PODCAST DO SÉRGIO FRIAS
Gravado em 11/09/2019
CASACA!
PODCAST DO SÉRGIO FRIAS
Gravado em 11/09/2019
CASACA!
Ontem tivemos a oportunidade de acompanhar a entrevista coletiva do novo treinador do Vasco, Vanderlei Luxemburgo, ladeado pelo presidente e vice-presidente de futebol Alexandre Campello. É certo que, por vezes, coletivas transmitem mais mensagens do que aquelas pelas quais foram, efetivamente, convocadas. Foi o que ocorreu no presente caso.
O ponto central, obviamente, foi a apresentação do treinador. Percebeu-se, como se diz popularmente, a junção da fome com a vontade de comer. Por um lado, um treinador de renome, necessitado de um bom trabalho, a fim de afastar os insucessos últimos e reaproximar-se do patamar conquistado anteriormente. Afinal, Luxemburgo treinou a seleção brasileira e o Real Madrid, feitos inquestionáveis, além de muitos títulos conquistados em diversos clubes. Do outro lado um clube e, sobretudo, uma diretoria administrativa que vem colecionando resultados pífios em campo, incapaz de organizar o futebol e tudo que o cerca, a ponto de o nosso time portar-se e exibir-se, em comparação a seus adversários de Série A, à moda de um time semiprofissional. Chama a atenção que uma gestão absolutamente perdida na organização do dito carro-chefe do clube, ainda queira nos convencer e impingir um conceito vacilante de reconstrução.
Agradou-me a postura de Luxemburgo. Na verdade, muito embora nutra algumas “ressalvas comportamentais” em relação ao profissional, parece-me inquestionável que se trata de um nome de peso o qual, na falta de comando que grassa no futebol, pode desempenhar papel importante nesse mister. À diretoria, serve de escudo, sobremaneira, ter um técnico de renome. Poder-se-ia dizer exagerada tal afirmação, caso não houvéssemos testemunhado a conduta do presidente nos casos de Alberto Valentim e Alexandre Faria que, não obstante os maus resultados, permaneceram em seus cargos, até que a ira da torcida os colocasse na prancha da caravela, preservando-se o mau comandante da mesma.
Observe-se que, conforme colocado acima, Luxemburgo pode ajudar (e muito) numa necessária remodelagem do futebol e áreas correlatas. Todavia, faz-se indispensável o acompanhamento de um vice de futebol atuante e conhecedor da área, de modo a moderar decisões estratégicas que não podem ficar a cargo – ao menos não todas – de funcionários. Dessa forma, causa espanto que o presidente do Vasco considere ser tal função uma partícula expletiva do departamento, ainda que normatizada, conforme artigo 101, inciso X do Estatuto do Club de Regatas Vasco da Gama. Mais espanto ainda quando nos recordamos de que Campello, na malfadada aliança pelo poder, seria contemplado – ou queria ser – com a vice-presidência de futebol. Aliás, no que se refere às vice-presidências, não há no escopo do artigo 101 do Estatuto nada que se refira, por exemplo, à pasta de Controladoria. Seria essa uma vice-presidência pirata? Confesso não conhecer o Estatuto tão a fundo, de modo a afirmar que tais artifícios não sejam passíveis de aplicação, seja por previsão expressa ou qualquer extravagância interpretativa, algo não inédito nessa gestão.
Por fim, desejo muito boa sorte ao Vanderlei Luxemburgo. Tomara retorne a seus melhores dias e deixe seu nome marcado em nossa história, conforme manifestação de vontade do próprio treinador, durante a coletiva. Que consigamos, enfim, ter um time bem condicionado, seja tática, técnica ou fisicamente. Cumprida essa etapa básica, obrigação sine qua non de qualquer equipe que dispute competições do nível de um campeonato brasileiro de série A, imagino que não passaremos sustos no que tange à manutenção na primeira divisão e, quem sabe, possamos atrair jogadores que venham a, pontualmente, qualificarem o elenco, de modo que se pense em objetivos mais ambiciosos, mudando o rumo de fracassos da atual gestão. Torcida não faltará. Se nada disso se concretizar, restará afogar as mágoas na cachaça premium do professor…
Rafael Furtado
O afastamento imediato, dito em mídias sociais, do atleta Yago Pikachu da partida diante do Corinthians, em função do episódio ocorrido na chegada da equipe vascaína a Manaus, seria, se confirmado, uma atitude tão irresponsável quanto insensível para com ele, pois nem teria lhe sido dado o direito de expor sua versão do caso antes da suposta punição sofrida.
O atleta é funcionário do clube, ativo do clube e estaria exposto para o público de forma maniqueísta, porque já teria sido dado como culpado pelo episódio e com isso já queimado, em função da notícia de seu desligamento do jogo de amanhã.
