Todos os posts de Equipe CASACA!

Vasco hoje (28/05/1939) – Vasco passa pelo Botafogo e embola o Campeonato Carioca

 

Ramon Platero, técnico bicampeão pelo Vasco em 1923/24, estava preocupado com razão para o clássico daquele domingo em São Januário.

A performance cruzmaltina na competição era inconvincente e até ali o time já tinha sofrido dois revezes, diante de Fluminense e América.

O Vasco havia iniciado o campeonato com dois triunfos , mas não vencia há três jogos e no último embate, diante do Madureira, decepcionara a sua torcida, obtendo apenas um empate, dentro de São Januário.

Já o Botafogo vinha se constituindo numa das grandes forças do certame até ali. Com exceção da derrota por 4 x 1 sofrida diante do Flamengo e do surpreendente empate com o Bonsucesso (2 x 2), seus outros adversários apanharam feio nos confrontos frente ao alvinegro. São Cristóvão e Madureira tomaram de cinco e o Fluminense caiu de quatro.

Tudo levava a crer que seria a forte defesa vascaína, composta pelo bom goleiro Nascimento, os dois beques, Florindo e Jahu e uma linha média de respeito, onde se destacava Zarzur, a grande arma do Vasco para segurar o ataque adversário no qual três figuras despontavam: Carvalho Leite Perácio e Patesko.

O alvinegro tinha ainda os irmãos Aymoré e Zezé Moreira, o primeiro como goleiro e o segundo na posição de médio, Nariz, destaque da zaga e Canali fechando com competência o setor defensivo pela esquerda, mas o ataque adversário era ainda uma incógnita. Gandulla e Emeal, trazidos do Ferro Carril Oeste, da Argentina, por uma pá de dinheiro ainda não haviam convencido, a posição de extrema direita já fora ocupada por Orlando, Armandinho e Lindo e as duas outras do ataque já preenchidas por cinco jogadores: Alfredo, Villadoniga, Gabardinho, Niginho e Fantoni. Antes da estreia de Emeal, quem atuava pela ponta esquerda era Luna, sacado do time para a entrada do compatriota, logo na terceira rodada.

O Vasco parecia ter um bom elenco, mas não tinha, de fato, ainda um time.

No clássico daquele domingo a vitória vascaína seria não só um sinal de melhora, mas também a chance de se igualar ao rival na tabela, enquanto para o Botafogo era a oportunidade de permanecer na liderança e se distanciar ainda mais do adversário.

A partida é lá e cá no início, mas as defesas prevalecem sobre os ataques.

Aos 9 minutos um lance de emoção e polêmica. Emeal dribla Zezé Moreira e avança pela esquerda. Já sobre a linha de fundo cruza. Aymoré falha e põe o balão de couro para dentro de seu próprio gol, mas o árbitro assinala saída de bola e o tento é anulado.

Melhor em campo o Vasco pressiona e aos 20 minutos Villadoniga cruza, mas Emeal atira mal, por cima da trave, perdendo ótima chance de inaugurar o marcador.

Volta a insistir o Vasco. Servido por Argemiro, Emeal avança e arremata para o gol, mas Aymoré defende com firmeza.

Finalmente um contragolpe do Botafogo funciona e Canali chuta no alto obrigando o goleiro Nascimento a mandar a bola para escanteio.

Logo em seguida, em novo ataque cruzmaltino, Gandulla passa a Gabardo, que corta para a direita e entrega atrás a Orlando. O chute tem endereço certo, mas Aymoré frustra a torcida vascaína praticando ótima defesa.

O Botafogo melhora na cancha e os últimos cinco minutos da etapa inicial pertencem ao onze de General Severiano, que faz a defesa cruzmaltina trabalhar para evitar sair atrás do placar antes do intervalo.

Na volta para a etapa derradeira o equilíbrio é grande e a volúpia pelo gol por parte das duas equipes aumenta.

O Vasco perde a primeira oportunidade de marcar com Villadoniga, que após receber passe de Emeal na boca do arco desperdiça a chance.

Logo em seguida, falta perigosa para o Gigante da Colina, cometida por Engel sobre Gabardo. Villadoniga cobra, mas não leva sorte. A bola estoura na trave superior de Aymoré e sai pela linha de fundo. O 0 x 0 teimoso permanece.

O time da estrela solitária não está morto e a prova disso é uma arrancada de Perácio, que atravessa boa parte do campo com a bola e cruza para Carvalho Leite cabecear por cima da trave, perdendo ótima oportunidade.

Aos 30 minutos surge o lance que definiria o jogo. Emeal desce pela esquerda e atira forte, Aymoré dá rebote e Orlando aparece para faturar. Vasco 1 x 0.

O Botafogo ainda tenta a reação, mas nem mesmo atrás do marcador consegue ser mais incisivo que o Vasco nas ações ofensivas.

A partida termina com a merecida vitória do quadro de São Januário.

Enquanto no Botafogo os destaques foram o goleiro Aymoré, além de Engel, Canali e Nariz, Emeal foi o grande nome do ataque cruzmaltino e Zarzur o maior destaque da partida, pelo equilíbrio em campo e grande espírito de luta.

A vitória vascaína punha a equipe empatada com o Botafogo e o deixava, por pontos perdidos, a um do Fluminense e dois do Flamengo. O campeonato se mostrava ainda indefinido àquela altura, quanto a seu favorito para vencê-lo.

Jornal do Brasil  (29/05/1939)

O Globo (30/05/1939)

Outros jogos do Vasco em 28 de maio:

Vasco 2 x 1 Mangueira (Carioca – 2ª divisão 1922)

Nybro-SUE 1 x 4 Vasco (Amistoso 1959)

Vasco 2 x 1 São Cristovão (Carioca 1975)

Coritiba 0 x 2 Vasco (Brasileiro 1978)

Vasco 2 x 0 Portuguesa-SP (Taça Cidade Juiz de Fora 1986)

Casaca!

Vasco hoje (27/05/1944) – Vitória vascaína a 15 segundos do fim

Vasco e América marchavam quase lado a lado na disputa pela conquista do Torneio Municipal daquele ano.

Os cruzmaltinos permaneciam com aproveitamento de 100% na competição, após derrotarem o Fluminense (3 x 1), Canto do Rio (2 x 1), Madureira (5 x 3) e Bonsucesso (3 x 0).

Já os rubros haviam estreado contra o Flamengo e empatado por 2 x 2, após estarem perdendo por 2 x 0 até os 40 minutos do 2º tempo. Em seguida golearam o Bangu, marcando 6 x 2, derrotaram o Fluminense por 3 x 1 e venceram o Madureira pelo placar de 3 x 1.

Na noite de sábado se enfrentariam o então Campeão Invicto do Torneio Relâmpago daquele ano, líder do certame municipal, e seu principal concorrente.

O América, do goleiro Osni, do craque Danilo Alvim, do estiloso Maneco, o “Saci de Irajá”, dos mortais ponteiros, China e Jorginho, teria ainda de volta aquele que era considerado por vários da imprensa o principal zagueiro em atividade no Brasil: o argentino Gritta.

