Arquivo da categoria: Coluna do Torcedor

A Torcida que Faz Gol

A resiliência da torcida do Vasco ontem foi incrível. Me fez lembrar daqueles suburbanos e pretos pobres que foram agredidos nos arredores das Laranjeiras em 1923 por torcedores do Flu (e Fla!) depois do título. E que, no ano seguinte, voltaram lá e levaram mais um caneco pra Colina. E que, depois, quando seu clube, vitorioso, foi impedido de disputar o campeonato por conta de seus jogadores pobres e negros, seguiu o apoiando incondicionalmente. E que, quando o requisito exigido pelos rivais da Zona Sul para a presença na competição foi a propriedade, um estádio, ajudou a construir o maior deles até então, São Januário. E que, nos anos 1970, quase que como uma necessidade de autodefesa, apoiou o nascimento da Força Jovem. E que, nos anos 1980 e 1990, não se curvou à imprensa rubro negra com seu menosprezo aos títulos vascaínos e suas insistentes propostas de criação de ligas alternativas – sem o Vasco, claro. E que, no fim do século passado, empurrou o time nas conquistas nacionais e internacionais. E que, com o troféu da Libertadores em mãos, a caminho de São Januário, decidiu dar uma passada na Gávea para exibi-lo. E que, ontem, foi para um estádio no qual não se sabia se poderia entrar. Foi assistir a um jogo que não saberia se poderia assistir.

Mas foi mesmo assim, e de lá não arredou pé. Uma torcida que enfrentou a polícia com seus cavalos, gás, bombas e covardia, e que se dispersou apenas para se reagrupar novamente. E que colocou de joelhos a desembargadora dondoca, o MP, a imprensa, a polícia e o bispo de olhos vermelhos. E que, uma vez no seu lugar de direito, clamou por uma marcação pressão que resultou numa roubada de bola e em uma falta próxima à área tricolor.

As imagens ficaram sendo observadas por diferentes ângulos pra saber se a bola havia tocado em alguém antes de ganhar as redes. A autoria do gol ficou em suspenso. Ela foi tocada sim, mas quem o fez não foi o garoto Marrone. Quem a desviou para o gol foram os resistentes torcedores vascaínos, os de ontem e os de 1923.

Felipe Demier

A VELHA PARCIALIDADE DA MÍDIA BUGADA

 

No dia 07/05/2017, Flamengo e Fluminense faziam o segundo jogo da final do Carioca daquele ano, vencida pelo rubro-negro e decretando o título de campeão a equipe da Gávea.

O Flamengo foi campeão estadual daquele ano, mesmo sem ter vencido um turno sequer do certame, na medida em que o Fluminense ganhara a Taça Guanabara, e o Vasco a Taça Rio.

A final de hoje reflete situação semelhante à do ano passado. Vasco e Botafogo decidem a competição sem que ambas conquistassem um turno.

Mas o que me causa mais estranheza é a maneira pela qual o Jornal Extra noticiou ambas as matérias. Em 2017, não houve qualquer menção sobre esse “fato curioso”. Duvida? Segue abaixo:

2017

2018

Por: Caio Hasche

Portões Fechados

Portões fechados.

Eis o fato que será percebido por grande parte dos vascaínos no jogo de hoje. Fato este que não se exaure em si mesmo.

Outros portões foram batidos à face do tal do direito. Foram sistematicamente fechados, a partir do momento em que uma, dentre tantas ações, prosperou em uma determinada Vara. Sim, o direito de petição é garantido. Entretanto, também o são o direito à ampla defesa e ao contraditório, como, analogamente, deveria ser o devido processo legal.

Ainda assim, tentou-se que os portões fossem abertos.  Apelamos aos semideuses guardiões das chaves, numa oração longa, bem feita e, sobretudo, muito bem fundamentada. A resposta foi um trovão que não durou mais do que algumas linhas no processador de texto. Semideuses são assim. Não são deuses. Se lhes abunda a onipotência, falta-lhes a onisciência. E a isso se deve toda sorte de atropelos ora vivenciados.

Rafael Furtado

Doutrinando otários, fazendo deles bovinos

Mais de oito mil invadindo o estádio sem ingresso, nas ruas idosos caindo, crianças chorando, atropelamento, saque, roubo e pancadaria generalizada, tudo ao mesmo tempo e na tevê os apresentadores, repórteres e comentaristas não pediam punição imediata, não, nem se mostravam indignados contra um clube específico, nem contra um dirigente, muito menos contra um estádio. Concordavam todos, isto sim, que aquelas cenas lamentáveis, envolvendo milhares de pessoas com a camisa de um mesmo time, eram um problema grave, mas de toda a sociedade.

Passada a onda do cheirinho, sem mais possibilidades de título para o queridinho no campeonato, a mídia viu no fim do ano passado a chance de uma felicidade ainda maior, com o possível não acesso do Vasco. Só que não. A mídia então entrou 2017 enfatizando sempre que podia, com números, tentando até ironia, a diferença abissal que havia no momento entre o queridinho dela lá em cima, favorito a todos os títulos, inclusive Libertadores, e o Vasco, que lutaria única e exclusivamente, o ano todo, pra não ser rebaixado.

Não importava muito que ali, no comecinho de 2017, o Vasco estivesse há nove jogos sem perder para o rival, com seis vitórias e três empates, tendo eliminado o queridinho da mídia em dois mata-matas num mesmo ano, no Carioca e na Copa do Brasil. Não, nada disso importava e passou a importar menos ainda depois do fim do jejum do Flamengo contra o rival mais odiado, logo antes do carnaval, na semifinal da Taça Guanabara, numa vitória que, pro lado deles, na história do confronto, pode ser considerada clássica: um a zero com gol de pênalti duvidoso, maroto.

Mas não pra mídia, claro, que além de ratificar, garantir a nitidez do pênalti maroto, inovou na final da Taça, na primeira mostra dada pelo queridinho no ano de que mesmo com o supertime de supercraques superfavoritos a tudo, sem a ajudinha extra de sempre, não dava. Tendo ao fundo a imagem dos jogadores do Fluminense comemorando a vitória nos pênaltis, a emissora detentora de todos os direitos de transmissão, de todos os campeonatos à base, diz o FBI, de muita propina, não exibiu o escudo do time com a inscrição esperada, de campeão, não. Em vez disso exibiu na tela a lista de todos os campeões da Taça, por ordem de número de títulos, que mostrava em primeiro, em cima, altaneiro, o time que acabava de ser vice pela primeira vez no ano, no caso, o Flamengo.

A eliminação diante do Vasco na semifinal da Taça Rio, em meio à Libertadores, foi considerada quase benéfica para o queridinho, ainda mais com o 0 a 0, sem derrota. E na final ainda mais desvalorizada pelo absurdo do regulamento, com a vitória cruzmaltina sobre o Botafogo dentro da casa deles, nem antes nem depois de Luis Fabiano, tendo desencantado fazendo o gol do título, erguer o troféu, em nenhum momento a emissora investigada exibiu a lista de todos os campeões da Taça, que mostraria em primeiro, no alto, o Vasco, e em segundo, o Flamengo.

E na final do campeonato, depois de ter quase ignorado a simulação de um árbitro, assunto no mundo inteiro, pra gritar sobre um pênalti que nada valia, a mídia fez vista grossa a outro daqueles fatos inacreditáveis que só acontecem com o Flamengo. Com a vitória de 1 a 0 do Fluminense, o jogo se encaminhava pra decisão por pênaltis quando, lá pelos quarenta do segundo tempo, Réver subiu fazendo falta escandalosa no adversário, pra cabecear a bola que redundou no gol de Guerrero. O juiz não só não marcou nada, como vibrou com o gol ilegal validado por ele, cerrando e balançando o punho rapidinho no calor do momento, sem conseguir se conter com a bola estufando a rede.

