Tentaram enterrar o Basquete do Vasco e capricharam.
Foram quase sete anos de abandono, na categoria adulto, de um esporte repleto de glórias dentro do clube.
Bicampeão Brasileiro, Bicampeão Sul-Americano, Bicampeão da Liga Sul-Americana, Campeão Mundial FIBA e inúmeras vezes Campeão Carioca.
Dois homens são fundamentalmente os responsáveis pelo basquete do Vasco não ter morrido ou posto à margem no clube. Fernando Lima e o presidente Eurico Miranda.
O Vasco tem a felicidade de possuir em seus quadros um conhecedor profundo do Basquetebol e de suas nuances.
Ele não quer aparecer, ele não quer chamar a atenção, ele não quer ser o foco, mas ele definitivamente é.
Foi ele quem montou o time.
Foi ele quem trouxe Ricardinho para ajudar com sua experiência a harmonizar um elenco que se conheceu há poucos meses e jogou contra o Campo Mourão como se atuasse junto há anos.
Foi ele quem acreditou no trabalho do treinador Christiano Pereira e falava deste nome quando ainda éramos oposição.
Foi ele quem contratou cirurgicamente nossos dois últimos reforços, fundamentais para que atropelássemos na reta final.
Foi ele quem bancou trazer um atleta de 40 anos para jogar o que vimos nesses play-offs.
É ele o grande personagem dessa conquista histórica.
Ele que trabalha em silêncio, mas faz o Vasco jorrar suor, emoção e urros na quadra.
Multicampeão pelo Vasco, desde os tempos de atleta, ele sabe a força do clube.
Desde os tempos de garoto, desde os tempos de arquibancada.
Um apaixonado pelo Vasco, tal qual o pai era, como dito por todos aqueles que conhecem o clube mais à fundo.
Eu imagino como estaria se fosse vivo Luiz Arijó de Lima vendo o filho fazer ressuscitar o basquete do Vasco, após tudo ter sido feito para fazê-lo morrer de vez.
E aqui deixo o meu testemunho de que na única reunião de diretoria da qual participei nessa gestão, o Vasco vinha mal, Fernando foi chamado a falar e disse que precisava da contratação de dois atletas para fazer o time virar o jogo. E recebeu de Eurico Miranda a seguinte resposta: Então contrata. E vamos partir para ganhar! Mas não falou com qualquer receio. Falou com segurança. A segurança que transmite a todos segurança.
Parabéns aos envolvidos pela conquista. Vocês puseram o Vasco no lugar dele.
Num espaço de seis anos exatos duas Taças Rio foram conquistadas pelo Vasco. Em 1993 após um confronto frente ao Fluminense e em 1999 contra o Flamengo.
O tradicional segundo turno do Campeonato Estadual foi ganho pelo Gigante da Colina ao todo em nove oportunidades: 1984, 1988, 1992 (invicto), 1993, 1998, 1999 (invicto), 2001 (invicto), 2003 (invicto), 2004.
Em 1993, o clássico diante do tricolor definiria a sorte do Flamengo na competição. O Flu, já campeão da Taça Guanabara, estava fora e tinha apenas a motivação de vencer o Vasco e, com isso, provocar uma partida extra entre os dois outros rivais.
O empate bastava para a equipe de São Januário levantar o caneco e ir com vantagem de um ponto para a decisão a ser definida em até três jogos, enquanto uma derrota o classificaria para ela, mas sem a certeza da vantagem do ponto extra contra o time das Laranjeiras, pois só seria confirmado isso caso passasse pelo Flamengo no confronto suplementar, que definiria finalmente o campeão da Taça Rio.
No dia do jogo, entretanto, ainda pela manhã, algumas rádios anunciavam ter o Flamengo uma interpretação diferente do regulamento, manifestando entendimento no sentido de o Vasco só ter garantida a vaga nas finais caso não perdesse para o Fluminense.
A norma da competição previa que se uma equipe fizesse a melhor campanha no somatórios dos dois turnos, teria vaga garantida na fase decisiva e se tivesse ainda ganho um dos turnos, levaria um ponto de vantagem na disputa contra o campeão do outro turno.
Em caso de empate de duas ou mais equipes na pontuação geral, valeriam os critérios de desempate: vitórias, saldo de gols, gols pró.
Como o Vasco havia somado dois pontos a mais que o Fluminense em todo o campeonato até ali e tinha 15 vitórias contra 13 do adversário, já estava automaticamente classificado para a decisão, mesmo se sofresse uma derrota na última rodada.
Mas os dirigentes rubro-negros entenderam diferente. Para eles só estaria classificada uma equipe que não ganhasse os dois turnos caso ela fosse isoladamente a maior pontuadora do certame.
A tese oriunda da Gávea caía por terra em se considerando a hipótese de cada clube ganhar um turno e na soma geral terminarem ambos empatados. Não haveria ponto de bonificação neste caso? Claro que sim, utilizando-se os critérios de desempate.
A manifestação flamenga tinha como objetivo encher de brios o Fluminense. Baseado na tese, o tricolor, caso vencesse o Vasco impediria cabalmente que o rival tivesse alguma vantagem na final. Enfrentaria, então, a equipe dirigida por Edinho, Vasco ou Flamengo – quem fosse o Campeão da Taça Rio após o jogo extra – em igualdade de condições, embora o regulamento, voltando a frisar, não permitisse isso.
A infantil interpretação tomou razoável espaço na mídia e o Vice-Presidente de Futebol do Vasco, Eurico Miranda – à época também segundo Vice-Presidente Administrativo do clube – foi a algumas rádios tranquilizar o torcedor cruzmaltino sobre o direito do clube estar garantido e passar otimismo quanto à conquista da Taça Rio naquele mesmo dia, dada a vantagem do empate caber ao Vasco no embate.
O jogo começou animado e logo na primeira chance clara de gol, aos 11 minutos, Valdir faturou o primeiro do Vasco, encobrindo Ricardo Pinto em chute forte e bem colocado, após bola levantada por Alê do campo de defesa e dupla falha da zaga tricolor, a última delas do zagueiro Luís Fernando, responsável por enviar a pelota de presente para o artilheiro do Campeonato Carioca.
Aos 22 minutos, em escanteio, cobrado da direita por Sérgio Manoel, Ézio, próximo à primeira trave, se antecipa à zaga cruzmaltina e raspa de cabeça, mandando às redes. Tudo igual no clássico.
Aos 24 Valdir faz falta feia na direita do campo de defesa vascaíno, próximo à linha lateral e leva o cartão amarelo.
Aos 32 quase a virada tricolor. Pires dividiu com Leandro Ávila e a bola chegou a Sérgio Manoel na esquerda. Dali partiu o cruzamento. Ézio entrou de cabeça, mas errou o alvo, perdendo grande chance de marcar.
O segundo tempo seria envolto por uma grande polêmica. O árbitro Aluísio Viug não se apercebe, mas dá o segundo cartão amarelo para Valdir, achando que havia aplicado apenas o primeiro e não expulsa o atleta. Alguns jogadores do Fluminense alertam Viug para o fato, mas o árbitro não toma conhecimento.
Logo em seguida, o repórter da Rádio Globo, Pierre Carvalho, atrás do gol defendido por Ricardo Pinto, chama à atenção para o fato com certo alarde, o que leva alguns atletas do Vasco a confrontá-lo, quando insistia em chamar a atenção para o fato. O atacante ficaria indevidamente mais 16 minutos em campo, até o juiz ser alertado pelo quarto árbitro do erro cometido.
Aos 27 o tricolor ataca e após cruzamento da esquerda, Macalé cabeceia para o meio da área e Ézio dá uma meia bicicleta em direção ao arco vascaíno, mas Márcio defende firme.
Aos 33 Geovani leva entrada dura de Serginho e revida com uma cotovelada, mas Aluísio Viug, embora visse tudo, não manda ninguém para o chuveiro mais cedo.