O Vasco também contava com um argentino para comandar a zaga, Rafanelli, AlfredoII na linha média, mas os grandes destaques do time, além do bravo ponteiro esquerdo Chico, eram o trio apelidado de “Os três patetas”, trazido junto ao Madureira e que brilhara na Seleção Brasileira em dois amistosos recentes diante do Uruguai (6 x 1 e 4 x 0), responsáveis pela feitura de 5 dos 10 gols anotados pelo escrete nacional. Lelé, Jair Rosa Pinto e Isaías eram as grandes esperanças de gols e títulos para o clube naquele momento.

De fato, no Torneio Relâmpago disputado em março o trio assinalara 7 dos 14 gols marcados pelo time e no próprio Torneio Municipal os três juntos faturaram 10 dos 13 tentos da equipe até ali.

No sábado à noite o campo neutro das Laranjeiras abrigou excelente público (recorde de renda na temporada até ali) e um espetáculo dos mais emocionantes, conforme se comprova pela descrição do jogo.

A primeira grande chance do clássico cabe ao Vasco. Berascochea estica para Jair, que investe pela meia e dá no buraco da zaga para Isaías. O atacante se precipita e frente ao goleiro Osni atira por cima, desperdiçando grande oportunidade para inaugurar o marcador.

Logo em seguida o América responde. Em jogada organizada por Maneco, César recebe e entrega a China, que manda um pelotaço, defendido otimamente por Oncinha.

Os vascaínos voltam a pressionar. Lelé tabela com Isaías e dá a Chico, que invade mas chuta para fora, com Osni praticamente fora da jogada.

Num lance até certo ponto surpreendente surge o gol do Vasco aos 14 minutos. Lelé recebe de Isaías, avança desde o centro do campo, passa por dois marcadores e quando se esperava uma aproximação do jogador à área, este desfere um petardo de longe, violento, surpreendendo Osni e abrindo o placar.

Logo após ser reiniciada a partida  Chico teve um gol seu anulado pela arbitragem, após centro de Jair. Nenhum jornal contestou a marcação do árbitro.

O Vasco quer o segundo. Djalma entrega a Lelé que de primeira arremata para gol, mas Osni pratica linda defesa.

O América reage e Oncinha é chamado a fazer uma defesa espetacular em cabeçada do zagueiro Oscar. O goleiro se contunde no lance, mas se recupera em seguida e permanece em campo.

Bem no jogo, o Vasco volta à carga e Jair, aproveitando-se de uma confusão na área adversária, cabeceia para as redes, aumentando a contagem aos 23 minutos. Vasco 2 x 0.

Três minutos depois , entretanto, o América diminuiu com Maneco, aproveitando-se de uma indecisão da zaga cruzmaltina, após cobrança de falta efetuada por Benedito. No lance, o centroavante César empurrou Rafanelli, cometendo falta ignorada pela arbitragem, segundo pontuou o jornal “ A Noite”. Nenhum outro diário fez qualquer alusão à suposta infração.

Próximo ao fim do período inicial os rubros atacam e Maneco atira para o arco vascaíno, mas Oncinha defende parcialmente. No rebote novo tiro à boca da meta, mas Oncinha, mesmo caído, consegue defender milagrosamente, evitando o tento de empate.

O panorama na segunda etapa não muda. O América ataca e o Vasco responde. Mas a primeira chance real de gol é desperdiçada por Maneco, que após tabela com César fica frente a frente com Oncinha, mas bate nas mãos do goleiro cruzmaltino.

O gol de empate americano surge aos 18 minutos, em cobrança de falta efetuada por China, próxima à área. A infração fora cometida por Rubens em Lima. O chute foi certeiro, violento, sem chance de defesa para Oncinha. Tudo igual no clássico.

O jogo fica empolgante, com as duas equipes em busca do tento da vitória. Lelé é derrubado na área, mas o árbitro nada marca (a “Gazeta de Notícias” e o “Jornal do Brasil” pontuaram o lance e o erro do árbitro).

Jorginho e Rubens disputam a bola pelo alto e ela sobra para Maneco em condições de marcar, mas o juiz paralisa, marcando falta para o Vasco. Para os jornais “A Noite”, “Diário da “Noite”, “Jornal dos Sports” e “O Globo” não ocorrera falta no lance.

Animada a equipe de Campos Sales parte para cima, mas tem um gol anulado pelo árbitro aos 42 minutos por impedimento. A marcação enfureceu o centroavante César, que xingou o juiz e acabou expulso. Os jornais “Correio da Manhã”, “Gazeta de Notícias”, “Jornal do Brasil” e “O Globo” entenderam como errada a invalidação do tento, enquanto o “Diário Carioca”, “Diário da Noite”, “Diário de Notícias” e “Jornal dos Sports” deram crédito ao árbitro pela decisão tomada.

O jornal “A Noite” misturou os dois lances como se fossem um só. Para ele a expulsão de César se dera pela falta marcada sobre Rubens, supostamente cometida por Jorginho, quando na verdade ela ocorreu pela reclamação do centroavante após a anulação do gol assinalado por Maneco, em razão de impedimento.

Faltando 15 segundos para o fim, Chico passou por Benedito, Oscar e Gritta e assinalou o gol da vitória cruzmaltina, levando ao delírio sua torcida.

Na equipe vascaína destacaram-se o goleiro Oncinha, Rafanelli, Alfredo II, Argemiro, Lelé e Jair, enquanto pelo lado americano os melhores em campo foram Gritta, Amaro, Danilo Alvim, China, Maneco e Lima.

Chico mostrava sua predestinação para decidir jogos difíceis, algo repetido por diversas vezes em sua carreira, e o Vasco abria importante vantagem sobre seus adversários na tabela. A conquista de seu primeiro título do Torneio Municipal se aproximava.

Jornal dos Sports (28/05/1944)

O Globo (29/05/1944)

A Noite (29/05/1944)

Outros jogos do Vasco em 27 de maio:

27/05 – Icarahy 2 x 4 Vasco (Carioca – 2ª divisão 1917)

27/05 – Vasco 2 x 1 Canto do Rio (Torneio Municipal 1945)

27/05 – Vitória-ES 4 x 8 Vasco (Amistoso 1951)

27/05 – St Pauli-ALE 0 x 2 Vasco (Amistoso 1961)

27/05 – Vasco 2 x 0 Juventus-SP (Amistoso 1962)

27/05 – Dom Bosco-MT 1 x 2 Vasco (Taça Governador Pedro Pedrossian 1972)

27/05 – Vasco 4 x 1 Fluminense (Carioca 1979)

27/05 – Vasco 2 x 0 Campo Grande (Carioca 1987)

27/05 – Combinado da Costa Oeste-EUA 0 x 5 Vasco (Amistoso 1990)

27/05 – CRB 1 x 3 Vasco (Amistoso 1992)

27/05 – Vasco 3 x 1 Santa Cruz (Copa do Brasil 1994)

27/05 – Vasco 3 x 2 Internacional-RS (Brasileiro 2010)

Casaca!