Enquanto isso, sem dar a menor importância aos sentimentos indisfarçáveis do árbitro, a mídia comemorava, repetia confiante, feliz, o que já havia feito seis, sete vezes antes de eliminações quase todas vexaminosas de seu queridinho na Libertadores. E de novo não deu outra. Gol do San Lorenzo no último minuto, gol de Casalbé pro Furacão no solo sagrado do Chile, e o Flamengo estava eliminado na fase de grupos do torneio pela terceira vez seguida, a quinta no total, recordista absoluto, entre os brasileiros, neste quesito.

Nisso o jornal com o mesmo nome da emissora suspeita de corrupção, sonegação e otras cositas más já tinha publicado o guia do Campeonato Brasileiro, iniciado havia menos de duas semanas. E além das previsões alvissareiras, de favoritismo absoluto para o seu queridinho, o guia do jornal falava também até em título e disputa lá em cima, mirando a Libertadores, pelo menos nos subtítulos das páginas destinadas ao Botafogo e ao Fluminense. Quanto ao Vasco, só se falava de briga contra nova queda, de dificuldades à vista, muitas, de rebaixamento.

Por si só histórica, tal edição do guia do jornal movido a passaralhos tem ainda uma sutil alteração em relação às de campeonatos anteriores, pero muy significativa. Como se sabe, pela milionésima vez a Justiça decidiu que um time que correu da decisão não pode ser declarado campeão só porque a imprensa diz isso. Depois de pleitear o título só pra ele esgotando todos os recursos, o queridinho da mídia perdeu o último recurso pra pleitear a divisão do título. A não ser que o clube peça agora à Justiça assim, na boa, pelo menos um terço do campeonato, só pra dizer por aí que é hexa, sabe cumé…, se isso não acontecer, acabou, finito.

Terminou a contenda na Justiça e sumiu, assim, o asterisco na lista de campeões nacionais publicada anualmente no guia. Não há mais a explicação em letra miúda, lá embaixo, sobre o motivo de num ano haver dois campeões assinalados, mas a lista continua com os dois campeões de sempre, o queridinho ainda hexa por birra, desejo irrefreável ou demagogia, e danem-se os fatos, a fuga do quadrangular final, a Justiça.

O asterisco agora aparece em outra lista, a dos campeões sulamericanos, ou da Libertadores, como prefere colocar a mídia em geral, inclusive o citado jornal, que se apega à nomenclatura diversa dos torneios (como se o Brasileirão já não tivesse sido João Havelange, Taça de Prata, Ouro, Copa Brasil ou Robertão) e à ordem alfabética pra manter o Flamengo acima do Vasco, cada qual com um título. E embaixo, ele, o asterisco, a avisar em letra pequenininha que o Vasco foi campeão dos campeões sulamericanos em 1948.

Em 1996, a Conmebol reconheceu oficialmente o campeonato sulamericano de 48 do Vasco e como mostra cabal de que o nível do título não ficava um milímetro abaixo da principal competição do continente (historicamente, como primeiro campeonato continental da história, 48 vale mais que qualquer Champions League da vida), incluiu o clube entre os participantes da Supercopa dos Campeões da Libertadores, um ano antes de o Vasco conquistar também a Taça e com ela o bicampeonato continental, sem ajuda do juiz e no ano do centenário.

O curioso é que, ao contrário do asterisco da lista dos campeões brasileiros, referente a 87, que sempre transformou o três do Flamengo em quatro, depois o quatro em cinco e por fim o cinco em seis, o asterisco de 48 não transforma o 1 do Vasco na lista de campeões continentais em 2. Imagina, botar o queridinho embaixo, o desavisado que fizesse isso certamente estaria sujeito a broncas do editor ou até quem sabe, já que por lá se manda tanta gente embora, a toda hora, a uma demissão, quiçá por justa causa.

Mas falávamos do guia, sobre o Vasco lutando só pra não ser rebaixado, e como mostra o texto anterior publicado aqui neste blog, as previsões sombrias do jornal começaram a se tornar furadas cedo, na primeira metade do primeiro turno do campeonato, com o time com aproveitamento de campeão em casa, arrecadando, enchendo São Januário homenageado na camisa, pelos seus noventa anos. Aí veio o jogo contra o queridinho da mídia e o atentado ao nosso caldeirão, com a mídia indignada, fazendo cara de raiva não pra quem incitou a violência nas redes sociais, com objetivos eleitoreiros, muito menos para o policial que postou nas mesmas redes a foto dele com a camisa do Flamengo, ao lado do vídeo dele se divertindo a valer no gramado de São Januário, deixando o pau comer solto e dando tiros a esmo no meio da arquibancada lotada.

A revolta dos apresentadores, editores, repórteres e comentaristas, as fisionomias sérias, pedindo punição severa, eram todas destinadas ao Vasco, ou na figura do presidente do clube, ou na de seu estádio, cuja segurança era questionada a cada parágrafo do noticiário. Mas mesmo com tudo isso, mesmo sem torcida, sem estádio, sem pênalti marcado o Vasco com Martin Silva no gol e Anderson Martins na zaga voltou a brigar pela vaga na Libertadores, estilhaçando de vez, já na primeira metade do returno, as bolas de cristal que só viam rebaixamento.

Os mesmos especialistas que previam antes pro Vasco a luta ferrenha contra a queda passaram a dizer que só com G9 o time chegaria a Libertadores, e alguns deles criticavam abertamente o excesso de vagas pra principal competição do continente, como se a Conmebol estivesse deixando entrar qualquer um. Um deles, ao vivo, citou por duas ou três vezes, no mínimo, na reta final e depois de terminado o campeonato, o aproveitamento de menos de 50% do Vasco como exemplo da tal banalização do torneio.

O Vasco tem menos de 50% de aproveitamento e está na Pré-Libertadores, dizia o especialista, e nas três ou quatro vezes em que disse isso o jornalista não lembrou que com aproveitamento idêntico, e isso somente graças a mais um pênalti estranho, no último minuto, aliás parecido com aquele cometido por Everton Ribeiro em São Januário, obviamente não marcado, com o mesmo número de pontos e de vitórias que o Vasco, o Flamengo não está na Pré-Libertadores, mas na fase de grupos.

Vice-campeão da Copa do Brasil profissional e da Copa do Brasil sub 20 no mesmo ano, o queridinho da mídia favorito a todos os títulos terminava o campeonato com a mesma pontuação do futuro virtual rebaixado, e os jogadores rubro-negros se abraçavam, comemorando efusivamente o pênalti caído do céu, estranho, muito estranho, que lhes garantia o sexto lugar e a calma necessária, diziam, pra vencer, enfim, pela primeira vez na história, uma final continental contra um grande clube estrangeiro. Só que não.

O Flamengo perdeu para o Independiente a decisão da Copa Sulamericana e se tornou o maior vice de copas secundárias da América, vice da Supercopa dos Campeões da Libertadores em 93 e 95, vice da Mercosul em 2001 e, agora, vice da Sulamericana, vice de todos os tipos de torneios secundários já inventados no continente, tetra vice, assim como na Copa do Brasil. E na noite da final, no entorno das modernas e semiabandonadas instalações do Novo Maracanã, o que se viu foi a barbárie, algo muito, mas muito além do caos orquestrado no velho e querido São Januário. Mais de oito mil invadindo o estádio sem ingresso, nas ruas idosos caindo, crianças chorando, atropelamento, saque, roubo e pancadaria generalizada, tudo ao mesmo tempo e na tevê os apresentadores, repórteres e comentaristas não pediam punição imediata, não, nem se mostravam indignados contra um clube específico, nem contra um dirigente, muito menos contra um estádio. Concordavam todos, isto sim, que aquelas cenas lamentáveis, envolvendo milhares de pessoas com a camisa de um mesmo time, eram um problema grave, mas de toda a sociedade.

