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Distorções em xeque

A mídia convencional e seus servos do sistema resolveram mesmo desvalorizar de forma categórica inúmeros torneios vencidos pelos maiores clubes brasileiros ao longo de sua história.

Os padrões adotados daquilo que é oficial e amistoso fazem Pelé não chegar a 800 gols na carreira, Romário ser o maior de todos os tempos com 762 gols, o tcheco Josef Bican o segundo, um gol atrás do baixinho, e o rei do futebol apenas o terceiro colocado.

O grande problema está na completa falta de bom senso e mesmo de conhecimento dos que se arvoram em adotar critérios preguiçosos da entidade máxima do futebol (que tanto criticam) padronizados única e exclusivamente para ela, FIFA, ter o controle total de dados, sem necessidade de esmiuçar o histórico futebolístico mundial e suas nuances em cada país.

Para a FIFA, o Flamengo, por exemplo, jamais enfrentou um clube europeu em partida oficial. O mesmo ocorreu com o Atlético-MG, Cruzeiro, Fluminense e Botafogo. Já o Santos nunca venceu uma partida oficial contra europeus, assim como o Grêmio.

Quando vemos pela TV falas orgulhosas fazendo referência ao time de 1977 do Vasco como a maior sequência invicta oficial do clube, a mensagem subliminar ali expressa é a de que o Troféu Ramon de Carranza e o Torneio de Paris são meros amistosos, nada além disso, como a Taça Teresa Herrera também o seria. Teriam o mesmo peso estatístico de um Vasco x Combinado de Petrópolis, disputado em 1988 e vencido pelo clube por 11 x 0.

Com isso o Vasco – ÚNICO CLUBE BRASILEIRO A POSSUIR AS TRÊS CONQUISTAS MENCIONADAS ACIMA – além de Santos, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Flamengo, Atlético-MG, São Paulo e Corínthians deveriam se contentar por terem vencido competições meramente amistosas.

Aliás vendo as imagens da época pôde se notar como os atletas de Vasco e Real Madrid atuaram de forma amistosa na final do Torneio de Paris de 1957. Aquilo não valia nada (para a FIFA nada). Uma bobagem…

O time do Vasco, Campeão Carioca de 1977, possui três recordes quase impossíveis de serem quebrados.

1 – É o time na história do Campeonato Carioca com mais tempo sem sofrer gols. Foram 17 partidas, mais 78 minutos do jogo contra o Bonsucesso, na antepenúltima rodada da Taça Guanabara e a prorrogação da decisão do segundo turno frente ao Flamengo. Sem considerar o período de acréscimos dos jogos temos 1.638 minutos sem ter levado um único gol. E o goleiro Mazaropi está na história por isso.

2 – É o time com a menor média de gols sofridos em toda a história da competição (0,17 gol por jogo).

3 – É o time com o maior saldo de gols da história dos Campeonatos Cariocas em todos os tempos. A equipe fez 69 gols e tomou apenas 5 na competição, totalizando 64 gols de saldo.

Ocorre que no meio do campeonato, primeiro em junho, depois em agosto, o clube excursionou à Europa e lá colheu resultados ruins. Perdeu para o Paris Saint Germain-FRA na disputa do Torneio de Paris e para o Atlético de Madrid, na luta pelo Troféu Ramon de Carranza.

Do exposto acima, por sinal, se dá outra invencibilidade torta. A do goleiro Mazaropi, sem levar gols no estadual desde os 13 minutos do primeiro tempo da partida contra o Bonsucesso (18/05/1977), relembrada pelo Casaca! há poucos dias no quadro “Vasco Hoje”, mas vazado nas duas competições, tomando nelas 9 gols em 4 jogos, contra Anderlecht-BEL, PSG-FRA, Atlético Madrid-ESP e Cadiz-ESP. Reiterando, as disputas ocorreram nos meses de junho e agosto, respectivamente.

Além disso, em mais 7 amistosos, o goleiro levou outros 7 gols. Já encerrado o Campeonato Carioca, antes do início do Brasileiro, outros 5 em 2 jogos.

Agora, considerando apenas os amistosos mesmo, partidas que não valem taça e são meros encontros entre duas equipes, algumas coisas precisam ficar claras. Uma sequência oficial invicta deve estar dentro de sua sequência geral e a história já mostrou como encaram isso os clubes que buscam se manter invictos durante muitos jogos, utilizando amistosos para tal.

Os exemplos comportam dois clubes brasileiros conhecidos.

Entre 1977 e 1978 o Botafogo mantinha uma sequência invicta. Terminara o Campeonato Brasileiro de 1977 sem perder uma única partida, embora nem se classificasse à semifinal da competição. A invencibilidade chegava a 22 jogos na ocasião, contando as duas rodadas finais do Campeonato Carioca mais dois amistosos. A fim de aumentá-la e ainda se preparar para o Campeonato Brasileiro de 1978, que seria disputado entre março e agosto, a equipe atuou em seis amistosos no prazo de 17 dias.

No segundo compromisso da série, contra o Uberlândia, na casa do adversário, empatava em 2 x 2 quando o árbitro Hélio Cosso – que já havia anulado um gol legal do time anfitrião quando o placar era de 2 x 1 para o Uberlândia – marcou pênalti a favor da equipe do triângulo mineiro, cometido por Mário Sérgio (mão na bola após cobrança de falta efetuada por Ferraz) já quase no fim.

Zagallo, técnico alvinegro, partiu para cima do árbitro, não aceitou a marcação e tirou o time de campo sem que o pênalti fosse cobrado. O placar de 2 x 2 foi mantido e o Botafogo partiu para mais 28 jogos invictos, sendo 4 amistosos e 24 oficiais. Por qual razão Zagallo teria ficado tão nervoso, descontrolado se a sequência oficial permanecia intacta? Pelo fato de ele e o universo inteiro saberem que a perda de um jogo (amistoso, não amistoso) quebra qualquer sequência.

O segundo exemplo se dá com o Bahia em 1982.

Eliminado pelo Guarani por 1 x 0 no Torneio dos Campeões daquele ano, a equipe baiana jogou 38 vezes pelo Campeonato estadual da Boa Terra sem sofrer qualquer derrota. Neste período atuou também em 5 amistosos, totalizando 43 partidas sem perder.

Aproveitando a maré e de olho na invencibilidade obtida pelo Botafogo entre 1977/78, o clube baiano começou a marcar amistosos o quanto pôde até o fim do ano (foram 5 em 10 dias). Nos três primeiros conseguiu manter sua invencibilidade, mas no quarto foi derrotado pelo Treze-PB, que fez uma grande festa pela quebra, lembrada até hoje pelos torcedores do clube, com muito orgulho.

Para o próprio Bahia a sequência havia sido quebrada de forma inequívoca. Tanto é que o número de jogos oficias invictos da trajetória do Botafogo era de 44 e tal fato não entusiasmou o clube baiano a incentivar ou reverberar isso no início do Campeonato Brasileiro do ano seguinte, no qual foi derrotado na segunda rodada pelo Mixto, em Cuiabá.

A distorção criada nos últimos tempos por alguns meios de comunicação, reféns de um método torto iniciado por entidades que não cumprem sua função de preservação da história do esporte, mas sim de preservação da história que desejam contar, traz inúmeros prejuízos às instituições praticantes do futebol, as quais veem conquistas emblemáticas serem postas num lugar menor.

Quando se desfaz  de dois torneios qualificados e bastante conhecidos tanto na América como na Europa (o Torneio de Paris e o Troféu Ramon de Carranza), a pretexto da inclusão de uma campanha não invicta como a maior invicta oficial, diminui-se os feitos obtidos pelo próprio clube nos anos de 1957, 1987, 1988 e 1989.