Vasco vence, Vasco empata, mas a arbitragem permanece errando contra o clube

 

Semana passada o Casaca! alertou para o gravíssimo prejuízo de arbitragem cometido contra o Vasco na partida diante do CRB pela Copa do Brasil, competição mais importante do ano para o clube e que dá vaga para a Taça Libertadores de 2017 ao campeão.

No jogo da última terça-feira diante do Vila Nova, realizado em Brasília, mais uma arbitragem ruim, que prejudicou o Vasco em lances capitais, não coibiu a violência sobre Nenê e ignorou um pênalti a favor do clube.

Na parte disciplinar, o atleta Jean Carlos deveria ter sido expulso sozinho, mas em novo erro do árbitro levou com ele Diguinho e Nenê ainda tomou injustamente um cartão amarelo no lance.

Em compensação, o zagueiro vilanovense Vinícius Simon, responsável por dar uma entrada dura em Nenê no último lance da primeira etapa, saiu de campo sem ter tomado sequer cartão amarelo em virtude do lance e ainda foi entrevistado antes de chegar ao vestiário sem que qualquer questionamento fosse feito sobre sua atitude, enquanto o craque vascaíno permanecia estirado no gramado esperando pela maca e os maqueiros para carregá-lo na ocasião.

Vamos resumir os lances nos quais o Vasco foi francamente prejudicado:

No último minuto de acréscimo do período inicial, Vitor Simon, que até ali fazia boa partida, entrou por baixo em Nenê, num carrinho imprudente e perigoso. Resultado: mesmo tocando a bola pegou em cheio o atleta adversário. O árbitro errou em não marcar falta para o Vasco e também por não dar o cartão amarelo ao infrator.

Aos 15 minutos do segundo tempo, Éder Luís recebeu na direita e se posicionou para o cruzamento. Vinícius Hess tentou diminuir o ângulo de visão do atacante, abrindo os braços. Quando Éder Luís efetuou o centro para a área a bola bateu no braço do jogador vilanovense, que não estava colado ao corpo, embora recolhido um pouco mais se comparado ao movimento de um segundo antes. O árbitro Marcelo Aparecido de Souza não marcou a penalidade, que foi bastante clara, justificando sua atitude por algo não visto no lance: braço “preso” ao corpo.

Aos 47 minutos da segunda etapa (a 60 segundos do fim da partida) Jean Carlos, inconformado com a marcação de um escanteio a favor do Vasco (que houve) é flagrado pelas câmeras de TV xingando em protesto. Pouco depois, no último lance da partida, revolta-se ao sofrer uma falta normal, de jogo, do adversário Nenê. Sua manifestação raivosa após a infração leva Diguinho a ir a seu encontro para acalmá-lo. O atleta vilanovense desvencilha-se de Diguinho bruscamente e o árbitro ao invés de expulsar o nervosinho jogador do Vila apenas, dá cartão vermelho também ao vascaíno – que nada havia feito de errado no lance – e, com isso, o tira da próxima partida do Vasco, contra o Bahia. Para completar a lambança ainda dá cartão a Nenê, que pela falta cometida não merecia a advertência e nem o juiz havia feito qualquer menção de mostrá-lo no momento da infração.

Ou seja, Nenê apanha e leva de brinde um amarelo no fim da partida, Diguinho acalma um adversário descontrolado e é expulso, há pênalti a favor do Vasco e este não é marcado (pouco importa se o outro o juiz marcou pois foram dois a favor do Vasco), uma entrada imprudente e faltosa sobre o craque do jogo, ainda no primeiro tempo, não é tida como lance de cartão amarelo, nem mesmo de falta. Que critérios são esses adotados pelos responsáveis por conduzir o espetáculo?

Esperamos que no jogo deste sábado contra o Bahia o nível da arbitragem melhore, os craques em campo sejam protegidos contra entradas duras, revezamento de faltas e descontroles pontuais dos adversários e que ainda sejam assinalados quantos pênaltis ocorrerem a favor do Vasco, pois parece haver um pouco de inibição de árbitros escalados pela CBF para marcá-los o número de vezes em que ocorre nos jogos do clube.

Casaca!

 

Qual a diferença?

Ano passado, em plena recuperação do Vasco no Campeonato Brasileiro, uma vitória diante da Chapecoense poria o clube a apenas três pontos do 16º colocado, o Avaí na ocasião.

Não fosse o acúmulo de erros de arbitragem contra o Vasco (Internacional-RS e Sport no turno, Atlético-MG, Cruzeiro e Avaí no returno), o time já teria somado mais 8 pontos e estaria na 14ª colocação, dois pontos atrás do Fluminense, 13º, e 4 à frente do 17º colocado, o Avaí.

Mas os erros sistemáticos contra o clube pesavam jogo a jogo e naquela rodada, a 11ª do returno, uma vitória no Maracanã seria importantíssima para a equipe cruzmaltina, diante do adversário catarinense.

Aos 40 minutos do 2º tempo, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro inventou um pênalti para a Chapecoense, acusando mão na bola do zagueiro Rodrigo, dentro da área, em lance no qual nenhuma câmera conseguiu mostrar o referido toque, pelo contrário, mas caso houvesse não caracterizaria a penalidade uma vez que o braço do atleta estava “colado” junto ao corpo.

Pênalti cobrado, gol marcado. Estava empatada a partida.

Passados dois minutos, bola levantada na área da Chapecoense em cobrança de escanteio e o atleta Tiago Luís, de frente para o lance, esticou os braços e tocou na pelota dentro da área, impedindo o domínio de Nenê. O pênalti escandaloso foi ignorado pela arbitragem. O prejuízo ao Vasco foi inequívoco e beirou as raias do absurdo naquela partida.

Na última quarta-feira em Volta Redonda a Chapecoense teve um pênalti no primeiro tempo mal marcado quando perdia por 1 x 0 para o Flamengo. Empatou e ainda na primeira etapa teve outro a seu favor, desta vez ignorado pela arbitragem, que errou novamente. Na segunda etapa o atleta Éverton do Flamengo foi bem expulso após aplicar algo parecido com um coice no adversário, mas na última bola do jogo, quando o placar era de 2 x 1 a favor da Chapecoense, a arbitragem achou um pênalti para o Flamengo (imagem desta matéria), que foi transformado em gol após a cobrança de Alan Patrick.

O rubro-negro já havia sido beneficiado na primeira rodada diante do Sport no mesmo estádio e se o Flamengo não tem casa para jogar, os árbitros parecem se sentir em casa para favorecer o rubro-negro na competição. Já era para o Fla estar na zona de rebaixamento, com um mísero ponto somado, mas ganhou três de presente das arbitragens.

Da mesma forma, com arbitragens limpas, era para o Vasco no ano passado, independente de qualquer outro fator, ter terminado em 8º lugar na competição, caso não fosse tungado em 14 pontos.

