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Nós vamos voltar a sorrir

Está doendo. Dói de um jeito que não cabe no corpo. Dói na garganta, no peito, na memória. Dói porque acreditamos. Porque sonhamos. Porque, por alguns instantes, vimos o futuro se abrindo diante de nós. E ele se fechou de forma brutal.

O que vivemos no Maracanã não foi apenas uma derrota. Foi um luto coletivo. Foi o silêncio depois do apito final. Foi o choro contido, depois solto. Foi a sensação de ter perdido alguém que faz parte da nossa vida. Alguém da família. Porque o Vasco é isso. Não é um clube apenas. É vínculo, é herança, é identidade, é amor que atravessa gerações e ignora qualquer lógica.

Essa dor não é sinal de fraqueza. Ela é a prova do amor. Só sofre assim quem ama de verdade. Só sente esse vazio quem colocou o Vasco acima de muitas coisas, acima de outros afetos, acima da razão. E nós colocamos. Sempre colocamos.

A noite de domingo ficará marcada para sempre. Talvez como a maior dor que um vascaíno já sentiu. Não apenas pela derrota em si, mas pelo que ela representava. A possibilidade de um título. A chance de uma virada histórica. A sensação de que, finalmente, o caminho estava mudando. Que o peso dos últimos anos estava prestes a ser deixado para trás. Que um portal, tantas vezes fechado, começava a se abrir para a grandeza que sempre foi nossa.

Mas a nossa história nunca foi feita apenas de glórias. Ela também é feita de quedas. De tropeços. De injustiças. De erros. E, paradoxalmente, foi justamente isso que fez o vascaíno amar ainda mais esse clube. Um amor que não se explica, que não se mede, que não se abandona.A derrota de ontem bateu no teto da dor. Foi frustrante. Foi decepcionante. Foi cruel. O torcedor chegou ao limite. Mas a história não termina ali. Ela nunca termina ali.

Agora é o momento mais difícil. É o momento de juntar os cacos. De engolir o choro. De aceitar o luto. De sentir a revolta. De cobrar. De xingar o mundo, se for preciso. Porque dói demais. Porque a expectativa foi gigante e o retorno não veio. Hoje é como o dia seguinte ao enterro. Tudo parece sem cor, sem sentido, sem chão.Mas, mesmo assim, existe algo que não morreu. A certeza.

Não é só esperança. É convicção.Nós vamos voltar.Voltaremos porque a nossa história exige isso. Voltaremos porque um clube que atravessou oceanos, preconceitos, títulos, tragédias e reconstruções não se perde em uma noite, por mais dolorosa que ela seja. Voltaremos porque o Vasco é maior do que os erros, maior do que as derrotas, maior do que qualquer fase.

Um dia, essa ferida ainda aberta será cicatriz. Um dia, vamos lembrar da noite de 21 de dezembro de 2025 e dizer que doeu, mas que valeu a pena continuar. Valeu o choro. Valeu o luto. Valeu o amadurecimento. Valeu não desistir.Hoje é dia de sofrer. Amanhã será dia de resistir. E, mais à frente, será dia de celebrar.

Depois da tempestade, depois desse mar revolto, o Vasco vai se reerguer. E nós estaremos aqui, como sempre estivemos. Firmes. Machucados. Mas leais.Nós vamos voltar a escrever páginas de glória.

Nós vamos voltar a vencer.Nós vamos voltar a ser grandes.Porque o Vasco não morre.E o vascaíno sofre, mas nunca abandona.Nós vamos voltar a sorrir!

Autor: Tiago Scaffo e a Imensa Torcida Vascaína

Das Tempestades ao Porto da Glória

Há 30 anos, eu ainda não sabia quem eu era, nem o tamanho do amor que caberia dentro do meu peito. Eu era apenas uma criança, caminhando sem mapa, sem rota, sem porto seguro. Foi então que eu te vivi, Vasco, e desde aquele instante passei a atravessar mares ao teu lado. Vivi alegrias que iluminaram dias, dores que me ensinaram a resistir, esperas que me moldaram a alma, quedas que me fortaleceram as pernas. Dizem que o amor pelo Vasco não mudou. Mudou, sim. Cresceu como crescem as coisas eternas, no silêncio, na luta, na persistência. Hoje ele é maior, mais consciente, mais profundo, mais indestrutível do que jamais foi.