Por outro lado, quando se tenta ignorar a perda de um amistoso como se não maculasse uma sequência invicta oficial está sendo desconsiderado aquilo que os maiores interessados apregoaram em uma sequência deles mesmos. Desrespeita-se aí o próprio “modus operandi” dos clubes na época.

Mas será difícil ouvir da imprensa que no Rio de Janeiro só o Vasco participou de um mundial (2000), aliás de dois pois a Copa Rio de 1951 foi oficializada pela entidade e confirmado isso no ano passado, que dos clubes do Rio, Flamengo, Fluminense e Botafogo nunca atuaram numa partida oficial contra europeus , apenas o Vasco tem essa primazia (E VENCEU TODOS OS CONFRONTOS!), que Pelé não tem mil gols “oficiais” na carreira, que o maior artilheiro da história do futebol mundial é Romário (cria do Vasco).

Não será fácil o narrado acima sair dela própria, que tem certa dificuldade de dar a devida notoriedade ao primeiro título oficial conquistado por um clube brasileiro no exterior, o Sul-Americano de 1948, ganho pelo Expresso da Vitória. Não pela conquista em si, mas pelo fato de o clube ser Bicampeão Sul-Americano, com a anuência oficial da Conmebol em 1996 a respeito disso, pois aquele título foi posto no patamar de Taça Libertadores da América com o convite ao Vasco para participar da Supercopa Libertadores (na qual só atuavam campeões de Libertadores) a partir do ano seguinte.

Rumo à maior sequência geral invicta da história do clube (35 jogos) e a mais quebras de sequências oficiais e gerais externas, pois temos hoje, para a alegria de todos os vascaínos, a maior interna de nossa história quebrada, a do Expresso da Vitória (1945/46), constituída de 27 partidas oficiais na época e que em nada diminui o timaço de Rodrigues, Barbosa, Augusto, Rafanelli, Berascochea, Eli, Argemiro,  Ademir, Lelé, Isaías, Jair e Chico, Campeão Carioca invicto com 13 vitórias e 5 empates (tal qual em 2016) e Municipal Invicto (certame disputado antes do Campeonato Carioca), com 100% de aproveitamento na ocasião, competição na qual o Vasco seria Tetracampeão dois anos depois (1944/45/46/47).

Casaca!

 

 

 

Vasco hoje (24/05/1997) – Edmundo e Pedrinho quebram a invencibilidade alvinegra

Eram tempos estranhos aqueles.

Por mais que o torcedor visse uma coisa no campo, era induzido a chegar a outras conclusões fora dele.

Naquele primeiro semestre de 1997 o Vasco era sistematicamente ridicularizado pelo jornalista Renato Mauricio Prado em sua coluna do jornal “O Globo”.

Numa enquete encerrada em maio disse ele que o pior técnico do Brasil disparado era Antônio Lopes na opinião dos internautas. O mesmo Lopes afirmara em fevereiro que o Vasco em seis meses seria o melhor time do Rio. Quem viveu, viu.

Até aquela data o Botafogo fazia um belíssimo campeonato, enquanto o Vasco tropeçara em vários jogos. Já perdera duas vezes para o Flamengo, três para o próprio Botafogo, além de ter sofrido um revés diante do Americano, em Campos, enquanto o alvinegro se mantinha invicto, embora no terceiro turno, composto por seis equipes, tivesse a mesma campanha do Vasco té ali: uma vitória e dois empates.

O líder do turno era o Fluminense, com duas vitórias e um empate. O Flamengo já estava praticamente fora com apenas um ponto ganho em três jogos e na iminência de levar um w.o. por não ter comparecido para enfrentar o Americano em Campos. Coisas da Liga Carioca, que questionava o estadual, tentava sabotá-lo e fazia os próprios clubes pertencentes a ela pagarem micos de mãos dadas com a entidade.

O tricolor defendia a liderança contra o Americano, nas Laranjeiras, e caso vencesse decidiria com o Botafogo na última rodada precisando do empate, a não ser que o Vasco fosse o vencedor do clássico de sábado.

Era a chance derradeira da equipe de São Januário chegar à final do estadual. Após empatar com o Americano em casa na estreia e arrancar um empate diante do Fluminense no Maracanã em 2 x 2 – quando esteve duas vezes atrás do placar e após o segundo empate no jogo teve um jogador a menos nos 15 minutos finais – uma excelente atuação diante do Bangu, goleado por 4 x 0, fez renascer as esperanças de todos em São Januário pela conquista da vaga na final.

Pedrinho, que havia estreado no time de cima do Vasco há um ano e meio, começava a despontar como grande revelação vascaína e estava escalado no ataque ao lado de Edmundo. Os meias ofensivos eram Juninho e Ramon, sendo o último um dos destaques do elenco no estadual, no gol o time contava com a segurança de Carlos Germano e nas duas laterais havia jogadores de peso: Pimentel, considerado o melhor da posição na competição, e outra cria de São Januário, Felipe. Se um dos volantes vascaínos era o incansável Luisinho, as duas outras opções para a posição não agradavam: Fabrício e Cristiano. Mas o problema maior para muitos era a zaga, constituída por Tinho e Alex, atletas formados no clube, mas pouco aceitos pelos vascaínos dada a grande expectativa criada na época dos juniores. 

Já o Botafogo do centroavante Sorato, ex-Vasco, possuía no contexto do estadual simplesmente seis jogadores entre os melhores do certame. Vagner, Gonçalves, Marcelinho Paulista, Ailton, Djair e Bentinho. Além dos citados o clube contava com o experiente Jorge Luís, ex-Vasco, na zaga e Pingo, atuando como volante. O ponto fraco do time era a lateral. Wilson Goiano pela direita não convencia e Jeferson, que também pertencera ao Vasco, mas por empréstimo, em 1995, não atuava de forma destacada já há algum tempo. No banco Joel Santana, vindo de um pentacampeonato estadual (1992/93 Vasco, 1994 Bahia, 1995 Fluminense, 1996 Flamengo). Estava ele com a bola toda na época.

À tarde, com um público pagante de 5.329 pessoas nas Laranjeiras (dois terços da capacidade do estádio tomados), o Fluminense teve tudo para se isolar na liderança. Atuou com um a mais em campo por toda a segunda etapa (o volante Leonardo do Americano foi expulso no intervalo), saiu na frente, mas permitiu o empate da equipe campista com um gol do até então desconhecido Odvan. O empate criou um clima tenso no clube. Muitos imaginavam que o tricolor havia jogado fora suas chances na competição com aquele resultado.

O empate do Fluminense à tarde punha o Vasco em situação bem melhor na tabela. Caso vencesse pela contagem mínima praticamente eliminaria o Botafogo e ficaria com um saldo superior em dois gols ao adversário, que vencera o Bangu por 2 x 1, empatara com o próprio Vasco em 2 x 2, derrotara o Flamengo por 2 x 0 e tropeçara à tarde diante do Americano, como citado.

O jogo

A partida começou truncada no meio campo. O time de Antônio Lopes avançava Ramon para jogar próximo a Pedrinho e Edmundo e contava com subidas constantes do lateral Pimentel, mas tinha ainda no talento de Juninho uma grande opção para a armação das jogadas. O Botafogo, escalado com seu quadrado tradicional de meio, Pingo, Marcelinho Paulista, Ailton e Djair, era mais transpiração que inspiração. Contava na frente com o talento de Bentinho e o oportunismo de Sorato para definir o jogo, além da segurança de sua zaga, formada por Gonçalves e Jorge Luís para evitar o vazamento da cidadela defendida por Vagner.