Arbitragens ruins e sistematicamente favoráveis ou contrárias a um determinado clube mudam e muito sua performance numa competição como o Campeonato Brasileiro e a imagem comparativa entre os dois lances contra o mesmo adversário (Chapecoense) apenas simboliza isso.

Casaca!

Vasco hoje (26/05/2012) – Pedalada inesquecível

Alecsandro ajeita o corpo e faz um golaço de bicicleta no Canindé.

No dia 26 de maio de 2012, Portuguesa de Desportos e Vasco se enfrentaram no Campeonato Brasileiro em jogo válido pela segunda rodada da competição.

Na estreia, ajudado pela arbitragem, o Vasco venceu o Grêmio em São Januário por 2 x 1, sem muito convencer seus torcedores, mas no Canindé a Lusa prometia ser uma parada mais dura. Empatara rodada inaugural contra o Palmeiras e após quase quatro anos voltava a mandar um jogo da Série A no seu estádio (pois passara três temporadas na segunda divisão).

O Gigante da Colina vinha de uma eliminação até certo ponto traumática na Libertadores, três dias antes, no Pacaembu, diante do Corinthians, mas contava com a base da equipe vice-campeã brasileira (deixara de conquistar o título do Campeonato Brasileiro do ano anterior por ordem e graça de apitadores e auxiliares de arbitragem, tendo sido prejudicado em 8 pontos no balanço final da competição). Destacavam-se no time que enfrentaria a Lusa naquela noite de sábado, Fernando Prass, Fágner, Allan, Diego Souza e Éder Luís, mas o Vasco não poderia contar com uma de suas melhores armas: o veterano craque Juninho.

A Lusa, dirigida por Geninho, não tinha nenhum grande nome que chamasse a atenção do público e apostava mais na força coletiva para segurar o Gigante da Colina.

O jogo começou em “banho maria”, com a equipe anfitriã se utilizando da velocidade de Ananias para buscar jogadas pela extrema no intuito de servir ao atacante Ricardo Jesus, enquanto o Vasco usava o apoio de Fágner e a impetuosidade de Éder Luís para surpreender o adversário.

Logo aos 3 minutos, em córner cobrado por Raí, a zaga do Vasco fez o corte, mas a bola sobrou para Ananias na entrada da área, que bateu forte para defesa segura de Fernando Prass no meio do gol.

Aos 20 o ataque do Vasco foi mortal. Fágner realizou bela jogada na lateral, foi derrubado mas preferiu levantar-se e cruzou para a área. O público presente ao o estádio e ainda os telespectadores de todo o Brasil não podiam imaginar a pintura que estavam prestes a ver, quando a bola alçava a área lusa. Alecsandro, centroavante da equipe, numa pedalada cinematográfica atingiu a pelota e de forma precisa mandou-a no ângulo direito do arqueiro Gleidson, abrindo a contagem. Vasco 1 x 0.

Aos 36 quase o Vasco marcou o segundo. Éder Luís escapou pela direita, tocou a Diego Souza na área, que entregou a Alecsandro. Mesmo marcado por dois atletas da Portuguesa o camisa 9 vascaíno conseguiu desferir um tiro rasteiro, mas errou por pouco o alvo.

Aos 44 a Lusa manobrou pela direita. Luís Ricardo deu a Boquita, que entregou a Henrique e recebeu de volta, já dentro da área, após matar a pelota com categoria. O chute preciso encontrou Fernando Prass no caminho, que com grande defesa impediu o gol de empate rubro-verde. No rebote a zaga cruzmaltina afastou o perigo.

A Portuguesa voltou animada para o segundo tempo e logo aos 3 minutos Raí, em jogada ensaiada, cobrou escanteio no primeiro pau para Luís Ricardo, que apareceu de surpresa para concluir, mas finalizou por cima do gol de Prass.

Decorridos 6 minutos de luta na etapa final Ananias tentou surpreender Prass com um tiro de curva, da entrada da área, mas a bola saiu à direita, com perigo.

Aos 18 minutos, em novo ataque da Lusa, Boquita passou a Michael, que sofreu carrinho frontal de Douglas, mas o árbitro Héber Roberto Lopes mandou o jogo seguir, interpretando o lance como normal.

Aos 23 Luís Ricardo avançou para o campo de ataque e passou com precisão a Rodriguinho, que fintou e tentou deslocar Prass, mas o goleiro vascaíno conseguiu mandar a bola a escanteio.

Torcida do Vasco marcando presença em bom número no estádio da Lusa.

A torcida do Vasco, presente em número considerável ao estádio, passou a pedir a entrada de Carlos Alberto na equipe e o técnico Cristovão Borges a atendeu aos 24 minutos. O escolhido para sair foi Diego Souza, apagado no jogo e ainda sob o efeito do incrível gol perdido na partida de quartas-de-final da Taça Libertadores, quando teve tudo para praticamente carimbar o passaporte do Vasco às semifinais, diante do Corínthians no Pacaembu, mas desperdiçou a chance à frente do goleiro Cássio, herói da classificação mosqueteira.

A Lusa continuou pressionando mas as últimas chances reais de gol ocorreram mesmo nos minutos finais.

Aos 44 Luís Ricardo cruzou da direita, Ananias aparou a bola para Rodriguinho, posicionado dentro da área, mas o tiro do meia foi desviado na trajetória pelo próprio companheiro Vandinho, saindo pela linha de fundo, para desespero dos torcedores da Portuguesa.

Já nos acréscimos a maior chance da Lusa na partida. Em córner cobrado na direita, Luís Ricardo cabeceou para trás na primeira trave e Gustavo completou na porta do gol, de cabeça. O atleta foi às redes, mas a bola saiu para fora, com Fernando Prass já batido no lance.

A partida chegou ao fim com o Vasco pressionado, mas vitorioso, graças a um lance de pura inspiração de Alecsandro, que marcou naquela noite seu mais lindo gol com a camisa do Vasco em sua passagem de quase dois anos pelo clube.

 Fonte:Youtube

O Globo (27/05/2012)

O Globo (27/05/2012)

Outras vitórias em 26 de maio:

Vasco 1 x 0 América (Carioca 1940)

Vasco 4 x 1 América (Torneio Municipal 1946)

Tupi-MG 1 x 2 Vasco (Amistoso 1946)

Vasco 2 x 1 Olaria (Torneio Municipal 1951)

Racing Club Lens-FRA 1 x 2 Vasco (Amistoso 1956)

Vasco 5 x 3 São Cristovão (Amistoso 1960)

Seleção da África Ocidental 1 x 3 Vasco (Amistoso 1963)

Coritiba 0 x 1 Vasco (Amistoso 1983)

Friburguense 0 x 1 Vasco (Carioca 1999)

Valor do Carioca aumenta 70% com disputa entre Globo e Esporte Interativo

 

A proposta do Esporte Interativo pelo direitos do Campeonato Carioca para tentar tirá-lo da Globo deve praticamente dobrar o valor dos direitos de transmissão. O valor oferecido a partir da temporada de 2017 foi de pouco mais de R$ 100 milhões por todos os direitos. O montante atual é de R$ 60 milhões. Ou seja, o aumento seria em torno de 70%. As informações são do UOL Esporte, por Rodrigo Mattos.

