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O Processo

No comercial que passa nos canais ESPN, o presidente do Vasco diz que pretende implementar processos no clube para que possa a instituição almejar voos maiores. Dentro desse pequeno trecho de chamada televisiva para o programa de entrevistas, o presidente, na verdade, quer dizer que quer estruturar o funcionamento do Vasco.

Finalmente a palavra “processo” parece ganhar contornos de operação, eficiência e gestão, ao invés de nos remeter a liminares, sentenças, mandados de segurança, entre outros termos jurídicos.

De fato, esse movimento é extremamente necessário para o desenvolvimento da instituição, por ajustar todas as engrenagens de funcionamento, permitindo efetividade nas ações administrativas, e que tem profundas consequências na performance e resultados esportivos.

Não custa lembrar que, nos últimos anos, ao Vasco não foi possível sequer começar a trilhar esses caminhos. Com o patrimônio dilacerado, o mandamento era recuperar o patrimônio, negociar inúmeras dívidas não pagas e entrar em acordos com os programas de governo, equacionando mais dívidas.

O passo seguinte para o avanço e melhoria do Vasco começou a acontecer no último ano de gestão. Com (pelo menos quase) todos os incêndios apagados, o CASACA! passou a atuar de forma brilhante no Departamento Jurídico, Médico e de Marketing, além da Vice-Presidência do Conselho Fiscal.

No entanto, quando se fala em processo, pra ficar bem na fita da imprensa, talvez se esqueça de que esse não seria, talvez, o primeiro passo para implementar as tais mudanças de gestão, com governança visando a eficiência na administração do clube.

Algumas coisas vão para muito além desses válidos princípios da gestão institucional. São lições que, embora até sejam mencionadas pelos professores de gestão de pessoas (ainda que em comentários soltos em uma sala de aula), se aprendem de verdade no cotidiano de uma instituição, seja em um clube como o Vasco, seja em uma empresa.

Uma delas vimos nessa semana, no que se refere à demissão do técnico do sub 20, Marcus Alexandre. Foram 20 anos de dedicação ao Vasco, sendo os 3 últimos aqueles que marcaram ainda mais sua trajetória. Atuou de forma decisiva na formação de atletas com grande futuro no Vasco e também conquistou títulos, quebrando longo jejum, ainda que títulos na base não seja prioridade.

Voltando ao tema de gestão, é simples entender que o comando de um setor ou de uma instituição muda de tempos em tempos. Seja presidente, CEO ou CFO, quando se muda a ponta da cadeia de comando, é natural que se queira implementar sua metodologia, inserir pessoas de confiança, enfim, realizar o projeto que tem em mente. Isso é natural, não há o menor problema.

O grande problema é a substituição das pessoas. Para algumas, não há dano em substituí-las, pela função que exercem. No entanto, para outras, pela criticidade do cargo, tem que ser cuidadosamente pensado, para que qualquer possível choque não influencie negativamente determinado setor.

Há um problema maior ainda, que é como lidar com aqueles que excediam em suas funções, ou seja, que fazer com os profissionais que entregam resultados de excelência? Claro que o projeto que se tem (presumindo que se tenha) não pode atrasar. Porém, é preciso que profissionais de excelência tenham espaço. Como se pode prescindir de um profissional tão bem avaliado interna e externamente em prol de uma reformulação? Ora, que se encontre um lugar para esse profissional atuar. É o mínimo que se deve fazer.

Por essas questões é que a tal implementação de processos seja algo bom para dizer em uma entrevista da ESPN, mas que na realidade, a execução já começa cheia de erros. Talvez, porque não se saiba mesmo o que vem a ser e como implementar governança, alinhamento e revisão de processos, entre outras palavras de ordem do jargão corporativo.

Dessa forma, o tal processo que se refere não passa de uma melhoria que se quer implementar, mas não sabe o que seria, muito menos como fazer ou onde chegar. É algo que causa tanto barulho na imprensa que se chega até a colocar como chamada no comercial do programa de entrevista, mas que na realidade, com palavras ao vento, se torna algo sem qualquer identidade, sem a menor condição de ser levado adiante, onde parece faltar conhecimento para a implementação de mecanismos de eficiência de gestão.

Diga-se de passagem, existem vários passos a serem dados antes para que se chegue de fato ao processo operacional. A notícia ruim, é que os tais processos são apenas a metade do caminho da gestão. Mas para a imprensa, isso já serve como manchete. Eles também não entendem desse assunto e só se interessam em matar a concepção de futebol que alguns, como o CASACA!, defende.

 

 

 

Aprendizados, Arritmias, Angústias e Alívios em Sucre – O Vascaíno, Um Forte

Não foi definitivamente um jogo qualquer. Os analistas cada vez menos entendidos no bom e velho esporte bretão já teceram diversos comentários sobre desconcentração, erros mil, jogo aéreo, problemas táticos aqui e ali do time do Vasco na altitude de Sucre na última quarta, contra o Jorge Wilstermann, da Bolívia. Porém, como de costume, os “idiotas da objetividade” (à moda do imortal Nelson) não conseguem enxergar um palmo à frente do nariz e cismam em se cegar diante do óbvio ululante. Vimos não um 4×0, um placar elástico, algo do ramo das estatísticas para revistas futuras. Quem quase infartou durante aquelas pouco mais de duas horas contemplou o futebol em sua essência.

Arritmias, fibrilações atriais, indigestões, colapsos nervosos, pânicos, suores frios, desmaios, síncopes, as mais diversas estripulias sintomáticas e demasiadamente humanas se deram durante os mais de 100 minutos de angústia dilacerante para o torcedor cruzmaltino. Falar simplesmente de bola, jogadores, árbitro (um canalha, por sinal), seria botar antolhos cavalares. Foi um jogo de Libertadores da América com todos seus requisitos na bandeja: falta de técnica, desespero, escanteios aos borbotões para o time da casa (a cada um deles, o vascaíno envelhecia um ano tamanha a ansiedade), expulsão, penalidades sufocantes e um final feliz que nenhum roteirista de Hollywood seria capaz de escrever.

O cruzmaltino depois da saga épica das montanhas bolivianas se igualou ao sertanejo e pode dizer de fronte alta, “sou sobretudo um forte”. Se sobreviveu à noite de tantos contrastes, se não capitulou engolindo Frontais, Rivotris, cervejas, vodcas e cigarros aos montes e se aguentou com paciência tibetana e estômago de aço aos horrores campais até as penalidades máximas, não morrerá tão cedo. O Vasco aprendeu a cada gota de suor, a cada baforada de oxigênio raro e como isso será rico no percurso da competição continental.

Escrevi um pouco atrás que falar de jogadores seria simplório. Menti. Não mencionar San Martín Silva e suas três defesas diante da marca de cal é dar as costas para a arte desse esporte que aprendemos a amar. Foi colossal. A superação, os abraços, os berros do Ipiranga em cada casa à beira das janelas, os sorrisos e alívios espalhados da Bolívia ao Rio depois do último tiro defendido são singulares, de emoldurar e fazer parte da memória de cada vascaíno para todo o sempre.

