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Transferência

O presidente do Vasco, Alexandre Campello, parece viver num mundo paralelo.

Devido à sua clara irresponsabilidade, desrespeito ao previsto no estatuto do clube e uma aparente soberba, o médico gestor forçou uma reunião no Conselho Deliberativo a 17/08 na qual, sem dar satisfação praticamente nenhuma ao Conselho Fiscal, pretendeu aprovar um empréstimo para o clube, buscando o convencimento através de narrativas e slides inconfiáveis exatamente pelo exposto acima.

Por outro lado, se o presidente do clube resolveu implodir sua relação com o grupo responsável por fazê-lo encabeçar a chapa concorrente às eleições do clube, isso não é problema do Vasco, mas pessoal dele.

A responsabilidade para com os poderes, mais particularmente em relação ao Conselho Fiscal, não pode ser maculada por questões políticas durante um período de três anos e era esse o caminho que estava sendo percorrido pela administração do clube até aquele freio visto em agosto último.

É curioso o fato de o médico gestor buscar no termo “transparência” algo que lhe cole à sua própria gestão, quando o termo “transferência” cabe perfeitamente naquilo que o faz descolar-se de todos os problemas surgidos por responsabilidade dele próprio.

Poderia o atual presidente ontem ter feito o uso da palavra para ratificar o compromisso firmado junto ao Conselho Fiscal, no que tange a documentos solicitados e ainda não enviados, bem como expressar sua satisfação diante de uma votação na qual grupos dos mais diversos caminharam juntos (embora saibamos não haver condescendência prévia quanto a lacunas futuras, caso forem propositalmente não preenchidas pela direção do clube), ou simplesmente ter agradecido pela presença de todos, afinal tratava-se de um pleito atrelado a quórum qualificado, que foi obtido até com certa tranquilidade (178 presentes).

Após a reunião, porém, Alexandre Campello, essa “raposa política”, preferiu ir à imprensa jogar nos outros uma culpa que é inteiramente sua pelo fato de ter sido suspensa a reunião anterior por falta de envio dos documentos pertinentes ao Conselho Fiscal, algo expresso no estatuto do clube, portanto obrigação e não favor.

Por fim, devemos lamentar o episódio ocorrido ontem de agressão a dois conselheiros do clube, opositores nossos no campo das ideias, mas vascaínos como os outros que lá estavam, dispendendo, todos, tempo de suas vidas particulares para discutir o clube e seus rumos.

Sérgio Frias

Correção à diminuição midiática da marca Vasco

O site UOL publicou matéria na qual faz juízo de valor sobre o fechamento de contrato feito pela administração de Eurico Miranda, junto à empresa LASA, ocorrido em janeiro.

Na visão dos responsáveis pela matéria era de se prever a inadimplência do parceiro, devido a problemas financeiros vividos por ele.

As negociações foram feitas, como dito em variadas mídias do Casaca!, por cerca de dois meses, com encontros e inúmeros contatos entre o marketing do clube e a empresa, com participação efetiva do Casaca!.

O descumprimento do valor a ser pago deve ser questionado a quem inadimpliu. Razões, motivos, circunstâncias, etc…

O fato é que o contrato, além de extremamente favorável ao Vasco financeiramente, foi assinado com proteção ao clube no caso de descumprimento da outra parte, portanto feito de maneira responsável.

Salta aos olhos, porém, algumas omissões e erros matemáticos banais quanto à valoração da marca Vasco.

Em 2017 o Vasco, no primeiro quadrimestre, recebeu 2,5 milhões de reais, referentes ao contrato assinado em abril do ano anterior, com validade de um ano, junto à Caixa Econômica Federal.

Após o término do compromisso, o clube fechou outro contrato com o mesmo parceiro, válido por oito meses, recebendo (fora possível bônus), 11 milhões de reais.

Daí temos uma soma simples matemática que perfaz o valor de 13,5 milhões de reais firmados para recebimento em 2017 e não 12,5 milhões, como dito na matéria.

O mais grave, entretanto, é a omissão de que o Vasco assinou no ano de 2017, proporcionalmente, o maior contrato de patrocínio do século XXI, pois se acertou o recebimento de 11 milhões em 8 meses, receberia por um ano, caso fosse este o tempo firmado de compromisso, 16,5 milhões. Há neste caso um fenômeno curioso oriundo da mídia em geral: tal proporcionalidade não foi exposta em momento algum por quase ninguém. Aí não se trata de uma questão concernente à juízo de valor, mas sim de mera informação adequada à realidade factual.

Parece-nos estranho que não se informe na mídia, claramente interessada em valorizar o clube nas suas publicações, imaginamos, quanto passou a valer a marca Vasco, considerando apenas o tema abordado, numa realidade de mercado, em 2017.

Nada mais natural, portanto, que se firmasse um patrocínio superior em 2018, uma vez que o clube tem e permanecerá tendo maior exposição pela participação na mais concorrida competição da América do Sul e é o único deste estado a pretender conquistar o Tricampeonato Sul-Americano (1948/1998/2018), estando neste quesito, entre os demais clubes brasileiros participantes da competição, atrás apenas de Grêmio e Santos.

A real situação é a seguinte: o clube tem a receber, diante do descumprimento contratual por parte da empresa, valor superior a 2 milhões de reais, previsto em contrato. Além disso, o parâmetro para fechamento de um novo compromisso, considerando-o anual, é de 16,5 milhões, levando-se em conta apenas o contrato firmado em 2017. Deve-se também ponderar outros dois fatores para embasar maior valoração: a participação do clube na Taça Libertadores de 2018 e o contrato fechado em janeiro, consoante ao crescimento do retorno de mídia previsto para o Vasco neste ano.

Sérgio Frias

Antes e depois

O trabalho evidente de reconstrução do Club de Regatas Vasco da Gama se mostrou tão claro e com tantos resultados favoráveis ao longo dos últimos três anos, a ponto de se tornar algo ridículo qualquer menção contrária a isso.

Futebol e Arbitragem

De um elenco no qual se tinha Martin Silva (Charles), Nei, Rodrigo (Douglas Silva), Luan (Rafael Vaz), Henrique, Guinazu, Sandro Silva, Bernardo, Montoya, Rafael Silva e Thales como pilares, Jordi, Lorran, Jhon Cley, Yago, Renato Kayser e Marquinhos do Sul como destaques das divisões inferiores, temos hoje um de outro nível e com a base repleta de promessas, que em campo já demonstraram capacidade para não só assumirem a titularidade da equipe, mas também serem fonte de vultosos negócios para o clube.

O Vasco foi entregue em 2014, colocado em terceiro lugar na segunda divisão sem liderar nenhuma das 38 rodadas daquela competição e deixado em janeiro de 2018 na posição de classificado para a Taça Libertadores da América deste ano.

Sobre a falácia de obtenção da sétima vaga para a Taça Libertadores, isso é conversa para boi dormir. Haviam seis vagas para os clubes partícipes do Campeonato Brasileiro, independentemente de qualquer coisa, e o Vasco conquistou a quinta (não foi a quarta porque até derrota com gol de mão sofremos). Caso Grêmio e Cruzeiro, campeões respectivamente da Taça Libertadores da América e Copa do Brasil, ficassem abaixo do Vasco, o clube obteria sua classificação da mesma forma, portanto em nada o Vasco dependeu de Cruzeiro e Grêmio para se classificar à principal competição do continente. No ano de 2016, por exemplo, tanto Grêmio como a Chapecoense, campeões da Copa do Brasil e Sul-Americana, respectivamente, não figuraram entre os seis primeiros do Brasileirão. Com isso, Botafogo e Atlético-PR obtiveram a quinta e sexta vaga, da mesma maneira, só que ocupando quinto e sexto lugares, respectivamente.

De um clube que não conquistava o Campeonato Carioca há 11 anos e perdera na gestão MUV seis disputas de taça em seis possíveis, o Vasco passou a ser o papão de títulos no Rio neste triênio, afinal não só venceu dois Estaduais (um invicto), como ainda conquistou uma Taça Guanabara (assim como Botafogo e Fluminense) e uma Taça Rio. Ou seja, terminou o período com quatro conquistas contra uma de Flamengo, Fluminense e Botafogo, deixando os vices para outros.

Em todas as disputas diretas de taça o Vasco foi o vencedor, três vezes contra o Botafogo e uma diante do Fluminense.

No que tange ao tricolor das Laranjeiras, uma sequência impressionante de reversão das conquistas em confronto direto ocorreu a partir de 1988. Dali por diante foram oito disputas de taça e oito vitórias consecutivas do Vasco (1988, 1992, 1993, 1994 {duas vezes}, 2003 {duas vezes}, 2004), que, até então, perdera as sete últimas para o Fluminense (1948, 1973 {duas vezes}, 1976, 1980 {duas vezes}, 1984) e só derrotara o adversário uma única vez, na decisão do Torneio Municipal de 1946. No período do MUV uma disputa e uma derrota, na final da Taça Guanabara de 2012 (confronto direto sem vantagem de nenhuma equipe). Neste último triênio, nova vitória vascaína na Taça Guanabara de 2016, com o adversário precisando apenas do empate, mas sendo derrotado por nós por 1 x 0, gol de Riascos, novamente atleta do clube em 2018.