Aos 9 minutos do primeiro tempo Juninho lança Pimentel na área que é empurrado no peito por Jeferson, mas o árbitro Álvaro Quelhas nada marca.

Aos 19, entretanto, outra penalidade ocorrida a favor do Vasco foi desta vez assinalada. Edmundo cruzou rasteiro da direita, buscando Pedrinho na área. Djair se antecipou na jogada, mas acabou por atrasar no fogo para Vágner, que sem poder tocar a bola com as mãos a rebateu na dividida com Pedrinho. O jovem talento vascaíno ficou com a posse da redonda, driblou Vágner e foi derrubado. Pênalti claro. Na cobrança Edmundo chutou no canto esquerdo de Vagner, que praticou a defesa salvando seu time na ocasião.

Aos 22 Pedrinho é lançado na esquerda, avança até a área, ganha de Wilson Goiano e chuta cruzado, já próxima da pequena área, mas erra. A pelota sai por cima da meta alvinegra.

Aos 29 finalmente o Botafogo concretiza uma jogada de perigo ao gol adversário. Jéferson vai ao fundo, pelo lado esquerdo, cruza por baixo e Carlos Germano divide com Sorato. No rebote a bola fica com o vascaíno Fabrício que é derrubado na área cruzmaltina, em falta marcada.

No minuto seguinte outra grande chance de gol para o Gigante da Colina. Edmundo lançou Pimentel, que invadia a área. Jéferson tentou o corte do passe, mas só conseguiu resvalar na bola. A gorduchinha sobrou à feição para Pimentel arrematar, mas o lateral atirou por cima, pela linha de fundo, perdendo ótima oportunidade de abrir o marcador.

Aos 33 Pimentel lançou Juninho na esquerda em posição legal, mas o bandeira marcou impedimento de Juninho, prejudicando o Vasco.

Aos 41 a melhor chance do Botafogo na etapa inicial. Jéferson tentou lançar na área, mas no meio do caminho Pimentel interceptou o lance em corte parcial. Fabricio tentou alcançar a bola, mas esta acabou sobrando para Ailton, que lançou Sorato livre na direita, já dentro da área. O artilheiro avançou e tentou o chute por baixo de Carlos Germano, mas o goleiro conseguiu defender com os pés e ainda encaixar a bola no rebote.

Já nos acréscimos da primeira etapa outra chance de ouro para o Vasco. Juninho e Pimentel manobram pela direita e já dentro da área o meia serve ao lateral, que cruza para trás na direção de Edmundo. O “Bacalhau” bate de primeira e acerta o travessão, para sorte do Botafogo. Parecia mesmo ser difícil tirar a invencibilidade alvinegra naquele campeonato.

Na volta do intervalo Joel Santana afirmou a um repórter ter faltado vibração à equipe dele na etapa inicial. O Vasco fora, de fato, muito mais insinuante no período inicial.

Aos 11 minutos do segundo tempo Ailton faz lembrar o gol do título contra o Flamengo, marcado dois anos antes num Fla x Flu épico, no qual saíra como herói. Contra o Vasco o meia recebeu na direita, desvencilhou-se de Fabricio e arrematou de esquerda (que não era a perna boa). Talvez por isso o chute tenha saído mascado, facilitando a defesa de Carlos Germano.

Aos 19 Pimentel recebe próximo à linha divisória e avança pela direita. Já próximo à área toca para Edmundo. Gonçalves tenta o corte, mas só consegue um toque de leve na pelota, que chega ao “Bacalhau” na direita. Ele cruza, a bola passa por Ramon no meio, mas sobra para Pedrinho na esquerda, que ajeita e já próximo à pequena área fuzila Vágner, inaugurando o marcador.

A partir daí o Botafogo vai para cima sem medir consequências. Joel tira o lateral Wilson Goiano e põe em seu lugar o centroavante Dimba. Era tudo ou nada.

Aos 25, em córner da esquerda, a zaga vascaína afastou, mas Jorge Luís, de puxeta, levantou novamente à boca da meta e Dimba, meio de lado, cabeceou por cima quando estava livre para concluir.

Aos 27 Ailton lançou Dimba pelo lado direito em boa posição, mas o mesmo bandeira, responsável pela anulação de um lance legal do ataque vascaíno no primeiro tempo, errou de novo, desta vez contra o Botafogo.

Aos 30 em novo escanteio para o time da estrela solitária, Bentinho toca com o peito para o centro da área e acha Dimba, que chega a arrematar, mas, meio desequilibrado na hora do arremate, conclui fraco para fácil defesa de Carlos Germano. No lance, porém, a chiadeira alvinegra é geral. Os jogadores reclamam com o árbitro uma falta de Fabrício em Dimba dentro da área, no exato momento em que o atleta fazia o arremate. Pareceu, de fato, pênalti, porém nada foi marcado novamente.

Dois minutos depois um entrevero na lateral esquerda, campo de defesa do Vasco, entre Felipe e Ailton, ocasionou a expulsão de ambos. As duas equipes jogariam os 13 minutos finais com um homem a menos em campo.

Aos 40 Juninho e Edmundo fizeram a diferença. O meia executou um lançamento de 30 metros para o atacante, que se infiltrou por trás da defesa adversária, invadiu a área, chamou Jorge Luís para o drible, passou como quis pelo zagueiro e arrematou de esquerda, fechando o marcador.

Depois disso, o Vasco tocou a bola e esperou o fim da partida.

Caía o último invicto do campeonato, o time de Antônio Lopes assumia a liderança junto ao Fluminense com 8 pontos ganhos, abria uma vantagem de três gols no saldo contra o adversário (critério de desempate para o título do turno) e teria o Flamengo na última rodada como adversário, mas com o rubro-negro provavelmente sem chance de conquistar o título, se confirmado o W.O. sofrido diante do Americano em Campos.

Ao tricolor restava golear o Botafogo por quatro gols de diferença (venceria por 2 x 1) para tentar igualar o saldo e vislumbrar ganhar o turno pelo número de gols pró, ou simplesmente torcer para o Gigante da Colina tropeçar diante do Flamengo, jogo que acabaria não ocorrendo devido a mais um W.O. sofrido pelo rubro-negro diante de seu maior rival, legítimo campeão daquele terceiro turno, em 1997.

Jornal do Brasil 25/05/1997

O Globo 25/05/1997

O Globo 25/05/1997

Outras vitórias do Vasco em 24 de maio:
CARIOCA 0 X 2 VASCO (CARIOCA 1931)

VASCO 1 X 0 PONTE PRETA (BRASILEIRO 2003)

A fantasia e a realidade

O jornalista Gilmar Ferreira faz da informação uma criação própria em algumas oportunidades.

Opositor à atual gestão do clube tenta – ao falar da situação de Rafael Vaz no Vasco – induzir o público a crer numa responsabilidade da direção, como se não conhecesse os meandros do futebol e minimamente a legislação esportiva.

Qualquer torcedor um pouquinho mais antenado tem ciência de que um atleta pode assinar pré-contrato com outro clube a partir dos últimos seis meses de seu compromisso com o anterior ao qual está ainda vinculado.

O Vasco procurou se resguardar desde o ano passado para renovar contratos com os mais diversos jogadores. O fez com Martin Silva, Luan, Rodrigo, Julio César, Andrezinho e Nenê do time principal. Jomar, Marcelo Mattos, Bruno Gallo, Jorge Henrique e Thales têm contrato até o fim do ano, Julio dos Santos e Leandrão até 2017, Madson até 2018, Pikachu até 2019. Jordi, Rafael Vaz, Henrique e Diguinho terminam o seu compromisso com o clube ainda nesta temporada. Vários empresários estão vinculados aos nomes citados.

