUERIDO” SE COLOCA ACIMA DO BEM E DO MAL

O mês de setembro de 2025 expôs, de forma dolorosa, a face mais sombria da relação entre futebol, violência e construção simbólica de poder. Em três episódios distintos, todos envolvendo torcedores do Flamengo, vidas foram ceifadas, trabalhadores tiveram seu direito à dignidade violado e a rivalidade esportiva extrapolou para o campo do crime. O primeiro caso ocorreu em 11 de setembro, próximo à estação de trem de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, horas antes da partida entre Botafogo e Vasco. Mesmo sem que o Flamengo estivesse em campo, integrantes de uma torcida organizada do Flamengo protagonizaram cenas de barbárie, efetuando disparos de arma de fogo contra vascaínos. O ataque deixou feridos e culminou na morte de um torcedor cruzmaltino.

Os outros dois episódios ocorreram em 21 de setembro. No Rio de Janeiro, uma vendedora ambulante, trabalhadora e vascaína, foi brutalmente agredida por torcedores rubro-negros nas imediações da partida no Maracanã. Além da violência física, perdeu toda sua mercadoria, seu sustento diário, e viu comprometida também sua atividade social de apoio a cães abandonados. No mesmo dia, em Brasília, outro torcedor vascaíno foi esfaqueado até a morte, também por flamenguistas, em mais um ato de intolerância que transforma a rivalidade esportiva em sentença de morte. Esses episódios, embora distintos, fazem parte de um mesmo processo: a violência simbólica e estrutural associada ao futebol brasileiro, em especial quando se trata do Clube de Regatas do Flamengo.

A CONSTRUÇÃO DO “MAIS QUERIDO” E O DISCURSO DA SUPREMACIA

A imagem do Flamengo como clube “supremo”, “maior”, “inquestionável”, “acima do bem e do mal” não é um fenômeno espontâneo. Ela foi construída historicamente por narrativas institucionais e midiáticas. A alcunha de “O Mais Querido”, por exemplo, surgiu em um concurso de popularidade em 1927, mas sempre esteve cercada de disputas políticas e comerciais. Décadas depois, tornou-se até objeto de briga judicial entre o clube e a TV Globo pelo direito de registro da marca. Isso mostra que não se trata apenas de afeto popular, mas de poder simbólico e mercadológico.

O episódio de 1927, conhecido como a disputa da Taça Salutaris, é revelador desse processo. Na ocasião, vascaínos e flamenguistas mobilizaram-se para decidir, por meio de votação popular, quem seria o “Mais Querido”. Os portugueses, majoritariamente vascaínos e com maior poder aquisitivo por serem comerciantes, consumiram em massa a água mineral promotora da votação e juntaram milhares de rótulos para o clube de São Januário. Diante disso, flamenguistas organizaram uma fraude: disfarçados de portugueses torcedores vascaínos, recolheram votos que seriam destinados ao Vasco e os jogaram em privadas e até no poço de um elevador, inutilizando-os. Assim, o Flamengo se sagrou “O Mais Querido” não pela legitimidade popular, mas por meio de trapaça. Essa origem é simbólica: a alcunha máxima do clube nasce de um ato de fraude, que foi naturalizado ao longo do tempo e até exaltado como parte da identidade rubro-negra. O recado que fica para torcedores e para a sociedade é perigoso: mesmo na trapaça, mesmo no “roubo”, o Flamengo segue sendo celebrado como vencedor, consolidando a ideia de que, se for a favor do clube, tudo é permitido.

Somado a isso, declarações públicas de jogadores e dirigentes, como a célebre frase do goleiro Felipe, em 2014, de que “título roubado é mais gostoso” após um gol irregular decisivo, normalizam a percepção de que irregularidades, quando em benefício do Flamengo, são aceitáveis ou até desejáveis. Esse tipo de discurso, amplificado sem a devida crítica pela imprensa, reforça o imaginário de que o clube estaria acima da crítica, da lei e até da moral esportiva. É justamente nesse ponto que o tratamento diferenciado recebido pelo Flamengo começa a se converter em comportamento social. Quando a mídia e parte da opinião pública insistem em tratá-lo como intocável, como entidade acima do bem e do mal, seus torcedores absorvem a mensagem de que também podem se colocar nesse patamar. Cria-se um sentimento de impunidade simbólica: se o clube é constantemente favorecido, se seus erros são relativizados, se escândalos graves são tratados com complacência, por que o torcedor deveria se ver limitado pelas normas sociais? Essa percepção de privilégio se transforma em prática concreta, legitimando a violência.