Após o fim da partida, sururu em campo. Vários jogadores de Vasco e Fluminense partiram para agressões mútuas e o garoto Hernande saiu com a boca ferida, fruto de um soco desferido pelo tricolor Serginho, após ter sido empurrado por Lira. O jogador tricolor, por sua vez, afirmou ter ido tomar satisfações com Hernande pelo fato de ter levado um tapa na cara do atleta, que atingira Sérgio Manoel, sem bola, próximo do apito final. Dirigentes vascaínos interferiram e o preparador físico do Fluminense, Alexandre Monteiro também foi agredido.
O Vasco chegava ao seu primeiro bicampeonato da Taça Rio e partia para a final do estadual com um ponto de vantagem sobre o Fluminense, numa melhor de até três jogos. O Flamengo, por sua vez, era bi-vice da Taça Rio e estava fora da decisão do campeonato.
Uma série de faltas antidesportivas, agressões sem bola, cotoveladas e indisciplinas foram vistas de ambas as partes durante toda a partida e não seria exagero nenhum terem ocorrido cinco, seis expulsões no jogo. As consequências da falta de atitude do árbitro em campo levaram às agressões pós jogo. Não se sabia, entretanto, o que prevaleceria nos duelos decisivos: futebol ou pancadaria.
O Globo (07/06/1993)
Seis anos depois, Vasco e Flamengo fariam uma decisão direta pelo título da Taça Rio.
Para o rubro-negro, que já conquistara a Taça Guanabara, uma vitória daria o título de Campeão Carioca daquele ano, enquanto um simples empate levaria o Vasco à conquista do bicampeonato da Taça Rio pela segunda vez e, por conseguinte, à decisão do Estadual contra o mesmo adversário.
O Flamengo tinha Romário como seu maior ícone e na Taça Guanabara o artilheiro fora importante marcando belo gol contra o rival, o segundo, na vitória por 2 x 1, válida pela última rodada. Naquela oportunidade as circunstâncias eram as mesmas. O Vasco jogava apenas pelo empate.
Durante o segundo turno a equipe de São Januário ficou sem Luizão, que saiu para o exterior, mas trouxe Edmundo, numa contratação vultosa.
A estreia, com pompa, ocorreu na última rodada, quando bastava ao Vasco derrotar o Botafogo para chegar ao título da Taça Rio, mas a atuação discreta do craque e o empate em 1 x 1 causaram dupla frustração na torcida e puseram o Flamengo no páreo novamente.
Além da briga pelo título da Taça Rio havia também a luta pela vantagem nas finais do estadual. Embora o Vasco precisasse apenas do empate para garantir o título do returno e o ingresso à decisão, somente em caso de vitória levaria a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Se a partida terminasse empatada, caberia ao Flamengo o handicap.
Era a hora da verdade para dois craques. Capitães das duas equipes. No cara ou coroa deu Edmundo contra Romário. Agora era ver de quem seria a vitória quando a bola rolasse.
Logo aos 2 minutos, Rodrigo Mendes escapou pela esquerda e cruzou à meia altura. Géder afastou, mas o rebote sobrou para Beto, dentro da área, chutar em gol. A bola bateu no peito de Odvan, posicionado próximo à marca do pênalti. Felipe puxou o contra-ataque e serviu a Edmundo, que teve de dividir com a zaga rubro-negra o lance, próximo ao meio campo. Paulo Miranda também envolto na briga pela bola bateu prensado, buscando Donizete. O toque muito longo chegou às mãos de Clemer, mas o zagueiro rubro-negro Luís Alberto, responsável pela cobertura, deixou o braço no atacante vascaíno – quando este acelerava para chegar na bola – a um passo da grande área. O árbitro Vagner Tardelli deixou o lance seguir.
Aos 17 Vágner gira em cima do marcador e dá a Edmundo na direita, que invade a área e cruza com muita força para a pequena área. A bola bate na coxa de Donizete e vai para fora.
Aos 25, em manobra ofensiva rubro-negra pela esquerda, cruzamento na área do Vasco, na direção de Caio. A pelota passa pelo atacante e Romário ainda consegue tocá-la com a ponta do pé, mas sem obter o domínio da redonda. Felipe, que marcava Romário no lance, puxa o baixinho em seguida e este aproveita para cair no solo, quando chegar até a bola já era difícil, dada a cobertura da zaga. O juiz manda o jogo correr.
As duas equipes atuam de forma dura e alguns entreveros ocorrem entre os atletas, mas apaziguados pelo árbitro.
Aos 44 Donizete recebe frente à frente com Clemer, mas atira para fora, perdendo uma oportunidade incrível. O bandeirinha, no entanto, marcara um impedimento absurdo do atleta vascaíno, quando dois adversários davam condição a ele. Para a sorte do auxiliar, Donizete perdera o gol.
Na volta do intervalo se esperava mais emoção e menos faltas. No campo pesado, consequência do tempo chuvoso, sobrara até ali muita discussão, mas pouco futebol.
Aos dois minutos Zé Maria cruza da direita, mas Donizete, já dentro da área, não consegue ter domínio da bola, que sai pela linha de fundo, quando era boa a condição para o arremate, apesar da marcação próxima de um adversário.
Aos 17 Zé Maria cobra falta da direita, Clemer sai mal do gol e Edmundo cabeceia para as redes. Delírio da galera cruzmaltina. Vasco 1 x 0.
Aos 22 Donizete é lançado e toca a Edmundo livre, que tenta um lance de efeito, batendo por cobertura, mas pega muito mal na bola, perdendo grande chance de aumentar o placar.
Aos 29, Fabiano Cabral é lançado em completo impedimento e atira para o gol, mas o bandeirinha assinala a infração, frustrando a vibração rubro-negra.
Aos 39 Ramon, que entrara no lugar de Vágner, lança Paulo Miranda. O meia avança e já próximo à área tem a opção de dar a Zé Maria, posicionado livre, junto à linha lateral, mas prefere travar a pelota e busca o passe a Edmundo mais atrás. A devolução de primeira deixa Paulo Miranda cara a cara com Clemer, mas o chute de esquerda é salvo pelo goleiro, com os pés.
Aos 43 o Fla parte para o abafa. Em cobrança de falta efetuada por Beto, Pimentel consegue efetuar o cabeceio, mas Carlos Germano, seguro, pratica a defesa.
Aos 47 Athirson cobra falta próxima à entrada da área, mandando para o tumulto. Há o cabeceio. A bola passa por Carlos Germano, mas vai para fora.
Aos 48 Maricá, substituto de Zé Maria, lança Paulo Miranda. O meia dá a Ramon que avança pela direita e cruza. Edmundo surge e cabeceia firme para o fundo das redes. Fatura liquidada. Vasco 2 x 0.
Ao fim do jogo, Edmundo repetia o enredo do último confronto dele contra o Flamengo um ano e meio antes. Tal qual no Brasileirão de 1997 fora decisivo e letal. Se naquela oportunidade só não havia feito chover, desta vez o tempo deixou dúvidas sobre o poder do craque.
O Globo (07/06/1999)
Outros jogos do dia 06 de junho:
Vasco 4 x 3 Bonsucesso (Carioca 1934)
Combinado de Skeid-NOR 0 x 2 Vasco (Amistoso 1961)
Central de Barra do Piraí 0 x 3 Vasco (Amistoso 1976)
Vasco 3 x 1 Bonsucesso (Carioca 1979)
Sampaio Correia 2 x 5 Vasco (Torneio Governador Ivar Saldanha 1982)
O Torneio Rio-São Paulo de 1953 chegava próximo ao fim, completamente indefinido.
O Vasco pegaria o líder Corínthians na penúltima rodada e estava na vice-liderança, junto ao São Paulo, três pontos atrás do seu adversário naquela tarde de domingo. O time do Parque São Jorge tinha, entretanto, um jogo a mais que seus concorrentes diretos pelo título.
Vencendo o clássico, o Vasco chegaria à liderança da competição por pontos perdidos (isolada ou dividida com o São Paulo dependendo do resultado a ser colhido pelo tricolor paulista na mesma tarde frente ao Flamengo no Pacaembu).