Quanto ao Vasco, depois de prever rebaixamento e ver o time conquistar uma impensável, pra ela, vaga na Libertadores, a mídia não exaltou o feito conquistado com São Januário em sua melhor forma após a punição, abarrotado, feito extraordinário segundo os próprios prognósticos dela. Em vez disso tem preferido concentrar o noticiário sobre o clube na política, a mostrar o quanto será difícil, muito difícil a trajetória do time em torneio tão complicado, em meio ao imbróglio eleitoral que jamais poderia prosperar sem a ajuda providencial dela, a mídia.

E se existe mesmo alguém que sinceramente torça para o Vasco e não está feliz com o ano terminado, com essa campanha desde já histórica, por todos os obstáculos criados, por todas as previsões furadas, pelos pênaltis não marcados; se vascaínos de fato preferem seguir a pauta da mídia e acham que tá tudo errado com o time de volta à Libertadores com Martin Silva no gol, Breno e Anderson Martins na zaga, Paulinho prestes a estourar, já tendo decidido muito mais este ano do que a nova joia superfaturada da Gávea, e ainda Evander, Mateus Vital, Guilherme etc, com Nenê de maestro e cia; se tantos e tantos torcedores comentam nas redes, alguns até que não são fakes, preocupados mesmo em tirar o presidente pra botar no lugar o grupo político que deixou o clube insolvente, rebaixado duas vezes, fazendo dessa forma, direitinho, a vontade da mídia anti-vascaína; se há torcedores do Club de Regatas Vasco da Gama que querem o bem do time e ainda assim não perceberam o momento, a iminência de disputar a Libertadores com um bom técnico, uma boa equipe, e iniciando a caminhada, setenta anos depois da primeira conquista, no mesmo Chile; se esse tipo de torcedor prefere reclamar, acreditando na tal da mídia, então, com todo o respeito, só se pode chegar à conclusão de que este sincero vascaíno é um otário, e de otário pra bovino, só falta o mugido.

Fonte: pautaevasco.blogspot.com.br

Sobre bolas de cristal estilhaçadas

Setenta anos depois de 1948, vinte anos depois de 1998, o Vasco estará de volta à Libertadores em 2018. Torcida, jogadores, dirigentes e comissão técnica se abraçaram ao apito final contra a Macaca, num São Januário com recorde de público, mais de 22 mil pessoas celebrando e a mídia, alguns especialistas que previram a luta ferrenha contra o rebaixamento já lançavam ali seus prognósticos, dizendo que o time precisaria de muitos, muitos reforços, que o elenco, pra disputar uma Libertadores, era limitado.

No início, no primeiro minuto do campeonato teve o pênalti marcado contra o Vasco, estreando contra o campeão e fora de casa. Jomar não tocou no adversário, mas narrador, comentarista, repórter, todos concordaram que tinha sido pênalti mesmo, assim como o puxão que Yago Pikachu levou dentro da área uns dez minutos depois, este não marcado e logo esquecido, porque o time levou o segundo, o terceiro e o quarto. Quatro a zero Palmeiras e toda a mídia esportiva afirmava, em unanimidade rodrigueana: o Vasco vai brigar pra não ser rebaixado.

A declaração do presidente do clube, de que o time iria pras cabeças, virou meme e fez a festa de especialistas, mas não por muito tempo, porque logo na segunda rodada, contra o Bahia, entrou em campo um senhor nonagenário. Homenageado na camisa, pelos 90 anos completados neste 2017, São Januário, lotado, viu a vitória sobre o Tricolor baiano com gols do mesmo Pikachu do pênalti não marcado e de Luis Fabiano, fazendo o seu de número 400.

No jogo seguinte, ainda mais abarrotado, o velho e elegante estádio que, espero, jamais virará arena viu novo gol do Fabuloso, abrindo o placar, depois o festival de pênaltis pro Fluminense virar e então o petardo de Manga Escobar, que em seu jogo de glória com a camisa cruzmaltina deu ainda o passe pra que Nenê, no minuto final, virasse de novo o placar. Êxtase, delírio, loucura em São Januário que, depois da derrota maluca para o futuro campeão, veria ainda o time ganhar do Sport com Fabuloso marcando o primeiro, de novo ele, e o segundo de Douglas Luiz, mais recente joia milionária da base.

Contra o Avaí, Nenê arrancou pela esquerda pra dar o gol da vitória a Pikachu, na pequena área, e no jogo seguinte em São Januário, contra o Atlético Goianiense, o camisa 10 garantiu os três pontos em cobrança perfeita de falta. Em seis jogos, o Vasco conseguia a quinta vitória no gramado inigualável em história do estádio que não é só templo, nem somente caldeirão ou solo sagrado, é tapa na cara. Somado ao primeiro ponto fora, contra o Coritiba, esse desempenho em casa levou o Vasco, na décima primeira rodada, à sexta colocação, dentro da pré-Libertadores.

Então veio o jogo contra o Flamengo em São Januário, mas antes vieram as mensagens nas redes sociais incitando a violência dentro do estádio, e os ensaios de protestos contra o Corinthians e o Avaí. A política de sempre, a divisão criada, incitada e alimentada pela mídia que sempre torceu contra, sempre torcerá, não importa o presidente. Um grupo político quer voltar a presidir o Vasco, o mesmo grupo que em seis anos e meio de administração deixou o clube com dívidas triplicadas, água cortada, ginásio abandonado, alojamentos da base destruídos e duas vezes, como nunca antes deles na história, rebaixado.

Seis anos e meio porque tal grupo político, com o mesmo candidato atual, simplesmente não marcou as eleições no tempo determinado. Protelou o próprio mandato com a ajuda do Judiciário estadual por seis meses e, nesse período, assinou confissões e mais confissões de dívidas milionárias. A mídia soube disso e chegou a divulgar, sim, mas não nos títulos das matérias, porque na mesma entrevista coletiva sobre o estado em que o clube foi deixado, o atual presidente anunciou a candidatura à reeleição. Motivo dado, portanto, pra que a mídia varresse as denúncias pra debaixo do tapete de seus comentários e continuasse a apoiar incondicionalmente o grupo político que deixou o Vasco em tal estado lastimável, pré-falimentar, e que agora, de novo nos tribunais, quer voltar.

Ninguém na mídia achou estranho o comportamento dos policiais militares, que costumam partir pro confronto munidos de cassetetes, escudo e gás de pimenta, distribuindo cacetadas pra debelar logo qualquer confronto na arquibancada, mas não em São Januário. No estádio nonagenário homenageado na camisa, a PM ficou no meio do gramado, olhando e lançando suas bombas, deixando o pau cantar livre na arquibancada e só aumentando o barulho de guerra, de bomba, o terror descrito pelas fisionomias sérias dos apresentadores, não direcionadas à Polícia Militar nem à oposição, claro que não, mas à vítima de tudo aquilo, ao Vasco.

Nenhum jornalista incomodou o autor das mensagens incitando a violência em São Januário, nenhum repórter ou editor sequer se preocupou com o policial que postou nas redes sociais o vídeo dele mesmo se divertindo à beça atirando, do gramado, bombas de efeito moral no meio da arquibancada lotada. Não houve pena ou voz que cogitasse a possibilidade de todo o ocorrido em São Januário naquele Vasco x Flamengo ter sido provocado pelo grupo político que teria sérias dificuldades eleitorais no fim do ano, se o time continuasse daquele jeito e acabasse, imagina só, na Libertadores.