O resultado é revelador: desde a fraude da Taça Salutaris em 1927, que deu origem ao título de “Mais Querido” não pela legitimidade, mas pela trapaça, até a frase do goleiro Felipe, em 2014, de que “título roubado é mais gostoso”, o Flamengo construiu uma narrativa em que o “roubo” ou a irregularidade, quando a seu favor, não apenas é tolerado, mas celebrado como parte da identidade rubro-negra. Esse padrão histórico, amplificado pela mídia sem contraponto crítico, envia uma mensagem direta à sociedade: mesmo na trapaça, o Flamengo é exaltado. Daí nasce um efeito mimético perigoso, se o clube pode ser “o mais querido” fraudando votos, se pode comemorar títulos manchados e ser protegido por narrativas condescendentes, por que o torcedor não poderia também agir como se estivesse acima da lei? É essa naturalização da superioridade e da impunidade simbólica que, convertida em prática social, legitima a violência real: a pedra arremessada, o soco desferido, a facada, o tiro.

O PAPEL DA MÍDIA E A LEGITIMAÇÃO DA VIOLÊNCIA

A mídia esportiva brasileira tem responsabilidade central nesse processo. O Flamengo recebe cobertura desproporcional em relação a outros clubes, com exaltação constante de suas vitórias e minimização de suas falhas. Quando se trata de escândalos, como o envolvimento de jogadores em manipulação de apostas ou a tragédia do Ninho do Urubu, que matou dez jovens atletas em 2019, o tratamento frequentemente é complacente, diluindo responsabilidades. Esse desequilíbrio não é apenas questão de parcialidade jornalística: é construção de narrativa. Ao naturalizar privilégios, ao reforçar a imagem de que o Flamengo é “maior” ou “inquestionável”, a imprensa alimenta um ciclo em que parte da torcida se sente legitimada a agir sem limites. A violência, nesse sentido, não surge do nada; ela é alimentada por anos de discursos que colocam um clube em posição de supremacia dentro do campo esportivo.

A LEITURA SOCIOLÓGICA: CAPITAL SIMBÓLICO E VIOLÊNCIA ESPORTIVA

A sociologia ajuda a compreender esse fenômeno. Maurício Murad, em A violência no futebol (2012), aponta que os confrontos entre torcidas não são apenas eventos esportivos, mas expressões de violência estrutural em uma sociedade marcada por desigualdade e ausência de políticas preventivas. Pierre Bourdieu, ao falar do “campo esportivo”, lembra que os clubes disputam não só títulos, mas também capital simbólico: prestígio, legitimidade, visibilidade. Quando um clube monopoliza esse capital, como o Flamengo faz com o apoio midiático e a retórica de “mais querido”, ele impõe suas próprias regras, criando uma sensação de superioridade reproduzida em todos os níveis. Já Norbert Elias, em sua teoria do “processo civilizador”, defendeu que o esporte deveria funcionar como dispositivo de contenção da violência. Mas, quando o jogo simbólico da rivalidade se converte em culto à supremacia, o mecanismo se inverte: o futebol passa a legitimar agressões e assassinatos, em vez de contê-los. Nesse sentido, a cultura de torcer deixa de ser identidade coletiva saudável e se torna instrumento de violência. Quando a identidade rubro-negra é constantemente reforçada pela narrativa de que é “a maior”, “a mais importante” ou “a intocável”, ela abre espaço para que a agressão seja vista como parte legítima dessa afirmação identitária.

RESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL E NECESSIDADE DE MUDANÇA

O Flamengo, como instituição, não pode se eximir da responsabilidade. A recusa em assumir plenamente a indenização às famílias do Ninho do Urubu, o silêncio diante de discursos que celebram “roubo” em arbitragens e a negligência em relação à violência simbólica de sua torcida alimentam o ciclo de impunidade. A mídia, por sua vez, precisa urgentemente rever seus critérios. Continuar a exaltar o Flamengo como “supremo”, “intocável”, “acima de tudo e de todos”, “acima do bem e do mal”, sem contraponto crítico, não é jornalismo: é legitimação de privilégios que se refletem em comportamentos criminosos nas ruas.

CONCLUSÃO

O futebol é o principal esporte do Brasil e exerce enorme impacto na formação de identidades coletivas. Quando um clube é colocado “acima do bem e do mal”, como ocorre com o Flamengo, as consequências ultrapassam o campo e invadem as ruas. O resultado são episódios como os que vimos em setembro: torcedores mortos, trabalhadores agredidos, famílias destruídas.

É importante, no entanto, fazer uma ressalva fundamental: não se trata de afirmar que todos os torcedores do Flamengo são violentos. Isso seria uma generalização injusta e incorreta. A imensa maioria da torcida rubro-negra não pratica atos criminosos. Contudo, mesmo entre aqueles que não recorrem à violência física, observa-se com frequência um comportamento marcado pela arrogância, pela soberba e por discursos discriminatórios dirigidos a torcedores de outros clubes. A “brincadeira”, a “zoação”, muitas vezes ultrapassam o limite do respeito e assumem caráter de humilhação, exclusão e intolerância simbólica.

Assim, temos dois níveis de problema: de um lado, a minoria violenta, que transforma a rivalidade em agressão; de outro, uma maioria não violenta, mas que adere a um padrão cultural de superioridade e desprezo em relação aos demais. Ambas as posturas são alimentadas pelo mesmo discurso de supremacia simbólica que a mídia e as instituições constroem em torno do Flamengo.

Enquanto o clube continuar a ser tratado como entidade suprema e a imprensa seguir alimentando esse mito sem contraponto crítico, o futebol permanecerá prisioneiro de uma lógica perversa, em que a paixão serve de justificativa tanto para a violência física quanto para a arrogância simbólica. Romper esse ciclo é mais do que um desafio esportivo: é uma necessidade social urgente.

Tiago Scaffo

GIGANTE POR NATUREZA, ETERNO POR PAIXÃO! – Vasco x Botafogo – Copa do Brasil 2025

GIGANTE POR NATUREZA, ETERNO POR PAIXÃO!

Na noite de quinta-feira, 11 de setembro, no Estádio Olímpico Nilton Santos, o Vasco escreveu mais uma página de sua história de resistência. Empatou em 1 a 1 contra o Botafogo no tempo normal e, nos pênaltis, venceu por 5 a 3, garantindo a classificação à semifinal da Copa do Brasil. Um feito que muitos não acreditavam ser possível, mas que mostrou, mais uma vez, a essência vascaína: lutar contra tudo e contra todos, surpreender quando parece impossível e renascer quando tentam nos enterrar.

Esse Vasco que vimos em campo é o retrato fiel de um clube que, mesmo em meio a crises financeiras, disputas políticas e tantos percalços nos últimos anos, nunca deixou de carregar consigo a chama da grandeza. Porque o Vasco não é pequeno, nunca foi e jamais será. O Vasco não nasceu para discursos de coitadismo, não nasceu para se colocar abaixo de ninguém. O Vasco é gigante, tem a história mais linda do futebol mundial e precisa sempre se impor como tal.

A áurea vascaína é feita de glórias, de momentos épicos, de uma trajetória que rompe fronteiras e inspira gerações. Mas, acima de tudo, ela é feita de seu torcedor. O vascaíno é diferente. Enquanto muitos clubes fazem sua torcida, no caso do Vasco é a torcida que faz o clube. É ela que sustenta, que dá vida, que empurra mesmo nas horas mais duras. É essa massa apaixonada que transforma o impossível em realidade, que abraça todas as causas do clube com amor incondicional.

Ser Vasco é viver uma filosofia, não apenas carregar uma bandeira. É sentir a alma de um clube que resiste, que cai e se levanta, que tropeça mas nunca desiste, porque tem milhões de corações pulsando ao seu lado. O Vasco é imortal porque seu torcedor é imortal. O Vasco é eterno porque o amor do vascaíno é eterno.