E se tudo poderia ficar ainda mais perfeito para o cruzmaltino, o que dizer de uma madrugada que se iniciou com a frustração dos secadores de plantão, aqueles magnânimos que dizem não torcer contra? A cava depressão e insônia que vieram após o término da transmissão da tv após terem a nítida e deslavada certeza da eliminação do Club de Regatas Vasco da Gama foi daqueles fechos de ouro inebriantes.

Que venham Cruzeiro, Racing e La U! O Vasco calejado da batalha seguirá com sua camisa gigantesca e histórica a protagonizar instantes de antologia. O resto é paisagem.

Rafael Fabro

Bom dia, cavalo!

O vascaíno está em festa. Quarta-feira, mais uma vez, após uma breve apreensão pré-jogo, se permitiu festejar mais uma atuação de gala do time, que o deixou viajar para a altitude com confiança cautelosa, com objetivo de confirmar a classificação para a fase de grupos da Libertadores da América.

Razões para festa e confiança não faltam. Além do resultado elástico – aquela goleada de 4×0 da confiança a qualquer um – a performance do time nos enche de esperança de que o tal grupo da morte represente a eliminação dos outros. Os diários argentinos já se preocupam, o técnico Mano Menezes prega um discurso de humildade além do habitual, e a Universidad de Chile… bem… a La U contratou o Rafael Vaz, que é nosso.

O que impressiona a imprensa é a qualidade de jogo do time do Vasco. Não só pelo entrosamento, encabeçado pela dupla Paulinho e Evander, mas também pela solução que este time tem em qualquer situação de jogo. Adversário retrancado, tem avanços de laterais e zagueiros que armam a jogada. Se o jogo fechar as pontas, temos nova mudança, e os principais armadores saem da triangulação pelas laterais e vão para a criação no meio. Mesmo sofrendo pressão, o Vasco sabe se armar de forma inteligente para o contra-ataque.

Porém, embora dê uma vontade danada de falar sobre como o time está jogando muita bola, o que nos interessa aqui é a forma com que essa performance foi criada e como ela pode estar sofrendo um grande risco, em virtude das ações que estão sendo tomadas pela nova diretoria.

Lembramos bem, antes do início da Libertadores, dos palpites pessimistas dos comentaristas esportivos. Aqueles que mais desdenham o Vasco apostavam na vitória da Universidad Concepción, por até 2 gols de diferença. Eles não sabiam nada do time, a não ser a performance de treino que a equipe tinha na Taça Guanabara.

O fato é que, em virtude da grande confusão eleitoral que chegou a preocupar a preparação do time para o certame continental, a antiga diretoria, que há muito já sabe dos malefícios que uma imprensa muito próxima e de boa vontade duvidosa pode causar, decidiu colocar o time em preparação num CT, melhorando-o para fornecer a melhor estrutura de preparação possível para os jogadores.

Dando condições de treinamento, tranquilidade para treinador e equipe, a comissão técnica teve totais condições de realizar a preparação da forma que quis, sabendo que se trata de uma comissão em que realmente confiamos.

Porém, com um atraso no facilities para a imprensa, ela acabou não tendo condições de acompanhar a pré-temporada e ainda se encontra distanciada do futebol. Isso resultou em algo sensacional para o Vasco. Lembro que após a estreia na Taça GB, os jogadores foram abordados sobre o provável incômodo que o imbróglio eleitoral estaria causando. Há de se enaltecer as declarações sinceras e comedidas dos atletas – com destaque para o Martin Silva – que concordou que a indefinição incomoda, mas que eles trabalham e treinam com todo o esforço e respeito que lhes cabem.

Agora, pensem bem. Já imaginaram uma imprensa próxima dos jogadores em todo o período de pré-temporada torrando a paciência dos jogadores com os assuntos eleitorais do Vasco? Imaginem um plantão dentro do CT tirando a concentração dos atletas falando sobre administradores, Conselho Deliberativo, salários ameaçados de não serem pagos? A internet e a TV já os informavam sobre o turbilhão que passou, mas ter isso em seu ambiente de trabalho afeta a produtividade de qualquer um.

Isso a antiga diretoria sempre soube. Sempre teve consciência do que a imprensa pode ocasionar maleficamente ao clube e ao time. Sejamos sinceros, esse vento que venta cá, venta lá também, ainda que de outra forma. Transformam a Gávea em inferno na Terra em tempos de crise, assim como a euforia megalômana que fazem nos propicia os sensacionais episódios históricos dos micos rubro negros.

Mais uma vez fica a lição. Se quer buscar uma aproximação com a imprensa, que seja feita com cautela e cuidado, sabendo que os jornalistas servem a uma empresa do ramo jornalístico, e assim como toda empresa, visa o lucro. Visando o lucro, vão apoiar e/ou prejudicar aquilo que eles acham que seja mais lucrativo para a empresa.

Eis que chegamos ao momento atual. Vemos a grande abertura anunciada como festa para “vomitadores” em redes sociais, algo que devia ser tratado com muito cuidado para não denegrir a imagem da instituição, mas também, com a aparição em todo local midiático possível, vemos a maior autoridade do nosso clube se expor e, por conseguinte, a nossa instituição.

Não que seja problema ir a vários canais esportivos. Isso é bom. Muito bom, até. O problema é dar satisfação a qualquer um que apareça pela internet ou WhatsApp da vida para criticar ou fazer sugestões fora do momento. Responder a todos pela internet, seja Facebook, WhatsApp ou qualquer outro canal digital, soa muito mais com um trabalho para a própria imagem do que para a imagem do Vasco. Como todo ditado, é velho: “quem fala demais da bom dia a cavalo”. Acaba por falar demais, responder a quem não merece resposta. Se tem tempo para isso, não há nada de mal em escutar. A partir do que ouve, pode decidir como agir. A ação, qualquer criança sabe, é a melhor resposta.

***

Fora isso, vale um comentário. Ter um cargo no Vasco, remunerado ou não, requer dedicação. Em cada instituição ou empresa, viver e aprender sua cultura é mandatório. Qualquer funcionário, diretor ou vice-presidente tem a obrigação de estar em São Januário dia e noite, como sua casa de trabalho, respirando o clube. Não se pode nunca, em uma instituição com personalidade fortíssima, pensar em guiá-la institucionalmente ou na divulgação de sua imagem, através do ar condicionado de sua casa, comunicando internamente por e-mail/celular e externamente por mídias sociais. Esse não é o caminho em empresas jovens com cultura “maleável”, imagine com instituições centenárias como o Vasco.

Discurso repetido

Alguns discursos, proferidos com nova roupagem, tendem a nos dar uma noção de inovação aliada a trabalho. Parece até que as coisas tomaram novo rumo, que a continuidade na reconstrução vai seguir, dessa vez abrindo novas frentes de atuação, que tiveram que ser postas em segundo plano frente a prioridades inadiáveis.