Em relação ao Botafogo, jamais o Vasco havia derrotado o adversário numa final de Estadual, em quatro oportunidades: 1948, 1968, 1990 (decisão polêmica) e 1997. Pois bem, foram duas vitórias seguidas, com três triunfos e um empate nos quatro jogos decisivos. Finais de turno em se tratando de estaduais, considerando a vitória de um dos lados na partida a garantia do título sem disputas extras (disputa extra que poderia ter ocorrido em 1977 quando o Vasco venceu, caso se desse o contrário), foi a primeira conquista do Vasco sobre o adversário. Derrotas na Taça Guanabara de 1997, Taça Guanabara de 2010, Taça Rio de 2012, Taça Guanabara de 2013. O erguimento da Taça Rio de 2017 quebrou o tabu.

Quanto ao maior rival, por cinco vezes houve disputa eliminatória contra ele. O Vasco venceu quatro (Estadual 2015, Copa do Brasil 2015, Estadual 2016, Taça Rio 2017), obtendo posteriormente o título em três das quatro ocasiões, e perdeu apenas uma (Taça Guanabara em 2017, dando a oportunidade de mais um vice aos rubro-negros).
No confronto direto contra os três outros grandes do Rio foi este o saldo:

Vasco 6 x 1 Botafogo
Vasco 6 x 4 Flamengo*
*Em jogos oficiais 6 x 3
Vasco 5 x 3 Fluminense

Algo a ser destacado, contrário ao Vasco ao longo do último triênio, foram as arbitragens.

Em 76 jogos do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão (2015 e 2017), o clube não obteve um único ponto por ajuda da arbitragem. Foi prejudicado em incríveis 14 pontos no Brasileirão 2015 e em 7 no ano passado, com lances capitais (pênaltis não marcados a favor ou marcados equivocadamente contra o clube, transformados em gols, tentos mal anulados marcados pelo Vasco e ilegais dos adversários, validados).

Em 2015 o prejuízo na tabela chegou a 14 pontos em jogos contra Internacional (C) – 2 pontos, Sport (F) – 1 ponto, Atlético-MG (C) – 1 ponto, Cruzeiro (F) – 2 pontos, Avaí (F) – 2 pontos, Chapecoense (C) – 2 pontos, São Paulo (F) – 2 pontos, Coritiba (F) – 2 pontos. Contabilizados os 14 pontos teria o Vasco ficado em oitavo lugar no Brasileirão e não na décima oitava colocação, o que trouxe por consequência, a queda para a segunda divisão.

Já em 2017 os prejuízos caíram pela metade. O Vasco perdeu sete pontos em função da arbitragem nos seguintes jogos: Chapecoense (F) – 1 ponto, Flamengo (C) – 1 ponto, Santos (C) – 2 pontos, Corínthians (F) 1 ponto, Coritiba (C) – 2 pontos, em função de pênaltis cometidos sobre Alan Cardoso, pelo rubro-negro Everton Ribeiro, jogando vôlei, sobre Wagner e ainda sobre Ramon, sem nos esquecermos do gol feito com a mão por Jô, do Corínthians. Contabilizados os sete pontos a favor do Vasco, o clube teria terminado o Campeonato Brasileiro na terceira colocação, com o mesmo número de pontos que o segundo colocado.

Também na Copa do Brasil, outra competição organizada pela CBF, o Vasco teve vários prejuízos que desequilibraram as disputas de mata-mata nas quais foi eliminado do certame.

Em 2015, contra o São Paulo, o segundo gol tricolor, marcado por Luís Fabiano, hoje atleta do Vasco, foi ilegal, pois o centroavante tirou a bola das mãos de Martin Silva, quando o goleiro vascaíno a tinha em uma de suas mãos presa junto ao solo, lance por sinal muito parecido com o gol bem anulado do Manchester United-ING contra o Vasco no Mundial da FIFA de 2000, sendo na época protagonistas da jogada o arqueiro Hélton e o atacante Sheringham (que substituíra Solskajaer no intervalo). Além disso, na segunda etapa houve pênalti claro sobre Nenê não marcado pela arbitragem. Com a vitória tricolor por 3 x 0, que seria por um placar mínimo e sofrendo gol em casa, caso a arbitragem se comportasse com acerto, o Vasco lançou um time praticamente reserva no segundo confronto, o qual terminou empatado em 1 x 1.

Em 2016 contra o Santos foi muito escancarado o ocorrido contra o Vasco em São Januário no jogo de volta da disputa (o Santos havia vencido em seu estádio por 3 x 1). Na primeira etapa três lances polêmicos poderiam ter ensejado a marcação de pênaltis para o time da casa, um deles claríssimo, após cobrança de falta e toque na mão do zagueiro santista dentro da área, flagrante. Na segunda etapa, quando o Vasco buscava o terceiro gol para empatar a disputa (vencia por 2 x 1), uma falta não marcada nas proximidades da área santista a favor do Vasco iniciou a série de erros de árbitro e auxiliares no mesmo lance, com a não marcação de impedimento do ataque santista no contragolpe, em dois momentos diferentes. Três erros em apenas uma jogada deram à equipe paulista o segundo gol naquele empate com máculas ocasionadas por apito e bandeiras.

Ano passado, no jogo de ida da Copa do Brasil, em São Januário, o lance que oportunizou a abertura da contagem por parte do Vitória adveio de um pênalti em lance no qual, na origem, o atacante vascaíno Manga foi derrubado por um zagueiro e crendo na marcação da falta pôs a mão na bola, tendo o juiz ignorado a infração a favor do Vasco e marcado a outra, a favor do adversário. O gol de empate que selaria o placar final do primeiro jogo daquele confronto originou-se de um pênalti bem marcado contra o Vitória e na partida de volta a equipe baiana venceu por 1 x 0, classificando-se para a quarta fase da competição.

No que tange aos Estaduais, o Vasco, tal como ontem diante da Cabofriense, quando um pênalti não foi marcado a seu favor no início da partida, se viu prejudicado em número maior de vezes do que foi beneficiado.

Em 2015 nos jogos contra Barra Mansa, Fluminense, Botafogo e Friburguense, válidos pela Taça Guanabara, gols ilegais sofridos, pênaltis não marcados e gol legal invalidado foram todos contrários ao Vasco, tendo ainda ficado a dúvida se na segunda partida semifinal contra o Flamengo a bola cabeceada por Rafael Silva entrou ou não, quando o placar ainda era de 0 x 0.

Em 2016 o Vasco foi ajudado pela arbitragem na vitória sobre o Volta Redonda (2 x 0), através da marcação de um pênalti inexistente a seu favor, quando o jogo ainda estava empatado e na vitória diante do Madureira por 1 x 0, pela não marcação de um pênalti claro a favor do adversário, sendo que na ocasião o Vasco vencia o jogo.

No último Estadual disputado, um prejuízo e um benefício no clássico contra o Flamengo, válido pela primeira fase da Taça Rio (pênalti não marcado sobre Jomar aos 44 do 2º tempo e pênalti inexistente assinalado a favor do Vasco dois minutos depois).

Vê-se com isso que o equilíbrio entre erros e acertos nos jogos promovidos pela FFERJ passam longe do absurdo desequilíbrio visto nas partidas promovidas pela CBF, exceto às da segunda divisão, onde erros e acertos estiveram perto de se equipararem.

Por falar em segundona, aquela competição – rechaçada por todos nós, até pela forma como o Vasco foi atirado nela pelas arbitragens, independentemente de qualquer questionamento sobre ações administrativas no curso do Brasileirão de 2015 – teve o Vasco na liderança por 29 rodadas consecutivas (as primeiras 29), até o início de outubro e em nenhuma das 38 figurou o clube fora da zona de classificação para a primeira divisão do ano seguinte, mas independentemente disso os últimos 55 dias da equipe foram abaixo da crítica, acumulando em tal período 4 vitórias, 2 empates e 5 derrotas, o que levou a uma mexida geral no elenco ao fim do campeonato e a um investimento maior para a temporada seguinte com 16 contratações entre o final de 2016 e julho do ano passado.

Finalmente, em 2017 o Vasco apresentou um elenco mais caro e com atletas trazidos de qualidade inquestionável em várias posições. Breno, Anderson Martins, Ramon, Wagner, Kelvin, Luís Fabiano, entre outros, aumentaram a folha e compromissos do clube com parceiros ao longo do período. Se Gilberto, Paulão, Jean, Bruno Paulista, Wellington, Escudero, Muriqui, Manga Escobar e Andres Rios deram ou não conta do recado, o mercado os tinha como atletas de nível, oriundos de grandes clubes ou com propostas, sondagens de outros grandes clubes. A exceção foi Lucas Rocha, zagueiro já dispensado.

Por não ter vendido Paulinho nas duas janelas possíveis, agora em janeiro com o tempo mais apertado é verdade, e por ter sido vítima de sabotagens nos últimos meses de gestão por opositores ao Vasco, o clube não pôde fazer investimentos maiores em contratações e trouxe jogadores dos quais se espera um pouco mais (Erazo, Fabricio, Desabato, Rildo, Riascos) e outros que são incógnitas, casos de Rafael e Thiago Galhardo, além de Luís Gustavo. Perdeu-se um ótimo zagueiro, um lateral direito contestado e um meia pouco convincente em mais de 30 oportunidades nas quais este último atuou pelo Brasileirão do ano passado. Duas outras contratações ficaram alinhavadas e podem ter prosseguimento com a nova gestão. Caso isso ocorra e os atletas ora machucados possam voltar em plena forma teremos um time competitivo para essa temporada.