Antes dos jogos de domingo da penúltima rodada a situação era esta:
1º Corínthians – 12 pontos em 8 jogos
2º Vasco e São Paulo – 9 pontos em 7 jogos
2º Botafogo – 10 pontos em 9 jogos
3º Vasco e São Paulo – 9 pontos em 7 jogos
5º Fluminense – 9 pontos em 9 jogos
6º Palmeiras – 8 pontos em 9 jogos
7º Flamengo – 7 pontos em 7 jogos
A equipe cruzmaltina ainda se ressentia da ausência de Ademir, lesionado, substituído por Genuíno, autor de três gols em sete jogos, dois deles fundamentais para a vitória diante do São Paulo (1 x 0) e empate contra o Palmeiras, fora de casa (1 x 1).
Maneca e Sabará com dois tentos marcados cada eram também esperanças de gol no time, enquanto, Ely, Friaça e Chico haviam deixado suas marcas uma única vez no torneio.
O Vasco vinha invicto há 34 jogos, mas uma surpreendente derrota na rodada anterior por 4 x 1 diante do Fluminense parecia pôr tudo a perder.
O Expresso da Vitória já havia garantido o Campeonato Carioca de 1952 no início da temporada, vencera o Quadrangular Internacional do Rio, derrotando o Flamengo na final por 5 x 2 e ainda conquistara o Torneio de Santiago pouco depois, superando na decisão o time da casa, Colo-Colo, por 2 x 0.
Logo após a disputa interestadual, seria jogado no Rio e em São Paulo o Torneio Rivadávia Corrêa Meyer e os dois melhores cariocas na tabela se classificariam para o certame intercontinental.
A partida trouxe tamanho interesse a ponto de a torcida corintiana agrupar-se em cerca de 5.000 veículos, entre camionetes, carros de praça e particulares para ir ao Rio assistir seu time, afinal uma vitória sobre o Vasco garantiria o título para o clube. Estimou-se um público de 10 a 15 mil corintianos presentes ao jogo. O público total da partida foi de 77.881 pessoas.
A Noite (01/06/1953)
Flávio Costa surpreendeu na escalação pondo Alvinho no lugar de Ipojucan e Vavá na vaga de Genuíno.
Após um início pouco objetivo, mas mesmo assim com o comando das ações, o Vasco passou a chegar mais próximo da meta adversária e numa bola de Alvinho a Chico quase abriu o placar. O ponta tentou deslocar o arqueiro Cabeção mas tocou fraco, perdendo boa oportunidade.
Aos 42 minutos Alvinho recebeu bola esticada por Chico, atirou certeiro no canto esquerdo, mas inesperadamente surgiu o zagueiro Olavo, evitando a queda iminente da cidadela defendida por Cabeção.
O panorama na segunda etapa não foi modificado. Vasco no ataque, Corínthians atuando à base de contragolpes.
Aos 8 minutos do segundo tempo, Baltasar, partindo em arrancada, desferiu potente chute em direção à meta vascaína. Osvaldo Baliza já estava batido no lance, mas Bellini, de cabeça, impediu a abertura da contagem.
Aos 12 Vavá, perseguido de perto por um defensor contrário, esticou a pelota ao ponteiro Chico, que partiu célere para a área corintiana, sofreu falta, levou vantagem no lance, avançou e atirou violentamente, consignando o tento, mas o árbitro João Etzel anulou a jogada marcando falta no início da jogada, para irritação do ponteiro vascaíno.
Aos 17 Genuíno e Ipojucan entraram nos lugares de Alvinho e Vavá, enquanto no Corínthians Lorenzo substituía a Roberto Belangero.
Aos 23 e 25, duas mexidas no Corínthians: Julião entrou no lugar de Idário e dois minutos depois Nardo ocupou a vaga deixada por Baltasar.
Logo em seguida Genuíno perdeu grande chance de abrir o escore a favor do Vasco. O lance mais uma vez foi paralisado de forma incorreta pela arbitragem, com a marcação de impedimento inexistente do atacante vascaíno.
Aos 30, em cobrança de falta, quase Claudio vence o goleiro Osvaldo Baliza. A bola bateu no travessão.
A partir daí o time de São Januário foi todo ataque, mas encontrava dificuldades para chegar ao gol da vitória.
A dois minutos do fim, Mirim passou a Sabará, o ponteiro desvencilhou-se de Olavo e a meio metro da linha de fundo cruzou para a área. A pelota encontrou Ipojucan e este inteligentemente abriu as pernas, vislumbrando a chegada de Chico, que vinha na corrida e fuzilou para o gol, enlouquecendo a massa cruzmaltina. Vasco 1 x 0.
Quase no apagar das luzes o Corínthians atacou e Carbone, de virada, arrematou para o gol. A bola passou por debaixo do corpo de Osvaldo Baliza, mas saiu pela linha de fundo.
Final de partida e a vitória vascaína por 1 x 0, combinada com o empate no Pacaembu entre São Paulo e Flamengo (0 x 0), punham o Almirante dependendo apenas de si para se sagrar campeão.
A imprensa fez muitos elogios à atuação de Bellini, considerando alguns que o beque ganhara a condição de titular em definitivo devido à performance apresentada. Dos jornais sobraram elogios também a Augusto, Mirim, Jorge, Sabará, Maneca, Ipojucan e Chico, autor do tento decisivo. No Corínthians os destaques foram Cabeção, Olavo e Goiano, todos elementos de defesa.
Encerrado o duelo, João da Silva, dirigente vascaíno, exclamou emocionado uma frase que seria manchete no jornal “Última Hora”: “Esse além de ladrão é cínico”.
Os jornais foram unânimes em afirmar que o árbitro João Etzel havia prejudicado o Vasco na partida.
A vitória cruzmaltina classificou matematicamente o Vasco para o Torneio Octogonal Intercontinental Rivadávia Corrêa Meyer. A segunda vaga ficaria entre Flamengo e Botafogo. O rubro-negro precisaria vencer o Bangu na última rodada para fazer uma partida extra contra o alvinegro para se definir qual seria o segundo representante carioca na competição.
O Vasco teria de vencer o Santos na Vila Belmiro em partida válida pela última rodada para, enfim, ser campeão. Caso houvesse empate no confronto decidiria o título diretamente contra o Corínthians, ou num triangular do qual participaria também o São Paulo, na hipótese de o tricolor paulista derrotar a Portuguesa de Desportos na mesma data.
Três dias depois do triunfo obtido no Maracanã, mais uma vez a arbitragem prejudicou o Vasco, desta feita contra o Santos, não assinalando o auxiliar impedimento de Vasconcelos no lance do terceiro gol praiano (o jogo estava empatado em 2 x 2 com o Vasco pressionando incessantemente a meta adversária). Nicácio seria o autor do tento irregular, após rebote dado por Osvaldo Baliza em conclusão de Vasconcelos. O placar final foi mesmo 3 x 2 para a equipe da Vila.
Com a surpreendente derrota vascaína e outra do São Paulo para a Portuguesa de Desportos, o Corínthians se sagraria Campeão do Torneio Rio-SP.
Menos de um mês depois o Expresso da Vitória repararia a injustiça, derrotando a equipe do Parque São Jorge por duas vezes consecutivas, eliminando-a da competição intercontinental e chegando à final. O Vasco seria o Campeão Invicto do Torneio Rivadávia Corrêa Meyer, derrotando o São Paulo por duas vezes, no Pacaembu e no Maracanã, dias depois.
E quanto ao Flamengo? Para desespero do presidente Fadel Fadel na última rodada do Rio-São Paulo o bando rubro-negro foi derrotado pelo Bangu por 2 x 1, dando de bandeja a vaga do Octogonal Intercontinental para o Botafogo. O alvinegro, por sinal seria mais uma das vítimas do Vasco na referida competição, perdendo a vaga para as semifinais após ser derrotado pelo tradicional algoz na fase inicial por 2 x 1.