Agora faltam apenas dois jogos. E acreditar nunca foi escolha, sempre foi destino. Acreditar é o nosso idioma, a nossa herança, a nossa forma de existir. Porque, se Vasco da Gama não tivesse desafiado o Cabo da Boa Esperança, o mundo não teria se aberto em novas rotas. Não carregamos apenas um nome, carregamos a coragem de quem enfrenta o desconhecido e segue em frente.

O que pulsa hoje no coração vascaíno é resposta. Uma resposta escrita com suor, com fé, com memória. Resposta a quem tentou nos diminuir, a quem ousou nos chamar de pequenos, a quem quis apagar nossa grandeza com palavras vazias. Tentaram nos igualar ao que nunca fomos, tentaram rebaixar nossa história ao nível do comum. Mas o Vasco não é comum. O Vasco construiu. O Vasco conquistou. O Vasco deixou marcas que o tempo não apaga.

O Vasco é mais do que um clube grande. É origem, é valor, é causa. É um celeiro de ídolos que não cabem em listas curtas, ídolos que atravessam gerações como faróis acesos no nevoeiro. Ontem, o vascaíno viveu uma noite que não cabe no calendário. Houve um momento em que tudo silenciou, e só restou a fé. E ninguém conhece melhor a fé do que aquele que aprendeu a acreditar quando o mundo inteiro já havia desistido.

O Vasco tem uma sede. Uma sede que não se contenta com títulos apenas. Ela vive em São Januário, mas mora, sobretudo, dentro de cada vascaíno. É chama que não se apaga, raiz que não se arranca, voz que não se cala. O verdadeiro vascaíno não abandona. Não negocia. Não esquece. Porque o Vasco não é circunstância, é identidade. Foi forjado na dificuldade, moldado na adversidade, lapidado na dor. Nada nunca foi simples, e por isso mesmo, tudo o que ele conquista carrega peso, verdade e grandeza.

E ainda assim, ou exatamente por isso, o Vasco sempre segue. Nossa história é feita de glórias e tempestades, de vitórias e noites longas. Nunca prometeram mares calmos, mas sim a certeza da travessia. O Vasco é um almirante histórico, e quem carrega esse nome aprende a enfrentar o vento, a onda, o escuro. Mas aprende, sobretudo, a chegar.

O barco balança. A caravela range. O oceano testa a coragem. As adversidades se acumulam como nuvens pesadas. Mas há uma certeza que atravessa tudo, nós vamos superar. Vamos vencer. Vamos alcançar o destino. E o nosso destino sempre foi a glória.

Em algum ponto do universo, esse caminho já está traçado. Porque ninguém apequena o que nasceu gigante. Ninguém apaga o que foi escrito com coragem. O Vasco nasceu grande pela sua história, pelas suas conquistas, pelas lutas que escolheu travar, pela forma como encara cada batalha, pela maneira como se reconstrói quando tentam derrubá-lo.

O Vasco da Gama é um colosso. Não é apenas esporte, é humanidade. É gesto, é posição, é legado. Contribuiu para o futebol, para a sociedade, para a dignidade. E isso não se apaga. E como diz a brilhante frase: “Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal”.

A vitória de ontem não foi apenas um placar. Foi um sinal. Um aviso. Mostra que o tempo não vence quem sabe esperar, que a dor não derrota quem sabe resistir. Mesmo que leve quatorze anos, nós voltamos. Sempre voltamos.

Pode vir o mar que for. A caravela pode balançar, mas não afunda. Ele segue. E quando enfim tocarmos o Porto da Glória, vamos comemorar como só nós sabemos, intensos, apaixonados, vivos demais. Porque ninguém ama como o vascaíno ama o Vasco.

Saudações Vascaínas!
Seremos campeões! 💢🏆

GIGANTE POR NATUREZA, ETERNO POR PAIXÃO! – Vasco x Botafogo – Copa do Brasil 2025

GIGANTE POR NATUREZA, ETERNO POR PAIXÃO!