A Globo já negociava a renovação do contrato e estava perto de fechar com clubes e com a FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Até que o Esporte Interativo decidiu fazer sua proposta.

Dentro da FERJ e entre os clubes, há a informação de que a Globo tem a preferência na negociação. A fonte não conseguiu confirmar se há uma preferência por cláusula contratual, mecanismo usado em acordos para beneficiar o dono dos direitos. Fato é que esse tipo de cláusula é proibida pelo Cade (Conselho Administrativo do Defesa Econômica).

Ainda assim, entre os cartolas, há um consenso de que se a Globo igualar a proposta do Esporte Interativo levaria a renovação. Os direitos de transmissão pertencem aos clubes. Assim, os quatro grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo que darão a palavra final. Mas a FERJ atua como intermediadora para receber as propostas, embora sua autorização para negociar em nome deles tenha acabado em 2016.

A proposta do Esporte Interativo vai aproximar os valores pagos pelo Carioca em relação ao Paulista em meio à crise do futebol do Rio. Em São Paulo, a renovação do Estadual gerou R$ 160 milhões por ano para os clubes após concorrência do Esporte Interativo.

O canal da Turner entende que pode lucrar também com as plataformas de tv aberta. Por isso, fez propostas para todas as mídias. Sua ideia é fazer permutas e concessões com outras televisões abertas. Foi a forma de conseguir combater a estratégia da Globo de oferecer um pacote por todos os direitos.

Fonte: Esporte e Mídia


Comentário do Casaca:

A dupla colorida da zona sul tentou diminuir a importância do campeonato carioca, motivada pelo título cruzmaltino de 2015, e deu com os burros n´água. Se houve alguma crise no futebol carioca, foi uma crise de ódio daqueles que não suportam ver o Vasco no topo do pódio.

Em 2016 disputaram um amontoado de amistosos que ninguém se importou e acabaram tendo que entrar com força máxima no estadual deste ano para tentar evitar o nosso bi.

Novamente se deram mal.

Essa disputa pelos direitos de transmissão faz valer a importância deste que é um dos campeonatos mais antigos do Brasil, e palco do surgimento de rivalidades históricas no futebol brasileiro.

Casaca!

Distorções em xeque

A mídia convencional e seus servos do sistema resolveram mesmo desvalorizar de forma categórica inúmeros torneios vencidos pelos maiores clubes brasileiros ao longo de sua história.

Os padrões adotados daquilo que é oficial e amistoso fazem Pelé não chegar a 800 gols na carreira, Romário ser o maior de todos os tempos com 762 gols, o tcheco Josef Bican o segundo, um gol atrás do baixinho, e o rei do futebol apenas o terceiro colocado.

O grande problema está na completa falta de bom senso e mesmo de conhecimento dos que se arvoram em adotar critérios preguiçosos da entidade máxima do futebol (que tanto criticam) padronizados única e exclusivamente para ela, FIFA, ter o controle total de dados, sem necessidade de esmiuçar o histórico futebolístico mundial e suas nuances em cada país.

Para a FIFA, o Flamengo, por exemplo, jamais enfrentou um clube europeu em partida oficial. O mesmo ocorreu com o Atlético-MG, Cruzeiro, Fluminense e Botafogo. Já o Santos nunca venceu uma partida oficial contra europeus, assim como o Grêmio.

Quando vemos pela TV falas orgulhosas fazendo referência ao time de 1977 do Vasco como a maior sequência invicta oficial do clube, a mensagem subliminar ali expressa é a de que o Troféu Ramon de Carranza e o Torneio de Paris são meros amistosos, nada além disso, como a Taça Teresa Herrera também o seria. Teriam o mesmo peso estatístico de um Vasco x Combinado de Petrópolis, disputado em 1988 e vencido pelo clube por 11 x 0.

Com isso o Vasco – ÚNICO CLUBE BRASILEIRO A POSSUIR AS TRÊS CONQUISTAS MENCIONADAS ACIMA – além de Santos, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Flamengo, Atlético-MG, São Paulo e Corínthians deveriam se contentar por terem vencido competições meramente amistosas.

Aliás vendo as imagens da época pôde se notar como os atletas de Vasco e Real Madrid atuaram de forma amistosa na final do Torneio de Paris de 1957. Aquilo não valia nada (para a FIFA nada). Uma bobagem…

O time do Vasco, Campeão Carioca de 1977, possui três recordes quase impossíveis de serem quebrados.

1 – É o time na história do Campeonato Carioca com mais tempo sem sofrer gols. Foram 17 partidas, mais 78 minutos do jogo contra o Bonsucesso, na antepenúltima rodada da Taça Guanabara e a prorrogação da decisão do segundo turno frente ao Flamengo. Sem considerar o período de acréscimos dos jogos temos 1.638 minutos sem ter levado um único gol. E o goleiro Mazaropi está na história por isso.

2 – É o time com a menor média de gols sofridos em toda a história da competição (0,17 gol por jogo).

3 – É o time com o maior saldo de gols da história dos Campeonatos Cariocas em todos os tempos. A equipe fez 69 gols e tomou apenas 5 na competição, totalizando 64 gols de saldo.

Ocorre que no meio do campeonato, primeiro em junho, depois em agosto, o clube excursionou à Europa e lá colheu resultados ruins. Perdeu para o Paris Saint Germain-FRA na disputa do Torneio de Paris e para o Atlético de Madrid, na luta pelo Troféu Ramon de Carranza.

Do exposto acima, por sinal, se dá outra invencibilidade torta. A do goleiro Mazaropi, sem levar gols no estadual desde os 13 minutos do primeiro tempo da partida contra o Bonsucesso (18/05/1977), relembrada pelo Casaca! há poucos dias no quadro “Vasco Hoje”, mas vazado nas duas competições, tomando nelas 9 gols em 4 jogos, contra Anderlecht-BEL, PSG-FRA, Atlético Madrid-ESP e Cadiz-ESP. Reiterando, as disputas ocorreram nos meses de junho e agosto, respectivamente.

Além disso, em mais 7 amistosos, o goleiro levou outros 7 gols. Já encerrado o Campeonato Carioca, antes do início do Brasileiro, outros 5 em 2 jogos.

Agora, considerando apenas os amistosos mesmo, partidas que não valem taça e são meros encontros entre duas equipes, algumas coisas precisam ficar claras. Uma sequência oficial invicta deve estar dentro de sua sequência geral e a história já mostrou como encaram isso os clubes que buscam se manter invictos durante muitos jogos, utilizando amistosos para tal.

Os exemplos comportam dois clubes brasileiros conhecidos.