Com alguma memória, lembramos que a prioridade do Presidente Eurico Miranda foi reconduzir o Vasco às fontes de recursos financeiros, através das obtenções de certidões negativas de débito, entre outros acordos que permitiram ao Vasco sair do cenário de ruínas, destruição e abandono, para a reconstrução de suas atividades desportivas. Fato também que as crescentes cobranças de dívidas que apareciam toda semana impediram um melhor investimento no futebol, algo que começou a ser remontado de verdade somente em 2017, com muito esforço para fazer o Vasco chegar em situação melhor, como podemos ver hoje disputando a Libertadores, aumentando sua receita de forma direta e indireta.

Com toda a guerra feita ao Vasco a partir do 2º semestre de 2017, um dos resultados foi a falta de entrada de recursos, exposta em janeiro, antes da transição presidencial. Soluções foram buscadas, ainda que afetassem a manutenção do elenco do futebol profissional para regularizar as pendências financeiras geradas no período final.

Em resumo, tudo foi conduzido com muito trabalho e muita luta para a reconstrução do Vasco. O caminho estava trilhado, os muros erguidos, os esportes disputando títulos e o clube funcionando. Nada fora do comum, vemos como a melhor resposta em termos de gestão e trabalho a se dar aos que cobram o melhor para o clube: muito esforço, seguir o caminho e conduzir as melhorias, sustentando as palavras de continuidade de reerguimento do Vasco,

No entanto, parece que vemos sendo adotada uma postura defensiva, de desculpas, com discurso extremamente prejudicial ao Vasco, que expõe o clube publicamente, afugentam jogadores e investidores, tornando ainda mais difícil a tarefa de recolocar o Vasco em seu patamar merecido. 

O natural e recomendado, em qualquer tipo de instituição, é mostrar confiança e otimismo. No nosso caso, reforçar a competitividade da nossa equipe para fazer uma grande Libertadores no aspecto esportivo (ao invés de dizer “time do Eurico”, por exemplo). Já no âmbito financeiro e institucional, bastaria um simples discurso de trabalho e confiança na força do nome que o Vasco tem para superar as dificuldades que ainda se apresentam, mas que as condições seguem melhorando. Isso sim é trazer os desconfiados para perto, chamar o torcedor para se associar e mostrar que o Vasco vai se portar como gigante que é.

Porém, causou estranheza ver que a primeira medida foi desbloquear os usuários das redes sociais que por algum motivo estavam impedidos de comentar nas páginas do Vasco. Não vejo que grande melhoria nos traz, mas tudo bem. Se acham que a forma de aproximar o torcedor do clube é abrindo a página pra ganhar campanhas de “vomitaço”, boa sorte. Agora, para os jogos em casa, vemos a sala da presidência passar a ser chamada de camarote. O mais importante local de trabalho administrativo do clube tendo nova conotação. Poderíamos ter melhores novidades, mas tudo bem. Prioridade deve ser mesmo dizer que respiramos “novos ares”, sem charuto.

Minha expectativa, na verdade, já que falaram tanto em modernidade, era que fizessem um grande planejamento trienal para continuar a reconstrução do clube, com novas frentes de melhorias sendo abertas, principalmente no que tange a organização da gestão, redesenho de processos, otimização dos recursos, etc. Infelizmente, além dos incêndios a apagar, algumas ações tomadas soam como simples plano de manutenção do poder a longo prazo e desculpas antecipadas.

A nova diretoria escancara para a imprensa uma suposta dívida de R$ 26 milhões com o FGTS. Logo depois de fechar um único empréstimo de jogador, sem realmente mudar nada no clube, já se trabalha de modo político e não em prol da instituição, com o intuito não de tomar as rédeas para ajudar o Vasco, mas já começar com desculpas, antes de qualquer ação realmente administrativa.

O CASACA! já mostrou com documentos a real situação com o FGTS, mandando o devido recado para jogar menos para a imprensa e mais para o próprio clube. Trabalhar com ações e não com discursos, encontrando soluções e não entregar desculpas logo no início de fevereiro. A pergunta que fica sem resposta é: em que a divulgação gratuita de uma suposta dívida ajuda o Vasco? Ainda mais sem a devida confirmação, conforme o CASACA! rebateu devidamente com documentos.

Estranha-se muito que a primeira preocupação e consequente ação da nova diretoria seja se  desvencilhar da última administração através dos fatos descritos acima. Todos nós sabemos da quantidade de trabalho que o Vasco demanda, ainda mais na situação de continuação da sua reconstrução. Se formos pensar no que beneficia única e exclusivamente o Vasco, vamos encontrar muitos outros assuntos atuar.

Já sabemos, desde a época do Dinamite, dos seríssimos problemas que essa estratégia (se é que se pode chamar assim) causa. Preocupa-se em mostrar uma nova imagem, sem realmente realizar o que deve ser feito. Contam que estão trabalhando 24 horas olhando tudo, mas ao invés de ações, ficam se limitando a fazer denúncias que acabam não se mostrando verdadeiras, confrontados os documentos. Há que se entender que na grande maioria das vezes o que se precisa é de trabalho ininterrupto, que quase nunca interessa aos holofotes da imprensa, mas que traz resultados, mesmo quando tudo e todos lutam contra. Um dos exemplos de resultado está aí, com o Vasco novamente estampado nos jornais esportivos de todo o continente.

SV,

Fábio Ferreira

 

A sessão da tarde dos CTC

Não, não há correlação à extinta CTC, companhia estatal de transporte público do estado do Rio de Janeiro, ainda que se prestasse tal imagem a perfeito carro alegórico, ilustrando os políticos sem mandato que assumiram o clube. Na verdade os CTC nada mais são do que os redivivos representantes do grupo dos competentes, transparentes e críveis. Uma boa parcela deles. Minoria, é bem verdade, posto que o grosso da patota cerrou fileiras com o bobo-adjunto da corte do Imperador. O filme é repetido, uma espécie de Lagoa Azul na paradisíaca ilha dos idiotas, sem o refrigério da belíssima Brooke Shields.

Deparei-me com uma entrevista do Sr. Vice-Presidente de Finanças que, entre um e outro chavão, dispara que está analisando todos os contratos, referindo-se às vendas dos cracaços da última hora, Madson e Mateus Vital, bem como ao contrato de patrocínio com a empresa Lasa. Causou-me espanto que o referido CTC, ou preposto deles, haja inserido, no mesmo contexto, na mesma ideia, que sofria com as “dificuldades de informações que encontramos ao chegar aqui”, conforme transcrevo da matéria em tela. Não seria o contrato o instrumento que lhe concederia acesso às informações? Se os está estudando, é porque os tem sob sua análise. Se há dificuldades, devem-se essas a limitações pessoais? Confesso que não compreendi, ainda que não tenha em meu DNA o gene CTC ativado. Se é que o tenho. Há quem diga que essa seja uma mutação que faz de seu portador um convicto herbívoro. De minha parte, não dispenso um bom churrasco. Perdoe-me a subfamília de mamíferos artiodáctilos bovídeos…

Há poucos dias, o Bobo-adjunto e o Bobo-boleiro iniciaram sua cruzada das diretas já. O movimento prega que o vascaíno aja como não vascaíno. Ou seja, que o torcedor aja como eles próprios, os bobos, agem diuturnamente. E aqui encerro qualquer outra menção a esse pessoal, motivado pela mais absoluta vergonha alheia.

