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Elucidações sobre Vasco, Nations Bank, Projeto Olímpico, inadimplência, narrativas, fatos e a atualidade

No Instagram, há cerca de dez dias, foi publicada uma tese sobre Vasco, Nations Bank, consequências, dias atuais, com uma narrativa que induz o leitor a concluir algo díspar dos fatos. É a terceira vez nos últimos meses que vemos o assunto abordado em contas do Instagram. Nas outras comentários foram feitos na própria página que publicou sua tese mas, desta vez, optamos por publicar uma nota de elucidação, com mais detalhes sobre o histórico.

Tanto nessa oportunidade, como nas outras duas (em contas diferentes do Instagram) o método para publicação foi o mesmo: imagens (serão aqui reproduzidos apenas os textos delas), com, eventualmente, alguma matéria de mídia que busque balizar algumas afirmações feitas.

O teor daquilo que está nas imagens será transcrito, as imagens postas detalhadas e a elucidação virá imediatamente abaixo.

Imagem 1

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…
Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.
Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro destruiu um clube campeão?”

ELUCIDAÇÕES:

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões em uma dívida de 100 milhões em 3 anos”. Falso.

Vamos, inicialmente, à dívida do Vasco, que no início de 2001 se configuraria, sem reservas para contingências, ou seja, sem contar ações que o Vasco respondia, mas não havia perdido na Justiça, em definitivo.

O Vasco já possuía uma dívida superior a R$100 milhões de reais na virada do século. 

Vejamos:

O Vasco perdeu aproximadamente R$60 milhões (no balanço de 1999 o número era de R$52.243.741,00) referente a ativos com atletas, em virtude da Lei Pelé, com o fim do passe. Isso se deu no início de 2001. 

O Vasco tinha uma dívida fiscal acumulada e estava no REFIS. O número de débito com o IR era de R$23.921.234,59, anunciado anos depois, do FGTS R$10.842.794,70, também anos depois, e do INSS era, também, muito elevado.

O clube comprara o passe de Euller em agosto de 2000, mas não pudera pagar (8,6 milhões de reais foi o valor da compra), devia quase três meses de salários e outros mais em termos de direitos de imagem, visto que o Bank of America não pagou os U$12 milhões que davam lastro a vários gastos do clube. 

Havia, ainda, uma confissão de dívida em favor da Rede Globo, fruto de cotas adiantadas, na ordem de 37,4 milhões. Boa parte desse valor o Vasco tinha como expectativa que o banco sanasse, pagando à emissora, o que não ocorreu, e isso levou o clube a processar o banco, ganhando a ação, em dezembro de 2001, e, com isso, o direito de receber o montante contratual acordado e não pago.

Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro (conseguido por Eurico Miranda) se deu? 

Por que acabou? 

Quais prejuízos trouxe ao clube o seu descumprimento por parte do banco? 

E como o Vasco, apesar disso, conseguiu, até a troca de gestão no clube, em 01/07/2008, manter-se em situação muito melhor financeira, se comparado aos outros três grandes do Rio? 

Vamos entender para não repetir despautérios ou fazer condensações de outras publicações que surgem na rede, a fim de criar uma tese, que tende a ser uma distorção.

Sigamos.


Imagem 2

Nos anos 90, o futebol brasileiro entrou em uma nova era.
Dinheiro da TV, patrocínios milionários, a promessa de clubes mais profissionais…
E foi nesse cenário que, em 1998, o Vasco assinou um acordo que parecia mudar tudo.

ELUCIDAÇÕES:

Nos anos 1990 o Vasco conquistou um tricampeonato carioca (1992/1993/1994) e um campeonato brasileiro (1997) com a estrutura que tinha.

O Palmeiras, em 1992, fechou um contrato com a Parmalat e vários clubes fizeram parcerias, nos últimos, dois três, quatro anos do milênio, com empresas que se dispunham a investir no futebol brasileiro. O Vasco fez a sua com o Nations Bank (1998), Flamengo e Grêmio com a ISL (1999); Corinthians com o banco Excel (1997), depois com a HTMF (1999); Cruzeiro com a HTMF (1999), entre outros.

O dinheiro da TV já existia (para todos os clubes), os patrocínios, no caso do Vasco, seriam obtidos pela VGL (Vasco da Gama Licenciamentos), que teria os direitos sobre a marca para negociar contratos referentes ao tema e ter 50% do valor deles para si, enquanto o Vasco receberia os outros 50%.

Não foi o banco um patrocinador e sim um investidor. Ele visava, com o crescimento da marca, a amplitude internacional dela e lucros consequentes. Daí terem visto no Projeto Olímpico uma grande oportunidade para isso, como já enxergavam, desde 1999, com os Jogos Pan-Americanos. E visavam ganhos futuros, a partir da reforma de São Januário e construção do centro de treinamento do clube em Caxias, que se previa iniciar, com aporte do próprio banco (U$70 milhões), a partir de 2000.

A satisfação com a parceria e a projeção para o exposto acima foram confirmados em junho de 1999, junto às grandes expectativas sobre o Pan-Americano de Winnipeg, no qual mais de 60 atletas vinculados ao Vasco viriam a fazer parte da delegação.

Havia, também, investimentos em outros esportes não olímpicos, como os radicais, de luta, o futsal e o basquete masculino (que não iria aos Jogos Olímpicos de Sydney), mantido com uma equipe de primeira linha e campeã.

Sobre profissionalização, o Vasco já era profissional (aliás o era desde 1933), mas a palavra “profissionalização” passou a ser justificativa para a entrega do futebol brasileiro, com o fim da Lei do Passe (sem qualquer proteção aos clubes), iniciando o crescimento numérico e patrimonial dos empresários no futebol, que se consolidou na primeira década do século e prosperou dali por diante mais ainda. Nos anos 1990 o discurso, que se tentou fazer virar lei, era o da necessidade de os clubes deixarem de ser associações para virarem clubes-empresa, o que acabou não passando na Lei Pelé, como obrigatório, mas facultativo.


Imagem 3

O Bank of America (na época Nations Bank), surgiu com um acordo:
Por 10 anos controlaria a marca Vasco: camisas, direitos de TV, licenças…
O clube recebia U$30 milhões de adiantamento e ficaria com 50% de receita.
A expectativa era faturar R$150 milhões/ano.
Mas o que parecia o maior contrato da história do futebol brasileiro tomou um rumo inesperado.

Para ratificar a informação é apresentada matéria da Folha de São Paulo, datada de 10 de fevereiro de 1998, sob o título “Vasco fechará acordo para faturar R$150 mi por ano.”

ELUCIDAÇÕES:

O contrato teve termos aditivos e a parceria que, inicialmente, seria de 10 anos, passou para 25 anos, exatamente pelo fato de o banco perceber que o investimento valia ser feito e os ganhos a longo prazo poderiam ser bastante satisfatórios.

Em 1999 o Vasco teve, após grande incremento nos investimentos, R$93,96 milhões de receita. A receita em 1997 havia sido, segundo dito por Eurico Miranda à época, de R$15 milhões, com o clube chegando à conquista do Campeonato Brasileiro naquele ano. Eurico entendia, em 1998, que após três anos de parceria, poderia multiplicar por 10 os R$15 milhões, chegando a R$150 milhões de reais. Com pouco mais de um ano e meio de parceria a receita do Vasco já havia ultrapassado 60% daquilo que o representante vascaíno esperava obter em três anos.

As discussões junto à TV tinham o Vasco como negociante e não o banco ou qualquer representante seu.

O que teria ocorrido para que o contrato tomasse um rumo inesperado? Mais detalhes na imagem 4.


Imagem 4

O Vasco fez o que quase qualquer clube faria: apostou alto e acelerou gastos.
Vieram contratações em peso como Juninho Paulista, Euller, Edmundo, Romário.
Sendo que os dois últimos passaram a ter os maiores salários do futebol brasileiro.
E, por um momento, parecia que tinha dado certo”.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco fez o que qualquer clube faria, baseado em sua premissa associativa, qual seja, investir o que obtém de recursos em patrimônio, profissionais, estrutura, equacionamento de dívidas, mas, claro, com o lastro daquilo que teria garantido por contrato. 

A competência é evidenciada com três títulos no período em que recebeu o devido da outra parte, entre abril de 1998 e junho de 2000. 

A competência é mais ainda visível com a conquista da Copa Mercosul de 2000 e do Campeonato Brasileiro da mesma edição, ganho em janeiro de 2001, mesmo com a inadimplência do banco, desde julho de 2000.

Quando se fala em competência é bom que se faça um comparativo com o outro clube daqui do Rio de Janeiro, no caso o Flamengo, à época com sua parceria (ISL), que teve despejado dinheiro em grande quantidade no segundo semestre do ano de 2000, (32 milhões de reais em contratações, fora salários) para trazer Gamarra, Alex, Denilson e Edilson, a fim de obter o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul, vencidos pelo Vasco em plena fase de inadimplência de seu parceiro.

Sobre Romário e Edmundo juntos, com os grandes salários que tinham, o Vasco os manteve em sua folha, dessa maneira, por cerca de oito meses apenas, afinal Edmundo foi emprestado para o Santos em julho de 2000 e não mais jogou no Vasco no período em que Romário estava no clube.

A parceria de Edmundo e Romário no Vasco deu errado, mas a parceria do banco com o Vasco, enquanto aquele cumpriu o acordado com o clube, dando lastro a investimentos e pagamento do custo operacional, deu muito certo.


Imagem 5

Entre 1998 e 2000, o Vasco viveu uma das fases mais vitoriosas da sua história:
Ganharam a Libertadores, Brasileiro, Mercosul, Carioca. Parecia o começo de algo grande.
Até que uma decisão mudou tudo.

ELUCIDAÇÕES:

A fase vitoriosa, como todos sabemos, se inicia com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1997.

O Campeonato Carioca de 1998 e a Taça Libertadores do mesmo ano foram conquistados um e quatro meses após o início da parceria e os títulos da Copa Mercosul e do Campeonato Brasileiro posterior se dão em pleno período de inadimplência do parceiro, iniciada em julho de 2000.


Imagem 6

Em 1999, o vice-presidente Eurico Miranda decidiu ir além do futebol.
Ele queria transformar o Vasco em uma potência olímpica, pensando nos jogos de Sydney.
Vieram contratações de atletas de alto nível, em várias modalidades.
E o resultado?

ELUCIDAÇÕES:

Os investimentos a maior em outros esportes se iniciaram em 1998. Na mesma temporada o Vasco voltou a ser Campeão Carioca de Remo, o que não ocorria desde 1982 e, também, Campeão Brasileiro. Nela própria o clube obteve o primeiro título sul-americano de sua história no Basquete Masculino, Campeão da Copa Sul-Americana de Clubes. Foi o Vasco, ainda, Campeão da Taça Brasil de Futebol Feminino, Campeão Carioca Masculino e Feminino de Tênis de Mesa e, finalmente, Campeão Brasileiro e Carioca (em dois estilos) no Tiro com Arco. No ano anterior, 1997, o clube não obteve nenhuma vitória em âmbito nacional nos esportes coletivos, fora o futebol profissional masculino.

Os investimentos tiveram enorme incremento em 1999, com o Vasco levando aos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg 64 atletas, que trouxeram, individualmente, 34 medalhas (10 de ouro, 13 de prata e 11 de bronze).

O projeto multiesportivo trazia retorno de mídia, espaço maior do clube nos mais variados meios de comunicação e novas possibilidades de negócios. Exatamente aquilo de que necessitava a VGL (Vasco da Gama Licenciamentos) para explorar a marca e obter retorno com a exposição dela.

Fernando Gonçalves, presidente da VGL, falava do apoio do banco à iniciativa do Vasco, prevendo o sucesso já nos Jogos Pan-Americanos de 1999, afirmando isso em junho daquele ano. No mês anterior exaltava as contratações de Gustavo Borges e Luis Lima na natação, de Adriana Behar e Shelda no Vôlei de Praia feminino, a liderança no Campeonato Estadual de Remo e a chegada do clube à final da Liga Nacional de Basquete masculino.

Em 02/01/2000, Fernando Gonçalves afirmou: “Não há clube no mundo hoje como o Vasco”. Em outro trecho disse: “Queremos deixar o Vasco cada vez mais caro para os investidores (TV, patrocinadores). Esse é o objetivo nos próximos dois, três anos.” Celebrava-se à época as contratações de Romário, Manoel Tobias (Futsal), Ronaldo da Costa (que batera o recorde mundial na maratona de Berlim, em setembro 1998, mantido por 13 meses), como exemplos de destaque em suas áreas.

O balanço patrimonial do clube, referente a 1999, mostra que o Vasco teve 67% do valor gasto em futebol e 22% gasto em todos os outros esportes (juntos). Nos Jogos Pan-Americanos o Brasil realizou sua maior participação na história até ali.

A despesa com todos os esportes olímpicos em 1999 foi de 13,6 milhões (22% do total de despesas do período, como dito acima). 

A despesa com o futebol foi de 41,3 milhões de reais (67% do total de despesas no período, como informado acima). 

Conta-se aí, nos referidos 13,6 milhões, o gasto em esportes olímpicos e não olímpicos. 

No ano subsequente o Vasco manteve o investimento de 1999 e o aumentou, chegando a 83 atletas olímpicos brasileiros, mais três estrangeiros. O foco não foi, apenas, contratar profissionais visando, exclusivamente, os Jogos Olímpicos, mas, notoriamente, montagens de times em esportes coletivos (Basquete Feminino, Vôlei Masculino e Feminino, como principais exemplos), reforços para o Futsal, aumento do número de nomes olímpicos no Atletismo, após a parceria do Vasco com Funilense e São Caetano (de seis atletas no Pan, o Vasco passou a ter 17 nos Jogos), outras contratações para esportes de luta (como Vale-Tudo) e investimentos em esporte radicais, com a busca pelo retorno de mídia que dariam. O gasto foi bem mais elevado que o de 1999, ultrapassando R$20 milhões, somando todos os esportes, exceto futebol profissional masculino, o qual teve aumento de custo considerável, em função da disputa do Mundial Interclubes em janeiro e pela tentativa de o Vasco conquistar outros títulos ao longo da temporada. Mas tudo isso tinha lastro para ocorrer, cumprindo o banco aquilo que fora acordado.

Um jornal de São Paulo (Folha de São Paulo) publicou, em 24 de novembro de 2000, que o Vasco naquele ano teria gasto R$30 milhões no Projeto Olímpico, enquanto o COB R$23 milhões. Outras matérias pretéritas do diário falavam no mesmo número.

Não há qualquer levantamento discriminado que justifique ter o Vasco em 2000 gasto R$30 milhões em Projeto Olímpico, mas o custo, de todos os esportes, olímpicos e não olímpicos, ultrapassou R$20 milhões.

A matéria cita um gasto, em 1999, de 17,8M com esportes amadores (todos, olímpicos e não olímpicos), quando na verdade foram 13,6M, como citado acima e exposto no balanço do Vasco. 

Por outro lado, a própria matéria cita que o Vasco pagava as contas em dia até a realização dos Jogos, nos esportes que apurou. Os jogos foram realizados entre 15/09 e 01/10/2000. 

A matéria traz em seu bojo uma conclusão solta de que Eurico Miranda havia feito o Projeto Olímpico para se eleger presidente do Vasco e ela foi publicada duas semanas após Eurico conseguir fazer a 1ª e a 2ª chapas na eleição de São Januário, em 10/11/2000. 

Embora a conclusão não tenha qualquer sustentáculo, ela põe o Projeto Olímpico num lugar que dimensiona sua importância na própria visão do jornal, sabedor do que representava em termos de retorno de mídia o investimento do Vasco naquele contexto.

A matéria não cita que o banco não pagava ao Vasco desde julho de 2000.

Mas e o resultado?


Imagem 7

A visibilidade do clube aumentou – mas o retorno financeiro não.
O projeto olímpico sozinho custou cerca de R$30 milhões em um ano.
O excesso de gastos foi motivo de questionamentos da diretoria do banco.
A receita prometida não veio, enquanto os gastos e dívidas só cresciam…”

ELUCIDAÇÕES:

Resultado:  inúmeras medalhas conquistadas pelo Vasco, que mantém décadas depois o clube como maior vencedor dentre os cariocas (incluindo atletas da natação de outra nacionalidade, medalhistas de ouro em Sydney), internacionalização da marca, retorno de mídia altíssimo e os ganhos correlatos disso, entre eles o crescimento da torcida do Vasco, quatro anos após, em outubro de 2004, em 14%, após pesquisa realizada e publicada pelo site Netvasco.

Em junho de 1999 a VGL se mostrava satisfeita por ter faturado U$10,8 milhões (e o Vasco idem), com o contrato de patrocínio junto a Proctor & Gamble, sem se importar de já ter aportado U$75 milhões, elogiando a administração do Vasco pela participação destacada no futebol e em outros esportes e entendia que faturaria alto com a reforma e ampliação do estádio, que daria ao parceiro (por contrato), direitos junto à bilheteria (compartilhada), ganhos outros via complexo esportivo, material esportivo, placas publicitárias, outros patrocínios e vendas de produtos licenciados (todos com ganhos compartilhados com o Vasco).

O banco não podia questionar o caminho percorrido pelo Vasco, porque isso não fazia parte do acordo entre as duas partes. Ele não administrava o clube. Aportava o valor devido e buscava a valorização da marca no mercado, o que a direção vascaína ajudava, proporcionando o maior retorno de mídia entre clubes brasileiros, com inúmeros atletas vinculados participando de competições no país e mundo afora, internacionalizando cada vez mais sua visibilidade, e com um time de futebol forte, disputando todas as competições para ganhar.