A Noite (01/06/1953)
O Globo (01/06/1953)
O Globo (01/06/1953)
Jornal dos Sports (01/06/1953)
Outros jogos do Vasco em 31 de maio:
Vasco 4 x 0 Helênico (Carioca 1925)
Andarahy 0 x 2 Vasco (Amistoso 1936)
Vasco 2 x 0 Canto do Rio (Carioca 1942)
Vasco 1 x 0 América (Carioca 1931)
Andarahy 0 x 2 Vasco (Amistoso 1936)
Vasco 2 x 0 Canto Do Rio (Carioca 1942)
Vasco 3 x 1 Portuguesa (Carioca 1969)
Vasco 4 x 1 Caxias-RS (Brasileiro 1978)
Sport Club Juiz de Fora-MG 0 x 1 Vasco (Taça Cidade Juiz de Fora 1987)
A superioridade do Vasco incomodava a chamada “turma do arco-íris”.
Flamengo, Fluminense e Botafogo faziam patética campanha nos gramados do Rio de Janeiro pelo Estadual e papelões fora deles.
Inconformados com o adiantamento e atrasos de alguns jogos do Vasco na competição (o clube estava disputando três competições ao mesmo tempo, Carioca, Copa do Brasil e Libertadores) o trio de lata tentou de todas as formas esvaziar o estadual.
O rubro-negro da Gávea tentara ainda superar o Vasco na Taça Guanabara, mas com o empate na decisão, que favorecia o Vasco e sua pífia performance no início do returno optou mesmo por sabotar a competição.
O campeonato naquele ano era disputado por apenas oito equipes e já na segunda rodada do returno apenas o Vasco mantinha 100% de aproveitamento, tendo derrotado o Americano, em Campos, por 1 x 0 e o Friburguense no estádio de São Januário por 3 x 1. Flamengo e Botafogo, que se enfrentaram na segunda rodada já haviam perdido quatro pontos cada, enquanto o Fluminense deixara dois pontos em Campos diante do Americano.
Com a partida de volta das oitavas-de-final marcada contra o Cruzeiro para o dia 02/05 o clube se viu impossibilitado de enfrentar o Fluminense no clássico do dia 03 e aproveitou o meio de semana para solicitar a antecipação de uma das suas partidas naquele certame contra o Madureira. Isso antes da disputa da segunda rodada. Os tropeços dos outros três cariocas trouxeram questionamentos posteriores à rodada sobre a antecipação da partida diante do Madureira. Começava aí a tentativa do trio de lata de sabotar a competição.
Na quarta-feira, 29 de abril, tranquila vitória do Vasco sobre o Madureira por 2 x 0.
Enquanto no sábado o Gigante da Colina despachava o Cruzeiro, classificando-se às quartas-de-final da Libertadores, no domingo o trio de lata tinha uma baixa definitiva. O Botafogo fora derrotado pelo Bangu por 2 x 1, que, àquela altura já se encontrava à frente de Flamengo e do próprio Botafogo, mas o alvinegro se via em posição desesperadora. Somara apenas 2 pontos em três jogos, contra 9 do Vasco no mesmo número de partidas.
Faltando quatro rodadas para o fim seria fundamental uma vitória sobre o Vasco duas rodadas após e principalmente bater o Fluminense no meio de semana.
Temendo prejuízos pelas fases dos dois clubes os dirigentes de Flu e Bota resolveram tirar a partida do Maracanã e jogá-la em Olaria, mas a mudança não trouxe um bom futebol entre ambos e o empate pelo placar de 1 x 1 foi péssimo para a dupla.
Na mesma rodada o Flamengo passou pelo Friburguense fora de casa e passou a depender de um tropeço do Vasco para permanecer com chances de conquistar o turno e com isso ter o direito de enfrentar o adversário na final do estadual.
Já o jogo do Vasco teve que ser adiado para a semana seguinte pelo fato de o Gigante da Colina ter marcado para si jogos da Copa do Brasil no dia 07 e 12 diante do São Paulo, na capital paulista e no Rio, respectivamente. A partida diante do Bangu, inicialmente marcada para o dia 06, passaria para 14/05. Vale ressaltar que o trio de lata estava todo ele eliminado da Copa do Brasil àquela altura.
O Vasco viveria uma autêntica maratona. Atuaria contra o São Paulo no dia 07, Botafogo (10/05), São Paulo (12/05), Bangu (14/05) e Flamengo (17/05).
Com 3 pontos em 4 jogos e podendo chegar no máximo a 12 a equipe de General Severiano dependeria de uma vitória sobre o Vasco, mais outras duas no certame e ainda torcer para que os cruzmaltinos não fizessem mais de três pontos nos outros três jogos contra Flamengo, Bangu e Fluminense, mas também tinha de torcer para tropeços de Flamengo e Bangu, equipes que não enfrentaria mais, nos três jogos restantes. Cada um deles poderia fazer no máximo quatro pontos nos últimos três jogos a serem disputados e ainda teria de torcer para o Fluminense, até ali com cinco pontos ganhos, perder mais cinco pontos nos últimos quatro jogos, lembrando que haveria vários confrontos diretos entre os envolvidos.
Foi aí que o circo começou. Praticamente eliminado do campeonato o Botafogo afirmou não aceitar entrar em campo para disputar seu último clássico contra o Vasco que disputaria apenas o seu primeiro no returno. Com isso o alvinegro não foi a campo no domingo ficando passível de sofrer um W.O.
Na mesma rodada, a quinta das sete, o Fluminense foi derrotado pelo Madureira por 1 x 0, ficando distante do título, com 7 pontos perdidos, enquanto o Bangu ao empatar diante do Americano na terça-feira, 12 de maio chegaria ao sexto ponto perdido no returno.
No dia 13/05, véspera de Bangu x Vasco era, portanto, esta a situação do campeonato:
Vasco – 3 jogos – 0 ponto perdido e na expectativa pela confirmação do W.O. a seu favor na partida contra o Botafogo
Flamengo – 5 jogos – 4 pontos perdidos
Bangu – 5 jogos – 6 pontos perdidos
Fluminense – 4 jogos – 7 pontos perdidos.
Com a confirmação do W.O. favorável ao Vasco estariam eliminados matematicamente Americano, Botafogo, Friburguense e Madureira.
Na mesma data, entretanto, um confronto direto poderia eliminar o Fluminense da competição, caso fosse derrotado ou empatasse com o Flamengo no clássico Fla x Flu, considerando a adjudicação dos pontos ao Vasco referente ao jogo diante do Botafogo não disputado por ausência do alvinegro no gramado.
O rubro-negro, por sua vez, mesmo derrotando o adversário, teria de esperar pela perda de mais um ponto do Vasco nos últimos três jogos.
A dupla, entretanto, não foi a campo a 13/05, protagonizando (pela ausência) um duplo W.O. para ambos. O motivo foi a mudança de local da partida. Do Maracanã para o estádio do Bangu. Vale lembrar que isso ocorreu uma semana após Fluminense e Botafogo preferirem Olaria ao Maracanã para a realização do clássico entre ambos.
Com isso bataria ao Vasco, no dia seguinte, vencer o Bangu e ter confirmada a adjudicação dos pontos para si, concernentes ao jogo contra o Botafogo, não realizado diante do fato de o alvinegro não ter comparecido a campo quatro dias antes, o que foi confirmado em julgamento ocorrido no dia seguinte.
Posteriormente o W.O duplo foi confirmado para a dupla Fla x Flu, o Flamengo ainda tomou outro por não ter comparecido para enfrentar o Vasco no Maracanã, a 17 de maio e na última rodada o Vasco, já campeão e na festa das faixas, foi derrotado pelo Fluminense por 2 x 0.
A equipe campeã estadual no ano do centenário
O jogo
Na primeira etapa o Bangu conseguiu ainda equilibrar as ações e até ameaçou mais a meta contrária que o adversário.
Logo aos cinco minutos Donizete cabeceou para o gol, mas o lateral banguense Flavinho estava no caminho e desviou a bola, impedindo a inauguração do placar.
