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Cobranças

Acompanho futebol há cerca de 40 anos.

Não me lembro de ter visto manifestações tão contundentes a respeito de treinador da base, em todo esse período, numa circunstância tão peculiar como vimos e que há de ser pontuada, retratada e cobrada intramuros.

O caso do treinador Rodney Gonçalves para mim só não é espantoso porque essa gente, banhada pelo ódio, pelo despeito e pelo oportunismo, age assim por vocação: o nível é péssimo, o Vasco secundário e as manifestações típicas de quem se esconde por detrás de um grupo para caluniar e fazer insinuações torpes a profissionais do clube que tem história no Vasco, um hábito “muviano”, ora travestido de amarelo.

O Vasco tomou de 5 x 0 do Fluminense no Sub 20 e isso foi uma vergonha, alicerçado também pelo fato de o time ter largado o jogo quando tomava de três, levando dois gols próximo no fim.

Incrível ninguém ter comentado ainda que o time do Andrey tomou de 5 x 0, o time do Evander tomou de 5 x 0, o time do Mateus Vital tomou de 5 x 0, o time do Mateus Indio tomou de 5 x 0, o time do Caio Monteiro tomou de 5 x 0. Todos atletas que atuaram na equipe de cima este ano ou estão próximos disso.

E não me venham com o papo de que faltou entrosamento. Do meio para frente são cinco atletas os quais atuam ou atuaram juntos. Faltou a eles sim comprometerem-se com o jogo. Recomporem, marcarem, irem com sangue nos olhos a cada jogada, disputá-las, sentirem no gol adversário a vontade de reagir, retrucar, suar a camisa do Vasco, clube que lhes paga e ao qual devem ser todos muito agradecidos pelo tratamento proporcionado.

O que houve, de fato? Individualmente o Vasco possui ainda outros nomes de destaque, como o lateral Allan Cardoso, o zagueiro Lucas Barboza, autor do gol da vitória sobre o Flamengo no turno, o centroavante Hugo Borges, e por aí vai.

A derrota para eles passa como um acaso? Há algum problema de que um atleta eventualmente aproveitado no time de cima venha a participar com outros companheiros do Sub 20 e atuar com destaque? Não são todos profissionais? Por outro lado, o salário é diminuído quando um atleta já aproveitado em cima volta a atuar na categoria?

Discutamos, é claro, o trabalho de A ou B, porque numa derrota dessas muito há de se conversar para não repeti-la no futuro, mas a grande questão, a ampla questão está diretamente relacionada a dificuldade de hoje se cobrar a harmonização dos atletas partícipes regularmente do elenco, com aqueles que atuavam antes de um jogo decisivo. A vitória é de todos e a derrota idem.

Há de se valorizar a chegada dos que atuam em cima e vêm para ajudar, bem como dos outros componentes do plantel. A união faz a força, mas a desunião azeda o caldo.

O treinador Rodney Gonçalves não é um paraquedista no Vasco. Numa categoria abaixo, ainda em 2008, foi Campeão da Copa do Brasil Sub 17, vencendo o Santos de Neymar por 2 x 1 na decisão. Essa mesma turma, pelo mesmo motivo de agora, ódio a Eurico Miranda e a qualquer um que tenha relação direta ou indireta com ele, seus filhos, etc… o demitiu no dia seguinte e foi reverberado nas mídias situacionistas da época uma satisfação com isso.

O desprezível contingente nada mais faz que, independentemente de qualquer resultado, procurar algo possível para lançar diatribes contra a administração.

O centroavante do Fluminense, decisivo no jogo, treinava em cima, desceu e definiu, como já vimos no passado ocorrer com Roberto Dinamite, Geovani, Valdir, Jardel, entre outros exemplos. A arma é utilizada por todos, mesmo porque a obviedade de se tornar mais forte um time com a possibilidade de utilização do que se possui de melhor é quase um axioma.

Não acho razoável para o futuro dos atletas de base do Vasco ficarem protegidos, enquanto se queima o treinador, após um vexame proporcionado por eles em campo. É assim que pretendem se destacar em suas carreiras? Ora, o Vasco largou o jogo no fim, quando perdia por 3 x 0. Foi o treinador quem mandou largar?

Como justificar que uma linha de frente formada por Índio, Mateus Vital, Evander e Caio Monteiro, contando ainda com a ligação de Andrey no meio, não tenha feito nada de relevante em campo? Não se comprometeram com o jogo? E os outros do time? Não podem cobrar no gramado denodo, vergonha na cara e comprometimento dos companheiros? Não podem dar de si também em dobro num jogo de mata-mata?

Nada justifica a ridícula atuação do Vasco contra o Fluminense nas Laranjeiras. Mesmo que o treinador tivesse escalado o Caio Monteiro no gol e o goleiro Júnior Souza de centroavante. Todos precisam ser cobrados e, claro, a direção do Vasco deve fazê-lo.

Finalmente, sobre o tio de Rodney Gonçalves, Nilson Gonçalves, com décadas de trabalho no Vasco e também na CBF, faltou respeito a ele e sobrou leviandade. Nada diferente daquilo que se vê no grupo amarelo. A frustração é total não com as derrotas nos juniores, que quase ninguém do bando acompanha. O melhor caminho é mesmo chorarem suas mágoas com os rubro-negros. Não nos esqueçamos da ausência de uma linha sequer desse grupo após a vitória contra o Flamengo, que levou o Vasco à finalíssima do estadual em 2015. Algo absolutamente simbólico.

Sérgio Frias

Prazer, eu sou o “Bovino”

Eu me finjo de imparcial, mas só critico o Eurico.

Eu cobro coerência nos argumentos dos “Euriquistas”, mas eu não sou coerente.

Eu cobro contratações de peso, mas não sou sócio e não serei um sócio torcedor em dia com as minhas mensalidades. Ou farei isso, desde que o time vença, seja campeão, dê olé. Não penso no clube por extensão, mas em mim mesmo e no meu próprio umbigo.

Eu cobro um timaço de futebol porque para mim o Vasco só serve como um time que me alegra quando estou triste, e que me proporciona poder zoar os outros. Aliás quando o Vasco perde eu acho um jeito de fingir que a derrota não me pertence. Ela é única e exclusiva do Eurico.

Eu cobro transparência nas contas, mas na época do Dinamite eu dizia que aquela “diretoria” não podia “dar armas” para o Eurico.

Eu disse que cair era bom para reestruturar o Vasco na gestão anterior, mas hoje, a despeito dos avanços administrativos e patrimoniais do Vasco, eu rebato tudo com “Eurico rebaixou o Vasco”.

Eu peço respeito aos oposicionistas que vão ao Vasco, mas me regozijei quando tomei conhecimento através da “mídia imparcial” de que o Eurico, na qualidade de presidente do Conselho de Beneméritos, teria sido “barrado” na secretaria do clube, após assumir o cargo (eleito com o dobro dos votos do candidato do Calçada) em 2010.

Eu dizia que o Vasco era prejudicado nas arbitragens por causa da “prepotência e arrogância” do Eurico; mas quando o Dinamite entrou e o mesmo acontecia, isto ocorria “porque Eurico mandava na FFERJ, na CBF e no Vaticano”.  Ano passado, quando o Vasco foi indecentemente  prejudicado pelas arbitragens ( o maior garfo da história do clube em Campeonatos Brasileiros) eu dsse que a culpa é do Eurico por ter contratado o Celso Roth.

Eu apoiei Roberto Dinamite porque não queria mais ser “vice, e dizia que tais vices eram culpa do Eurico; mas não desconheço que com Eurico no comando do futebol ou do clube o Vasco foi mais vezes campeão do que vice e em 14 das taças que ganhei (foram 49 no total em quase 24 anos) o Flamengo, rei dos vices (para meu desespero ruminante) ficou no seu devido lugar em relação ao Vasco.

Com Dinamite, devidamente apoiado politicamente por Calçada e afins, curti cinco vices e um campeonato, me tornei freguês do Botafogo e, em decisões, de todos os grandes. Colecionei 3 vitórias em 22 jogos contra o Flamengo e vi meu time perder 10 vezes para o rival. Meu desespero diante dos números obtidos por Eurico no Vasco, só não me enlouqueceram mais ainda porque criei um método para apagar isso, dizendo que o Campeonato Carioca não vale nada. Só valia para mim quando o Flamengo era campeão em cima do Vasco. Do Vasco gerido pelo Eurico, claro.

Sou meio cara de pau. Atribuo por exemplo as derrotas de 1999 e 2000 no Carioca a Eurico, mas o título do Centenário eu ponho na conta do Calçada, a quem chamo de “melhor presidente da história do Vasco”. Na verdade me embanano todo (termo adequado a mim), pois sei que quem montava os times era o Eurico, quem tinha obrigação de pagar era o Calçada, presidente do clube, mas quem conseguia contratos vantajosos para o clube, como o assinado com o Nations Bank era o próprio Eurico, à época deputado federal, deputado do Vasco como ele dizia e eu abominava.