Não podia, por exemplo, o banco questionar a aquisição de uma rua inteira para o complexo de São Januário, que foi iniciada em 1998 e terminaria em 2002. Foram cerca de 14.000 metros quadrados, que correspondem hoje, considerando o valor a ser pago ao Vasco, via Potencial Construtivo, cerca de R$34 milhões. Não cabia ao banco determinar aquilo que deveria ser feito pelo clube, mas este cumpria o objetivo desejado pelo parceiro para valorização da marca Vasco, primordialmente.

A receita a vir era de competência da VGL, pois desde o início dos investimentos em esportes olímpicos, lá em 1998, era sabido que eles não davam retornos dos mais relevantes, individualmente. O projeto tinha em seu bojo a intenção de que o Vasco conseguisse – pela força de sua marca e com o futebol atuando para conquistar todas as competições – visibilidade e retorno de mídia que a valorizasse para busca de patrocínios e afins.

Não é difícil raciocinar que se o responsável pela VGL, Fernando Gonçalves, dizia, em junho de 1999, ser intenção do parceiro aportar U$70 milhões, em menos de dois anos, para reforma e ampliação do complexo de São Januário e construção de um CT, para que pudesse ter direitos junto à bilheteria (compartilhada), ganhos outros via complexo esportivo, material esportivo, placas publicitárias, outros patrocínios e vendas de produtos licenciados (todos com ganhos compartilhados com o Vasco), que a conta só fecharia a longo prazo. Daí o contrato ter sido ampliado, de 10 para 25 anos.

A ideia do banco, em relação a São Januário, era a de que, após a reforma, este tivesse capacidade para 60 mil espectadores, dois ginásios e uma arena poliesportiva, na qual coubessem 10.400 pessoas, além de um vasto centro de treinamento, shopping center e até mesmo um museu interativo. Em janeiro de 2000 os valores para tudo isso eram calculados em R$100 milhões de reais a serem desembolsados pelo parceiro, com o fim de que tudo isso fosse possível. O término das obras era previsto para 2003.

Em 21/06/2000, segundo noticiado pelo “Jornal do Brasil”, Eurico Miranda e Fernando Gonçalves tiveram uma reunião para tratar das questões inerentes a obras e com o terreno da rodovia Washington Luiz liberado para a construção de uma Vila Olímpica. Essa primeira reforma foi programada para ser iniciada no mês seguinte. Finalizada a obra partir-se-ia para a reforma no complexo de São Januário, que crescia em metragem, dadas as aquisições de dezenas de imóveis situados nas adjacências do próprio complexo.

Em junho de 2000 o Vasco já tinha vinculado a si mais de 70 atletas dentre os 83 que chegariam aos Jogos Olímpicos de Sydney, fora os estrangeiros. Nada era questionado pelo parceiro, que cada vez mais tinha na marca valorizada sustentáculo para a sua busca por fazê-la crescer economicamente.

Vamos relembrar: 

Não havia crescimento de dívida, em relação aos contratos feitos, até o banco inadimplir. 


Imagem 8

A VGL, empresa criada para gerir a parceria, passou a travar os repasses.
E em 2001, o Vasco tomou a decisão mais arriscada possível:
Rompeu unilateralmente o contrato.
O problema é que a parceria era a base de toda a estrutura financeira do clube.

ELUCIDAÇÕES:

A VGL não travou repasse. O banco não pagou o devido, sendo responsabilidade no Brasil de o Banco Liberal, braço do Bank of America no país, fazê-lo. Isso ficou claro, após, em 12 de dezembro de 2001, por decisão unânime na 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, três votos a zero, o Club de Regatas Vasco da Gama ter ganho ação para receber o valor de 12 milhões de dólares contra o Bank of America, corroborando sua opinião quanto ao débito do banco em relação ao clube.

O Vasco esperou pelo aporte por oito meses. Com contas vencendo, problemas se acumulando e ainda com a marca presa, denunciou o contrato (isso em fevereiro de 2001).

Claro que o sustentáculo para os investimentos era o acordo, previsto para 25 anos. Mas diante da inadimplência do banco cabia ao Vasco agir exatamente como fez, comprovada sua razão com a ação ganha em dezembro de 2001.

No primeiro semestre de 2002, após a vitória do Vasco na Justiça em dezembro do ano anterior, foram retiradas as ações propostas pelas duas partes e correlatos a elas. A VGL se achava no direito de receber do Vasco cerca de U$40 milhões, mas sem sucesso nos tribunais. E o Vasco encaminhou o acordo para ter sua marca livre, assinando pouco depois com uma nova marca de material esportivo.


Imagem 9

Isso porque o Vasco já havia antecipado cotas futuras de TV, apostando que o dinheiro da parceria cobriria tudo.
Mas a conta não fechou – e o banco foi à Justiça.
O clube acabou ficando com uma dívida milionária e multas pelo rompimento.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, assim como todos os grandes, antecipava cotas de TV, mas parte do valor que a Globo entendeu se referir à antecipação de cotas foi adiantamento de valores que o clube imaginou ser compensado pelo banco (que lhe devia). 

A conta não fechou nesse a maior antecipado porque o banco inadimpliu em 12 milhões de dólares.

O clube contestou aquilo que a Globo entendeu como antecipação e quando as partes voltaram a conversar, em 2002, a Globo voltou a pagar o Vasco (embora afirmasse antes que as cotas estavam antecipadas até 2003). Isto se deu após o clube não ter dado unanimidade à solicitação da emissora de mudança contratual, referente a direitos de TV. Ela buscava desconsiderar o crescimento previsto (dolarizado) para pagamento das cotas aos clubes, a partir daquele ano.

Os outros grandes clubes brasileiros poderiam capitular, pois antecipavam cotas com a emissora, mas o Vasco não. Eurico Miranda, que se desligara do Clube dos Treze em janeiro de 2001, por desentendimentos com a entidade, iniciados próximo ao fim do ano anterior (o clube desligou-se três meses depois, oficialmente), voltou a ele, liderando o processo e, posteriormente, colocando o Vasco, junto a Corinthians, Flamengo e São Paulo no primeiro grupo entre os recebedores de cotas de TV (o Palmeiras chegaria ao mesmo grupo anos depois, com a anuência do Vasco, na figura do Vice-Presidente da entidade, o próprio Eurico Miranda). 

Vale destacar que no Campeonato Carioca a cota de Vasco e Flamengo era igual, mas superior a de Fluminense e Botafogo. Isso desde 1999.

O rompimento não fez o Vasco ficar com dívida alguma contratual.

O acordo firmado em 2002, como já dito na imagem 8, fez com que as duas partes encerrassem as ações propostas, uma contra a outra.


Imagem 10

O que era para ser um acordo de 10 anos terminou em apenas 3 e deixando algumas feridas abertas pro clube.
– A dívida chegou a R$100 milhões.
– Passivos trabalhistas cresceram
– Patrocinadores sumiram e a credibilidade foi embora
E quando parecia que o pior havia passado…

Matéria do jornal “O Globo” (sem a data específica) é posta para dar sustentáculo à primeira informação da imagem 1. Lembremos dela.

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…

Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.”

Na matéria pinçada o diário carioca publica, em 2022, que o clube herdou uma dívida de R$100 milhões de reais, a qual ajudou a crescer o passivo trabalhista do clube, citando que a empresa 777 atacaria tal dívida através do RCE.

ELUCIDAÇÕES:

O acordo foi cumprido por 26 meses e se não durou mais tempo foi porque o banco não aportou o que era devido, inadimpliu por oito meses, obrigando o clube, que tinha por contrato a marca presa, a tomar as medidas cabíveis para liberá-la, como ocorreria cerca de 15 meses depois.

A dívida, a partir da vigência da Lei Pelé, já era superior a 100 milhões de reais, como já esmiuçado na imagem 1. 

Os passivos trabalhistas do Vasco cresceram sim, mas em comparação aos demais clubes do Rio a situação era muito melhor. 

A revista Consultor Jurídico, em publicação de 30/05/2005 (ver site Netvasco do dia 31/05/2005) mostrava ser a situação do Vasco disparada a melhor do Rio.

Número de ações trabalhistas contra os clubes:

Vasco: 286

Flamengo: 534

Fluminense: 662

Botafogo: 723

O São Paulo tinha sete ações trabalhistas a mais que o Vasco contra si, o Palmeiras 20 a menos e o Corinthians 40 a menos. 

Como o Vasco não vive num aquário sozinho, a situação do clube não era nem de longe dramática, comparada a dos outros clubes do Rio. 

A credibilidade se manteve, porque o Vasco se manteve com crédito para qualquer eventual antecipação de verba solicitada. 

O clube, além de credibilidade, apresentou em junho de 2004 certidões positivas com efeito de negativas, quanto a débitos fiscais. 

Em uma nota oficial à imprensa, o Vasco, a 18/06/2004, afirmou que “não precisou de recursos de terceiros para equacionar a questão fiscal e, ainda, saneou suas dívidas em um momento em que os demais clubes brasileiros não conseguem regularizar a sua situação fiscal perante à União.”

O jornal “O Globo” publicou, em 05 de julho de 2005, uma matéria sob o título de “Lamentomania Carioca”, na qual Flamengo, Fluminense e Botafogo suplicavam pela Timemania, loteria que possibilitaria aos clubes consolidar suas dívidas fiscais e obter certidões positivas com efeito de negativas, tirando a faca do pescoço deles.

Disse o presidente do Flamengo, Márcio Braga: “Os clubes não terão condições de sobreviver no segundo semestre de 2005 se alguma posição não for estabelecida pelo governo.”

Falou o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas: “O Botafogo está chegando ao limite, que é o fechamento das portas. O que estamos reivindicando é a possibilidade de sobreviver.”

Declarou o presidente do Fluminense, Roberto Horcades: “Nosso encontro tem importância histórica. Como as coisas estão colocadas, será difícil de manter os clubes funcionando.”

O Vasco não era citado na matéria, pois mantinha suas certidões positivas com efeito de negativas e nem apareceu na reunião, mostrando-se apenas solidário aos clubes, mas dizendo não aceitar a proposta que estava à mesa na época para a constituição da loteria (modificada posteriormente).

Sobre patrocínio (o grande discurso massificado pelo MUV), o Vasco teve patrocinador em 2007 e em 2008, recusou propostas consideradas baixas antes, teve alguns patrocínios pontuais, também antes, mas o fundamento de receita dos clubes na primeira década do século não era receita de patrocínio e sim das cotas de TV. 

Sobre a matéria do jornal “O Globo”, repetimos aqui que está sem data, mas supõe-se ter sido publicada em 2022, pois se fala nela da 777 partners, como se esta estivesse por comprar o futebol do Vasco ou o tivesse adquirido. De qualquer forma, como o processo foi muito rápido, o ano seria 2022. Três comentários necessários:

1 – O Vasco já estava no RCE antes de a empresa comprar o futebol do Vasco. A matéria sugere que a dívida trabalhista existente à época seria “atacada” via RCE. Isso não se trata de ataque à dívida, mas simplesmente de cumprimento do acordado pelo clube antes.

2 – Parece inacreditável que em 2022 fale-se de uma dívida trabalhista, com foco nas pendências deixadas, após o fim da parceria, como sustentáculo para a narrativa. Isso porque o Vasco aderiu e cumpriu um Ato Trabalhista em 2004, o que lhe permitiu acordar outro, em dezembro de 2007, em condições de pagamento, por sinal, muito melhores que as de Fluminense e Botafogo à época, também signatários do mesmo Ato. Por outro lado, quando finalmente as dívidas fiscais foram consolidadas pelos clubes, dado o surgimento da Timemania, a dívida fiscal rubro-negra era o dobro da do Vasco e a de Botafogo e Fluminense eram próximas do montante consolidado pelo clube da Gávea.

3 – A matéria ignora o fato público, notório e reconhecido no Poder Judiciário de que o banco não pagou U$12 milhões de dólares, portanto, não saiu, simplesmente. Ele inadimpliu e o contrato foi denunciado pelo Vasco, após oito meses de tal inadimplência. Afora isso, os problemas vividos pelo Vasco no início do século também tiveram por parte da Globo um dos motivos, pois, como citado por um executivo dela ao jornal “Meio e Mensagem” em 2001, a emissora aplicaria um torniquete financeiro no clube, com a intenção de jogar a torcida contra Eurico Miranda, a fim de que ele perdesse o apoio dela. Vale relembrar que após 18 meses de torniquete e resistência do Vasco, a emissora voltou a conversar com o clube, depois deste não aquiescer a que uma mudança no contrato de TV assinado por ela, fosse feita nos parâmetros (valores) desejados por ela própria. O Vasco foi exceção: todos os outros grandes clubes, que antecipavam cotas com a emissora (e continuaram antecipando entre 2001 e 2002) eram a favor. A ação, inclusive, como já dito em outra imagem, fez o Vasco voltar ao Clube dos Treze, com Eurico Miranda em posição de liderança e com o próprio Vasco mantendo-se no primeiro grupo entre os recebedores das cotas de TV. O seria junto a Corinthians, Flamengo e São Paulo. Anos depois o Palmeiras também entraria no seleto grupo, formado, então, por cinco clubes e assim o foi até a saída de Eurico Miranda da presidência do Vasco, em 30/06/2008, que deixou acertada a renovação de outro, nas mesmas condições para o Vasco, que se encerraria em 2011.

Ainda tem mais.

Vejam a imagem 11.


Imagem 11

O contrato virou alvo da CPI do Futebol em 2001.

Depoimentos apontaram que metade do dinheiro investido pelo banco não passou pela tesouraria do clube.

A outra metade? Teria sido depositada na conta de terceiros por ordem de Eurico Miranda.

E dentro do campo os reflexos vieram rápido…

ELUCIDAÇÕES:

Em novembro de 2000, a VGL (chamada de Vascolic em matéria publicada pelo jornal “Tribuna da Imprensa”) virou alvo da CPI, a partir de investigação da Polícia Federal, que teve por consequência uma descoberta: a empresa Deportes Sports Holding Limited detinha o controle (com 99,6% das ações ordinárias) da VGL e tinha sede em Grande Cayman, capital das Ilhas Cayman.

A Vascolic foi comprada apenas quatro meses após ter sido criada. À época de sua fundação teve a Vascolic como controladora a empresa Barewwod Trading Inc., com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A administração da Vascolic, todavia, continuou sob responsabilidade de executivos ligados ao Banco Liberal, braço brasileiro do Bank of America.

Cheguemos a 2001, agora falando de CPI. Nela própria foi declarado pelo diretor executivo do Bank of America, em abril daquele ano, que as remessas ao exterior de R$3,35 milhões, R$2,33 milhões, R$2,85 milhões e R$4,02 milhões, totalizando R$12,55 milhões, se deram por intermédio do Banco Central e o Bank of America intermediou a transação sabendo que a transferência seria para pagamento de empréstimos e de passes de jogadores e que foram feitos com lisura.

Em 16 de setembro de 1998, portanto muito antes de se falar em CPI da Nike ou do Futebol, o Vasco, em documento assinado por Antônio Soares Calçada e Eurico Miranda, cita cinco valores de transferências, quatro deles lembrados pelo diretor executivo do Bank of America, cerca de 30 meses depois, mais um de 2,3 milhões de reais. O documento enviado pelo clube ao banco fala sobre o cumprimento de obrigações relacionadas ao Departamento de Futebol, especificamente relacionadas com aquisição de jogadores, pagamento de débitos relacionados à aquisição de jogadores, ou pagamentos relativos a aluguel de jogadores, relacionados com os créditos originados pelo referido Instrumento. Todas as remessas se deram por intermédio do Banco Central.

Em 12 de dezembro de 2001, por decisão unânime na 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, três votos a zero, o Club de Regatas Vasco da Gama ganhou a ação no valor de 12 milhões de dólares contra o Bank of America, corroborando sua opinião, quanto ao débito do banco em relação ao clube.

Dentro do campo, em 1998, os reflexos vieram rápido, com os títulos conquistados, considerando a estrutura já montada desde o ano anterior.

Dentro de campo, após o inadimplemento do banco, os resultados vieram rápido, por competência do clube, campeão da Copa Mercosul.

Já em plena CPI, com perseguição a Eurico Miranda, desumanizado e demonizado, a partir da edição de imagens feita pela Rede Globo de Televisão no final de dezembro do ano 2000 (que ela admitiu ter executado, quase 24 anos depois) o Vasco foi Campeão Brasileiro (neste caso em janeiro de 2001).

Apesar de passar por um torniquete financeiro de 18 meses, dito antes por um executivo da Globo, ao jornal paulista “Meio e Mensagem”, que ocorreria, com o propósito de colocar a torcida vascaína contra Eurico Miranda, o clube resistiu, igualando o recorde de oito vitórias consecutivas na Taça Libertadores (que fora obtido pelo Cruzeiro em 1976), conquistando a Taça Rio (1º lugar) por antecipação, dando as maiores goleadas da história no Botafogo (7 x 0), São Paulo (7 x 1) e vencendo de mão aberta o Flamengo (cinco de novo), no mesmo ano. 

Também em 2001 o Vasco conquistou o Bicampeonato Brasileiro e Carioca de Basquete Masculino e foi Campeão Brasileiro e Bicampeão Carioca no Feminino, além de ter sido campeão em três das quatro categorias de base no Basquete Masculino.

No futebol de base conquistou o Mundialito e o Campeonato Carioca de Juniores, além do Campeonato Carioca no Sub11 e Sub13.

No Remo foi conquistado o Tetracampeonato Carioca e Brasileiro. O clube foi Tricampeão Carioca Masculino e Feminino no Atletismo.