E por falar em vergonha, não poderia deixar de citar o novo Sr. Vice-Presidente de Marketing, em sua estreia triunfal – com direito a selfie, estilo SALE na vitrine da loja – no quesito bobagens de neófito. Em uma frase sobre a conservação do patrimônio, impecável sob a administração Eurico Miranda, demonstrou que não é chegado a frequentar a barra pesada do Bairro Vasco da Gama. Pior: foi leviano. No que diz respeito à sua pasta, deveria ater-se em vestir uma camisa com a marca do patrocinador do clube.

Por fim, deixo um conselho de sócio humílimo ao Sr. Presidente, no sentido de que o mesmo se furte a determinadas declarações. Não lhe caíram bem, visto que são de conhecimento público os motivos pelos quais foi eleito, muito embora as declarações sigam o melhor estilo cusparada ao alto da própria cabeça. E mais, cito a questão da governabilidade e sua obrigação de viabilizá-la, sob pena de tornar-se o Carlos Roberto da vez.

Portanto, presidente, menos, muito menos… Ademais, verdade seja dita, os quadros que compõem sua sustentação política e administrativa, em que pese a extrema habilidade do Cardeal de Richelieu de Vermelho, são tão competentes quanto mostraram ser no âmbito da política convencional. Barbas de molho, pois a caneta é sua. De mais ninguém. Sou Vasco sempre, nunca sempre Vasco. Portanto, boa sorte. E juízo…

Rafael Furtado

 

Os desafinados

O último dia de janeiro de 2018 foi especial para o vascaíno. Fazia tempo, infelizmente, desde a nossa última participação na Libertadores. Após 2012, com o estopim da falta de gestão do clube, o Vasco viveu período de derrocada vertiginosa da instituição, levando a crise quase insustentável até 2014. Sua reconstrução, iniciada em 2015, com toda a dificuldade em meio a dívidas que batiam na porta do Vasco a cada semana, veio a dar frutos somente agora em 2017, recuperando o direito de participar da principal competição do continente.

Os mais ansiosos, como eu, já respiravam a partida desde muito antes, analisando onde fica Concepción no mapa, certificaram que dentre os adversários bolivianos da próxima fase, é o Oriente Petrolero que não joga na altitude, além de já se prepararem para o inevitável grupo da morte.

Por isso mesmo, dia 31, os vascaínos amanheceram num misto de alegria e guerra. Alegria por voltar para a Libertadores, ser estudado pelos jornalistas argentinos (“Atento, Racing”), matérias e mais matérias na imprensa cobrindo a equipe, ler sobre a recepção ao time no Chile, entre outras mais. A guerra vinha do próprio clima de Libertadores! Dia de dar chutão, de enfrentar torcida te xingando em espanhol e sacanear flamenguista com secador na mão.

Por isso mesmo, cada vascaíno, ao seu jeito, foi se preparando pra noite de estreia. Alguns abarrotaram a geladeira, outros marcavam aquele lugar cativo no bar com os amigos, outros fizeram figa o dia inteiro, com a mulher falando apenas o indispensável, já sabendo que o risco de uma resposta desaforada seria grande. No entanto, considerando que cada um tem sua maneira de se preparar para jogos importantes do Vasco, todos os vascaínos estavam focados e compenetrados em passar de fase na Libertadores, torcendo muito pelo time.

Bem… nem todos.

Alguns, certamente, nem ligaram pra isso. Realmente não pareciam nada preocupados com o desempenho da equipe, com um bom resultado no Chile, em chegar a fase de grupos, nada disso. Na véspera, se preocuparam em desrespeitar a vontade daqueles que mais devem ser reverenciados dentro do clube. Os Beneméritos e o Conselho da qual fazem parte. Aquele seleto grupo de pessoas que dedicaram décadas de suas vidas em benefício do Vasco. Para a eleição deste Conselho, vencida pelo Grande Benemérito Eurico Miranda, as palavras rancorosas destas pessoas foram: “parabéns ao Imperador”.

Uma infelicidade que traduz falta de respeito nem tanto com o presidente eleito, mas com os próprios Beneméritos, insinuando talvez uma subserviência destes senhores. Logo eles, que se dedicaram e se dedicam a servir ao Vasco, estariam, pasmem, intimidados a votar contra o que considerariam o melhor para o clube. É dever primário de alguém que vive e atua no âmbito político de uma instituição, respeitar seus poderes e as pessoas que as compõem.

Infelizmente, para o bom andamento do clube, não foi isso o que aconteceu. Felizmente, para nós vascaínos, a presidência do Vasco não foi para pessoas que pensam dessa forma, que tratariam de ignorar funções exercidas pelo Conselho de Beneméritos, como sugerir e acompanhar as iniciativas da Diretoria Administrativa.

Para essas pessoas, a avassaladora vitória por 4 a 0 não mereceu uma linha sequer de comemoração. É sério. A vitória não valeu nem um “tapinha nas costas”. O tal “time do Eurico” havia vencido, convencido, anunciado com autoridade sua volta à Libertadores. O comentarista da TV, veja você, elogiou a façanha de se contratar um jogador qualificado e experiente como o Desábato, em meio a conturbada situação política, mas teve logo que mudar de assunto para não dar nome aos bois. Sabe como é, elogiar quem contratou no “time do Eurico”, não é coisa que se faça em pleno horário nobre.

Eu poderia muito bem me dedicar a rir da imprensa em geral, seja pelas previsões da partida, que apontavam o Concepción como vitorioso na maioria das vezes, seja ao final do jogo, que trataram logo de diminuir o feito, dizendo que o adversário é fraco, que o goleiro falhou, que “deu tudo certo para o Vasco”, etc. Ganhar do Madureira na Copa do Brasil levando sufoco em campo neutro, não tem problema, mas a chuva de desculpas vem certeira quando se trata do Vasco. Porém, deixemos pra lá, vamos voltar aos desafinados de quem vínhamos conversando.

No dia seguinte, o vascaíno saiu de casa e parou diante do jornaleiro para ver as manchetes, procurou no celular os memes sobre a vitória, tratou de almoçar diante da televisão pra acompanhar os jornais esportivos. Conversou com os amigos sobre o jogo, riu da pedalada do Riascos com o jogo já ganho… enfim, aproveitou o dia seguinte como todo vascaíno deveria.