E é por isso que, diante de cada vitória como essa, diante de cada classificação improvável, somos lembrados de que acreditar no Vasco nunca é em vão. Porque o Vasco sempre pode ir além, sempre pode surpreender, sempre pode ressurgir maior do que antes. O Vasco é um colosso mundial, um clube que carrega dentro de si uma verdade simples e poderosa: a vascainidade vive. E enquanto houver vascaínos, o Vasco sempre renascerá.

O Vasco não é só um clube, o Vasco é alma, é paixão, é vida. O Vasco é o coração de milhões que batem juntos e gritam em uníssono: contra tudo e contra todos, nós somos Vasco, e jamais deixaremos de acreditar!

MUV – Movimento Unido Vitimista 

“Léo Jardim leva cartão vermelho por supostamente retardar a partida. Ressonância Magnética desmente a tese do árbitro, dublê de médico por um dia”.

Alguém já viu o queridinho da mídia ser prejudicado pela arbitragem em um jogo decisivo? Não se lembra? Pois é. Provavelmente essa situação hipotética jamais tenha existido.

O futebol envolve paixões e muito, muito dinheiro. E por tais razões, entretenimento pode ser mais interessante que competição.

O C. R. Vasco da Gama, clube historicamente popular, foi a negação do sistema que privilegiou clubes de origem aristocrática ou vocação populista. Não lhe restaram alternativas que não fossem enfrentar um sistema que o excluía, ou se conformar por medo do enfrentamento. Alguns exemplos: 1979 – tri em 2 anos, 1981 – ladrilheiro, 1986 – papeletas amarelas. Pesquisem. Naquele momento surgia um vascaíno que resolveu se insurgir contra esse beneficiamento sistêmico. Eurico Miranda pagou o preço de rejeitar uma realidade que insistia em fazer do Vasco um coadjuvante.

Por outro lado, o sistema se reorganizava para combatê-lo. Não mais nos clubes da zona sul, mas dentro do Vasco. Nos anos 90, surgia o MUV. Incensado pela flapress, foi oposição à chapa que venceria o pleito de 1997. Coincidência ou não, a chapa vencedora daria início ao que seria o período mais glorioso da história do C. R. Vasco da Gama.

Já o que vemos nos dias de hoje é a continuação daquele movimento, que se habituou a usar a popularidade de ex-jogadores para ganhar voto.

Movimento que se acostumou a justificar resultados pífios, escorando-se no passado. Fraco nos bastidores do futebol, exatamente onde deveria trabalhar contra o sistema. 

Mas optam pelo vitimismo, a fim de não ir de encontro à mídia, tampouco evidenciar a própria incompetência. Aceitam o lugar de coadjuvante, pois imaginam que isso os exime da responsabilidade. Ora amarelos, ora roxos. 

Movimenta-se unido. 

Unido pelo Vitimismo.

Luiz Baptista Lemos

Expulsão de Léo Jardim no Beira Rio exige reação do Vasco

No domingo, 27 de julho, no estádio Beira Rio, em Porto Alegre, o Vasco empatou por 1 a 1 com o Internacional-RS em uma partida marcada por um episódio controverso, que alterou o rumo do jogo: a expulsão do goleiro Léo Jardim aos 40 minutos do segundo tempo. A decisão tomada pelo árbitro Flávio Rodrigues de Souza gerou revolta no elenco vascaíno e colocou em xeque os critérios adotados pela arbitragem brasileira em situações semelhantes.

Léo Jardim, até então um dos grandes nomes da partida, fazia uma atuação decisiva, com defesas fundamentais, que sustentavam a vantagem vascaína no placar. No lance em questão, o goleiro permaneceu sentado próximo à trave, reclamando de dores nas costas. O árbitro interpretou o episódio como cera e, sem qualquer advertência verbal ou avaliação médica, aplicou o segundo cartão amarelo e o expulsou de campo. A partir dali, o Vasco, em inferioridade técnica com um goleiro reserva sem ritmo, sofreu o empate no final do segundo tempo.