Na Natação o Vasco foi Tricampeão da Taça Brasil e do Troféu José Finkel, mantendo-se pelo segundo ano consecutivo como primeiro do ranking, foi Campeão Brasileiro Feminino de Maratonas Aquáticas e Bicampeão do Troféu Brasil de Saltos Ornamentais.

No Futsal o Vasco foi Bicampeão Estadual e Municipal e no Handebol Hexacampeão Carioca.

No Judô, Taekwondo e Karatê o Vasco foi Bicampeão Carioca e no Vale-Tudo, com Wanderlei Silva, venceu o Pride 13 e o Pride 14.

No Tênis, com Joana Cortez, representando-o, o Vasco conquistou o Campeonato Brasileiro e Carioca, além de dois torneios internacionais de duplas ITF, na Colômbia e no México. No Tênis de Mesa o clube foi Tetracampeão Carioca Masculino e Feminino.

Na Vela o Vasco foi Bicampeão Mundial e Brasileiro na classe Laser e Campeão Brasileiro na classe Star, no Hipismo, através de Rodrigo Pessoa, montando Baloubet du Roet, foi Campeão do Grand Prix de Milão (Itália) e no Bodyboarding, com Guilherme Tâmega chegou ao título mundial, o quinto da carreira do atleta.

No Vôlei de Praia, com a dupla Adriana Behar e Shelda representando-o, foi Tricampeão do Circuito Mundial, Campeão da Copa do Mundo e Tricampeão do Circuito Banco do Brasil.

Em 2002, o Vasco encerrou a compra dos imóveis que faltavam para o complexo de São Januário. No mesmo ano o clube passou a alugar o Vasco-Barra (em janeiro), após o Flamengo ter sido despejado de lá em agosto de 2000. O clube ainda se manteve conquistando títulos em vários esportes.

No futebol de base houve a conquista da Copa Rio SUB 17. Dela participaram Bahia, Palmeiras, Atlético-MG (os dois últimos vencidos pelo Vasco no mata-mata), entre outros clubes, além do Bicampeonato Carioca no Sub-13. Nos demais esportes o Vasco foi Campeão da Liga Sul-Americana de Basquete Feminino; Pentacampeão Carioca e Brasileiro de Remo, conquistando, ainda cinco medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano; no Vôlei de Praia, através da dupla Adriana Behar e Shelda, conquistou o Teracampeonato do Circuito Brasileiro Banco do Brasil Feminino; foi Tetracampeão Carioca Masculino e Feminino no Atletismo; obteve duas medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano de Natação; foi Tricampeão Carioca de Karatê; Pentacampeão Carioca Masculino de Tênis de Mesa, além de campeão no Tênis, com Joana Cortez, de um Torneio ITF em duplas (Torneio de Mallorca-ESP) e, com Guilherme Tâmega, Hexacampeão Mundial de Bodyboard, com o atleta usando o símbolo do Vasco na prancha, por gratidão e paixão pelo clube que o patrocinou em 2000, quando foi Hexacampeão Nacional.

Entre agosto de 2002 e o início de 2003 foi montado o time Campeão da Taça Guanabara, Taça Rio e do Campeonato Carioca daquele ano. No ano seguinte o clube conquistou o Bi da Taça Rio (2º turno), derrotando na decisão o Fluminense de Ramon Menezes, Roger, Edmundo e Romário, por 2 x 1. Houve falta de títulos na sequência e nenhuma comemoração, praxe no Vasco desde os anos 1920, quando se tornou grande no futebol, por vices ou semifinais alcançados. Na base, títulos cariocas, em nível interestadual e internacional foram conquistados no Sub11 (2), Sub13 (2), Sub15 (2) e Sub17 (entre 2003 e 2007).

Conquistas em outros esportes foram obtidas em 2003: Basquete Feminino (Campeão Carioca); Atletismo (Pentacampeão Carioca Masculino, mais duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, uma de ouro e outra de bronze); Karatê (Tetracampeão Carioca); Tênis (medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, com Joana Cortez e mais três conquistas dela em torneios internacionais ITF de duplas, no México, EUA e Itália); Tênis de Mesa (Hexacampeão Carioca Masculino), Vôlei de Praia (Pentacampeão do Circuito Brasileiro Feminino Banco do Brasil), além de três medalhas de prata e duas de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, obtidas por remadores ligados ao Vasco.

Renato Carvalho, representando o Vasco, iniciaria uma série de conquistas individuais no Judô, desde Campeonatos Cariocas, Estaduais, Interestaduais, Brasileiros e Sul-Americanos, de 2003 a 2008, a tenista Joana Cortez ainda conquistaria, entre 2004 e 2005 mais seis torneios ITF de Duplas, três em Portugal, dois no Brasil e um na Itália, a dupla Adriana Behar e Shelda ganharia a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, além de obter o Circuito Mundial Feminino e o Hexacampeonato do Circuito Banco do Brasil no mesmo ano. Foram conquistadas quatro medalhas de ouro nos Jogos Sul-Americanos de Atletismo, Remo e Karatê (duas), em 2006, por atletas vascaínos e, também por eles, mais uma medalha de ouro, duas de prata e três de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, além de títulos estaduais e brasileiros no Remo, muito forte até 2008. Vale lembrar que outros esportes não olímpicos foram continuados pelo clube, ou iniciados no período anterior à troca de gestão no Vasco, ocorrida em 2008. Houve, também, a preocupação com os esportes Paralímpicos, desde o apoio a eles dado em 2000, vide as duas medalhas de ouro e uma de prata obtidas por Mauro Brasil na Natação, nos Jogos Parapan-Americanos do Rio em 2007, posteriores às conquistas de dois ouros, em 2005 e duas pratas, em 2006, em campeonatos mundiais dos respectivos anos.


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“O Vasco passou a brigar contra o rebaixamento.

Vieram a queda de público, crise políticas e problemas administrativos.

Em 2004, o balanço do clube foi considerado como o menos transparente entre 18 da Série A.”

Na imagem, mais abaixo, surge matéria do UOL, de 14/07/2005, que trata do balanço patrimonial do Vasco, do ano de 2004, citando o CRC (Conselho Nacional de Contabilidade) como sustentáculo da informação. O título da matéria e seu teor, tal qual foi publicado no Instagram, faz uma associação livre entre a opinião do CRC e a sua própria. Ei-lo: “Futebol do Vasco vê o fundo do poço perto”.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, entre 2001 e 2008, até a troca de gestão, jamais esteve na zona de rebaixamento no returno do Campeonato Brasileiro (que se iniciou em 2003 neste formato). 

No ano de 2002 (ainda no modelo sem returno) o Vasco esteve uma rodada na zona de rebaixamento. 

Entre 2001 e 2002 o Flamengo se salvou do descenso na última rodada (em 2001) e figurou várias rodadas no Z4 em 2002, ano no qual o Botafogo caiu, tal como o Palmeiras, salvando-se o Internacional-RS na última rodada. 

No ano seguinte (2003), o Fluminense (que ficou oito rodadas na zona de rebaixamento) teve chances de cair até a última do campeonato.

Entre 2004 e 2005 o Vasco esteve, no primeiro ano, três rodadas na zona de rebaixamento (entre a 3ª e a 5ª do turno). Na mesma competição o Flamengo figurou na zona rebaixamento em 24 rodadas e o Botafogo (que havia subido em 2003) em 33 rodadas. Em 2004 outro grande clube brasileiro caiu, no caso o Grêmio.

Em 2005 o Vasco esteve nove rodadas na zona de rebaixamento, todas no turno. Considerando os jogos posteriormente anulados e disputados novamente, bem como seus resultados, o Vasco teria ficado apenas duas rodadas na zona de rebaixamento (12ª e 15ª rodadas). Na mesma competição o Flamengo figurou na zona de rebaixamento por 15 rodadas, a última delas a 37ª (naquele ano o campeonato foi disputado por 22 equipes). Nessa edição outro grande foi rebaixado: o Atlético-MG.

Quando da troca de gestão no Vasco (01/07/2008), o clube não figurava no Z4 havia 108 rodadas e jamais entrara nele quando a competição passou a ter 20 clubes. Em 2006 o clube esteve na zona da Libertadores em nove rodadas, em 2007 em 19 rodadas e até haver a troca de gestão, em 2008 (oito rodadas disputadas até ali), numa rodada. O Vasco foi deixado em nono lugar na competição.

No mesmo período, até a troca de gestão, em 30/06/2008, o Flamengo esteve seis vezes na zona de rebaixamento em 2006 e uma em 2007, o Botafogo sete rodadas em 2006 e o Fluminense em cinco das oito primeiras no ano de 2008. Em 2007 outro grande caiu: o Corinthians.

Ou seja, até a troca de gestão, em junho de 2008, desconsiderando os anos de 2001 e 2002, quando o Flamengo quase caiu (por duas vezes) e o Botafogo efetivamente caiu (em 2002), O Vasco, entre 2003 e 2008, esteve 12 rodadas na zona de rebaixamento (que viriam a ser cinco, considerando a anulação dos jogos no Campeonato Brasileiro, apitados por Edilson Pereira de Carvalho em 2005), enquanto o Flamengo esteve 46 rodadas na zona de rebaixamento, o Botafogo em 41 rodadas e o Fluminense em 13 rodadas.

No ano de 2005, no pior do momento do clube, em plena zona de rebaixamento, o Vasco tinha a sétima maior média de público do Campeonato Brasileiro, disputado, então, por 22 equipes. 

Se houve uma insana sede de poder por parte da oposição, desqualificando o clube e se unindo à parte da imprensa para atacá-lo, isso não é crise política e sim uma espécie de sabotagem ao próprio clube. São coisas diferentes. 

Em 2005 o CRC tinha em seus quadros, destacadamente, o futuro Vice de Finanças do clube, que era oposição a Eurico Miranda e fazia parte do MUV (Movimento Unido Vascaíno). Suas críticas eram encaradas pela direção do Vasco, como sendo motivadas por razões políticas. Em sua gestão teve três balanços reprovados pelo Conselho Fiscal do clube (2009, 2010 e 2011). O último deles, inclusive, suscitou a sua saída da função que exercia, em setembro de 2012. Viria, ainda, pedir demissão do cargo eleito, segundo vice-presidente do clube, em dezembro do mesmo ano. O balanço patrimonial de 2011 seria republicado sob a responsabilidade de um novo Vice de Finanças, posteriormente, no início de 2013. Um ex-companheiro de MUV, também oposição a Eurico Miranda (independentemente da declaração a seguir), afirmou para a coluna De Prima do jornal Lance, em outubro de 2012, o seguinte: “Se esse balanço de 2011 tivesse sido apresentado na época do Eurico, já estariam pedindo a prisão dele”.

Sobre a matéria do UOL, que fala do futebol do Vasco no fundo do poço, fazendo correlação com a crítica a respeito do balanço, de autoria do CRC, mais parece uma tentativa de querer comparar bananas com maçãs. Se um balanço (alegadamente) intransparente do ano anterior traz resultados ruins em campo no ano seguinte (quando aquele é discutido pelo público em geral), o que dizer do balanço de 2010, reprovado pelo Conselho Fiscal e a conquista da Copa do Brasil por parte do Vasco em 2011?

De qualquer maneira, a fase péssima no futebol passou e o Vasco terminou o Campeonato Brasileiro de 2005 classificado à Copa Sul-Americana daquele ano, aliás, como já dito acima, o último no qual o clube frequentou o Z4 até a saída de Eurico Miranda em 30/06/2008. Por outro lado isso vem demonstrar o tamanho do Vasco à época. O fundo do poço do futebol do Vasco traduzia-se em 12 rodadas na zona de rebaixamento, no somatório daqueles dois últimos anos, enquanto seu principal rival, o Flamengo, não estava no fundo do poço no futebol, apesar de acumular, ao fim da competição de 2005, 39 rodadas (mais que o triplo, se comparado ao Vasco) no Z4 ao longo do mesmo período.


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“Nesse meio tempo foram rebaixados quatro vezes.

Até que em 2022 o clube aprova a transformação em SAF (Sociedade Anônima).

Vende 70% das ações para 777 partners.

Com o acordo de R$1,4 bilhão em investimentos e pagamento de dívidas antigas.”

ELUCIDAÇÕES:

Nesse meio tempo, antes de o MUV entrar no clube, fato ocorrido em 01/07/2008,, o Vasco não foi rebaixado vez alguma, mas o foi duas vezes na gestão subsequente (no campo) e, também, nos recebimentos de cotas de TV.

O pulo para 2022 pode até ser conveniente para a narrativa que se pretende, mas não faz sentido algum.

Após a troca de gestão, ocorrida em 01/07/2008, até seu fim, em dezembro de 2014, o Vasco teve quase triplicada a sua dívida real e quase duplicada aquela que jogou no balanço. Esta, por sinal, chamou a atenção em dois pontos:

a) Imobilizado

Foi reduzido no ativo permanente o imobilizado do Vasco em 12,657M, no balanço de 2008 (contado a partir de 01/07/2008), elaborado pela gestão sucessora. Curiosamente, nos dois balanços subsequentes, referentes a 2009 e 2010, o valor do imobilizado cresceu 8,914M no 1º ano e 11,192M no 2º ano, totalizando 20,106 milhões no somatório dos dois anos. Vale lembrar que a obra relevante feita por aquela gestão no complexo de São Januário foi inaugurada em dezembro de 2011, após seis meses de seu início, que contemplou a construção de uma Mega-Loja e algumas salas mais abaixo dela.

b) Reservas para Contingências:

O Vasco pôs em seu balanço, na conta “Provisão de Contingências”, R$103,882 milhões em 2008. Essa conta diz respeito a ações que o clube respondia na Justiça, consideradas as que o Vasco perderia, ou provavemente perderia, ou possivelmente perderia, ou remotamente perderia. Até 2007 o clube não considerava esse item em seu balanço patrimonial.

Vale ressaltar que o Flamengo, com uma dívida fiscal, que fora consolidada em 180 milhões de reais para o ingresso do clube na Timemania em 2008 (o dobro da do Vasco) e com centenas de ações trabalhistas a mais que o Vasco contra si, pôs em reservas para contingências (no mesmo exercício em que o Vasco destacou 103,882 milhões de reais no item) o valor de R$7,592 milhões, modificado próximo às eleições na Gávea pela Comissão Permanente de Finanças de seu Conselho Deliberativo, em novembro de 2009, para 36,498 milhões.

Passado esse período, Eurico Miranda retornou ao clube e o geriu no triênio 2015 a 2017.

Quando chegou no Vasco, além da dívida real do clube praticamente triplicada, este tinha dois anos de antecipação das cotas de TV, receita com o quadro de sócios antecipada, receita com produtos licenciados antecipada, dois meses de salários atrasados, mais décimo terceiro, fora direito de imagens a pagar.

Havia, ainda, dívida de dez milhões de reais com a CEDAE (o Vasco nada devia até a saída dele Eurico, em 2008) e dívida até mesmo com caminhão pipa.

Fora isso, várias ações contra o clube que haviam chegado à FIFA (todas da gestão anterior), base alocada em Itaguaí, patrimônio abandonado, São Januário com capacidade para 15.311 pessoas, toneladas e mais toneladas de lixo a céu aberto no complexo de São Januário, hotel concentração, construído em 2003 para os profissionais, largado, parque aquático sob tapumes, ginásio abandonado, alojamento da base sem condições de uso, vindo do 3º lugar da 2ª divisão, sem ter liderado a competição em rodada alguma, com um histórico naqueles seis anos e cinco meses de 03 vitórias contra o Flamengo e 10 derrotas, além de uma até então inimaginável freguesia diante do Botafogo (06 x 09).

Nesse período, entre 2015 e 2017, com Eurico Miranda presidindo o clube, o Vasco suplantou todos os três grandes do Rio no confronto direto (5 x 3, 6 x 4 e 6 x 1), ganhou mais títulos e taças oficiais que todos os três (JUNTOS), conquistou dois títulos (um invicto), aliás os dois últimos do Vasco até aqui, eliminou pela primeira vez na história o Flamengo de três campeonatos consecutivos (no confronto direto), conquistando dois deles, venceu todas as finais que disputou e foi deixado na Taça Libertadores, pela última vez, até 2025. 

Destaque-se, ainda, o trabalho junto à base, antes alocada em Itaguaí, fora a recuperação do patrimônio (reforma do alojamento da base, reforma e utilização novamente do ginásio e do Parque Aquático), criação do CAPRRES, CAPRRES Olímpico e CAPRRES da base, construção de um campo anexo, elevação em mais de 40% da capacidade de público em São Januário (considerando a que encontrou), melhorias nas outras sedes, clássicos jogados dentro de sua casa, novamente, em Campeonato Carioca e Brasileiro (3 vitórias, 1 empate e 1 derrota), obtenção de certidões fiscais positivas com efeito de negativas (pela última vez até aqui e sem entrada em Recuperação Judicial, ocorrida, recentemente), de verbas da CBC em função disso, de novos títulos no Basquete, ressuscitado praticamente (Liga Ouro, Super Four, Copa Avianca) e em outros esportes, novos títulos na base (Campeão no Sub 17 após oito anos, no Sub 20 após sete anos, duas vezes no Sub 11, com Rayan), o primeiro atleta vascaíno olímpico, medalhista de ouro no futebol (Luan), efetivação da maior venda de um atleta de base no século, Douglas Luiz, e uma joia (Paulinho) deixada para a gestão seguinte negociá-la, em menos de 90 dias, por 56,6 milhões líquidos (11 milhões recebidos previamente na primeira semana após assumir). 