Só pela feição do rosto de Pikachu dava para ver que havia sido um movimento reativo a algo sofrido por ele, vindo do torcedor.
Claro que o atleta tem de se controlar e tal, mas depois viria a público, pediria desculpas, e tentaria resolver a questão de forma mais tranquila, como tentou fazer.
Quem administra tem de fazer a correção internamente, puxar a orelha, mas mostrar perante ao grupo que vai cuidar do jogador, blindá-lo, mas cobrá-lo internamente, porque isso passa confiança para os demais de que a direção os protege.
A atitude reativa de Yago Pikachu simboliza o Vasco agredindo sua torcida, a imagem que fica é aquela registrada pelas câmeras.
Exatamente por isso a direção tem de internamente fazer ver ao atleta o que significa seu ato, mas protegê-lo contra o apedrejamento em praça pública.
Yago Pikachu tem contrato até junho de 2021 e isso também deve ser considerado, vive uma má fase como viveu uma muito boa no ano passado. Não ajuda em nada ser exposto neste caso.
Repetindo que a ação dele, mesmo reativa, está errada e acaba ferindo a imagem da delegação vascaína perante a torcida manauara, mas a justificativa de uma criança envolvida no episódio atenua seu rompante.
Que venham os dirigentes vascaínos a público proteger, enfim, seu atleta, pois antes tarde do que nunca.
Como o clube não se manifestou oficialmente a respeito do caso, até aqui, que seja normalmente o jogador escalado amanhã, ficando o dito pelo não dito ao longo do dia de hoje em mídias sociais.
Sérgio Frias
OBS: Texto editado às 23:45 hs do dia 03/05/2019
O texto original foi escrito quando circulava nas mídias sociais a informação de que Yago Pikachu não enfrentaria o Corinthians e a diretoria não se pronunciaria sobre o episódio. Tal informação, entretanto, não foi oficializada.
Depois de afastar jogadores da Libertadores por causa de uma foto em mídias sociais, depois de afastar Thiago Galhardo da reta final do Campeonato Carioca e da Copa do Brasil, parece, assim esperamos, que a diretoria interrompeu o procedimento padrão até então visto a cada vez que precisava gerenciar uma crise.
Persiste a crítica por não ter se pronunciado o clube sobre este episódio com Yago Pikachu. Dirigente do Vasco não pode ter medo de se expor.
Pela primeira vez no século o Vasco perde as duas primeiras partidas na disputa do Campeonato Brasileiro.
O plantel vascaíno é até aqui um dos mais sofríveis entre os 20 clubes que disputam a competição nacional este ano.
Não há um atleta nosso que desequilibre a favor, o número de jogadores com passagens recentes por grandes clubes e com algum destaque é ínfimo, dentre os cerca de 25 oriundos de outras agremiações.
A base, por sua vez, está jogada às feras, com atletas que tendem a cair de produção ou com pouca possibilidade de ajudar, com toda a pressão sobre o time.
Salários atrasados, outros pagamentos idem, uma sucessão de resultados negativos e perda total de confiança, um inexperiente treinador, profissionais medíocres para baixo na gestão de futebol, uma lacuna na vice-presidência do setor pela presença de Alexandre Campello no cargo.
Enquanto isso, o presidente do clube declara em conversa de rua com torcedores que o time recebido em janeiro de 2018 não tinha a mesma qualidade do que se classificou à Libertadores, porque não possuía mais Anderson Martins e Mateus Pet, mas sim Paulão e Erazo, esquecendo-se que a zaga titular do jogo diante do Atlético-MG ontem já fora recebida por ele próprio – com a contratação de Werley formalmente concretizada em sua gestão, mas já bem direcionada pela anterior – e que Paulão formou na maioria da competição em 2017 a zaga titular do Vasco. Aliás com um gol do zagueiro a equipe ficou perto da conquista da vaga para a Libertadores na penúltima rodada, diante do Cruzeiro, em Belo Horizonte.
Esquece-se também que para o lugar de Jean veio Desábato, atleta com o qual o Vasco lucrou este ano, negociando-o, que para ser também reserva na posição de Mateus Vital, assim como o jovem da base era, chegou Thiago Galhardo, com quem a diretoria atual renovou, que Luiz Gustavo, trazido para a lateral ou zaga teve seu contrato também renovado pela nova direção, que Rildo e Riascos foram trazidos e seus currículos e atuações em grandes jogos são mais recomendáveis que as de Vinicius Araújo, por exemplo, que se Rafael Galhardo e Fabricio não eram o ideal, trazido este último porque Ramon estava machucado, as contratações de Lenon, Cáceres, Claudio Winck e Danilo Barcelos estiveram longe ainda de serem soluções para as duas laterais.
