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Célio “raçudo” Taveira – Parte IV (Última Parte)

A estreia do Vasco na temporada de 1966 se deu num amistoso contra o Universidad, de El Salvador, fora de casa, ocasião na qual a vitória por 2 x 0 foi obtida com 2 gols de Célio, 1 deles de pênalti.

Logo em seguida, uma infeliz participação do clube em Torneio Pentagonal, realizado no México, quando nos 5 jogos disputados o time cruzmaltino marcou apenas 2 gols, sendo Célio o autor de um deles.

Um último amistoso antes do Torneio Rio-São Paulo, jogado na Guatemala frente ao Estudiantes-ARG (2 x 1), Célio esteve no rumo da vitória cruzmaltina, marcando o gol de empate na virada imposto sobre os argentinos.

No Torneio Rio-São Paulo, Célio marcou duas vezes na 2ª rodada, contra o Corinthians no Pacaembu (estreia de Garrincha pela equipe paulista); participou do 1º e marcou o 2º gol da vitória por 2 x 0 sobre o Fluminense; na 4ª rodada fez o gol da vitória por 1 x 0 sobre o São Paulo no Maracanã; assinalou o gol vascaíno na derrota sofrida diante do Palmeiras no Pacaembu (1 x 2) na 5ª rodada, foi o responsável pela assistência a Zezinho no gol de empate contra o Flamengo (1 x 1) na 6ª rodada e marcou, de falta, um dos gols cruzmaltinos na derrota diante do Santos, no Pacaembu (2 x 5) na 7ª rodada.

Ao final do certame o Vasco conquistou, junto a Botafogo, Corinthians e Santos, o Torneio Rio-São Paulo, 6º título do atleta no Vasco.

No jogo seguinte da equipe principal cruzmaltina, após o Torneio Rio-São Paulo, vitória sobre o Flamengo (2 x 1), num amistoso disputado em Brasília, com Célio abrindo o marcador, cobrando pênalti.

Convocado para a Seleção Brasileira, ainda na fase de treinamentos, Célio ficou fora de amistosos do Vasco, desde o início de abril, até o princípio de junho.

O atleta, que só teria chance de atuar uma vez pela Seleção Brasileira, contra o País de Gales, a 18/05, no Mineirão (1 x 0 para o Brasil), foi cortado 2 dias depois.

Célio viajou à Europa, onde o Vasco excursionava e voltou ao time em 03/06, marcando o tento cruzmaltino contra o Arezzo-ITA. Na mesma excursão, pelo Torneio de Paris, marcou o gol do Vasco na partida que definia o 3º lugar, diante do Spartak, da Tchecoslováquia (1 x 1).

Na disputa da Taça Guanabara, realizada entre agosto e setembro, Célio passou em branco, sem marcar nas 3 partidas que disputou. Já no Campeonato Carioca, o centroavante apareceu bem em alguns momentos.

Na 2ª rodada, com um toque de calcanhar, deu assistência pra o gol inaugural da vitória cruzmaltina sobre o Madureira por 3 x 1, no jogo seguinte contra o Olaria (3 x 0), Célio abriu a contagem com um gol de falta e participou do último, marcado por Alcir, após rebote do goleiro olariense, em cabeçada do centroavante.

Na 4ª rodada, vitória do Vasco sobre a Portuguesa (3 x 1), com Célio faturando o 1º de sua equipe.

Na 11ª rodada, Célio sofreu pênalti, cobrado por Oldair, na partida contra o Bonsucesso (1 x 2).

Na rodada inicial do returno, empate com o Fluminense, gol marcado por Paulo Mata, após assistência de Célio.

Pela 15ª rodada, em partida diante do Bonsucesso (2 x 1), Célio marcou o 2º gol vascaíno, seu último pelo clube.

Na 17ª rodada, diante do Olaria (2 x 0), Célio deu a assistência para o gol inaugural da peleja, assinalado por Nado.

No Campeonato Carioca foram 3 gols marcados e 3 assistências dadas, no Torneio Rio-São Paulo 6 gols marcados e uma assistência, no Torneio Pentagonal do México um gol marcado, no Torneio de Paris a mesma coisa, em amistosos internacionais 4 gols e em nacionais um, contra o Flamengo.

No total daquele ano Célio marcou 16 gols e deu 4 assistências.

Em 1967, o atleta embarcou para o Uruguai, a fim de defender o Nacional, de Montevidéu, e em 3 anos e meio de clube marcou dezenas de gols, chamando a atenção os 21 pela Taça Libertadores da América. É o segundo artilheiro do clube uruguaio na competição, em todos os tempos. Além disso, Célio foi Bicampeão Uruguaio pelo clube.

Finalmente, já em final de carreira, defendeu o Corinthians, estreando em julho de 1970, permanecendo no clube até 1971, com 4 gols marcados nesse período, 3 deles em clássicos.

Célio nos deixou no último sábado, 29/05, vítima do Covid 19, aos 80 anos.

A relevância de sua passagem pelo Vasco não caberia num único texto, numa única coluna, daí a divisão em quatro partes, mostrando ao público que o atleta, maior artilheiro da década em que atuou pelo Vasco e partícipe de todas as taças conquistadas pelo futebol profissional do clube nos anos 60, deixou registrada sua marca na história com seu potente chute, seu singular espírito de luta e, ainda, seu faro de artilheiro.

Aqui neste espaço fica a homenagem por sua vitoriosa passagem pelo Vasco, por 4 anos, período no qual marcou mais de 100 gols com a camisa cruzmaltina.

Sérgio Frias

Célio “raçudo” Taveira – Parte III

Um torneio internacional e dois interestaduais, com um amistoso entre eles. Assim começou o ano de 1965 para o Vasco.

Na disputa internacional, o cobiçado torneio do IV Centenário, do qual faziam parte Vasco, Flamengo, Atlético Madrid-ESP e Seleção da Alemanha Oriental.

Coube ao Vasco enfrentar os alemães em busca de uma vaga para a final e Célio marcou, de fora da área, o gol da vitória por 3 x 2, após estar o Vasco perdendo por 2 x 1. Também foi dele o 1º gol do Vasco, cobrando pênalti.

Na decisão, massacre do Vasco sobre o Flamengo (4 x 1), com Célio marcando os dois gols iniciais da partida, sendo que o 2º assinalado pelo centroavante de maneira sensacional, encobrindo o goleiro rubro-negro Marcial. Foi esse o 3º título conquistado por Célio no Vasco.

Antes que se iniciassem os dois torneios interestaduais previstos, em Goiás e Pernambuco, um amistoso sui generis foi disputado pelo Vasco na cidade mineira de Porto Novo da Cunha, contra o Independente, campeão local. Pelo aguaceiro em campo o jogo foi interrompido aos 21 minutos do 2º tempo, quando o Vasco vencia por 1 x 0, gol de Célio, cobrando penalidade máxima.

No Torneio Triangular Gilberto Alves, em Goiânia, Célio brilhou na partida frente ao Atlético-GO, quando marcou duas vezes e ainda participou do 1º tento cruzmaltino, mas o título ficou com o Flamengo, que venceu o mesmo adversário do Vasco por 6 x 1 e empatou o clássico dos milhões contra seu tradicional rival em 0 x 0.

Quatro dias depois o Vasco estreava no Torneio, que comemorava o Cinquentenário da Federação Pernambucana, vencendo o Sport (3 x 1), ocasião na qual Célio marcou um lindo gol por cobertura, o 2º do Vasco e serviu Lorico para que este marcasse o 3º dos cruzmaltinos.

No jogo seguinte, diante do Santa Cruz, o Vasco venceu por 2 x 0, com Célio participando ativamente da jogada que redundou no 1º tento de sua equipe, marcado pelo ponteiro direito Luisinho, que, também, faria o 2º.