Joias da base, que já atuaram nos profissionais, também renovaram. Nomes como Evander, Caio Monteiro, Mateus Vital e Andrei estenderam seu contrato com o clube entre o ano passado e o início deste.

É claro que o Vasco se interessou por renovar com Rafael Vaz, como se interessou em manter Riascos, como se interessa e deve renovar com Diguinho e mais outros que participam do grupo.

A questão hoje é se o empresário do atleta também se interessa. Uma negociação de Vaz para outro clube com o Vasco recebendo 60% dos direitos econômicos de venda, embora pudesse ocorrer até o último dia de contrato do atleta, na prática só se dá seis meses antes do fim do contrato, pois a partir daí o jogador pode fazer um pré-contrato com outro clube qualquer e aguardar o fim do compromisso, ficando todo o montante referente a direitos econômicos com o clube seguinte ao qual o atleta se vinculará.

Mas então por que razão os empresários do atleta pagaram um valor ao Ceará em 2013, cerca de um mês antes do término de seu compromisso com aquele clube? Ou porque iam perder o negócio com a demora ou pelo bom relacionamento e acordo informal com o clube cearense de lhe reembolsar, caso houvesse uma transferência.

Ou seja, o Vasco para realizar algum negócio envolvendo Rafael Vaz antes dos últimos seis meses de contrato, fazendo valer os 60% a que tinha direito, deveria tê-lo feito até o fim da primeira quinzena de dezembro.

Fantasiando ainda mais a história o jornalista afirma que a direção do Vasco preferia não ver Vaz brilhar para poder renovar mais facilmente seu contrato. Seria então ótimo perder o Campeonato Carioca com uma falha de Vaz porque aí no fim do contrato ficaria mais fácil de renová-lo? Convenhamos…

Em muitos casos, se o empresário não tiver interesse na renovação do atleta com o clube o jogador se recusa a firmar novo compromisso com o último. Se isso vier a ser bom ou ruim para a carreira do atleta, subjetivamente, pouco importa. Apresenta-se uma proposta melhor e pronto. As outras variáveis ficam em plano secundário.

O Vasco, por sua vez, deve permanecer agindo com responsabilidade. No ano passado Fellype Gabriel esteve com um pé no clube, mas a pedida foi alta e ele não veio. Este ano a realidade salarial mudou e o Vasco conta com mais um ótimo jogador no elenco.

Casaca!

 

 

Vinte e Nove

Com mais uma vitória na tarde de sábado diante do Tupi o Vasco completou sua vigésima nona partida invicta e se aproxima do recorde geral obtido pelo clube de 35 partidas consecutivas sem perder.

O time cruzmaltino não é derrotado há 6 meses e 13 dias. Está, portanto, a 1 mês e 14 dias de obter seu maior período invicto de toda a história.

Cada jogo invicto daqui para frente trará a quebra ou igualdade de um recorde interno ou externo e nós do Casaca! informaremos quais estão sendo quebrados, adiantando já que o número de partidas invictas oficiais do Vasco, pelo critério adotado de só ser considerada uma sequência oficial se a geral não tiver sido rompida, ultrapassou a maior marca histórica de Santos e Fluminense, em suas respectivas trajetórias no futebol profissional.

Casaca!

Arte: Renan Kvacek

Comunicado aos vascaínos

 

Neste mês de maio, o Club de Regatas Vasco da Gama quitou antecipadamente mais dois empréstimos bancários. A decisão livra o Vasco de parte do pagamento de juros dessas negociações.

Desde dezembro de 2014, quando retornei ao comando do Vasco, já quitamos R$ 39 milhões somente em dívidas bancárias, a totalidade de operações contraídas na administração anterior ou no início da minha para pagar os impostos devidos no exercício daquele ano.

Ainda assim restam pouco mais de R$ 5 milhões de reais que estão parcelados. Os números são importantes para que o sócio e o torcedor do Vasco tenham a dimensão do sacrifício que está sendo feito para que o clube volte a ter saúde financeira.

Se contarmos também com os pagamentos aos mais diversos fornecedores que estavam atrasados, liquidação de condenações ao Vasco na Fifa ou a outros clubes e acordos que chegam a R$ 3 milhões por mês para evitar penhoras, podemos afirmar que as dívidas pagas já superam R$100 milhões.

Muitas vezes exige-se do clube investimento em jogadores e estrutura que são importantes para o crescimento esportivo, mas é fundamental que todos saibam que sem a estabilidade da Instituição não haverá futuro. Por isso, a adesão ao Profut, o pagamento em dia dos impostos e também dos salários. Tudo isso com enorme sacrifício e trabalhando para que seja isso possível até que o Vasco recupere plenamente a capacidade de investimento.

Eurico Miranda
Presidente

Fonte: Site oficial do Club de Regatas Vasco da Gama

Vasco hoje (23/05/1993) – Pimentel explode no Maracanã

Aquele domingo à tarde no Maracanã prometia.

Vasco e Flamengo vinham entre acertos e tropeços lado a lado na tabela de classificação para saber quem levaria o segundo turno (Taça Rio) e se qualificaria para disputar a decisão contra o Fluminense, campeão da Taça Guanabara.

O Flamengo perdera dois pontos até aquela rodada, a oitava do certame, contra o Americano, em Campos (chegou a estar vencendo por 2 x 0), e Bangu em Caio Martins (virou para 2 x 1, mas cedeu o empate). Ambos os jogos terminaram empatados por 2 x 2. Já o Vasco, que seguia 100% até a 5ª rodada, perdeu de forma surpreendente para o Bangu no Maracanã, com um gol marcado aos 47 minutos do segundo tempo, por intermédio de Robinho, em contra-ataque, após a rebatida de um chute do vascaíno Cássio na trave. Contava na oportunidade a equipe cruzmaltina com apenas 9 homens em campo, frente a 11 do adversário.

No meio de semana anterior, quatro dias antes do clássico, as duas equipes atuaram na semifinal da Copa do Brasil. O Flamengo derrotou o Grêmio no Maracanã por 4 x 3, enquanto o Vasco perdeu para o Cruzeiro no Mineirão por 3 x 1. Os resultados deram um certo favoritismo ao time da Gávea no jogo, que naquele ano havia caído na Libertadores para o São Paulo, já nas quartas-de-final. Com isso sua torcida se faria presente em maior número no clássico, entre os mais de 50.000 pagantes que testemunhariam uma peleja das mais disputadas.

A partida começa em ritmo quente e entre o segundo e o terceiro minuto o grito de gol ficou entalado na garganta dos torcedores.

Primeiro foi o Flamengo quem chegou perto, após Gaúcho receber próximo ao círculo central, passar pelo volante Leandro e tocar nas costas da marcação para Nélio, que avançou pela meia esquerda e já dentro da área bateu de canhota para defesa firme de Carlos Germano.

No lance seguinte veio a resposta do Vasco, com Luisinho atirando de fora da área, o goleiro Gilmar defendendo parcialmente e Júnior Baiano afastando o perigo no rebote. Mas logo a seguir voltou a atacar o Flamengo, após Júnior lançar Djalminha e este tocar macio para Nélio na direita, já dentro da área, que chutou forte, mas para fora, à direita da meta vascaína.

Aos 8 minutos, em falta da intermediária, Djalminha soltou a bomba e Carlos Germano espalmou para escanteio de forma sensacional.

Aos 17 a primeira pontada perigosa do artilheiro Valdir ao gol rubro-negro. O jovem talento chegou próximo à entrada da área e desferiu tiro colocado, mas Gilmar caiu bem para fazer a defesa no canto esquerdo, encaixando a bola.