A cada dia que passa a situação do clube fica pior.
Mais cobranças são feitas, penhoras, queixosos de acordos não cumpridos por essa gestão se multiplicam, atletas, outros funcionários e credores não pagos no final de 2017 também se manifestam via judicial. Por opção de quem chegava, embora com 90 dias houvesse condições para pagamento dos últimos citados, o caminho foi ignorar tais débitos na prática.
A gestão anterior, boba, não vendeu Paulinho pelo valor da multa rescisória à época, triplicando a quantia em janeiro de 2018, proporcionando com isso a quem chegava receber 57 milhões de reais limpos e, como “reconhecimento“ daquele ato institucional, ignorar, por politicagem, molecagem, má intenção ou conveniência, pagamentos inerentes àquela, fundamentalmente salários, direitos de imagem e acordos, privilegiando a manutenção do dinheiro em banco para satisfação de pagamentos futuros, enquanto se demitiam centenas de funcionários, sem lhes pagar os direitos trabalhistas, como também assim se faria em relação a acordos futuros celebrados com estes.
A perspectiva de ganhos para este ano reside em verba da Globo a ser recebida em breve e através da venda de um ou outro atleta oriundo da base na próxima janela, falando das mais relevantes. Daí por diante são aportes viabilizados por empréstimos e afins.
A gestão atual vende uma fantasia para o público, enquanto o estapeia com a realidade dos fatos. Os discursos dela são parecidíssimos com os do MUV. Senão vejamos:
Em janeiro de 2012 o vice de Finanças da época afirmava que o Vasco devia 250 milhões de reais mais ou menos e no balanço de 2013 surgia o clube devendo quase o dobro, após refeito o balanço do próprio ano de 2012. O valor subiria a quase 700 milhões em 2014 e seria reduzido para 580 milhões em 2017.
Mas para a gestão atual o balanço de 2017 (retificado em novembro último), dizia dever o Vasco 645 milhões, assim como o MUV e suas reservas de contingência elevaram na caneta a dívida do clube de 220 milhões para mais de 350 em 2009.
Por outro lado coube a Alexandre Campello protagonizar uma série de atitudes, desde sua chegada à presidência do Vasco, que transformaram um cenário de pacificação e unidade noutro no qual isolou-se para buscar apoios a qualquer custo e – curioso – ter à sua volta vários pacificadores, que lhe consideram tão fraco quanto importante numa estratégia de coalizão.
A implosão política do clube, protagonizada por Campello, se deu também desde a insistência em fazer um balanço que era cabido ao gestor antecessor realizar, com números – relembre-se – depois retificados e votados no Conselho Deliberativo e novamente ignorados na feitura do balanço de 2018. Junto a isso uma carta amarela, na essência, foi elaborada provavelmente por amarelos dessa gestão, cínica, covarde e maquiavélica, vide ações posteriores a ela e choramingo ulterior. A assinatura daquilo demonstrou também um pouco do caráter administrativo do atual presidente.
A forma como Alexandre Campello tratou Eurico Miranda na mídia no início de sua gestão, sugerindo uma distância, enquanto intramuros ia até ele, demonstrando o contrário, solicitar ajuda (que nunca lhe era negada) traduziu-se em sinal para muitos.
A forma como tratou seu próprio grupo, sem o qual não teria chance nem mesmo de pleitear ser conselheiro do Vasco, a não ser, talvez, na chapa “pura” amarela, por seu discurso coadunado na essência com o que pensa tal facção – diga-se de passagem hoje aliada em mantê-lo no poder, visando as eleições em 2020, fazendo a lógica do quanto pior melhor – mostra também muito de si.
A forma como tratou a gestão anterior sobre seus resultados, a verdadeira reconstrução que se iniciava no Vasco, em vários dizeres já expostos acima, culminou com declaração recente de que a atual gestão reconstrói o clube – infelicidade dita após a perda de um título contra o maior rival, para os vascaínos de raiz.
A forma como tentou trabalhar politicamente apoios no clube – excluindo desta conta os que convergem com ele e suas ideias por convicção na sua capacidade de gestão – trouxe para si supostos aliados, os quais querem não só que ele se dane, como também que sirva aos interesses filosóficos de cada um, vide, por exemplo, o ocorrido após decisão judicial que garantiria novas eleições no clube próximo ao fim do ano passado.
O Vasco desaba institucionalmente, joga fora todo o trabalho feito com tantas dificuldades e poucos recursos pela gestão antecessora à atual, realizado após seis anos e cinco meses do que se viu de horrendo no Vasco. Caminha hoje o clube para uma derrocada esportiva com consequências das mais danosas, pois é o Vasco no cenário atual uma equipe sem prestígio, sem carisma, sem harmonia e se não houver mudanças drásticas (E CORRETAS), sem futuro.