Por fim, a dívida do Vasco foi reduzida (sem o clube entrar em Recuperação Judicial, mas apenas por competência administrativa) de 690 para 589 milhões, segundo decisão final do Conselho Deliberativo, após o grupo de finanças da gestão sucessora ter entendido que a dívida fora diminuída de 690 para 645 milhões de reais.

Por outro lado, o clube foi assumido com uma receita anual de 129 milhões de reais e deixado com 192 milhões nesse item, após o fim do triênio. Passados quatro anos a receita anual do Vasco, apresentada no balanço de 2021, foi seis milhões menor que a apresentada em 2017. 

Se em 2001, após a disputa de 13 das 27 rodadas previstas na primeira fase do Campeonato Brasileiro, Eurico Miranda, a 29/09, afirmou que tudo seria feito para impedir a chegada do Vasco às finais da competição, comprovando-se isso ao longo de quatro dos últimos 14 jogos da equipe, nos quais, de forma flagrante, prejuízos se deram contra São Caetano, em São Januário, Fluminense, Portuguesa de Desportos, no Canindé, e Atlético-MG, em Belo Horizonte, perdendo o Vasco dez pontos nos quatro jogos, dois deles em que perdeu, quando, sem prejuízos de arbitragem, venceria, no ano de 2015, durante a disputa do Campeonato Brasileiro, notadamente no returno da competição, Eurico Miranda, novamente presidindo o Vasco, denunciou um suposto esquema de favorecimento aos clubes de Santa Catarina (que eram quatro naquela edição). A questão chegou ao STJD, ocasião na qual Eurico Miranda ratificou sua insatisfação, foi apenas advertido e se concluiu, por parte do tribunal, que deveria haver averiguações sobre o tema.

Naquele ano, o Vasco, que já havia experimentado “pequeno” prejuízo de arbitragem no turno, três pontos, nos jogos contra o Internacional-RS em São Januário e Sport-PE, em Recife, teria no returno um volume de erros de arbitragem em lances capitais jamais visto na história dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro (o que com o VAR, a partir de 2019, deve tornar a marca de 2015 inalcançável). Foram 11 pontos tirados do clube, via arbitragem, nas últimas 16 rodadas, em jogos contra o Atlético-MG, no Maracanã, Cruzeiro, em Belo Horizonte, Avaí, em Santa Catarina, Chapecoense, no Maracanã, São Paulo, no Morumbi e Coritiba, em Curitiba.

Não era novidade para o Vasco prejuízos em momentos decisivos, pois desde 1986 – quando Eurico Miranda assumiu a Vice-Presidência de Futebol (ele teria cargo eleito na direção do clube apenas em 1992) – com o escândalo das papeletas amarelas (denúncias de dentro do Flamengo de que o clube supostamente subornara árbitros para obter o título de Campeão Carioca), os prejuízos flagrantes ao Vasco foram empilhados, tirando do clube o próprio Campeonato Carioca de 1986, a classificação à final no Campeonato Brasileiro de 1992, o título invicto no Campeonato Carioca de 1994 (embora o Vasco tenha sido campeão), a classificação aos play-offs no Campeonato Brasileiro de 1998, o título carioca de 1999, a classificação às semifinais do Campeonato Brasileiro de 1999, o Mundial Interclubes de 2000, o Campeonato Carioca de 2001, a classificação aos play-offs da Copa Mercosul em 2001, a classificação às semifinais do Torneio Rio-São Paulo em 2002, a classificação aos play-offs do Campeonato Brasileiro de 2002, a possível classificação às semifinais da Copa do Brasil de 2003 (com arbitragem correta a vaga seria disputada nos pênaltis), a classificação à decisão da Copa do Brasil de 2008, a classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil em 2016, além dos flagrantes prejuízos de arbitragem no Campeonato Brasileiro de 2011 e a perda do título carioca de 2014, noutra gestão, ocasiões nas quais o Vasco foi vice. Ressalte-se, ainda, o ocorrido no Campeonato Brasileiro de 2020, quando foi pela última vez o Vasco rebaixado, primordialmente por um erro de direito, visto na derrota para o Internacional-RS, em São Januário, quando sem VAR e sem aviso ao árbitro, a cabine definiu em desfavor dos anfitriões um lance capital do jogo.

Para fechar, em 2017 o Vasco foi prejudicado no Campeonato Brasileiro em seis pontos (de sétimo lugar, classificado à Libertadores, teria ficado em terceiro). Na ocasião o Vasco tomou quatro gols irregulares (Bahia e Atlético-MG no turno, Corinthians e Avaí no returno), teve oito pênaltis contra si marcados, apenas um pênalti assinalado em seu favor (na última rodada das 38 previstas) e cinco não marcados, que existiram (Corinthians, Atlético-GO, Flamengo e Santos no turno, Coritiba no returno), fora outros discutíveis. Os seis pontos de prejuízo, em lances capitais, que tiraram pontos do Vasco, se deram frente a Flamengo (1 ponto) e Santos (2 pontos) no turno, Corinthians (1 ponto) e Coritiba (2 pontos) no returno.

Voltando a 2015, ressalte-se que a resposta dada pelo Vasco, diante do maior prejuízo sofrido por um clube na história dos Campeonatos Brasileiros (14 pontos) foi ficar sete meses sem perder, de 08/11/2015 a 07/06/2016 (curiosamente dia do aniversário de Eurico Miranda), batendo seu recorde pessoal de partidas oficiais invictas, superando, ainda as melhores marcas de Atlético-MG, Flamengo, Internacional-RS e Palmeiras no quesito. Nesse período o clube conquistou, em 2016, seu sexto bicampeonato carioca invicto (que não obtinha havia 23 anos) e, de forma invicta (não conseguia um título invicto carioca havia 24 anos), na ocasião em que mais clássicos disputou (oito), comparando-se às demais conquistas sem derrota alcançadas pelo clube, através dos tempos.

O acúmulo de prejuízos de arbitragem ao Vasco na era dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro, no período Pré-VAR se evidenciou nos anos de 2003 (8 pontos), 2004 (6 pontos), 2005 (5 pontos), 2006 (7 pontos), 2011 (7 pontos), 2012 (4 pontos), 2015 e 2017 (os dois últimos já citados). Com isso, o Vasco deixou de ir à Libertadores em 2007 e 2013. Em outros anos, como os prejuízos e benefícios de arbitragem foram poucos ou se anularam, não serão citados. A única ocasião em que os benefícios maiores que prejuízos se evidenciaram a favor do Vasco nos Campeonatos Brasileiros de pontos corridos Pré-VAR ocorreu em 2010 (5 pontos).

Deixa-se aqui de se considerar prejuízos reclamados pelos torcedores nos jogos de mata-mata, referentes ao Campeonato Carioca de 2000 e Copa do Brasil de 2009 (semifinal), pois embora o Vasco, de fato, tenha sido prejudicado num dois dois confrontos decisivos (ou em ambos), a diferença numérica de placar ou a compensação de erro no outro confronto impedem que sejam listados. Por outro lado, a crítica em relação à demora do tira-teima em 2012, nas quartas-de-final da Taça Libertadores contra o Corinthians, primeiro jogo, deve ser registrada, independentemente de, posteriormente, tanto Rede Globo, como a FOX, transmissoras da partida realizada em São Januário (0 x 0), tenham dado como veredicto o impedimento de Alecsandro, autor do gol, na ocasião.

Finalmente, sobre títulos que possam ser contestados por erros em favor do Vasco, existem dois no período: o da Taça Guanabara de 2003, em virtude de um gol mal anulado do Flamengo, três minutos antes de a equipe rubro-negra empatar a partida (o resultado de 1 x 1 deu o título ao Vasco) e o da Copa do Brasil de 2011, no Paraná, diante do Coritiba, em função de um pênalti supostamente cometido por Dedé sobre o atacante Leonardo (quando o placar era de 3 x 2 em favor dos anfitriões), entendido como tal por muitos, mas questionado pelo árbitro Sálvio Spínola, que apitou a partida e mesmo anos depois permaneceu defendendo ter sido correta a sua avaliação de deixar o jogo seguir, na derrota do Vasco para o Coritiba (2 x 3), que, mesmo assim deu o título ao clube, em função da vitória no jogo de ida (1 x 0).

Antes de 1986, em vários momentos decisivos, nas mais variadas competições, o Vasco também experimentou prejuízos dos mais diversos, via arbitragem, mas aqui se faz um recorte, apenas, dos últimos 40 anos.

O Vasco, na prática, foi entregue a terceiros, em 2022, por 700 milhões de reais, enquanto a dívida já existente poderia ser paga com os próprios ativos do clube, ao longo do tempo. Na ocasião da venda, o Vasco estava no RCE (dívidas equacionadas cíveis e trabalhistas) e no Profut (parcelamento de dívidas fiscais). 


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“Com o (sic) SAF sendo controlada pela 777, o Vasco passa 24 de 38 rodadas na zona de rebaixamento.

Isso com uma campanha fraca e muita contestação ao projeto pelo torcedor.

Até que, em 2024, o clube vai à Justiça e suspende o contrato com a 777 – com a prova de que apenas 31% do capital prometido foi investido.

E a história se repete novamente…”

Para alicerçar o que está dito é publicada parte de uma matéria do GE, meramente informativa.”

ELUCIDAÇÕES:

A mudança de associação para SAF e de controle, saindo este do Vasco para um comprador, deu no que deu. 

O clube conseguiu na Justiça algo, que se não obtivesse, manteria a caixa preta da SAF sem abertura, porque quando se entrega o clube, tanto a transparência, como ações do dono dependem de sua vontade e dos conselhos da própria empresa, controlados, em maioria, pelo novo dono, ficando o clube à mercê disso.


Imagem 15

– Hoje o Vasco carrega uma dívida de R$1 bilhão.

– Busca um novo investidor para assumir a SAF

– Está em processo de recuperação judicial

– Passa por mudança constante do elenco

– Não disputou nenhum título nos últimos anos.

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco, de 2018 a 2024 elevou sua dívida em quase um bilhão de reais.

A busca não é por um novo investidor e sim de outro dono, o que não faz sentido algum, considerando o aumento de receitas do clube entre 2021 e 2025, que triplicou por quatro fatores básicos: novos contratos de TV, crescimento do valor de vendas de atletas para o exterior, investimento pesado das casas de apostas nos clubes para propagandearem suas marcas e aumento considerável das premiações pagas pelos organizadores das competições, por performance esportiva. 

Afora isso, a Recuperação Judicial (desnecessária) constituiu-se num calote legal de percentuais de débito do clube com cerca de 500 credores, reduzindo o montante a pagar na ordem de mais ou menos 300 milhões de reais.

Em 2026, considerando a venda de Rayan e o contrato com a Nike, a receita aumentará em ao menos 25% do valor de 2025, que chegou a aproximadamente 600 milhões.

Com o Potencial Construtivo e a responsabilidade de se fazer uma obra em 2027, que seja, no limite do valor líquido a ser recebido, na ordem de 450 milhões, por alto (valor dado para o clube), aumenta-se para dois ou três anos depois a possibilidade de arrecadação de bilheteria a maior, sem contar jogos eventuais no Maracanã. 

Ao mesmo tempo, o clube tem, ainda, a oportunidade de nova receita, com os naming rights do estádio e em 2029 um novo contrato de TV será negociado.

A Vasco SAF pode ter parceiros, investidores, mas não ser entregue a terceiros, com quem quer que seja (que não o Club de Regatas Vasco da Gama) tendo o controle acionário.

O que se propagandeou, desde o fim de dezembro de 2025, foi a perda do controle acionário a troco de um investimento por x tempo. 

Especula-se hoje dois bilhões de reais de investimento. Por outro lado, um comprador dizer que vai assumir a dívida não é nada complexo, pois a garantia da receita anual da instituição já existe para pagá-la, ao longo dos anos.

Sobre nenhum campeonato ganho há dez anos, é um recorde na história do Vasco e isso se deu num período em que a dívida do Vasco cresceu em quase 1 bilhão de reais.

Qual a lição disso tudo?


Imagem 16

“Ter recursos não é suficiente se você não souber administrá-los.
Isso serve tanto para vida, negócios ou investimentos.
O maior contrato do futebol brasileiro virou um dos maiores desastres justamente por isso.”

ELUCIDAÇÕES:

Contar a história de maneira equivocada, contendo inverdades ou más informações, leva a que a continuidade dela se dê torta e errática. 

As consequências de discursos disformes ao histórico são os resultados, que batem no torcedor e transformam o Vasco num clube de menor cobrança, resignado, e que começa a internamente comemorar até mesmo vice-campeonato, num ano em que venceu 23 partidas e perdeu 28, pior resultado no século, na proporção disso, o que ocorreu em 2025.

A história ensina. Aprende quem a considera. A distorção, consciente ou inconsciente dela, faz com que o Vasco se comporte institucionalmente, através de seus coitados dirigentes, como se desaprendesse sua essência.

Sérgio Frias

Certa vez

Certa vez o Vasco foi lanterna do Campeonato Brasileiro (1969), mas nove meses depois  foi Campeão Carioca por antecipação, saindo da fila de 11 anos sem conquistar o título.

Certa vez o Vasco bateu seu recorde negativo de derrotas seguidas (1971), mas classificou-se no Campeonato Brasileiro para a fase semifinal de grupos.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo Operário-MT (1976), mas atuou como um leão diante do Fluminense na decisão do Campeonato Carioca e voltou à competição nacional, ganhando a repescagem em seu grupo.

Certa vez o Vasco ficou de fora da classificação para o Campeonato Brasileiro, por ter sido 7º no Campeonato Carioca, em dois turnos (1983), mas, convidado pela CBF, conforme previa o regulamento, chegou à final do Campeonato Brasileiro meses depois.

Certa vez o Vasco teve que brigar por seus direitos para não ser rebaixado na canetada, diante da péssima campanha feita na 1ª fase do Capeonato Brasileiro (1986), mas se classificou para os play-offs após a disputa da 2ª fase.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo Vitória-BA na Copa do Brasil (1989), mas, meses depois, foi Campeão Brasileiro.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo CSA-AL na Copa do Brasil (1992), mas, meses depois, foi Campeão Carioca Invicto.

Certa vez o Vasco estava obrigado a jogar cinco partidas em dez dias (2000), mas o clube conseguiu esparsar os jogos, contrariando os interesse da Rede Globo.

Certa vez o Vasco foi para o intervalo numa decisão em que atuava fora de casa, perdendo por 3 x 0 (2000), mas virou para 4 x 3, feito jamais igualado na história do futebol mundial em decisões até 2025.

Certa vez houve um incidente com queda do alambrado de São Januário (2000), com edição de imagens que desfigurava o ocorrido, por parte da Rede Globo e tentativa de interdição de São Januário, mas o Vasco jogou lá em 2001 pela Libertadores, Copa Mercosul, Campeonato Brasileiro, Torneio Rio-São Paulo e Campeonato Carioca, o clube emprestou (em seus termos) o próprio estádio para a  final da Copa do Brasil de 2005 (Fluminense x Paulista-SP) e 23 anos depois a Globo admitiu o que tinha feito quanto à edição das imagens contra Eurico Miranda.

Certa vez o Vasco sofreu um torniquete financeiro da Globo por 18 meses (2001/2002), mas resistiu e ao não dar aval para a emissora renovar o contrato de TV com os clubes sem pagar o Vasco, ocasionou a que as partes novamente negociassem, mantendo-se o Vasco no grupo principal, entre os recebedores das cotas de TV.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo XV de Campo Bom-RS na Copa do Brasil (2004), mas quatro dias depois conquistou a Taça Rio (1º lugar), derrotando o Fluminense de Ramon Menezes, Roger, Romário e Edmundo na decisão.

Certa vez o Vasco foi eliminado da Copa do Brasil para o Baraúnas-RN  (2005), goleado pelo Athletico-PR no Brasileiro, mas meses depois classificou-se para a Copa Sul-Americana (tal qual o clube paranaense, derrotando-o como era normal em São Januário no returno) e teve o artilheiro do Campeonato Brasileiro, no caso Romário, com 39 anos de idade à época.

Certa vez o dirigente do Flamengo, Kleber Leite, de olho num possível empréstimo de São Januário para o rubro-negro, em face dos Jogos Pan-Americanos  do Rio que estavam por vir (2007) teceu elogios ao Vasco, afirmando até que era inconstitucional o próprio Vasco não poder atuar em seu estádio, mas o presidente Eurico Miranda disse simplesmente que era problema dos outros não terem campo pra jogar.

Certa vez o Vasco foi eliminado da Copa do Brasil pelo Gama-DF, mas ficou metade do Campeonato Brasileiro na zona da Libertadores e foi fundamental para o rebaixamento do Corinthians no fim do ano, derrotando-o no Pacaembu.

Certa vez o Vasco foi assumido (2014) com uma receita de 129 milhões ano e 688 milhões de dívida (posta nesse valor sem carregar tintas quanto às reservas para contingências, a fim de não causar prejuízos ao Vasco na busca por sua recuperação junto ao mercado e parceiros) e a diminuiu no fim do triênio, segundo balanço feito pela gestão sucessora e em valor maior ainda após decisão do Conselho Deliberativo sobre o mesmo tema, mais próximo ao fim de 2018.

Certa vez o Vasco foi assumido (2015), contando oito jogos sem vencer o Flamengo, mas pôs o adversário nove sem ganhar, eliminando-o de três competições consecutivas no confronto direto e sendo campeão de duas delas.

Certa vez o Vasco caiu de divisão, roubado em 14 pontos (2015), mas em sequência ficou sete meses sem perder uma partida e sagrou-se Campeão Carioca Invicto pela 6ª vez.