Na noite de quinta-feira, 11 de setembro, no Estádio Olímpico Nilton Santos, o Vasco escreveu mais uma página de sua história de resistência. Empatou em 1 a 1 contra o Botafogo no tempo normal e, nos pênaltis, venceu por 5 a 3, garantindo a classificação à semifinal da Copa do Brasil. Um feito que muitos não acreditavam ser possível, mas que mostrou, mais uma vez, a essência vascaína: lutar contra tudo e contra todos, surpreender quando parece impossível e renascer quando tentam nos enterrar.

Esse Vasco que vimos em campo é o retrato fiel de um clube que, mesmo em meio a crises financeiras, disputas políticas e tantos percalços nos últimos anos, nunca deixou de carregar consigo a chama da grandeza. Porque o Vasco não é pequeno, nunca foi e jamais será. O Vasco não nasceu para discursos de coitadismo, não nasceu para se colocar abaixo de ninguém. O Vasco é gigante, tem a história mais linda do futebol mundial e precisa sempre se impor como tal.

A áurea vascaína é feita de glórias, de momentos épicos, de uma trajetória que rompe fronteiras e inspira gerações. Mas, acima de tudo, ela é feita de seu torcedor. O vascaíno é diferente. Enquanto muitos clubes fazem sua torcida, no caso do Vasco é a torcida que faz o clube. É ela que sustenta, que dá vida, que empurra mesmo nas horas mais duras. É essa massa apaixonada que transforma o impossível em realidade, que abraça todas as causas do clube com amor incondicional.

Ser Vasco é viver uma filosofia, não apenas carregar uma bandeira. É sentir a alma de um clube que resiste, que cai e se levanta, que tropeça mas nunca desiste, porque tem milhões de corações pulsando ao seu lado. O Vasco é imortal porque seu torcedor é imortal. O Vasco é eterno porque o amor do vascaíno é eterno.

E é por isso que, diante de cada vitória como essa, diante de cada classificação improvável, somos lembrados de que acreditar no Vasco nunca é em vão. Porque o Vasco sempre pode ir além, sempre pode surpreender, sempre pode ressurgir maior do que antes. O Vasco é um colosso mundial, um clube que carrega dentro de si uma verdade simples e poderosa: a vascainidade vive. E enquanto houver vascaínos, o Vasco sempre renascerá.

O Vasco não é só um clube, o Vasco é alma, é paixão, é vida. O Vasco é o coração de milhões que batem juntos e gritam em uníssono: contra tudo e contra todos, nós somos Vasco, e jamais deixaremos de acreditar!

Acorda, Pedrinho! Que o Vasco Tem Campeonato

Após a goleada do último sábado em São Januário sobre o São Paulo, o torcedor vascaíno tem motivos para vislumbrar um campeonato mais tranquilo. Porém, é preciso que o Presidente Pedro Paulo entenda o que realmente aconteceu. Não foi apenas uma vitória de 3 pontos, foi a vitória do verdadeiro Vasco da Gama, um clube historicamente com alma!

Essa alma foi refletida nas jogadas e no gol de Estrella de Paiva, atleta que veio da base e não se intimidou diante do adversário e da adversidade do momento do clube na competição. A brilhante e valente partida do Vasco me fez lembrar outro confronto, no último ano em que o Vasco foi bem-sucedido no Brasileirão, em 2017 contra o Atlético-MG no Estádio Independência. Naquela ocasião, o treinador Milton Mendes escalou um jovem atleta chamado Paulinho, em sua primeira partida como titular no time profissional, e ele marcou duas vezes, sendo o atleta mais jovem a marcar pelo Brasileirão até então. Assim, fazendo com que o Vasco fosse vitorioso com os 2×1 e, mais adiante, conquistasse a vaga na Libertadores, objetivo explicitado pelo presidente Eurico Miranda e conquistado, fazendo mais uma vez valer a sua palavra.

Estrella não foi uma aposta, mas sim o resultado de um trabalho de quem conhece o dia a dia do clube, que vive e entende que os atletas da base têm muito a entregar. Agora, como no hit que fez sucesso recentemente, o Pedrinho precisa acordar e entender que o Vasco tem um campeonato para jogar. As soluções, como sabemos, estão em casa, em quem tem consciência do que a Cruz de Malta representa. E isso serve tanto para atletas quanto para dirigentes.

Coluna do torcedor: Gigante desconhecido no clássico dos milhões

Valor do jogo? 3 pontos. Mas o estrago deixado por esse placar é o reflexo da destruição do clube e da imagem do mesmo.