Finalmente, na decisão contra o Náutico os cruzmaltinos, jogando pelo empate, perdiam por 1 x 0, mas Célio, aos 14 do 2º tempo, fez o gol que daria o título do torneio ao Vasco, sua 4ª conquista pelo clube.

No Torneio Rio-São Paulo, Célio marcou contra o Palmeiras no Maracanã, na 3ª rodada (1 x 4); bisou o feito, de pênalti, contra o Botafogo (4 x 2) na 4ª rodada, além de participar do lance que se desenrolou no 4º gol vascaíno naquela ocasião; marcou duas vezes (uma delas de falta) contra o América (4 x 0) na 8ª rodada, além de ter participado do 1º gol do jogo, em lance fortuito; deu assistência a Mário Tilico para marcar o gol de empate do Vasco contra o Fluminense (1 x 1) na 10ª rodada; deu nova assistência a Tilico na partida seguinte, diante do Palmeiras, no Maracanã (2 x 3), no lance do 2º tento cruzmaltino; marcou, de pênalti, o gol da vitória sobre o Flamengo (1 x 0) no jogo subsequente e, também cobrando pênalti, fez o gol vascaíno no revés sofrido diante do São Paulo (1 x 4), no Pacaembu, na 13ª rodada. Um total de 6 gols e duas assistências no torneio.

Uma série de amistosos foram disputados pelo Vasco, antes de a equipe jogar a I Taça Guanabara da história, que daria ao campeão uma vaga na Taça Brasil daquele ano, mas Célio, convocado pela 1ª vez para a Seleção Brasileira, não pôde jogá-los. Pelo Brasil, atuou, vindo do banco no decorrer da 2ª etapa, contra Alemanha Ocidental (2 x 0) e Argentina (0 x 0), ambas as partidas disputadas no Maracanã, mas ficou mais de um mês com o grupo dos convocados daquela ocasião.

A Taça Guanabara à época durou quase 2 meses e houve até tempo no decorrer dela para que o Vasco atuasse em 2 amistosos, um deles com Célio em campo, diante do Tupi-MG, em Juiz de Fora, ocasião na qual o centroavante marcou 3 vezes (uma delas cobrando falta), na vitória cruzmaltina, repetindo o feito conseguido contra o Olaria no ano anterior.

No decorrer da Taça Guanabara o brilho de Célio foi intenso. Na rodada inicial, massacre vascaíno sobre o Fluminense (5 x 0), com 2 gols do centroavante (os primeiros da goleada), uma assistência (no 4º gol) e, ainda, participação no 5º gol cruzmaltino.

Na 3ª rodada foi dele o gol da vitória sobre o América (1 x 0), cobrando pênalti.

O turno final, do qual fizeram parte Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo reservou a Célio mais momentos de brilho. Contra o Fluminense (2 x 0), na 1ª rodada, ele marcou os 2 gols da partida (1 de pênalti), diante do Flamengo (1 x 0), na 2ª rodada, o gol da vitória foi consignado por ele e na decisão diante do Botafogo (2 x 0), embora não marcasse, pôde comemorar com os companheiros o título (seu 5º no Vasco) e, também, a condição de artilheiro do certame com 6 gols.

Faltavam duas competições a serem disputadas pelo Vasco: o Campeonato Carioca e a Taça Brasil, jogada no meio da competição local.

O Vasco já chegou classificado às semifinais da Taça Brasil e eliminou o Náutico, após empate por 2 x 2 fora de casa, após estar perdendo por 2 x 0, com Célio marcando 2 vezes, uma delas de falta, e garantiu a vaga para a final, derrotando o adversário pelo placar mínimo no Maracanã.

Na decisão, apesar da goleada do Santos no Pacaembu (1 x 5), Célio deixou sua marca, cobrando pênalti. No Rio um empate em 0 x 0 deu o Pentacampeonato da Taça Brasil aos santistas.

Um Campeonato Carioca mais curto, com apenas 8 clubes participantes, foi disputado naquele ano e o Vasco, um dos favoritos, não se houve bem nele, mas, mesmo assim, Célio teve seus momentos de destaque na competição.

Na 2ª rodada, no empate diante do Fluminense (1 x 1), Célio marcou o gol vascaíno e reclamou de outro, não validado pela arbitragem em tiro seu, que bateu no travessão e quicou, segundo depoimento do atleta, dentro do gol.

Na inauguração do campo da Portuguesa, em jogo válido pela 3ª rodada, Célio deu assistência para o 2º gol de Zezinho contra a Lusa (o ponteiro marcara um gol olímpico antes, inaugurando o placar).

Na 5ª rodada, Célio marcou de pênalti o 1º gol da vitória cruzmaltina contra o Botafogo (2 x 1) e deu assistência para Mário Tilico faturar o segundo.

Na última rodada do turno, goleada cruzmaltina sobre o América por 4 x 1, com Célio marcando o 2º gol de sua equipe.

O Vasco estreou no returno perdendo para o Fluminense por 2 x 1, mas Célio, de falta, marcou o gol cruzmaltino, no jogo seguinte bateu a Portuguesa por 3 x 1 e Célio, de pênalti, assinalou o 2º gol vascaíno.

Finalmente, na penúltima rodada, goleada cruzmaltina sobre o Bonsucesso (5 x 1), com Célio marcando o 2º gol, de falta, e participando do 4º, marcado pelo ponteiro esquerdo Tião.

Na temporada de 1965, Célio marcou 6 gols e deu 2 assistências, tanto no Campeonato Carioca, como no Torneio Rio-São Paulo.

Na Taça Guanabara fez novamente 6 gols e deu uma assistência.

Na Taça Brasil assinalou 3 dos 4 gols do Vasco na competição.

No Torneio do IV Centenário marcou 4 gols em 2 jogos, já no Torneio Gilberto Alves, disputado bem Goiânia,fez 2 gols, em 2 jogos e no Torneio Cinquentenário da Federação Pernambucana de Futebol, faturou 2 gols (1 deles o do título) e ainda deu uma assistência em 3 jogos.

Para completar, ainda marcou 4 tentos em partidas amistosas, num total de 33 gols e 6 assistências dadas ao longo da temporada.

Sérgio Frias

Célio “raçudo” Taveira – Parte II

Na 1ª partida da equipe principal na temporada de 1964, Célio marcou seu 1º gol em cobranças de pênalti (pelo Vasco) no empate em 1 x 1, diante do Atlético-MG, partida realizada no estádio do Bonsucesso.

Outro adversário mineiro, o Cruzeiro, seria derrotado em Belo Horizonte no 2º amistoso da equipe principal vascaína e mais uma vez o gol único do Vasco foi assinalado por Célio.

Em seguida, o Vasco participou de um torneio quadrangular no Paraguai contra Cerro Corá-PAR, Guarani-PAR e Racing-ARG, obtendo apenas 1 empate e 2 derrotas. Célio, em cobrança de pênalti, marcou no empate com o Racing-ARG (1 x 1).

Na última rodada, reclamação geral dos atletas cruzmaltinos com a conduta do árbitro em campo, favorecendo nitidamente o Cerro Corá, equipe anfitriã. Após o jogo, Célio deu vários bicos no apitador, tirou sua camisa e saiu irado de campo, sem ser expulso.

No Torneio Rio-São Paulo, disputado entre março e abril, Célio marcou, de pênalti, contra o Flamengo, na derrota por 3 x 1, fez o gol último do Vasco na sensacional virada sobre o Palmeiras no Pacaembu (3 x 2) na 4ª rodada da competição, no 6º jogo, cobrando falta, decidiu o clássico contra o Botafogo (1 x 0), mas no último compromisso do certame, frente a Portuguesa de Desportos (3 x 3), em São Paulo, foi expulso, após troca de agressões com o rubro-verde Abelardo ao7 do 2º tempo, quando o placar registrava empate em 1 x 1.