Sérgio Frias
A lamentável e inaceitável atuação do Vasco domingo contra o Flamengo, na primeira partida decisiva do campeonato, criou um abismo entre os dois clubes, materializado em 90 minutos de partida.
Tal abismo era nítido entre o Campeonato Brasileiro de 1997 e o de 2000, a favor do Vasco, mas o que se via na época era uma dedicação quase irracional da equipe rubro-negra, jogando a vida a cada confronto, contra um adversário nitidamente superior, que entre uma goleada e outra impingida, buscava igualar as coisas, com o sistema a seu favor, claro, mas também comprometido a cada disputa. Foram 6 vitórias do Vasco contra 5 do adversário.
A mesma diferença abissal era nítida entre o início de 1979 até o Campeonato Brasileiro de 1983. A geração de Zico e cia. ganhou mais que perdeu do Vasco, mas teve no adversário um digno contendor. Naquela época o que se via pelos lados de São Januário era uma luta constante, contra uma equipe melhor e um sistema que ainda a fortalecia mais ainda, independentemente da distância entre os dois clubes. Foram 9 vitórias do Flamengo contra 8 do oponente.
Tanto Vasco como Flamengo tiveram ao longo da história momentos nos quais o favoritismo pendia para um lado ou outro, mas a luta, a garra, a vontade de vencer, não era definida no papel, na escalação, mas sim na atitude em campo.
Faltou atitude ao Vasco, sobrou receio, faltou concentração, sobrou atabalhoamento, tudo isso no primeiro jogo decisivo do campeonato.
Os dois gols rubro-negros surgiram de falhas infantis dos laterais e o anulado de outra, desta vez cometida pelo zagueiro Werley.
O treinador errou em duas das três substituições (na outra trocou simplesmente um centroavante por outro), mas ficou evidenciado que a mexida do intervalo pôs cedo demais no gramado um atleta capaz de produzir muito mais como arma para os últimos 15, 20 minutos (oxalá esteja pronto para mais daqui por diante). O absurdo, entretanto, foi a segunda alteração, quando foi retirado de campo o jogador mais produtivo da equipe nas ações ofensivas, facilitando de vez as coisas para o adversário, embora, em tese, a dupla função a ser exercida por Yan Sasse, mais descansado, justificasse, por princípio, a troca.
Os atletas com os quais mais se contava, no meio e na frente, decepcionaram. Maxi Lopez e Bruno César andaram de mal a pior, Pikachu reapareceu sem ritmo e pouco comprometido com a marcação, Lucas Mineiro mostrou-se irregular ao longo da partida, vigiado de perto pela marcação adversária e Raul um tanto inseguro e pouco efetivo.
Atrás salvou-se Leandro Castan, realizando uma bela partida e Fernando Miguel, com boas defesas, embora deixasse a sensação de que poderia não largar o cruzamento de Arascaeta, na jogada do segundo gol rubro-negro. A bola, todavia, estava molhada, absolvendo o arqueiro de qualquer crítica contundente naquele lance.
Não há uma mágica solução para reverter uma vantagem considerável, aberta pelo adversário, mas o certo é que com a repetição dos erros, da amorfia e do titubeio coletivo, o Vasco não conseguirá melhor sorte na segunda partida.
De nada adianta simplesmente passar uma borracha no que ocorreu, mas sim tirar lições disso, corrigir defeitos, questionarem-se todos os envolvidos no vexame e mudar a postura (tanto quanto o espírito) para a disputa do segundo jogo decisivo.
Por fim, deve nesta semana se expor a direção, mantendo os vascaínos ainda motivados para darem sua contribuição em nome da reação, com sua presença e incentivo no último embate do campeonato.
O vascaíno cascudo vai ao jogo, disso temos todos certeza.
Sérgio Frias
Amanheci ontem com o áudio do programa CBN – Quatro em Campo analisado a prévia da final Vasco x Flamengo e dizendo “O Flamengo é ESMAGADORAMENTE favorito” e “Perder esse título em dois jogos pro Vasco será uma VERGONHA, uma TRAGÉDIA”.
Fico pensando nas palavras usadas, de forma tão equivocadas pelos aludidos repórteres, pois acredito estar recente uma das TRAGÉDIAS (com letras garrafais mesmo) ocorridas no país com a morte de 10 crianças indefesas, decorrentes de negligência e de descaso. Poderia até transcorrer também sobre os motivos pelos quais repórteres não se aprofundam em saber porque famílias envolvidas nessa tragédia ainda sequer foram indenizadas.