Fico num mato sem alfafa, tentando elevar quem sem Eurico pouco arrumou no Vasco e com Eurico tomando a frente de tudo pôde enfim fazer parte das conquistas.

Em cerca de 40 anos sem Eurico no Vasco o pobre Calçada (várias vezes, vários anos vice de futebol, eminência parda no clube e ainda por três temporadas presidente) viu seu clube conquistar sete títulos de expressão (tenho irremediavelmente que valorizar o Campeonato Carioca agora). Eurico em quase 24 anos já mais que dobrou o número de títulos. Foram 15 oficiais, desde estaduais, e ainda fez reconhecer o de Campeão Sul-Americano de 1948, em 1996.

E lembrar que com Calçada na presidência, em 1983, o Vasco não se classificou para a primeira divisão do Brasileiro, pois conseguiu a façanha de terminar em sétimo no Campeonato Carioca (afinal valia ou não?) disputado em turno e returno, contabilizando o clube na ocasião simplesmente 8 derrotas, 8 empates e apenas 6 vitórias em 22 jogos. Não fosse o convite da CBF nós disputaríamos a Taça de Prata em 1984.

Curioso que costumo falar sobre a pior campanha em Campeonatos Cariocas da história do clube citando 2006 (aquele ano valia), quando o Vasco venceu 4 partidas, empatou 4 e perdeu apenas três. Um campeonato mais do que enxuto com apenas 11 jogos na fase de classificação (5 num turno e 6 no outro).

Na ocasião, o clube somou o mesmo número de pontos que o campeão Botafogo na fase regular e mais dois pontos que o vice-campeão daquele ano, Madureira, além de ter ficado na frente do Flamengo e terminado também com o mesmo número de pontos que o Fluminense na competição. Não importa. Mesmo sabendo que faltaram apenas dois pontos em cada turno para o Vasco ir às finais, a conjuntura que levou o clube à nona colocação por força do regulamento sobrepõe ao bom senso, algo aliás deixado por mim lá no início do pasto há mais de 10 anos.

Mas, continuando:

Eu digo que os “Euriquistas” colocam o Eurico acima do Vasco, mas para mim qualquer candidato é bom desde que não seja o Eurico. Ou seja, eu coloco a minha aversão ao Eurico acima do Vasco.

Como já disse nesse texto, sou cara de pau nato. Eurico ganhou do meu candidato com 1.200 votos de diferença. Uma vitória incontestável e acachapante. Eu cobrava legalidade nas eleições, porque segundo meu conhecer político do clube Eurico só ganhava uma eleição, se fosse fraudada.

Durante o processo político motivei meu gado a acreditar que não eram eleitores os que tinham nome registrado, matrícula, mensalidades pagas. Do alto do meu devaneio os tratei como “fantasmas”. Precisava vê-los para ter certeza. Não era possível depois de todo o meu esforço em denegrir Eurico Miranda, o histórico da sua trajetória pelo clube e até mesmo ferir a história do Vasco em função da minha doença patológica, eu, o bovino, simplesmente não tivesse sido levado a sério.

Tentei partir para a ignorância (sindicância), usando o estatuto e burlando-o ao mesmo tempo. Fiz os administradores correrem riscos de uma enxurrada de ações contra si próprios e não simplesmente contra o Vasco por abuso de poder ou de idiotice, mas me mantive firme. Alfafa a tiracolo busquei impedir o direito de 3.000 sócios votarem (cerca de 1/3 deste pessoal favorável ao voto no ódio ao Eurico, diga-se de passagem).

Não deu certo. Parti para torcer pelo adiamento das eleições, a fim de garantir um segundo lugar, apostando que o discurso do ódio prevaleceria contra qualquer projeto de Eurico Miranda ou de um adversário dele em benefício do Vasco. Fiquei animado novamente quando soube que haveria um recadastramento de sócios no clube. De volta a vã esperança de que se pudesse impedir a vitória esmagadora do meu totem nas eleições.

Como sou nas horas vagas, além de bovino, uma zebra de pijama, entendi que a ação de meus representantes amarelos para impedir o voto dos sócios pagantes que não haviam se recadastrado traria um enorme prejuízo ao quantitativo de votos do favoritíssimo ao pleito. Não me passou pela cabeça que o grupo menos atingido seria exatamente o mais organizado e também não me dei conta de que boa parte da organização cabia ao Casaca!, que aliás, do alto do meu saber, imaginava estar morto, diante da massificação de meu discurso mugido.

Eu acho que o Estatuto deve ser obedecido e que uma oposição é saudável, inclusive para fiscalizar a administração do clube, mas em 2010, quando Eurico ganhou a eleição para Presidente do Conselho de Beneméritos eu disse que tal poder deveria ser extinto. Só porque o Eurico passou a ser o Presidente daquele Poder.

Eu atribuí o rebaixamento de 2008 à “herança maldita” deixada por Eurico: Phillipe Coutinho, Alan Kardec, Souza, Alex Teixeira, entre outros outros, mas hoje a culpa do rebaixamento é SÓ do Eurico.

Eu acuso os “Euriquistas” de mudança de discurso, mesmo quando fatos novos os fazem ponderar; mas quando sou eu que mudo, eu digo que “o sábio muda de idéia, o idiota não”.

Eu falo que o Eurico rebaixou o Vasco e critico o programa Casaca no Rádio, mas quando o Casaca mostra os inacreditáveis “erros” de arbitragem sofridos pelo Vasco no Brasileiro de 2015, eu, acuado, xingo seus integrantes de “baba-ovos do Eurico”. É o que me resta. Para mim, quando os argumentos acabam, sobram os xingamentos.

Eu critico o rebaixamento do Vasco em 2015, mas quando o Dinamite e o MUV estavam lá eu dizia que o Vasco podia cair até para a Série D, desde que o Eurico não fosse o presidente.

Eu acredito quando a mídia diz que “passados 6 meses da assunção do Eurico ao poder, a administração do Eurico, está “catastrófica”, mas quando ofereço o meu candidato, afirmo ser necessário a ele ao menos 10 anos para reerguer o Vasco.

Para mim, a ÚNICA qualidade que um candidato a presidente do Vasco precisa ter é ser contra o Eurico. Eu apoiei vários deles em apenas um ano, pois o Vasco a meu conceito só existe se o Eurico não estiver lá. Um deles criticou o Eurico, mas quando foi para seu lado eu o acusei de traidor. Sabe como é? O ditado “os sábios podem mudar de ideia” só vale se for eu quem o fizer, se for o outro é traição.

Para mim o Vasco é laboratório de experiências e aventuras; por isso a única solução que eu aponto hoje para todos os problemas do clube está “no candidato que mais tiver chance de tirar Eurico”, não importando seu passado, sua história, seu projeto de governo ou suas propostas (ou a verossimilhança delas).

Por isto tudo, por minha “coerência, retidão e firmeza no discurso”, eu peço o voto dos sócios do Vasco, mesmo sequer conhecendo as categorias aptas ao exercício daquele.

Prazer, eu sou “bovino”.

Amigos, este é o panfleto imaginário de um “opositor” apresentando seus argumentos e propostas para a “solução mágica” de todos os problemas do Vasco: Apenas, e tão só apenas, TIRAR EURICO.  Eu, Sérgio Coelho, obviamente não compactuo destas ideias. Mas trago os argumentos de quem arrota coerência, mas se retroalimenta mesmo é de ódio.

Meus sentimentos, “loosers”, traduzindo para o português (perdedores) e para o “bovinês” (vices).

Até a próxima.

Campeonato Carioca De 1987 – Da festa na véspera ao vice para o Vasco

O Carioca de 1987 foi um grande campeonato. Com três turnos, com três vencedores diferentes e uma fase final. Até o Bangu venceu uma das taças! A competição chegava ao fim quando começava o Pan-americano daquele ano. Os jornais se dividiam entre noticiar o campeonato carioca, o Pan, as rivalidades de Piquet e Senna nas pistas e até a luta de Maguila contra o James Quebra Ossos, vencida pelos juízes, para Maguila.

A Taça Guanabara foi vencida pelo Vasco. A Taça Rio ficou o Bangu. O terceiro turno era a Taça Euzébio de Andrade. Era um quadrangular. Os campeões de cada um dos turnos anteriores e mais os dois melhores classificados na pontuação total do campeonato até ali. O Vasco, já classificado pela Taça Guanabara, somou 40 pontos. O Bangu que venceu a Taça Rio somou 38 pontos. Os outros dois melhores colocados foram o Fluminense com 38 pontos e o Flamengo com 36.