O temperamento forte do artilheiro era já à época percebido por imprensa e adversários, mas estava no sangue de Célio, era dele, fazia parte do seu jeito de entrega, luta, raça e desprendimento. Célio agradava os torcedores por seu compromisso com a camisa que envergava.

No decorrer do Torneio Rio-São Paulo houve tempo para o Vasco atuar em alguns amistosos, 4 em Minas Gerais (1 vitória e 3 empates) e 1 no Paraná.

Célio passou em branco nos 3 jogos em que atuou em terras mineiras, mas na vitória sobre o Atlético-PR, em Curitiba, por 3 x 2, marcou o 2º gol do Vasco e deu a assistência para o 3º tento cruzmaltino.

Após o Torneio Rio-São Paulo mais 4 amistosos foram disputados pelo Vasco antes que se iniciasse o Campeonato Carioca. No primeiro deles, frente ao Bangu em São Januário, vitória vascaína por 1 x 0, gol de Célio, aproveitando rebote de uma penalidade máxima batida por ele próprio e defendida parcialmente pelo goleiro Ubirajara.

Na partida seguinte, novamente o Bangu como adversário, desta vez em Moça Bonita, e com o placar empatado em 1 x 1, um pênalti para o Vasco foi marcado, mas, desta vez, o volante Maranhão foi quem cobrou, convertendo para fechar o placar. O mesmo ocorreria em Vitória, Espírito Santo, 3 dias depois, contra o Rio Branco (2 x 0). Com 0 x 0 no placar houve um pênalti marcado para o Vasco, cobrado novamente por Maranhão e convertido pelo volante. Mas Célio teve participação no 2º gol do jogo, ao dar assistência, de bicicleta, para Saulzinho marcar.

O último amistoso do Vasco foi contra o Vila Nova-MG, equipe contra a qual o Vasco já havia atuado na série de 4 amistosos realizados em Minas Gerais, 2 meses antes. Mas se daquela vez Célio não estava em campo, desta feita, em São Januário, o artilheiro jogou e deu a assistência para o ponteiro esquerdo Zezinho marcar o 1º da vitória por 3 x 0 sobre o Vila.

Em meio ao Campeonato Carioca o Vasco jogou 2 amistosos internacionais, contra Nacional-URU fora de casa (0 x 2) e Porto-POR no Maracanã (3 x 0), mas Célio só atuou diante do Nacional.

Posteriormente, ainda durante o Carioca, 2 amistosos contra o Atlético-GO, em Goiânia (1 x 1 e 1 x 0), marcando Célio o tento único do 2º confronto.

No mês de outubro uma nova parada para a disputa do Torneio Francisco Vasques, promovido pela Tuna Luso em homenagem a seu paredro, que falecera semanas antes. Participaram do certame, além de Vasco e Tuna, também, Remo e Paysandu.

O Vasco ganhou o torneio com 100% de aproveitamento (1 x 0 no Remo, 3 x 1 na Tuna Luso e 3 x 2 no Paysandu). Célio abriu o placar contra a Tuna Luso, de pênalti, como, também, inauguraria o marcador diante do Paysandu no último jogo.

Do Pará para o Suriname e Guiana Holandesa, onde mais 2 jogos amistosos foram realizados, com 1 vitória (3 x 2) e 1 empate (1 x 1) do Vasco. Célio marcou 1 gol em cada jogo.

Ainda houve, em novembro, no feriado em homenagem à Proclamação da República, um último amistoso contra o Porto Alegre, da cidade de Itaperuna, ocasião na qual pela superlotação do estádio um muro ruiu, trazendo por consequência 16 pessoas feridas. Em campo, Célio deixou sua marca, fechando o escore de 2 x 0.

Finalmente o Campeonato Carioca, disputado de julho a dezembro.

Na 1ª rodada, Célio não marcou na derrota cruzmaltina frente ao América por 2 x 1, mas foi dele a assistência para o gol de Maranhão.

No confronto seguinte, diante do Campo Grande, fora de casa (2 x 2), Célio fez 1 gol e deu a assistência para o outro e na partida subsequente foi dele o gol de empate contra o Bangu (1 x 1), jogo disputado no Maracanã.

Na 5ª rodada, Célio deu assistência para o 2º gol vascaíno e marcou o 3º, cobrando pênalti, no empate diante do São Cristóvão em Figueira de Melo (3 x 3).

Somente na 6ª rodada o Vasco venceu pela 1ª vez. O adversário, Bonsucesso, perdeu por 3 x 0 em São Januário. Célio deu a assistência para o 2º gol vascaíno, assinalado por Mário Tilico, e participou ativamente do 3º, marcado pelo ponteiro esquerdo Zezinho, após disputa entre o centroavante e um zagueiro contrário.

Na 9ª rodada, Célio, de pênalti, marcou para o Vasco contra o Flamengo na derrota por 2 x 1 e no jogo subsequente, contra o Canto do Rio, em São Januário (2 x 0), o centroavante teve importância decisiva nos 2 tentos cruzmaltinos, assinalados por Mário Tilico. No 1º deles, Tilico completou para as redes, após defesa parcial do goleiro em cobrança de falta executada pelo companheiro e no 2º tabelou com o centroavante e complementou para o filó.

Na penúltima rodada do turno, Célio, num gol de raça, decidiu o clássico contra o Fluminense (1 x 0).

O returno se iniciaria com o clássico Vasco x América, ocasião na qual Célio, cobrando pênalti e depois falta, definiria o placar de 2 x 0 para o Gigante da Colina.

Na 14ª rodada, Célio deixou o seu contra o Campo Grande, em São Januário (2 x 0), no jogo seguinte, frente ao Bangu, marcou, cobrando falta o 1º gol vascaíno no empate em 2 x 2, na partida seguinte contra a Portuguesa, em São Januário (novamente 2 x 0), Célio foi garçom de Zezinho no 1º tento vascaíno e perspicaz no gol de Mário Tilico, deixando a bola passar ao companheiro, após centro de Zezinho.

Na 17ª rodada o Vasco venceu bem o São Cristóvão, em São Januário, por 4 x 2 e naquela oportunidade Célio sofreu a falta que originaria a cobrança precisa de Zezinho inaugurando a contagem e deu a assistência para o 4º gol cruzmaltino, assinalado por Mario Tilico.

O Vasco repetiu o placar na rodada seguinte, frente ao Bonsucesso, no Maracanã, mas desta vez Célio, além da assistência (fortuita) para o 1º gol cruzmaltino, marcado por Zezinho, faturou duas vezes.

Na 20ª rodada, frente ao Olaria, em General Severiano (5 x 0), Célio marcou pela 1ª vez no Vasco 3 gols num único jogo, sendo o 2º do time, em cobrança de pênalti, o 4º, após bobeada da zaga e antevisão sua do lance, e o 5º com estilo, ao matar no peito e mandar um petardo às redes. Além disso, num cruzamento seu o zagueiro olariense Marcos mandou para dentro de suas próprias redes no tento inaugural da partida.

A 4 rodadas do fim, mesmo perdendo para o Flamengo (2 x 1), Célio novamente deixou sua marca e na derradeira do certame, fez seu último gol daquele ano contra o Madureira, em Conselheiro Galvão.

Um total de 16 gols e 9 assistências no Campeonato Carioca, mais 3 gols no Torneio Rio-São Paulo e 11 em amistosos foram os números de Célio no ano de 1964, ocasião em que conquistou, também, o Torneio Francisco Vasques, seu 2º título pelo clube.

Sérgio Frias

Célio “raçudo” Taveira – Parte I

Em janeiro de 1963, Célio, oriundo do Jabaquara, da cidade de Santos, acertava seu primeiro contrato com o Vasco.