O que esperamos em termos de futebol nesse próximo triênio é que haja o mesmo número de conquistas obtidas entre 2015 e 2017 (ou mais), uma arbitragem neutra nos jogos do Vasco válidos por competições organizadas pela CBF, como houve nas partidas válidas pelos Estaduais no mesmo período, a manutenção da supremacia nos confrontos contra o trio da zona sul carioca e também a supremacia em títulos, comparando-se aos outros três.

Aguardar ou exigir que se iguale ou se bata o recorde de partidas oficiais invictas de toda a história do clube, como ocorrido entre novembro de 2015 e junho de 2016 (34 jogos) seria um pouco demais, afinal foi uma marca que superou 100 anos de história do clube, ultrapassando de uma vez só as maiores de Atlético-MG, Flamengo, Internacional-RS e Palmeiras, além de igualar as de Cruzeiro e Corínthians, obtidas, como no caso do Vasco, no atual século.

Presente e Futuro

Encontra-se hoje o Vasco muito melhor estruturado do que em 2014, com mais de 20 milhões a receber em menos de 10 dias (verba suficiente para pagar as folhas até janeiro, inclusive, e devolver o adiantado pelo parceiro, emprestado para acertar parte do referido montante esta semana), mais um montante represado, ainda sem ter o clube em 2017 tido a oportunidade de levantar adiantamentos junto à Rede Globo, que serviriam num primeiro momento para pagar outros valores devidos (fora salário), grande oportunidade de crescimento dos sócios-torcedores e obtenção de mais verbas focadas no patrocínio para outros pontos do manto cruzmaltino (fora ações próprias da gestão que chega) e também sendo todos sabedores ser a venda de um ou dois atletas da base ao longo da temporada fator de tranquilidade à gestão atual no que concerne ao pagamento de compromissos durante o ano.

Não é fácil, não é simples, desde dezembro de 2014 nunca foi. Minha opção em duas votações (novembro e janeiro) foi pela continuidade da reconstrução e tendo na responsabilidade administrativa seu norte, apostando ser essa a visão da eleita, como o discurso de posse do novo presidente assim ratificou. Claro que minha preferência se evidencia. Eurico Miranda é meu candidato à presidência do Vasco, desde antes de eu ter idade para votar (Eurico 86 – O Vasco acima de tudo permanece colado no vidro da janela de meu quarto no apartamento onde residi e hoje mora apenas a minha mãe). Ele, com ou sem o cargo, atuando em função executiva no clube, cumpriu de maneira exemplar seu dever nos triênios dos quais participou dessa forma, tornando-se a figura viva com maiores serviços prestados ao Vasco, entre todos.

Que a nova gestão atue sem medo de prever o melhor, porque o Vasco é movido a desafios, como foi a classificação à Taça Libertadores do ano passado, mas com trabalho no lugar de loucuras, com unicidade no lugar de divisões tolas e inúteis, sem temor de se ter ou não o aval da imprensa e sabedores todos que querer gerir o Vasco é um direito, ninguém é compelido a isso, mas administrá-lo com respeito à sua história, seus homens e comprometimento com seu futuro, uma obrigação.

Sérgio Frias

A prova dos nove

Muito se fala que no futebol erros de arbitragem ora favorecem a um clube, ora a outro, praticamente na mesma proporção. Tal falácia perdura por não haver muitas vezes memória ou cuidado para analisar jogo a jogo, durante um grande período.

Fizemos abaixo um retrospecto dos últimos 50 anos do confronto entre Vasco x Corínthians e o levantamento mostra mais do dobro de erros cometidos pela arbitragem contra um, comparado ao outro.

O Vasco briga historicamente contra uma mentira repetida como verdade, ou seja, a de que os erros contra e a favor do clube, contra seus principais adversários, se compensam. Os fatos mostram algo bastante diferente.

Continuamos na briga pela vaga na Taça Libertadores da América de 2018 e os perdedores da mídia, que querem transformar o Vasco em perdedor, desde os comentários até as invenções pós jogo, só atingem mesmo em seu pessimismo, os pessimistas e os que torcem contra.

Segue a verdade:

Jogos nos últimos 50 anos entre Vasco e Corínthians:

Total: 76 partidas
Vasco – 17 vitórias
Empates: 27
Corínthians – 32 vitórias

Lances capitais em que a arbitragem prejudicou o Vasco – 22
Lances capitais em que a arbitragem prejudicou o Corínthians – 09

Abaixo o detalhamento de todos os prejuízos causados pela arbitragem às duas equipes:

09/04/1967 – Corínthians 2 x 0 Vasco (Roberto Gomes Pedrosa)
– Dino cometeu pênalti sobre o vascaíno Nei Oliveira aos 21 do 1º tempo, não assinalado pela arbitragem, quando a partida ainda estava empatada em 0 x 0.

25/10/1969 – Vasco 1 x 2 Corínthians (Roberto Gomes Pedrosa)
– O segundo gol do Corínthians, marcado por Rivelino, cobrando falta, aos 25 do 2º tempo, foi ilegal, pois adveio de uma infração inexistente marcada a favor da equipe paulista, interpretando o árbitro ter o zagueiro vascaíno Fernando tocado com a mão na bola, após chute de Ivair, o que não ocorreu. Até ali a partida estava empatada em 1 x 1.
– Miranda, zagueiro do Corínthians, quase no fim da partida, tocou a bola com a mão dentro da área para impedir a passagem do vascaíno Valfrido no lance, mas a arbitragem não marcou a penalidade máxima a favor do Vasco.

14/11/1970 – Corínthians 3 x 1 Vasco (Roberto Gomes Pedrosa)
– Pênalti de Altivo no corintiano Paulo Borges aos 8 minutos do 2º tempo, ignorado pela arbitragem. O placar era de 1 x 0 a favor do time da casa naquele momento.

11/09/1971 – Corínthians 1 x 0 Vasco (Campeonato Brasileiro)
– O gol da vitória corintiana adveio de uma falta inexistente, marcada a favor da equipe paulista aos 38 do 2º tempo, tendo o árbitro interpretado que o goleiro vascaíno Andrada tocara com a mão na bola fora da área. Na cobrança, três minutos depois, após veemente reclamação dos jogadores cruzmaltinos em função da marcação equivocada, Rivelino bateu e marcou o gol único do jogo.

14/07/1974 – Vasco 2 x 0 Corínthians (Campeonato Brasileiro)
– Pênalti não marcado de Joel no corintiano Vaguinho, aos 22 do 2º tempo. O placar marcava até ali 1 x 0 em favor do Vasco.

04/03/1976 – Corínthians 0 x 2 Vasco (Amistoso)
– O argentino Vieira carregou a bola com o braço, em lance claro não marcado pela arbitragem aos 4 do 2º tempo, que ainda deu penalidade máxima inexistente a favor do Corínthians, quando o placar era de 1 x 0 a favor do Vasco. Claudio cobrou, mas Mazarópi defendeu.

12/02/1978 – Corínthians 0 x 0 Vasco (Campeonato Brasileiro)

– Gol mal anulado, marcado por Ramon, do Vasco, aos 4 do 1º tempo.
– Gol mal anulado, assinalado pelo vascaíno Guina, aos 42 do 2º tempo.

27/01/1985 – Corínthians 2 x 2 Vasco (Campeonato Brasileiro)
– Gol ilegal marcado pelo Corínthians, através de Serginho Chulapa, com o auxílio da mão, aos 32 do 2º tempo. A partida estava empatada em 1 x 1.

09/03/1985 – Vasco 1 x 0 Corínthians (Campeonato Brasileiro)
– Por volta dos 20 minutos da primeira etapa, o meia Gilberto cometeu pênalti sobre o corintiano Zenon, não marcado pela arbitragem. O placar era de 0 x 0 na ocasião.

16/11/1986 – Corínthians 0 x 0 Vasco (Campeonato Brasileiro)

– Gol mal anulado do Vasco, marcado por Geovani aos 37 do 2º tempo.

03/12/1989 – Corínthians 0 x 1 Vasco
– Aos 4 do 2º tempo, Bebeto foi calçado por Wilson Mano dentro da área, mas o pênalti não foi marcado. O Vasco já vencia por 1 x 0.

11/07/1993 – Corínthians 4 x 3 Vasco (Torneio Rio-São Paulo)
– Gol ilegal do Corínthians, de abertura da contagem, marcado aos 5 do 1º tempo por Válber, após toque de mão do meia Ezequiel na jogada. Em função da validação do tento corintiano, Alê foi expulso, atuando o Vasco com 10 contra 11 por cerca de 85 minutos.

29/01/1998 – Corínthians 0 x 1 Vasco (Torneio Rio-São Paulo)
– O corintiano Edilson sofreu pênalti na segunda etapa da partida, cometido por Odvan, que o derrubou, mas ignorado pela arbitragem. O placar era de 0 x 0.

12/02/1998 – Vasco 0 x 1 Corínthians (Torneio Rio-São Paulo)
– Luisão, centroavante do Vasco, sofreu pênalti de Alexandre Lopes aos 23 do 2º tempo, quando o placar era de 0 x 0.

25/07/1998 – Vasco 0 x 1 Corínthians (Campeonato Brasileiro)

– Juninho foi derrubado na área pelo corintiano Silvinho aos 41 do 1º tempo, quando o jogo estava empatado em 0 x 0.