Não, nem uma suspeita foi levantada contra os aliados enquanto a mídia montava sua tese com a firmeza de um andaime enferrujado, engolindo de um talo, sem pestanejar nem questionar, as denúncias mastigadinhas dos órgãos oficiais. E logo apareceu um promotor parceiro, aliás, um que aparece a toda hora, o mesmo que há dez, onze anos, pediu a destituição da mesma diretoria atual do Vasco por um motivo muito importante, no caso a quantidade de pontos de venda de ingressos. Surgiu esse promotor em cena pedindo de novo a destituição da mesma diretoria, e junto pedindo a interdição de São Januário para todo o sempre, o que nos leva a imaginar qual seria o próximo passo de tão dileto promotor, onipresente nas páginas e telas da imprensa. Pediria ele, por algum motivo tão importante quanto a quantidade certa de pontos de venda de ingresso, pediria ele a demolição do estádio?

O STJD não agasalhou os desejos do promotor, mas impôs pena dura ao Vasco, que primeiro ficou sem seu estádio e empatou com o Santos no Nilton Santos vazio, empatou com o Palmeiras e perdeu do Atlético Paranaense e do Cruzeiro jogando em Volta Redonda. Depois voltou a São Januário vazio pra ganhar do Grêmio com show da torcida do lado de fora, ela que repetiu a dose contra a Chapecoense, no empate com gol espírita que hoje, com a classificação deles pra Liberta e também a nossa, faz todo o sentido.

Nesse tempo difícil o time perdeu também Luis Fabiano, lesionado até o fim do campeonato, e chegou a ficar perto da zona de rebaixamento. Relegada à primeira rodada, e mais nada, a bola de cristal unânime da mídia prevendo a luta contra o descenso esteve a dois, três pontos de voltar a fazer sentido. Os especialistas, com certo ar de alívio, retomavam com força as projeções sombrias para o time, que não vencia há cinco jogos quando Ramon acertou no ângulo pra decretar a segunda das duas vitórias, no turno e no returno, contra o velho freguês das Laranjeiras.

Em seguida veio o show da torcida do lado de fora de São Januário vazio contra o Grêmio, com o gol da vitória de Mateus Vital pra confirmar a ascensão da base vascaína, que se fez presente no momento mais difícil da campanha. Thalles, com um golaço, seu segundo e último no campeonato, teve seu canto do cisne na vitória inédita sobre o Vitória no Barradão, antes de se perder de vez na vida, abandonando um talento nato de goleador pelos prazeres da carne, do “crime”. No mesmo jogo Paulo Vítor fez o terceiro e Guilherme, além da jogada para o gol de Thalles, fez o quarto, sacramentando a única goleada do time, solitária vitória por mais de um gol de diferença em 38 jogos.

Contra o Galo, no Horto, quem brilhou foi Paulinho, que no primeiro gol recebeu bela enfiada de Escudero e no segundo, passe perfeito depois de arrancada fenomenal de Guilherme. E ungido pela sábia simplicidade de Valdir Bigode, Nenê deixou as vaidades de lado pra guiar a garotada na reta final, sendo ele, o veterano de 36 anos, o jogador mais decisivo. Nenê fez o gol da vitória contra o Botafogo, deu as assistências, batendo falta ou escanteio, para os gols de Paulão contra o Cruzeiro, de Breno contra o Vitória e do gol contra do Coritiba, e cobrou com perfeição mais uma falta pra dar a vitória contra o Santos na Vila Belmiro, depois do golaço de empate de Evander.

No jogo final, nosso maestro ainda teve a classe de dispensar o único pênalti marcado para o time em todo o campeonato, porque depois de cinco, seis não assinalados, ali já não precisava, já era tarde. Nenê jogou na trave e deixou os gols da vitória contra a Ponte Preta para o futuro, primeiro pra Paulinho, e depois pra Mateus Vital, ambos com a participação do melhor em campo na última rodada, o mesmo Pikachu do pênalti ignorado contra o Palmeiras, autor do gol inaugural da campanha contra o Bahia, no gramado inigualável em história de São Januário.

Setenta anos depois de 1948, vinte anos depois de 1998, o Vasco estará de volta à Libertadores em 2018. Torcida, jogadores, dirigentes e comissão técnica se abraçaram ao apito final contra a Macaca, num São Januário com recorde de público, mais de 22 mil pessoas celebrando e a mídia, alguns especialistas que previram a luta ferrenha contra o rebaixamento já lançavam ali seus prognósticos, dizendo que o time precisaria de muitos, muitos reforços, que o elenco, pra disputar uma Libertadores, era limitado.

Fonte: pautaevasco.blogspot.com.br

O ressentimento não pode parar

 

O título desta modesta coluna faz alusão à frase, ao mote do MUV transparente, honesto e crível: o sentimento não pode parar, mugiam aos quatro ventos, ao comando dos berrantes de sempre. Por si só, a frase já encerra a falsidade intrínseca ao sofisma açucarado. Sentimento não para. Ou existe, ou não existe. Passível de interrupção, todavia, é o simulacro de sentimento, o consciente falseamento de algo que pertence ao campo emocional, transbordante à mera delimitação lógica.

Passemos, postas as devidas conceituações, às considerações atinentes à irresponsabilidade veiculada no RJTV 2ª Edição de hoje, 08.12.2017. Vale lembrar que, ontem, completaram-se 76 anos do ataque a Pearl Harbor, naquele que ficou conhecido como o Dia da Infâmia, visto ter-se tratado de um ataque apartado da necessária declaração de guerra. Analogamente, a emissora que absolveu a si própria em recente caso de corrupção na FIFA, após extensa investigação sobre si mesma, promoveu o seu Dia da Infâmia contra o Vasco. Sem uma declaração aberta de guerra, apoiada somente na vergonhosa e covarde tática de guerrilha midiática, resolveu, novamente, exercitar suas autoconferidas atribuições – de investigação, acusação e julgamento – desta feita para condenar o Costas-Largas de sempre.

De início, fundamental se faz observar que a própria linha editorial adotada diferiu daquela que usualmente é empregada pela concessionária platinada. Na matéria em tela, o proclamado “esquema” e os “falsos” sócios não foram precedidos da palavra supostamente, ou do termo suspeitos (as), como de hábito se faz. A reportagem exibida encerra em si própria a investigação, a peça acusatória e a condenação. Direciona suas baterias ao presidente do Vasco, numa mixórdia que não resistiu às investigações de meia-dúzia de jovens que militam em redes sociais. O Tatá da Granja, suplente de vereador em Magé, já foi desmascarado. Confirmou por si próprio a falsidade de seu depoimento em Delegacia de Polícia e, a essa altura, deve estar a pôr ovos pela cloaca. Não pelo fato de ser sócio, tendo mensalidades pagas por terceiros, segundo asseverou ao RJTV. Mas sim por haver mentido à autoridade policial, motivo pelo qual foi apresentada queixa-crime contra o cidadão em questão. Desta forma, esperam-se as devidas providências do delegado a cargo do expediente.

Em relação aos demais personagens elencados na ópera-bufa da emissora investigada pelo FBI, de fato não merecem relevância alguma, pois quem captou o retorno de sócios ou mesmo pagou suas mensalidades não foi o clube, não foi o presidente. Além do mais, estes não prestaram falsos testemunhos às autoridades competentes. E fim de discussão! Mobilizar-se politicamente, captando o retorno de sócios e/ou regularizando-os estatutariamente é questão de foro íntimo e possibilidade financeira individual. É fenômeno comum, acontece de lado a lado, não encerrando questões que se lhe atribuam caráter de ilicitude. Eu mesmo associarei quatro pessoas ao menos, o que não fará de mim um criminoso. Pelo contrário, cumprirei meu papel de vascaíno e sócio, ajudando o clube financeiramente e, subsidiariamente, arregimentando pessoas cujos conceitos de Vasco se coadunam aos de Eurico Miranda, Casaca, aos fundadores do clube e aos meus. Política feita da maneira como deve ser, mediante a capacidade de mobilização. Simples assim.