O Vasco, através do Eurico, sempre valorizou o embate contra o Flamengo e isso ajudou a formar inúmeros outros vascaínos.

Sempre foi o “nós” contra “eles”, o sistema!

A destruição da imagem do Vasco nesse clássico vem sendo plantada há um bom tempo nos últimos anos. Só foi diferente no período de 2015-2017, quando o Vasco foi superior que todos os seus rivais do Rio, inclusive o Flamengo.

Dizem para confiar no processo… No atual Vasco, o processo é de desconstrução!

Um Vasco sem voz e sem alma

O ano era 2017, o Vasco havia eliminado o Flamengo em anos anteriores na Copa do Brasil em 2015, com o placar agregado de 2×1, e nas semifinais dos Campeonatos Cariocas de 2015 e 2016, períodos em que o Vasco foi bicampeão da competição. Com esse cenário, o Vasco iria disputar uma partida do Campeonato Brasileiro daquele ano contra seu rival no estádio de São Januário, algo não muito comum no histórico dos clássicos no século XXI.

Em uma partida muito disputada do início ao fim, o Vasco acabou sendo superado pelo placar de 1×0. O gol da partida foi marcado por Everton Ribeiro, e o rival voltava a vencer uma partida em São Januário após um longo jejum de 44 anos. Porém, apesar da derrota, o Vasco ocupava a 6ª colocação no campeonato e disputava uma vaga direta na Libertadores.

Mas, era ano eleitoral e a torcida, inflamada pela imprensa e por agentes políticos que ocupam cargos em bancadas esportivas, como Edmundo, por exemplo, resolveu se revoltar contra o presidente. Um grande quebra-quebra foi promovido por um pequeno grupo de torcedores. A polícia, despreparada, lançou indiscriminadamente bombas de gás nas arquibancadas.

Após a confusão, o então presidente Eurico Miranda convocou uma entrevista coletiva. Um jornalista da Globo, Carlos Gil, entrou em um link no Sportv e disse que o presidente estava, segundo ele, querendo escolher quem poderia perguntar, etc.

O presidente prontamente desmentiu e fez um pronunciamento de mais de 20 minutos sobre o caso, inclusive respondendo a perguntas dos jornalistas.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Ministério Público (MP) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pediram a interdição do estádio. O Vasco, que vislumbrava uma vaga na Libertadores, passou a ser prejudicado com a perda de 6 mandos de campo.

Bem, na última semana, já em 2023, o Vasco passou por uma situação semelhante, embora com um contexto diferente. Não havia pressão em relação ao presidente e aos dirigentes eleitos. Com uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) constituída e uma empresa “americana” no poder.

Após toda a confusão, não houve nenhuma fala, nota ou pronunciamento. O Vasco permaneceu em silêncio, representando um vazio. Uma ausência de representatividade nunca antes vista na história do Clube. Ninguém saiu em defesa dos atletas. Ninguém saiu em defesa do histórico Estádio de São Januário. Nenhum jornalista questionou ou entrou em link.
O sinal é claro, querem que São Januário leve a culpa pelos erros administrativos da atual gestão, que por sinal é a pior da história. O objetivo? Sucatear ao máximo um estádio quase centenário e entregá-lo para a iniciativa privada. Com isso, a omissão proposital de Jorge Salgado e Cia (roxos e amarelos) gerará novamente um clamor por interventores externos e a ideia de “única saída”.

O Vasco precisa voltar a ter alma!

NÃO EXISTE CLUBE DO POVO COM UM DONO

NÃO EXISTE CLUBE DO POVO COM UM DONO
Por: Leandro Fontes

Domingo, 7 de agosto de 2022, um dia que pode ser um divisor de águas na história do Club de Regatas Vasco da Gama. A Assembleia Geral Extraordinária, que reunirá sócios estatutários, irá decidir se o clube vende ou não 70% da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) para a empresa norte-americano 777 Partners. Isso significa, caso a venda seja aprovada, que o controle do futebol e da maior receita do clube não estará com vascaínos, mas, sim, com a 777. O Vasco, segundo o contrato, terá participação na SAF como ente minoritário, de sete cadeiras, somente duas serão ocupadas por membros do clube. Portanto, a empresa ianque terá maioria folgada nas decisões e irá controlar o caixa.