Já no primeiro jogo do quadrangular, em 18 de Julho, o Fluminense empata com o Bangu, mas escalara Eduardo de forma irregular. Foi punido com 5 pontos pela FFERJ e ficou de fora da disputa, pois mesmo vencendo seus dois jogos restantes, só poderia chegar à zero ponto!

Dia seguinte, 19, Flamengo e Vasco ficam no 0x0 e o mesmo Flamengo empata com o Bangu em 2×2 após estar perdendo por 2×0, no dia 22 de Julho. No dia seguinte, o Fluminense vence o Vasco e o Flamengo volta a sonhar com o título da Taça Euzébio de Andrade. Nos dias 26 e 27 de Julho, respectivamente, o Vasco derrota o Bangu por 3×0 e o Flamengo supera o Fluminense pela contagem mínima, vencendo o terceiro turno.

A fase final, um triangular, começa com uma goleada vascaína dia 2 de Agosto. O Bangu foi a vítima dos 4×0 do Vasco. A partida entre Bangu e Flamengo foi jogada em 5 de Agosto e o Flamengo venceu o Bangu por 1×0. A última e decisiva partida ficou com Vasco e Flamengo. Seria realizada em 9 de Agosto, um Domingo. Enquanto no Sábado…

JB – 08/08/1987 Página 24

JB – 08/08/1987 Página 24

Contrastando com a seriedade vascaína, o Flamengo já tinha garantido até duas escolas de samba para a festa. A festa era grande na Gávea. A torcida ia ate ganhar concurso de bandeira mais bonita, como se isso fosse possível se tratando das cores do Flamengo. Imagine então quem apareceu com “a roupa mais exótica”! Deprimente… O Vasco, trabalhava com os pés no chão e a todo vapor.

JB – 08/08/1987 Página 24

No Domingo, o jogo traria a realidade para os flamenguistas. 1987 era o início do TRI-VICE do Flamengo, o segundo em uma só década. (82-83-84 e 87-88-89) O Vasco seria BI campeão em 1988 sobre o próprio Flamengo e em 1989, o Botafogo sai do jejum de 21 anos deixando o Flamengo em segundo.

JB – 10/08/1987 Capa do Caderno de Esportes

JB – 10/08/1987 Capa do Caderno de Esportes

No final, restou o chororô do Flamengo. Choravam no vestiário, jogadores, técnico, dirigentes, todo mundo. Lédio Carmona descrevia assim a tristeza do Flamengo:

“Antes do início do jogo, durante o aquecimento dos jogadores, o clima no vestiário do Flamengo era de total confiança. No fim, consumada a perda do título, houve uma automátca metamorfose: muito choro, evasivas, lamentações e acusações. Tudo isso aconteceu dentro do mais profundo silêncio, só quebrado pelos gritos de casaca que vinham da festa do Vasco.

A maioria dos jogadores – casos de Renato e Aírton, além do técnico Antônio Lopes – entrou chorando no vestiário.”

Sandro Moreyra foi taxativo em sua coluna diária no Jornal do Brasil: “Vasco: Um legítimo campeão”.

Sandro Moreyra ainda escreveu:

“O Vasco é um grande campeão e dessa vez houve justiça na vitória, Sua campanha foi nitidamente superior, marcou mais pontos e teve ainda os dois artilheiros da competição. O Flamengo perdeu-se e muito na politicagem de sua direção, principalmente na briga que tirou os jogadores da Seleção Brasileira, no Clube dos 13, liminares e por aí. Futebol é outra coisa.”

VASCO 1 x 0 FLAMENGO – 09/08/1987
Local – Maracanã (público – 114.628)
Árbitro – Pedro Carlos Bregalda
Gol – 1° tempo: Tita 42 minutos

Vasco – Acácio, Paulo Roberto, Donato, Fernando e Mazinho; Henrique, Luís Carlos (Vivinho)e Geovani;
Tita, Roberto Dinamite e Romário.
Técnico: Sebastião Lazaroni.

Flamengo – Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Aldair e Aírton; Andrade, Júlio César Barbosa e Zico (Alcindo);
Renato Gaúcho (Kita), Bebeto e Marquinho. T
écnico: Antônio Lopes.

Fonte: Aqipossa

O líder e os micos

Há um simbolismo evidente percebido na primeira rodada do Estadual 2016.

Toda a briga de bastidores em detrimento do futebol do nosso estado, perpetrada pela dupla Fla x Flu, partia de uma premissa falsa, a respeito dos dois clubes, “linkados” à Lusa paulista desde 2013 no imaginário popular.

Lá pelo final dos anos 90 um grito em uníssono surgia das arquibancadas antes de cada jogo do Fluminense, que numa rima em homenagem a suas mães terminava em “O Fluminense é a vergonha do Brasil”.

Mas uma ou duas temporadas depois o clube mostrou a todos a injustiça da rima e tomou uma atitude digna da sua grandeza. Pintou com orgulho em sua sede a conquista da Série C no inesquecível 1999 tricolor.

O Flamengo, por sua vez, pagou mico por mais de 25 anos, crendo ser, em desacordo com a Justiça Brasileira, o Campeão Brasileiro de 1987, título conquistado pelo Sport em ano no qual o Flamengo correu. Meses depois, o rubro-negro do Rio (não falo do Itaperuna) percebeu que correr teria sido também um bom caminho no Estadual, afinal caiu de quatro na competição e teve Cocada como sobremesa. Passados mais nove anos, correu do Vasco (no Estadual de 1997) e no ano seguinte sebo nas canelas novamente. Rubro-marrom nas duas oportunidades, o time sem campo é useiro e vezeiro em colecionar vergonhas.

Já foi o Fla lanterna de um estadual,  protagonista de escândalos e indecências, desde as papeletas amarelas até o caso Lusa em 2013, desrespeita a tudo e a todos (normas vigentes, decisão judicial), além de comer carniça e arrotar caviar.

O desserviço feito ao futebol do Rio, com a associação junto a estados sem 30% do prestígio obtido pelos clubes principais do nosso, pondo-se abaixo de São Paulo, num movimento entreguista que faria inveja ao MUV amarelo (por sinal aliado da dupla!!!), tinha por objetivo que Fla e Flu, terceiro e quarto colocados do estadual 2015, no qual apanharam de Vasco e Botafogo, simplesmente tivessem garantidas vagas para a competição pirata arrumada junto a Delfim e cia.

Ora, competição pirata é com o rubro-negro mesmo, que critica Eurico Miranda há décadas por ter dado caráter oficial ao Campeonato Brasileiro de 1987, quando propôs na CBF o cruzamento de módulos, tirando onda com os otários após a classificação de Inter e Fla para o quadrangular, mostrando-se 1000% ao lado da dupla para que não jogassem o cruzamento proposto por ele próprio.

Já o papai do Flamengo virou um clube pronto a se posicionar à reboque do filho, tal qual um cão amestrado esperando um osso rubro-negro atirado da carniça que comem.  A subserviência tricolor enrubesceria Nelson Rodrigues.

Mas, deixemos para lá. O relacionamento íntimo deles pertence somente a eles. Não metamos a colher.

O fato é que arbitral recente da FFERJ definiu estarem aptos para disputar a Liga Sul-Minas 2017 (competição oficial, caso se adeque ao calendário brasileiro) os clubes campeões e vice campeões do estado em 2016. Repetido o enredo do ano passado os classificados seriam Vasco e Botafogo. A dupla arco-íris ficaria, no caso, de fora.

O calvário começou com dois grandes fiascos protagonizados pela dupla. Enquanto o Voltaço fez gato e sapato do pobre Fluminense, Leandrão lembrou ao Flamengo o peso de ter um atacante vascaíno contra si (vide Riascos, Gilberto e Rafael Silva no ano passado).

Soube-se que no fim da peleja em Volta Redonda um torcedor do clube anfitrião falava em tom pouco efusivo: cumprimos a meta. Temos que vencer todos os pequenos em casa.

E o Campeão Estadual estreou com goleada. Nenê, o craque da galera, foi o melhor do time. Se a atuação do time cruzmaltino não foi tudo o que se esperava, o resultado sim.

Público em festa, o maior da rodada, diante de uma tarde ensolarada, a volta ainda tímida mas já perceptiva de ocupação do espaço destinado à Força Jovem, estreia do Pikachu – pretendido pelo Flamengo, mas trazido pelo Vasco – dois gols de Riascos, vitória na preliminar, e a liderança do estadual 2016, o mais sensacional dos últimos 100 anos, simplesmente porque a torcida do Vasco quer que assim o seja. E torcida campeã já começa o ano com razão.