Outro fator de extrema relevância e muito pouco citado – ou convenientemente editado – nessas matérias, deveria ser argumento basilar nessa estúpida pantomima criada pela oposição ao Vasco, sob os auspícios e conivência da grande mídia, sobretudo as Organizações Globo, não coincidentemente, a dona dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Trata-se do inquestionável fato de que o voto é secreto e a cabine de votação, inviolável. Portanto, torna-se inviável qualquer iniciativa em relação à compra de votos. Isto não passa de uma falácia maldosa, cujos objetivos restam claros a quem se dedica ao entendimento das coisas do Vasco.

Enfim, poderia gastar laudas e mais laudas apontando as inconsistências da reportagem sob encomenda, o que tornaria o texto ainda mais enfadonho. Contudo, importante é deixar aos vascaínos, sócios ou não, o devido contraponto. E mais: lançar questões que cada um de nós deve procurar responder, sob a égide do bom senso. A quem interessa a volta daqueles que rebaixaram a instituição em todos os aspectos possíveis? Após três anos de reconstrução institucional, patrimonial e esportiva – nas categorias principais ou de base, a quem pode interessar a volta do Vasco débil? Após a paciente e continua recuperação dos patamares econômicos dos direitos televisivos – ainda em curso e mediante muita luta, face ao contrato lesivo que foi assinado pelo MUV/Banana – a quem interessa a regressão ao status anterior? Após muito trabalho, dificuldades e poucos recursos o Vasco alcança, novamente, a principal competição do continente. A quem pode interessar o retorno aos tempos de calote a jogadores, fornecedores, funcionários e obrigações tributárias? Portanto, vascaínos, reflitam com cuidado. Precavenham-se contra reportagens açodadas e assentadas na lama do ressentimento.

Tenham em mente que, para essa gente, o ressentimento é histórico. Para eles, o ressentimento não pode parar.

Rafael Furtado

Sócio Proprietário

Em defesa da matemática

 

Números não mentem!

Esse é o slogan, certo?

Mas como todo slogan, ele não é perfeito, ainda mais quando usado sem a devida cautela.

Certo matemático de uma renomada universidade brasileira, claramente não usou do princípio da precaução num caso recente.

Um erro, que pode ser considerado até ingênuo, foi cometido.

Causado talvez pela ânsia de defender uma tese, talvez pela falta de conhecimento.

Independente do motivo, a coitada da matemática não precisava ser metida nessa confusão e ainda mais desse jeito.

Certa eleição apresentou seu resultado em diferentes urnas. Uma urna continha os votos de determinado período cronológico. As outras continham os demais votos distribuídos de maneira aleatória em relação a cronologia.

Pois bem, dito economista, formulou uma conclusão baseado no fato que a percentagem de votos observada na dita urna especial diverge enormemente da proporção observada nas outras urnas. Chegou-se a dizer que a probabilidade de isso ocorrer seria mais difícil do que ganhar na Mega-Sena.

Quem dera ganhar na Mega-Sena fosse fácil assim!

A verdade é que não se pode inferir matematicamente tal conclusão da comparação de amostras retiradas da mesma população, mas que foram selecionadas de maneiras distintas e sem conhecimento prévio sobre as suas respectivas distribuições de probabilidade. Pior ainda quando a amostra não aleatória, a urna em questão, tem como processo de seleção uma variável altamente correlacionada com a própria decisão de voto.

Deixa eu explicar o motivo disso tudo com um exemplo muito mais claro e próximo do cotidiano dos cariocas.

Suponha que alguém queira encontrar a proporção existente entre as etnias dos moradores da cidade do Rio de Janeiro.

Com esse intuito faz-se o seguinte experimento, cada pessoa moradora de cada bairro do Rio de Janeiro deve colocar na urna do seu bairro um voto que contém a cor da sua pele.

Sendo o número de votos grande o suficiente, ao fim da votação somando-se os votos de todas as urnas da cidade obteremos uma aproximação significativa da proporção de brancos, negros, amarelos, pardos e indígenas da população.

Até aí a estatística é perfeita.

Agora suponha que os moradores dos bairros do Leblon e da Gávea votaram em uma urna separada.

Você como um leitor inteligente já deve entender a que ponto quero chegar.

Os resultados dessa urna são claramente muito diferentes do resultado final. Mas porquê?

Será que todo o estudo sería inválido por causa dos resultados dessa urna?

Teríamos que anular os resultados dessa urna “manipulada” e contabilizar a etnia da população sem esses valores?

É verdade que é mais fácil ganhar na Mega-Sena do que o resultado dessa urna ser verdadeiro?

Que resposta você daria a todas essas perguntas?

Adoraria que ao menos a resposta à última pergunta fosse verdadeira, mas ficar rico da noite pro dia não é tão fácil assim como você já deve saber.

É claro, óbvio, evidente, manifesto que, como uma pessoa inteligente, a resposta que você deu a todas as perguntas acima foi um lindo e sonoro NÃO.

Mas por que os resultados tão diferentes da “urna da zona sul” fazem total sentido nesse caso?

É lógico! Simplesmente porque você está familiarizado com a relação existente entre o lugar de moradia das pessoas de maior poder aquisitivo do Rio de Janeiro e a sua etnia. Em termos estatísticos, essa urna não apresenta a mesma distribuição de probabilidades de votos que as urnas do resto da cidade.

A amostra da população contida nessa urna foi realizada de maneira discricionária através de um critério que apresenta alta correlação com o resultado do voto. Em outras palavras, existe uma alta correlação entre a etnia e o lugar de moradia no Rio de Janeiro, assim como existe entre a condição econômica de um país e o índice de aprovação do governo, ou sobre a inclinação política em um clube de futebol e a cronologia da associação.

Por esse exato motivo, o cálculo realizado pelo matemático é errado por princípio.

A probabilidade da urna em questão ter tamanha diferença de votos em relação às outras urnas pode ser até mesmo muito mais próxima de 100% do que da advogada probabilidade menor do que ganhar na Mega-Sena.

Isso ficou tão claro no exemplo de etnia descrito acima, como também deveria ser em uma análise isenta dos votos da eleição do clube em questão.

A verdade é uma só, é impossível calcular essa probabilidade sem conhecimento da distribuição de probabilidade entre a data de associação e a correspondente inclinação pelo voto em determinados candidatos do clube. Mais importante ainda, esse dado é impossível de ser auferido em eleições de voto secreto.

No fim, se a origem desse erro estatístico vem da falta de conhecimento, é lamentável que tenha sido propagado dessa maneira.

Se o erro foi cometido pela vontade de defender uma tese, é temerário perceber que tais resultados possam ser usados num processo legal sem o devido cuidado.

A única verdade nisso tudo é que o método usado e as conclusões obtidas sofreriam uma rejeição primária em qualquer processo de “peer review” de uma revista conceituada. Na verdade, as conclusões publicadas por veículos de informação de alta circulação justificariam até uma reprovação em cursos de estatística de nível universitário.

Mas voltando ao mais importante, não estou aqui para defender o Júlio, o Eurico, ou o Horta.

Só escrevi esse artigo para defender quem não tem culpa de nada e não pode se defender.

Coitada da Matemática ser difamada assim!