Não se trata de dizer que o empate aconteceu exclusivamente por causa da expulsão, nem que o Internacional não demonstrava sinais de reação. O time gaúcho pressionava, sim, mas é inegável que a decisão de expulsar Léo Jardim interferiu diretamente na dinâmica do jogo e no desfecho final da partida. A arbitragem rompeu com o equilíbrio natural do confronto e empurrou o Vasco para uma situação de desvantagem em um momento crítico, prejudicando não apenas o desempenho, mas o próprio planejamento da equipe para os minutos finais.

A questão central não é se a punição encontra respaldo literal na regra, mas sim como e quando essa regra é aplicada. O que se viu no Beira Rio foi uma decisão isolada, extrema e fora do padrão adotado pela arbitragem em situações idênticas. Léo Jardim apresentava dores nas costas e foi punido sem qualquer parcimônia ou critério contextual. Isso levanta uma dúvida considerável: qual é o parâmetro utilizado pelos árbitros brasileiros para distinguir cera de lesão? Porque se a lógica for a vista ontem, qualquer jogador lesionado corre o risco de ser expulso apenas por não conseguir se levantar com a rapidez que o árbitro exige. O visto no Beira Rio não foi apenas um exagero, mas uma aplicação excêntrica da regra, que não encontra respaldo no padrão de conduta adotado em outras partidas. É justamente essa excepcionalidade que torna a decisão inaceitável.

Nesse contexto, vale lembrar que esse não é um caso isolado. Em julho de 2024, Flávio Rodrigues de Souza expulsou o goleiro Gustavo, do Criciúma, aos 16 minutos do segundo tempo em duelo contra o Bahia no Estádio Heriberto Hülse, quando o Criciúma vencia por 2 a 1. Após a expulsão, o Bahia conseguiu o empate em 2 a 2, mostrando que decisões semelhantes já influenciaram o resultado final de outra partida. Essa recorrência evidencia que o critério usado pelo árbitro tem histórico de interferência direta na dinâmica dos jogos.

Após o fim do confronto, o técnico Fernando Diniz foi direto, afirmou que o árbitro “não é médico” e tomou uma decisão injustificável sem avaliar minimamente a condição do jogador. Disse ainda jamais ter visto algo parecido em sua carreira. Vegetti, por sua vez, disparou que “a gente foi roubado”. As declarações refletem o sentimento generalizado de indignação dentro do clube. O que aconteceu no Beira Rio não foi um erro trivial, foi um episódio simbólico de como a arbitragem brasileira pode agir de maneira isolada, insensata e prejudicial, sem qualquer consequência.

A diretoria do Vasco deve agir com firmeza imediata. É obrigação institucional do clube exigir explicações públicas pelo acontecido, acionar formalmente a Comissão de Arbitragem, a CBF e tornar claro que não teve cabimento a decisão tomada pela arbitragem. É necessário cobrar que critérios quaisquer partam da premissa do bom senso. A regra oportuniza a que acréscimos sejam dados, conforme o tempo de paralisação da partida.

O que se viu no Beira Rio foi grave e precisa ser combatido com rigor. Se a diretoria do Vasco não se impuser agora, estará autorizando que episódios como esse se repitam, enfraquecendo o clube dentro e fora de campo.

Tiago Scaffo.

Vasco é atropelado em campo e desmantelado fora dele: Clube vive colapso total!

O Vasco da Gama atravessa um dos momentos mais vexatórios e dolorosos de sua história recente. A derrota por 4 x 0 para o Independiente Del Valle, em Quito, escancarou um time desorganizado, entregue e incapaz de oferecer qualquer resistência mínima a um adversário tecnicamente superior, mas nem de longe intransponível. O que se viu em campo foi um massacre, posse de bola de 80% para o time equatoriano, uma estatística que não apenas expõe o domínio, mas revela o completo colapso tático e anímico do clube cruzmaltino. Um time morto, sem alma, sem estratégia e, pior ainda, sem vergonha.

O vexame só não foi maior porque o goleiro Léo Jardim defendeu um pênalti nos acréscimos do segundo tempo, evitando que o placar se transformasse em um 5 x 0 mais contundente ainda. O Vasco foi completamente dominado do início ao fim e ainda teve o lateral Lucas Piton expulso antes dos 15 minutos da etapa inicial, tornando a tragédia ainda mais previsível e inevitável.