Aos 27 Leandro lançou do seu próprio campo para Valdir. A bola foi longa demais, mas Júnior Baiano preferiu deixar Gilmar agarrá-la ao invés de interceptar o passe. Valdir, muito veloz, acreditou no lance e chegaria na frente do zagueiro adversário antes de a pelota chegar às mãos de Gilmar. Pressentindo o perigo Júnior Baiano meteu a mão no rosto do atacante, a um passo da área, mas José Roberto Wright ignorou o lance.

O Flamengo buscava atacar em bloco, mas o Vasco nos contragolpes era bastante perigoso, embora não tivesse em Carlos Alberto Dias qualquer inspiração para ajudar nas manobras ofensivas. As duas defesas atuavam muito bem na última linha, principalmente em bolas alçadas nas duas áreas.

Aos 41 boa jogada do Vasco pelo lado esquerdo. Cássio invadiu por aquele setor, passou por Marquinho e quase na linha da área tocou para trás, procurando Bismarck. O meia atirou com capricho, colocado, mas Gilmar defendeu com os pés e se levantou em seguida para pegar o rebote e segurar firme.

Aos 44 a última boa oportunidade da etapa inicial. Gottardo curtindo uma de ala pela esquerda rolou para Júnior, que de primeira serviu a Marquinho. O rubro-negro ganhou de Luisinho, ajeitou e chutou por baixo numa bola venenosíssima, defendida com a ponta dos dedos por Carlos Germano.

A segunda etapa se inicia e logo aos dois minutos ocorre o lance do jogo. Geovani recolhe na meia e entrega ao lateral Pimentel na direita. Este avança, dá a Valdir, que toca de volta. No meio do caminho há a tentativa de interceptação de Piá, mas o resvalo da bola apenas a amortece para Pimentel avançar um pouco mais e quase do bico da pequena área fuzilar para as redes. Vasco 1 x 0.

O gol desequilibra momentaneamente o time rubro-negro, mas a experiência conta e o time começa novamente a mandar no jogo e se aproximar da meta adversária.

Aos 11 minutos Djalminha se livra da marcação de Pimentel e rola para Piá na esquerda. O lateral, dentro da área, bate de primeira, mas erra o alvo por pouco. A bola sai à direita da meta.

Aos 16 Bismarck recebe de Valdir na esquerda, parte em diagonal por aquele setor, dribla Júnior Baiano e é derrubado pelo beque a dois passos da área. Jorge Luís cobra a falta direto e obriga Gilmar a mandar a bola para córner.

No minuto seguinte, Renato Gaúcho, substituto de outro Gaúcho, o centroavante, aproveita a bobeada de Jorge Luís para ganhar o lance e abrir na direita onde se encontra Nélio. O meia manda na área, Pimentel rebate fraco de cabeça e a pelota sobra nos pés de Piá, que atira em direção do gol, mas tem no desvio de Cássio o impeditivo para empatar o clássico. A bola sai em escanteio apenas.

A pressão rubro-negra aumenta. Aos 18 Júnior lança Piá na esquerda, que cruza. A bola atravessa a área e sobra para Djalminha na direita. O meia chama a marcação, abre para o chute e bate forte. Carlos Germano, com a ponta dos dedos, manda à córner.

Aos 23 um erro grosseiro da arbitragem põe o Vasco em maus lençóis. Uidemar lança Júnior na direita, que, de peito, manda na área, buscando Djalminha. Torres estica o pé e evita o perigo iminente. A bola vai saindo pela linha de fundo, mas Carlos Germano mergulha para evitar o escanteio. José Roberto Wright interpreta o lance como bola recuada e pune o Vasco com uma falta em dois lances ao lado da linha divisória da pequena área. Muita reclamação dos jogadores cruzmaltinos. Passados quase quatro minutos de catimba das duas equipes, Júnior cobra o tiro indireto para Renato Gaúcho, mas o atacante pega muito embaixo da bola e isola. Alívio para a massa vascaína.

O rubro-negro volta a chegar perto do empate aos 32 e 33 minutos, respectivamente. A primeira chance surge após Uidemar cobrar falta próxima ao meio campo no lado esquerdo, lançando Marquinho. O meia passa duas vezes por Luisinho, invade a área e bate de esquerda. A bola toca do lado de fora da trave e sai. Logo em seguida o Fla insiste. Djalminha, da esquerda, cruza para bonito voleio de Marquinho, mas a bola passa muito próximo à trave direita de Germano, saindo, entretanto, pela linha de fundo. O goleiro do Vasco ficou só torcendo no lance, pois nada mais poderia fazer.

A fim de melhorar a marcação, Joel Santana põe França no lugar de Carlos Alberto Dias, mas o Flamengo ainda cria uma oportunidade aos 35. Em bola alçada na área, Renato Gaúcho briga com a zaga vascaína e a pelota sobra para Nélio, próximo ao tumulto. O meia toca a Junior na meia lua, mas o capitão rubro-negro tem de bater com a perna esquerda e ainda apertado pela marcação. Com isso manda por cima, longe do gol de Carlos Germano.

A substituição feita por Joel dá resultado, o Vasco sai da pressão e começa a melhor prender a bola. Sidnei entra no lugar de Luisinho aos 43 e um minuto depois centra para a área. Valdir domina, se livra do lateral Fabinho e chuta para fora, com Gilmar vendido no lance.

O Flamengo vai para a blitz final e o Vasco cede um córner aos 45. Na cobrança há a bobeada da zaga que permite a Renato Gáucho bater curto para Júnior, que recebe, levanta a cabeça e cruza com perfeição para Nélio. O cabeceio é preciso mas toca de raspão em Cássio, posicionado próximo à linha fatal, e vai para fora.

O árbitro ainda levaria o jogo até os 49 minutos, mas a equipe cruzmaltina soube segurar o resultado, com sua retaguarda firme no jogo aéreo já desesperado do adversário, que acabaria por fim batido num jogo eletrizante, definido por um chute explosivo e inesquecível de Pimentel.

O Globo (24/05/1993)

O Globo (24/05/1993)

  

Jornal do Brasil (24/05/1993)

Jornal do Brasil (24/05/1993)

Jornal do Brasil (24/05/1993)

Outros jogos do Vasco em 23 de maio:

VASCO 3 X 1 BANGU (TORNEIO MUNICIPAL 1948)

RACING PARIS-FRA 1 X 4 VASCO (AMISTOSO 1956)

VASCO 3 X 0 AMÉRICA (TORNEIO RIO-SÃO PAULO 1957)

ATLÉTICO-MG 1 X 3 VASCO (AMISTOSO 1962)

VASCO 1 X 0 BANGU (TAÇA GUANABARA 1970)

VASCO 5 X 0 AMERICANO (CARIOCA 1979)

VASCO 3 X 0 BOTAFOGO (CARIOCA 1988)

VASCO 1 X 0 VOLTA REDONDA (CARIOCA 1996)

BANGU 1 X 3 VASCO (CARIOCA 2002)

VASCO 3 X 0 ATLÉTICO-GO (BRASILEIRO – 2ª DIVISÃO 2009)

Vasco hoje (22/05/1938) – Polêmica na arbitragem e nas redações

Era o quinto jogo de Vasco e Flamengo no Torneio Municipal de 1938, em sua primeira edição naquele ano. A competição ainda seria disputada sob a mesma nomenclatura em mais sete ocasiões (1943, 1944, 1945, 1946, 1947, 1948, 1951) e faria grande sucesso no futebol carioca, principalmente nos anos 40 do século passado.