Renato Rodrigues

Currículo:

  • PhD in Electric Power Systems – Universidad Pontifícia Comillas (Madrid, Spain)
    (2010-today)
  • Master in Electric Power Systems – Universidad Pontifícia Comillas (Madrid, Spain)
    (2008-2010)
  • Master in Industrial Economics – Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ, Brasil)
    (2005-2007)
  • Graduated in economics – Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ, Brasil)
    (2000-2005)

 

Indevidas Intervenções

 

Não canso de me surpreender com notícias que reportam movimentações na banda suíça da administração pública, aquela que vive num universo de bonança, sedes suntuosas, salários polpudos e que, talvez por excesso de zelo – ou absoluta falta de assunto premente – tem por hábito meter seu bedelho nas eleições do Vasco.

Estranhamente, somente na do Vasco.

Enquanto membro inconteste do respeitável público, com a devida vênia aos bambambans do cantão suíço da Justiça, pretendo tão somente compreender a atuação do tal Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest) do MP do Estado do Rio de Janeiro. Soube que os luminares-que-sabem-o que-é-melhor-para-a-sociedade solicitaram ao tal Juizado do Torcedor a suspensão das eleições do Club de Regatas Vasco da Gama. Note-se, uma entidade privada regida por um estatuto próprio, devidamente registrado nos cafundós da burocracia tupiniquim. Enfim, eles sabem o que é melhor para arraia-miúda. Ademais, a guilda dos doutores da lei também lá estará para proteger, magnanimamente, os interesses da plebe mais do que rude…

Assim sendo, creio que devamos ser muito agradecidos aos brâmanes alpinos de terra brasilis. Afinal, eles se dedicam ao Vasco, deixando de lado deveres de ofício cuja importância é, sobremaneira, inquestionável. Não há como não se sentir lisonjeado… Porquanto o grupo de atuação especializada, esquecendo-se de questões tais e quais o mau uso do chamado equipamento esportivo olímpico, do ex-Maracanã, do ex-Célio de Barros, dedica precioso tempo a questões de âmbito e interesse privados.

Certamente uma honraria dedicada ao nosso Vasco. Uma exclusividade. Claro, não se deve aqui faltar com a justiça, já que o texto aborda tão magnânimo conceito e faz loas a seus bastiões. Neste diapasão, cabe reservar à chamada oposição do Vasco a importante tarefa de motivar, dar azo àqueles que ora adentram o picadeiro, oferecendo verdadeiro espetáculo ao público incauto. Formam um conjunto e tanto!

No mais, resta-nos aguardar a manifestação do Juízo do Torcedor, outro braço de excelência na porção suíça da administração pública. Aguardemos, pois, o resultado da benevolente tutela que se impõe a uma instituição privada, instituição esta regulada mediante dispositivos estabelecidos em seu estatuto social, na forma da lei.

Aguardemos, pois, ansiosamente e com os olhos marejados de emoção – considerando-se que interrompem trabalhos de extrema relevância com o único intuito de engrandecer o nosso Vasco da Gama – o resultado da prestação jurisdicional que nos é concedida por aqueles-que-sabem-o que-é-melhor-para-a-sociedade. Descasos e desvios olímpicos podem esperar. O abandonado complexo do ex-Maracanã pode esperar. Punições a torcedores que não sejam os vascaínos também podem esperar.

Face ao acima exposto, temo que venhamos a ser acusados de receber tratamento privilegiado da casta indo-suiça dos brâmanes dos cantões da administração da justiça. Seria uma lástima para um clube que sempre representou o contraponto ao status quo, ao sistema e aos preconceitos. Temo que, no fim das contas, a culpa seja d’Ôrico…

Rafael Furtado, sócio proprietário.

Correndo atrás do próprio rabo

 

Resolvi por assim intitular estas minhas elucubrações acerca da entrevista do postulante a presidente do Vasco em eleição próxima. Isto porque achei similaridade com o fato atinente ao comportamento canino e a mesma.

Por que cachorro corre atrás do próprio rabo?
Se você tem um cachorro de estimação, provavelmente já deve ter flagrado alguma cena do animalzinho correndo atrás do próprio rabo, em círculos. Mas você já parou para pensar qual a razão dessa atitude?
De acordo com veterinários e terapeutas de animais, há mais de uma justificativa para esse comportamento, algumas até preocupantes para a saúde do bicho. Uma das explicações, conforme os especialistas, seria a percepção de que correr em círculos desperta a atenção do dono. O cachorro pode transformar isso numa estratégia.

Também por tédio ou falta de estimulação ambiental, cães com forte instinto de caça podem canalizar essa necessidade não realizada “caçando o próprio rabo”, explicam.
Outra possibilidade é a tentativa de aliviar algum desconforto presente na região do ânus ou do rabo, como pulgas, dermatites ou inflamações da glândula paranal.
Acho que descarto esta possibilidade.

Pulando das afetações e sintomatologias dos pets ao nosso dia a dia. Dos caninos aos racionais (de eleitores ansiosos e postulantes ao cargo de supremo mandatário da nau vascaína):

Se o rapaz alvo da entrevista, que almeja presidir o Vasco, entende que o clube esteja na UTI, apesar de grandes e perceptíveis recuperações em vários níveis, patrimoniais, tributárias, etc, então estamos diante de alguém muito visionário, competente e porque não dizer ungido por certa magia que contempla pessoas pra lá de especiais, que militam num mundo e mercado mais que capitalistas.

De pessoas que conseguiram amealhar riquezas, poderio econômico, num mundo extremamente competitivo, desigual e de poucas oportunidades para tanto e tantos.

Claro que não me refiro aos que embolsam dinheiro alheio, fruto de corrupção e golpes. Nem a narcotraficantes ou traficantes de seja lá o que for. Também não falo daqueles que herdaram grandes fortunas para as quais trabalharam seus antecessores.

Me refiro aos que conseguiram sucesso fruto de seu próprio trabalho, seu suor, sua capacidade autoral.

Assim entendo, pelo que expõe, do que tão aparentemente com eloquência discorre, com a facilidade de quem dá um espirro mediante um quadro alérgico, que estamos diante de grande sumidade do mundo dos CEOs. Dos que ostentam esta sigla. Originada neste mundo moderno.

Percebo certos devaneios: morava na Europa, em Portugal, e via como se fazia isso e aquilo. Ouvia falar de grandes empresas, empreiteiras, e tal e coisa…
Mas, em qual delas participou de algo? Da magnitude daquelas empresas?

Moro aqui no Brasil e isto não me torna parceiro ou turbinador das maiores empreiteiras deste país.

Seria bom também, reforçando os discursos de sua campanha, que elencasse sua trajetória como gestor de uma delas ao menos. Foi CEO de qual grande empresa?
Atuou em qual área de qual clube? Ainda que tenha sido um Futebol Clube. O Vasco é bem mais que isso

Entendam: É a parte curricular de qualquer um que pleiteia um patamar qualquer. Um emprego de babá, de serviços gerais, de chefe de DP…
Um concorrente a um cargo de supremo mandatário de qualquer segmento que seja então, mais ainda carece mostrar seu currículo.

Como hoje não amanheci muito bem (acho que mudei um pouco minha rotina ontem à noite: não tomei minha sagrada dose de xarope de milho, ao qual intitulamos cerveja aqui nesta maracutaia de país, estimada em 473ml, pois adormeci antes de cumprida esta etapa), não entendi partes de suas declarações em tal entrevista:

1 – O Club de Regatas Vasco da Gama é olhado – por ele – apenas como um clube de futebol?

2 – Ele disse: “A deterioração do quadro do Vasco é crescente e forte a cada tempo que se passa. Esta semana saiu uma reportagem mostrando o valor de marca dos principais clubes do Brasil. O Vasco está em 10º lugar. Você vê os cinco primeiros clubes (Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Grêmio) e o Vasco fazia parte disso e vem caindo a cada ano.”