Prefiro ressaltar os infelizes comentários sobre o favoritismo em questão, e atesto que existe uma analogia entre as preferências clubísticas de muitos da imprensa com o momento do futebol brasileiro.
Particularmente constato, que a imprensa (em sua maioria) é a principal responsável pelo futebol brasileiro estar assim, carente de craques, passando por sucessivos fracassos em Copas do Mundo (desde o profissional, até as disputas entre jovens das categorias de base). Esta imprensa deixa de lado opiniões imparciais e passa a tomar partido dos seus preferidos.
Hoje em dia, revelam suas preferências sem pudor nenhum, desejando acabar com os estatuais, a menos que o título no Rio de Janeiro seja do Flamengo e em São Paulo seja do Corinthians. A postura desses repórteres causa impacto, pois influenciam nas cotas que cada clube recebe pela TV. Para eles, outros clubes, que não sejam os de sua preferência, ocupam um tempo bem maior de televisão ou rádio, apenas para discutir assuntos em torno dos clubes protegidos da mídia (claramente, Flamengo e Corinthians). O que fazem indiretamente, é provocar um desequilíbrio orçamentário entre os clubes, tornando o futebol antidemocrático, sem oferecer condições mais justas a todos que participam de uma mesma competição.
O celeiro de jogadores que o país sempre teve, já não o tem há anos, pois clubes pequenos não têm mais como investir na base. Os grandes não recebem em condições iguais, pois sempre a preferência é pelos queridinhos da mídia. A escassez de talentos tende a piorar a cada ano que passa.
O último campeonato mundial vencido pelo país foi em 2002. Ficaremos 20 anos sem ganhar até a próxima Copa do Mundo. A seleção depende de um talento, que por muito tempo foi bajulado pela imprensa, que é o Neymar.
Penderam por muitos anos para o técnico Tite como sendo o professor dos professores, pois ele passou pelo Corinthians, que é queridinho da mídia paulista. No final das contas, estão ajudando a tornar o Brasil um país de futebol ruim, e com campeonatos de baixo nível (só passam a ser de nível, caso os clubes queridinhos estejam em evidência).
O protegido da mídia carioca vai continuar tendo as benesses de comentários como esse do referido programa, mesmo tendo vencido prejudicando o Bangu de forma acintosa na primeira rodada do Campeonato Carioca, com um gol sofrido de forma irregular, e com um jogador injustamente expulso. É considerado favorito, mesmo após a benesse de cair em seu colo um pênalti na semifinal da Taça Rio contra o Fluminense, em que 90% dos árbitros não dariam se fosse para outro time.
O que assusta mais é ver tais comentários vindo de pessoas que deveriam estar isentas de preferências pessoais. Não observam que seu clube preferido está na final com pior campanha geral em relação ao Vasco.
Os benefícios se mantem também fora das quatro linhas, já que houve um jogador expulso naquele jogo da semifinal da Taça Rio, e nem sequer foi julgado (caso de Bruno Henrique). Logicamente, o outro jogador expulso foi punido de forma exemplar e rápida (Ganso pelo Fluminense, punido por 9 jogos).
O clube com “ESMAGADOR FAVORITISMO” amarga apenas a quarta colocação entre brasileiros na Taça Libertadores. O Flamengo está atrás de Palmeiras, Cruzeiro e Atlético-PR. Lá na Libertadores não tem o TJD para ajudar e não tem a arbitragem tendenciosa para colaborar.
Portanto, deveria ser o caso de considerarmos o Vasco favorito, pois os números do Vasco na competição são melhores, a despeito de toda campanha difamatória que a imprensa faz contra o clube. Afinal, o que importa é ter liberdade de expressão, escrevendo as opiniões, por mais estapafúrdias que sejam elas.
Teremos VAR na final e, portanto, erros de fato não poderão acontecer como em outras finais que houveram entre Vasco e Flamengo. Infelizmente ainda não se poderá fazer nada nos casos de erros (muitas vezes intencionais) de interpretação, que deverão ser a favor dos “esmagadores favoritos”.
Diga-se de passagem, que são favoritos apenas no quesito em ter auxílio da mídia e da arbitragem, como já ocorreu historicamente.
O Vasco foi derrotado pela arbitragem, ou fatores externos, em 8 oportunidades das 13 decisões ocorridas entre ambos os clubes:
1 – 1944: gol do título ilegal;
2 – 1981: invasão do ladrilheiro rubro-negro, esfriando a reação do Vasco;
3 – 1986: papeletas amarelas;
4 – 1999: gol irregular do Flamengo no primeiro jogo;
5 – 2000: pênalti não marcado a favor do Vasco no primeiro jogo, quando a partida estava empatada, segundo gol do Flamengo em impedimento no segundo jogo;
6 – 2001: pênalti não marcado a favor do Vasco na segunda partida decisiva;
7 – 2004: gol em impedimento marcado pelo adversário no primeiro jogo e outro na segunda partida, no caso o terceiro, perseguição midiática a Coutinho para que fosse expulso em prol de Felipe, o mané Garrincha da Gávea naquele ano, os três erros contra um a favor do Vasco, gol em impedimento marcado por Valdir no segundo jogo;
8 – 2014: título que marcou a célebre frase dita pelo goleiro rubro-negro: “roubado é mais gostoso”.