Entre 1977 e 1978 o Botafogo mantinha uma sequência invicta. Terminara o Campeonato Brasileiro de 1977 sem perder uma única partida, embora nem se classificasse à semifinal da competição. A invencibilidade chegava a 22 jogos na ocasião, contando as duas rodadas finais do Campeonato Carioca mais dois amistosos. A fim de aumentá-la e ainda se preparar para o Campeonato Brasileiro de 1978, que seria disputado entre março e agosto, a equipe atuou em seis amistosos no prazo de 17 dias.

No segundo compromisso da série, contra o Uberlândia, na casa do adversário, empatava em 2 x 2 quando o árbitro Hélio Cosso – que já havia anulado um gol legal do time anfitrião quando o placar era de 2 x 1 para o Uberlândia – marcou pênalti a favor da equipe do triângulo mineiro, cometido por Mário Sérgio (mão na bola após cobrança de falta efetuada por Ferraz) já quase no fim.

Zagallo, técnico alvinegro, partiu para cima do árbitro, não aceitou a marcação e tirou o time de campo sem que o pênalti fosse cobrado. O placar de 2 x 2 foi mantido e o Botafogo partiu para mais 28 jogos invictos, sendo 4 amistosos e 24 oficiais. Por qual razão Zagallo teria ficado tão nervoso, descontrolado se a sequência oficial permanecia intacta? Pelo fato de ele e o universo inteiro saberem que a perda de um jogo (amistoso, não amistoso) quebra qualquer sequência.

O segundo exemplo se dá com o Bahia em 1982.

Eliminado pelo Guarani por 1 x 0 no Torneio dos Campeões daquele ano, a equipe baiana jogou 38 vezes pelo Campeonato estadual da Boa Terra sem sofrer qualquer derrota. Neste período atuou também em 5 amistosos, totalizando 43 partidas sem perder.

Aproveitando a maré e de olho na invencibilidade obtida pelo Botafogo entre 1977/78, o clube baiano começou a marcar amistosos o quanto pôde até o fim do ano (foram 5 em 10 dias). Nos três primeiros conseguiu manter sua invencibilidade, mas no quarto foi derrotado pelo Treze-PB, que fez uma grande festa pela quebra, lembrada até hoje pelos torcedores do clube, com muito orgulho.

Para o próprio Bahia a sequência havia sido quebrada de forma inequívoca. Tanto é que o número de jogos oficias invictos da trajetória do Botafogo era de 44 e tal fato não entusiasmou o clube baiano a incentivar ou reverberar isso no início do Campeonato Brasileiro do ano seguinte, no qual foi derrotado na segunda rodada pelo Mixto, em Cuiabá.

A distorção criada nos últimos tempos por alguns meios de comunicação, reféns de um método torto iniciado por entidades que não cumprem sua função de preservação da história do esporte, mas sim de preservação da história que desejam contar, traz inúmeros prejuízos às instituições praticantes do futebol, as quais veem conquistas emblemáticas serem postas num lugar menor.

Quando se desfaz  de dois torneios qualificados e bastante conhecidos tanto na América como na Europa (o Torneio de Paris e o Troféu Ramon de Carranza), a pretexto da inclusão de uma campanha não invicta como a maior invicta oficial, diminui-se os feitos obtidos pelo próprio clube nos anos de 1957, 1987, 1988 e 1989.

Por outro lado, quando se tenta ignorar a perda de um amistoso como se não maculasse uma sequência invicta oficial está sendo desconsiderado aquilo que os maiores interessados apregoaram em uma sequência deles mesmos. Desrespeita-se aí o próprio “modus operandi” dos clubes na época.

Mas será difícil ouvir da imprensa que no Rio de Janeiro só o Vasco participou de um mundial (2000), aliás de dois pois a Copa Rio de 1951 foi oficializada pela entidade e confirmado isso no ano passado, que dos clubes do Rio, Flamengo, Fluminense e Botafogo nunca atuaram numa partida oficial contra europeus , apenas o Vasco tem essa primazia (E VENCEU TODOS OS CONFRONTOS!), que Pelé não tem mil gols “oficiais” na carreira, que o maior artilheiro da história do futebol mundial é Romário (cria do Vasco).

Não será fácil o narrado acima sair dela própria, que tem certa dificuldade de dar a devida notoriedade ao primeiro título oficial conquistado por um clube brasileiro no exterior, o Sul-Americano de 1948, ganho pelo Expresso da Vitória. Não pela conquista em si, mas pelo fato de o clube ser Bicampeão Sul-Americano, com a anuência oficial da Conmebol em 1996 a respeito disso, pois aquele título foi posto no patamar de Taça Libertadores da América com o convite ao Vasco para participar da Supercopa Libertadores (na qual só atuavam campeões de Libertadores) a partir do ano seguinte.

Rumo à maior sequência geral invicta da história do clube (35 jogos) e a mais quebras de sequências oficiais e gerais externas, pois temos hoje, para a alegria de todos os vascaínos, a maior interna de nossa história quebrada, a do Expresso da Vitória (1945/46), constituída de 27 partidas oficiais na época e que em nada diminui o timaço de Rodrigues, Barbosa, Augusto, Rafanelli, Berascochea, Eli, Argemiro,  Ademir, Lelé, Isaías, Jair e Chico, Campeão Carioca invicto com 13 vitórias e 5 empates (tal qual em 2016) e Municipal Invicto (certame disputado antes do Campeonato Carioca), com 100% de aproveitamento na ocasião, competição na qual o Vasco seria Tetracampeão dois anos depois (1944/45/46/47).

Casaca!

 

 

 

Vasco hoje (24/05/1997) – Edmundo e Pedrinho quebram a invencibilidade alvinegra

Eram tempos estranhos aqueles.

Por mais que o torcedor visse uma coisa no campo, era induzido a chegar a outras conclusões fora dele.

Naquele primeiro semestre de 1997 o Vasco era sistematicamente ridicularizado pelo jornalista Renato Mauricio Prado em sua coluna do jornal “O Globo”.

Numa enquete encerrada em maio disse ele que o pior técnico do Brasil disparado era Antônio Lopes na opinião dos internautas. O mesmo Lopes afirmara em fevereiro que o Vasco em seis meses seria o melhor time do Rio. Quem viveu, viu.

Até aquela data o Botafogo fazia um belíssimo campeonato, enquanto o Vasco tropeçara em vários jogos. Já perdera duas vezes para o Flamengo, três para o próprio Botafogo, além de ter sofrido um revés diante do Americano, em Campos, enquanto o alvinegro se mantinha invicto, embora no terceiro turno, composto por seis equipes, tivesse a mesma campanha do Vasco té ali: uma vitória e dois empates.

O líder do turno era o Fluminense, com duas vitórias e um empate. O Flamengo já estava praticamente fora com apenas um ponto ganho em três jogos e na iminência de levar um w.o. por não ter comparecido para enfrentar o Americano em Campos. Coisas da Liga Carioca, que questionava o estadual, tentava sabotá-lo e fazia os próprios clubes pertencentes a ela pagarem micos de mãos dadas com a entidade.