Certa vez outro hoje ex-presidente do Flamengo pediu para Eurico Miranda que emprestasse São Januário ao rubro-negro (2016), mas o presidente do Vasco disse não.

Certa vez o Vasco, tal qual em 1989, foi eliminado pelo Vitória-BA na Copa do Brasil (2017), mas chegou à Libertadores.

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Por outro lado,

Certa vez o MUV entrou no Vasco, cheio de promessas, com o clube em 9º lugar no Campeonato Brasileiro (2008) e finalizou a competição em 18º, rebaixado.

Certa vez o Vasco caiu pela primeira vez de divisão no Campeonato Brasileiro (2008), fazendo 30 pontos nos últimos 30 jogos, e comemorou de forma efusiva o “título” de Campeão da Série B no ano seguinte, igualando-se ao Campo Grande em conquistas daquela competição.

Certa vez, com o Vasco na 2ª divisão (2009), a AAV (Associação dos Amigos do Vasco), uma criação excêntrica de apoiadores do MUV, resolveu ter num show do humorista Chico Anysio, chamado “Vasco na segunda” um caminho para supostamente pagar dívidas do clube (numa propaganda política disfarçada em coitadismo para justificar a própria queda do Vasco ocorrida pouco antes) e a ideia partiu de um rubro-negro, dono do Centro Cultural Veneza, diretor financeiro do Flamengo à época, e que sugeriu num clima de humor o nome “Vasco na segunda” para o show.

Certa vez o Vasco apresentou um balanço, carregando tintas nas reservas para contingências (2009), com o objetivo de pôr a dívida do clube como a  maior do Brasil (apresentou quase 110 milhões de reservas para contingências contra, por exemplo, 7,6 milhões do Flamengo, que tinha mais de 200 ações trabalhistas que o Vasco, contra si) e ao fim do período daquela gestão triplicou a dívida real que o clube tinha e dobrou aquela que pôs na canetada.

Certa vez o Vasco caiu de 1º para 5º nas cotas de TV (2011), com aceite seu porque receberia mais, e abriu o espaço para seu principal rival ganhar praticamente o dobro daquilo que passaria a perceber, criando uma futura PG em favor do rival por conta disso.

Certa vez o Vasco conquistou a Copa do Brasil (2011) e a gestão reeleita, também por isso, não tinha como pagar os atletas (contratou sabendo disso), perdendo-os depois (vários deles, a partir do fim do ano seguinte) e constituindo dívidas com boa parte dos principais daquele elenco, além de comprar Eder Luis e não pagar ao Benfica-POR, posteriormente emprestá-lo ao mundo árabe, novamente não pagar, e deixar o problema para a gestão seguinte resolver, ocasião na qual (em 2016), o clube teve que arrumar 12 milhões de reais em 48 horas, a partir de ordem da FIFA, para satisfazer o débito.

Certa vez o Fluminense quis ficar com o lado direito do Maracanã para sua torcida, em detrimento do Vasco (2013) e apesar disso só ser possível caso o Vasco concordasse, seu representante o fez.

Certa vez o Vasco caiu de divisão pela segunda vez (2013) e o que se tentou foi uma antecipação da eleição do ano seguinte para que o MUV se mantivesse no poder, com outro rosto conveniente.

Certa vez o Vasco foi eliminado pelo ABC-RN (2014) e tomou de 5 x 0 do Avaí na Série B.

Certa vez o Vasco foi deixado na Taça Libertadores (2017) e ficou por um gol para não cair no Brasileiro (2018).

Certa vez houve uma denúncia no Vasco de desvio de rendas de jogos do clube, oriunda de dentro do próprio clube (2018) e diante do grande mantra do MUV sobre a famosa renda levada por Eurico Miranda para casa (como era hábito dos dirigentes dos grandes clubes fazerem para que o clube não tivesse que pagar carro-forte, segundo matéria do Jornal do Brasil evidenciando isso na época) e o roubo dela, transformado em piada num ano de eleição (1997), esperava-se a abertura de um inquérito para se apurar os fatos, mas o grupo à época dito “amarelo”, pertencente ao Conselho Deliberativo (do qual fazia parte Carlos Osório na ocasião, poucos anos depois vinculado a outro grupo), que se dissera traído pelo presidente do clube (que era de sua chapa e se disse, ele sim, traído pelo mesmo grupo) ajudou para que não houvesse a investigação, votando contra ela, numa demonstração de pouco se importar com esse tipo de assunto, só servindo para discurso e contação de anedotas alhures.

Certa vez o Vasco caiu de divisão pela quarta vez (2021) e comemorou o “título” da Taça Rio, que deu o 5º lugar ao clube no Campeonato Carioca.

Certa vez o Vasco emprestou São Januário para o Fluminense (2021) e permitiu que as bandeirinhas do Vasco fossem trocadas pelas do adversário, que tomara emprestado o estádio para um jogo seu.

Certa vez o Vasco foi mantido na segunda divisão (2021) e meses depois eliminado na Copa do Brasil pelo Juazeirense-BA.

Certa vez o futebol do Vasco foi vendido (2022) e meses depois eliminado pelo ABC-RN na Copa do Brasil.

Certa vez o Vasco teve negociado seu futebol (2022), dizendo-se com uma dívida de 735 milhões e no ano seguinte discursou sobre um valor a mais (200 milhões), chamado de dívida oculta, que oportunizaria à SAF ficar com mais 20% das ações pertencentes ao Club de Regatas Vasco da Gama, diluindo-as.

Certa vez o Vasco sofreu sua maior goleada na história para o time da Gávea (2024) e a responsabilidade pela vinda do treinador, que simbolizou o desastre, não foi atribuída ao responsável por autorizar a contratação, mesmo com o Vasco voltando a gerir seu futebol uma semana antes da conclusão do negócio.

Certa vez o Vasco teve de receita 473 milhões e apresentou dívida de 1,4 bilhão (2024), dizendo-se falido quanto à SAF, e entrou em concordata meses depois.

Certa vez o presidente do Vasco declarou que queria o Vasco atuando contra o Flamengo no Campeonato Brasileiro em São Januário (2025) e no primeiro não se calou, mantendo-se silente apesar de advogados vascaínos, desvinculados da gestão, terem conseguido uma liminar que oportunizava ao Vasco continuar brigando por seus direitos. Após órgaõs de mídia reverberarem que aquilo seria uma estratégia para um bom acordo com Flamengo e Fluminense, mudando inclusive, possivelmente, termos contratuais, os dois clubes da zona sul emitiram notas refutando, enquanto o Vasco manteve-se silente.

Certa vez o Vasco se tornou o primeiro clube brasileiro a perder de 4 para uma equipe venezuelana em competiçãoes da Conmebol (2025) e o discurso vigente é de que a solução seria entregar o clube para terceiros, em nome do “fim da política”.

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Até quando o torcedor vascaíno será enganado por MUV e cores, esperando que a grande mídia vá dizer para ele a óbvia diferença institucional do clube com eles e sem eles? São 13 anos e 10 meses dos últimos 17 no Vasco. O torcedor do Vasco foi conduzido como massa de manobra, serviu de joguete dos discursos arrumadinhos, levado ao desespero para justificar venda, concordata, revenda e se encher de receios quanto a possíveis brigas a serem compradas pelo clube, que facilitaram exatamente o aceite à inação das gestões desse período, muitas vezes após discursos que sugeririam o contrário, protagonizados por ela própria.

São quatro rebaixamentos, 1,2 bilhão de dívidas feitas no período, freguesia para o Botafogo, 05 vitórias e 27 derrotas para o Flamengo (zero a 10 em Campeonatos Brasileiros), de 3º no ranking da CBF, em 2008, para 15º hoje, venda do futebol do clube, concordata, nenhum Campeonato Carioca ganho em 14 edições, recorde de tempo na história do Vasco sem taças conquistadas (1º lugar), tentativas de melar eleições na Justiça, que perderam ou estavam perdendo quatro vezes no século (2003, 2006, 2017, 2020).

Por que imaginam os vascaínos que os protagonistas e apoiadores desses 13 anos e 10 meses de gestão querem ver o clube revendido, entregue a terceiros (os que assim pensam)?  Não é, nunca foi, nem nunca será pelo Vasco. O grande problema da esmagadora maioria dessa gente é o Vasco ter jeito sem eles. Preferem que acabe, que vá para a Série D ou Z, até porque se fosse por algo lógico seguiriam a lógica de 2/3 dos grandes clubes brasileiros, que nem SAF viraram, após quase quatro anos da lei existir, lembrando que a do Vasco foi a primeira a entrar em concordata.

A narrativa permanecerá sendo a deles, afinal são 14 anos (quase) em 17, discursando e normalmente com apoio midiático, quando o contraponto é o lado inverso do deles. Esse próprio texto será prova disso. Leiam os comentários, observem as justificativas para tentar induzi-los, percebam como se tenta construir narrativas para se afastar dos números, dos comparativos, da discrepância de dois modelos antagônicos de gestão (não é de estilo e sim de gestão). O enfrentamento externo, contra o enfrentamento interno. A exigência de respeito ao clube, desgastando-se se necessário for, contra o recolhimento, aguardando uma boa hora para falar e ter confetes jogados para ou por si próprios, o hábito de superar todos do Rio no confronto, contra a freguesia para 2/3 deles, o número de títulos Brasileiros, Sul-Americanos e de Libertadores obtidos pelos adversários num tipo de modelo e o mesmo item no outro modelo, 19 x 16 contra o Flamengo neste século (9 x 5 em Campeonatos Brasileiros) num modelo e 5 x 27 (0 x 10 em Campeonatos Brasileiros) no outro. Quaisquer argumentos usados, surrados para tentar fazer igualar ou serem parecidas gestões do MUV e cores com quaisquer outras, nos últimos 55 anos do Vasco, é mera fantasia, cinismo, sofisma.

Sérgio Frias

Fontes de Pesquisa: Netvasco, “O Globo”, “Jornal dos Sports”, “Jornal do Brasil”

O dia seguinte

Difícil decisão do Conselho Deliberativo do Vasco naquele início de abril, em 1924.

O clube sairá da AMEA ou não?

O presidente José Augusto Prestes quer defender os atletas do Vasco, mas isso está fora das leis da nova Liga, fora daquilo que é aceitável pelos clubes da elite carioca, não há apoio prévio da imprensa na empreitada e isso fará o campeão de 1923 ficar fora da festa, podendo sofrer inúmeros prejuízos. Um clube que esteve para falir nos seus primeiros anos de vida, poderia sucumbir de vez. Teria de contar apenas com sua torcida, contra tudo e todos fora isso.

Nas ruas o povo pobre, os imigrantes portugueses, os que lutam nas arquibancadas pelo clube (da maneira que fosse necessário) mostram-se revoltados, mas são engolidos pelo noticiário da imprensa escrita. Sua voz será ignorada, silenciada, até mesmo ridicularizada.

Alguns no Conselho Deliberativo tentam argumentar sobre o preconceito, mas é convidado à reunião um outsider, que o clube pensa em no futuro pagar para tomar decisões à base do pragmatismo, diante da tibieza do presidente Prestes, que declarou dias antes à imprensa seu entendimrento em favor dos atletas, os quais se pretende excluir, mas teme represálias do sistema.

As ponderações do Consultor Extraordinário Orientador (CEO) evidenciam em gráficos apresentados numa cartolina branca e letras das cores roxa e amarela as vantagens de o Vasco permanecer na Liga. Abrir mão do dinheiro das rendas dos grandes jogos, de estar na elite, ter de pagar sabe-se lá quanto ao Fluminense, dono do maior estádio do Rio,  para alugá-lo, e ainda correr o risco de ouvir um “não” tricolor, sem apoio prévio da imprensa, com o histórico recente de jornais que perseguiam o clube desde o ano anterior, elaborando matérias nas quais se afirmava que o Vasco perderia os pontos das vitórias diante de Botafogo e Flamengo em 1923, por incluir atletas fora dos padrões da Liga antecessora. Os argumentos são robustos.

Prestes se arqueia na cadeira, enquanto a grande maioria aplaude a apresentação do CEO. “Falta bom senso ao Vasco”, diz um. “Vamos ficar brigando contra tudo e todos?”, diz outro. “Danem-se os atletas. Trocamos 12 por outros 12.”, afirma um mais exaltado. “Tanta briga, tanta briga. Será que só o Vasco está certo e o resto errado?”. “Daqui a 100 anos ninguém vai lembrar disso”, encerrou um prócer, da época, qualquer.

O Vasco, então, decide ceder às pressões da AMEA, elimina os 12 “problemas”, mas o desfecho tem o douro da pílula, em palavras e frases concatenadas cuidadosamente por colunistas de jornais da época, que procuram amainar o sentimento do povo vascaíno. Afirmam ter sido acordado com o Fluminense o pagamento de metade do aluguel nos jogos em que o clube for mandante, tanto em 1924 como no ano seguinte, pontuam ter sido liberado o comércio de bolinhos de bacalhau no estádio das Laranjeiras, em dias de jogos, exploradas as vendas por comerciantes credenciados pelo Vasco e, o mais importante dos ganhos: torna-se desnecessário ao Vasco ter uma praça de esportes, um estádio, adequado às normas da AMEA.

Uma vez aquinhoado com tantas benesses o Vasco faz parte da Liga dali por diante, seguindo suas normas, seus condutores, adaptando-se ao sistema, com aplausos da imprensa em geral, que considera o clube da Rua Moraes e Silva mais simpático e um bom coadjuvante, apesar de alguns vascaínos serem menos cordatos às normas impostas. Estes e seus descendentes, entretanto, serão (felizmente na visão midiática) eterna minoria.

Sérgio Frias

PS: Evidentemente que o dito acima é uma ficção. A história mostrou qual foi a conduta do Vasco à época e suas consequências para o futebol brasileiro, bem como para o engrandecimento do clube.

Gigante da e na Colina

Jogar clássicos estaduais em São Januário não apequena o Vasco, porque São Januário tem capacidade para receber clássicos estaduais.

Já o adversário, centro da polêmica presente, está apequenado há quase 100 anos, pois seu estádio próprio (via terreno doado pelo Poder Público) não tem capacidade para receber um clássico frente ao Vasco, em jogos oficiais, desde o surgimento do Maracanã, em 1950.

Por outro lado, o Maracanã não é do Flamengo, mas muita gente faz força para que assim seja visto, logo não é neutro, na prática, dadas as atuais condições vigentes, a partir da concessão dada a ele Flamengo e ao Fluminense, por longos anos.

Jogar no Maracanã para o Vasco só deve interessar quando num turno o rubro-negro tiver condições de visitante e noutro o Vasco as tenha, ou, então, com condições absolutamente iguais quanto à divisão de ingressos para as duas torcidas, para os dois clubes e demais acertos, que sejam convenientes ao Vasco.

Se o Poder Público se vê incompetente para garantir o jogo em São Januário com a torcida rubro-negra na qualidade de visitante, isso não pode ensejar uma punição ao clube, impedindo-o de atuar em seu estádio.

Resta, neste caso, atuar com torcida única, embora o próprio Vasco jamais tenha declarado ser essa sua vontade precípua, tanto que em todos os confrontos na história, até hoje, houve a presença das duas torcidas.

Vale ressaltar ainda que o comportamento da torcida rubro-negra quando foram vices da Taça Guanabara de 1992 ou quando se desesperavam pela iminência do rebaixamento em 2005 mereciam punição ao clube da Gávea, o que não ocorreu, diferentemente do visto em relação ao Vasco no ano de 2017, ocasião na qual o alvo de alguns torcedores vascaínos, situados na arquibancada, não foi o Flamengo e sim o próprio Vasco, prejudicado por tais atitudes, quanto à presença de seus torcedores em São Januário por seis ocasiões, posteriores àquele jogo.

Lutar pelo direito de o Vasco atuar em casa nos clássicos estaduais, após a mutilação do Maracanã, no qual cabiam mais de 180 mil pessoas, contra menos de 70 mil hoje, faz todo o sentido para o clube, pois a proporção entre as duas praças esportivas diminuiu consideravelmente.

E, para fechar, o fato de o Vasco querer mandar seu clássico contra o Flamengo para São Januário não lhe tira o direito de, em querendo, atuar no Maracanã eventualmente, pois, relembrando, o Maracanã não é do Flamengo, o que pertence ao rubro-negro (por benesse obtida junto ao Poder Público) é o minúsculo estádio da Gávea, local, por sinal, no qual impera a supremacia cruzmaltina nos confrontos diretos, tal qual ocorre, evidentemente, em São Januário.

Sérgio Frias

O Vasco é dos Vascaínos

Uma vez que o atual presidente do Club de Regatas Vasco da Gama disse em coletiva ter como objetivo revender o futebol do clube, entendendo que o controle do futebol não deve ficar com o Vasco, mas com o investidor, é importante saber se essa é uma opinião isolada dele ou de toda a cúpula gestora do clube, pois os dizeres até aqui de outros não ratificam categoricamente tal posição.

A revenda em si poderia ser uma opção, mas jamais com o Vasco na mão de terceiros, ou seja, perdendo o controle acionário.

Manter a posição do Vasco como majoritária, porém, dá trabalho, traz desgaste, envolve cobrança, suscita críticas sobre resultados, sobre performance.

Dizer ao mercado que o Vasco está à venda, sem a preponderante condição de que caiba ao clube o controle acionário, também não é o simples a se fazer, pois diminui muito o números de interessados. O Athletico-PR pode vislumbrar assim, o Vasco não. O Corinthians, que deve 2,3 bilhões pode vislumbrar assim. O Vasco não…

O pensamento de Jorge Salgado em 2022, conceitualmente, é o mesmo que o do atual presidente do clube. A dívida aumentou? Pois é.