Somos normalmente favoritos dentro de uma lógica na qual não haja desequilíbrio em favor do outro lado, afinal sem a interferência de supostos neutros e fatores externos, o Vasco, até aqui, venceu quatro decisões de campeonato contra o Flamengo e perdeu apenas uma em que a arbitragem ou fatores externos não tiveram nenhuma influência em prol do clube da Gávea.
Considerando o 4×1 acima, espero que tenhamos no domingo de Páscoa, após o fim da decisão em dois jogos, um outro “cinco de novo”.
Claudio Fernandes
O anúncio feito pelo Governo do Estado acerca do rompimento do contrato de concessão do Maracanã, em 18 de Março último, traz como motivação a inadimplência do Consórcio que, desde maio de 2017, não teria honrado seus compromissos com o governo estadual. Apoia-se, ainda, numa sentença judicial de primeira instância que já houvera suspendido o contrato, face a irregularidades. Causa estranheza a celeridade do processo de concessão adotado, desde seu início até a decisão que concedeu, temporariamente, a administração do estádio ao Flamengo e a seu pequeno satélite das Laranjeiras. Segue o jogo, concede-se benefício da dúvida a tal atitude governamental. Muitas dúvidas.
Todavia, ao Casaca cabe apontar a inaceitável postura do presidente do Vasco, Dr. Alexandre Campello que, em plena navegação em seu mandato de presidente digital, limitou-se a emitir opiniões dispersas e frases de efeito sem efeito algum, conduzindo a situação de maneira absolutamente inadequada, sempre vacilante e irresoluto. O presidente das hashtags. Em verdade, trouxe de volta os tempos de seu assemelhado sem diploma, o ex-presidente Roberto Dinamite, que deu de ombros e entregou a chave do Maracanã, lá em 2013, ao clube da Gávea e a seu criado de três cores, inclusive permitindo que fosse agredido um direito costumeiro e pacífico do Vasco, que ocupava, desde a fundação do estádio, o lado direito das cabines.
O Vasco sequer apresentou uma proposta concreta. Alegou-se falta de tempo hábil para tal. Segundo reportagem do GE, o clube teria apresentado uma minuta de iniciativa. Na verdade, nada mais do que diminuta iniciativa, visto que se tratou de mera manifestação de vontade. Entretanto, o rival e seu boneco de estimação o fizeram. Agiram nos bastidores, costuraram o acordo, enquanto Campello titubeava em seu dever de oficio. Vale lembrar que, desde setembro de 2018 há decisão judicial de primeira instancia determinando o fim da concessão. Assim sendo, com o evidente interesse estratégico envolvido na questão, era de se esperar que a diretoria administrativa já houvesse desenvolvido um plano de gestão, assim como fez o rival. Todavia, nosso presidente, a despeito do incomum ingresso de recursos que teve a sua disposição, não é capaz de nada além de vender o almoço para comprar o jantar, na base do fiado. Visão estratégica? Não há o mínimo de competência para tal.
Resta agora que o presidente do clube assuma a função de presidente real e procure agir de maneira firme, exercendo o papel que não exerceu durante as três semanas em que o atual modelo de concessão temporária foi delineado. A bem da verdade, esse foi mais um passo para que a dupla colorida, mestre e servo, assumam o controle do estádio por 35 anos, ferindo interesses históricos e estratégicos do Club de Regatas Vasco da Gama, manobra que se tornou, aparentemente, ainda mais ágil, face a imobilidade do presidente Campello, que assistiu, de forma lamentável, a toda a cadeia de acontecimentos, como mero coadjuvante sem brilho algum.
Por fim, espera-se que haja reversão na Justiça. Com a palavra o jurídico do Vasco.
Rafael Furtado
Game Over. Please insert a new coin.