O tricolor defendia a liderança contra o Americano, nas Laranjeiras, e caso vencesse decidiria com o Botafogo na última rodada precisando do empate, a não ser que o Vasco fosse o vencedor do clássico de sábado.

Era a chance derradeira da equipe de São Januário chegar à final do estadual. Após empatar com o Americano em casa na estreia e arrancar um empate diante do Fluminense no Maracanã em 2 x 2 – quando esteve duas vezes atrás do placar e após o segundo empate no jogo teve um jogador a menos nos 15 minutos finais – uma excelente atuação diante do Bangu, goleado por 4 x 0, fez renascer as esperanças de todos em São Januário pela conquista da vaga na final.

Pedrinho, que havia estreado no time de cima do Vasco há um ano e meio, começava a despontar como grande revelação vascaína e estava escalado no ataque ao lado de Edmundo. Os meias ofensivos eram Juninho e Ramon, sendo o último um dos destaques do elenco no estadual, no gol o time contava com a segurança de Carlos Germano e nas duas laterais havia jogadores de peso: Pimentel, considerado o melhor da posição na competição, e outra cria de São Januário, Felipe. Se um dos volantes vascaínos era o incansável Luisinho, as duas outras opções para a posição não agradavam: Fabrício e Cristiano. Mas o problema maior para muitos era a zaga, constituída por Tinho e Alex, atletas formados no clube, mas pouco aceitos pelos vascaínos dada a grande expectativa criada na época dos juniores. 

Já o Botafogo do centroavante Sorato, ex-Vasco, possuía no contexto do estadual simplesmente seis jogadores entre os melhores do certame. Vagner, Gonçalves, Marcelinho Paulista, Ailton, Djair e Bentinho. Além dos citados o clube contava com o experiente Jorge Luís, ex-Vasco, na zaga e Pingo, atuando como volante. O ponto fraco do time era a lateral. Wilson Goiano pela direita não convencia e Jeferson, que também pertencera ao Vasco, mas por empréstimo, em 1995, não atuava de forma destacada já há algum tempo. No banco Joel Santana, vindo de um pentacampeonato estadual (1992/93 Vasco, 1994 Bahia, 1995 Fluminense, 1996 Flamengo). Estava ele com a bola toda na época.

À tarde, com um público pagante de 5.329 pessoas nas Laranjeiras (dois terços da capacidade do estádio tomados), o Fluminense teve tudo para se isolar na liderança. Atuou com um a mais em campo por toda a segunda etapa (o volante Leonardo do Americano foi expulso no intervalo), saiu na frente, mas permitiu o empate da equipe campista com um gol do até então desconhecido Odvan. O empate criou um clima tenso no clube. Muitos imaginavam que o tricolor havia jogado fora suas chances na competição com aquele resultado.

O empate do Fluminense à tarde punha o Vasco em situação bem melhor na tabela. Caso vencesse pela contagem mínima praticamente eliminaria o Botafogo e ficaria com um saldo superior em dois gols ao adversário, que vencera o Bangu por 2 x 1, empatara com o próprio Vasco em 2 x 2, derrotara o Flamengo por 2 x 0 e tropeçara à tarde diante do Americano, como citado.

O jogo

A partida começou truncada no meio campo. O time de Antônio Lopes avançava Ramon para jogar próximo a Pedrinho e Edmundo e contava com subidas constantes do lateral Pimentel, mas tinha ainda no talento de Juninho uma grande opção para a armação das jogadas. O Botafogo, escalado com seu quadrado tradicional de meio, Pingo, Marcelinho Paulista, Ailton e Djair, era mais transpiração que inspiração. Contava na frente com o talento de Bentinho e o oportunismo de Sorato para definir o jogo, além da segurança de sua zaga, formada por Gonçalves e Jorge Luís para evitar o vazamento da cidadela defendida por Vagner.

Aos 9 minutos do primeiro tempo Juninho lança Pimentel na área que é empurrado no peito por Jeferson, mas o árbitro Álvaro Quelhas nada marca.

Aos 19, entretanto, outra penalidade ocorrida a favor do Vasco foi desta vez assinalada. Edmundo cruzou rasteiro da direita, buscando Pedrinho na área. Djair se antecipou na jogada, mas acabou por atrasar no fogo para Vágner, que sem poder tocar a bola com as mãos a rebateu na dividida com Pedrinho. O jovem talento vascaíno ficou com a posse da redonda, driblou Vágner e foi derrubado. Pênalti claro. Na cobrança Edmundo chutou no canto esquerdo de Vagner, que praticou a defesa salvando seu time na ocasião.

Aos 22 Pedrinho é lançado na esquerda, avança até a área, ganha de Wilson Goiano e chuta cruzado, já próxima da pequena área, mas erra. A pelota sai por cima da meta alvinegra.

Aos 29 finalmente o Botafogo concretiza uma jogada de perigo ao gol adversário. Jéferson vai ao fundo, pelo lado esquerdo, cruza por baixo e Carlos Germano divide com Sorato. No rebote a bola fica com o vascaíno Fabrício que é derrubado na área cruzmaltina, em falta marcada.

No minuto seguinte outra grande chance de gol para o Gigante da Colina. Edmundo lançou Pimentel, que invadia a área. Jéferson tentou o corte do passe, mas só conseguiu resvalar na bola. A gorduchinha sobrou à feição para Pimentel arrematar, mas o lateral atirou por cima, pela linha de fundo, perdendo ótima oportunidade de abrir o marcador.

Aos 33 Pimentel lançou Juninho na esquerda em posição legal, mas o bandeira marcou impedimento de Juninho, prejudicando o Vasco.

Aos 41 a melhor chance do Botafogo na etapa inicial. Jéferson tentou lançar na área, mas no meio do caminho Pimentel interceptou o lance em corte parcial. Fabricio tentou alcançar a bola, mas esta acabou sobrando para Ailton, que lançou Sorato livre na direita, já dentro da área. O artilheiro avançou e tentou o chute por baixo de Carlos Germano, mas o goleiro conseguiu defender com os pés e ainda encaixar a bola no rebote.

Já nos acréscimos da primeira etapa outra chance de ouro para o Vasco. Juninho e Pimentel manobram pela direita e já dentro da área o meia serve ao lateral, que cruza para trás na direção de Edmundo. O “Bacalhau” bate de primeira e acerta o travessão, para sorte do Botafogo. Parecia mesmo ser difícil tirar a invencibilidade alvinegra naquele campeonato.

Na volta do intervalo Joel Santana afirmou a um repórter ter faltado vibração à equipe dele na etapa inicial. O Vasco fora, de fato, muito mais insinuante no período inicial.

Aos 11 minutos do segundo tempo Ailton faz lembrar o gol do título contra o Flamengo, marcado dois anos antes num Fla x Flu épico, no qual saíra como herói. Contra o Vasco o meia recebeu na direita, desvencilhou-se de Fabricio e arrematou de esquerda (que não era a perna boa). Talvez por isso o chute tenha saído mascado, facilitando a defesa de Carlos Germano.