Os irresponsáveis todos que foram a favor nos conselhos e na mídia levaram a isso. Não questionaram, disseram que era o único jeito e a dívida aumentou em mais de 300 milhões de reais, com SAF e reclassificações de contas.

O Vasco não é gerido para buscar soluções de diminuição do problema, mas de passagem do problema para terceiros, sem desgaste e apontando dedos, quando os dedos todos a serem apontados são os da mesma rodinha do MUV, que em 13 dos últimos 16 anos geriu o Vasco, aumentando dívidas, terceirizando tudo que fosse possível terceirizar, choramingando, virando saco de pancadas do maior rival e com os olhinhos brilhando por uma solução mágica ou por uma austeridade burra, sem apresentar os resultados no futebol, que demonstrem ser no confronto direto o clube superior aos demais do Rio em vitórias, taças, títulos. Isso foi possível num triênio, mas houve desgaste, houve cobrança, houve trabalho, houve críticas e os resultados alcançados jamais foram repetidos.

Há insistência em não se enxergar a diferença de um Vasco, que tinha como dívida real a menor dos clubes grandes do Rio até o MUV chegar ao poder em julho de 2008, ou de um Vasco, que se recuperou após seis anos e cinco meses de arraso institucional, novamente mandando no futebol do Rio (vide resultados, taças {de 1º lugar} e títulos oficiais), diminuindo sua dívida global (o que nenhuma gestão do MUV e seus sucessores filosóficos fez), recuperando seu patrimônio, sua base e levando o Vasco à Libertadores.

De 2018 para cá, uma taça (de 1º lugar) em competição oficial conquistada e nenhum título de campeonato ganho.

A dívida, que havia chegado a quase 700 milhões de reais com o MUV (688 milhões) foi reduzida (nas contas dos financistas sucessores) para 645 milhões, na visão do Conselho Deliberativo para 589 milhões.

Jamais se perguntou como foi possível ao Vasco chegar a isso, considerando um clube sem crédito no fim de 2014, sem certidões, com dois anos praticamente de receitas das cotas de TV adiantadas, sem patrocínio firmado para o ano de 2015 (e sem poder obter a última parcela do de 2014), sem direito ao recebimento de valores concernentes a produtos licenciados e mensalidades (adiantados), sem ainda poder fazer um programa de sócio-torcedor independente naquele ano, com quase três meses de salários atrasados, sem um atleta sequer da base, pronto para uma venda de direitos econômicos por valor vultoso, terceiro colocado na Série B, sem ter liderado rodada alguma do campeonato, considerado quarta força do Rio entre os grandes e motivo de piada antes dos confrontos contra o principal rival.

O discurso cego, mistura de ódio a alguém com desdém ao clube, justificado por um profundo sentimento pelo clube, que muitos batiam no peito dizendo amar, mostrou-se falso como nota de treis, quando a primeira oportunidade para o Vasco se entregar foi tida como áurea, em 2022.

O desastre daquilo tudo pouco importou para muitos. A ordem é fazer de novo, no método tentativa e erro (mais cuidado, mais transparência, etc…), trazendo ao clube cada vez mais a sensação de que o gigante que é, o é apenas para poucos, pois a maioria vendilhona entende o Vasco como inviável, incapaz de lutar, de se recuperar, de enxergar seu potencial, por mais que provas do contrário tenham sido dadas ao longo do tempo, como ocorreu em 2019, em relação ao sócio-torcedor, por mais que se saiba do potencial crescente para obtenção de receitas futuras, por mais que o Vasco seja, de fato, um dos cinco gigantes do futebol brasileiro, com torcida nacional (aliás, o único dos cinco que se põe à venda).

O Vasco tem de comandar seu destino e não ter isso em mente significa desacreditar do próprio clube, se conduzido por sua gente, o que já seria, como premissa, ilógico para qualquer um pleitear comandá-lo.

Não imaginem que o discurso de revenda com entrega de controle acionário é aceito pela torcida, porque é aquilo que ela pensa, necessariamente.

A lógica se dá porque desde que o clube retomou o controle acionário ele jamais foi incisivo quanto à manutenção disso, deixando brechas para que se pensasse o contrário.

Ou seja, o Vasco não se posicionou perante o mercado como dono do próprio nariz e aceitou o discurso daqueles que enxergam o Corinthians com 2,3 bilhões de dívida viável e o Vasco com 1,1 bilhão inviável.

O Vasco é dos vascaínos e a agressão a isso por 30, 300, ou 3.000.000.000 de moedas nada mais é do que vender a essência do Vasco – como fez Jorge Salgado e os que lhe apoiaram, direta ou indiretamente – independentemente da forma como se venda tal essência.

Sérgio Frias

“A mão do Eurico” – Um pouco do que não foi citado

Faltou Citar

Sobre um pouco daquilo que não foi citado no documentário de Eurico Miranda e é importante ser registrado mais à frente, numa outra oportunidade, baseado na biografia dele e nos fatos inequívocos expostos pela própria mídia e pela história não só do Vasco, como de seus principais adversários do Rio.

Não citaram que o jornalista de “O Globo”, responsável pela matéria “A mão do Eurico”, José Jorge, pediu desculpas ao próprio pela reprodução da mesma, ao identificar que não fora Eurico ou sua mão, protagonista do apagão.

Não citaram a passagem de Eurico Miranda como representante do basquete carioca em 1972, quando questionou os organizadores do torneio disputado em Recife por tentarem dar privilégios aos paulistas em detrimento dos demais estados participantes da competição, obtendo êxito naquilo que queria (a igualdade de tratamento entre todos) e o título de campeão, tido como quase impossível por muitos, conquistado pelos cariocas.

Não citaram que através de ação diligente iniciada por Eurico Miranda, em 1981, lutando pelos direitos do Vasco, os clubes passaram a receber do governo percentuais sobre a Loteria Esportiva, anos depois.

Não citaram as duas invasões de campo de torcedores do Flamengo, ocorridas no segundo jogo da decisão do Campeonato Carioca de 1981 frente ao Vasco, aos 37 minutos do segundo tempo, quando o placar que dava o título ao Flamengo se mantinha (0 x 0). Não foi, portanto, uma novidade ou fato insólito a invasão do ladrilheiro rubro-negro no terceiro jogo decisivo, logo após o Vasco diminuir o placar para 2 x 1.

Não citaram que nos 25 anos anteriores à chegada de Eurico Miranda como Vice-Presidente de Futebol do clube, o Vasco era o quarto clube dos grandes em títulos no Rio de Janeiro e que quando Eurico assumiu o cargo, em janeiro de 1986, o Bangu (que o Vasco não vencia desde 1982) se mostrava mais forte que o próprio Vasco, considerando o ano anterior (1985).

Não citaram que na primeira decisão do Vasco com Eurico Miranda à frente do clube (Taça Guanabara de 1986), houve vitória do Vasco sobre o Flamengo por 2 x 0, gols de Romário, com 121 mil pagantes no Maracanã, após ele desafiar a torcida do Flamengo e dizer que a do Vasco seria maior no estádio, promovendo o jogo e vendo, de fato, os vascaínos dividirem o Maracanã com seu principal rival, quanto à presença de público.

Não citaram o caso das papeletas amarelas em 1986, suposto esquema de corrupção em favor de árbitros que apitaram jogos do Flamengo, trazido a público de dentro do próprio Flamengo, pouco após o rubro-negro ter sido Campeão Carioca daquele ano.

Não citaram que Eurico Miranda, trabalhando nos bastidores e encarando adversários de ocasião, impediu o Vasco de cair de divisão no Campeonato Brasileiro, em 1986, quando tentou-se, fora de campo, fazer com que o Joinville ficasse com a vaga do Vasco, comportando-se parte da imprensa carioca à época mais favorável à tese do Joinville (que buscava a vaga fora das quatro linhas) que a do Vasco, norteada no resultado de campo das duas equipes.

Não citaram que Eurico Miranda foi o responsável pelo cruzamento dos módulos verde e amarelo no Campeonato Brasileiro de 1987, que possibilitou ao Sport ser o Campeão Brasileiro daquele ano e, com isso, que a Copa União não fosse considerada pela CBF como uma competição pirata.

Não citaram que o Vasco, quando ganhou o Bicampeonato Carioca, o fez após 38 anos da conquista anterior e que nas duas decisões (1987 e 1988) ex-rubro-negros trazidos por ele, Eurico, fizeram os gols dos respectivos títulos para o Vasco (Tita e Cocada).

Não citaram que Eurico Miranda, enquanto diretor de futebol da CBF, criou a Copa do Brasil.

Não citaram que Eurico Miranda, enquanto diretor de futebol da CBF, foi diligente no episódio da partida contra o Chile, válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1990, sabendo que havia possibilidade de o Brasil perder os pontos da partida pelo fato de um sinalizador de fumaça ter sido atirado em campo, na direção do goleiro Rojas (embora sem atingi-lo), tomando medidas para que os chilenos não saíssem do vestiário após abandonarem o campo e garantindo na mesma noite à imprensa que o Brasil estaria na Copa do Mundo, pois o Chile sofreria um W.O., o que, de fato, ocorreu.

Não citaram o tricampeonato do Troféu Ramon de Carranza, disputado na Espanha (1987/1988/1989), fato que nenhum clube no mundo, não espanhol, jamais conseguiu.

Não citaram que Eurico Miranda saiu da CBF porque Ricardo Teixeira lhe deu a opção de decidir entre a entidade e o Vasco e ele Eurico, de pronto, disse que sua opção seria o Vasco. “Não precisa perguntar duas vezes. Minha opção é o Vasco”.

Não citaram que Eurico Miranda refutou as ponderações de Antônio Soares Calçada para demitir o treinador Nelsinho no meio do Campeonato Brasileiro de 1989.

Não citaram a briga nos bastidores contra o Palmeiras no Campeonato Brasileiro de 1989 para que o Vasco chegasse à decisão do campeonato.

Não citaram que na queda de braço entre Vasco e CBF sobre a liberação dos atletas para a seleção antes da Copa do Mundo de 1990, prevaleceu a vontade do Vasco e não da entidade, considerando a entrevista dada por Ricardo Teixeira, mostrada no documentário.

Não citaram que na discussão de 1990 sobre o Campeonato Carioca, o Fluminense ficou do lado do Vasco (até ser eliminado em campo pelo próprio Vasco), que a arbitragem ficou no gramado esperando o Botafogo voltar à cancha (porque era a ordem da FERJ) na partida em que houve a dupla interpretação dos clubes de que eram campeões, que na decisão nos tribunais esportivos suprimiu-se instância para definir o Botafogo como campeão e que dar o título ao Botafogo foi um trabalho primordialmente midiático até o julgamento.

Não citaram que Eurico Miranda refutou a hipótese de o Vasco entregar o jogo com o São Paulo em 1992, diante da iminência de a vaga ficar com o Flamengo para ir à decisão do Campeonato Brasileiro, embora os jornais do dia do jogo sugerissem que era plausível Eurico fazê-lo.

Não citaram que os grandes clubes cariocas foram obrigados a disputar todos os clássicos no Campeonato Carioca de 1992 em São Januário e que o Vasco neste ano foi Campeão Carioca Invicto, o que não ocorria há 43 anos.

Não citaram que Eurico Miranda defendeu o ex-atleta rubro-negro Junior, que dera uma cabeçada no árbitro Jorge Travassos no último jogo do Campeonato Carioca (Vasco x Flamengo) em 1992, para que ele não sofresse uma grande punição e pudesse, com isso, encerrar sua carreira, sem qualquer entrave, no ano seguinte, como de fato ocorreu no primeiro semestre de 1993.

Não citaram que Eurico repudiava a venda de Edmundo ao Palmeiras em 1993 e que o presidente do clube à época, Antônio Soares Calçada, ameaçou renunciar caso ela não fosse concretizada.

Não citaram que na conquista do Bicampeonato pelo Vasco em 1993 foi a primeira vez na história em que o clube derrotou o Fluminense numa decisão de Campeonato Carioca e que em todas as decisões de taça ou campeonato disputadas contra o adversário no período de Eurico como Vice de Futebol e presidente do clube, o Vasco venceu todas. Foram nove ao todo. E que antes disso (antes da chegada de Eurico à vice-presidência de futebol) o Vasco havia perdido, diante do mesmo adversário, sete decisões consecutivas.

Não citaram a tentativa infrutífera dos rivais cariocas de boicotar o campeonato no ano do tri (1994) e a que ponto chegou a rivalidade do Flamengo com o Vasco, no jogo seguinte ao falecimento de Dener, partida na qual, inclusive, o Vasco foi prejudicado pela arbitragem e sofreu sua única derrota na competição.

Não citaram as preocupações de Eurico Miranda com a família de Dener, logo após o falecimento do atleta, quando se preocupou com a quitação de apartamento para a mãe do ex-atleta, entre outras assistências à família e que após o imbróglio jurídico foi na gestão do próprio Eurico, como presidente do Vasco, que os valores acertados em juízo foram finalmente satisfeitos, após calote das últimas seis parcelas de pagamento por parte da gestão antecessora a dele.

Não citaram que Eurico conseguiu fazer reconhecer oficialmente, com status de Libertadores, o título Sul-Americano de 1948, isso em 1996, garantindo a participação do Vasco na Supercopa Libertadores de 1997 (e outras que porventura fossem disputadas), competição da qual só participavam equipes que tivessem conquistado a Taça Libertadores.

Não citaram o caso da “Liga Barbante” que os demais clubes do Rio quiseram implementar em 1997, sem sucesso.

Não citaram que o mesmo Edmundo, liberado para disputar a decisão do Campeonato Brasileiro de 1997 contra o Palmeiras, após ter sido julgado, obteve efeito suspensivo para atuar na final do Campeonato Brasileiro de 1994 pelo próprio Palmeiras, diante do Corinthians, mesmo julgado e posto na condição de impedido de jogar, diferentemente do ocorrido em 1997.

Não citaram como Eurico Miranda conseguiu que o Vasco atuasse até a decisão da Taça Libertadores de 1998 em seu estádio.

Não citaram o título carioca conquistado pelo Vasco no ano do centenário, nem o papelão dos rivais no campeonato, inclusive com vergonhosos WOs, frutos da fuga de Flamengo e Botafogo quando da ocasião em que deveriam enfrentar o Vasco.

Não citaram que no jogo do título carioca do ano do centenário (1998), em Bangu, a partida só não acabou sem acréscimos da arbitragem porque Eurico Miranda foi a campo e pressionou o árbitro para isso, após as luzes terem sido apagadas, o que aparentemente faria com que o árbitro encerrasse a partida sem descontos.

Não citaram que o Projeto Olímpico veio a partir de um consenso entre as partes envolvidas de que fortaleceria a marca, facilitando a que a VGL obtivesse novos patrocínios e receitas para o clube, o que por sinal era sua função à época.

Não citaram a conquista do Torneio Rio- São Paulo de 1999, mas apenas uma fala de Eurico numa rádio (para afrontar setores da imprensa paulista) a respeito da competição.

Não citaram que no balanço patrimonial do clube em 1999 todo o valor investido em esportes olimpicos e correlatos somava apenas 22% do montante, enquanto o referente ao futebol chegava a 67%.

Não citaram que o mesmo critério utilizado para o Vasco disputar o Campeonato Mundial de 2000 valeu para o Palmeiras ser escolhido como representante brasileiro para disputar o de 2001 na Espanha, que chegou a ser anunciado pela FIFA em fevereiro daquele ano para ser realizado em agosto, mas que depois não foi para frente.

Não citaram que o parceiro contratual do clube desde 1998 deixou de pagar o Vasco em julho de 2000.

Não citaram o porquê de Eurico Miranda ter sido contra a Lei Pelé e as consequências de tal lei para o futebol brasileiro, primordialmente para os clubes, desembocando nas SAFs, criadas via legislação, em 2021.

Não citaram o real motivo de a Globo ter se indisposto com o Vasco, quando o clube não aceitou atuar em jogos encavalados, referentes a Campeonato Brasileiro e Copa Mercosul, no fim de 2000, causando prejuízos e embaraços à emissora, após o Vasco instar o Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol para que fosse à Justiça, a fim de impedir que o clube se visse obrigado a atuar em até cinco partidas no incrível espaço de 14/12 a 23/12.

Não citaram que a Globo tratou como antecipação de receitas um valor que na verdade foi emprestado com aval do parceiro do Vasco, que garantia poder ocorrer tal empréstimo pois o quitaria, algo não concretizado.

Não citaram que o Vasco denunciou o contrato em 14/02/2001 e no imbróglio com o parceiro ganhou em primeira instância o direito de receber U$12 milhões e que no acordo feito em 2002, embora a VGL cobrasse quase 80 milhões de reais do clube, aceitou-se fazer acordo, ficando elas por elas.

Não citaram que o Vasco não tinha como buscar patrocínio entre 2001 e 2002 porque a marca estava presa, tanto que nova fornecedora de material esportivo foi fechada logo após o fim do torniquete financeiro, em agosto de 2002. E que em 2004 o clube obteve patrocínio durante a temporada (utilizado, na prática, para ajudá-lo a obter certidões positivas com efeito de negativas no ano seguinte) e pontual (no último jogo do Campeonato Brasileiro), que em 2007 o clube teve patrocínio durante o período da luta de Romário por marcar seu milésimo gol (BMG) e que em 2008 o clube obteve novo patrocínio (MRV), válido até fevereiro de 2009 e, finalmente, que a grande preocupação do Vasco na primeira década do século foi a de se manter na elite dentre os clubes recebedores das cotas de TV, maior receita dos clubes na ocasião (com raríssimas exceçoes), o que conseguiu, de fato, durante todo aquele período em que Eurico Miranda esteve à frente do clube.