A equipe de Moça Bonita quase abriu a contagem com um chute de André Biquinho rente à trave e o mesmo jogador atirou mais duas vezes em gol na primeira etapa, proporcionando ao goleiro Márcio praticar boas defesas.
O Vasco voltou para o segundo tempo já sabendo da adjudicação dos pontos da partida do Botafogo, confirmada no TJD e partiu concentrado para a obtenção do título por antecipação.
Logo no início, Nasa chutou forte e no rebote do goleiro Donizete desperdiçou a chance. Aos 12 minutos o mesmo Nasa foi derrubado na entrada da área. Juninho cobrou a falta, que bateu na barreira e quase foi morrer no ângulo de Alex. Passou muito perto.
O jogo ganhava contornos de dramaticidade para o Vasco e o nervosismo em campo foi evidenciado com o desentendimento entre o lateral Felipe e o banguense Edilson, aos 18 minutos. O árbitro Ubiraci Damázio mandou os dois mais cedo para o chuveiro. Pouco depois, aos 26, Marcão, do Bangu, também foi expulso pelo juiz, após agarrar Pedrinho, cometendo falta grosseira.
A equipe cruzmaltina seguia na pressão. Alex ainda praticou duas grandes defesas, mas o gol teimava em não sair.
A essa altura não havia mais gandulas para repor em jogo as bolas atiradas para fora e a um minuto do fim, faltaria também luz no estádio de Moça Bonita.
Os banguenses queriam o fim da partida daquela forma mesmo, sem acréscimos quaisquer, enquanto o Vasco, através de seu treinador Antônio Lopes, brigava pelo contrário, mas apenas com a chegada de Eurico Miranda ao campo de jogo e após conversa com o árbitro da partida naquele local houve uma decisão de bom senso. Cercado por imprensa e alguns atletas, Ubiraci Damázio definiu que haveria a disputa de três minutos após o retorno de energia.
Logo depois, Eurico Miranda, questionado a respeito dos protestos do trio de lata do estadual (Flamengo, Fluminense e Botafogo, os qualificou todos como quadrilheiros e disse não saber apenas quem era o chefe da quadrilha.
Quase 30 minutos se passaram mas a luz enfim voltou e a partida foi reiniciada. O Vasco subiu para o ataque em busca do gol que lhe daria o título e o Bangu entrincheirado fazia tudo para não tomá-lo.
No segundo dos três minutos de acréscimo previstos, entretanto, Odvan lançou para a área, a zaga banguense rebateu, Juninho tocou por cobertura para o meio e Mauro Galvão, vindo por trás da defesa alvirrubra, tocou por cima de Alex, marcando o gol do título vascaíno.
Os jogadores do Bangu reclamaram impedimento (inexistente), como se num “choro” representassem o trio de lata do estadual, frustrado com o título cruzmaltino iminente no ano do centenário do clube.
Mais uma minuto quase foi jogado sem qualquer mudança no placar e o Vasco, passando por cima de seus adversários, disputando três competições ao mesmo tempo, com o melhor elenco do Rio de Janeiro e sem adversário (literalmente) em alguns jogos pôde erguer a Taça Rio, segundo turno do estadual, e, por conseguinte, ter ratificada a conquista do Campeonato Carioca.
O sonho de muitos num ano tão emblemático foi, de fato, conseguido por poucos, afinal fazer história depende muitas vezes de não se deixar levar por “barrigadas” do destino.
Gonçalvez diz que dirigentes de Botafogo (seu clube na época), Flamengo e Fluminense prejudicaram o campeonato, pois sabiam que o Vasco era o melhor time.
Jornal O Globo (15/05/1998)
Outras vitórias do Vasco em 14 de maio:
CRB 0X2 VASCO (BRASILEIRO 1978)
Todos sabem quão difícil foi para o Vasco comprovar para a elite do futebol carioca seu valor no início dos anos 20 do século passado.
Apesar de já ter disputado três partidas no certame carioca da primeira divisão naquele ano e obtido duas vitórias convincentes, contra Flamengo e Botafogo, apagando a desconfiança deixada na rodada inicial, após a fraca atuação e o empate diante do Andarahy, o jogo esperado por todos era o do time miscigenado cruzmaltino contra o campeão da cidade, América, em Campos Sales, território rubro.
Correio da Manhã – 14/05/1923
A equipe da casa não fazia lá uma grande campanha. Apesar da boa estreia diante do São Cristovão, quando goleou por 4 x 1, o revés diante do Bangu logo na segunda rodada, fora de casa, por retumbantes 6 x 1, com show dos ponteiros Nestor e Antenor, deixou os torcedores americanos com o cabelo em pé e a última disputa diante do Andarahy, sem abertura da contagem pelas equipes, desagradou definitivamente a todos no clube. Vencer o Vasco era, diante disso, embolar o campeonato e comprovar que o bi não era apenas um sonho, mas algo plausível de ocorrer naquela temporada.
Às 16 horas em ponto começou a peleja.
Na primeira meia hora nenhuma grande chance das duas equipes, mas mesmo assim o trabalho dos arqueiros Nelson Conceição, pelo Vasco e Mirim, defendendo a meta rubra com duas seguras defesas cada um.
Aos 33 minutos o gol do Vasco. Arlindo recebeu de Torterolli, levou a bola pelo centro e próximo aos beques adversários viu uma brecha dada pelo zagueiro Álvaro Martins, do que se aproveitou para marcar, abrindo a contagem.
Na segunda etapa o América voltou pressionando. O vascaíno Nicolino tocou a bola com a mão dentro da área e em seguida cedeu escanteio. O árbitro Mário Araújo, do Clube de Regatas do Flamengo, não marcou a penalidade, preferindo assinalar o tiro de canto. Na cobrança excelente defesa de Nelson, em cabeçada executada por Simas. Pouco depois Mattoso chutou e Nelson defendeu. Em seguida, nova chance desperdiçada por Simas, após receber bom passe de Oswaldinho.
A reação do Vasco se deu com Arlindo, obrigando Mirim a uma boa defesa, mas na sequência nova ação ofensiva do América. Os rubros desperdiçaram a chance do empate com Gonçalo, que chutou encobrindo a trave, após defesa parcial de Nelson.
O Paiz – 14/05/1923
Uma falta desleal e desnecessária de Oswaldinho no vascaíno Torterolli e mais duas defesas seguras (uma de cada lado) dos arqueiros Nelson e Mirim foram os últimos destaques da partida, que terminava com o Vasco mantendo a liderança invicta do certame e comprovando sua força no nele mais uma vez.
Apesar da vitória, o jornal “A Noite” afirmava na sua edição de segunda-feira ter a equipe vascaína mais fama que valor, embora elogiasse os extremas Paschoal e Negrito, a leitura de jogo de Torterolli, o center half Claudionor, a segurança do zagueiro Leitão e, principalmente, a qualidade de Nelson, goleiro vascaíno tido já àquela altura como um dos melhores da cidade. O conjunto da linha média e os rushs de Cecy e Arlindo também foram pontuados.
O Imparcial – 14/05/1923
Já o jornal “O Imparcial” julgou ter sido o defensor rubro Álvaro Martins o responsável pela derrota. Tanto “O Imparcial” como “A noite” entenderam serem os destaques do América na partida os meias Oswaldinho e Gonçalo, a despeito de terem criticado o primeiro por faltas duras praticadas no decorrer do clássico.
O Vasco era a surpresa do certame, mas para muitos precisaria mostrar mais a fim de convencer torcedores e críticos do seu valor. O tempo faria com que todos enxergassem a realidade dos fatos.
Outras vitórias do Vasco em 13 de maio:
SC BRASIL 1X4 VASCO (CARIOCA 1928)
VASCO 3 x 0 BANGU (CARIOCA 1973)
VASCO 2 x 1 SÃO PAULO DA FLORESTA-SP (AMISTOSO 1930)
O Vasco estava a um passo de se sagrar Campeão Carioca no ano de seu Centenário, já o São Paulo derrotara o Corínthians na final do Campeonato Paulista por 3 x 1, contando com a estreia de Raí e um partidaço de França e Denilson. este último, negociado junto ao Betis-ESP, faria seu jogo de despedida justamente contra o Gigante da Colina, em São Januário.