A crise do Vasco, que teve sua eclosão no rebaixamento de 2008 e se estende até o momento (com poucos respiros nesse duro percurso), leva vascaínos de boa fé apostaram todas as fichas na venda do clube, acreditando que uma empresa saberá gerir o Vasco melhor que os associados do próprio clube. Porém, há aqueles que apresentam a venda de modo acrítico que são parte do problema estrutural do Vasco. Isto é, o futebol do clube não está indo a um leilão. Pelo contrário, a proposta de venda, tendo aparente exclusividade com a 777, foi montada e operada pela administração Salgado que conserva os piores resultados esportivos em todos os tempos. Ou seja, o futebol do Vasco está sendo vendido por incompetentes incontestes que lutaram na justiça para assumir o clube e não tinham em sua plataforma de campanha a proposta da venda.

Entretanto, o dado concreto é que parte da torcida foi ganha para a ideia da SAF “salvadora da pátria”. Todavia, não existe garantia alguma que o Vasco comandado pelos norte-americanos será vencedor. O recente rebaixamento do Genoa da Itália, administrado pela 777 Partners, é apenas um exemplo. A administração Salgado, por sua vez, deixou o Vasco em 10º lugar na Série B de 2021, tendo a maior receita de todos os clubes na competição. De tal maneira, a SAF Vasco irá reunir sete representantes de fracassos robustos no futebol. Quer dizer, mesmo com mais dinheiro circulando (em tese), se não houver competência e uma boa dose de vascainísmo, dificilmente o Vasco “novo” se aproxima dos resultados do “velho” Vasco imbatível.

Outro elemento precisa ser levado em conta, já que um dos argumentos pela venda é a superação dos políticos do clube por uma gestão “moderna, técnica e profissional”. Esse foi um dos argumentos para a contratação de Alexandre Pássaro para o cargo de diretor executivo do futebol profissional (nome inocente para a função de VP de Futebol). Para além da arrogância e ausência de identidade com o clube, o saldo “técnico” foi o maior vexame da história vascaína. De tal forma, não há garantias que a governança do futebol do clube seja tocada por profissionais competentes e conhecedores do assunto. Aliás, tal segurança sequer existe no mundo dos negócios empresariais, não é à toa que empresas quebram todos os dias.

Todas essas ponderações indicam que o Vasco deve fechar as portas para parcerias? Evidentemente que não, o clube teve seu último período de ouro com o Bank of America e sua história está repleta de notáveis vascaínos que contribuíram como mecenas para o clube. Mas, não só. O Vasco possui um ativo poderoso que deve ser mais bem explorado como parceria perene: sua torcida. A torcida cruzmaltina se revelou nos últimos quinze anos como a torcida mais fiel e engajada do Brasil. Por isso, deve ser vista com um olhar estratégico como os pioneiros da construção de nosso clube enxergaram. Aliás, a ideia de associação e democratização dos clubes, proposta antítese da SAF, era agitada como uma válvula progressiva para os clubes brasileiros.

Nada disso é utópico, pelo contrário, nenhum clube brasileiro que está despontando nas competições e ganhando títulos possuem SAF. Por exemplo: Atlético Mineiro, Palmeiras e Flamengo são administrados por “amadores” do quadro social dessas agremiações. Todos, em maior ou menor medida, possuem dívidas. Portanto, por que a SAF é “salvação da pátria” no escuro? Porque os norte-americanos estão prometendo 700 milhões em três anos? O Vasco, com todo seu potencial e pujança, se aproximando do centenário do título histórico dos Camisas Negras e da Resposta Histórica, não tinha condições de levantar recursos com campanhas massivas de marketing, conectando personalidades vascaínas da mídia e regressando para a Série A do Brasileiro? A negação consciente de caminhos alternativos para a manutenção do futebol do Vasco com o Vasco não me parece prudente.