O Fluminense seguia invicto na competição com quatro vitórias em quatro jogos e havia vencido Botafogo, Flamengo e Vasco, além do Bangu na primeira rodada. O São Cristóvão vinha atrás com quatro partidas disputadas e dois pontos perdidos, tal qual o Botafogo, mas que havia disputado apenas três jogos. Já o Vasco perdera três pontos no certame até ali, nas quatro vezes em que foi a campo.

O Flamengo estava na penúltima colocação com 6 pontos perdidos, posicionado na tabela à frente apenas do Madureira. A equipe rubro-negra sentia e muito a falta dos craques Domingos da Guia e Leônidas da Silva naquele certame.

A partida, realizada em campo neutro, tem uma presença numerosa de torcedores e já começa movimentada com o rubro-negro abrindo o placar a um minuto de jogo com Waldemar. O lance é iniciado por Fausto que dá a Jarbas na esquerda. O ponta centra, Waldemar domina, invade a área, aproveita-se da indecisão da zaga vascaína e chuta para o fundo do filó, assinalando o primeiro gol da tarde.

Pouco depois, Médio dá ao ponta Valido que perde excelente oportunidade. Mas a resposta do Vasco não tarda, com um chute violento de Bahia, que obriga Alberto a fazer excelente defesa.

O empate do Vasco se dá aos 20 minutos, quando Zarzur em investida pela meia esquerda entrega para Luna na extrema. O ponta cruzmaltino recebe completamente desmarcado e fatura. Alguns jornais afirmaram categoricamente que o atleta estava em posição de impedimento. Foram eles “A Noite”, “Correio da Manhã e “O Globo”. O “Jornal do Brasil” foi menos enfático. Disse parecer haver impedimento no lance, mas terminou por julgar ter errado o árbitro na validação do tento. Por outro lado, o “Diário Carioca, o “Diário da Noite”, a “Gazeta de Notícias” e “O Jornal” não citaram a suposta irregularidade. O “Diário de Notícias” qualificou como desastrada a arbitragem de José Ferreira Lemos (o “Juca”), mas não citou qualquer lance específico, enquanto o diário “O Imparcial” dizia ter ela sido absurda, mas pontuando momentos de desacerto entre o apitador e o bandeirinha, sem citar qualquer erro considerado capital para o jogo.

Logo em seguida o vascaíno Orlando atira violentamente e a pelota bate na trave. Pouco tempo depois, Providente arremata e o goleiro cruzmaltino Joel defende.

O Vasco desempata aos 31. Fantoni recebe e avança, Jocelino tenta impedir a progressão do atleta vascaíno mas falha e Orlando fica com a bola, após a disputa de seu companheiro com o adversário, finalizando com sucesso para as redes.

O Flamengo volta a carga e Providente é empurrado por Oswaldo quando tenta aparar de cabeça uma bola na área. O suposto pênalti é mencionado apenas pelo jornal “A Noite”. Outros nove diários ignoraram o lance.

O rubro-negro pressiona. Valido bate escanteio e Providente, de cabeça, acerta a trave. No rebote Waldemar toca com precisão, vazando pela segunda vez a meta vascaína aos 38 minutos. Clássico empatado novamente.

Logo após a saída de bola, Jocelino comete falta no setor defensivo de seu time. Zarzur bate e Fantoni cabeceia. A bola toca na quina da trave e entra. Está desempatada a peleja. Vasco 3 x 2. E nem houve tempo para nova saída de bola.

O Vasco volta do intervalo com Aziz no lugar de Zarzur, mas quem está melhor em campo é o Flamengo.

Jayme passa a Waldemar que atira violento. A bola bate na defesa e vai à córner. No lance seguinte Valido recebe, dribla três e entrega a Jarbas. O ponta bate violento, Joel tenta deter o tiro, mas falha. A bola passa por debaixo de seu corpo e vai morrer no fundo da rede, num autêntico frango. Três a três.

O jogo é lá e cá. O Fla tem a chance da virada em cobrança de falta, mas Joel defende o chute de Waldemar.

Volta o Vasco a fazer pressão. Aos 20 minutos, Fantoni entrega a Orlando. O ponta recebe sem marcação, dá seis passos com a bola e bate certeiro fazendo 4 x 3.

Dois minutos depois, novo ataque cruzmaltino. Bahia atira em gol e acerta a trave, mas no rebote Luna cabeceia faturando o quinto tento do Vasco e o último do jogo. Segundo o jornal “Correio da Manhã” Bahia estava impedido. Os outros nove diários não tecerem nenhum comentário sobre qualquer irregularidade naquele lance.

Placar final, Vasco 5 x 3 Flamengo.

Na narrativa da partida os jornais “Diário da Noite” e “O Jornal” afirmaram ter sido um dos dois gols anulados do Vasco, legal. Houvera um de Gabardinho, considerado por vários diários como corretamente invalidado. Na ocasião a partida estava em patada em 3 x 3. O outro, feito por Fantoni foi citado também pela “Gazeta de Notícias”, mas considerado bem anulado, diferentemente da opinião externada pelo “Diário da Noite” e “O Jornal”. Teria ocorrido quando a contagem era de 3 x 2 a favor do Vasco.

Pesquisando ao todo 10 jornais fica a sensação de que as polêmicas da época relacionadas à arbitragem, saíam do campo e chegavam às redações dos jornais cariocas.

 

Jornal do Brasil (24/05/1938)

Correio da Manhã (24/05/1938)

Diário da Noite (23/05/1938)

A Noite (23/05/1938)

O Globo (23/05/1938)

Outras vitórias do Vasco em 22 de maio

Vasco 4 x 2 Mackenzie (Carioca – 2ª Divisão 1921)

Vila Isabel 2 x 5 Vasco (Carioca 1927) 

Vasco 3 x 2 Bonsucesso (Carioca 1932)

Vasco 5 x 3 Flamengo (Municipal 1938) 

IFK-SUE 0 x 11 Vasco (Amistoso 1959)

Vasco 4 x 1 Cruzeiro (Amistoso 1960)

Vasco 3 x 1 São Paulo (Brasileiro 2005)

Vasco hoje (21/05/1972) – Vitória no swing certo

A semana não havia sido nada boa, a posição na tabela pior ainda e o Vasco, que estreara Tostão duas semanas antes contra o Flamengo, num jogão que terminou empatado por 2 x 2, válido pela primeira rodada do returno daquele Campeonato Carioca, acumulara depois dois empates contra pequenos: 1 x 1 contra o Bonsucesso e 0 x 0 diante do Olaria.

Falta de padrão tático, jogo previsível e um craque, Tostão, sem encontrar melhor entrosamento com os companheiros. Como tradicional no futebol brasileiro, sobrou para o técnico. Zizinho foi demitido junto a outros membros da comissão técnica: Admildo Chirol e Claudio Coutinho, mais voltados para a preparação física da equipe. Coutinho recebera proposta do Flamengo no início da temporada, mas segundo o jornalista Armando Nogueira expôs em sua coluna dominical no Jornal do Brasil, recusou ir para a Gávea por estar apalavrado com o Vasco até agosto daquele ano.

Célio de Souza assumiu provisoriamente o cargo justo para o clássico contra o Fluminense, equipe que o Vasco nos últimos 15 jogos só havia vencido uma vez, no Campeonato Brasileiro do ano anterior.

No sábado duas surpresas animaram o clássico. Em rodada dupla caíram Botafogo e Flamengo, frente a Bonsucesso e São Cristovão, respectivamente. Com isso os dois acumularam quatro pontos perdidos no turno (junto ao América), contra três do Vasco e 1 apenas do Fluminense, sendo que o tricolor já vencera o Botafogo na segunda rodada por 1 x 0.