14/01/2000 – Vasco (3) 0 x 0 (4) Corínthians (Mundial Interclubes)
– Aos 34 do 2º tempo, Felipe lançou Edmundo, que saiu com a bola cerca de cinco metros à frente da defesa corintiana, que tentara voltar para deixar o atleta em impedimento. Legal no lance, Edmundo partia para ficar cara a cara com Dida, mas o auxiliar de arbitragem marcou impedimento (inexistente), confirmado pelo árbitro.

31/01/2001 – Vasco 1 x 0 Corínthians (Torneio Rio-São Paulo)
– Aos 2 do 2º tempo, houve gol mal anulado do Vasco, marcado por Alex Oliveira, tendo sido assinalado impedimento de Viola, que não participava do lance. O placar já era de 1 x 0 a favor da equipe carioca.

14/04/2002 – Corínthians 1 x 0 Vasco (Torneio Rio-São Paulo)
– Aos 40 do 2º tempo, Anderson impediu, tocando com o cotovelo na bola, penetração de Romário dentro da área, mas a arbitragem não marcou a penalidade máxima a favor do Vasco. O placar era de 0 x 0 na ocasião.

17/11/2002 – Corínthians 1 x 1 Vasco (Campeonato Brasileiro)

– Ramon, do Vasco, teve um gol mal anulado, marcado aos 25 do 1º tempo.
– O gol corintiano, assinalado por Guilherme aos 20 do 2º tempo, foi feito em posição irregular. A partida estava empatada em 0 x 0 até ali.


20/08/2003 – Corínthians 0 x 0 Vasco (Campeonato Brasileiro)

– Pênalti de Fabinho no vascaíno Russo não marcado pela arbitragem aos 8 do 1º tempo.

06/09/2006 – Vasco 0 x 1 Corínthians (Copa Sul-Americana – Jogo de Ida)
– Aos 27 do 2º tempo, o corintiano Renato cabeceou, a bola bateu no travessão e entrou cinco centímetros, mas o árbitro não deu o gol, que seria o segundo para a equipe visitante.

27/05/2009 – Vasco 1 x 1 Corínthians (Copa do Brasil – Jogo de Ida)

– Aos 30 do 2º tempo houve pênalti de Elton em Chicão (gravata dada pelo atacante vascaíno no zagueiro corintiano, impedindo-o de chegar na bola), após cobrança de escanteio favorável à equipe visitante, ignorado pela arbitragem. O placar do jogo naquele momento era de 1 x 1.

03/06/2009 – Corínthians 0 x 0 Vasco (Copa do Brasil – Jogo de Volta)
– Aos 16 do 2º tempo, Elton, centroavante vascaíno, teve a camisa puxada pelo zagueiro Chicão dentro da área, em pênalti não marcado pelo árbitro.

13/10/2010 – Vasco 2 x 0 Corínthians (Campeonato Brasileiro)
– No primeiro gol do Vasco, marcado por Zé Roberto aos 10 do 1º tempo, houve impedimento do atacante cruzmaltino, que fez o complemento para as redes.

02/10/2011 – Vasco 2 x 2 Corínthians (Campeonato Brasileiro)

– Fágner, lateral vascaíno, já dentro da área, embora de costas, bloqueou com o braço (esticado) bola cabeceada pelo atacante Jorge Henrique, em pênalti não marcado pela arbitragem. O placar naquele momento era de 1 x 1.

27/10/2012 – Corínthians 1 x 0 Vasco (Campeonato Brasileiro)

– Aos 36 do 1º tempo, com o placar ainda em branco, Romarinho, do Corínthians, foi derrubado por Renato Silva dentro da área, mas a arbitragem ignorou o pênalti. O placar até ali era de 0 x 0.

07/06/2017 – Vasco 2 x 5 Corínthians (Campeonato Brasileiro)
– Aos 12 do 1º tempo, Manga Escobar invadiu a área pela esquerda e foi desequilibrado por trás pelo corintiano Paulo Roberto, em pênalti não marcado pela arbitragem. O Corínthians naquele momento vencia por 1 x 0.

17/09/2017 – Corínthians 1 x 0 Vasco
– Jô marcou gol irregular a favor do Corínthians, utilizando o braço propositalmente para marcar, aos 28 do 2º tempo, após cruzamento de Marquinhos Gabriel, mas o lance foi tido como válido pela arbitragem.

Fontes de Pesquisa:

Pesquisa em Jornais: “O Globo”, “Jornal dos Sports”, “Jornal do Brasil”
Pesquisa com imagens: Youtube, Arquivos Pessoais em vídeo de membros da equipe Casaca!

Casaca!

Zé Ricardo é o vigésimo sexto treinador da história a dirigir Vasco e Flamengo no time principal

Não é incomum na história de Vasco e Flamengo, treinadores dirigirem o elenco principal de um dos clubes e posteriormente o maior rival. Ao longo de décadas isso foi lugar comum, desde o início dos anos 20 do século passado. Zé Ricardo é o vigésimo sexto da lista. Tricolor de infância já foi profissional do Vasco no Futsal de base nos anos noventa e trabalhou no Flamengo por mais de 10 anos. Boa sorte a ele nessa nova empreitada.
Abaixo a lista de treinadores que dirigiram os dois arquirrivais ao longo da história,

Técnicos que já dirigiram Vasco e Flamengo:

Ramon Platero
Flamengo – 1921
Vasco – 1922/23; 1938

Flávio Costa
Flamengo – 1934/37; 1938/45; 1946; 1951/52; 1962/65
Vasco – 1947/50; 1953/56

Gentil Cardoso
Vasco – 1938/39; 1952; 1967
Flamengo – 1949/50

Ernesto Santos
Vasco – 1946
Flamengo – 1947

Yustrich
Vasco – 1959/1960
Flamengo – 1970/71

Tim
Flamengo – 1969
Vasco – 1970

Evaristo de Macedo
Vasco – 1969; 2002
Flamengo – 1993, 1998/99; 2002/03

Zagallo
Flamengo – 1972/73; 1984/85, 2000/01
Vasco – 1980/81; 1990/91

Carlos Froner
Flamengo – 1975/76
Vasco – 1979

Antônio Lopes
Vasco – 1981/83; 1985/86; 1991; 1996/2000; 2002/2003; 2008
Flamengo – 1987

Julio César Leal
Vasco – 1983
Flamengo – 2005

Claudio Garcia
Flamengo – 1983/84
Vasco – 1986

Sebastião Lazaroni
Flamengo – 1985/87
Vasco – 1987/88; 1994

Joel Santana
Vasco – 1986/87; 1992/93; 2000/2001; 2004/2005; 2014
Flamengo – 1996; 1998; 2005; 2007/2008; 2012

Valdir Espinoza
Flamengo – 1989/90; 2006
Vasco – 2007

Jair Pereira
Flamengo – 1990; 1993
Vasco – 1994; 1995

Abel Braga
Vasco – 1995; 2000
Flamengo – 2004

Paulo Autuori
Flamengo – 1997/98
Vasco – 2013

Oswaldo de Oliveira
Vasco – 2000
Flamengo – 2003; 2015

Paulo César Gusmão
Vasco – 2001; 2010/11
Flamengo – 2004

Ricardo Gomes
Flamengo – 2004
Vasco – 2011

Celso Roth
Flamengo – 2005
Vasco – 2007; 2010; 2015

Dorival Júnior
Vasco – 2009; 2013
Flamengo – 2012/13

Jorginho
Flamengo – 2013
Vasco – 2015/16

Cristóvão Borges
Flamengo – 2015
Vasco – 2017

Zé Ricardo
Flamengo – 2016/17
Vasco – 2017

Casaca!

O pagador (de promessas alheias)

Em tempo de contratações no clube e inúmeras especulações descabidas, o Vasco permanece em busca de atletas que possam reforçar o time para 2017.

Ao mesmo tempo, a direção dá uma enxugada no elenco, deixando claro não contar com jogadores que ficaram aquém do esperado no ano passado, ao longo de grande parte da temporada.

Dentre as especulações há alguns devaneios impossíveis de concretização, os quais a oposição do Vasco em mídias sociais e nos espaços próprios incitam serem os reforços que “valeriam à pena”.

Mas por qual razão fazem isso? São idiotas, vivem no mundo da lua? Longe disso! Eles querem que Eurico Miranda faça exatamente da maneira como fizeram. Contrate, não pague e a conta bata nele próprio, mais à frente.

Quando estiveram no Vasco, na linha de frente ou auxiliar, esses grupos – que hoje se multiplicam em nomes, slogans e tabelas de Excell para no fim todos se juntarem contra Eurico Miranda – fizeram exatamente isso. Gastaram sem lastro, foram fazendo experiências caras até 2011, quando montaram um time competitivo, tendo-o perdido durante a temporada de 2012. Para quem ficou a conta? Para a tia?

E qual era o discursinho lamurioso deles, uma vez no poder. “Temos jogadores de 2000 para pagar”. “O problema nosso é o pagamento aos atletas olímpicos”. Distorciam a situação com gosto, entendendo ser o torcedor do Vasco dado a pastar na grama verdinha que essa turma encomendava para os cruzmaltinos, sem pagar é claro o fornecedor. Isso também ficou por conta do Eurico saldar.