Bem… novamente, nem todos.

Alguns se preocuparam em retomar o discurso de ódio, em trazer de volta a novela das eleições que tanto nos prejudicou, em buscar não o melhor para o Vasco, mas para seus próprios interesses. Neste período em que o vascaíno quer paz para torcer pelo seu time, falar de futebol e deixar a política de lado, alguns desafinados teimam em tumultuar o andamento do clube, com ações que visam apenas perturbar a instituição no âmbito político. Por um lado, começam num descompassado abaixo assinado pedindo eleições diretas, agindo contra o clube quando incentiva o torcedor a virar sócio apenas em caso de mudança no processo eleitoral. Por outro lado, a disputa judicial pelo HD prejudica mais uma vez os vascaínos, colocando a instituição nas páginas policiais dos jornais.

Não é de hoje que o CASACA! avisa. Mas, passada a eleição, fica cada vez mais claro quem quer ajudar o Vasco e quem acha que o clube só pode caminhar se for sob seu controle. Caso contrário, vão tratar de inviabilizar toda e qualquer gestão que se apresentar, abdicando de uma oposição justa e propositiva em benefício ao Vasco, propagando o ódio, disseminando a discórdia entre os torcedores e levando ao caos em cada oportunidade. Sempre em sabotagem ao Vasco.

Estranhos tempos

Em tempos onde contratações estratégicas se fazem exclusivamente por indicação, o Vasco inicia de fato sua temporada com a Libertadores que se anuncia. Certame cujo ingresso é celebrado por muitos clubes, mas que quando chega ao Vasco, os fatos que fazem desmerecer o feito são cantados por comentaristas de todo tipo, e que infelizmente ecoam entre torcedores, muitos deles vascaínos.

São tempos estranhos, onde não se contrata mais analisando os últimos feitos de profissionais que ocupam cargos de extrema importância e confiança. O clube é desdenhado mesmo disputando as mais importantes competições do continente, campeonatos estes que não contarão com a participação de times com situação financeira muito saudável, casos e Atlético-MG e São Paulo. Estes clubes mostram poder de compra muito além das possibilidades atuais do Vasco. O último deles, inclusive, chegou a contratar os dois atletas de maior nome que tínhamos em 2017. No entanto, o que estes rivais fizeram no ano passado não os credenciaram a participar da Libertadores em 2018. Mas tudo bem, tudo certo, tudo em ordem com eles. Já conosco foi acidente de percurso, onde nos beneficiamos pela profusão de vagas distribuídas pelo inchaço da competição. Para eles, o perdão para a não classificação é garantido. Para nós, o desmerecimento e desdém do feito. Nem mais é lembrado os mandos de campo perdidos, fruto de ações pra lá de suspeitas, e apenas um pênalti marcado durante o longo Campeonato Brasileiro.

Nestes tempos em que para economizar recursos se dobra o número de executivos gerentes/diretores de futebol (vai entender), nós vascaínos devemos seguir caminhando (navegando talvez soe mais apropriado) cientes de que a má vontade com o Vasco é histórica, de todos os tempos, não é exclusiva contra uma pessoa, um dirigente, ou mesmo um charuto. A artilharia se voltará sempre contra aqueles que desafiarem a ordem futebolística traçada há aproximadamente cem anos, com uma mudança aqui ou ali. Vilanizaram alguns ao longo do tempo e trataram de exaltar outros. Mas esta exaltação só seguirá enquanto a subserviência se mantiver. Não se iludam. Se por acaso novos comandantes nossos ousarem desafiar o status quo esportivo brasileiro, sua própria luta o transformará em vilão. Primeiro perante os adversários. Depois, os próprios vascaínos.

Em tempos em que se contrata com extrema rapidez um executivo com grandes acusações em passagem por clube anterior, discursos de reconstrução do Vasco são feitos, sem que se diga de onde veio o processo de destruição. Pelo que se ouve nas últimas declarações, o clube viria de falta de gestão e apenas agora retoma seu curso administrativo. Sabemos que nem de longe é o caso, em virtude da reconstrução que começou em 2014 com a revitalização do patrimônio, recomposição de dívidas e aderência às certidões negativas de débito, que permitiram participar de programas de captação de recursos, o que fez renegociar/quitar dívidas passadas e, com muita responsabilidade, permitiu a formação de times competitivos, não só por nomes, mas também por estrutura e recursos materiais para preparação.

São tempos em que se fala com tranquilidade que o clube tem que ter 30% a 40% de jogadores da base sem mencionar que o processo de formação não muda de um ano para o outro. Vale lembrar, em todas as oportunidades, que após Phillipe Coutinho (que nos rende até hoje), fruto da gestão pré-Dinamite, nossa base desmoronou por completo, chegando ao cúmulo da vergonha que foi o período de Itaguaí. Essa reconstrução, trazendo de volta a base para São Januário, formando os atletas com os valores cruzmaltinos, veio de 2014 pra cá. Em que pese grande parte da base que jogou nos profissionais em 2017 ter ficado na reserva, ainda assim, o percentual chegou em níveis aceitáveis, ainda mais considerando o processo de reconstrução que foi iniciado em 2014.

Estes tempos que se iniciam agora, em que dizem iniciar um processo de reconstrução, tem que ser cuidadosamente explicados, pois reconstrução não se iniciou no último dia 22. A retomada da evolução do Vasco enquanto clube começou antes disso. Pode-se dizer que a reconstrução continua, pois há muito o que fazer, sem dúvida alguma. O que não consideramos correto é dizer que começa agora. Como exemplo final, podemos citar os recursos chegando através de patrocínio nunca antes visto no clube, obra do CASACA!, que trarão os ventos mais que necessários para nossa caravela navegar com êxito em 2018.

Se dizem isso que reconstrução começa apenas a partir de agora, certamente fecharam os olhos para 6 anos em que o Vasco foi abandonado. Estes sim, tempos em que chegamos a temer pela manutenção da existência do nosso clube.

Antes e depois

O trabalho evidente de reconstrução do Club de Regatas Vasco da Gama se mostrou tão claro e com tantos resultados favoráveis ao longo dos últimos três anos, a ponto de se tornar algo ridículo qualquer menção contrária a isso.

Futebol e Arbitragem

De um elenco no qual se tinha Martin Silva (Charles), Nei, Rodrigo (Douglas Silva), Luan (Rafael Vaz), Henrique, Guinazu, Sandro Silva, Bernardo, Montoya, Rafael Silva e Thales como pilares, Jordi, Lorran, Jhon Cley, Yago, Renato Kayser e Marquinhos do Sul como destaques das divisões inferiores, temos hoje um de outro nível e com a base repleta de promessas, que em campo já demonstraram capacidade para não só assumirem a titularidade da equipe, mas também serem fonte de vultosos negócios para o clube.