O Flu, treinado por Paulo Amaral tinha os desfalques de Félix, goleiro e Lula, ponta-esquerda, jogaria com o zagueiro Silveira na frente, “inventado” naquele setor pelo treinador Paulo Amaral, mas confiava mesmo nas estreias de Ari Ercílio, oriundo do Grêmio, Gérson no meio, fazendo dupla com Denilson, e também na do oportunista Artime, centroavante argentino, que se destacara nos futebóis brasileiro, argentino e uruguaio ao longo da carreira e contava na época com 33 anos.

O Vasco, por sua vez, teria Edson no lugar de Suingue, Jorginho Carvoeiro na vaga de Ferretti e a esperança de gols a cargo mais ainda de Tostão e Silva.

A partida começou cerca de 25 minutos atrasada, mas isso parece ter esquentado o clima do jogo e não o contrário, pois com menos de um minuto Oliveira cruzou da linha de fundo e Artime perdeu gol feito, cabeceando para fora. No lance seguinte, ataque do Vasco e Silva obrigou Jorge Vitório a fazer grande defesa mandando à córner e na cobrança Edson em linda cabeçada obrigou Jorge Vitório a uma defesa sensacional.

Se Ari Ercílio foi um dos nomes de destaque do tricolor, Gérson e Artime tiveram atuações aquém do esperado, enquanto no Vasco Edson foi importante no bloqueio, mas seu substituto, Suíngue, fundamental na vitória, autor do gol único do jogo.

Foi aos 39 minutos da segunda etapa que tudo se definiu. Moisés recebeu na intermediária, avançou até a área do Fluminense, passando por vários adversários e tocando a Suíngue que atirou em gol. A lama próxima à meta de Jorge Vitório impediu a impulsão para a defesa do arqueiro tricolor, destaque do time no clássico.

Não só pela jogada, mas também pela força defensiva, seriedade e boa colocação no setor de retaguarda vascaíno, Moisés foi tido como o grande nome do Vasco na peleja.

A vitória cruzmaltina, improvável para muitos antes da partida, foi considerada justa pela imprensa em geral após o jogo. Uma grande alegria para boa parte dos mais de 81.000 pagantes e demais presentes no Maracanã naquela data.

Outras vitórias do Vasco em 21 de maio:

VASCO 10 X 0 BONSUCESSO (AMISTOSO 1944)

KICKERS-ALE 0 X 1 VASCO (AMISTOSO 1961)

VASCO 1 X 0 BONSUCESSO (CARIOCA 1975)

VASCO 2 X 0 VILA NOVA-MG (BRASILEIRO 1978)

VASCO 4 X 0 OLARIA (CARIOCA 1986)

CEARÁ 1 X 3 VASCO (BRASILEIRO 2011)

Estamos de olho

 

Na principal competição disputada pelo Vasco este ano, a partir de agora, a Copa do Brasil, o clube conseguiu classificação na última quarta-feira com um gol marcado nos acréscimos, mas o sufoco se deu também pelo erro bisonho do árbitro Francisco Paula dos Santos Neto, vinculado à Federação do Rio Grande do Sul, que ignorou uma penalidade máxima, claríssima, cometida sobre Julio Cesar, lateral esquerdo do Vasco pelo adversário Olívio.

Desta vez o Vasco, mesmo prejudicado pela arbitragem, conseguiu a classificação, mas numa competição que se define em detalhes, erros grosseiros como o da última quarta-feira podem mudar o classificado de forma injusta e discrepante das regras do jogo.

Casaca!

Vasco hoje (19/05/1984) – Roberto e a Lua

 

Vasco e Grêmio protagonizaram grandes partidas no Campeonato Brasileiro de 1984.

Na segunda fase, em grupo no qual classificavam duas das quatro equipes partícipes (Atlético-MG, Grêmio, Joinville e Vasco), o Gigante da Colina terminou na primeira posição e os gaúchos em segundo.

Se no estádio Olímpico de Porto Alegre os goleiros João Marcos e Roberto Costa foram os grandes destaques, impedindo com importantes defesas que o placar saísse do zero, no Maracanã, oito dias após, a precisão de Roberto, em cobrança de falta, vazou João Marcos e deu o gol da vitória pelo placar mínimo ao Vasco.

O campeonato seguiu e na terceira fase ambas as equipes se classificaram em primeiro nos seus respectivos grupos.

Iniciados os play-offs, na fase de quartas-de-final o Grêmio despachou o Náutico com duas vitórias (3 x 2 em Recife e 3 x 1 em Porto Alegre), enquanto o Vasco passou por cima da Portuguesa de Desportos (5 x 2 no Pacaembu e 4 x 3 no Maracanã).

Nas semifinais, novo confronto. E no sul a vitória gremista foi incontestável, embora o gol da vitória tenha saído a apenas nove minutos do fim, por intermédio de Tarciso, numa cabeçada precisa.

Enfim, a 19 de maio, um sábado, mais de 110.000 pagantes seguiram ao Maracanã para o tira-teima final. Um empate bastava ao Grêmio. Para o Vasco só interessava a vitória. Ambos sonhavam em chegar à final do Campeonato Brasileiro e a hora da verdade era aquela.

A partida começa estudada, com o Vasco um pouco mais à frente e o Grêmio em busca dos contra-ataques. Mas logo aos nove minutos o cenário completo da partida iria se alterar. Aírton cruza da esquerda, Roberto divide com De Leon e a bola sobra para Marquinho a um passo da pequena área. O ponteiro chuta forte, João Marcos ainda toca na bola, mas não consegue impedir o gol inaugural da partida. O Vasco saía na frente e revertia a vantagem do adversário naquele instante.

Aos 14 minutos Renato Gaúcho cruzou da esquerda e Caio, entre os zagueiros do Vasco, cabeceou para fora.

Aos 27 Renato Gaúcho cobrou falta na barreira, mas conseguiu alcançar o rebote e empurrar para Caio, dentro da área, mas ele, mesmo livre de marcação, chuta para fora. O bandeirinha Edson Alcântara do Amorim marca impedimento inexistente no lance, pois Pires dava condição a Caio no momento do toque efetuado por Renato.

Aos 28 Roberto teve uma falta pouco além da intermediária para bater, mas ao invés de cobrar direto, tocou para Aírton na esquerda. O lateral invadiu a área e bateu por cobertura, com o lado interno do pé. João Marcos se esticou todo e conseguiu desviar à córner.

Aos 30 Luís Carlos invadiu a área do Vasco e Pires por baixo tocou sutilmente a bola, mas na sequência houve o choque com o adversário. A pequena torcida sulista pediu pênalti, mas o árbitro José de Assis Aragão mandou o jogo seguir.

Aos 33 Roberto recebeu na meia esquerda e deu a Mauricinho que caminhava livre, próximo à área, também na esquerda, mas o bandeirinha Dulcídio Vanderlei Boschilla marcou equivocadamente impedimento no lance.

Aos 34 Roberto recebeu pouco além do círculo central, pela meia direita, tocou para Marquinho, que se infiltrara por aquele setor. Rapidamente o meia achou Edevaldo na direita. O lateral avançou e bateu firme, já dentro da área, mas no meio do gol. João Marcos defendeu firme.