O atleta, que começou jogando na base da Portuguesa Santista e fora companheiro de Pelé em jogos pelas Forças Armadas, quando ambos serviam o exército, vinha como uma aposta aceitável da direção cruzmaltina, com 35 gols marcados em quatro anos, enquanto profissional, por Ponte Preta (1959/60) e Jabaquara (junho de 1960 a dez 1962).

Célio, neto do remador Antonio Taveira de Magalhães (Campeão Carioca desse esporte pelo clube de Santa Luzia, em 1905 e 1906) vinha como provável companheiro de ataque do artilheiro do Campeonato Carioca de 1962, Saulzinho.

Contrato assinado, o atleta viajou ao México para disputar o Torneio Pentagonal e já obteve ali seu primeiro título.

Em sua estreia, a 17/01, contra o El Oro-MEX (segunda rodada do pentagonal), goleada vascaína por 5 x 0, e seu primeiro tento, num tiro surpreendente de fora da área que encontrou as redes adversárias.

No Torneio Rio-São Paulo daquele ano, Célio marcou apenas um gol. Tal fato ocorreu na despedida da equipe daquele certame, contra o Palmeiras (1 x 1), no Pacaembu, em partida realizada a 28/03.

Em outro Torneio Pentagonal, desta vez no Chile, disputado entre 31/03 e 14/04, o centroavante foi o grande destaque da equipe, com 5 gols em 4 jogos, terminando o Vasco empatado na 1ª posição com o Universidad de Chile. Naquela competição, Célio marcou o primeiro dos seus 11 gols de falta pelo Vasco, sendo o principal goleador do Vasco, nos anos 60, também, neste quesito.

Entre abril e junho, antes do início do Campeonato Carioca, Célio atuou num amistoso em Campos contra o Goytacaz e em excursão cruzmaltina à África, fazendo boa dupla com Saulzinho naquele continente. Dali o Vasco partiu para amistosos na Europa, inclusive disputando a Taça Teresa Herrera, que já havia ganho 6 anos antes, mas Célio, contundido, só participou do 1º jogo em Portugal contra o Sporting, voltando para o Brasil três dias depois, a fim de se recuperar.

Na estreia do Campeonato Carioca, a 30/06, inteiro, Célio marcou com 45 segundos de jogo o 1º gol do Vasco e sofreu o pênalti que ensejaria o último gol cruzmaltino na vitória sobre a Portuguesa por 4 x 1.

Na 3ª rodada, contra o Canto do Rio (5 x 0), Célio participou do 1º gol, deu a assistência para o 3º e marcou o 4º e 5º gols vascaínos.

No clássico diante do Fluminense, na 4ª rodada (vitória cruzmaltina por 3 x 1), Célio abriu o placar e no clássico seguinte, frente ao América (2 x 0) novamente inaugurou o marcador.

Na partida subsequente, Célio foi o autor do gol único vascaíno (belíssimo, por sinal) sobre o Olaria no Maracanã e contra o Madureira, em Conselheiro Galvão, marcou o tento vascaíno no empate em 1 x 1, em partida posteriormente anulada, jogada novamente e vencida pelo Vasco por 2 x 1, mas sem o atleta em campo.

Mas foi na 9ª rodada do turno que Célio ganhou o respeito de toda a torcida cruzmaltina, de forma definitiva, após marcar o 3º gol do Vasco na vitória por 3 x 0 sobre o Bonsucesso, em São Januário, quando fazia apenas número em campo (contundido), mas ignorou isso ao atirar-se para esticar a perna esquerda (enfaixada) e marcar um gol emblemático. Célio ficou estirado no gramado após o lance, sendo levado para o vestiário com muita dor.

Em seu retorno ao time, exatamente um mês depois, marcou o gol do Vasco no empate com o Campo Grande em 1 x 1, partida disputada em São Januário.

Na 17ª rodada do Carioca Célio marcou os dois gols do Vasco no empate em 2 x 2 contra o América, no jogo seguinte fez o 2º gol no triunfo sobre o Olaria, na partida subsequente assinalou os dois primeiros gols do Vasco na goleada de 5 x 1 sobre o Madureira (perdeu um pênalti nesse jogo), deixou, ainda, sua marca na derrota do Vasco para o Flamengo (3 x 4), inaugurando o escore, deu a assistência para Mário Tilico assinalar o gol do empate vascaíno contra o Botafogo e na penúltima rodada, a 23ª, marcou o gol dos cruzmaltinos contra o São Cristóvão, em partida realizada na Rua Figueira de Melo.

Célio findou o Campeonato Carioca como artilheiro do time (15 gols) e vice do campeonato, foi o artilheiro da equipe no Pentagonal do Chile, marcou em amistosos estaduais e internacionais, no Torneio Rio-São Paulo e, também, no Pentagonal do México, primeiro título que disputou (e venceu).

Era apenas a 1ª temporada do centroavante com a camisa cruzmaltina.

Sérgio Frias

Luis Manuel Fernandes e a semana da política vascaína

Alô comunidade vascaína,

Tô voltando com a coluna aqui no CASACA depois de muito tempo. Quis escrever sobre como Luis Manuel Fernandes dominou a semana da política vascaína.

A notícia mais relevante dos bastidores da Colina nessa semana foi a confirmação da candidatura de Luis Manuel Fernandes à presidência do Vasco nas próximas eleições, previstas para o mês de Novembro. Por ora, o discurso foi da tão necessária pacificação política do clube. Detalhamento de projetos e realização de campanha somente após o grave período de pandemia que atinge o Brasil.

Também alinhado com o discurso que não é momento para fazer campanha eleitoral, o candidato Julio Brant só apareceu no noticiário vascaíno nesta semana em um vídeo pedindo para os sócio-torcedores renovarem o plano semestral.

Já o candidato Leven Siano, voltou com mais polêmicas para aparecer nas redes sociais, depois de ter prometido um “Vasco dos sonhos” com Ibrahimovic, Balotelli, Souza, Yaya Touré, etc. Passou a semana postergando o anúncio de uma contratação de reforço internacional. Sim, um simples aspirante a presidente do Vasco, sem representatividade ou autorização alguma dos poderes constituídos do clube, querendo anunciar contratação de jogador de futebol para atuar no Vasco. Pode rir, a piada da vez é essa.

A esculhambação com o Vasco não parou por aí. Na quinta-feira, Leven Siano prometeu fazer o anúncio da contratação que estaria 99,9% fechada numa live à noite. Depois publicou uma desculpa que o atleta estava sem papel na impressora em casa para imprimir o contrato. Adiou a live para o dia seguinte.

Calma, ainda vai piorar. Na sexta-feira, adiou novamente o anúncio do reforço e transformou o encanto deslumbrado dos seus apoiadores em revolta generalizada. Deleite dos torcedores que já estavam incomodados com a chacota provocada por promessas de campanha que não correspondem à realidade. Entre eles, João Almirante, que lançou no Twitter uma paródia da música Aquarela ironizando a trapalhada de Leven Siano.

Outra lambança de Leven Siano foi circular a propaganda de um vinho do seu parceiro comercial na campanha eleitoral contendo a marca do Vasco. Sem nenhum contrato de licenciamento firmado com o clube, sem negociação de royalties para o Vasco, nada. Só promessas de reverter a renda para causas beneficentes. Olha, aqui em Niterói o nome disso é pirataria. O departamento jurídico do clube notificou o produtor do vinho. Leven argumentou que o papa Francisco usa a cruz-de-malta na roupa. Pô, candidato, mas o papa não está vendendo roupa ou vinho pra torcida do Vasco, né? Sinceramente, não consigo compreender o torcedor cruzmaltino que leva a sério a candidatura de alguém que ganhou notoriedade no noticiário esportivo por ser advogado de ações contra o Vasco nas décadas passadas.