Sérgio Frias

Ao Pesquisador

<strong>Alex do Carmo disse (Sobre o texto “Resposta ao freguês”):</strong>

Mas q texto BIZARRO!!!

Digno de risadas e mais risadas.

Antes de defecarem pelo teclado, estudem a HISTÓRIA DO CKUBE PIONEIRO NO FUTEBOL.

Sem o FLU vcs estrariam remando até hoje!

Tuvemos negros em nossos times desde o início de nossa historia. O tal jogador q passa va pó de arroz, o fazia desde o América e quando se transferiu foi alvo da torcida americana q o chamou de pó de arroz.

Tá Flu o acolheu e ainda o tornou nosso simbolo.

Vcs sim, na maracutaia, quando o futebol era ainda amador, pagavam os jogadores por fora, forçando o Flu, como sempre ao pioneirismo de introduzir o profissionalismo ao Futebol.

-nquanto vcs não tinham estádio, emprestamos o nosso diversas vezes, inclusive se não o fizéssemos vcs nao poderiam participar dos Campeonatos.

Antes de falarem merda pesquisem. Clube q tem Eulixo Pilantra de Presidente devia ter vergonha.

VCS SÃO LIXO!!!
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Como é, luminar?

Sem o Fluminense?

Conheça a história você.

O Vasco, em 1923, poderia mandar seus jogos para a Rua Ferrer (campo do Bangu), em Figueira de Melo, para qualquer lugar em que foram realizadas partidas no campeonato. Até mesmo para seu próprio campo alugado na Rua Moraes e Silva, caso fosse desejo do clube. Ou você acha que o campo da Rua Barão de São Francisco Filho, do Andarahy, cabia muita gente?

Havia interesse de todos pelo aluguel do campo do Fluminense. Do tricolor, que cobrou e cobrou bem pelo que você ingenuamente chamou de “empréstimo”, para a FMDT, que detinha parte das rendas, e para a torcida do Vasco, que já lotava qualquer campo no qual o Vasco jogasse. Como o clube era popular e não racista e ainda incorporava muitos lusitanos e descendentes radicados no Rio de Janeiro, era algo óbvio o número de torcedores que o Vasco carregava para acompanhar seus jogos.

Mas, Zé, o tricolor ganhou muito nesses aluguéis, diferentemente do que o Vasco fez cerca de 80 anos depois com o teu clube. Emprestou, aí sim, de graça São Januário. E vocês conquistaram no nosso campo um brilhante vice-campeonato, diante do bravo Paulista de Jundiaí, do craque Marcio Mossoró.

Continuando: o Fluminense foi o primeiro a introduzir no futebol a concentração. Desconfia-se que fosse possível pagar ou dar benesses a seus atletas, mas não gostavam de uma mistura de cores em tais concentrações. É bem simples de se entender isso.

Prosseguindo:

Não há como o Fluminense explicar, em 1.000 anos de história, porque permitiu o besuntar de pó de arroz do seu associado. Como não há como o América fazer o mesmo. Como não há como ambos justificarem o porquê de diante do quadro social de seus clubes não terem repudiado o preconceito do adversário, afinal a coloração pó de arroz era um ato de defesa diante de um preconceito sofrido e o referido atleta foi sócio do América e posteriormente do Fluminense. Os associados tricolores e americanos, como rubro-negros, botafoguenses e afins tinham o preconceito na pele, eram geridos por dirigentes que o tinham da mesma forma, vide regulamentos esdrúxulos para aceitação de atletas que pudessem jogar futebol na elite carioca. Uma vergonha para a historia do futebol brasileiro.

Realmente uma grande demonstração de que o Fluminense não tinha nenhum preconceito de ordem social e racial, pode ser comprovado nas fotos dos times tricolores entre 1906 e 1919. Havia muitos negros, não é mesmo?

Sei que hoje vocês carregam a vergonha de torcer por um clube racista na origem, mas isso foi plantado pelos seus ídolos dos anos 10, 20, etc… do século passado. Houve alguns ganhos, como os terrenos dos Guinle, mas o prejuízo histórico é irreparável.

Agora vamos falar de pesquisa. Falta aos pesquisadores tricolores explicarem como era remunerado o treinador J. A. Quincy Taylor.

Falta aos pesquisadores tricolores decifrarem quanto os atletas do Fluminense, nos anos 10, pagavam pelas massagens, refeições e dormitórios dentro do clube. Uma dica: alguns pesquisadores tiveram acesso a números que comprovam um curioso gasto do Fluminense com essas coisas “amadoras”. Há atletas conhecidos na época como “borboletas” do futebol. Quantos passaram pelos clubes da zona sul como borboletas de estação? Pesquise. Lembre-se: estamos falando dos anos 10 do século passado ainda.

E a repentina mudança de paixão de associados/atletas de seus clubes para outros. Imagine você: o cara era sócio de um clube e simplesmente decidia jogar por outro, associando-se àquele. Claro que houve situações pessoais mesmo, como a de Marcos Carneiro de Mendonça, mas não vamos imaginar que eram apenas motivações sentimentais. Ou eram, Poliana?

Em 1918 o Botafogo trouxe dois uruguaios para seu clube (Monti e Behegaray), que supostamente, dentro de seu brilhante raciocínio, caíram de amores pelo alvinegro, resolvendo mudar de cidade, país, tornando-se sócios do alvinegro desde então e atuando no clube. Haja amor!

E a história dos paulistas Friedenreich (Paulistano), Amilcar e Neco (Corínthians)? Você conhece?

Eles receberam ou não para participar do Sul-americano de 1919? Devolveram o que receberam? Procure pesquisar…

E a “importação” rubro-negra de cinco atletas em 1919? Junqueira, Campeão pelo Paulistano em 1918, Mesquita , com passagem pela mesma agremiação, Kuntz, Candiota e Sisson, oriundos do… Rio Grande do Sul. Foi amor ao Flamengo?

E sobre a Lei do Estágio, que caiu em 1920 e antes obrigava a que o atleta ficasse um ano sem atuar antes de poder jogar em outra agremiação? Como se resolveu a questão? Vá pesquisar…

Curiosamente, o atleta que marcou o gol da vitória do Vasco contra seu freguês de caderno na primeira partida entre ambos no ano de 1923 foi Arlindo Pacheco, ex-América e Botafogo. Outra “borboleta” do futebol. Mas como? Afinal só o Vasco buscava o profissionalismo não é mesmo? Fla, Flu, Bota e América eram amadores…

A verdade clara e que esbofeteia toda a torcida tricolor é a seguinte: não importava se o cara era “borboleta”, não importava se se “importava” atleta do Sul ou do Uruguai para jogar no seu clube, não importava se um jogador havia atuado em dois, três, quatro clubes diferentes na carreira. O que importava era se estava dentro dos cínicos padrões dos preconceituosos dirigentes da época. E os do Vasco não estavam. Porque eram pobres, eram negros, eram analfabetos e não podiam suplantar com a bola nos pés aquela elite empertigada e pronta a ser vencedora no dia a dia, sabendo que os negros, analfabetos e pobres seriam perdedores natos. Uma partida de futebol não poderia mostrar algo diferente disso, por mais que fosse sabido o brotar de craques nas chamadas “Ligas Suburbanas”. Não podia haver mistura.

Enquanto o Vasco teve um presidente mulato no ano de 1904 e brigou para que seus remadores não fossem afastados das regatas por serem reles empregados do comércio em 1907, o aristocrático Fluminense deixava seu atleta tacar pó de arroz na cara para parecer branco, após hostilizá-lo quando este atuava no ex-clube, exatamente em função da cor de sua pele.

Vá ler um pouco mais sobre a história. Não há como passar pó de arroz nem de giz sobre ela para distorcê-la.

Só para completar: o Fluminense se obrigou a tudo depois do surgimento do Vasco, mas, principalmente, foi obrigado a ver o Vasco olhando para cima, pois está muito abaixo de nós. E não é pelo fato de estar na Zona Sul e nós na Norte. Embora seja fato que na Zona Norte se encontra o maior estádio particular do Rio de Janeiro, desde 1927.

Como tudo foi devidamente respondido e o texto demonstra sua evidente ignorância/arrogância, deduzimos que o lixo em questão cabe ao desbocado e que defecar pelos dedos é prática sua e dos tricolores que evacuam na história para tentar abrandar a prática racista originária do clube para o qual resolveram torcer.

Sérgio Frias

Preguinho

Soube que houve um prego tricolor, prego no nome, que tentou fazer passar por aqui sua mensagem preconceituosa, vislumbrando através de sua inocente arrogância um processo em favor do tricolor.

Processo, o tricolor, lato sensu, teria muitos a responder. Se não fosse uma elite preconceituosa e racista a dominar os anos 20, sem dúvida. Mas moralmente o “crime” tricolor (tipificado ou não na época pouco importa) é imprescritível. O preconceito social e racial do Fluminense é histórico. Uma mancha institucional inapagável.