Como é sabido por muitos que acompanham um pouco mais atentamente o clube, as execuções trabalhistas (oriundas da década de 90 até os primeiros anos do século XXI) estavam sendo impedidas pelo fato de o Vasco ter acertado um acordo em 2004 com a Justiça do Trabalho para fazer um pagamento mensal e um mínimo anual, a fim de satisfazer credores.

O clube, em dezembro de 2007, assinou outro acordo, mais benéfico que o anterior e também mais brando no pagamento, se comparado ao exigido nos casos de Fluminense e Botafogo (Ato 837/07).

A gestão subsequente assumiu o clube em julho de 2008 e no dia 14 de agosto ratificou a participação do Vasco no Ato, nas mesmas condições as quais o clube estava submetido, desde dezembro de 2007. Ela, portanto, não faria novidade alguma. Apenas continuaria a executar pagamentos mensais da mesma forma como o clube procedia há cerca de quatro anos. Assumiu o Vasco sabedora disso e prometendo no discurso uma fila de investidores para o clube.

http://www.casaca.com.br/home/2010/08/03/os-irresponsaveis-pelas-penhoras/

Fora isso o Vasco, até junho de 2008, mantinha acordos com pessoas físicas e jurídicas, com parcelas pagas mensalmente, antes da troca de gestão (Antônio Lopes, Hélio Rubens, Edmundo, Romário, Donizete, Simi {Futsal}, Giovane Gávio {Vôlei}, Torben Grael {Iatismo}, Marcelo Ferreira {Iatismo}, Vasco-Barra…), além de outras dívidas constarem em balanço e os credores saberem da disposição do clube em pagá-los.

Mas o que os novos gestores fizeram?

Além de abolir o pagamento de vários compromissos antes firmados, descumpriram o acordo no TRT e foram excluídos do Ato Trabalhista em julho de 2010. E assim permaneceu a situação por meses a fio. Com isso as consequências da irresponsabilidade foram vistas. Vários credores tentando sair da fila e alguns conseguiram executar o clube em função disso.

A gestão MUV/Dinamite/Amarela continuava contratando, como se não houvesse amanhã. Sim, não pagava a parcela do Ato, mas trazia no mesmo mês Jadson Vieira, Douglas, Fellipe Bastos, Felipe, Éder Luís, Zé Roberto, além de renovar com Carlos Alberto por mais três anos.

Pagaram Romário? Não. Pagaram Edmundo? Não. Pagaram os atletas do basquete? Não. Pagaram impostos? Não. Honraram os acordos que já haviam sido estabelecidos antes? Não. Honraram o acordo, que punha o Vasco no Ato Trabalhista, sem poder ser penhorado em função disso? Não. Pagaram a água? Não. Pagaram a maioria dos fornecedores? Não. Pagaram acordos que eles próprios fizeram? Não. Deram calote.

Mas, por outro lado, pagaram fundos de investidores? Sim. Deixaram dezenas de confissões de dívida para a gestão seguinte? Sim.

Por que não deixaram acordos regiamente pagos até a gestão de Eurico Miranda assumir? Porque acordavam com o credor, pagavam uma ou duas parcelas e depois largavam. Este credor ficava satisfeito, porque o valor devido pelo clube aumentava, com multas contratuais, juros, etc…, a gestão “profissional” daquele chamado “novo Vasco” da mesma forma, porque além de deixar de pagar mais uma coisa já havia jogado para o público que firmara acordo com ex-atleta A ou B, e era por isso que não conseguia pagar seus compromissos, como água, salários, corte da grama, aluguel de campos, fornecedores, gasolina do posto, conserto de ônibus e kombis, por isso não podia ter Remo forte, não podia ter Basquete adulto, não podia ter ar condicionados em todas as salas do Colégio Vasco da Gama, por isso fornecia arroz com salsicha para atletas da base em refeições, por isso não conseguia pagar taxas comezinhas, por isso teve que abandonar o patrimônio.

Há um caso, então, que só rindo para não chorar. Além de não terem continuado, logo no primeiro mês de gestão, o pagamento mensal feito a Romário, que já chegava a 48 parcelas (quatro anos), uma vez acionados na Justiça pelo ex-atleta (Romário cobrava todo o valor devido pela quebra contratual a partir de julho de 2008 e não foi até o fim em sua exigência, por interferência direta do atual presidente do Vasco, Eurico Miranda, à época oposição no clube), ainda deram um percentual pela economia, após o acordo feito, àqueles que aconselharam a manutenção do descumprimento do devido ao credor, ao longo dos anos, porque o valor não seria devido, segundo eles próprios, advogados, assim entendiam.

E quanto às pendências na área cível? O Vasco tinha algumas poucas em fase de execução, como por exemplo no caso da Cambuci, briga que durava mais de 10 anos, iniciada após o clube rescindir unilateralmente o contrato com a Penalty, por questionamentos quanto à qualidade dos produtos. Mas este problema, por exemplo, foi resolvido pela gestão MUV/Dinamite/Amarela com novo acordo junto à empresa para que voltasse a fornecer material ao clube. Logo no anúncio, outro capaz de fazer os incautos imaginarem estar o clube vivendo um conto de fadas com Bob Dinamite e os revolucionários do MUV, foi dito que o contrato traria ao Vasco 64 milhões de reais em quatro anos. Isso mesmo. Sessenta e quatro milhões.

Observem também que o discurso dos novos gestores enquanto oposição era muito focado no fato de o clube não ter um patrocínio e por consequência não ter como fazer isso ou aquilo. Pois bem, o Vasco saiu de um patrocínio máster de 3,6 milhões, celebrado pela gestão de Eurico Miranda em fevereiro de 2008, para outro conseguido com ajuda do governador à época Sérgio Cabral Filho, de 14 milhões de reais, em 2009. Mas diferentemente do que fazia até junho de 2008, não conseguiu manter salários em dia, foi em 2009 despejado do Vasco-Barra, atrasou salários, deixou de cumprir acordos, parou de pagar impostos e os acordos anteriormente feitos com a Receita Federal (regiamente pagos pela gestão anterior àquela até junho de 2008, após inclusão do Vasco na Timemania em novembro de 2007).

Mas o negócio era o futebol. Vamos montar times e que se dane o avião porque quando outro assumir o clube ele é quem será o piloto e não eu.

E o Vasco teve um belo time após um gastadouro desenfreado entre 2009 e 2011, usando os créditos de que dispunha, patrocínios, direitos televisivos, vendas de atletas da base, realizando uma série de negócios, satisfazendo através deles fundos criados e devidamente pagos em 2012, após o clube ter no espaço de 12 meses recebido 60 milhões de reais extras da Rede Globo (junho de 2011 e junho de 2012), mais cerca de 12 milhões de reais com negociação de atletas, mas mesmo assim permanecido com salários atrasados, sem água poucos meses depois, sem time no fim da temporada e com várias ações trabalhistas ajuizadas contra ele.

No final de 2014, enquanto a nova gestão pagava 14 milhões para obter as certidões que a gestão caloteira não tinha mais condições de arrumar, o Cruzeiro negociava para pagar por Arrascaeta, craque uruguaio, 12 milhões de reais por seus direitos econômicos.

Entre o final de 2014 e meados de 2015 o Vasco sanou todas as dívidas deixadas pela gestão anterior com relação ao não pagamento de atletas (salários e direitos de imagem) e funcionários. Algo em torno de 12 milhões. Poderia o Vasco ter investido para trazer, por exemplo, Lucas Pratto no início do ano seguinte por 10,9 milhões de reais, com tranquilidade.

No período de 2015 e 2016, enquanto o Vasco pagava por ordem da FIFA cerca de 21 milhões de reais por atletas, os quais a gestão anterior comprou, mas não honrou, o Palmeiras contratou Dudu, do Dínamo de Kiev-RUS, pagando pelos direitos econômicos 18,7 milhões de reais.

Em agosto de 2008 a nova gestão antecipou pela primeira vez cotas de TV em sua gestão, pois o pagamento quase integral das despesas do clube no mês de julho havia sido garantido com a primeira parcela da venda de Phillippe Coutinho para a Internazionale-ITA, absorvida toda pela ainda incipiente turma da Oportunidade de Ouro. O Vasco tinha o direito de antecipar cotas concernentes ao segundo trimestre de 2009 para frente, num contrato que terminaria em 2011 apenas. Na época o clube recebia cerca de 30 milhões ano da TV.

Quando Eurico Miranda chegou ao Vasco, em dezembro de 2014, o clube não tinha o direito de receber nada referente aos anos de 2015 e 2016 da TV, pois tudo já havia sido antecipado ou estava comprometido por dívidas deixadas pela gestão anterior. O valor das cotas de TV dos dois anos girava em torno de 130 milhões. Caso a situação fosse rigorosamente igual a deixada pelo próprio Eurico em 2008, o Vasco teria tido disponíveis ao longo de 2015 e 2016, cerca de 80 milhões de reais. Se todo esse valor fosse absorvido pelo futebol, a folha salarial do clube poderia aumentar em cerca de 3 milhões de reais entre salários e encargos. Quantos atletas de maior quilate poderíamos ter no elenco desde o ano passado?

Do plantel cruzmaltino, Campeão da Copa do Brasil e Vice-Campeão Brasileiro em 2011, por conta do apito inimigo, havia simplesmente nove atletas os quais o Vasco ainda deve e ficou para Eurico pagar a conta. Fernando Prass, Fágner, Dedé, Rômulo, Fellipe Bastos, Felipe, Juninho (muitos salários mínimos), Diego Souza e Éder Luís. Fora isso, comissões a serem pagas a empresários, procuradores, intermediadores de vários atletas também não foram feitas, o que levou o Vasco hoje a ter de ainda se virar para honrar tais compromissos. Só o procurador de Juninho, José Fuentes, cobra mais de 600 mil reais na Justiça por comissionamento referente a contratos celebrados pelo atleta com o Vasco, entre os anos de 2011 e 2013.