O time cruzmaltino tinha em seu time titular naquele dia nomes como Carlos Germano, Valber, Odvan, Felipe, Vágner, Pedrinho, Donizete, Luisão e buscava a conquista da Taça Libertadores, da Copa do Brasil, do Estadual, atrás de títulos nos seus 100 anos de vida, que se completariam pouco mais de três meses depois.
Mas o tricolor paulista não ficava atrás. Além de Raí, França e Denilson destacavam-se no time titular são-paulino Rogério Ceni, Zé Carlos, Serginho e Carlos Miguel.
Na partida de ida, cinco dias antes, um empate em 1 x 1 no Morumbi. O Vasco saiu na frente com Luizão aos 24 do 2º tempo, mas o time da casa igualou tudo com o volante Gallo aos 36.
Naquela terça-feira, 12 de maio, São Januário recebeu um público superior a 20.000 pessoas (19.245 pagantes), que testemunharam algo raro. Seis gols em 31 minutos, cinco deles marcados até os 20 do primeiro tempo.
Raí marcou para o São Paulo logo aos 53 segundos de jogo, aproveitando rebatida de Carlos Germano para o meio da área.
O que seria uma ducha de água fria para o Vasco só fez esquentar o jogo e aos três minutos a grande dupla de ataque do ano, Luizão e Donizete, funcionou mais uma vez. O ponteiro cruzou da direita para o artilheiro empatar o clássico.
Aos 11 Pedrinho bateu da entrada da área a bola desviou no zagueiro Bordon e enganou Rogério Ceni. Virada vascaína: 2 x 1.
Mas o São Paulo era valente e perigoso. Aos 14 França, após cruzamento de Zé Carlos da direita, cabeceia para grande defesa de Carlos Germano. Um minuto depois, entretanto, Bordon, também de cabeça marca o segundo tento tricolor, após centro de Carlos Miguel da direita, contando com a inação de Odvan na jogada. O resultado dava a classificação ao time visitante, pois marcara dois gols fora contra um do adversário no Morumbi.
Novamente o Vasco investe no ataque e Donizete faz a diferença. Aproveitando-se de uma falha geral da defesa são-paulina, após toque de cabeça efetuado por Odvan para dentro da área inimiga, desempata a partida.
Um minuto depois o centroavante França perde a cabeça, atinge Luizão violentamente – que voltara ao campo de defesa vascaína para ajudar no combate ao time adversário – e é justamente expulso.
Caminho aberto para o domínio vascaíno até o fim da primeira etapa. Aos 31 novamente Donizete protagoniza lance de gol. Ele cruza para a área e conta com a ajuda de Capitão, que marca contra, deslocando Rogério Ceni. Vasco 4 x 2.
Com dois gols a mais e um homem a menos do adversário a goleada parecia ser questão de tempo, mas o São Paulo tinha Denilson. O ponteiro ameaçou o gol de Carlos Germano em duas estocadas, aos 37 e 42 minutos e a partida foi para o intervalo sem um prognóstico definido.
O segundo tempo se inicia e Denilson permanece desequilibrando. Em jogada fantástica passa entre Alex Pinho e Nasa e é derrubado por Vitor, dentro da área. Raí cobra e marca, descontando para o tricolor.
Aos 24 minutos o Vasco tem Pedrinho expulso após carrinho por trás aplicado sobre Carlos Miguel.
Dez contra dez o jogo se torna emocionante de vez. O São Paulo em busca do empate que lhe daria a vaga, o Vasco apostando no contragolpe. Juninho a esta altura estava em campo para ajudar o meio campo cruzmaltino, após substituir Vágner, enquanto no São Paulo a entrada de Dodô dava mais poderio ofensivo à equipe. Os treinadores Antônio Lopes e Nelsinho Batista tinham pensamentos opostos naquele momento. Enquanto Lopes buscava segurar o empate, Nelsinho punha o São Paulo de vez à frente.
Nos 20 minutos finais o time de Raí esteve perto de chegar ao gol de empate, mas a proximidade do fim da peleja foi aos poucos trazendo ao torcedor cruzmaltino a sensação de que a vitória não escaparia.
Após o árbitro Wilson de Souza Mendonça trilar o apito pela última vez naquela noite o torcedor cruzmaltino passou a ter três certezas: a vaga às semifinais era mesmo do Vasco, o time era sim um dos melhores do país, senão o melhor, e que aquele jogo, de tantas nuances e alternativas, entraria para a história como um dos maiores embates do clássico Vasco x São Paulo, através dos tempos.
Apelidado de capetinha nos anos em que brilhou no Guarani, Palmeiras, Corínthians e Flamengo, para os adversários do Vasco Edilson parecia um anjo, um menino bem comportado. Não incomodava, poucos gols marcava e estava longe de ser, já aos 35 anos, o terror das defesas adversárias de outros tempos.
Vasco e Fluminense faziam naquela noite de quarta-feira a primeira partida semifinal da Copa do Brasil e havia muita desconfiança sobre o time cruzmaltino. Seu atacante de destaque até ali havia sido Valdiram, um ilustre desconhecido do torcedor carioca até chegar ao Vasco meses antes. Uma série de jogadores contestados pelos torcedores, como o goleiro Cássio, Jorge Luiz, Fábio Braz, Diego, Roberto Lopes tentavam se harmonizar com o veteraníssimo Ramon, o veloz Wagner Diniz e o hábil Morais.
Mas o Flu tinha Petkovic, Tuta na frente, o ídolo Marcão, o eficiente lateral Roger a revelação Thiago Siva atrás, o garoto Lenny como um dos destaques do tricolor na temporada à frente, além de outros nomes que caíam já no gosto da torcida, casos de Arouca e do imprevisível Fernando Henrique, goleiro que usava e abusava de fazer defesas com os pés e as pernas, ao invés de usar as mãos para tal. No comando Oswaldo de Oliveira era o técnico. Contra ele, o “boleiro” Renato Gaúcho no banco vascaíno.
A partida começou estudada, mas com o Fluminense ligeiramente melhor em campo. Aos 13 minutos Thiago Silva marcou, mas em posição de impedimento. O gol foi bem anulado.
Jean, lateral esquerdo trazido junto ao Feyenoord-HOL pelo clube das Laranjeiras, perdeu grande chance de abrir o placar acertando a trave vascaína aos 17 minutos.
Quando as equipes foram para o intervalo a sensação era de que o Fluminense, melhor em campo, transformaria em gols sua diferença para o adversário na segunda etapa.
A entrada do lépido Abedi no lugar de Roberto Lopes, entretanto, mudou o panorama da partida.
Aos 13 quase o Vasco abriu o placar. Morais, de fora da área, acertou o travessão de Fernando Henrique.
Aos poucos o Fluminense foi se reorganizando em campo, mas quando parecia mais senhor das ações no gramado, veio a ducha de água fria.
Em jogada pela direita Morais deu a Ernane, que substituíra o apagado Valdiram. O garoto, apelidado por alguns como “Cacá do Nordeste” cruzou da direita para Edilson, que tocou de primeira inaugurando o marcador e fazendo explodir a torcida vascaína no Maracanã.
Dali por diante o Fluminense se mostrou perdido em campo, longe do empate e perto da eliminação após o apito final do árbitro 15 minutos depois do gol de Edilson. O herói do jogo assim resumiu sua participação decisiva no clássico: “Atacante é assim mesmo. Precisa estar no lugar certo, no momento certo”. De fato, naquela noite de 11 de maio ele estava.
Aquele expresso de tantas vitórias vinha da conquista do Campeonato Carioca de 1952, encerrado em janeiro daquele ano, conquistara o Torneio Quadrangular Internacional do Rio de Janeiro, goleando na final o Flamengo por 5 x 2, com show de Sabará, o Torneio Internacional de Santiago, no Chile, era o líder invicto do Torneio Rio-São Paulo e já se encontrava a 32 jogos invicto. Não perdia desde setembro do ano anterior.