Não, não foi um árbitro ou vários que fizeram o Fluminense ser racista. Foi o livre arbítrio tricolor.

Ora, como seus dirigentes permitiram a que um atleta, associado do clube, se enchesse de pó de arroz para disfarçar a cor da pele? Nada fizeram? Nem uma nota de repúdio? De forma alguma. O pó de arroz ou de giz varou o século tricolor. Uma bela tentativa marqueteira para transformar em algo lúdico, algo vergonhoso.

A aristocracia tricolor chegou a ser de terceira no final do século passado e com orgulho fez menção à conquista como se fora um Campeonato Brasileiro. Clubes de seu nível fizeram o mesmo. O Olaria, por exemplo, tão campeão da Série C como o Fluminense.

A champagne estourada em 1997 era de segunda, mas a atitude tricolor em campo no mesmo ano foi de quinta e não fosse a competição nacional mais importante do calendário ter sido organizada pelos clubes em 2000, não se sabe quando o Fluminense voltaria à primeira divisão, pois o ABC da B não fora cumprido dois anos antes.

Afirmar que o Fluminense não merece crédito quando fala do Vasco, seja lá quem vier a falar de Vasco na qualidade de torcedor do Fluminense, é chover no molhado, afinal o clube das Laranjeiras deve ao Vasco… e muito! Uma dívida que não terá como pagar, nem mesmo pondo os vitrais no “prego”. Não, não falo aqui do pulo de letras do alfabeto nas divisões do futebol, mas sim a dívida que ele Fluminense e a elite racista da época, constituída também por seu filho bastardo no futebol, Flamengo, e outros tão preconceituosos como, tem para com o Vasco: o Vasco lhes ensinou que negros e brancos poderiam jogar no mesmo nível, que médicos ou “chafeurs” dentro de campo poderiam apresentar o mesmo futebol e o que lhes faria diferente não seria a conta bancária ou a cor da pele, mas sim o talento e aptidão para jogar futebol.

Com isso o Fluminense pôde ter Didi, Waldo, Escurinho, Denilson, Marco Antônio, Paulo César Lima, Claudio Adão, Washington, Marcão, entre outros, pelo restante do século passado. Em cada conquista tricolor com negros no time se dá um tapa com luva de pelica no clube, pelo antigo preconceito, e naqueles responsáveis pelo orgulho, em tempos idos, daquele preconceito. Não foram refutados pela história tricolor os senhores de tais preconceitos, muito pelo contrário. E como o Fluminense não tem como esconder o preconceito que lhe mancha o histórico, procura tratar o assunto como menor, ou como conto.

Mas como freguês de caderno terá nosso perdão na esfera esportiva, afinal pagam a conta em dia há décadas, pelo menos no campo de jogo, com derrotas e mais derrotas. Uma doce rotina.

Sérgio Frias

Resposta ao Freguês

 

Um cidadão conhecido por Mário Bittencourt, que se diz dirigente do Fluminense, deu a seguinte declaração gratuita e ofensiva ao Vasco:

“O clube que mais apoia ele caiu para a série B. Mais uma vez os cariocas ficam sem grandes resultados, muito em função de como o futebol do Rio é conduzido. Existem dois clubes que tentam melhorar o futebol carioca. Curiosamente os que têm melhor performance nos últimos anos. Isso deve significar alguma coisa.”

A respeito, temos a dizer o seguinte.

– O Vasco não tem motivos para se envolver nos assuntos de uma liga que promoverá amistosos. Sendo uma liga amistosa, não reconhecida, não oficial, pirata, nada tem a ver conosco.

– A dita melhor performance do Fluminense nos últimos anos inexistiu contra o Vasco, pois o Fluminense seguiu sendo nosso freguês de caderno. Sucessos duvidosos, como o vice da Libertadores, só ocorreram em função da participação de um patrocinador capaz de bancar salários irreais.

– Ausente o patrocinador, o Fluminense foi um clube de série C e não pagou três séries B – certamente em 1997, convidado após rebaixamento, certamente em 2000, alçado diretamente da C à A, e presumivelmente em 2014, em função do nebuloso caso que rebaixou a Portuguesa em seu lugar, ou no lugar do seu parceiro Flamengo.

– O Fluminense, como o Flamengo, só acredita no futebol carioca quando o título estadual é conquistado por um dos dois, muitas vezes de forma, digamos, pouco esportiva. Se o Vasco vence um Estadual, no ano seguinte eles fundam ligas estaduais, nacionais ou não comparecem no campo para jogar. Correm.

– Por fim, desconfia-se que o doutor Bitencourt precise, na verdade, de um divã. Não deve ser fácil dirigir um clube que passava talco em seus negros e que os obrigava a entrar pelo portão de serviço, sabendo que além-túnel há outro clube que, por ser o oposto a isso na sua essência, sempre os fez transbordar de ódio e preconceito.

CASACA!

 

Não, nós não aceitamos resignados!

Diego Zangado disse:

Isso ai estou com o Bruno e com o Marcos! É esse silêncio resignado do Casaca é isso mesmo? Nada podemos fazer?
____
Meu caro Diego,

Na minha opinião podemos fazer sim.

O Vasco não caiu para a segunda divisão, foi arremessado para lá pelas arbitragens.

Também na minha opinião a investigação de tudo isso, com imagens, deve parar no STJD, mas o Casaca! não gere o Vasco, embora busque ajudar o Vasco no que estiver a seu alcance.

Faremos um vídeo com todos os erros e lances duvidosos, com comentários de ex-árbitros e posicionamentos da imprensa durante o campeonato. Faremos tudo que estiver ao nosso alcance, como dissemos.

Pode ainda o Vasco se prevalecer do descumprimento de normas e regulamentos de outros clubes? Sim, pode. Seria até uma justiça feita por aquilo que foi tomado do clube.

Mas, na minha opinião, o clube deve brigar para que tudo seja devidamente esclarecido.

Não foi só um prejuízo absurdo ao Vasco. Inédito no Campeonato Brasileiro. Houve favorecimento para os catarinenses e nenhum clube da parte de baixo da tabela teve algo desequilibrado contra si. Muito pelo contrário.

Se fosse uma coisa feita contra o futebol do Rio, Flamengo e Fluminense também teriam sofrido prejuízos ao menos próximos, mas houve equilíbrio entre acertos e erros para ambos.

Volto a dizer: não gerimos o clube, pois se assim o fosse o Vasco já estaria usando sua comunicação e marketing para expandir o absurdo que foi cometido contra ele; sua força institucional e de sua massa torcedora para reverberar e se indignar e ainda sua representatividade (na figura de Eurico Miranda) para questionar a tudo e a todos seriamente.

Durante o campeonato descobriu-se que o vice-presidente da CBF na ocasião, presidente da Federação Catarinense há 30 anos, visitou vestiário de árbitro, que seu filho foi delegado de jogo, foram vistas escalas coincidentes em jogos que beneficiaram clubes de Santa Catarina, o presidente da FFERJ foi a público dizer que havia perseguição contra a arbitragem do Rio e aquele que foi considerado o grande árbitro da competição errou de forma lamentável contra o Vasco na última rodada.

O Vasco precisa acreditar na força de sua torcida, na força de um questionamento da massa ao absurdo cometido contra o clube, o maior prejuízo de arbitragem de sua história no modelo de disputa em pontos corridos, oriundos de erros multiplicados contra si, principalmente nos seus melhores momentos dentro da competição.

Talvez se pense em outro caminho, mas o perigoso é mesmo a aceitação de que tudo bem o prejuízo descomunal ao Vasco ter se dado. É um acinte contra o torcedor do clube e contra o próprio Vasco.

Não foi discurso o que dissemos e eu pessoalmente disse a respeito do motivo da queda do Vasco. Não foi uma fala política.

Não vejo culpa alguma do Vasco em tendo sido prejudicado pela arbitragem da forma como foi no quesito rebaixamento, simplesmente porque do oitavo ao décimo sexto, todos teriam caído, caso sofressem o mesmo prejuízo.

Não concordo com o presidente do clube buscar outros fatores para justificar a injustificável ação da arbitragem no campeonato com 21 erros capitais contra o Vasco e um a favor (para o Globoesporte.com dois), que não trouxeram um ponto sequer ao clube. Catorze lhe foram tomados por conta de apitos e bandeiradas. Não há outro fator para a queda.

Há questões que podem ser tocadas para se descobrir o motivo pelo qual o Vasco não somou 56, 57, 58, 60, 70, 80, 90 pontos, mas 55 não teve computados para si por conta da arbitragem apenas. De ninguém mais.