Não sou exatamente um admirador da administração do presidente Alexandre Campello. Pelo contrário. Desde o dia em que tive o desprazer de ler a carta de apresentação ao balanço feito por seus “magos” da administração, percebi que não poderia levá-lo a sério. Ademais, o que se pode dizer de um presidente subserviente, que atende aos ditames midiáticos de rebaixamento institucional do Vasco em troca de apoio a si próprio? O que dizer de um presidente que mantém os funcionários do clube sob regime de terror, submetidos à ameaça constante da guilhotina da demissão covarde, sem a contraparte dos direitos trabalhistas correspondentes? O que dizer de um presidente que teve à sua disposição o ingresso de recursos substanciais, algo inédito em quase 20 anos, sendo incapaz de obter certidões que foram obtidas quase que imediatamente pela gestão Eurico Miranda, ainda que estivesse imersa num mar de dificuldades herdadas do MUV? O que dizer de um presidente que, à guisa de homenagem, estampa a marca suja do algoz, esquecendo-se das vítimas? Certamente, não merece muita consideração por parte daqueles que vislumbram, sempre, um Vasco contestador e, sobretudo, firme em sua missão de ser o contraponto àquilo que parte da sede comodato, do aforamento da Gávea.
Apresentado o parágrafo introdutório, passo, propriamente, à questão: ainda que desconsidere a diretoria atual, face à debilidade (sob maquilagem da mídia) de seu desempenho, não poderia, em hipótese alguma, concordar com a anulação do pleito. Felizmente ultrapassou-se mais essa mina jurídica amarela, que buscava explodir as pernas do Almirante, inviabilizando-lhe a caminhada. De fato, impressiona a desconsideração desse grupo ao Vasco. São a radicalização do MUV, os fundamentalistas da objetividade tortuosa, na qual qualquer instrumento passa a ser válido para a consecução de seus fins políticos. Não obstante todo o mal que a turma da “inesquecível” oportunidade de ouro destilou, esses conseguem – em verdade, são os mesmos, sob novos matizes – demonstrar ainda mais fortemente seu desamor pelo Club de Regatas Vasco da Gama. Chegaram a ponto de pedir a anulação de um pleito do qual saíram vitoriosos, expondo a instituição de maneira irresponsável, na medida em que isso representa um custo altíssimo à imagem e a qualquer iniciativa de se pacificar o clube. Aliás, em nota divulgada por tal grupo, chegou-se ao ápice da incoerência, ao afirmarem que o Vasco precisa de paz, quando eles próprios não depõem as armas. Espero que, por ora, desistam das táticas de guerrilha política, muito embora já espere pela próxima incursão à jugular do Almirante.
Por fim, comemoro a manutenção do resultado do pleito vencido pelo reclamante. A Justiça evitou uma distorção, uma aberração lógica sem tamanho. Seguiremos adiante, portanto, cobrando da diretoria administrativa aquilo que se julga fundamental ao clube e a seu engrandecimento. Porém, sem afigurarmo-nos, jamais, como agentes políticos irresponsáveis, detratores da instituição Club de Regatas Vasco da Gama. Casaca!
Rafael Furtado
Lá pelo início dos anos 90, minha irmã deveria ter uns 12 anos e praticava basquete na escolinha do Vasco. Os meus pais, trabalhavam na Tijuca e depois do expediente passavam em São Januário para busca-la após os treinos. Ela fazia basquete junto com uma menina que também era nossa vizinha. Então, os respectivos pais das duas se revezavam na tarefa de ir ao clube para buscá-las nos dias de treino.
Um certo dia, a mãe da menina que era nossa vizinha não pôde ir buscá-las no dia da sua escala. Ela não foi, não avisou meus pais e nem a sua própria filha. Meus pais estavam em casa e tranquilos porque não era o dia deles de ir pega-las. Minha irmã sempre chegava em casa entre 19h e 20h. As duas acabaram o treino e, normalmente, ficaram esperando a mãe da outra menina, que não chegou! Em casa ficamos preocupados com a demora da minha irmã. Quando foi umas 21:30, minha irmã ligou para nossa casa avisando o que havia acontecido. Era tarde para ela sair sozinha de São Januário a pé.
Ela relatou que ambas haviam tentado ir embora indo para o ponto pegar um ônibus, que não passava, enquanto o local foi ficando deserto. Então, as duas acharam melhor voltar para o Vasco, tentar ligar para casa e ficar aguardando algum adulto ir buscá-las. Quando voltaram para o clube, este já estava fechado. Elas então explicaram a situação para os seguranças, que imediatamente ligaram para o Eurico. Ele não estava mais no clube mas fez questão de regressar. Ele orientou os seguranças para que deixassem as meninas entrarem e disse que estava a caminho. Quando chegou, foi muito cortês com minha irmã e sua amiga, conversou com elas, dando toda atenção e lhes entregou fichas de telefone, as orientando para ligarem do orelhão de dentro do Vasco para suas casas. E ficou aguardando no clube até a chegada dos meus pais.