O Vasco foi entregue em 2014, colocado em terceiro lugar na segunda divisão sem liderar nenhuma das 38 rodadas daquela competição e deixado em janeiro de 2018 na posição de classificado para a Taça Libertadores da América deste ano.

Sobre a falácia de obtenção da sétima vaga para a Taça Libertadores, isso é conversa para boi dormir. Haviam seis vagas para os clubes partícipes do Campeonato Brasileiro, independentemente de qualquer coisa, e o Vasco conquistou a quinta (não foi a quarta porque até derrota com gol de mão sofremos). Caso Grêmio e Cruzeiro, campeões respectivamente da Taça Libertadores da América e Copa do Brasil, ficassem abaixo do Vasco, o clube obteria sua classificação da mesma forma, portanto em nada o Vasco dependeu de Cruzeiro e Grêmio para se classificar à principal competição do continente. No ano de 2016, por exemplo, tanto Grêmio como a Chapecoense, campeões da Copa do Brasil e Sul-Americana, respectivamente, não figuraram entre os seis primeiros do Brasileirão. Com isso, Botafogo e Atlético-PR obtiveram a quinta e sexta vaga, da mesma maneira, só que ocupando quinto e sexto lugares, respectivamente.

De um clube que não conquistava o Campeonato Carioca há 11 anos e perdera na gestão MUV seis disputas de taça em seis possíveis, o Vasco passou a ser o papão de títulos no Rio neste triênio, afinal não só venceu dois Estaduais (um invicto), como ainda conquistou uma Taça Guanabara (assim como Botafogo e Fluminense) e uma Taça Rio. Ou seja, terminou o período com quatro conquistas contra uma de Flamengo, Fluminense e Botafogo, deixando os vices para outros.

Em todas as disputas diretas de taça o Vasco foi o vencedor, três vezes contra o Botafogo e uma diante do Fluminense.

No que tange ao tricolor das Laranjeiras, uma sequência impressionante de reversão das conquistas em confronto direto ocorreu a partir de 1988. Dali por diante foram oito disputas de taça e oito vitórias consecutivas do Vasco (1988, 1992, 1993, 1994 {duas vezes}, 2003 {duas vezes}, 2004), que, até então, perdera as sete últimas para o Fluminense (1948, 1973 {duas vezes}, 1976, 1980 {duas vezes}, 1984) e só derrotara o adversário uma única vez, na decisão do Torneio Municipal de 1946. No período do MUV uma disputa e uma derrota, na final da Taça Guanabara de 2012 (confronto direto sem vantagem de nenhuma equipe). Neste último triênio, nova vitória vascaína na Taça Guanabara de 2016, com o adversário precisando apenas do empate, mas sendo derrotado por nós por 1 x 0, gol de Riascos, novamente atleta do clube em 2018.

Em relação ao Botafogo, jamais o Vasco havia derrotado o adversário numa final de Estadual, em quatro oportunidades: 1948, 1968, 1990 (decisão polêmica) e 1997. Pois bem, foram duas vitórias seguidas, com três triunfos e um empate nos quatro jogos decisivos. Finais de turno em se tratando de estaduais, considerando a vitória de um dos lados na partida a garantia do título sem disputas extras (disputa extra que poderia ter ocorrido em 1977 quando o Vasco venceu, caso se desse o contrário), foi a primeira conquista do Vasco sobre o adversário. Derrotas na Taça Guanabara de 1997, Taça Guanabara de 2010, Taça Rio de 2012, Taça Guanabara de 2013. O erguimento da Taça Rio de 2017 quebrou o tabu.

Quanto ao maior rival, por cinco vezes houve disputa eliminatória contra ele. O Vasco venceu quatro (Estadual 2015, Copa do Brasil 2015, Estadual 2016, Taça Rio 2017), obtendo posteriormente o título em três das quatro ocasiões, e perdeu apenas uma (Taça Guanabara em 2017, dando a oportunidade de mais um vice aos rubro-negros).
No confronto direto contra os três outros grandes do Rio foi este o saldo:

Vasco 6 x 1 Botafogo
Vasco 6 x 4 Flamengo*
*Em jogos oficiais 6 x 3
Vasco 5 x 3 Fluminense

Algo a ser destacado, contrário ao Vasco ao longo do último triênio, foram as arbitragens.

Em 76 jogos do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão (2015 e 2017), o clube não obteve um único ponto por ajuda da arbitragem. Foi prejudicado em incríveis 14 pontos no Brasileirão 2015 e em 7 no ano passado, com lances capitais (pênaltis não marcados a favor ou marcados equivocadamente contra o clube, transformados em gols, tentos mal anulados marcados pelo Vasco e ilegais dos adversários, validados).

Em 2015 o prejuízo na tabela chegou a 14 pontos em jogos contra Internacional (C) – 2 pontos, Sport (F) – 1 ponto, Atlético-MG (C) – 1 ponto, Cruzeiro (F) – 2 pontos, Avaí (F) – 2 pontos, Chapecoense (C) – 2 pontos, São Paulo (F) – 2 pontos, Coritiba (F) – 2 pontos. Contabilizados os 14 pontos teria o Vasco ficado em oitavo lugar no Brasileirão e não na décima oitava colocação, o que trouxe por consequência, a queda para a segunda divisão.

Já em 2017 os prejuízos caíram pela metade. O Vasco perdeu sete pontos em função da arbitragem nos seguintes jogos: Chapecoense (F) – 1 ponto, Flamengo (C) – 1 ponto, Santos (C) – 2 pontos, Corínthians (F) 1 ponto, Coritiba (C) – 2 pontos, em função de pênaltis cometidos sobre Alan Cardoso, pelo rubro-negro Everton Ribeiro, jogando vôlei, sobre Wagner e ainda sobre Ramon, sem nos esquecermos do gol feito com a mão por Jô, do Corínthians. Contabilizados os sete pontos a favor do Vasco, o clube teria terminado o Campeonato Brasileiro na terceira colocação, com o mesmo número de pontos que o segundo colocado.

Também na Copa do Brasil, outra competição organizada pela CBF, o Vasco teve vários prejuízos que desequilibraram as disputas de mata-mata nas quais foi eliminado do certame.

Em 2015, contra o São Paulo, o segundo gol tricolor, marcado por Luís Fabiano, hoje atleta do Vasco, foi ilegal, pois o centroavante tirou a bola das mãos de Martin Silva, quando o goleiro vascaíno a tinha em uma de suas mãos presa junto ao solo, lance por sinal muito parecido com o gol bem anulado do Manchester United-ING contra o Vasco no Mundial da FIFA de 2000, sendo na época protagonistas da jogada o arqueiro Hélton e o atacante Sheringham (que substituíra Solskajaer no intervalo). Além disso, na segunda etapa houve pênalti claro sobre Nenê não marcado pela arbitragem. Com a vitória tricolor por 3 x 0, que seria por um placar mínimo e sofrendo gol em casa, caso a arbitragem se comportasse com acerto, o Vasco lançou um time praticamente reserva no segundo confronto, o qual terminou empatado em 1 x 1.