Abraço,

Sérgio Frias

Vinte e sete exemplos da história de um clube que honra a sua camisa

Ao longo de sua trajetória no futebol, que completa em 2015 100 anos, por muitas vezes o Vasco jogou por outras equipes. Vitórias e empates, com o clube já fora de uma competição, beneficiaram diversos rivais do Rio de Janeiro e equipes de outros estados. Mesmo com chances mínimas num campeonato, como aconteceu em 1975, três dias depois de ter perdido de quatro, o Vasco fez valer a sua camisa e a seu hábito: vencer.

Os lucros e prejuízos da ação cruzmaltina – de enfrentamento dos seus adversários em circunstâncias nas quais pouco lhe importavam os resultados – só vem a demonstrar uma preocupação histórica em fazer-se respeitar, antes de qualquer coisa.

No Campeonato Brasileiro de 2015, o Vasco impôs respeito aos seus adversários, mesmo com os problemas vividos na primeira metade do campeonato. A torcida vascaína e a instituição foram desrespeitadas por arbitragens abaixo da crítica, que nos tiraram 12 pontos na tabela de classificação.

Vitórias contra Internacional-RS no turno, Cruzeiro, Avaí, Chapecoense e São Paulo no returno, mais empates diante de Sport (turno) e Atlético-MG (returno) não estão contabilizados a favor do clube única e exclusivamente pelo fato de as arbitragens terem tirado isso do Vasco com vários erros capitais. Lembrando que até aqui o contrário não ocorreu em 37 rodadas, por mais que setores da mídia procurem desesperadamente achar algum ponto ganho pelo Vasco por conta de apitos ou bandeiradas.

Temos, enfim, história para contar pela conduta do Vasco nestes 100 anos de futebol.

Abaixo os exemplos:

1939: Vasco 2 x 2 Botafogo – Campeonato Carioca (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Flamengo

Flamengo e Botafogo disputavam palmo a palmo o campeonato. Faltando dois jogos para o rubro-negro e três para a equipe alvinegra o Fla somava 33 pontos e o Botafogo 30. Por pontos perdidos, portanto a diferença era de apenas um ponto. Fora do campeonato o Vasco tirou um ponto do Botafogo, aumentando a diferença em dois (perdidos) para os últimos dois jogos das equipes que lutavam pelo título. O Flamengo foi o campeão naquele ano.

1941: Vasco 1 x 1 Flamengo – Campeonato Carioca (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Fluminense

A três rodadas do fim, Flamengo e Fluminense brigavam ponto a ponto pelo título. Ambos somavam 40 pontos e se enfrentariam na última rodada da competição. O Vasco estava fora. Na antepenúltima rodada, porém, o Flamengo enfrentaria o Vasco. O placar de 1 x 1 ao final do jogo foi importantíssimo para o tricolor, que jogou a última rodada no campo da Gávea precisando apenas do empate. Naquele que ficou conhecido como o “Fla x Flu da Lagoa”, o escore de 2 x 2 deu ao Fluminense o título de bicampeão carioca.

1946 – Fluminense 2 x 3 Vasco – Campeonato Carioca (Vasco fora da disputa)

Beneficiados: Flamengo, Botafogo e América

A duas rodadas do fim, Fluminense, Flamengo e América dividiam a liderança do Campeonato Carioca com 24 pontos.

No sábado o Flamengo vencera o Bonsucesso por 10 x 0, em Teixeira de Castro, enquanto o América derrotara em seu campo o Madureira por 7 x 1. No domingo, então, no estádio das Laranjeiras, o Fluminense precisaria vencer para seguir empatado com os demais. O Vasco, entretanto, derrotou o tricolor por 3 x 2, pondo no páreo o Botafogo, agora junto com o Fluminense, ambos dois pontos atrás de Flamengo e América.

Na última rodada o Flu derrotou o Flamengo, o Botafogo venceu o América e com as quatro equipes empatadas partiu-se para um Supercampeonato, tendo sido o Fluminense campeão ao final da disputa.

1953 : Vasco 2 x 1 Botafogo – Torneio Octogonal Internacional Rivadávia Corrêa Meyer (torneio que sucedeu a Copa Rio, disputada em 1951 e 1952)

Beneficiado: Fluminense

Vitória que pôs o Fluminense nas semifinais e eliminou o Botafogo (o alvinegro precisava apenas do empate para seguir na competição).

1954: Vasco 1 x 0 Fluminense – Torneio Rio-SP (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Corínthians

Vitória na última rodada do Torneio Rio-SP que deu o título ao Corínthians e o tirou do Fluminense.

1955: Vasco 0 x 0 Portuguesa-SP – Torneio Rio-SP (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Palmeiras

Uma vitória da Lusa no Maracanã proporcionaria a ela o título do Torneio Rio-SP, independentemente dos últimos dois resultados do Palmeiras, que passaria a ter dois jogos a menos que a Portuguesa, após a partida. Com o empate o Palmeiras teve chance de chegar a uma disputa extra com a Portuguesa, o que, de fato, ocorreu. No fim a Lusa se sagrou campeã.

1962: Vasco 1 x 1 Flamengo – Campeonato Carioca (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Botafogo

Na penúltima rodada da competição, com o Vasco fora do campeonato, a diferença do Flamengo, líder, para o Botafogo, vice-líder, era de dois pontos a favor do Fla. Com o empate e a vitória do Botafogo contra o Fluminense na mesma rodada a vantagem rubro-negra caiu para um ponto. Na última rodada o Botafogo venceu o Flamengo por 3 x 0 e se sagrou bicampeão carioca.

1964: Vasco 1 x 1 Fluminense – Campeonato Carioca (Vasco fora da disputa)

Beneficiados: Flamengo e Bangu

A duas rodadas do fim o Flamengo liderava a competição com 32 pontos, seguido pelo Bangu com 31 e o Fluminense com 30, mas um jogo a menos. Por pontos perdidos, portanto, Fla e Flu estavam na liderança e o Bangu um ponto atrás.

Enquanto Bangu e Flamengo venceram seus jogos na penúltima rodada, o Vasco empatou com o Fluminense deixando o rubro-negro a uma vitória do título na última rodada.

O jogo atrasado do tricolor foi jogado e vencido, o da última rodada também, o Bangu, por sua vez conquistou mais uma vitória na rodada derradeira e ambos foram beneficiados pela vitória do Botafogo sobre o Flamengo na mesma rodada, que proporcionou a Fluminense e Bangu disputarem uma melhor de três para decidir o título, ganho pelo Fluminense.

1969 – Vasco 1 x 1 Flamengo – Campeonato Carioca (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Fluminense

A três rodadas do fim o Fluminense tinha 24 pontos na tabela e o Flamengo 23. Na rodada seguinte as duas equipes se enfrentariam. Mesmo fora do campeonato, o Vasco empatou em 1 x 1 com o Flamengo, ajudando a que o tricolor abrisse dois pontos de vantagem a duas rodadas do fim. Na semana seguinte o Fluminense derrotou o Flamengo por 3 x 2, sagrando-se campeão carioca.

1975 – Vasco 2 x 0 Nacional-COL – Taça Libertadores (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Cruzeiro

O Cruzeiro terminaria sua participação na primeira fase da Taça Libertadores, mas se via na mão do Vasco, clube que vencera no Mineirão logo na primeira rodada do certame com um pênalti no último minuto e um sentimento de revanche pela perda do Campeonato Brasileiro do ano anterior.

Para o Vasco a partida da última rodada não servia para nada.

No mesmo estádio onde 18 dias antes havia sido matematicamente eliminado contra o próprio Cruzeiro o sentimento até mesmo de seus torcedores beirava o desdém em São Januário.

A equipe mineira precisava vencer em casa o Deportivo Cali, outro colombiano do grupo, e torcer para o Vasco ao menos empatar com o Nacional para disputar uma partida extra diante do próprio Nacional.

Mas o Vasco fez o serviço completo para o Cruzeiro. Vitória mineira em Belo Horizonte por 2 x 1 e cruzmaltina em São Januário pelo placar de 2 x 0. Com isso a vaga (a única do grupo) foi para a equipe cruzeirense.

1975: Vasco 2 x 0 Botafogo – Campeonato Carioca – Triangular Final:

Beneficiado: Fluminense

Após ser derrotado pelo Fluminense por 4 x 1 na primeira rodada do triangular final, o Vasco encerraria sua participação precisando de um placar elástico sobre o Botafogo (no mínimo três gols de diferença) para ao menos ter condições matemáticas de obter um tríplice empate, considerando que o Botafogo, na rodada seguinte, fosse vencer o Fluminense por três gols de diferença.