Não citaram que entre 1998 e 2002 o Vasco adquiriu uma rua inteira, comprando 56 imóveis, incorporando tudo ao seu patrimônio, no complexo de São Januário.

Não citaram que a Globo foi convencida a conversar com o Vasco em 2002, porque o clube não deu unanimidade quanto à redução que pretendia a emissora fazer no contrato seguinte de cotas de TV (os outros clubes todos, devedores dela, pressionados, aquiesciam) e que ela pagou cotas ao Vasco no mesmo ano, embora a narrativa fosse a de que o clube já havia antecipado tudo até 2003.

Não citaram que a força de Eurico Miranda o fazia comandar as negociações das cotas de TV e que a Globo teve nele, na esmagadora maioria das vezes, um aliado, tendo sido ele, na prática, o maior parceiro dela nesse quesito.

Não citaram a conquista do Campeonato Carioca de 2003, ano em que o Vasco obteve também a Taça Guanabara e a Taça Rio.

Não citaram que a participação do Vasco na Copa Sul-Americana de 2003 se deu porque o clube fez valer seu direito, citando o título Sul-Americano de 1948 para que fosse incluído no critério de pontos do ranking e, por conseguinte, inserido o clube na competição, como de fato ocorreu, junto a outros, em mudança do número de participantes feita pela entidade logo depois.

Não citaram, embora falassem en passant do assunto, que foi Eurico Miranda quem criou o Colégio Vasco da Gama, dentro do complexo de São Januário, em 2004, com funcionários do setor trabalhando às expensas do clube.

Não citaram as mais variadas comprovações em fatos, matérias, publicações, de que a situação financeira do Vasco era muito melhor que a dos três outros grandes do Rio. Exemplo: Lamentomania Carioca em 2005 (Jornal “O Globo”).

Não citaram que em maio de 2005, através da revista Consultor Jurídico, comprovou-se que o Vasco era entre os clubes do Rio o que menos tinha ações trabalhistas contra si. Eram 286, contra 534 do Flamengo, 662 do Fluminense e 723 do Botafogo.

Não citaram que em 2002 (CSA na Copa do Brasil), 2005 (Brasiliense no Campeonato Brasileiro) e 2007 (Grêmio no Campeonato Brasileiro) os desejos do Vasco foram satisfeitos nos bastidores e mesmo dentro de campo, com participação de Eurico Miranda ou do corpo jurídico do Vasco nos episódios.

Não citaram que quando foram consolidadas as dívidas fiscais via Timemania, incluindo as equacionadas, o tamanho da dívida fiscal do Vasco era metade daquela consolidada pelo Flamengo e menor do que as consolidadas por Fluminense e Botafogo.

Não citaram que quando o clube assinou seu segundo Ato Trabalhista, em dezembro de 2007 (o primeiro, cumprido, fora iniciado em 2004), os percentuais da receita a serem separados para satisfazer os débitos eram menores mensalmente e anualmente que os estipulados para Fluminense e Botafogo, os outros dois grandes signatários do mesmo Ato, durante todo o período previsto do acordo.

Não citaram a incrível coincidência de o Vasco ter sido prejudicado pela arbitragem no balanço dos pontos em quase todos os Campeonatos Brasileiros do século XXI antes da saída de Eurico Miranda do clube em 30/06/2008 (2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e ao longo das oito primeiras rodadas da competição em 2008), bem como em momentos decisivos da Copa do Brasil de 2003 e 2008, na decisão do Campeonato Carioca de 2001, de 2003 (quando foi campeão) e de 2004 e em disputas diretas eliminatórias no próprio Campeonato Carioca, em 2005 e 2008.

Não citaram que quando Eurico saiu do Vasco, em 30/06/2008, o clube era o terceiro colocado no ranking da CBF (melhor do Rio).

Não citaram que quando Eurico saiu, em 30/06/2008, o Vasco, no século XXI, não perdia no confronto direto para nenhum grande do Rio.

Não citaram que quando Eurico saiu do Vasco o clube estava há 108 rodadas fora da zona de rebaixamento, jamais havia estado na referida zona no segundo turno da competição, desde 2003, e jamais precisara, matematicamente, dos pontos das duas últimas rodadas de quaisquer dos certames para se manter na primeira divisão. Isto num século em que cinco grandes haviam caído de divisão até ali (Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Grêmio e Palmeiras). E que do Rio de Janeiro era o que menos vezes havia frequentado a zona de rebaixamento, longe, muito longe, de Flamengo e Botafogo nesse quesito. O documentário sugere, inclusive, que a gestão de Roberto Dinamite começou muito bem, como se ela tivesse sido iniciada em 2009 e não em 01 de julho de 2008, quando pegou o Vasco, recém semifinalista da Copa do Brasil (foi eliminado pelo Sport, campeão daquela edição, nos pênaltis), em nono lugar no Campeonato Brasileiro (com salários em dia) e o levou à 18ª colocação, após o fim da competição, após trocar de técnico duas vezes, negociar dois titulares, além do terceiro principal artilheiro da equipe e trazer nove outros atletas para o clube.

Não citaram que poucos dias após a posse de Roberto Dinamite, próceres daquela gestão foram chamados ao escritório de Eurico Miranda para que ele lhes explicasse como deveriam fazer para buscar antecipação de receitas das cotas de TV, via Bic Banco e com aval do Clube dos Treze, o que a direção do clube, de fato, fez mais de uma vez ao longo do segundo semestre de 2008.

Não citaram que o gasto mensal do Vasco, entre despesas fixas e variáveis, à época da saída de Eurico Miranda (junho de 2008), era em torno de 3,5 milhões de reais (no mês de julho de 2008 a gestão sucessora recebeu 3 milhões de reais pela primeira parcela da venda de Phillippe Coutinho) e que quando Eurico Miranda voltou a gerir o clube, cerca de seis anos e cinco meses depois, o gasto mensal do clube, entre despesas fixas e variáveis, com o Vasco vindo da segunda divisão, passava de 10 milhões.

Não citaram, ainda, que quando o Vasco estava na lanterna da competição, em 2008, a dez rodadas do fim da competição, Eurico Miranda anunciou no programa Casaca! no Rádio, veiculado na Rádio Bandeirantes do Rio de Janeiro, que se dispunha a assumir o futebol, com amplos poderes, e evitar o rebaixamento, o que foi rejeitado pela gestão naquele momento, por medo de isso vir a se consumar e trazer ao dirigente os holofotes que tanto incomodavam a muitos.

Não citaram que nas cotas de TV em âmbito nacional, até Eurico sair, o Vasco não ganhava um centavo a menos que nenhum outro clube e que um contrato com validade até 2011 foi deixado assinado nesses termos.

Não citaram que como oposição, em 2011, Eurico Miranda buscou alertar e tentou mesmo se mexer para que a direção do Vasco não fosse partícipe da ideia de implodir o Clube dos Treze, em benefício daquilo que queria o Flamengo, no final o grande beneficiado mesmo, junto ao Corinthians, após a negociação ter sido feita de maneira individual por cada clube com a Globo e não coletiva, como era até ali.

Não citaram que como oposição Eurico Miranda se mexeu e conseguiu da FERJ em 2013 que o Vasco mantivesse o direito de permanecer com sua torcida do lado direito do Maracanã em qualquer ocasião e que isso só não foi possível porque Roberto Dinamite, a posteriori, resolveu assinar um termo no qual dava ao Fluminense tal direito, a troco de nada, como se fosse algo desimportante.

Não citaram que como oposição Eurico Miranda ajudou o Vasco, via FERJ, a pagar salários em plena Série B no ano de 2014.

Não citaram que na conquista do Campeonato Carioca de 2015 o Vasco quebrou um tabu de jamais ter vencido o Botafogo em decisões e que há 50 anos não derrotava o adversário numa decisão direta de competição.

Não citaram os inúmeros prejuízos de arbitragem sofridos pelo clube no Campeonato Brasileiro de 2015 (14 pontos ao todo, o que é um recorde na história da competição para qualquer clube na era dos pontos corridos).

Não citaram com um mínimo de profundidade o título invicto de 2016, ocasião na qual o Vasco disputou mais clássicos em comparação a qualquer outra conquista invicta da história do clube.

Não citaram a maior sequência invicta da história do clube, em jogos oficiais, obtida entre novembro de 2015 e junho de 2016, superando as marcas neste quesito de Atlético-MG, Flamengo, Internacional-RS e Palmeiras, e que o último jogo dela se deu no aniversário do próprio Eurico, em 07/06/2016, quando em Joinville a torcida vascaína cantou um “Parabéns a você” em homeagem a ele, após o fim da partida.

Não citaram a reconstrução do patrimônio do clube em sua última gestão, após a passagem do Tsunami do MUV no clube, bem como o fato de que pela última vez o Vasco, exatamente naquele período, obteve certidões positivas com efeito de negativas, em relação às dívidas fiscais, o que se manteve por quase três anos.

Não citaram que apesar de ter recebido a dívida do clube mais do que dobrada do acumulado dela em 110 anos de Vasco, Eurico a reduziu em seu triênio último à frente do Vasco, admitido isso pela gestão que o sucedeu, responsável pelo balanço patrimonial de 2017 apresentado.

Não citaram que enquanto Eurico Miranda deixou como crédito para o clube em 2008 o valor da venda de Phillippe Coutinho, além de uma joia da base com 100 milhões de reais de multa rescisória (Alex Teixeira) e em 2018 deixou tudo pronto para uma possível negociação do atacante Paulinho (hoje destaque do Atlético-MG) à Europa, com valores na ordem de 57 milhões de reais a serem usufruídos pela gestão sucessora, que fez a negociação, ele, Eurico, quando recebeu o clube para geri-lo novamente, em dezembro de 2014, não tinha um atleta sequer da base com potencial para uma grande venda.

Não citaram que Eurico Miranda deixou o Vasco na Taça Libertadores de 2018, mesmo com o clube impedido de atuar com torcida em São Januário por seis jogos no Campeonato Brasileiro. Nele, por sinal, o Vasco teve seis gols irregulares marcados contra si (validados), apenas um pênalti a favor e oito contra, sendo que não foram marcados a seu favor sete outras penalidades máximas, existentes.

Não citaram que no referido triênio o Vasco ganhou mais campeonatos oficiais (dois) do que todos os grandes cariocas (juntos).

Não citaram que no referido triênio o Vasco conquistou mais taças oficiais (quatro), do que todos os outros do Rio (juntos).

Não citaram que no referido triênio o Vasco disputou quatro decisões de taça e venceu todas.

Não citaram que no referido triênio, pela primeira vez na história, o Vasco eliminou o Flamengo, em confronto direto, de três competições consecutivas, sendo campeão em duas delas.

Não citaram que com Eurico Miranda na presidência do clube no século XXI, jamais qualquer outro clube carioca foi Campeão Brasileiro ou Sul-Americano, fato ocorrido nas gestões do Vasco em que estiveram à frente do clube seus adversários políticos deste século.

Não citaram que de cadeira de rodas e tudo, Eurico ainda ia buscar verba junto a entidades para ajudar o Vasco, ao longo de 2018.

Não citaram as ajudas que Eurico deu a muitos clubes, incluindo os principais rivais, mas citaram um pedido dele a Eduardo Viana, presidente da FERJ, de que as cotas do Campeonato Carioca de 2001 (em reunião realizada a 13/02 daquele ano) fossem divididas proporcionalmente com o Vasco incluído, porque a Globo se recusava a pagar o que o Vasco entendia ser seu por direito (o tempo comprovou que, de fato, era), tratando-se a questão por jornais da época como uma “vaquinha”, ou algo do gênero, sem ter sido citado no documentário as razões pelas quais Flamengo e Botafogo justificavam não aceitar aquilo (grave crise financeira, dito pelo Flamengo e estado de humilhação pública, dito pelo Botafogo, por não cumprimento de obrigações básicas por parte do próprio alvinegro). Vale lembrar que 11 meses depois, o Fla-Barra virou Vasco-Barra, após calote rubro-negro dado ao dono do local e consequente despejo em julho de 2000. Em janeiro de 2002 o espaço passou a ser alugado e utilizado pelo Vasco. Anos mais tarde, na gestão de Roberto Dinamite no Vasco, o clube foi despejado do local por não pagamento do acordado e cumprido até o fim da gestão de Eurico Miranda, em junho de 2008.

Não citaram que Eurico Miranda é o dirigente com maior número de títulos oficiais conquistados em toda a história do clube. Em 25 anos e meio como vice-presidente de futebol ou presidente do clube foram 18 campeonatos oficiais: uma Copa Libertadores, uma Copa Mercosul, três Campeonatos Brasileiros, dois Interestaduais (João Havelange de 1993 e Rio-São Paulo de 1999), nove Campeonatos Cariocas (1987, 1988, 1992, 1993, 1994, 1998, 2003, 2015, 2016) e duas Copas Rio (1992/1993). Além disso, 20 conquistas de taças (turnos): Taça Guanabara (1986, 1987, 1990, 1992, 1994, 1998, 2000, 2003, 2016), Taça Rio (1988, 1992, 1993, 1998, 1999, 2001, 2003, 2004, 2017), Terceiro Turno (1988 e 1997). Fora isso, o Vasco ainda obteve, com ele à frente do futebol, 11 títulos internacionais, dois interestaduais e um estadual, totalizando 52 títulos. Não bastasse tudo que foi exposto, ainda fez reconhecer, como já dito antes, o título Sul-Americano Invicto de 1948, 48 anos depois, colocando o emblemático Expresso da Vitória como primeiro Campeão Sul-Americano oficial do continente.

Sérgio Frias

Centenário Vivo

Rui Soares Proença de Sousa nasceu em Portugal no dia 07/06/1922 e por lá teve gosto por esportes, como o ciclismo, segundo contava. Era um espectador frequente das grandes provas esportivas disputadas naqueles tempos.

Chegando ao Brasil, com 18 anos, em 14/02/1941 teve quase que imediata ligação com o Club de Regatas Vasco da Gama.

Sob a matrícula 11.292 tornou-se sócio do clube em 05/10/1945, depois viria a ser Sócio Proprietário em 06/09/1948, tornando-se sócio Emérito em 11/01/1973, Benemérito em 01/10/1976 e pouco tempo depois Grande Benemérito do clube.

Assumiu a diretoria do Departamento Infanto-Juvenil do clube em 1964 e foi elevado ao posto de Assessor da Presidência para assuntos Luso-Brasileiros no triênio 1971/1973, obtendo muitos anos mais tarde a função de Assesssor Especial da Presidência em 2001.

Em todo o tempo no qual esteve no clube ou fora dele, dedicou-se de corpo e alma à instituição. Doou-se, doou tudo que pode ao Vasco, fazendo do clube quase um filho, que não cansava de presentear.

De minha parte, tinha naquele luso-brasileiro, de sotaque incorrigível e poucas mas contumazes palavras a imagem daquilo que uma criança queria ver ao observá-lo a cada gol do Vasco marcado tomando atitudes que teoricamente os adultos não poderiam se atrever a nos mostrar. Subia e descia escadas, subia nas cadeiras, até mesmo dançava com guarda-chuvas, quando o jogo trazia necessidade de levarmos o utensílio ao estádio. O gol do Vasco era uma verdadeira festa para ele.

Por empatia meu pai foi se aproximando dele nos jogos do Maracanã, depois nos de São Januário e o via inflamar-se quando o assunto era algo feito em prejuízo do Vasco, fosse, em sua visão, vindo da arbitragem, da imprensa, ou de dentro do próprio clube.

Sr. Rui não admitia que se falasse mal de jogador algum do Vasco. Vaiar, então, nem pensar. Para ele se lá estivesse um cabo de vassoura no gramado, com a camisa do Vasco, ele representava o clube e teria que ser apoiado.

Era também um fã de Roberto Dinamite. Certa vez, num jantar ocorrido na Sede Náutica da Lagoa, um vascaíno lá presente disse que jogador para ele não era Roberto e sim o fora Tostão, lembrando o incauto ter visto a estreia do craque contra o Flamengo no Maracanã, contando detalhes. Sr. Rui não teve freio e disse para que não repetisse mais uma bobagem como aquela. Roberto era isso, mais aquilo, mais aquilo outro e muito mais ainda. Não havia comparação e não havia como se fazer tal comparação.

Tantas vezes na social do Vasco calou inconformados com a atuação deste ou daquele jogador. Para ele quem não estava bem tinha que ser mais apoiado ainda para melhorar (embora discordasse que algum jogador do Vasco estivesse mal, por princípio).

Uma figura única, que ao viajar de férias pelo Brasil levava centenas de brindes para dar a vascaínos nos mais variados cantos do país. Não havia limite para ele no enaltecimento ao Vasco.

Quantos sócios do Vasco fez, quantos vascaínos fez, quantos trabalhos fez, quanto contribuiu para o Vasco? Um exemplo a ser seguido.

Nessa data, várias vezes comemorada pela feliz coincidência de também ser o aniversário de seu amigo Eurico Miranda (que hoje completaria 78 anos), há um emblema: o Vasco, de verdade, está vivo, uma vez que o Sr. Rui Proença vive, com a fundamental ajuda e presença de sua esposa Luiza, que o faz assim permanecer, cuidando com o maior carinho do mundo dessa joia verdadeiramente vascaína.

Parabéns, Sr. Rui Proença, saudações vascaínas hoje, amanhã e sempre. Um grande Casaca! para o senhor.