É recorrente o torcedor lembrar daquele time e dizer que o Eurico não montou outro igual, desde 2003 (o de 2002 com Helton, Leonardo Moura, Géder, João Carlos, Alex Oliveira; Donizete, Jamir, Léo Lima, Felipe; Euller, Romário era um time melhor que o de 2011 indiscutivelmente em cinco posições e com Felipe nove anos mais novo, embora nada tenha ganho naquela temporada, até o fim do primeiro semestre, quando se desfez).

De fato, enquanto ele, Eurico, equacionava o clube, por opção, entre 2004 e junho de 2008, mantendo o Vasco na disputa por títulos estaduais, nacionais e até mesmo com uma boa participação numa competição internacional – 2004 (Campeão da Taça Rio e finalista do Estadual), 2006 (finalista da Copa do Brasil e melhor do Rio de Janeiro no Campeonato Brasileiro), 2007 (19 rodadas na zona da Libertadores e sexto colocado na Copa Sul-Americana), 2008 (Semifinalista da Copa do Brasil, com derrota nos pênaltis para aquele queria o campeão daquela edição) – mas com sérias limitações orçamentárias, a gestão seguinte o fizera cair em 2008 – após pegá-lo em nono, com salários em dia, 108 rodadas sem frequentar a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e já tendo figurado na zona da Libertadores numa delas naquele mesmo ano – e danara a gastar desmedidamente entre 2009 e 2011 para conseguir enfim montar um time competitivo e comprometer o Vasco financeiramente menos de um ano depois disso, já completamente destroçado institucionalmente.

Eurico Miranda não assumiu o Vasco em dezembro de 2014 com queixas, mas sim com muito trabalho. Prometeu reestruturar o clube e está fazendo isso; disse que o Vasco nunca cairia de divisão com ele à frente, mas também afirmaria por certo que jamais o clube seria garfado numa competição em 14 pontos (trata-se, de um recorde, de fato); proporcionou mais dois títulos estaduais para a torcida vascaína (agora são 16 no currículo entre os oficiais, desde Estaduais), que no século, até 2014, havia visto o Vasco ganhar apenas um; obteve um feito que ficará registrado na história do clube em sua gestão (maior sequência de jogos oficiais invictos de todos os tempos); fez ressurgir das cinzas o Basquete adulto; manteve em todos os meses de sua gestão, mesmo numa situação catastrófica encontrada, salários em dia; reforçará o Vasco para a temporada de 2017, investindo mais no futebol, mas também ciente do compromisso institucional firmado por ele, como diretriz de governança.

Aos do contra, especulem, esperneiem, distorçam, mintam.

Aos desinformados, informem-se melhor.

Aos vascaínos de raiz, sabedores da situação encontrada ao final de 2014, tenham certeza que no Vasco trabalha-se todos os dias para reverter o quadro – algo já feito em parte – com o objetivo de ver o clube mais forte, mais independente, mais sólido financeiramente, mais vitorioso e mais vezes campeão.

Casaca!

Pré-Conceito

Inicialmente solicito ao novo treinador do Vasco, Cristóvão Borges, que ignore os urubus de plantão.

A repulsa a seu nome como novo técnico cruzmaltino por parte de muitos torcedores é ato dos mais ilógicos, não tem respaldo em resultados obtidos por ele no próprio clube, enquanto manifestações de alguns “ditos” entendidos na mídia a seu respeito beiram a intolerância.

Cristóvão é técnico de futebol profissional há apenas cinco anos, dirigiu tão somente equipes de primeira divisão (Vasco, Bahia, Fluminense, Flamengo, Atlético-PR, Corínthians) e suas passagens por elas, principalmente no decorrer de Campeonatos Brasileiros, não deixam dúvida de que incompetente não é.

No Vasco só não conquistou o Campeonato Brasileiro de 2011 em função da arbitragem, porque se no turno a equipe comandada por Ricardo Gomes teve um equilíbrio entre ganhos e perdas de pontos oriundas dela, no returno foi indecente o feito contra o time de São Januário. Um benefício, curiosamente diante do Corínthians, e vários prejuízos, contra Figueirense, Internacional-RS, São Paulo, Santos, Palmeiras e Flamengo, fora outros em jogos nos quais o Vasco venceu.

Era na ocasião um treinador inexperiente e diante disso alguns erros claros cometeu, mas também teve méritos em partidas nas quais o Vasco engoliu seus adversários. Justiça seja feita também ao presidente Eurico Miranda, que na época defendeu por diversas vezes o treinador no programa Casaca! no Rádio, citando inclusive como mérito de Cristóvão a vitória sobre o Fluminense na penúltima rodada do Brasileiro, pela participação de Alecsandro no gol assinalado por Bernardo, como fruto de orientação técnica/treinamento para tal jogada ter saído.

Era evidente que a concentração e união da equipe cruzmaltina, sentindo-se motivada a dar o título a Ricardo Gomes após seu grave problema de saúde, ajudou muito a que o trabalho fosse feito por todos sem grandes problemas, mas no ano seguinte, diante de um quadro extremamente difícil, o treinador conseguiu durante cerca de oito meses manter o Vasco num patamar digno de sua grandeza.

Na Taça Guanabara daquele ano, o Gigante da Colina venceu todas as partidas, até perder na decisão para o Fluminense, que viria a ser o Campeão Carioca e Brasileiro da temporada. No returno (Taça Rio) nova derrota na final, desta vez para o Botafogo, atuando fora de casa e com participação da gandula alvinegra no primeiro gol da partida. Duas das três vitórias vascaínas contra o Flamengo em 22 jogos do período do MUV no clube foram obtidas naquele ano, ambas em jogos de mata-mata.

Em 2012 O atleta Bernardo foi comprado e logo após entrou na Justiça do Trabalho contra o clube, os atletas se rebelaram e aboliram a ideia de se concentrar na véspera da estreia na Taça Libertadores da América, em nenhum momento naquela temporada os salários foram pagos em dia (motivo pelo qual não houve concentração do plantel na ocasião citada acima), e chegou a faltar água em São Januário no mês de setembro daquele ano, oito dias após o treinador ter pedido demissão.

Depois de o Vasco chegar à semifinal da Copa Sul-Americana em 2011, o clube parou no Corínthians, nas quartas-de-final da Taça Libertadores do ano seguinte em confronto dos mais equilibrados. O adversário, por sinal, conquistaria não só aquela competição, como o Mundial Interclubes no fim da temporada.

O começo da equipe vascaína no Campeonato Brasileiro de 2012 foi exemplar e as negociações sequenciais de Allan, após a terceira rodada, Rômulo, após a sétima, Fágner e Diego Souza, após a décima primeira, mais a insatisfação geral do grupo, que parou de acreditar nas lorotas ditas pela direção do clube a Juninho e reverberadas por este na imprensa e para companheiros sobre acertos salariais, principalmente após a saída de quatro dos principais atletas do elenco, levaram o time a uma queda nítida de produção.

Cristóvão assumiu a direção técnica do elenco em quarto lugar na tabela de classificação, um ponto à frente do quinto, após a virada do turno em 2011, e deixou o Vasco também em quarto, dois pontos à frente do quinto, após quatro rodadas disputadas no returno de 2012, tendo sido líder o próprio Vasco em 8 rodadas no somatório das duas edições. Na sequência do Campeonato Brasileiro de 2012, Marcelo Oliveira, técnico Bicampeão Brasileiro pelo Cruzeiro em 2013/14, suportou apenas 11 jogos no comando, enquanto o interino Gaúcho dirigiu o clube por mais quatro partidas no fim do certame, terminando o Vasco na quinta colocação, a 8 pontos do quarto colocado, São Paulo.

Tudo o aqui narrado deveria ser suficiente para uma saudação otimista em seu retorno à casa de origem como treinador, afinal não é fácil dirigir um clube no campo, com tantos problemas fora dele e acúmulos de insatisfação coletiva no plantel.

Cristóvão treinou o Bahia no ano seguinte, terminando o Campeonato Brasileiro na décima segunda colocação. O tricolor baiano não mantinha um mesmo técnico durante toda a competição desde 2001 e o novo treinador teve de lidar com uma briga política interna pelo poder das mais renhidas, com direito a uma intervenção na presidência do clube baiano. Com ele, pela primeira vez a equipe de Salvador ficou uma rodada no G4 na era dos pontos corridos e apesar de inúmeros problemas vividos conseguiu o comandante impedir o rebaixamento do clube à segunda divisão, obtendo 43,7% dos pontos possíveis na competição. A garantia da permanência na Série A se deu matematicamente na penúltima rodada, após vitória sobre o Cruzeiro, já campeão, num Mineirão quase lotado (pouco menos de 50 mil pagantes), no jogo da entrega da taça, por 2 x 1.

Em 2014 assumiu o Fluminense semanas antes do início do Campeonato Brasileiro e terminou o principal certame nacional com o time em sexto lugar e a renovação do contrato garantida para o ano seguinte, durando seu vínculo com o tricolor até março, quando foi demitido após campanha irregular no Estadual.