E o Campello? O atual presidente e provável candidato à reeleição também teve 3 momentos negativos nessa semana.

O 1o foi declarar que não acredita que jogadores não ingressarão na Justiça para se desvincular do Vasco, mesmo estando há 3 ou 4 meses sem receber salários. Eu também não acredito que fariam, mas há risco. É incrível como Campello está atravessando os 3 anos da sua gestão sem fazer o básico do básico, que é pagar salários em dia. Antes mesmo da crise com a pandemia, passou 18 meses consecutivos sem conseguir pagar em dia.

O 2o momento foi em relação à renovação do contrato com o meio-campo Bruno Cesar, que muitos consideravam acabado no Vasco.

O 3o e pior momento de Campello na semana foi a inacreditável assinatura de uma nota da Federação do Rio, junto com os presidentes do Flamengo e demais clubes do RJ, exceto Botafogo e Fluminense. Em um cenário de colapso da saúde pública e recorde de mortes diárias em plena pandemia, doutor Campello & Cia assinaram embaixo de um texto repleto de bla-bla-bla com objetivo de pressionar a volta da prática do futebol.

Deixando de lado o fato que novamente um presidente do Vasco se alia ao presidente do Flamengo, e isso nunca dá certo, Campello foi na contramão do que faria o “verdadeiro Vasco”. Era pro Vasco estar fazendo história mais uma vez, liderando o movimento contrário à volta do futebol, pra fazer sossegar a sanha de quem está disposto a colocar em risco a vida de atletas e funcionários dos clubes.

E nesse contexto da nota da Federação veio o encerramento da semana com chave de ouro para Luis Manuel Fernandes. Ele publicou em seu Facebook um texto com título “Jogador não é gladiador”. O texto critica a nota, critica a assinatura de Campello e dá uma ideia do que o Vasco estaria fazendo nesse cenário de pandemia caso Luis Manuel Fernandes fosse presidente. Vale a pena conferir.

Links para o texto “Jogador não é gladiador” de Luis Manuel Fernandes:

– Ler no Facebook
https://www.facebook.com/fernandesluis1958/posts/142943257291030

– Ler a transcrição aqui no CASACA!
https://casaca.com.br/site/2020/05/08/luis-manuel-fernandes-critica-nota-da-ferj-e-aponta-possibilidades-pros-clubes-durante-pandemia/

“Ok, Maganha, já entendi que você gosta do Luis Manuel Fernandes. Mas quem é esse cara?“

Vou te contar o que sei sobre Luis Manuel Fernandes na próxima coluna. : )

Até lá!

Abração e saudações Vascaínas,
EDUARDO MAGANHA

Credibilidade em Xeque

No final de 2019, houve uma falha na cobrança de vários sócios, o que foi admitido pelo próprio Club. A diretoria prometeu corrigir o erro e devolver os valores pagos a mais. Em tempos de informatização bancária, o que se espera? Que os programas identifiquem tais cobranças e possibilitem o estorno imediato. Mas não parece ter sido o caso.

Há poucos dias, em revisão de cálculos, notei inconsistências nos valores cobrados ao final do ano passado. De 2 parcelas de R$ 80 efetivamente devidas, foram debitadas 4 nesse valor (2 a mais). Imediatamente comecei a revisar estornos feitos à minha mulher, também sócia, mas nos referentes a ela não notei problemas.

Anotei dia e hora dos 4 pagamentos e enviei e-mail para o Sócio Gigante. O e-mail voltou. Então escrevi uma mensagem para o WhatsApp indicado no site. Fui prontamente atendido, com a promessa de estorno. Dias depois, 1 parcela de R$ 80 foi estornada. Com relação à outra, de mesmo valor, foi devolvida a fração 5/12 do valor – a fração 7/12 restante deverá ser estornada parceladamente até o fim de 2020.

Respeito ao Sócio

A mensalidade do sócio tem que ser tratada com total Respeito. Em períodos anteriores à informatização isso ocorria, o que causa mais indignação. Muitos sócios fazem o pagamento via cartão de crédito e estabelecem uma relação de Confiança com o Club.

Tenho títulos de sócio Benfeitor Remido e Proprietário Ouro. Pela remissão do primeiro, nem precisaria pagar o segundo. Mas o faço pelos mesmos motivos que todos: ajudar.

A eficiência nas cobranças há de ser insofismável. Caso contrário, perderemos novos e antigos sócios. Enfim, perderemos todos nós que amamos a Instituição.

Luiz Baptista Lemos
Conselheiro do C. R. Vasco da Gama

Orgulhosos de não sermos como vocês

“Orgulhosos de não sermos como vocês”
 
Esta é a frase usada pela torcida do Atlético de Madrid em jogos contra o rival Real Madrid, clube modesto que se tornou grande por ter recebido ajuda da ditadura de Franco. A influência na contratação de Di Stéfano, a construção do seu estádio em tempo recorde e com dinheiro público, o uso do clube como propaganda do regime e favores dos árbitros foram fundamentais para a transformação dos merengues em potência mundial. O presidente do Real na época era Santiago Bernabéu, ex-jogador do Real e soldado das tropas de Franco durante a guerra. Durante a ditadura liderada por Franco, o Real Madrid encerrou um jejum de 20 anos sem ganhar o Espanhol e faturou 14 troféus, além de suas primeiras seis copas europeias.
 
Dito isso, poderia ser usada pela torcida do Vasco nos jogos contra o urubu. Faz todo sentido, tendo em vista as similaridades de um clube da zona sul historicamente ajudado e favorecido contra aquele da zona norte, perseguido e atacado desde sua origem.
O Vasco não é apenas um clube de futebol com objetivo de conquistar títulos. É uma instituição centenária com compromisso social e de integração, que oferece aos seus garotos escola para forma-los para vida, e não containers para ceifa-las.
 
Estamos num patamar que dinheiro nenhum do mundo compra.
 
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Durante 1 ano a Globo simplesmente escondeu do noticiário principal a tragédia no Ninho do Urubu. Bastou o filhote da Gávea fazer pirraça e não assinar o contrato de transmissão que a mamãe do Jardim Botânico já tratou de retaliar. Agora é matéria dia sim outro também.
 
Nessa briga Globo x urubu, eu torço pela briga.
 
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Segundo o presidente Alexandre Campello, os xingamentos direcionados a ele nos jogos são “culpa da política” e não das péssimas atuações de um elenco limitadíssimo e sem salários.  E que a culpa de suas contas terem sido reprovadas também é da “política” e não do superávit fake, da solicitação de empréstimos sem aval do Conselho Deliberativo, dos salários atrasados, dos calotes que ameaçam a permanência do Clube no Profut (“estratégia” segundo ele em 2019) entre outros.
 
Seria muito mais digno da parte do presidente admitir que é despreparado política e administrativamente para conduzir um clube da grandeza do Vasco, pedir o boné e sair de fininho, ao invés de transferir uma culpa que é somente sua.
 
SV !
 
Rodrigo Alonso
 
 

O fio da meada

Passou despercebido por muitos o ocorrido em relação às verbas da CEF, referentes ao final de 2017, que servirão agora para pagar salários vencidos.

Na prática, valor de patrocínio obtido na gestão de Eurico Miranda, que não teve a verba recebida para pagar os salários do fim de 2017, porque travadas em função de não possuir as certidões positivas com efeito de negativas, após 30/09/2017, possibilitará, agora, que os salários atrasados mais recentes sejam pagos.

Observe-se que o valor a ser pago está atrelado ao pagamento do débito atual e não do valor concernente ao débito antigo, de 2017 (dezembro e décimo terceiro), que, esperamos já tenha sido sanado, pois muitos funcionários já não estão mais no clube e acionaram o Vasco na Justiça pelo não recebimento.