O formidável Expresso vivia seus últimos meses de glória e teve na manhã daquele domingo, 10 de maio, mais uma atuação de gala. Ainda sem contar com Ademir o Vasco entrou em campo para enfrentar o Bangu, carente de seu grande destaque, Zizinho e aplicou a goleada no ritmo que quis.
O Globo 11/05/1953
Logo aos 10 minutos Danilo, apoiando o ataque, centrou da direita para Chico, que mesmo apertado pelo banguense Zé Carlos, conseguiu atirar em gol. A bola tocou na trave e chegou às redes. Vasco 1 x 0.
Sete minutos se passaram e em lance construído por Chico, Genuíno invadiu a área pela direita, mas foi aterrado por Zé Carlos. Pênalti marcado e logo em seguida cobrado com firmeza por Maneca. Estava ampliado o marcador.
Aos 30 houve pênalti cometido pelo zagueiro Haroldo, do Vasco, sobre Menezes mas o árbitro Mário Vianna marcou falta fora da área para o Bangu. Mesmo com o erro do árbitro a favor do time cruzmaltino a tendência era de uma vitória folgada, dada a qualidade de jogo apresentada pela equipe de São Januário.
A um minuto do fim da etapa inicial o Expresso marcou o terceiro: Genuíno tabelou com Maneca e bateu em gol. A bola desviou em Zé Carlos, enganando o goleiro Jorge e indo morrer no fundo da rede. Pouco depois terminava a primeira etapa com a vitória parcial do quadro dirigido por Flávio Costa.
O Globo 11/05/1953
No segundo tempo o panorama permaneceu amplamente favorável ao Vasco. Aos 18 minutos surgiria o quarto tento cruzmaltino em falha do arqueiro Jorge, que, adiantado, tentou a defesa num chute desferido por Genuíno – mineiro trazido pelo Vasco junto ao Madureira, substituto de Ademir naquela partida – mas acabou por não evitar mesmo após tocar na bola que a pelota adentrasse sua meta. Vasco 4 x 0.
Para fechar o placar os cruzmaltinos contaram com uma grande jogada individual de Ipojucan, que esticou para Sabará invadir a área em diagonal e fuzilar Jorge, mesmo acossado no lance pelo half esquerdo Edilson. Eram decorridos 32 minutos e estava sacramentado o escore final do jogo: 5 x 0.
O vascaíno Danilo Alvim foi considerado o grande destaque da partida e a renda, superior a Cr$300.000,00 foi considerada uma prova de que o horário matinal dos domingos poderia sim motivar à presença de grandes públicos nos estádios cariocas.
A Noite – 11/05/1953
Outras vitórias do Vasco em 10 de maio:
BONSUCESSO 1X3 VASCO (CARIOCA 1931)
Foi desde o início uma prova do tamanho que é o Vasco.
Nas primeiras duas rodadas, com a imprensa praticamente toda contra o estadual, denegrindo-o e tentando desvalorizá-lo, a torcida do Vasco compareceu de forma exemplar nos jogos contra o Madureira, na estreia, e diante do América, em Edson Passos, quatro dias depois. Sete gols marcados e dois sofridos demonstravam que o início era alvissareiro.
No quarto compromisso, o improvável: jogaríamos contra o Flamengo em São Januário, após 11 anos, com choro escandaloso da direção rubro-negra sobre o evento, quebra de banheiro por parte de sua torcida e grande pressão contra a partida em nosso estádio, como tradicionalmente ocorre com os sem campo. Além da manutenção do jogo lá, uma vitória de uma forma que jamais havíamos conquistado contra o clube da Gávea. Com o gol decisivo marcado nos acréscimos. Pedrinho, Cocada, Roberto, Abel, Paulo Cesar Puruca, Silva, Pascoal fizeram gols decisivos nos cinco minutos finais do clássico, mas ninguém havia registrado o que fez Rafael Vaz. Parecia um predestinado.
A primeira fase do campeonato chegava próxima do fim e outro clássico em São Januário seria disputado: diante do Botafogo. Saímos na frente com Riascos, que seria decisivo em outros confrontos de expressão mais adiante, Nenê acertou a trave em belíssimo lance, mas logo depois uma falta do meio da rua cobrada com um tiro fortíssimo pelo zagueiro Emerson surpreenderia Martin Silva e a muitos vascaínos presentes em São Januário. O 1 x 1 pareceu injusto pela produção do Vasco, após a marcação do primeiro gol, mas futebol é bola na rede…
Após o final da fase inicial, na qual o Vasco ficou apenas atrás do já surpreendente Botafogo, partimos para a disputa da Taça Guanabara. O jejum de 13 anos sem conquistá-la foi se vislumbrando próximo de ser quebrado diante dos resultados obtidos nas três primeiras rodadas. Na estreia um 2 x 0 convincente contra o Bangu, contando o Vasco com bela atuação do até ali apagado Jorge Henrique. Em Cariacica uma festa vascaína do início ao fim da estadia do Vasco no Espírito Santo. A vitória por apenas 1 x 0 pareceu pouco, diante de várias chances desperdiçadas pela equipe. Já contra o Botafogo, mesmo sem jogar bem, o Vasco contou com a genialidade de Nenê, o garçom da hora, e o oportunismo de Thales, o artilheiro do jogo, que marcou o gol único da vitória vascaína.
Na quarta rodada o Vasco vai para Brasília (mais uma vez ovacionado por sua torcida desde a chegada no aeroporto), mas em campo mostra mais defeitos que virtudes. Riascos salva o time de uma derrota e mantém o tabu recente diante do rival. Placar final: 1 x 1.
Veio então um pequeno período de apreensão. Se na primeira fase vencemos os eliminados Tigres e Bonsucesso, atuando com pressão intensa sobre os adversários (derrotados por 2 x 0 e 3 x 1 respectivamente), o jogo contra o Volta Redonda esteve aquém da expectativa. Foi o ressurgimento de Thales na equipe com um gol inicialmente construído e posteriormente arrematado (o segundo do Vasco), mas a equipe (embora vencesse por 2 x 0) não atuara bem. Na Taça Guanabara o enredo da primeira etapa foi pior ainda. O Vasco até saiu na frente, embora não realizasse uma grande partida, teve tudo para ampliar, mas o incrível aconteceu: Nenê perdeu um pênalti. E pior: o Voltaço empatou, fechando o placar. Decepção geral.
Jogo seguinte vitória inconvincente diante do lanterna da Taça Guanabara, Madureira. Se antes muitos torcedores pensavam numa goleada, a magra vitória por 1 x 0 foi mais uma frustração.
Chegava então a hora da verdade. O Vasco atuaria na última rodada da Taça Guanabara precisando de uma vitória sobre o Fluminense. O adversário jogava pelo empate e vinha bem, invicto naquele octogonal e sem perder ponto para as chamadas equipes pequenas.
O suposto favoritismo tricolor não inibiu torcedores vascaínos em Manaus de se mostrarem presentes e confiantes no time desde a chegada à capital do Amazonas. No jogo, certo equilíbrio no primeiro tempo e um Vasco mais ágil na segunda etapa. A vitória veio com mais um gol de Riascos e o título da Taça Guanabara conquistado novamente, 13 anos depois.
O Vasco pegaria então o Flamengo na semifinal. Jogo único, vantagem do empate e o clube não exerceu seu mando de campo como muitos torcedores sonhavam. A partida foi tirada de São Januário para o mesmo local da peleja diante do Fluminense. Estádio lotado, com um contingente maior de flamenguistas e uma bandeira fincada no meio de campo após a entrada sem escrúpulos do time rubro-negro no gramado, largando crianças torcedoras do clube pelo caminho.
Nas quatro linhas, superioridade traduzida em gols, numa fácil vitória por 2 x 0, que no final do espetáculo pareceu pouco diante da apresentação vascaína no clássico.