Por fim, é preciso dizer o óbvio: não existe clube do povo com um dono. O regime de uma empresa é radicalmente mais antidemocrático do que o regime associativo. Isso significa que o voto “sim” pela SAF é de mudança da natureza do Vasco. Mesmo que haja cláusulas contratuais preservando elementos do passado, o fato é que o Vasco será distinto em suas moléculas dos últimos quinze anos, mas, também, do Vasco grandioso de Cândido José de Araújo, José Augusto Prestes, Raul da Silva Campos, Antônio de Almeida Pinho e Ciro Aranha. Contudo, o sucesso da SAF não é garantido. Por isso, entre uma empresa norte-americana afiançada pela pior gestão da história do clube e as raízes do Vasco, fico com as raízes. Não por dogma do passado, mas por estar convencido que não há futuro para o Vasco liquidando as bases estruturais do verdadeiro clube do povo. Por isso, votarei não à SAF.

LEANDRO FONTES

Sobre Rodrigo Capelo e a propaganda pró-SAF no Vasco do programa Redação Sportv no dia 15 de Março

Que retórica pobre!

Ele faz afirmações falsas para defender a implantação da S.A.F. no Vasco. O Vasco é uma associação civil sem fins lucrativos, como são todos os outros clubes. No presente caso o ‘menino’ que fala não está atuando como jornalista, mas como propagandista de uma ideia, fazendo afirmações falsas, e usando o método da lacração.

Toda entidade tem as representações. O que ele diz sobre a ideia de ser dono, pode ser aplicado a qualquer clube, um simples torcedor do flamengo, do fluminense, do palmeiras, pode ser sentir dono do clube, mas qualquer clube é uma entidade diferente dos seus torcedores, de seus associados e seus dirigentes. Como ocorre com qualquer entidade criada de acordo com a legislação.

Ele nem procurou saber sobre a natureza das associações civis sem fins lucrativos e a diferença de entidades empresariais.

Também desinforma quando imputa aos Beneméritos um papel que eles não têm.
Ele deve se sentir dono da globo, ele deve ser desse tipo de empregado que nem sabe que é empregado. Será que a globo mandou ele falar em defesa da globo? Normalmente, a globo poderia fazer um editorial colocando a posição dela. Mas, ele tinha no ataque de lacração de incluir a adulação ao patrão.

A transformação do clube em S.A.F. faz o clube perder seu maior ativo e passa tal ativo para uma empresa.

A S.A.F. SUCEDE o clube:

“I – a Sociedade Anônima do Futebol sucede obrigatoriamente o clube ou pessoa jurídica original nas relações com as entidades de administração, bem como nas relações contratuais, de qualquer natureza, com atletas profissionais do futebol.”

Será que ele entende o que significa suceder?

Em relação à falência, também fica demonstrado que quem faz a guerrilha é ele, usando um meio de comunicação que atinge muito mais gente do que um panfleto.
Vejamos a quem a lei de falência se dirige:

“Art. 1º Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor.”

No momento o Vasco não é empresário, nem é uma sociedade empresária.

Então, quem está desinformando é esse senhor.

Acho que o patrão dele deveria determinar que ele corrigisse as desinformações que ele passou só pra lacrar e permitir o direito de resposta para quem foi ofendido.

Que a S.A.F. vá pra o flamengo.

+ + +

Por: João de Campos Gomes
Sócio do Vasco e Advogado

A proposta da Globo e consortes para o futebol brasileiro

Um clube deve receber financiamento superior a todos os demais, inclusive aquele advindo de nosso caixa. Este deve ser o time nacional. A marca brasileira. O “modelo de gestão”. Mas um modelo que, a despeito da propaganda em contrário que fazemos, não deve e não pode ser seguido, a começar pela disparidade oceânica entre as verbas destinadas por nós ao time nacional e aos demais clubes. Outros dois ou três clubes, com financiamentos “artificiais” (leia-se, mecenato ou tudo aquilo que escapa ao tal modelo do tal clube que priorizamos) devem fazer o papel de coadjuvantes, de modo que haja chances eventuais e quase sempre improváveis do time nacional não sagrar-se campeão, valorizando, assim, nossos produtos, os campeonatos. Os outros times todos devem imediatamente tornarem-se empresas, de modo que uma gestão “racional” possa não só propiciar lucros aos seus proprietários, como também fazer-lhes entender de uma vez por todas o seu lugar de figurantes, de luxo ou não, nos campeonatos, o que lhes fará empresarialmente compreender que tentativas de disputar títulos não são senão loucuras keynesianas que não trarão nada mais que frustrações, endividamentos e novos rebaixamentos.