Ele acredita de fato nas pesquisas que rolam por aqui neste país?
Se sim, engana-se redondamente. Esqueça. Descandidate-se, porque lá na frente, se eleito for, perceberá que a coisa não funciona assim. Uma pesquisa verossímil? Honesta? Não se, principalmente, envolver o Vasco.
Pesquisa nenhuma, nunca, em tempo algum, funciona ou funcionará neste país.
Escolha um tópico, foi feita aqui? Por quem?
Algo que contemple e insira alguma supremacia do Vasco? Jamais.
Se ele não aprendeu isso ainda demonstra que precisa estudar mais.
Aprender mais do futebol que pretendem espanholizado.

3 – Ele disse: “Exatamente, as marcas hoje são os grandes ativos de qualquer empresa. Então, as marcas fortes atraem outras marcas. E aí surgem grandes projetos de parcerias, que viabilizam outros grandes projetos.”

Então por quê, exatamente, estas grandes marcas – clubes -, aliadas a outras grandes marcas – parceiros – são as maiores devedoras?
Principalmente as que aparecem em primeiro e segundo lugares?
Exatamente as que não têm e nunca tiveram um estádio próprio?
Que não se fale em Itaquerão! Pois ali tem ao menos um parafuso que foi custeado por mim sem que me perguntassem se eu queria ser parceiro daquele clube no financiamento daquele parafuso.
Se colocarmos o valor de sua construção, superfaturado sabidamente, acrescido ao valor da dívida fiscal, apenas, pois não sei as outras, daquele clube paulista, aí fudeu.

4 – “Então, a primeira coisa é se aprofundar em como estão as contas. A segunda coisa é refazer os processos de gestão do clube, para que o clube entre na normalidade o mais rápido possível. Ou seja, os departamentos precisam voltar a funcionar, como financeiro, controladoria, comunicação, suprimentos, logística, por ser uma empresa como qualquer outra. E precisa funcionar para que o esporte possa funcionar de forma tranquila, sem sobressaltos.”

No meu entendimento isto seria mais do mesmo. Se conseguisse manter como está atualmente.
Faz parte da retórica do candidato político desqualificar o oponente e seu mandato.
Sem maiores comentários.

5 – “Para quê eu vou contratar um jogador, pagar até R$ 120 mil em um jogador de mercado, que não faz tanta diferença no nosso modelo de jogar, se eu posso trazer gente da base, mesclar esses meninos da base e fazer com que eles aprendam, comecem a ganhar experiência com jogadores que de fato fazem a diferença, jogadores de qualidade.”

Aqui, sinceramente, entendi menos ainda – acho que nem foi a falta da minha dose habitual do xarope de milho (473ml) antes de dormir.
Vamos mesclar então quem com quem?
Quem seriam “jogadores que de fato fazem a diferença”?
Quanto ganhariam então? Mil, dez mil, vinte…?
De onde viriam?
Ou eles seriam da base, aprenderiam com os experientes(?) e por sua vez ficariam no clube, não sairiam, para dar continuidade no processo?
Ficou difícil pra mim, confesso.

Antes, disse: “…é preciso que os profissionais da base se falem e sejam remunerados, vivendo um contexto similar aos que vivem no profissional do clube. Então, essa integração é fundamental. E aí vem o que eu falei dos 33%.”

Quem trabalha na base do Vasco hoje trabalha de graça? Recebe um salário mínimo?

E complementou: “Aí sim a gente pode focar um pouco mais. Tendo mais recurso, a gente pode contratar melhor e fazer com que, esses jogadores da base, sejam expostos e joguem ao lado de jogadores de melhor qualidade. A tendência de você construir jogadores de mais qualidade, é muito maior.”
“Contratar melhor” não significa mais caro?
Se já se mesclou a base com os experientes, então para quê “contratar melhor”?

6 – Ele disse: “O Vasco sempre teve essa tradição de formar grandes jogadores, grandes ídolos. Precisa voltar a formar como foi no passado, essa é nossa história.”

Sempre pensei que isto fosse uma coisa aleatória. Fruto da casualidade. Do acaso. Da sorte aliada ao trabalho, claro. Afinal não se formam grande ídolos como se assam pães franceses no forno da padaria. Uma porrada numa fornada só. Uma após outra.
Mas há clubes que não pensem da mesma forma? Há quem não pense ou queira isto?

7 – Ele disse (aqui eu preciso pegar toda a resposta da tal entrevista): “Vamos começar a construção do centro de treinamento e a reforma de São Januário o mais rápido possível. É óbvio que a gente precisa fazer isso em fases, para não causar um problema no funcionamento do clube. Ou seja, primeiro a construção do centro de treinamento para transferir o trabalho que hoje é feito em São Januário e, depois, durante a reforma, por ter que parar o estádio, ter um espaço para treinar e outro para jogar. O Rio de Janeiro tem estádios como Maracanã e outros para jogar. Mas, a gente precisa de um lugar para treinar. Então, a gente precisa fazer um cronograma de trabalho para não causar sobressaltos no trabalho do profissional.”

Construir um CT para reformar São Januário – se tem um parceiro para a reforma de São Januário não teria um outro para construir um simples CT? Antes de partir para o “grande projeto!? Terrenos o clube já dispõe, embora outros pretendentes ao cargo nos tenha dificultado. Jogado contra para ser claro.
Não poderia também ser o mesmo parceiro? Afinal, parceiro tem que ser parceiro, não? Meio parceiro não é parceiro.
A reforma incluiria também o gramado ou iriam usar o mesmo para fazer a massa para o concreto? Canteiro de obras?

Se se considera o Maracanã como “opção de jogar” então o estádio – São Januário – não precisa de reforma. Não condeno a ideia, mas não a alcancei.

8 – Ele disse: “A gente quer entrar sendo campeões, a gente acha que é possível.”

Esta meta já foi batida em condições bem piores que as de hoje.
Afinal, carioca vale ou não vale? Vascaínos chegados a uma oposição por oposição dizem que não.

9 – Ele disse: “Já temos contatos com alguns clubes, identificando potenciais jogadores para encaixar nas posições que a gente entende que são necessárias para o clube, jogadores que virão e não viriam com a atual administração. Mas, em um projeto que tem Edmundo, Pedrinho e Felipe envolvidos, eles conhecem, admiram e são fãs desses caras também. Então, faz toda a diferença.”

Interessante isto. Entendo então que viriam por menos de 120.000. Experientes o necessário para ajudar na formação dos atletas oriundas de nossa base.
E que, neste caso também, caso não consigam receber do clube, em situações de atrasos, recorreriam aos parceiros Edmundo, Pedrinho, Felipe… para tal. Para um aporte para o clube.

Esta parte eu gostei.

Paulo Salles.

A obra de reerguimento merece continuar

Finalmente vimos prevalecer as verdades de um mandato à frente de uma instituição, destruída por oportunistas e aventureiros, muitos deles movidos pelo ódio que hoje ainda alimenta uma retomada para o caos como na era Dinamite.

Os cruzmaltinos precisam enxergar as informações ocultadas por opositores e por grande parte da mídia e agir em defesa não da figura do atual Presidente, mas do Club de Regatas Vasco da Gama.

Sou muito grato e vou continuar sendo àquele que considero o mais vitorioso dirigente da história do futebol brasileiro. Ele que há anos conhece cada espaço do clube e melhor representa a concepção de grandeza que faz parte de nossa história.

Os números comprovam como Vice-Presidente de Futebol e Presidente o aqui dito, afinal são 52 títulos conquistados e mais um reconhecido (Campeão dos Campeões Sul-Americanos de 1948), o que comparado à toda nossa história de 119 anos equivale a 42% dos nossos títulos no futebol profissional (123).

Na década de 80 o Vasco, pela forma Eurico Miranda de ser na administração no futebol, passou de coadjuvante a protagonista, com três títulos conquistados nos primeiros quatro anos de trabalho.