Já passava das 22h quando meu pai chegou ao clube para buscá-las. Então, minha família ficou muito grata ao Eurico por ter sido responsável por duas crianças. Contei essa história para te dizer que sempre procurei enxergar o homem por detrás do grande dirigente. Sou muito grato ao Eurico por ter ajudado minha irmã. Sou muito grato ao Eurico por ser vascaíno e ter visto meu time vencer conquistas maravilhosas e inesquecíveis e por toda dedicação dele de que fui testemunha. E, graças à Deus, pude manifestar minha gratidão a ele através do meu apoio.
O que dei ao Eurico foi muito pouco em relação a tudo que ele me deu. Mas meu sentimento é sincero! Estamos todos tristes hoje como se tivéssemos perdido um ente familiar. Que Deus o abençoe e possa conceder a paz ao espírito do Eurico nesta nova jornada. Farei minhas orações para ele e serei eternamente grato por tudo.
André Vinicius Senra
Eu o conheci pela TV, falando Vasco, Vasco e Vasco em inúmeras discussões ali e acolá.
Eu o conheci pelo rádio, onde ouvia o que desejava ouvir, quase que como lhe dissesse para falar o que dizia, como se adivinhasse o que meu coração vascaíno queria ouvir.
Eu o conheci através dos jornais, com matérias por vezes sensacionalistas, noutros casos ácidas, falando dele como uma figura que cativava, mas também incomodava.
Eu o conheci ao vivo, lá pelos meus 18 anos e não vi barreira grande para falar com ele ou ter dele uma resposta direta e até simpática diante das minhas dúvidas ou preocupações daquele momento.
Quando meu pai me trouxe o adesivo de campanha, em 1985, eu o colei na minha janela e lá está ele até hoje, no mesmo vidro dela, no mesmo lugar, no quarto da hoje casa de minha mãe.
O que se dizia ali era muito sério, de difícil execução, quase impossível ocorrer na prática, mas eu, adolescente e acreditando nos sonhos de qualquer adolescente via como possível, plausível e emblemático: “Eurico 86 – O Vasco Acima de Tudo”.
Eurico perdeu as eleições, de forma estranhíssima na ocasião. O clube todo sabia o que ocorrera, mas ele não foi à Justiça, não foi expor o Vasco.
Deu lá algumas entrevistas e voltou para seus afazeres, certo de que o Vasco praticamente inteiro o queria dentro do clube.
Chamado a atuar como Vice-presidente de futebol, após quase 20 anos vivendo a política interna do clube, ele surgiu como um trator.
O Vasco mudou de patamar e aquilo que nem nos nossos mais belos sonhos juvenis seria plausível foi obtido.
Mas o que chamava a atenção, mais do que vitórias, títulos, alegrias era como havia apenas dois caminhos para os oponentes do Vasco. Admirá-lo ou odiá-lo.
O Vasco não passava desapercebido e quando desrespeitado tinha um leão a defendê-lo, com todas as armas possíveis e impossíveis de serem usadas para tal.
Colecionou inimigos e brigas em prol do clube, prejudicou-se pessoalmente, teve na família seu grande aparato, nos amigos e correligionários apoio, mas viveu entre injustiças contra si e ações odiosas de seus adversários.
Em tempos digitais mentiras e distorções se espalham pela rede, falar mal em maioria de alguém faz um monte de bobagens parecerem verdades e o trabalho feito por Eurico Miranda após seu retorno apoteótico à presidência do clube no final de 2014, até o fim de seu mandato, teve na distorção dos fatos a conclusão de que tudo aquilo feito de nada importava e era simples para qualquer outro executar.
O tempo demonstra o contrário, como a história recente do clube – sem ele gerindo o Vasco – também evidencia a grande distância entre aquele indefectível personagem e o resto.
No seu último ano de vida ativa no clube ainda ajudou no que pôde, aconselhou no que pôde, agiu como pôde. Enfim, fez o que pôde.
Um homem que por décadas não passou anônimo na multidões qualquer lugar pelo qual andasse, que se fez respeitar pelos adversários desta cidade por inequívoca supremacia nos confrontos, por inequívoca capacidade de sobrepujá-los fosse nos bastidores ou no próprio campo de jogo.
Como gran finale teve ao final de seu último jogo como presidente do clube uma vitória, contra tudo e contra todos, que foi a classificação para a Taça Libertadores de 2018.
Como gran finale teve ao final de seu último jogo como torcedor um gol do Vasco, contra o arquirrival, marcado num pênalti, no último minuto.
Quisera eu escolher sua última memória, sua última visão, antes de ele fechar de vez os olhos e entrar para a história. Que fosse ela, então, a bola na rede rubro-negra em mais um gol do Vasco, Vasco que foi no fundo a razão de viver dessa lenda chamada Eurico Miranda, que tanta falta nos faz e fará ao Vasco para todo o sempre.
Saudades, amigo.
Sérgio Frias