Veio então o Botafogo na decisão. Ninguém teria vantagem alguma nos dois confrontos decisivos, mas o Vasco no primeiro deles construiu um handicap para a finalíssima. Venceu o glorioso por 1 x 0 e ficou a um empate do título.
E, finalmente, a 08 de maio, após estar atrás no marcador, numa falha de Rafael Vaz, o predestinado zagueiro fez o gol de empate. Ele substituiu Luan no intervalo, assim como saíra do banco para dar a vitória ao Vasco no jogo contra o Flamengo em São Januário na primeira fase.
Entre o gol de empate do Vasco e o fim da peleja se passaram 40 minutos e neste período a experiência do time cruzmaltino, aliado à inexperiência alvinegra, que rodava a bola, mas não conseguia desenvolver muitas jogadas de perigo (duas ou três no máximo) levou o escore a não mais se alterar. Chegávamos então ao nosso vigésimo quarto título carioca e ao sexto invicto, igualando a campanha do primeiro título invicto do Expresso da Vitória, em 1945: 13 vitórias e 5 empates.
Outros tentam, mas só mesmo o Vasco é hexacampeão estadual invicto. De forma justa, merecida, quebrando paradigmas (como o da alta faixa etária do time) e fazendo história mais uma vez com o ministro da defesa Martin Silva, o veloz Mádson, o desenvolto Luan, o xerife Rodrigo, o eficiente Julio Cesar, o lutador Marcelo Matos, o passador Julio dos Santos, o hábil Andrezinho, a referência Nenê, o tático Jorge Henrique, o imprevisível Riascos, o matador Thales, o lutador Éder Luís, os garotos Jordi, Henrique, Mateus Vital, Caio Monteiro, Matheus Indio e Evander, o despojado Pikachu, o valente Jomar e, finalmente, o predestinado Rafael Vaz, entre outros, bicampeões comandados pelos hoje mais vascaínos que nunca, Zinho e Jorginho.
Foi na técnica, foi na raça, na catimba, no oportunismo, na categoria, na disciplina, no improviso, no sangue, no coração. O Vasco venceu cinco clássicos em oito disputados. Da Taça Guanabara em diante tomou apenas três gols em 10 jogos. Mantém-se invicto, desde 08 de novembro do ano passado, portanto há seis meses e dois dias, chega a 25 jogos sem perder, podendo bater marcas e recordes históricos.
Finalmente uma menção à torcida vascaína. Após o gol sofrido diante do Botafogo anteontem, ela não se calou, não se entregou. As viradas ocorrem muitas vezes com este apoio oriundo das arquibancadas e o dado aos atletas em campo no domingo foi exemplar, embora a apreensão dos 20 minutos finais tenha deixado o estádio mais próximo do silêncio que do grito. Mas aí o resultado já era do Vasco.
Que as comemorações continuem, pois a supremacia vascaína incontestável este ano já entrou para a história do clube.
Quanto aos incomodados da turma do contra… Eurico neles!
Tenho observado as manifestações a respeito do fechamento de patrocínio do Vasco com a Caixa Econômica Federal e no próprio site já houve várias.
No site Netvasco pesquisa anterior à oferta final da CEF mostrou que a maioria ficou de acordo com a não redução do valor para o acerto do patrocínio.
Alguns chegaram a defender que o valor de 9 milhões ano (tá bom, 7,5 + bônus) poria o Vasco num patamar definitivo de decréscimo. E por aí foram…
E há ainda a discussão se empresas vinculadas ao governo deveriam ou não patrocinar clubes de futebol, o que traz usualmente questionamentos entre contemplados e não contemplados, celeumas referentes a valores e uma névoa política sobre as resoluções individuais vistas.
Abstrações são direitos individuais, mas a concretude desta situação é simples e clara.
O Vasco fechou contrato com a CEF e este saiu publicado em Diário Oficial a 24/07/2013. Duração até agosto de 2014. Na época o clube não apresentou as contrapartidas exigidas e a empresa pública sequer aventava a hipótese de fazer uma renovação com o clube.
Com a chegada da gestão atual, as contrapartidas foram satisfeitas e o Vasco apresentou um retorno de mídia previsto em contrato que daria azo a não manutenção do valor para 2015.
Entre janeiro e maio o Vasco negociou, brigando pelos 15 milhões, e muitos achavam improvável a manutenção pelos números apresentados em 2014, mas após a conquista do título estadual o presidente Eurico Miranda argumentou junto à direção da empresa que o Vasco havia sido o clube, dentre todos os patrocinados, a ter dado maior visibilidade à marca nas finais dos estaduais. Com isso obteve a manutenção do valor. E o retorno no ano passado foi considerável, a ponto de a empresa já quase no fim de dezembro pretender permanecer com o patrocínio para 2016.
Ocorre que foi utilizado um raciocínio, expresso inclusive pela presidente da empresa quando da confirmação do fechamento, no qual se entende que o abismo de valores comparados em 2014 e 2015 teria sido afetado pelo fato de em 2014 o clube ter atuado na segunda divisão.
Podemos discutir “n” conceitos referentes a esta circunstância, ora repetida. Mas parece razoável pensar que o Vasco não terá o mesmo retorno de mídia neste ano, se comparado ao ano passado, pelo menos a princípio.
O dizer da Caixa sobre o motivo pelo qual baixou a oferta de patrocínio parte de uma premissa. Considerando-a ao Vasco caberá um valor muito maior em 2017, caso haja novo acordo, apresentando, por exemplo, melhor retorno de mídia em 2016, comparado a 2014, o que será possível diante de uma performance esportiva boa e a condução do clube feita de maneira positiva no âmbito institucional (leia-se, pagando a quem deve, cumprindo acordos e contrapartidas, tendo sucesso na implementação de planos e vendas, etc…).
Diferentemente da opinião de vários companheiros de luta eu me posiciono claramente favorável ao acordo firmado visando estrategicamente aumentá-lo de forma relevante no próximo ano, justamente levando-se em conta a justificativa dada por parte da empresa pela diminuição.
Argumentos ou certezas surgem de vários lados batendo o martelo de que o ocorrido se deu por politicagem. Se há politicagem, esta, por princípio, favoreceu o Vasco, em detrimento de São Paulo, Santos, Fluminense e Botafogo, por exemplo, pois tais clubes não tiveram ofertas da empresa e estão na primeira divisão.
Quando se expõe a público o motivo pela redução, dá-se vazão a que na negociação seguinte uma situação distinta mude o cenário.
Além disso, considero a crise econômica geral e a dificuldade vista em vários outros clubes para fechar algo no patamar obtido pelo Vasco, como um fator de alerta. Conseguiu-se mais 20% no fim da negociação, chegando-se aos nove milhões e desde já é cabível propor que ainda durante o contrato se busque mais caso o clube chegue às fases finais da Copa do Brasil, quando terá a oportunidade de atuar no horário nobre do meio de semana.
Ser arremessado à segunda divisão da forma como o Vasco foi, por culpa única e inequívoca da arbitragem, responsável por nos tungar 14 pontos (bastava-nos obter três para permanecer na Série A) é claro que traz consequências.
Felizmente não perdemos 10,5 milhões de reais com a TV como em 2009, felizmente temos a expectativa de uma nova receita com o programa de sócio torcedor para este ano, felizmente o clube manteve elenco, salários em dia, cumprimento de acordos, investimento em basquete, remo, base, estrutura, patrimônio e permanece com crédito no mercado junto a uma nova fama de bom pagador, mas isso não ocorre com milagres e sim com a entrada de receitas.
O Vasco vai paulatinamente se reerguer, apesar do “crime” cometido contra o clube pelos homens de bandeiras e apitos (que Eurico Miranda de forma errada assumiu em nome deles, ou apesar deles, como se o “criminoso” fosse ele).
Em 2016 é lutar e muito para manter o projeto de reequacionamento, brigar por títulos sim e permanecer demonstrando ser o Vasco um clube responsável e agregador, possuindo grande peso nisso o envolvimento dos vascaínos através da adesão ao programa de sócio torcedor aberto pelo clube em março.