Esse desastre internacional veio logo após outra atuação medíocre no clássico contra o Botafogo, quando o Vasco perdeu por 2 x 0 no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, sem esboçar grande competitividade. Foi um jogo em que o rival sequer precisou acelerar o ritmo. O Vasco, apático, desinteressado e desconectado da realidade, parecia disputar um amistoso de pré-temporada, quando na verdade briga desesperadamente para não afundar ainda mais na crise que já se arrasta há quase oito anos.

A torcida, como sempre, é a única que ainda resiste. Mas resiste cansada, exaurida, ferida. Desde a gestão de Alexandre Campello, passando pela gestão Salgado e agora com Pedrinho à frente, o que se assiste é um roteiro contínuo de desmandos, promessas vazias, ausência de planejamento e uma gestão que flerta com o amadorismo em todos os sentidos. Pedrinho, que chegou à presidência sob um tsunami de esperança por parte da torcida, transformou-se em uma das maiores decepções recentes. Sua gestão é marcada por omissão, falta de pulso, ausência de liderança, comunicação caótica e um absoluto despreparo para gerir uma instituição da grandeza do Club de Regatas Vasco da Gama. O torcedor que sonhou com um Vasco de volta ao protagonismo, hoje vê um clube à deriva, abandonado e entregue a interesses que em nada se conectam com o que representa a camisa cruzmaltina.

O time ficou exatos 30 dias sem disputar uma partida oficial, entre 12 de junho e 12 de julho. Durante esse período, o Vasco retornou aos treinos apenas no dia 23 de junho. Foram quase três semanas para reorganizar o elenco, recuperar o físico e planejar um segundo semestre minimamente decente. O que se viu no retorno aos gramados, porém, foi um time apático, pesado, desorganizado, sem competitividade e completamente perdido em campo. A tal “intertemporada” promissora foi apenas mais uma ilusão vendida à torcida, que outra vez acreditou, e novamente decepcionou-se.

Para piorar, a diretoria trouxe apenas um reforço na janela, até aqui, o volante Thiago Mendes, que chega longe do auge físico e técnico. O novo diretor executivo de futebol, Admar Lopes, até agora nada entregou. Um profissional cercado de dúvidas por onde passou (na função que atualmente exerce) terá de se mexer rápido para apresentar nomes e resultados. A política de contratações no Vasco tem parecido desorientada, insensata, normalmente desconectada da realidade esportiva do clube.

E no centro de todo esse colapso está uma farsa institucionalizada chamada SAF. A torcida do Vasco foi enganada de maneira covarde, manipulada por discursos mentirosos que vendiam a Sociedade Anônima do Futebol como a salvação, como a profissionalização, como a fórmula mágica para transformar o clube em potência. Prometeram que o Vasco voltaria ao topo, que teria estrutura, inteligência, competitividade, transparência. O que se viu foi o contrário. A SAF imposta pela 777 Partners foi um dos maiores crimes institucionais cometidos contra o Vasco. Uma empresa sem plano, sem comando, sem compromisso, que tratou o clube como ativo financeiro de baixo custo, e não como instituição esportiva. Jogaram com a paixão do torcedor como se estivessem operando na Bolsa de Valores. Usaram o Vasco, sugaram o que podiam e saíram deixando um rastro de fracasso.

A SAF não profissionalizou o clube, ela blindou a incompetência. Não trouxe transparência, ela reforçou a escuridão. Não atraiu grandes investimentos, ela apenas criou novas formas de escoar dinheiro sem retorno técnico. O torcedor foi manipulado, tratado como consumidor ignorante, alvo fácil para narrativas de PowerPoint e falas ensaiadas. Mentiram, esconderam a verdade, prometeram o impossível e entregaram o caos. A gestão da SAF foi tão desastrosa quanto as gestões associativas de 2018 em diante, e talvez até mais nociva, porque veio com a chancela de seriedade e modernidade, quando na prática era apenas mais um projeto podre, travestido de solução.