Sérgio Frias

Da resposta para a história

O Vasco não deixará de acolher, defender e propugnar em defesa de 12 de seus atletas, sócios do clube, independentemente de a elite futebolística querer o contrário.

O Vasco veio do nada, perdeu praticamente tudo com apenas um ano de vida e resistiu, independentemente de que quem deixava o clube na ocasião pouco se importasse com isso.

O Vasco é o clube do povo, independentemente de desejarem eleger outro no lugar ao longo da história.

O Vasco construiu São Januário, independentemente das dificuldades experimentadas, inclusive por decisões do Poder Público à época.

O Vasco impedirá Ari Barroso ou qualquer outro da imprensa que use do poder de um microfone para aviltar o clube de graça, independentemente do corporativismo reinante no setor.

O Vasco será o clube que jogará eternamente nos campos, nas quadras, nas águas para ganhar, independentemente de a eventual vitória servir apenas a terceiros interessados.

O Vasco será o clube mais acessível para que sua torcida adentre nele e se torne sócia dele, independentemente dos preços praticados para isso por outros coirmãos.

O Vasco é o pioneiro do Brasil em conquistas fora do território nacional, independentemente da descrença na conquista por tantos.

O Vasco, como clube de regatas que é, detém o recorde de títulos consecutivos no Remo (16), independentemente de rivais almejarem por mais de 60 anos igualar o feito.

O Vasco foi, de fato, Campeão Mundial de Basquete FIBA em 1999, Independentemente de ousarem tratar o vice-campeonato da competição, contra equipe da NBA, como fracasso.

O Vasco possui as maiores campanhas do amadorismo e profissionalismo do futebol carioca, independentemente das buscas dos adversários, antes e agora, por igualá-lo.

O Vasco detém as maiores goleadas dos clássicos estaduais que disputa há mais de 100 anos, independentemente das cores de seus adversários.

O Vasco é o único Super-Super Campeão do Rio de Janeiro, independentemente de por quatro vezes terem tentado tirar tal título na edição de 1958.

O Vasco tem na música e nos gramados seus reis, independentemente de príncipes torcerem por outros clubes.

O Vasco formou a maior delegação de um clube para Jogos Olímpicos, em 2000, independentemente da oposição contra ele e de inverdades reverberadas sobre o pós-projeto até hoje.

O Vasco, dentre os grandes, foi o primeiro clube a investir no esporte paralímpico, independentemente de qualquer vislumbre de retorno financeiro.

O Vasco, dentre os grandes, foi o primeiro clube a dar espaço ao futebol feminino, independentemente de preconceitos da sociedade à época.

O Vasco é o pioneiro, entre os grandes, na construção de uma escola dentro do clube, cumprindo sua função social, independentemente de palavras vazias ditas por rivais inertes.

O Vasco veio de baixo, caiu e se levantou várias vezes, independentemente de tais quedas terem sido convenientes a quem geria o clube ou a poderes influentes do futebol brasileiro.

O Vasco é o clube da resistência e da virada, independentemente de quem esteja eventualmente à frente dele ser adepto do entreguismo.

O Vasco é o clube do país com maior engajamento de torcida, portanto se um dia urubus do mercado quiserem comprá-lo, ela o fará antes, ficando apenas a carniça para outrem, afinal,

SOMOS INDEPENDENTES.

Sérgio Frias

Três anos depois

Passaram-se três anos de seu falecimento. Já estava ele fora da gestão há cerca de 14 meses.

A última vez em que o Vasco se classificou para a Taça Libertadores da América foi com ele. O MUV, versão amarela, dizia nas redes que isso era mole. Pois é. Passaram-se cinco anos, desde a classificação de 2017 e o Vasco se encontra fazendo segunda época na Série B.

O último título de Campeão Carioca invicto foi com ele, aliás o penúltimo também foi.

O último Bicampeonato Carioca foi com ele, aliás o penúltimo e o antepenúltimo também foram.

O único Tricampeonato Carioca foi com ele.

Das 13 Taças Guanabaras conquistadas pelo Vasco em sua história, desde 1965, nove foram com ele.

Em 36 Taças Rio (disputa do 1º lugar) ocorridas, o Vasco conquistou dez (é o recordista). Delas, com ele, foram nove.

Dos quatro Campeonatos Brasileiros conquistados pelo Vasco, três foram com ele.

Dos quatro Torneios Interestaduais oficiais conquistados pelo Vasco (1958, 1966, 1993 e 1999), dois foram com ele.

A primeira final de uma Copa do Brasil disputada pelo Vasco foi com ele, a de um Mundial de Clubes oficial (em 2000), também.

A maior virada em decisões da história do futebol mundial, em todos os tempos, foi obtida pelo Vasco, com ele, no ano de 2000. Todos sabem de que jogo estamos falando.

O Campeonato Carioca que o Vasco moralmente tinha que ganhar (o de 1998) foi com ele. E em sua função o gol do título, marcado por Mauro Galvão, pôde existir, pois a pressão em Bangu era para que o jogo terminasse, após o fim do tempo regulamentar, pela falta de luz no estádio.

Se o Vasco hoje é bicampeão Sul-Americano e se tem na conta um dos títulos conquistados de forma invicta, isso ocorre por sua luta e de um dos seus filhos, hoje professor doutor em história, para que tal reconhecimento fosse obtido em 1996.

No comando do clube, ou do futebol do clube, foram 25 anos e meio.

Se o Vasco teve a oportunidade de durante três anos crescer esportivamente sem comprometer ativo nenhum seu em garantia, sem ter que dar um milímetro de seu patrimônio ou ceder qualquer atleta em função de acordo, isto ocorreu porque ele conseguiu o contrato de parceria com o Nations Bank.

Mas entrar dinheiro não significa conquistar títulos. Outras parcerias foram firmadas com Flamengo, Grêmio, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Bahia e Vitória. Campeonato Brasileiro e Libertadores (juntos) só mesmo o Vasco conquistou naquele período.

E sabemos como o Vasco não se deixou ludibriar, buscou seus direitos, evocou outros, abriu espaços, se necessário à fórceps, brigou com os poderes midiáticos vigentes à época, em vários casos, para trazer, com tudo isso somado, Campeonato Brasileiro de 1997, Campeonato Carioca de 1998 (ano do centenário), Taça Libertadores de 1998, Torneio Rio-São Paulo de 1999, Copa Mercosul de 2000 e Campeonato Brasileiro de 2000, conquistado em 2001, após luta individual sua para que não nos tomassem na canetada.

Antes, houve outras tentativas para frear a busca do Vasco por outros campeonatos, entre eles o Brasileiro de 1989, houve a imposição do clube em atuar todos os clássicos em São Januário no Campeonato Carioca Invicto, conquistado em 1992, a guerra nos bastidores contra o Fluminense no Campeonato Carioca de 1993, a inversão de tabela no único tricampeonato conquistado pelo Vasco em sua história, em 1994.

Para que tais conquistas surgissem (52) ele, logo ao assumir a vice-presidência de futebol, além de manter Geovani (fora dos planos de Calçada e da comissão técnica em 1986) e Roberto Dinamite, que pretendia não mais ficar no clube caso não recebesse o que era devido (algo dito no início do mesmo ano), buscou vários atletas que conquistariam títulos pelo Vasco e em 2017 levaram o clube a disputar sua última Taça Libertadores, já com outra gestão, no ano seguinte:

Henrique, Vivinho, Luís Carlos Martins, Dunga, Tita, Célio Silva, Zé do Carmo, Cocada, Marco Aurélio, Luís Carlos Winck, Quiñonez, Andrade, Boiadeiro, Bebeto, Tato, Jorge Luís, Luisinho, Eduardo, Geovani (de volta em 1991, após venda para o futebol europeu em 1989), Torres, Roberto Dinamite (de volta em 1992 para encerrar de forma vitoriosa sua carreira no Vasco), Carlos Alberto Dias, Dener, Ricardo Rocha, Juninho Pernambucano, Leonardo, Ramon Menezes, Edmundo, Válber, Odvan, Mauro Galvão, Evair, Sorato, Donizete, Luizão, Vágner, Zé Maria, Guilherme, Alex Oliveira, Paulo Miranda, Gilberto, Viola, Amaral, Romário, Jorginho, Júnior Baiano, Clébson, Fábio, Euller, Juninho Paulista, Jorginho Paulista, Léo Lima, Souza, Petkovic, Valdir, Russo, Marcelinho Carioca, Marques, Beto, Madson, Gilberto, Júlio César, Riascos, Andrezinho, Jorge Henrique, Nenê, Yago Pikachu, Breno, Wagner, Luís Fabiano, Anderson Martins, entre outros.

A aposta sistemática na base vascaína, com profissionais imbuídos do objetivo de apresentar material humano de qualidade e bem observados por quem do clube observava, e muito bem, futebol, trouxe importante participação de vários nomes: William, Bismarck, França, Sorato, Sidney, Cássio, Luciano, Carlos Germano, Júnior, Tinho, Valdir, Pimentel, Leandro Ávila, Jardel, Márcio, Yan, Gian, Alex, Brener, Pedrinho, Felipe, Luís Cláudio, Henrique, Géder, Hélton, Wescley, Ygor, Morais, Souza, Alex Teixeira, Alan Kardec, Phillippe Coutinho, Allan, Douglas Luiz, Evander, Paulinho, entre outros.

Falamos aqui, hoje, apenas de conquistas do futebol profissional, mesmo sendo sabedores de que inúmeros outros esportes, com muito ou pouco dinheiro, deram ao Vasco títulos, com a participação dele na diretoria administrativa (desde 1992) e como presidente do clube no século XXI. Não citaremos também os títulos da base, as melhorias patrimoniais, compra de patrimônio, manutenção e conservação dele, profissionais que tiveram escola no Vasco (acadêmica, inclusive) para brilhar nacional e internacionalmente e crescerem como cidadãos, respeito ao Vasco (exigido), em qualquer entidade dirigente do desporto nacional, bem como em qualquer roda de negociações que sem o Vasco, representado por ele, levaram a prática das tratativas normalmente ao fracasso (vide liga barbante do trio Fla/Flu e Bota dos anos 90, I Liga, com a dupla Fla/Flu como partícipe, entre outros tiros n`água, como por exemplo aquele que desencadeou no fim do Clube dos Treze, ocorrido quando ele não administrava o Vasco).

Importante deixar registrado para o público que no século XXI, quando a dívida global do Vasco saiu de aproximadamente 150 milhões de reais (janeiro de 2001) para cerca de 800 milhões de reais, mais de 600 milhões do aumento dela pertence às administrações opositoras a dele neste século e que no século XXI ele geriu o clube durante dez anos e meio, enquanto seus adversários geriram o Vasco (até aqui) por dez anos e nove meses.

Cabe-nos, ainda, lembrar algumas estatísticas e dados básicos do Vasco, com ele e sem ele, no século XXI.

Último clube carioca Campeão Brasileiro, com Eurico Miranda na direção do Vasco (2001 a junho de 2008, dezembro de 2014 a 15/01/2018) – VASCO

Último clube carioca Campeão Sul-Americano, com Eurico Miranda na direção do Vasco (2001 a junho de 2008, dezembro de 2014 a 15/01/2018) – VASCO

Último clube carioca Campeão da Taça Libertadores, com Eurico Miranda na direção do Vasco (2001 a junho de 2008, dezembro de 2014 a 15/01/2018) – VASCO

Único clube carioca finalista de Campeonato Mundial Oficial com Eurico Miranda na direção do Vasco (2001 a junho de 2008, dezembro de 2014 a 15/01/2018) – VASCO

Confrontos do Vasco contra seus três principais rivais históricos no século:
Vasco x Botafogo

Com ele: Vasco 12 x 07 Botafogo
Sem ele: Vasco 12 x 19 Botafogo

——–

Vasco x Flamengo
Com ele: Vasco 19 x 16 Flamengo
Sem ele: Vasco 04 x 19 Flamengo

——

Vasco x Fluminense
Com ele: Vasco 15 x 08 Fluminense
Sem ele: Vasco 14 x 06 Fluminense

——

Número de taças oficiais (1º lugar e 1ª divisão) conquistadas com ele:
2001 – Campeonato Brasileiro (referente à competição do ano anterior)
2001 – Taça Rio (1º lugar)
2003 – Taça Guanabara
2003 – Taça Rio (1º lugar)
2003 – Campeonato Carioca
2004 – Taça Rio (1º lugar)
2015 – Campeonato Carioca
2016 – Taça Guanabara
2016 – Campeonato Carioca (INVICTO)
2017 – Taça Rio (1º lugar)
TOTAL: 10

Número de taças oficiais (1º lugar e 1ª divisão) conquistadas pelo Vasco no século XXI, sem ele:
2011 – Copa do Brasil
2019 – Taça Guanabara
TOTAL: 02

Temos como última comparação, e definitiva para qualquer dúvida deixar de subsistir:

Vinte e cinco anos e meio de Vasco com ele:

Vasco: 16 títulos oficiais desde Campeonatos Cariocas.
(1987, 1988, 1989, 1992, 1993, 1993, 1994, 1997, 1998, 1998, 1999, 2000, 2000, 2003, 2015, 2016)

Vinte cinco anos e meio de Vasco sem ele (primeiro trimestre de 1971 para cá):

Vasco: 04 títulos oficiais, desde Campeonatos Cariocas.
(1974, 1977, 1982, 2011)

Hoje, meu caro Eurico Miranda, querem vender o Vasco na xepa, conforme você anunciou há mais de dez anos que seria o plano deles. Como você disse à época, em reunião aberta e repleta de gente numa dessas casas portuguesas, eles iriam diminuir tanto o Vasco que convenceriam o público de que não haveria outro jeito. Você tinha inteira razão.

Nós estivemos sempre atentos, sabemos que jeito há, sabemos que soluções existem, sempre soubemos que a história mal contada do Vasco favorece a quem quer manchá-la, mas acreditamos, também, que atropelos e sofreguidão por se conseguir o que pretendem pode levá-los, em definitivo, ao fim de sua jornada. Se isso ocorrer, dar-se-á a morte do MUV (que não se confunde com quem fez ou não fez parte do movimento e sim com o espírito do movimento) e um novo tempo no Vasco, no qual a Turma do Ódio, do despeito e da inveja poderá abrir espaço para quem venha tratar nosso clube com a grandeza que ele possui, fazendo-o ser respeitado, temido (se necessário) e vencedor, como é a sua sina.

Sérgio Frias

Cobrança aos incompetentes é o único sim deste momento

O Casaca! participará da manifestação contra a SAF no próximo sábado, de 09 às 13 horas, em frente à fachada histórica da sede de São Januário.

É preciso ficar claro que qualquer modelo de solução para problemas do clube, criados neste caso, pelos que estão lá e lá estiveram desde julho de 2008 (com a exceção de 2015 a 2017, período no qual a dívida diminuiu e o Vasco mostrou quem manda no Rio, em número de vitórias, taças e campeonatos conquistados no período), quando se iniciou a desgraça do MUV no Vasco, pode e deve ser pensado, debatido, falando-se com honestidade ao público a respeito para que um debate amplo possa se dar sobre o tema em voga.

Alternativas para a situação atual do Vasco existem várias, caso contrário não teríamos dentro das cinco chapas que disputaram a eleição estatutária do clube, realizada há quase 16 meses, presencialmente, em São Januário, opções das mais diversas, nenhuma delas sugerindo a venda do futebol e o controle dele dado a terceiros, para sempre.

A SAF interessa a alguns, por razões inconfessáveis, fora, evidentemente, quem compra e deseja hoje reforçar o Genoa, às custas da base do Vasco, emprestando 12,2 milhões de euros para obter à sua escolha, num cardápio, quatro atletas de nossa base.

A tentativa de desesperançar e depois uma nova de idiotizar a torcida do Vasco, tudo isso faz parte de um plano maquiavélico, no qual quanto mais o clube vier a perder no futebol, melhor para quem quer vendê-lo na xepa.

Não há problema algum de durante um processo eleitoral próximo candidatos virem a se manifestar com a solução da SAF no modelo apresentado recentemente (sem autorização) pelo presidente do Vasco hoje, como a única coisa cabível para o clube. Ele próprio pode tentar a reeleição com o discurso.

Veremos, então, o que o quadro social decidirá, porque o modelo continuará à disposição e já se saberá quem deu com os burros na água e a razão disso.

O Vasco tem de subir para a primeira divisão (obrigação), utilizar os 70 milhões de empréstimo previstos no orçamento para cumpri-lo e alcançar os objetivos ditos na oportunidade, que tinham, apesar da mediocridade deles, como sustentáculo a subida de divisão.

Diante disso, não se deve pedir ou solicitar, mas sim exigir contratações que façam reforçar o time para, de fato, torná-lo competitivo num nível aceitável.

Além disso, que mesmo sem reforços, ainda, no confronto deste fim de semana pelo Campeonato Carioca o Vasco se porte como Vasco e vença aquele que, excluindo o período do MUV no clube, neste século, é nosso freguês de caderno, sem ter ganho tanto ele como qualquer outro, depois de nós, Campeonato Brasileiro ou Sul-Americano, claro, que sem o MUV “gerindo” o Vasco.

Se a direção do clube não banca obter o dito acima com 70 milhões na mão e o “melhor quadro dirigente do Brasil”, então que larguem o Vasco e arrumem o que fazer, longe do clube.

Que sejam bem recebidos na Gávea e implantem com o funcionário rubro-negro, Luis Mello, a SAF na Gávea, o mais rápido possível. Só não sabemos se contarão com o apoio efusivo de veículos de mídia que tradicionalmente os protegem.

Sérgio Frias