Em 2016 contra o Santos foi muito escancarado o ocorrido contra o Vasco em São Januário no jogo de volta da disputa (o Santos havia vencido em seu estádio por 3 x 1). Na primeira etapa três lances polêmicos poderiam ter ensejado a marcação de pênaltis para o time da casa, um deles claríssimo, após cobrança de falta e toque na mão do zagueiro santista dentro da área, flagrante. Na segunda etapa, quando o Vasco buscava o terceiro gol para empatar a disputa (vencia por 2 x 1), uma falta não marcada nas proximidades da área santista a favor do Vasco iniciou a série de erros de árbitro e auxiliares no mesmo lance, com a não marcação de impedimento do ataque santista no contragolpe, em dois momentos diferentes. Três erros em apenas uma jogada deram à equipe paulista o segundo gol naquele empate com máculas ocasionadas por apito e bandeiras.

Ano passado, no jogo de ida da Copa do Brasil, em São Januário, o lance que oportunizou a abertura da contagem por parte do Vitória adveio de um pênalti em lance no qual, na origem, o atacante vascaíno Manga foi derrubado por um zagueiro e crendo na marcação da falta pôs a mão na bola, tendo o juiz ignorado a infração a favor do Vasco e marcado a outra, a favor do adversário. O gol de empate que selaria o placar final do primeiro jogo daquele confronto originou-se de um pênalti bem marcado contra o Vitória e na partida de volta a equipe baiana venceu por 1 x 0, classificando-se para a quarta fase da competição.

No que tange aos Estaduais, o Vasco, tal como ontem diante da Cabofriense, quando um pênalti não foi marcado a seu favor no início da partida, se viu prejudicado em número maior de vezes do que foi beneficiado.

Em 2015 nos jogos contra Barra Mansa, Fluminense, Botafogo e Friburguense, válidos pela Taça Guanabara, gols ilegais sofridos, pênaltis não marcados e gol legal invalidado foram todos contrários ao Vasco, tendo ainda ficado a dúvida se na segunda partida semifinal contra o Flamengo a bola cabeceada por Rafael Silva entrou ou não, quando o placar ainda era de 0 x 0.

Em 2016 o Vasco foi ajudado pela arbitragem na vitória sobre o Volta Redonda (2 x 0), através da marcação de um pênalti inexistente a seu favor, quando o jogo ainda estava empatado e na vitória diante do Madureira por 1 x 0, pela não marcação de um pênalti claro a favor do adversário, sendo que na ocasião o Vasco vencia o jogo.

No último Estadual disputado, um prejuízo e um benefício no clássico contra o Flamengo, válido pela primeira fase da Taça Rio (pênalti não marcado sobre Jomar aos 44 do 2º tempo e pênalti inexistente assinalado a favor do Vasco dois minutos depois).

Vê-se com isso que o equilíbrio entre erros e acertos nos jogos promovidos pela FFERJ passam longe do absurdo desequilíbrio visto nas partidas promovidas pela CBF, exceto às da segunda divisão, onde erros e acertos estiveram perto de se equipararem.

Por falar em segundona, aquela competição – rechaçada por todos nós, até pela forma como o Vasco foi atirado nela pelas arbitragens, independentemente de qualquer questionamento sobre ações administrativas no curso do Brasileirão de 2015 – teve o Vasco na liderança por 29 rodadas consecutivas (as primeiras 29), até o início de outubro e em nenhuma das 38 figurou o clube fora da zona de classificação para a primeira divisão do ano seguinte, mas independentemente disso os últimos 55 dias da equipe foram abaixo da crítica, acumulando em tal período 4 vitórias, 2 empates e 5 derrotas, o que levou a uma mexida geral no elenco ao fim do campeonato e a um investimento maior para a temporada seguinte com 16 contratações entre o final de 2016 e julho do ano passado.

Finalmente, em 2017 o Vasco apresentou um elenco mais caro e com atletas trazidos de qualidade inquestionável em várias posições. Breno, Anderson Martins, Ramon, Wagner, Kelvin, Luís Fabiano, entre outros, aumentaram a folha e compromissos do clube com parceiros ao longo do período. Se Gilberto, Paulão, Jean, Bruno Paulista, Wellington, Escudero, Muriqui, Manga Escobar e Andres Rios deram ou não conta do recado, o mercado os tinha como atletas de nível, oriundos de grandes clubes ou com propostas, sondagens de outros grandes clubes. A exceção foi Lucas Rocha, zagueiro já dispensado.

Por não ter vendido Paulinho nas duas janelas possíveis, agora em janeiro com o tempo mais apertado é verdade, e por ter sido vítima de sabotagens nos últimos meses de gestão por opositores ao Vasco, o clube não pôde fazer investimentos maiores em contratações e trouxe jogadores dos quais se espera um pouco mais (Erazo, Fabricio, Desabato, Rildo, Riascos) e outros que são incógnitas, casos de Rafael e Thiago Galhardo, além de Luís Gustavo. Perdeu-se um ótimo zagueiro, um lateral direito contestado e um meia pouco convincente em mais de 30 oportunidades nas quais este último atuou pelo Brasileirão do ano passado. Duas outras contratações ficaram alinhavadas e podem ter prosseguimento com a nova gestão. Caso isso ocorra e os atletas ora machucados possam voltar em plena forma teremos um time competitivo para essa temporada.

O que esperamos em termos de futebol nesse próximo triênio é que haja o mesmo número de conquistas obtidas entre 2015 e 2017 (ou mais), uma arbitragem neutra nos jogos do Vasco válidos por competições organizadas pela CBF, como houve nas partidas válidas pelos Estaduais no mesmo período, a manutenção da supremacia nos confrontos contra o trio da zona sul carioca e também a supremacia em títulos, comparando-se aos outros três.

Aguardar ou exigir que se iguale ou se bata o recorde de partidas oficiais invictas de toda a história do clube, como ocorrido entre novembro de 2015 e junho de 2016 (34 jogos) seria um pouco demais, afinal foi uma marca que superou 100 anos de história do clube, ultrapassando de uma vez só as maiores de Atlético-MG, Flamengo, Internacional-RS e Palmeiras, além de igualar as de Cruzeiro e Corínthians, obtidas, como no caso do Vasco, no atual século.

Presente e Futuro

Encontra-se hoje o Vasco muito melhor estruturado do que em 2014, com mais de 20 milhões a receber em menos de 10 dias (verba suficiente para pagar as folhas até janeiro, inclusive, e devolver o adiantado pelo parceiro, emprestado para acertar parte do referido montante esta semana), mais um montante represado, ainda sem ter o clube em 2017 tido a oportunidade de levantar adiantamentos junto à Rede Globo, que serviriam num primeiro momento para pagar outros valores devidos (fora salário), grande oportunidade de crescimento dos sócios-torcedores e obtenção de mais verbas focadas no patrocínio para outros pontos do manto cruzmaltino (fora ações próprias da gestão que chega) e também sendo todos sabedores ser a venda de um ou dois atletas da base ao longo da temporada fator de tranquilidade à gestão atual no que concerne ao pagamento de compromissos durante o ano.