Esta é a proposta, em parte dita, em parte revelada, da Globo e consortes para o futebol brasileiro. É isso o que ela diz, mesmo sem dizê-lo no todo. Não à toa, hoje ela “disponibilizou” um de seus ideólogos sapatênis para o ex-Botafogo de Futebol e Regatas, e particularmente acharia até justo se ela arcasse ao menos em parte com o seu salário, afinal, propaganda também requer investimento, e pode trazer retorno.

Quanto às histórias centenárias desses clubes e as imcomensuráveis paixões de seus torcedores de várias gerações, são questões que devem ser o quanto antes diluídas nas “águas gélidas do cálculo egoísta”, para citarmos aqui dois alemães de antanho.

É preciso resistir. Antes que o que resta de futebol acabe. Pra sempre.

Felipe Demier

São Januário Território Fértil

Coluna do Torcedor – Autor: Leonardo Cabral, sócio do Vasco.

A região portuária da Cidade do Rio de Janeiro precisa de expansão e, nos últimos anos, grupos internacionais e nacionais estão comprando casas, sobrados, apartamentos, lojas, prédios, galpões, fábricas e terrenos próximos do Porto (Centro, São Cristóvão e Caju). Detalhe, eles compram e fecham. É um processo lento que vai aos poucos degradando e desvalorizando tudo no entorno para comprarem barato.

Aquilo que alguns Vascaínos chamam de “Território Hostil” é, na verdade, uma mina de ouro. Estamos falando de uma região estratégica para as grandes empresas que investem bilhões no COMÉRCIO EXTERIOR. O Brasil é o celeiro do mundo e cada vez mais a população irá crescer e consumir os nossos alimentos. Atualmente, os Portos de Santos/SP, Paranaguá/PR e Itajaí/SC não conseguem mais atender a demanda para exportar as nossas COMMODITIES: Soja, Café, Laranja, Milho, Trigo, Açúcar, Algodão. O Porto do Rio de Janeiro, que se concentra na EXPORTAÇÃO de Óleo Bruto de Petróleo (Materiais Betuminosos) e Produtos Semimanufaturados de Ferro e Aço, está de olho nessa fatia bilionária do Agronegócio, mas, para isso, precisarão de mais espaço para os Caminhões, Vagões, Contêineres e Armazéns para estocar e embarcar os Grãos.

Aqueles que duvidam dessa “teoria” precisam entender que o São Cristóvão F.R. levou toda a sua Administração para Ramos (Complexo da Maré) e, até hoje, ninguém sabe o real motivo dessa mudança. O estádio da Rua Figueira de Melo está largado. Foi o VASCO que em 2020 teve que fazer melhorias no gramado para poder realizar uma mini pré-temporada. Os Empresários não agem sozinhos na tal “ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA”. Sempre surge um Político querendo levar o Pavilhão de São Cristóvão (Feira dos Nordestinos) e a Rodoviária Novo Rio para outro lugar. Desde 2005 o Gasômetro está desativado e sucateado; existia uma grande área destinada ao crescimento do Cemitério do Caju que foi abortada; as obras do BRT que passariam no vão central da Avenida Brasil entre o Caju e São Cristóvão nunca terminam e bilhões já foram gastos.

Portanto, senhoras e senhores, algo já está acontecendo nessa Terra Fértil. Existem pessoas importantes dentro do Vasco com informações privilegiadas. O que de fato essa gente quer fazer com SÃO JANUÁRIO? Durante toda a campanha, a CHAPA MAIS VASCO disse que iria dar continuidade ao projeto da WTorre que foi aprovada pelo Conselho, e por isso mantiverem o VP de Obras, Pedro Seixas. Agora a conversa é outra. Levaram toda a Administração do Clube para a Praça XV no Centro (1 ano, 2, anos, 3 anos, ninguém sabe), alegando que o nosso estádio precisa de Obras Estruturais. Ou seja, vão reformar para depois demolir ou de fato vão iniciar as Obras de modernização e ampliação para 45 mil lugares? Será que farão o mesmo que estão fazendo com a Sede do Calabouço? Vão fechar, deteriorar, desvalorizar para depois vender? Enquanto isso, o VASCO vai pagar aluguel para jogar no Maracanã? Ninguém sabe nos informar. Tudo no atual VASCO é um mistério. Mas, nós estamos de olho!

LEONARDO CABRAL
Sócio do Vasco