Em 2015 pegou o Flamengo na quarta rodada da competição, após a equipe ter somado até ali apenas um ponto em três partidas. Sua performance não agradou, com 8 vitórias, 1 empate e 9 derrotas entre Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil (competição na qual obteve uma vitória e uma derrota). Seu substituto, entretanto, o elogiadíssimo Oswaldo de Oliveira, teve rendimento parecido. Somou 8 vitórias, 3 empates e 9 derrotas (na Copa do Brasil apenas um empate).

Nas últimas nove rodadas do Brasileirão 2015 dirigiu o Atlético-PR e colheu 3 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, derrotando, inclusive, o Flamengo de Oswaldo de Oliveira por 3 x 0, motivando a que a equipe paranaense o mantivesse para o início da temporada de 2016 pela performance alcançada. Mesmo com média de aproveitamento superior a 50% dos pontos conquistados, em 20 jogos disputados, foi demitido do Furacão em março, após quatro partidas sem vitória.

Finalmente em junho deste ano coube a ele a duríssima missão de substituir o técnico da Seleção Brasileira Tite, que já havia fracassado em seu trabalho no Corínthians tanto na Taça Libertadores, como no Campeonato Estadual. Cristóvão assumiu o plantel na décima rodada do certame (em quarto lugar), mas não ficou três meses no comando da equipe paulista (7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, mais um empate em 1 x 1 contra o Fluminense, fora de casa, pelo jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil) e a deixou em quinto na tabela. Hoje o time do Parque São Jorge está em sétimo.

Contabilizando apenas jogos em Campeonatos Brasileiros, dirigindo os seis clubes nos quais esteve, são no total 66 vitórias, 43 empates e 51 derrotas, ou seja, 50,2% dos pontos disputados. Considerando o aproveitamento dos clubes no Campeonato Brasileiro de 2016 na primeira divisão, o sétimo colocado na competição possui 49,5% de aproveitamento, enquanto o quinto e sexto colocados obtiveram até aqui 50,5% dos pontos disputados.

O clima criado contra Cristóvão Borges fora do clube, fomentado por politiqueiros de plantão, é na verdade o único problema do treinador. Nada tem a ver com sua competência ou seus resultados, mas sim com o pessimismo disfarçado de uns e crônico de outros. Muita análise psicanalítica a todos e a certeza de que uma frase ouvida por mim e rapidamente absorvida este ano, tem tudo a ver com o comportamento de diversos em vários momentos: “É muito mais fácil empurrar para baixo do que puxar para cima”. E podem ter certeza, isso não tem nada a ver com rebaixamento ou subida de divisão.

Boa sorte, Cristóvão. Que venha o primeiro título de muitos no Vasco. Que você possa fazer um belo papel no nosso clube e tenha tranquilidade interior para exercê-lo. De nossa parte fica uma mensagem de apoio e confiança no seu trabalho.

Sérgio Frias

Jogando contra

Nada justifica as matérias em sequência veiculadas pelos sites O Globo.com e Extra no assunto Copa do Brasil anteontem.

A primeira estatística que serviu como enredo para uma publicação diz respeito à dificuldade de o Vasco reverter placares desfavoráveis nos jogos de volta da Copa do Brasil.

Em 16 oportunidades nas quais perdemos o jogo de ida, obtivemos a classificação no jogo de volta quatro vezes, diante de Santa Cruz (1994), Atlético-MG (1995), CSA (2002) e Bahia (2003).

Noutras três vezes devolvemos o placar do jogo de ida, mas perdemos a vaga nos pênaltis ou no chamado “gol qualificado”, marcado fora de casa contra nós, fato ocorrido contra Sport (2008), Vitória-BA (2010) e Goiás (2013).

O poder de reação do Vasco, mesmo insuficiente para a obtenção de classificação, também se fez presente em 1997 e 1999, ocasiões nas quais após perder o primeiro jogo por diferença de 2 gols o clube obteve na partida de volta uma vitória por um gol de vantagem.

Em cinco oportunidades o Vasco, após perder a primeira partida, empatou a segunda, fatos ocorridos contra o Cruzeiro (1993, 1996, 1998, 2003) e São Paulo no ano passado. Apenas duas vezes a equipe perdeu os dois confrontos, em toda a história, contra o Corínthians em 1995 e o Flamengo em 2006.

Ressalte-se que nas tais disputas (e isso daria uma boa matéria) o Vasco foi prejudicado em lances capitais por cinco vezes e foi beneficiado numa ocasião apenas.

Se em 1994 o Santa Cruz teve um gol mal anulado em São Januário e o Vasco outro, o que não alteraria em nada a classificação cruzmaltina, por quatro vezes a vaga, a possibilidade de levar a disputa para os pênaltis, ou mesmo o impedimento de duas derrotas nos dois embates teve na arbitragem um fator de desequilíbrio.

No ano de 2003 um pênalti claro sobre Edmundo aos 24 minutos do 2º tempo foi ignorado pela arbitragem, quando o placar de 1 x 1 (que seria o resultado final) permanecia. No jogo de ida a equipe mineira havia vencido por 2 x 1.

Em 2006, na segunda partida da decisão, aos 41 minutos do 1º tempo Wagner Diniz sofreu pênalti não assinalado, quando o Vasco perdia para o Flamengo por 1 x 0, o que seria o placar final da partida. No jogo de ida o rubro-negro vencera por 2 x 0.

Em 2008 um gol mal anulado, marcado por Leandro Amaral diante do Sport, quando o confronto estava empatado em 0 x 0, seria decisivo para a classificação do Vasco, visto que a equipe faria ainda 2 x 0 no marcador mais adiante e com o placar de 3 x 0 chegaria à final da competição.

Finalmente em 2013, após derrota para o Goiás por 2 x 1 no jogo de ida, o Vasco vencia pelo mesmo marcador no embate da volta, ainda na primeira etapa, e um gol de Luan foi mal anulado na ocasião. No segundo tempo cada equipe faria mais um gol e o Vasco se veria eliminado da competição por ter levado em casa dois gols e feito fora apenas um. Caso a vitória se desse por 4 x 2, considerando a validação do gol legal marcado por Luan, a vaga seria vascaína.

Um outro dado garimpado, desta vez pelo site oglobo.com, diz respeito ao número de vezes em que o Vasco venceu por dois gols de diferença seus adversários neste ano, o mínimo necessário para obter a vaga às quartas-de-final hoje contra o Santos (dependendo é claro do número de gols que tome do oponente).

Para levar o vascaíno a imaginar ser a diferença de dois gols algo difícil de se acreditar como possível pegou-se como referência a Série B e ignorou-se por exemplo, o Estadual.

Em primeiro lugar, ganhar de 2 x 0 e ter que ganhar de 2 x 0 são coisas distintas. Se basta muitas vezes ao clube ganhar, pouca diferença faz o saldo de gols da partida.

O Vasco este ano venceu 32 das 51 partidas que disputou. Para começar marcou ao menos um gol em 49 delas.

Fora isso, o clube venceu por dois gols ou mais de diferença 11 das 32 partidas nas quais conquistou vitórias. Uma a cada três, arredondando.

E vale destacar que nas partidas nas quais venceu o adversário por um gol de diferença (21 vezes), construiu a vantagem mínima por cinco vezes na primeira etapa. Ou seja, em metade das 32 partidas vencidas pelo Vasco no ano ou o clube obteve a vantagem de dois ou mais gols de diferença ou já teve metade do caminho percorrido antes do intervalo. Convenhamos que se a matéria do oglobo.com fosse mais rica em detalhes a motivação dada ao torcedor vascaíno seria lógica.

Finalmente a infelicidade completa se deu numa matéria veiculada segunda-feira à tarde, num dos sítios eletrônicos ligados às Organizações Globo que tinha como título a seguinte frase: “Bilheterias vazias” e uma foto referendando a manchete.

Mas a torcida vascaína, desfazendo de tudo isso e do comentário absolutamente infeliz do ex-atleta Edmundo no canal Fox Sports sobre o comportamento da massa cruzmaltina (não nos interessa as outras torcidas) em momentos ruins do time e nos momentos bons, encherá São Januário hoje para torcer pelo Bicampeão Carioca Invicto, pelo time que permaneceu sete meses invicto, entre 2015/ 2016, pela equipe do craque Nenê, do craque Andrezinho, da melhor zaga do Rio de Janeiro, da revelação Douglas Luiz, do veloz Madson, do imprevisível, Yago Pikachu, do seguro Martin Silva, do experiente Julio Cesar, que poderá eventualmente ser substituído pela promessa Allan Cardoso, do eficiente Éderson, de volantes e atacantes outros instáveis, mas que podem crescer na hora certa, como todos nós torcemos.

Por outro lado, torcemos também para que o Vasco hoje não experimente qualquer prejuízo de arbitragem capaz de retirá-lo da Copa do Brasil, pois na competição até aqui dois erros capitais foram cometidos contra o clube, em fases anteriores, mas diferentemente do Campeonato Brasileiro, quando para fazer o clube cair foram necessários 14 pontos de tunga (até nos garfando em 11 não cairíamos), na Copa do Brasil um único erro capital pode pôr tudo a perder e nós torcedores estaremos no estádio cobrando de quem é neutro, neutralidade, afinal a arbitragem é regiamente paga exatamente para demonstrar isso em campo, cumprindo as regras do jogo. Nada mais.