O que restou (após 300 demissões e a rotatividade normal de atletas e membros remunerados do futebol e outros esportes do clube) diminui em muito o valor a ser pago.
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2001/2002

Uma recapitulação rápida, que é a expressão da verdade e incomoda a muitos, principalmente aos que massificam distorções, é necessária ser feita.

A CPI do futebol, em 2001, com seus inúmeros relatórios, entendeu que o valor da dívida do clube girava, naquele início de ano, em torno de 150 milhões de reais. Note-se aí que era uma conta baseada em documentos obtidos e não necessariamente consideradas reservas de contingência, entre outros fatores.

De fato, em janeiro de 2001, o Vasco contava vários meses de salários atrasados e sofria com o calote dado pelo banco parceiro, que devia (e não pagou), durante a administração do presidente à época e no início da que se aproximava, 12 milhões de dólares.

Além disso, o clube trabalhava com recebíveis, assim como os demais grandes faziam, independentemente do valor recebido pelo parceiro, e iniciava o ano de 2001 com 18 meses de cotas de TV adiantadas.

A competitividade do mercado fazia com que todos os clubes grandes se adequassem à realidade da época e assim todos eles procediam.

O clube vivia em meio à uma ameaça de vir a perder o título brasileiro para o São Caetano na canetada, o que só não foi possível pela ação de Eurico Miranda, considerado presidente do clube para uns neste episódio ou presidente em outros episódios (queda do alambrado, camisa posta do SBT na partida final, vencida em “ritmo de festa”) para outros.

No início de 2001 a mudança da lei do passe, modificando completamente o cenário, atrapalharia a vida do Vasco e de outros grandes clubes, com grandes jogadores, pois todos estariam livres ao fim de seus contratos.

O torniquete financeiro aplicado contra o Vasco pela Rede Globo – a mesma que não pôs no fim de 2019 entre os fatos relevantes do ano o incêndio no Ninho do Urubu (diferentemente da forma como procedeu em relação à queda do alambrado de São Januário, que não matou ninguém) e após não acertar com o Flamengo valores para transmissão dos jogos do clube, começa a elaborar e divulgar matérias com as famílias das vítimas, após silêncio constrangedor durante um ano quase, em meio às atitudes das mais desarrazoadas dos dirigentes rubro-negros ao longo de 2019, consideradas pela opinião pública gélidas e pragmáticas, mas sustentadas pela forma como a própria Rede Globo tratou o episódio, desde o dia que aconteceu e no decorrer do ano, informando, mas não crítica voraz do ocorrido, com a exceção de Paulo César Caju, colunista de “O Globo”, curiosamente demitido no início do ano vigente pelo rubro-negro que desfilou com a camisa do Flamengo pela redação do jornal, numa atitude que fala por si só – levou o clube a não poder mais receber adiantamento das cotas de TV por 18 meses.

Após o prazo, o Vasco retomou as relações comerciais com a emissora, questionando inicialmente o não pagamento por parte dela da verba inerente à Copa dos Campeões do Brasil de 2002, trazendo à empresa o desejo de voltar a conversar com o clube, tornando o acordo firmado no final daquele ano possível e feito.

Vamos esquecer a falta de mobilização dos vascaínos à época em defesa da instituição e a junção de uma grande parcela ao que dizia a Rede Globo e outras mídias massacrando o clube, alicerçados pelo movimento de oposição, chamado MUV. Mas não vamos esquecer que o Casaca!, existente desde 26/03/2000, se opôs de forma clara ao massacre, desde o princípio, por entender que a defesa do clube era precípua, fundamental, naquela situação.
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2003

No ano de 2003 o Vasco foi Campeão Estadual, chegou a trazer Edmundo, houve eleições, Eurico Miranda foi reeleito, mas a realidade vista em todos os clubes grandes do Brasil era de trabalho no vermelho e aumento das dívidas.
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2004/junho de 2008
A partir de 2004, o gestor à época, Eurico Miranda, por iniciativa própria, resolveu partir para um equacionamento financeiro do clube, algo tornado prioritário.

Era uma escolha difícil, mas o que era mais correto? Deixar a dívida aumentar e viver correndo de penhoras, esperar tudo explodir? Ou frear investimentos, manter a base forte, investir numa ou duas referências e manter o Vasco disputando, ainda com chances de conquistas (venceu uma Taça Rio e chegou à final do Campeonato Carioca {2004}, à final e semifinal da Copa do Brasil {2006 e 2008} naquele período e, ainda, não figurou em nenhuma rodada no returno de quaisquer campeonatos brasileiros dos pontos corridos na zona de rebaixamento, além de ter frequentado a zona da Libertadores em 29 rodadas {9 rodadas em 2006, 19 em 2007 e uma em 2008}, fora o fato de que não frequentava o Z4, até a troca de gestão, ocorrida em 01/07/2008, há 108 rodadas, além de jamais ter caído de divisão em sua história)?

O equacionamento das dívidas do clube não foi para inglês ver. O Vasco pensou em fazer e fez aquilo que nove anos depois (com um derramamento de dinheiro na Gávea), o Flamengo executou.

O clube diminuiu sua folha salarial, fez acordos e os cumpriu (só o de Romário foram 47 parcelas pagas), entrou no Ato Trabalhista, evitando penhoras, obteve certidões em 2005, enquanto Flamengo e Botafogo iam à imprensa chorar que seus clubes (sem certidões, evidentemente e entupidos de problemas fiscais) estavam à beira da falência e diziam que só a Timemania os salvaria.

O Vasco inaugurou e absorveu os custos do Colégio Vasco da Gama, desde 2004, fez amplas reformas em São Januário, manteve uma capacidade de público pagante de 24.500 pessoas, fora gratuidade, conseguiu em 2007 um novo Ato Trabalhista, em melhores condições do que o anterior, homologado em 17 de dezembro daquele ano (seria ratificado nas mesmas condições pela gestão seguinte em agosto de 2008), manteve durante mais de quatro anos salários em dia (compromisso de pagamento no dia 20 do mês subsequente), com alguns poucos atrasos ao longo do período, não tinha títulos protestados, fez acordo com o dono do Vasco Barra para se manter como locatário do local (e cumpria o acordo, discutindo na Justiça uma questão inerente ao IPTU e seu aumento brutal durante o período de locação), investiu na sua base, possuía esportes olímpicos e paraolímpicos, pagava suas contas e tinha um custo mensal, entre despesas fixas e variáveis na ordem de 3,5 milhões de reais mensais.
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Jun/Jul – 2008

Quando houve a troca de gestão, as falácias do MUV se tornaram verdade, pois já vinham expostas dessa maneira pela própria imprensa, e isso cegava (pela massificação) os vascaínos.

A dívida deixada na ordem de 220 milhões de reais, com 3,8 milhões de euros para entrar em três parcelas, em favor da gestão que chegava, joias da base surgindo no time profissional, cerca de nove meses de receita adiantada da TV, já absorvida e sem que o Vasco tivesse que passar pela Rede Globo para obter mais adiantamentos, com o Clube dos Treze, responsável por negociar coletivamente com a emissora detentora dos direitos e distribuir as verbas, mantendo-se o Vasco no grupo que mais recebia cotas em nível nacional (junto a Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo) e estadual, referente à Campeonatos Cariocas (junto ao Flamengo), em todas as plataformas e com um contrato assinado até 2011.
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Jul 2008/DEZ 2014

O MUV ficou seis anos e cinco meses no Vasco e nesse período primeiramente aumentou na caneta, baseado em reservas de contingências (fundamentalmente) a dívida do Vasco para mais de 350 milhões de reais, claro que diferentemente do procedimento do que todos os outros grandes faziam e, pasmem, anunciou, através de um de seus próceres, que, em 2012, a dívida havia diminuído para 250 milhões de reais. No balanço seguinte, apresentado pelo próprio MUV, após algumas trocas de cadeira na direção, o balanço do mesmo ano marcou 410 milhões de reais de dívida e dois anos depois constatou-se ter chegado a 688 milhões.