Na década de 90 essa crescente teve resultados fabulosos e inquestionáveis.

No início do século XXI o clube suportou o ápice da inveja, até a covardia do golpe (2008) que culminou em nosso rebaixamento inédito, que para muitos pareceu até proposital, diante de uma realidade na qual o clube foi assumido em nono lugar na competição, após oito rodadas, com salários em dia, valores a receber em curtíssimo prazo por venda de atletas e mecanismo de solidariedade, mais de 45 dias para busca de novos reforços, sem penhora em rendas de bilheteria e outros valores a receber, omitidos pela gestão que assumia.

E o que fizeram? Contratação de nove atletas, sem condições físicas ou técnicas de atuar a contento, promessas de grande entrada de capital, com filas de investidores no ralo, choramingos e justificativas falaciosas para a queda institucional gritante vista, desde então. Alguma semelhança com aquilo que se diz oposição hoje e pretende reassumir o clube, com outras cores, camuflando-se, não é mera coincidência.

Foram seis anos vivendo o Vasco nas sombras, diante de uma lamentável administração, que em 2014 deixou o clube em ruínas, financeira, patrimonial e moral.

Os vascaínos aclamaram a volta do dirigente mais vitorioso da história do clube e nas urnas o resultado foi superior ao somatório de votos das demais chapas concorrentes.

Tarefa impossível para muitos seria reconstruir uma instituição devastada.

Em seus três anos de mandato foi provado o contrário para desespero de rivais e opositores.

As centenas de dívidas adquiridas pela gestão antecessora começaram a ser equacionadas.

Os salários jogadores e funcionários colocados foram mantidos em dia, com todas as dificuldades encontradas mês após mês.

O patrimônio foi restaurado e ampliado, vide obras: novo ginásio (com ajuda de parte do custo, oriunda dos torcedores), parque aquático, campo anexo, colégio Vasco da Gama, pousada do Almirante, Caprres profissional e base (maior centro prevenção e reabilitação da América Latina), Caprres nutrição, impermeabilização das marquises, reformas no setor dos visitantes, vestiários, banheiros, muro, outras benfeitorias não só na área social, como em vários outros pontos do complexo de São Januário, retirada de 20 toneladas de lixo (simbólico) deixadas pelos que lá estavam ente 01/07/2008 e 02/12/2014, além de outras obras nas demais sedes e ótimas iniciativas de marketing, dando como exemplo as mais recentes: exposição de camisas históricas e visita guiada, finalmente possível após a reabertura do Parque Aquático este ano.

Como Eurico Miranda, com centenas de dívidas multiplicadas pela administração anterior, com o patrocínio máster da Caixa Econômica Federal praticamente inviabilizado de ser renovado pela falta de contrapartidas do clube na parte que lhe cabia no cumprimento do contrato firmado e falta ainda de certidões, com a receita de TV comprometida, salários atrasados de atletas e demais funcionários, com várias cobranças na FIFA, inúmeros títulos protestados, 100 milhões de dívida de curto prazo, dezenas de confissões de dívida assinadas nos estertores da gestão MUV, e ainda enfrentando problemas de saúde e crucificado pela imprensa, por boa parte de torcedores desinformados e sabotado por alguns opositores conseguiu fazer essa mágica!?!? O segredo revelado: competência, respeito e amor ao Vasco da Gama!

No futebol, todo o trabalho de estrutura gerou resultados excepcionais de fortalecimento e aproveitamento da nossa base, diversas conquistas recentes nos juniores (em 2015 nos juvenis), além de títulos em outras categorias, enquanto nos gramados testemunhamos com orgulho o time profissional, após 12 anos de jejum, conquistar o título carioca 2015 e no ano seguinte comemorar o Hexa Campeonato Estadual Invicto.

Entre 2015 e 2016 mais um recorde histórico: 34 jogos oficiais de invencibilidade, a maior sequência de toda a nossa história neste quesito.

O vascaíno retomava o seu orgulho, principalmente no retrospecto de confrontos, incomodando o arqui-rival nos últimos 3 anos. Não só ele, mas também Fluminense e Botafogo voltaram à freguesia incorrigível, considerando o Vasco comandado por Eurico Miranda, enquanto Vice-Presidente de Futebol, Administrativo ou Presidente do clube.

Mas essa tarefa nesse mundo da bola todos sabiam que não seria fácil. Amargamos um rebaixamento, mas com a cabeça erguida pelo esforço da diretoria, jogadores e comissão técnica, que não puderam evitar a força do apito, o qual nos tirou preciosos (e muitos) pontos, prejudicando inequivocamente o clube na competição. Foram ao todo 14 pontos tirados do Vasco pelas arbitragens, três deles no turno, 11 no returno. Apenas três nos bastariam para que não caíssemos de divisão e sem os 14 pontos de prejuízo, terminaríamos a competição entre os oito melhores do Brasil, como assim terminamos na Copa do Brasil daquele ano. O sistema todos sabem como funciona: invariavelmente contra o Vasco e favorecendo aquele outro já conhecido…

Porém, no ano seguinte, o clube cumpriu seu papel em campo, disputando a Série B retornando à elite, ao contrário de rivais cariocas ajudados por mudanças de regulamento, coincidências inacreditáveis (até para o Ministério Público) e viradas de mesa em anos anteriores.

Começa o Brasileiro deste ano e a maioria esmagadora dos “entendidos em futebol” davam o time vascaíno rebaixado ou brigando para não cair e hoje brigamos, de fato, por uma vaga na maior competição das Américas, mesmo com enormes prejuízos de arbitragem (novamente), que já nos tiraram cinco pontos na atual competição, bem como foram responsáveis pelo gol que fez a diferença para sermos eliminados da Copa do Brasil de 2017, sem esquecer que também foi o apito o responsável pela nossa queda nas oitavas-de-final contra o Santos no ano passado.

Falando também em outros esportes, a tradição no basquete voltou após 13 anos com a conquista da Liga Ouro e acesso ao NBB, sendo hoje o clube considerado como um dos favoritos ao título da temporada 2017/2018.

A diretoria pretende investir mais no Remo, Natação, entre outros, bem como manter a responsabilidade administrativa e financeira do clube e com seu patrimônio, sua base, chegando a investimentos no futebol, mas com estrutura e visão futura, afinal em termos de receita 2017 mostrará um aumento significativo se comparado ao ano passado, vide melhora em valores do contrato com a CEF, maior retorno de mídia, aumento do número de sócios torcedores, venda de atletas, início dos patrocínios pontuais, novo contrato a ser firmado para fornecimento de material esportivo, novas verbas da CBC para o clube (foram mais de 5 milhões de reais repassados ao Vasco, durante essa administração, contra zero da administração anterior), bem como outra parte das luvas referentes ao contrato assinado com a TV em 2016, não contabilizados no balanço de 2016.

Diante disso tudo, venho pedir ao associado o seu voto na única chapa que pode impulsionar o Gigante, seja com amplo apoio ou contra tudo e contra todos, se necessário for, para vencer as dificuldades e fortalecer mais e mais nossa história vitoriosa.

O apoio dos vascaínos comprometidos com a reconstrução do clube é nosso tijolo. Os votos dos associados confiando no trabalho de reeleição da atual diretoria é nosso cimento. A caminhada do nosso futebol, antes desacreditado, rumo à uma possível Libertadores é nossa massa. A vitória de Eurico Miranda em novembro nas urnas é o começo da nossa pintura e assim vamos arrumando a nossa casa e nos preparando para novas conquistas em terra e mar.

Contas Pagas! Eurico Miranda Presidente!

Leandro Brandão

Sócio Benfeitor Remido e Conselheiro do Club de Regatas Vasco da Gama