Mesmo diante de um quadro extremamente desfavorável, o Vasco derrotou o Botafogo por 2 x 0, praticamente dando o título ao tricolor, que entrou para a partida com o Botafogo podendo perder pela diferença de três gols e ainda assim erguer a taça, como de fato ocorreu apesar da vitória alvinegra por 1 x 0 na ocasião.

1978: Vasco 2 x 2 Botafogo – Campeonato Carioca – 1º Turno (Vasco fora da disputa)

Beneficiados: Flamengo e Fluminense

Empate que tirou qualquer chance de o Botafogo vencer o 1º turno do Estadual e pôs o Flamengo com a mão na taça, podendo, a partir daí, perder por até 4 gols de diferença do Fluminense no dia seguinte (um domingo) e ainda ser campeão. Embora beneficiado por tabela, o tricolor se viu diante de uma dificílima situação, mas com chances matemáticas.

O Flu venceu por 2 x 0 na ocasião e a vitória tricolor, caso o Botafogo vencesse o Vasco no dia anterior (o Vasco já estava fora), daria o turno ao alvinegro.

1979: Vasco 1 x 0 Fluminense – 1º Turno do Campeonato Carioca Especial (Vasco fora da disputa)

Beneficiados: Flamengo e Botafogo

Flamengo, Fluminense e Botafogo estavam empatados em número de pontos na competição. O Vasco estava fora.

No primeiro quesito de desempate, saldo de gols, Flamengo e Fluminense tinham 18 e o Botafogo 17. No segundo critério de desempate (número de gols pró) o Fluminense tinha 25, o Flamengo 22 e o Botafogo 19. Ou seja, uma vitória simples do Fluminense no sábado obrigaria o Flamengo a uma vitória por no mínimo dois gols de diferença sobre o Botafogo, ou do Botafogo por no mínimo três gols de diferença sobre o Flamengo (abrindo nós mão de considerar uma vitória do Flamengo sobre o Botafogo por 5 x 4 ou do Botafogo sobre o Flamengo de 8 x 7).

No sábado o Vasco enfrentou o Fluminense, o venceu e o eliminou. No domingo, Flamengo e Botafogo disputaram o título, cabendo o empate ao rubro-negro para vencê-lo. O rubro-negro venceu por 3 x 0 e levantou a taça.

1979: Vasco 3 x 2 Fluminense – Campeonato Carioca – 3º Turno (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Flamengo

Um empate entre Vasco e Fluminense no sábado daria chance a que o Botafogo no domingo disputasse diretamente o título contra o Flamengo na última rodada da competição, isto porque se Vasco ou Fluminense vencesse haveria, no caso de vitória do Botafogo sobre o Flamengo, um empate tríplice e o regulamento previa que numa situação dessas o Flamengo seria o campeão por ter vencido os dois turnos anteriores. A vitória do Vasco (de virada) deu matematicamente o título ao Flamengo.

1980 – Vasco 5 x 1 Gama-DF – Campeonato Brasileiro

Beneficiado: América-RJ

Já classificado por antecipação para a segunda fase da competição o Vasco enfrentaria o Gama-DF na última rodada numa partida até certo ponto desinteressante. Ocorre que o América fazia péssima campanha até ali e atuaria em Curitiba contra o Coritiba, líder do grupo. A equipe americana estava empatada na tabela com o time do Distrito Federal (6 pontos cada), mas tinha uma vitória a mais. O triunfo vascaíno contra seu adversário direto garantiria a vaga, independentemente de seu resultado no Paraná. O América perdeu para o Coritiba por 1 x 0, mas foi salvo pelo Vasco, que aplicou uma goleada de 5 x 1 no Gama, classificando os rubros para a 2ª fase do Campeonato Brasileiro daquele ano.

1982 – Vasco 3 x 1 Santos – Torneio dos Campeões – 2º turno – Fase de grupos (Vasco fora da disputa)

Beneficiados: Guarani e São Paulo

O segundo turno do grupo onde se encontrava o Vasco, contava ainda com a presença de São Paulo, Santos, Guarani e Botafogo. O São Paulo liderava com 5 pontos ganhos, mas não atuaria mais, enquanto Guarani e Santos (ambos com quatro pontos) jogariam contra Botafogo e Vasco no Rio de Janeiro. No sábado o Vasco, mesmo eliminado da competição, desclassificou o Santos, derrotando-o pelo placar de 3 x 1. No fim das contas a vaga ficaria com o Guarani, que empataria com o Botafogo no domingo e derrotaria o São Paulo numa partida extra por 1 x 0, em São Paulo. A equipe bugrina chegaria à decisão do torneio, sendo derrotada pelo América-RJ na final.

1984 – Vasco 1 x 0 Uberlândia – Campeonato Brasileiro

Beneficiado: Coritiba

A situação da equipe do triângulo mineiro era relativamente cômoda. Só perderia a vaga para os play-offs do Brasileirão 1984 caso fosse derrotada pelo Vasco em São Januário e o Coritiba sobrepujasse o Fortaleza no Paraná, ou então se empatasse com a equipe cruzmaltina e o Coritiba obtivesse a vitória com um saldo de dois gols de diferença sobre o tricolor cearense. Até os 38 minutos do 2º tempo o time mineiro garantiu o empate, mas Roberto Dinamite, de cabeça, acabou com o sonho da equipe de Vivinho e cia. O Coritiba venceu o Fortaleza por 2 x 1 e se classificou em segundo no grupo (a primeira colocação já estava garantida antecipadamente pelo Vasco).

1984: Vasco 0 x 0 Fluminense –Carioca– Taça GB (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Flamengo

A três rodadas do fim, Fluminense e Flamengo estavam empatados com 15 pontos ganhos, mas o Fluminense tinha um jogo a menos, contra o Vasco. O empate em 0 x 0 fez a distância diminuir para um ponto apenas e na rodada seguinte um novo empate tricolor contra o Volta Redonda fez o Fla x Flu decisivo do turno ser disputado com as equipes em igualdade de condições. O Flamengo venceu por 1 x 0 e foi o campeão da Taça GB daquele ano.

1989: Vasco 2 x 1 Flamengo – Campeonato Carioca – Taça Rio (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Botafogo

Com a vitória o Vasco (que já estava fora do campeonato) deu de bandeja o título para o Botafogo de campeão da Taça Rio (após 13 anos sem que o clube tivesse conquistado um único turno). O alvinegro precisava que o Vasco ao menos empatasse o jogo para não ter de decidir a Taça Rio num jogo extra diante do Flamengo (que já havia sido o campeão da Taça GB). Na disputa final pelo título de campeão o Botafogo levou a melhor sobre o Flamengo, saindo da fila que já durava 20 anos.

1992: Vasco 3 x 0 São Paulo – Campeonato Brasileiro

Beneficiados: Flamengo e Santos

O São Paulo precisava de uma vitória simples sobre o Vasco para se classificar à decisão do Campeonato Brasileiro, independentemente de outros resultados. Flamengo e Santos, que se enfrentariam no Maracanã, dependiam de uma vitória simples no confronto, mas o rubro-negro precisava que o São Paulo ao menos empatasse com o Vasco e o Santos que o Vasco vencesse a partida. Mesmo com o placar em certo momento das duas partidas assinalando Vasco 2 x 0 São Paulo e Flamengo 2 x 0 Santos, não houve qualquer mudança no planejamento cruzmaltino (que precisava vencer e de um empate entre Flamengo e Santos na outra partida para se classificar). Mais um gol foi marcado em São Januário, fechando o placar em 3 x 0. No Maracanã o Fla venceu o Santos por 3 x 1 no fim das contas e se classificou à final do Campeonato Brasileiro, competição na qual foi campeão, derrotando o Botafogo na decisão.

1996: Vasco 4 x 2 Criciúma – Campeonato Brasileiro (Vasco fora da disputa)

Beneficiado: Fluminense

A três rodadas do fim o Fluminense brigava contra Bahia e Cricíuma para não terminar entre os dois últimos na competição. A situação na tabela era a exposta abaixo:

Bahia: 19 pontos

Criciúma: 19 pontos

Fluminense: 18 pontos

O Vasco venceu o Criciúma, o Flamengo jogou tudo no Fla x Flu para derrotar o tricolor e o Bahia perdeu para o Paraná.

Dali por diante, Criciúma e Bahia passearam contra o Flamengo, o Vasco vendeu caro a derrota para a equipe da Boa Terra por 3 x 2, com nove em campo e um pênalti duvidoso marcado contra si a três minutos do fim, e o Atlético-PR, já classificado, perdeu em casa diante do Criciúma na última rodada, para delírio da galera atleticana, que via a derrota como vingança pelo tratamento recebido pelos atletas do clube em partida realizada duas semanas antes nas Laranjeiras, mais especificamente o dado a seu goleiro, Ricardo Pinto, ex-arqueiro tricolor.