Aos 19 Pimentel recebe próximo à linha divisória e avança pela direita. Já próximo à área toca para Edmundo. Gonçalves tenta o corte, mas só consegue um toque de leve na pelota, que chega ao “Bacalhau” na direita. Ele cruza, a bola passa por Ramon no meio, mas sobra para Pedrinho na esquerda, que ajeita e já próximo à pequena área fuzila Vágner, inaugurando o marcador.

A partir daí o Botafogo vai para cima sem medir consequências. Joel tira o lateral Wilson Goiano e põe em seu lugar o centroavante Dimba. Era tudo ou nada.

Aos 25, em córner da esquerda, a zaga vascaína afastou, mas Jorge Luís, de puxeta, levantou novamente à boca da meta e Dimba, meio de lado, cabeceou por cima quando estava livre para concluir.

Aos 27 Ailton lançou Dimba pelo lado direito em boa posição, mas o mesmo bandeira, responsável pela anulação de um lance legal do ataque vascaíno no primeiro tempo, errou de novo, desta vez contra o Botafogo.

Aos 30 em novo escanteio para o time da estrela solitária, Bentinho toca com o peito para o centro da área e acha Dimba, que chega a arrematar, mas, meio desequilibrado na hora do arremate, conclui fraco para fácil defesa de Carlos Germano. No lance, porém, a chiadeira alvinegra é geral. Os jogadores reclamam com o árbitro uma falta de Fabrício em Dimba dentro da área, no exato momento em que o atleta fazia o arremate. Pareceu, de fato, pênalti, porém nada foi marcado novamente.

Dois minutos depois um entrevero na lateral esquerda, campo de defesa do Vasco, entre Felipe e Ailton, ocasionou a expulsão de ambos. As duas equipes jogariam os 13 minutos finais com um homem a menos em campo.

Aos 40 Juninho e Edmundo fizeram a diferença. O meia executou um lançamento de 30 metros para o atacante, que se infiltrou por trás da defesa adversária, invadiu a área, chamou Jorge Luís para o drible, passou como quis pelo zagueiro e arrematou de esquerda, fechando o marcador.

Depois disso, o Vasco tocou a bola e esperou o fim da partida.

Caía o último invicto do campeonato, o time de Antônio Lopes assumia a liderança junto ao Fluminense com 8 pontos ganhos, abria uma vantagem de três gols no saldo contra o adversário (critério de desempate para o título do turno) e teria o Flamengo na última rodada como adversário, mas com o rubro-negro provavelmente sem chance de conquistar o título, se confirmado o W.O. sofrido diante do Americano em Campos.

Ao tricolor restava golear o Botafogo por quatro gols de diferença (venceria por 2 x 1) para tentar igualar o saldo e vislumbrar ganhar o turno pelo número de gols pró, ou simplesmente torcer para o Gigante da Colina tropeçar diante do Flamengo, jogo que acabaria não ocorrendo devido a mais um W.O. sofrido pelo rubro-negro diante de seu maior rival, legítimo campeão daquele terceiro turno, em 1997.

Jornal do Brasil 25/05/1997

O Globo 25/05/1997

O Globo 25/05/1997

Outras vitórias do Vasco em 24 de maio:
CARIOCA 0 X 2 VASCO (CARIOCA 1931)

VASCO 1 X 0 PONTE PRETA (BRASILEIRO 2003)

A fantasia e a realidade

O jornalista Gilmar Ferreira faz da informação uma criação própria em algumas oportunidades.

Opositor à atual gestão do clube tenta – ao falar da situação de Rafael Vaz no Vasco – induzir o público a crer numa responsabilidade da direção, como se não conhecesse os meandros do futebol e minimamente a legislação esportiva.

Qualquer torcedor um pouquinho mais antenado tem ciência de que um atleta pode assinar pré-contrato com outro clube a partir dos últimos seis meses de seu compromisso com o anterior ao qual está ainda vinculado.

O Vasco procurou se resguardar desde o ano passado para renovar contratos com os mais diversos jogadores. O fez com Martin Silva, Luan, Rodrigo, Julio César, Andrezinho e Nenê do time principal. Jomar, Marcelo Mattos, Bruno Gallo, Jorge Henrique e Thales têm contrato até o fim do ano, Julio dos Santos e Leandrão até 2017, Madson até 2018, Pikachu até 2019. Jordi, Rafael Vaz, Henrique e Diguinho terminam o seu compromisso com o clube ainda nesta temporada. Vários empresários estão vinculados aos nomes citados.

Joias da base, que já atuaram nos profissionais, também renovaram. Nomes como Evander, Caio Monteiro, Mateus Vital e Andrei estenderam seu contrato com o clube entre o ano passado e o início deste.

É claro que o Vasco se interessou por renovar com Rafael Vaz, como se interessou em manter Riascos, como se interessa e deve renovar com Diguinho e mais outros que participam do grupo.

A questão hoje é se o empresário do atleta também se interessa. Uma negociação de Vaz para outro clube com o Vasco recebendo 60% dos direitos econômicos de venda, embora pudesse ocorrer até o último dia de contrato do atleta, na prática só se dá seis meses antes do fim do contrato, pois a partir daí o jogador pode fazer um pré-contrato com outro clube qualquer e aguardar o fim do compromisso, ficando todo o montante referente a direitos econômicos com o clube seguinte ao qual o atleta se vinculará.

Mas então por que razão os empresários do atleta pagaram um valor ao Ceará em 2013, cerca de um mês antes do término de seu compromisso com aquele clube? Ou porque iam perder o negócio com a demora ou pelo bom relacionamento e acordo informal com o clube cearense de lhe reembolsar, caso houvesse uma transferência.

Ou seja, o Vasco para realizar algum negócio envolvendo Rafael Vaz antes dos últimos seis meses de contrato, fazendo valer os 60% a que tinha direito, deveria tê-lo feito até o fim da primeira quinzena de dezembro.

Fantasiando ainda mais a história o jornalista afirma que a direção do Vasco preferia não ver Vaz brilhar para poder renovar mais facilmente seu contrato. Seria então ótimo perder o Campeonato Carioca com uma falha de Vaz porque aí no fim do contrato ficaria mais fácil de renová-lo? Convenhamos…

Em muitos casos, se o empresário não tiver interesse na renovação do atleta com o clube o jogador se recusa a firmar novo compromisso com o último. Se isso vier a ser bom ou ruim para a carreira do atleta, subjetivamente, pouco importa. Apresenta-se uma proposta melhor e pronto. As outras variáveis ficam em plano secundário.

O Vasco, por sua vez, deve permanecer agindo com responsabilidade. No ano passado Fellype Gabriel esteve com um pé no clube, mas a pedida foi alta e ele não veio. Este ano a realidade salarial mudou e o Vasco conta com mais um ótimo jogador no elenco.

Casaca!