Todo o tipo de irresponsabilidade se viu naquele período, desde rebaixamento das cotas de TV, até carro pipa se negando a fornecer água porque o clube não tinha mais crédito.

Os acordos que eram pagos pela gestão anterior, passaram a ser descumpridos aos borbotões pelos novos administradores, de uma questão fiscal controlada o clube ficou encalacrado, com verbas retidas, também pelo não cumprimento de acordos pretéritos, primordialmente, e caiu outra vez para a segunda divisão, sem qualquer perspectiva, a ponto de no ano seguinte ter disputado a Série B sem liderá-la em rodada alguma e com Eurico Miranda, o possível sucessor, obtendo empréstimos junto à FERJ (fez isso duas vezes), para que ao menos a gestão MUV pagasse salários (na grande maioria do tempo atrasados), impedindo a debandada de atletas em meio à competição.
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DEZ 2014/JAN 2018

O Vasco foi recebido em 2014 com salários atrasados, direitos de imagem idem, centenas de títulos protestados, sem crédito junto às empresas que forneciam os serviços mais comezinhos, com várias ações de cobrança na FIFA, dívida com entidades esportivas (FERJ e CBF) superiores a 20 milhões de reais, sem certidões, com as verbas de TV de 2015 e 2016 de praticamente zero (já postado o Vasco no quinto lugar nas cotas), com 30 toneladas de lixo a céu aberto em sua sede principal, há 11 anos sem ganhar um título Estadual, com 3 vitórias em 22 jogos dos tempos do MUV diante do Flamengo, freguês do Botafogo no mesmo período, perdendo todas as decisões de taça disputadas contra equipes cariocas ao longo daquele tempo, valendo-se de uma Copa do Brasil conquistada, na qual não enfrentou uma única equipe grande do futebol brasileiro, para não sair zerado em termos de títulos, com uma divisão de base alocada em Itaguaí, nas condições mais precárias, ginásio abandonado, parque aquático fechado, e pousada do almirante (para a base), resumida a praticamente nada, fora a estrutura edificada.

Houve recuperação patrimonial inquestionável, houve melhora esportiva inquestionável (títulos, títulos invictos, vaga para a Libertadores, campeão Sub 20, Sub 17), novas revelações, maior venda de um atleta no século, 11,5 milhões anuais em média de patrocínios, patrocínio de manga num dos anos por 7 milhões de reais, certidões com 25 dias de gestão, mantidas por 2 anos e 9 meses, verbas da CBC, fruto disso, volta de outros esportes, aumento da capacidade de São Januário, senhor absoluto dos clássicos estaduais, voltando a realizá-los em São Januário após uma década, baseado isso em várias obras feitas, também, no estádio, criação do CAPRRES, CAPRRES da base, CAPRRES olímpico, campo anexo, salários sendo pagos regularmente, com a exceção dos meses finais de gestão, mas uma preocupação fundamental e é aí que muito do ocorrido atualmente se explica:

A gestão de Eurico Miranda viu o clube como estava e se preocupou em pagar o que ficara para trás primeiro (salários, direitos de imagem, por exemplo) e ao invés de choramingar buscou novamente crédito, iniciou novo processo de acordos, usou do princípio da continuidade administrativa para gerir. Deu, portanto, exemplo. Não havia um Paulinho ou Talles Magno para negociar, não havia crédito, não havia certidões, não havia time, não havia perspectiva e passou a haver isso tudo.
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JAN 2018/FEV 2020

Teoria e prática 1

Antes de a chapa amarela rachar, o candidato que seria derrotado no Conselho Deliberativo disse, entendendo-se já presidente do Vasco, que aquele grupo não tinha nada, a não ser uma expectativa que o clube obtivesse 250.000 novos sócios, tal qual o Benfica e que seria feito um trabalho para isso. Esse é o primeiro problema. Assim como o MUV fizera antes de entrar em 2008, prometendo filas de investidores, muito dinheiro entrando, também fora essa a proposta do grupo que se autointitulava amarelo na indumentária.

Mas, com o racha da chapa, surgiu a alternativa de Alexandre Campello como opção. Consideremos que se um não tinha nada, o outro idem, afora ideias.

Logo, Campello assume o clube e tem em uma semana de gestão, 10 dias, um empréstimo de 11 milhões de reais, que fora costurado pelo gestor anterior junto a um empresário, em benefício do gestor que chegava e que seria facilmente abatido de um grande valor a ser recebido menos de 90 dias depois, referente ao garoto Paulinho. Com isso foi pago o salário de novembro do ano de 2017.

Em meados de abril a venda de Paulinho traz líquido para o Vasco, descontando o empréstimo, 45 milhões de reais.

O que faz a gestão? Não paga o que faltava em termos de salários e gratificação aos funcionários do clube, ignora execuções, não cumpre acordos (enquanto demitia já mais de 200 funcionários) e mantém o dinheiro parado num banco para pagar os meses seguintes, enquanto nada capta praticamente.

Para completar, apresenta um balanço (que insistiu em fazer), no qual não tem como desmentir a queda da dívida do Vasco, mas é usado como choramingo, porque o valor de débito (dito como premente) deixado era maior do que o referente à venda do Paulinho, sabendo-se perfeitamente que o fundamento era pagar acordos, salários, direitos de imagem daquele final de gestão, porque já se sabia que os impostos para trás não iriam ser pagos e outros valores postos como débitos eram negociáveis (uns mais outros menos, mas eram).

Ou seja, o administrador atual, agiu exatamente como o MUV fizera. Terá a desculpa que não pegou tudo em dia como o MUV pegou, mas também teve a vantagem de uma entrada de capital considerável com pouco tempo de gestão e mais de 100 milhões recebidos ao longo de 2018 (o hoje na moda chamado de “dinheiro novo”), fruto daquilo que fora pavimentaodo pela gestão antecessora, sendo 38 milhões via uma ação judicial deixada de bandeja para trazer ao Vasco (em outubro de 2018) verba relevante e fazer com que o clube obtivesse certidões, o que não ocorreu por um insucesso do próprio clube quanto ao destino da verba.

E de lá para cá?

Empréstimos conseguidos e “pendurados” no clube, 18 meses com salários atrasados, 10 meses sem pagar o Profut, descumprimento de inúmeros acordos, mais de 100 execuções em função das demissões ocorridas no decorrer da gestão e, claro, valores que ficou devendo o Vasco, a maioria referente ao ano de 2017, sendo grande parte disso nos últimos meses de gestão.
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JAN 2018/FEV 2020

Teoria e prática 2

Mas e o administrador anterior? O que fez? Ele assumiu o clube em 2001 com todos os problemas inerentes ao alto custo mensal absorvido pelo Vasco no final do século XX e vários contratos que se venceriam entre 2001 e 2002, assinados (a esmagadora maioria) até 2000 e se virou para gerir, dentro de numa nova realidade, na qual estava inserida a Lei Pelé, calote continuado do parceiro principal e torniquete financeiro global por 18 meses.

Teve ele uma visão mais ampla dos problemas que todos os clubes passariam a viver no final da década e foi equacionando o clube, procurando manter o Vasco no primeiro plano da principal receita entre os clubes, investindo mais na base e cumprindo compromissos, mantendo crédito.

Mas, poderiam questionar que ele fazia parte da administração anterior e que era natural a continuidade administrativa.

E em 2014? Após seis anos e cinco meses de ferrenhos adversários no poder? Por que tomou a mesma iniciativa? Por que fez prevalecer o princípio da continuidade administrativa, mesmo tendo recebido o clube sem qualquer perspectiva?