O Vasco caminha a passos largos para completar mais um ano sem títulos (o nono ano). Nesse período de vexames sucessivos, rebaixamentos, mautenção na segunda divisão, eliminações precoces, goleadas e escândalos institucionais. São nove anos sendo chacota até de adversários menores. O que era para ser a manutenção de uma reconstrução que se via, com o Vasco classificado à Libertadores, dívida reduzida no triênio 2015/2017, superioridade no confronto direto frente aos rivais, conquistas no triênio de mais títulos e/ou taças oficiais que todos os outrso grandes do Rio (juntos), recuperação patriminial e da base, virou terra arrasada. O clube esteve e está completamente desgovernado, arrastado por interesses menores dirigido por pseudos profissionais e usado como moeda política por gente que nem sequer entende o significado, em gerindo, de carregar o peso dessa camisa.

Nos últimos sete anos e meio o Vasco foi e é tocado por pessoas que não compreendem a responsabilidade de conduzir uma instituição centenária, popular e histórica. O clube virou vitrine para vaidades, trampolim para carreiristas e laboratório de experiências fracassadas. A marca Vasco tem sido explorada como se fosse uma laranja espremida até o bagaço. Não há transparência, não há comprometimento, não há respeito à história do clube.

O torcedor, esse sim, segue firme, mas completamente perdido. Apegado à paixão, já não sabe mais no que acreditar. Mentiras repetidas se tornam verdades em um ambiente de desespero emocional. O amor pelo clube virou uma prisão afetiva. E mesmo cansado, machucado e decepcionado, o vascaíno segue ali, mas não sabe como chegar onde deseja e repete os desejos daqueles que lhe venderam soluções e saídas únicas, tamponando sua própria incapacidade ou vontade de achar caminhos outros, porque dá muito trabalho.

O Vasco precisa de uma ruptura imediata com esse ciclo de incompetência. Precisa de gente séria, capacitada e comprometida com a reconstrução do clube. Chega de omissão, de promessas vazias, de vexames intermitentes. Acordar é urgente, porque o Vasco, gigante por natureza, posta-se há 90 meses do tamanho de seus dirigentes. E isso resume sucessivos fracassos e desculpas.

Tiago Scaffo

A entrevista de Alan Belaciano: Entre a falta de integridade e o triunfalismo injustificável

A entrevista concedida por Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral do Club de Regatas Vasco da Gama (CRVG), ao canal Vasco TV, foi um retrato cristalino da confusão ética, administrativa e política que marca as três últimas gestões do clube, e, principalmente, a atual. Disfarçada de prestação de contas e de suposto esclarecimento, a fala de Belaciano foi, na prática, uma peça de propaganda que expõe ainda mais as contradições e a falta de integridade institucional na condução do CRVG.

Logo no início, causa espanto o tom quase celebratório adotado ao abordar a entrada do Vasco em recuperação judicial (RJ). Belaciano chega a classificar como algo praticamente inédito e positivo o fato de o clube ser o primeiro grande do Brasil a entrar nesse regime jurídico. Mais do que uma visão ingênua, essa narrativa escancara a absoluta desconexão com a realidade: a recuperação judicial não é símbolo de grandeza, mas sim de insolvência. É um atestado público de que a instituição, através dessa gestão, não consegue honrar seus compromissos nos moldes previamente assumidos, e precisa recorrer a mecanismos legais para postergar, reduzir, ou até anular parte de suas obrigações financeiras.

O próprio Belaciano expõe, com naturalidade constrangedora, a atuação direta junto a advogados de credores. Ainda que tente vestir essa atuação como parte do processo de composição dos acordos, o fato é que a condução dessas tratativas nessas condições coloca em risco a integridade do próprio processo de recuperação judicial do Vasco. Ao invés de assegurar uma condução plenamente técnica, transparente e independente, o clube acaba se expondo a questionamentos sobre a real imparcialidade das negociações e a equidade no tratamento dos credores, ferindo princípios fundamentais de proteção ao seu patrimônio e à sua credibilidade institucional. Mais revelador ainda é o próprio conjunto de negociações conduzidas durante o processo, especialmente no âmbito da classe trabalhista, em que, sob sua condução, mais de 80% dos acordos foram firmados anteriormente sem aplicação dos deságios típicos de uma RJ, apenas com alongamento de prazos. Ou seja, o Vasco demonstrou ser plenamente capaz de renegociar suas obrigações trabalhistas sem necessidade de recorrer à proteção judicial, o que desmente a suposta inevitabilidade da recuperação judicial. Se tais acordos eram possíveis dentro de uma via negocial ordinária, fica a inevitável indagação: por que, então, o clube precisou ser empurrado para o regime de RJ? E, mais grave: agora, consolidado o plano, qualquer inadimplemento futuro poderá conduzir o Vasco à falência, encerrando de forma dramática um ciclo que poderia ter sido evitado.