Aos 37 Roberto lançou Mário na esquerda da área. O meia tentou um balão sobre Baidek, que foi no corpo do vascaíno. Foi a vez de a galera cruzmaltina pedir pênalti, mas Aragão nada marcou. Na sequência o goleiro João Marcos lançou a pelota com as mãos buscando um companheiro, mas o Vasco retomou o balão de couro e o zagueiro Daniel Gonzalez, vindo como homem surpresa, avançou, passou por um adversário com um giro de corpo e deu a Arturzinho. Este por sua vez passou curtinho a Roberto, que atirou colocado, já próximo da área. João Marcos caiu para fazer segura defesa.

A primeira etapa terminou sem que se pudesse fazer um prognóstico de quem levaria a vaga, mas a vantagem vascaína era considerável àquela altura.

O Grêmio volta para o segundo tempo em ritmo forte desde o início. Com 30 segundos de partida Paulo César avança pelo lado esquerdo, após receber de Bonamigo, e cruza por baixo, buscando Caio. Roberto Costa intercepta o lance fazendo defesa parcial, mas no rebote tem que dividir com Bonamigo, usando a perna, para finalmente poder amortecer a bola logo em seguida em seus braços.

Aos 6 minutos De Leon, avançado, toca para Renato na direita que cruza na direção de Osvaldo livre na pequena área, mas um pouco fora do tempo da bola. Foi a sorte do Vasco. Osvaldo, meio desequilibrado, acabou atirando para fora, perdendo ótima chance de empatar o duelo.

Aos 12 a primeira chegada perigosa do Vasco na segunda etapa. Marquinho invade a área pela esquerda e próximo à linha de fundo rola para trás. A bola chega para Roberto, mas Dinamite, acossado por um adversário não consegue bater como queria na bola, mandando-a para fora.

Aos 16 Roberto recebe próximo à área e tenta bater colocado, por cobertura, mas João Marcos, atento, segura firme no ângulo esquerdo de sua meta.

Entre os 18 e 19 minutos uma prova de que a sorte pendia mesmo para um dos lados.

Tudo começou com uma falta cobrada por De Leon, da intermediária, para a área cruzmaltina. Caio subiu e cabeceou bem, mas a bola tocou na trave e no rebote Edevaldo mandou a escanteio. Feita a cobrança, Roberto Costa segurou firme e com os pés lançou Mauricinho. O ponta recebeu próximo do círculo central, pela direita, desvencilhou-se de China e lançou Arturzinho, nas costas da zaga. Artur invadiu a área, dividiu com João Marcos, mas ainda ficou com a pelota em seu domínio, driblou para dentro Luís Carlos e deu limpa a Roberto, que vinha na corrida. Dinamite chutou forte, China ainda tentou salvar quase em cima da linha, chegando a tocar na bola, mas não impediu que ela adentrasse pela segunda vez na noite a meta gremista.

O Grêmio via piorar sua situação. Precisaria agora marcar dois gols em cerca de 25 minutos para se classificar à final do Campeonato Brasileiro.

A equipe gaúcha se atiraria à frente, abrindo espaço para os contragolpes vascaínos e a partida ganhou ainda mais em emoção a partir daí.

Aos 22 Roberto recebeu de Arturzinho na meia esquerda, avançou e viu o deslocamento do companheiro, mas também percebeu que Mário vinha de trás, com espaço livre para manobrar. A bola lhe foi enviada, ele avançou e atirou por baixo. João Marcos defendeu em dois tempos ante a presença de Arturzinho, posicionado pronto para o rebote.

Aos 24 o zagueiro Ivan curtiu uma de atacante, avançou desde a intermediária e próximo à área atirou violento, passando a bola muito próxima da meta defendida por João Marcos.

Entre 26 e 28 minutos três chances criadas pelo Grêmio na pressão total exercida pelo time comandado pelo experiente treinador Carlos Froner. Na primeira delas De Leon avançou pela meia esquerda e deu excelente passe a Caio. O centroavante driblou Roberto Costa, mas, de esquerda, conseguiu o quase impossível. Acertou a trave, sem goleiro. No rebote ele ainda teve a chance de arrematar para gol, mas Daniel Gonzalez pôs o corpo na frente e cedeu escanteio. Cobrada o esquinado a zaga do Vasco afastou, mas o Grêmio manteve a posse de bola. Na direita Baidek lançou a pelota para a área. Caio raspou de cabeça e Osvaldo apareceu livre para diminuir. O meia, entretanto, adiantou um pouco o balão de couro e chutou de esquerda, para fora, com Roberto Costa praticamente em cima dele no lance. Na sequência nova blitz gremista com Luís Carlos, que avançou e já próximo a área desferiu potente chute, mas por cima da meta vascaína.

O Grêmio era valente, mas as três oportunidades perdidas, em cerca de dois minutos, tiraram um pouco da confiança da equipe.

Aos 35 Roberto teve uma falta à sua feição, próxima à meia lua, do lado direito, mas errou a cobrança batendo por cima da meta adversária.

Um minuto depois quase o terceiro do Vasco. Roberto tocou para Pires, que fez o corta luz, sobrando a bola limpinha para Marquinho. Este avançou e chutou com força, mas em cima de João Marcos. O arqueiro tricolor mandou a escanteio, evitando a ampliação do marcador. Na cobrança, após o afastamento da zaga, o Vasco recuperou a bola e em poucos toques chegou novamente na cara do gol adversário. Pires deu a Arturzinho, que serviu Roberto já dentro da área, mas o artilheiro ainda de costas recuou a Marquinho, posicionado quase na entrada da área. O ponteiro percebeu a chegada de Mauricinho na direita e tocou para o companheiro, que bateu de primeira, já de dentro da área, longe da meta de João Marcos.

Aos 38 não houve jeito. Pires lançou do meio de campo para Arturzinho. Artur dividiu com Baidek e De Leon e o balão de couro sobrou em seus pés. O meia notou a movimentação de Roberto pelo meio e tocou por trás da zaga. Dinamite invadiu a área e atirou rasteiro no canto esquerdo, ampliando a vantagem e fechando o caixão gremista.

Geovani, que substituíra Mário logo após o terceiro gol do Vasco ainda buscou o quarto num chute colocado, de fora da área, aos 43 minutos, defendido com firmeza por João Marcos.

Já próximo dos 46, em cobrança curta de falta, Mauricinho recebeu entre os beques, avançou e já de dentro da área bateu por cima, perdendo grande chance para marcar o quarto do Vasco.

Encerrada a peleja, o técnico Edu Coimbra adentrou ao gramado, emocionado, e abraçou seus comandados um por um, dando um mais apertado ainda em Roberto.

Nas entrevistas pós jogo, fugindo das perguntas triviais e óbvias do mundaréu de microfones que cercavam o artilheiro da noite e do campeonato, o repórter da Rede Bandeirantes, Gilson Ribeiro, chegou próximo a Roberto e indagou ao atacante sobre a bela lua cheia daquela noite. De imediato Dinamite, inspirado e iluminado disse:

“Havia até um samba que dizia Dindinha lua, dindinha lua. Desça do céu e vem sambar na rua

De fato, o refrão do samba da Vila Isabel de 1973 se adequara à noite vivida pelo Vasco e por seu capitão Roberto. Até a lua podia descer para cumprimentar o craque do jogo e aproveitar para sambar com a massa cruzmaltina, que saía em festa do Maracanã.

O Globo (20/05/1984)

O Globo (20/05/1984)

O Globo (20/05/1984)

Jornal do Brasil (20/05/1984)

Outras vitórias do Vasco em 19 de maio:

VASCO 3 X 2 AMERICANO-RJ (CARIOCA – 2ª DIVISÃO 1918)

VASCO 5X3 BOTAFOGO (TORNEIO RIO-SP 1954)

VASCO 3X0 AMERICANO (CARIOCA 1996)

VASCO 8X1 MADUREIRA (CARIOCA 1999)