Não é fácil, não é simples, desde dezembro de 2014 nunca foi. Minha opção em duas votações (novembro e janeiro) foi pela continuidade da reconstrução e tendo na responsabilidade administrativa seu norte, apostando ser essa a visão da eleita, como o discurso de posse do novo presidente assim ratificou. Claro que minha preferência se evidencia. Eurico Miranda é meu candidato à presidência do Vasco, desde antes de eu ter idade para votar (Eurico 86 – O Vasco acima de tudo permanece colado no vidro da janela de meu quarto no apartamento onde residi e hoje mora apenas a minha mãe). Ele, com ou sem o cargo, atuando em função executiva no clube, cumpriu de maneira exemplar seu dever nos triênios dos quais participou dessa forma, tornando-se a figura viva com maiores serviços prestados ao Vasco, entre todos.

Que a nova gestão atue sem medo de prever o melhor, porque o Vasco é movido a desafios, como foi a classificação à Taça Libertadores do ano passado, mas com trabalho no lugar de loucuras, com unicidade no lugar de divisões tolas e inúteis, sem temor de se ter ou não o aval da imprensa e sabedores todos que querer gerir o Vasco é um direito, ninguém é compelido a isso, mas administrá-lo com respeito à sua história, seus homens e comprometimento com seu futuro, uma obrigação.

Sérgio Frias

Princípios

O campeonato estadual começou e o Vasco já disputou duas partidas, com o saldo de uma derrota e uma vitória. É normal, e até mesmo óbvio, uma equipe que está começando a temporada, não apresentar um bom futebol. No momento, o mais importante é o resultado, visando uma classificação para a próxima fase, e também a preparação pra principal competição neste primeiro semestre, que é a Taça Libertadores.

Porém o assunto mais tocado neste início de 2018, infelizmente não é o campo e bola, mas sim o eterno cenário eleitoral, que muitas vezes, acaba influenciando negativamente no desempenho da equipe.

Eu disse algumas vezes no programa “Casaca no Rádio” no final do ano passado, que mais importante que o resultado dentro de campo, seria aquele fora do campo. Que uma derrota nos gramados poderia ser compensada com uma vitória na rodada seguinte, mas que o resultado do pleito , este duraria 3 anos e poderia trazer boas ou más consequências pro processo de reconstrução do clube.

Na última sexta-feira, na sede náutica da Lagoa, foi eleito o novo presidente do clube pro próximo triênio. Não o presidente que nós desejávamos e que sabíamos que continuaria a reconstrução já citada e que dava nome a chapa. Depois de toda judicialização e injustiças cometidas, que culminaram com a eliminação absurda dos votos de sócios legítimos, chegamos a um cenário que apresentava duas opções: uma que tínhamos a certeza que traria aquele cenário caótico que assolou o clube entre julho de 2008 e dezembro de 2014.

Uma chapa onde quem colocava a cara como candidato ao cargo máximo era um completo desconhecido até 2014, alguém que não se rogou a desrespeitar os homens do Vasco e que servia apenas como fantoche de ex-jogadores e empresários ávidos por tomar o Vasco de assalto. Junto desse pessoal, até grande benemérito do Flamengo apareceu como patrocinador.

Do outro lado, uma chapa que tem nomes partícipes da gestão de Roberto Dinamite, que fizeram parte da pior administração da história do clube, mas que conta com pessoas que ao menos tem história no Vasco, que conhecem o clube. O voto na sexta-feira foi plebiscitário. Era votar contra ou a favor da chapa amarela. Na verdade, a melhor definição é que o que tivemos foi um voto de protesto. Protesto contra a influência externa promovida pela imprensa, contra o conluio jurídico midiático que insiste em querer se meter nas coisas do Vasco. Que manipulou informações, criou factóides e reverberou absurdos como a história do roubo de aparelhos do CAPPRES. Quem viveu o massacre midiático do início de 2001, sabe do que estou falando. Janeiro de 2018 foi o janeiro de 2001 com redes sociais.

Esse pessoal tem que entender: O Vasco é gerido de dentro pra fora, e não o contrário !

E foi esse o recado dado pelos conselheiros do clube.

Vejo pessoas reclamando que em 120 anos, essa é a primeira vez que um candidato eleito pela maioria, não toma posse. Isso aconteceu sim, quando os votos da urna 7 foram sumariamente anulados, tirando da chapa “Reconstruindo o Vasco” o direito a ter os seus 120 conselheiros eleitos.

Falam de golpe, mas se esquecem que a chapa amarela só conseguiu a quantidade de votos que obteve, porque no meio do pleito, de maneira atropelada, se uniu a chapa verde e a chapa branca. Não fosse isso, os votos da oposição se fragmentariam e eles brigariam apenas pelo 2º lugar. E ao invés de 120 conselheiros, teriam apenas os 30 da minoria.

Reclamam de traição, mas admitem que as chapas eram completamente antagônicas. Sendo antagônicas, era óbvio que rachariam. Até porque o único projeto de Vasco desse pessoal, é tirar o Eurico.

Pra sorte do Vasco, racharam antes de assumir o poder. Se acontece depois, o clube ficaria inviável, com uma eterna briga por espaço e cargos.

Dizem também que o processo indireto de escolha do presidente é injusto. Discordo frontalmente!

Quando o estatuto do Vasco determinou que fosse assim, já previam que num futuro próximo, o poder financeiro e midiático pudesse influenciar na escolha daquele que comandaria o clube. E fizeram isso sem saber que um dia existiriam mídias sociais, com seus fakes remunerados que manipulam e alienam a informação. Que transformam completos desconhecidos em salvadores da pátria. Que elevam a categoria de “messias” do Vasco um rapaz que, pasmem, não pagava nem suas mensalidades em dia!

Se não fossem os homens do Vasco, com 40, 50, 60 anos de história no clube, correríamos o risco de ter num futuro próximo, até mesmo alguém da família Marinho presidindo o Vasco ! Ou alguém duvida do poder de influência dessa gente?

Por fim, deixo uma mensagem aos torcedores e sócios do Vasco que sempre confiaram e acompanharam o CASACA! ao longo dos 18 anos de existência do grupo. Vocês devem imaginar que temos muito a falar sobre o início de Alexandre Campello como presidente do Vasco, as primeiras escolhas de vice-Presidentes, pronunciamentos noticiados na imprensa, etc.

Porém, o momento é de trégua, já que o time de futebol estreia na tão cobiçada Libertadores em menos de 10 dias e o clube precisa respirar um pouco de tranquilidade para avançar de fase.

Por enquanto, releiam os princípios do CASACA!. Nossos próximos passos estão ali.

Rodrigo Alonso