O Fluminense venceu Juventude e Vitória, mas não contou com a colaboração de seu ente querido, Flamengo, para permanecer na Série A, apesar da ajuda do Vasco na antepenúltima rodada.

1997 – Vasco 3 x 1 Bahia – Campeonato Brasileiro

Beneficiados: Bragantino, Criciúma, Fluminense e Guarani

A situação do Fluminense na penúltima rodada do Campeonato Brasileiro era desesperadora. Poderia cair naquela rodada caso não derrotasse o Juventude fora de casa. Podendo chegar aos 27 pontos apenas, o time estava na antepenúltima colocação com 21. À sua frente se encontravam Cruzeiro com 27, Bahia com 25, Bragantino com 23, Criciúma com 23. Atrás o Guarani, com 19 mas um jogo a menos. Eram três vagas para seis equipes.

O Flu não fez sua parte (apenas empatou com o Juventude), mas o Vasco fez a dele, derrotando o Bahia por 3 x 1.

Na ocasião o Vasco já estava classificado matematicamente para os play-offs e em primeiro lugar na classificação geral. O jogo, portanto, não servia de nada para a equipe cruzmaltina.

Com o empate do Cruzeiro, a vitória do Bragantino e o empate do Fluminense, este não teve mais como alcançar Cruzeiro e Bragantino (número de pontos) e Bahia (número de vitórias), caindo matematicamente na penúltima rodada da competição.

2004 – Vasco 1 x 0 Atlético-PR – Campeonato Brasileiro 

Beneficiado: Santos

A vitória vascaína tirou do Atlético-PR a liderança do Campeonato Brasileiro e a entregou ao Santos na penúltima rodada da competição. O Santos foi o campeão naquele ano.

2005 – Atlético-MG 0 x 0 Vasco – Campeonato Brasileiro 

Beneficiados: Coritiba, Ponte Preta e São Caetano.

O Atlético-MG teria que vencer as suas últimas duas partidas para não cair e torcer para que a Ponte Preta perdesse ambas, ou contar com outros resultados negativos de Coritiba e São Caetano, que se enfrentariam na mesma rodada. Em São Paulo o Corínthians derrotou a equipe campineira, São Caetano e Coritiba empataram (melhor resultado naquelas circunstâncias), mas no Mineirão o Vasco empatou com o Atlético-MG, rebaixando matematicamente o Galo.

2007: Corínthians 0 x 1 Vasco – Campeonato Brasileiro

Beneficiado: Goiás

A vitória do Vasco obrigou a que o Corínthians vencesse na última rodada o Grêmio no Olímpico, combinado com outro resultado para não cair, o que não foi possível para a equipe paulista.

2012: Boavista 0 x 1 Vasco – Campeonato Carioca

Beneficiado: Fluminense

Na rodada derradeira da 1ª fase da Taça Guanabara o Boavista disputava a última vaga do grupo diretamente com o Fluminense. A equipe de Saquarema só dependia dela. Bastava vencer o Vasco (que já tinha garantida a sua vaga e o primeiro lugar do grupo) para chegar às semifinais. Enquanto o Fluminense vencia o Bangu por 3 x 0 em São Januário, o Vasco derrotava o Boavista por 1 x 0 no Engenhão, dando de bandeja a vaga para o Flu, que seria depois campeão da Taça GB derrotando o próprio Vasco na decisão (3 x 1) e posteriormente vencendo o Botafogo (campeão da Taça Rio) na final do campeonato, disputado em dois jogos (4 x 1 e 1 x 0).

2012: Vasco 1 x 1 Atlético-MG – Campeonato Brasileiro

Beneficiado: Fluminense

O título do Fluminense era questão de tempo, mas poderia sair a quatro rodadas do fim, caso ele vencesse o Palmeiras (resultado que rebaixaria a equipe paulista) e o Vasco não perdesse para o Atlético-MG em casa. Mesmo vindo de seis derrotas consecutivas o Vasco empatou com os atleticanos (apesar de garfado pela arbitragem), antecipando a festa do Flu.

Casaca!

E chegou a vez do Coritiba

O Vasco permanece fazendo a sua parte na reação iniciada desde a partida contra a Ponte Preta. Foram 6 vitórias, 6 empates e apenas uma derrota, mas deveriam ser 10 vitórias, caso apitos e bandeiradas não influenciassem diretamente no resultado das partidas.

Neste período, vimos Goiás, Avaí e Chapecoense sendo “puxados” por resultados obtidos por conta da arbitragem

Na rodada passada o escândalo foi a favor do Figueirense (até então relativamente equilibrado no quesito arbitragem, entre erros e acertos) e hoje o benefício escancarado foi para o Coritiba. Houve pênalti claro não marcado pela arbitragem a favor do Santos, já na segunda etapa, na frente do apitador, ignorado pelo próprio (lance rigorosamente igual a uma falta fora da área marcada no primeiro tempo do jogo). Com isso o time paranaense teve facilitada a sua vida na partida.

E lá se vão 36 rodadas sem que o Vasco tenha um benefício de arbitragem a seu favor, que lhe tenha feito ganhar um ponto sequer (é o único clube na competição com esta estatística), enquanto tomados lhe foram 12 pontos, por conta da arbitragem.

Tirem 12 pontos de Flamengo ou Fluminense e vejam em que lugar estariam na tabela. Façam o mesmo com Cruzeiro e Palmeiras. Todos figurariam na zona da degola.

Sobre o jogo contra o Joinville, a equipe foi muito bem no primeiro tempo, mas acomodada no segundo. Diante de um adversário praticamente morto em campo, poderia ter investido na velocidade e em troca de peças para matar o jogo e construir uma goleada. Tomou um gol bobo, após falhas sequenciais de sua defesa, a partir dos 30 minutos da segunda etapa; Jorginho manteve Nenê em campo já sem condições, não fez entrar Rafael Silva no time, demorou a pôr Bruno Gallo no jogo e não houve qualquer manifestação à comissão técnica que diante das circunstâncias o Vasco poderia, com mais dois gols de vantagem na segunda etapa, ter encostado de vez no Avaí neste quesito, que é fator de desempate na classificação geral.

Domingo que vem o Vasco tem uma partida decisiva diante de suas pretensões no campeonato. A vitória contra o Santos é fundamento para qualquer coisa, independentemente de outros resultados.

O Figueirense perdeu uma grande oportunidade de garantir sua permanência na Série A e não vencendo o São Paulo no Morumbi na próxima rodada deve se ver obrigado a derrotar o Fluminense em seu estádio na última. A equipe catarinense não derrota qualquer adversário em seus domínios desde o dia 14 de outubro, quando venceu nosso freguês Flamengo por 3 x 0. De lá para cá foram dois empates e uma derrota e nenhum gol marcado. A dúvida de alguns é sobre o papel a ser exercido pela equipe das Laranjeiras na partida. Espera-se que seja algo decente, pois hoje, tendo de ganhar, o Avaí (apesar de um pênalti não marcado para o Flu quando ainda estava 0 x 0) não foi páreo.

Já o Corítiba pega o time reserva do Palmeiras, mas fora de casa. Não é tarefa simples obter uma vitória. O Cruzeiro no sábado não conseguiu.

Quanto ao Avaí, vencer no domingo que vem é até plausível, mas o Corínthians na última rodada, em São Paulo, improvável.

Caso as arbitragens não nos fossem prejudiciais (contando apenas os pontos que nos foram tungados na segunda metade da competição) a equipe estaria hoje na vice liderança do returno, atrás apenas do campeão Corínthians, protagonista de uma goleada histórica contra o São Paulo neste domingo, mas longe de conseguir nos derrotar no Rio, mesmo com um a mais em campo boa parte da segunda etapa.

O Campeão Carioca de 2015, rei dos clássicos no Rio de Janeiro e que possui em seus quadros hoje o melhor atleta em atividade na cidade (Nenê) deve buscar investigações sérias devido às enormes coincidências ocorridas contra o clube e seus torcedores, afinal os vascaínos não pagam ingressos e assinaturas de TV para verem seu time ser fragorosamente prejudicado pelas arbitragens, numa vergonha sem precedentes.

Respeito o Vasco mostrou ter voltado, pois encarou, na figura de seu presidente, um julgamento no STJD e expôs as verdades, vistas de forma nítida por todo o Brasil, dos prejuízos causados ao clube na competição. Não houve omissão e ficou de haver investigação.

O escândalo ocorrido na partida Figueirense x Ponte Preta só vem a demonstrar que ainda não se sentiram incomodados, ou constrangidos os responsáveis por sorteios e escalações de arbitragem. Permanece a repetição dos erros cometidos direta ou indiretamente contra a maior vítima da arbitragem neste campeonato: o Vasco.

Sigamos em frente.

Sérgio Frias