Acompanho futebol há cerca de 40 anos.
Não me lembro de ter visto manifestações tão contundentes a respeito de treinador da base, em todo esse período, numa circunstância tão peculiar como vimos e que há de ser pontuada, retratada e cobrada intramuros.
O caso do treinador Rodney Gonçalves para mim só não é espantoso porque essa gente, banhada pelo ódio, pelo despeito e pelo oportunismo, age assim por vocação: o nível é péssimo, o Vasco secundário e as manifestações típicas de quem se esconde por detrás de um grupo para caluniar e fazer insinuações torpes a profissionais do clube que tem história no Vasco, um hábito “muviano”, ora travestido de amarelo.
O Vasco tomou de 5 x 0 do Fluminense no Sub 20 e isso foi uma vergonha, alicerçado também pelo fato de o time ter largado o jogo quando tomava de três, levando dois gols próximo no fim.
Incrível ninguém ter comentado ainda que o time do Andrey tomou de 5 x 0, o time do Evander tomou de 5 x 0, o time do Mateus Vital tomou de 5 x 0, o time do Mateus Indio tomou de 5 x 0, o time do Caio Monteiro tomou de 5 x 0. Todos atletas que atuaram na equipe de cima este ano ou estão próximos disso.
E não me venham com o papo de que faltou entrosamento. Do meio para frente são cinco atletas os quais atuam ou atuaram juntos. Faltou a eles sim comprometerem-se com o jogo. Recomporem, marcarem, irem com sangue nos olhos a cada jogada, disputá-las, sentirem no gol adversário a vontade de reagir, retrucar, suar a camisa do Vasco, clube que lhes paga e ao qual devem ser todos muito agradecidos pelo tratamento proporcionado.
O que houve, de fato? Individualmente o Vasco possui ainda outros nomes de destaque, como o lateral Allan Cardoso, o zagueiro Lucas Barboza, autor do gol da vitória sobre o Flamengo no turno, o centroavante Hugo Borges, e por aí vai.
A derrota para eles passa como um acaso? Há algum problema de que um atleta eventualmente aproveitado no time de cima venha a participar com outros companheiros do Sub 20 e atuar com destaque? Não são todos profissionais? Por outro lado, o salário é diminuído quando um atleta já aproveitado em cima volta a atuar na categoria?
Discutamos, é claro, o trabalho de A ou B, porque numa derrota dessas muito há de se conversar para não repeti-la no futuro, mas a grande questão, a ampla questão está diretamente relacionada a dificuldade de hoje se cobrar a harmonização dos atletas partícipes regularmente do elenco, com aqueles que atuavam antes de um jogo decisivo. A vitória é de todos e a derrota idem.
Há de se valorizar a chegada dos que atuam em cima e vêm para ajudar, bem como dos outros componentes do plantel. A união faz a força, mas a desunião azeda o caldo.
O treinador Rodney Gonçalves não é um paraquedista no Vasco. Numa categoria abaixo, ainda em 2008, foi Campeão da Copa do Brasil Sub 17, vencendo o Santos de Neymar por 2 x 1 na decisão. Essa mesma turma, pelo mesmo motivo de agora, ódio a Eurico Miranda e a qualquer um que tenha relação direta ou indireta com ele, seus filhos, etc… o demitiu no dia seguinte e foi reverberado nas mídias situacionistas da época uma satisfação com isso.
O desprezível contingente nada mais faz que, independentemente de qualquer resultado, procurar algo possível para lançar diatribes contra a administração.
O centroavante do Fluminense, decisivo no jogo, treinava em cima, desceu e definiu, como já vimos no passado ocorrer com Roberto Dinamite, Geovani, Valdir, Jardel, entre outros exemplos. A arma é utilizada por todos, mesmo porque a obviedade de se tornar mais forte um time com a possibilidade de utilização do que se possui de melhor é quase um axioma.
Não acho razoável para o futuro dos atletas de base do Vasco ficarem protegidos, enquanto se queima o treinador, após um vexame proporcionado por eles em campo. É assim que pretendem se destacar em suas carreiras? Ora, o Vasco largou o jogo no fim, quando perdia por 3 x 0. Foi o treinador quem mandou largar?
Como justificar que uma linha de frente formada por Índio, Mateus Vital, Evander e Caio Monteiro, contando ainda com a ligação de Andrey no meio, não tenha feito nada de relevante em campo? Não se comprometeram com o jogo? E os outros do time? Não podem cobrar no gramado denodo, vergonha na cara e comprometimento dos companheiros? Não podem dar de si também em dobro num jogo de mata-mata?
Nada justifica a ridícula atuação do Vasco contra o Fluminense nas Laranjeiras. Mesmo que o treinador tivesse escalado o Caio Monteiro no gol e o goleiro Júnior Souza de centroavante. Todos precisam ser cobrados e, claro, a direção do Vasco deve fazê-lo.
Finalmente, sobre o tio de Rodney Gonçalves, Nilson Gonçalves, com décadas de trabalho no Vasco e também na CBF, faltou respeito a ele e sobrou leviandade. Nada diferente daquilo que se vê no grupo amarelo. A frustração é total não com as derrotas nos juniores, que quase ninguém do bando acompanha. O melhor caminho é mesmo chorarem suas mágoas com os rubro-negros. Não nos esqueçamos da ausência de uma linha sequer desse grupo após a vitória contra o Flamengo, que levou o Vasco à finalíssima do estadual em 2015. Algo absolutamente simbólico.
Sérgio Frias