Em oposição à maré midiática novamente jogamos contra. Contra o pessimismo e um quase “já perdeu”, exposto de forma quase desavergonhada em textos nos quais o fomento ao desânimo dos vascaínos mostra-se evidente e incoerente, levando-se em conta matérias entusiasmadas a favor de quem este ano foi eliminado da mesma competição pelo Fortaleza, no Estadual pelo seu carrasco Vasco (por 2 x 0), e mesmo com cinco pontos a mais na balança por conta de arbitragens jamais liderou o Campeonato Brasileiro, que tem cheiro verde.

Sérgio Frias

Eu acredito

Tive o cuidado de rever a partida contra o Vila Nova, embora a impressão vista no estádio se coadunasse, no fim das contas, com o observado na telinha.

Inicialmente seria ontem a oportunidade ideal para pôr Fellype Gabriel em campo desde o começo da partida. O treinador disse antes da peleja contra o Tupi e após a partida diante da equipe goiana, que não seria ideal ter o atleta entrando no segundo tempo.

O primeiro erro de Jorginho, neste caso, foi não escalá-lo desde o princípio, pois teria no banco, com fôlego para substituí-lo, Evander ou Mateus Vital e este último encaixaria também muito bem na função, pois é um jogador de frente e entraria sem a responsabilidade de cobrir ninguém diretamente, mas apenas recompor.

O segundo erro foi não ter um cabeça de área, primeiro volante se preferirem, no banco de reservas. Diguinho, apesar de voluntarioso e sem medo de se expor (fato) não esteve bem contra o Santos, perdeu na disputa de cabeça no gol do empate diante do Tupi e tem questionada a titularidade por muitos.

Diante disso, William Oliveira, que foi posto indevidamente em campo na partida contra o Santos, numa função que não é a de um primeiro volante (uma insistência, por sinal), deveria constar no banco de suplentes ontem, a não ser em razão de algum problema físico inibitório disso. Seria uma substituição lógica caso Diguinho ficasse pendurado com um cartão, ou não estivesse agradando. Não houve esse cuidado.

A partida morna, com domínio territorial do Vasco, esquentou com o inesperado gol da equipe visitante.

O Vasco, a partir daí, passou a criar oportunidades, inicialmente com uma bola na trave em belo chute de Pikachu, perdeu mais um gol e quando parecia próximo do empate tomou o segundo em nova desatenção da defesa e saída atabalhoada do assustado Jordi.

Mas a equipe até por volta dos 35 minutos ainda manteve alguma tranquilidade e organização, perdida nos 10 minutos derradeiros, quando chutões e lançamentos passaram a ser a opção ofensiva do time.

Em meio a tudo isso uma fraquíssima partida de Evander, e a certeza de muitos que teríamos na etapa derradeira a óbvia entrada de Fellype Gabriel no lugar do ainda jovem promissor (supondo que Jorginho já esquecera o dito em Juiz de Fora quando justificou a entrada do atleta desde o início do jogo), ou uma grande investida do treinador, com Mateus Vital jogando numa função em que ainda não teve oportunidade no Vasco.

A mexida de Diguinho por Madson, entretanto, foi a ousadia, mas já era a tentativa do conserto de uma má escolha na montagem do banco.

A entrada de Éder Luís no lugar de Evander foi um erro crasso.

O caso daquele que foi um bom ponteiro (extrema, segundo atacante, ou o nome que queiram dar) é a negação de uma realidade.

Não dá mais, por mais que o jogador queira, por mais que se torça, por mais que se elogie a sua volta aos gramados para Éder atuar um tempo inteiro, iniciar uma partida.

A experiência adquirida com anos de futebol, a verve ofensiva e a rapidez em lances curtos podem ser um grande trunfo para o Vasco ainda, desde que seja posto na cabeça do atleta ser ele uma grande opção para o time nos 20 minutos finais de jogo, quando entrará em algumas ocasiões (ou ele ou Caio Monteiro, dependendo do enquadramento da partida) e poderá ser decisivo, como foi diante do Santos na Vila, por exemplo.

A torcida vai entender com o tempo, o atleta vai perceber com o tempo e o trunfo pode ser utilizado para o bem de todos, inclusive do próprio jogador.

Todos ganham e teremos um atleta absolutamente concentrado nisso: em 20 minutos dar tudo e, com certeza, aí sim, mudar jogos, com construções ofensivas, assistências e gols.

O treinador se viu obrigado a tirar Diguinho. Apostou em Madson para abrir o jogo, mas deveria deixar o corredor para o lateral, fazendo com que Pikachu derivasse pelo meio e chamasse a marcação, o que se foi dito não foi feito, mas para a sorte do treinador dois atletas organizavam o Vasco muito bem: Julio dos Santos e Douglas Luiz.

Abra-se um parêntese para dizer que Douglas não é simplesmente um bom jogador, um atleta que toca bem a bola e tal. É um grande nome para o presente e futuro do Vasco. Sabe jogar e deve jogar muito mais.

Correndo do maniqueísmo que muitos textos reproduzem é justo destacar quanto à a escalação do talentoso jogador hoje e a entrada na partida contra o Tupi os méritos irrefutáveis do treinador Jorginho.

A entrada de Douglas, inclusive abriu oportunidade a que Julio Cesar atacasse com mais tranquilidade.

Errou o lateral demasiadamente nos cruzamentos, faltou talvez a ele arriscar mais, invadir a área em lances de fundo e não se desvencilhar da bola em algumas oportunidades, mas sim trabalhá-la melhor.

O setor esquerdo com Douglas ao invés de Andrezinho por ali oportuniza a mais avanços, pois a cobertura é melhor. Mas Julio Cesar, neste novo formato do time (se mantido como foi no primeiro tempo) precisa ganhar uma coisa que ele e Madson perderam: confiança.

São ambos atletas com condição de servirem como válvula de escape do time nas jogadas ofensivas pelas extremas.

O Vasco descontou e partia não para o empate, mas sim para a virada no marcador, o que seria uma grande injeção de ânimo para um grupo muito cobrado (justamente cobrado) atualmente pelo péssimo retorno após a parada do início de agosto. Mas aí Jorginho cometeu seu maior pecado no jogo.

O treinador tirou Julio dos Santos, que organizava de forma inteligente o meio cruzmaltino pelo lado direito, manteve no banco Mateus Vital, Fellype Gabriel e pôs Henrique, que até treina como volante de vez em quando, mas é lateral, não volante, e comprovou isso novamente.

A tentativa, se pensada de que o atleta viesse a se entender com Julio Cesar na lateral, com revezamentos constantes entre meia esquerda e extrema é uma suposição para lá de otimista, lembrando que do lado direito já se tentava, sem sucesso o mesmo.

Por mais incrível que se possa parecer o Vasco jogou 34 minutos com quatro laterais de ofício no time, um meia e três atacantes.

A partir da substituição, o time passou a atuar irremediavelmente desorganizado. Luan tentou, Madson tentou, Éder Luiz foi buscar bolas desde a intermediária do campo defensivo do Vasco, Pikachu foi voluntarioso, Thales (que pesado e sem pique, está jogando sua carreira fora) ficou brigando pela “primeira bola” no alto, Ederson buscou deslocar-se, mas o conjunto se apresentou desfigurado e praticamente inoperante.

Algumas chances foram criadas ainda, mais em bolas paradas, mas apenas pela perseverança de um time completamente desorganizado.

Não tenho a menor dúvida de que o Vasco possui hoje um dos oito melhores elencos do país, possui estrutura, possui comando interno e precisa encara a segundona como de fato ela é: uma competição na qual o clube entra para atropelar e que se tivesse sido planejada pela comissão técnica de forma mais corajosa – após o fim da invencibilidade em junho – poderia ter sido nela dada oportunidade a que nomes de jovens atletas aparecessem mais para o público, atuando regularmente.

Como disse no programa Casaca no Rádio! e repito, poupar os titulares para que atuassem uma vez por semana (seis, sete por jogo ou até mais) e experimentar os reservas, principalmente a base, nos jogos fora, ou ao menos uma vez por semana (caso dois jogos dentro ou dois fora fizessem parte da programação), tudo isso após o fim da invencibilidade histórica do clube (repiso), levaria o treinador a ter boas opções de escalação, a em cada jogo do Vasco disputado no seu estádio haver mais expectativa e presença do torcedor e a se perceber em circunstâncias muitas vezes adversas quais supostos reservas podem ser eventualmente grandes substitutos dos titulares definidos e na ponta da língua da massa vascaína.

Faço esse texto, como tantos outros, no intuito de não só ajudar como demonstrar minha confiança em quem cobro ou critico, dos atletas ao treinador.

Não torço a situação. Tenho plena convicção ser possível para o Vasco no mata-mata não parar no Santos e ter como céu o limite e deixo aqui umas últimas palavras. Que sirvam para algo ou para alguém. Já fico satisfeito com isso.

Quando se tem humildade para internamente admitir erros, perde-se alguma coisa, mas ganha-se o grupo.

Quando se tem coragem para individualmente passar verdades, duras verdades, a insatisfeitos, perde-se o sorriso do atleta momentaneamente, mas ganha-se, muitas vezes, um novo atleta para o futuro, afinal é melhor sorrir vermelho uma vez, do que amarelo sempre.

Quando se tem coerência, perde-se menos e ganha-se mais.

Sérgio Frias

PS: Feliz aniversário, pai.