Mais preocupante ainda é a narrativa de que desde 2004 o Vasco apenas “enxugava gelo”, pagando mais juros do que amortizações de dívida. Trata-se de uma incongruência histórica que ignora, por exemplo, o período entre 2015 e 2017, quando o clube, mesmo diante de sérias dificuldades, conseguiu efetivamente reduzir sua dívida global, fato confirmado pelo balanço de 2017, feito pela gestão posterior, em 2018. Ou seja, houve sim capacidade de diminuição da dívida global fora do contexto de recuperação judicial, ao contrário do que tenta pintar o discurso oficial atual.

A suposta imparcialidade nas negociações com os credores, tão destacada por Belaciano, também se mostra profundamente questionável. Um exemplo gritante é o caso do atual diretor técnico do futebol, Felipe Loureiro, ex-jogador do clube. Até hoje não há uma explicação clara e objetiva sobre como se deu a quitação ou a retirada de sua dívida do processo. Informações desencontradas indicam que teria ocorrido uma execução judicial em 2022, mas a forma como o acordo foi estabelecido, os valores envolvidos e se houve ou não tratamento diferenciado permanecem envoltos em incertezas. Não se sabe, até o momento, se a negociação atendeu aos critérios éticos esperados de quem deveria zelar pelo tratamento equitativo a todos os credores, ou se configurou uma situação díspar disso. Esse episódio, ainda sem os devidos esclarecimentos, continua pairando como mais um ponto de interrogação das mais diversas condutas administrativas da atual gestão.

A ausência de responsabilidade da atual gestão não se restringe apenas à condução da RJ. É importante pontuar que, até maio de 2024, o futebol profissional estava sob controle da Vasco SAF, então administrada pela 777 Partners. A partir daquele mês, com a concessão de uma liminar pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, processo este ainda em andamento e não definitivamente concluído, o CRVG reassumiu o controle integral das ações da Vasco SAF. A partir dessa retomada, a atual gestão passou a acumular novas dívidas expressivas, especialmente entre maio e dezembro de 2024, período em que deixou de honrar compromissos financeiros com vários credores, descumprindo o Princípio da Continuidade Administrativa. Esse acúmulo recente de obrigações, somado aos passivos anteriores, foi aparentemente preparado para ser arremessado integralmente dentro do processo de recuperação judicial. Ou seja, diferentemente da narrativa oficial, não se tratou de um passivo herdado exclusivamente de administrações anteriores, mas de um cenário que sugere uma estratégia deliberada, ao menos em aparência, construída já sob o comando atual, com a intenção prévia, e posteriormente consolidada, de empurrar toda essa massa de dívidas para dentro da RJ e, assim, tentar reestruturar o endividamento via deságios e prazos alongados. É nesse contexto que a suposta “redução” de dívida anunciada não passa de um movimento artificial, fruto de recálculos judiciais, e não de uma efetiva política de responsabilidade financeira e equilíbrio administrativo. O Vasco se coloca numa condição de instituição que não paga o que deve, e depois tenta renegociar suas dívidas com acordos de descontos. Quem sai perdendo, além da instituição, é o credor.

A entrevista de Alan Belaciano a Vasco TV não apenas falha em oferecer esclarecimentos verdadeiros à torcida e aos sócios, como ainda evidencia o grau de descompromisso com a integridade, a responsabilidade e a transparência que deveriam pautar a condução do Club de Regatas Vasco da Gama. Uma gestão que celebra a insolvência como feito administrativo e usa a crise como trampolim político, está muito distante daquilo que a instituição, e sua imensa torcida, merecem.

Tiago Scaffo