Se ele fez isso, todos os que se dizem de boa fé tem de seguir os passos dele. E tem de seguir os passos dele porque os outros exemplos são péssimos, são a antítese de um princípio caro ao Vasco, que pode afundar o clube em problemas financeiros maiores, políticos, administrativos, de credibilidade e, por conseguinte, institucionais.
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JAN 2018/FEV 2020

Teoria e prática 3

O balanço assinado por Alexandre Campello em abril de 2018, rechaçado pelo Conselho Deliberativo, foi, em novembro de 2018, posto para a apreciação daquele poder, como opção a outro, apresentado por Eurico Miranda e sua equipe de trabalho do triênio 2015/2017.

Na reunião foi aprovada a prestação de contas/balanço de Eurico Miranda e dito para que fosse considerasse como norte, a partir dali.

O que fizeram os responsáveis pelo balanço de 2018? Simplesmente ignoraram decisão do Conselho Deliberativo e iniciaram os números do balanço de 2018, ignorando, também, tais retificações necessárias.

Qual era o caminho natural do Conselho Deliberativo? Reprovar.

Qual era o caminho natural da situação a ser percorrido antes? Não insistir no erro.

O resultado disso, considerando ainda relatório da BDO, com vários pontos obscuros, parecer em maioria do Conselho Fiscal queixando-se das mais diversas negações de apresentação de documentos, entre outros erros técnicos (exemplo, o superávit apresentado) levaram à reprovação.

Na atual gestão, outras deliberações do Conselho Deliberativo não estão sendo respeitadas (vide falta de cumprimento de ofícios e falta de documentos requisitados pelo Conselho Fiscal), mas se não houver freio o clube desce na banguela e cada vez a situação institucional fica mais difícil.

Conclusão:

A lição que fica a qualquer gestor futuro (e foi dada, na prática, em dois momentos distintos de gestão, por Eurico Miranda) é que o princípio da continuidade administrativa deve ser respeitado e as decisões do Conselho Deliberativo idem.

Se o gestor tem o mérito (que o tempo e experiência no clube dão) de conseguir exercer um poder de coesão interna entre os poderes, como Cyro Aranha conseguiu, Eurico Miranda conseguiu e outros ex presidentes conseguiram, isto se dá quando se adquire confiança em quem gere.

Não é só de fora para dentro, com discurso, que se consegue isso e sim com perfil agregador enxergado de dentro, a partir de serviços prestados ao clube e respeito à institucionalidade, seus poderes e seu homens, na teoria e na prática.

Sérgio Frias

Dirigentes Sub

O ocorrido na noite de ontem foi uma das páginas mais infelizes escritas pelo Vasco na história do clássico contra seu principal rival.

Não se deve crer que o clube poupou jogadores para a disputa da partida diante do Boavista, por mais que o atual treinador queira justificar algo nesse sentido.

Não se quer crer que o Vasco optou pela solução dos reservas para “equilibrar” o confronto em favor do rival e não se pode conceber que tenha escalado uma equipe claramente desentrosada para entrar em campo no lugar da principal, por algum receio de que viesse a ser derrotado pelo Flamengo.

Ora, o Flamengo já perdeu para um time todo reserva do Botafogo (1997), empatou com outro do Vasco com 10 suplentes (1998) e já deu lá seus inúmeros vexames históricos, mas nunca deixou se levar pela lógica do Vasco numa disputa oficial.

E nenhuma vez que o Flamengo apresentou um time B contra o A do Vasco saiu-se vencedor. Temos como exemplo a Copa Rio de 1993, disputada em meio à segunda fase do Campeonato Brasileiro daquele ano. Pelo contrário, naquela competição oficial o Vasco não deu o benefício ao clube da Gávea de adiar duas partidas entre ambos por causa do calendário rubro-negro. Eles que se virassem. Se viraram e perderam os dois jogos. A taça está lá na sala de troféus de São Januário.

Em outra determinada oportunidade o Vasco já fora da disputa de um Torneio Quadrangular, em 1960, poderia em vencendo o Flamengo dar o título ao Campo Grande e o vice ao rubro-negro da Gávea. Até então, naquele torneio, os dois clubes haviam atuado com equipes juvenis, mas no último jogo, exatamente diante do seu principal rival, a equipe cruzmaltina surpreendeu com uma formação na qual constavam vários profissionais e derrotou o adversário por 3 x 0, placar construído na primeira etapa.

Não podemos chegar à conclusão em 2020 que os dirigentes de 1960 e 1993 estavam errados e devemos respeitar primordialmente a torcida vascaína, que depois de muitos anos se fez presente no Maracanã em maior número que a do rival ontem.

O movimento dos torcedores cruzmaltinos no fim de 2019 (associação em massa) teve foco no ocorrido, em termos principalmente de imagem e mídia, em favor do rubro-negro, como se fosse dito na entrelinhas que o adversário passara a ser hegemônico no Rio de Janeiro.

A resposta do clube à sua torcida, oportunizando a que o Flamengo tivesse uma chance muito maior que a do Vasco para vencer o primeiro confronto do ano entre ambos, ainda mais com um jejum de vitórias que segue desde 2016, é a prova cabal de que o clube e, mais especificamente, seu futebol estão sendo geridos por curiosos, inaptos ou vascaínos derivados, sazonais.

A partida, com uma pequena noção de divulgação, marketing e motivação do torcedor, deveria ter marcado a estreia de German Cano na equipe, deveria ter sido trabalhada para assustar o adversário e não tranquilizá-lo com a escalação apresentada, poderia ter dias antes ocorrido um refutar do Vasco à atitude do Flamengo, quanto à sua conduta no que diz respeito às transmissões de seus jogos, pois o fato prejudica a torcida do Vasco e, inclusive, os assinantes do pay-per-view.

O Vasco poderia, enfim, usar tudo a seu favor, marcar uma vitória contundente, quebrar um tabu e trazer seu torcedor a orgulhar-se e defrontar-se com seu rival nas ruas, da forma mais jocosa e deliciosa possível para arrefecer suas decepções últimas.

As crianças vascaínas chegariam no colégio mais alegres e, também, orgulhosas, o Vasco se aproximaria mais de uma classificação para a semifinal da Taça Guanabara e empurraria seu adversário para baixo na tabela, correndo o risco de não chegar aos play-offs do turno, o dia seguinte para todo e qualquer vascaíno seria, em suma, mais feliz.

A irresponsabilidade do que foi feito, expondo Vasco, torcida, atletas, todos ao ridículo, deu no que deu.

Da mesma forma que o Vasco há três meses escrevera uma das páginas mais bonitas da história do clássico diante do rival, neste último Vasco x Flamengo desenhou uma das mais vergonhosas com uma derrota justa (apesar do começo muito bom), chutando apenas uma vez em direção à meta adversária no segundo tempo.

Não é só lamentável, não é apenas um acinte aos torcedores do clube, mas, principalmente, a atitude tomada é uma cusparada na história do Vasco e dos que a construíram.

Estamos, talvez, na época da “evolução”, onde evoluir é seguir o caminho que a lógica rubro-negra manda percorrer.

O mesmo Vasco, que implodiu a I Liga em dois anos, recentemente, após tanto bater no Flamengo e levá-lo à lona por duas temporadas seguidas, no confronto direto, hoje era capaz de seguir o clube da Gávea em busca da extinção do Campeonato Carioca e até solicitar ao solícito (quem sabe) rubro-negro um convite para disputar a II Liga ou coisa que o valha.

Desastroso é o mínimo que se pode dizer do resultado obtido, diante daquilo que foi feito pela direção cruzmaltina e por outros gênios do departamento de futebol.

Pensar grande e agir como pequeno não é a senda do Vasco. Longe disso.

Sérgio Frias