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Da lua para o céu

A situação era por demais dramática para o Vasco.

Faltavam duas rodadas para terminar o turno do Campeonato Carioca de 1967 e o risco real de o clube não estar classificado para o returno da competição e ser obrigado a passar os últimos meses da temporada sem competição oficial alguma para disputar, maior.

Talvez alguns amistosos, talvez uma excursão pelo interior do Brasil. Mas, como viver aquele final de temporada sem condições financeiras ideais? Buscar-se-ia o “livro de ouro” para sócios abastados cobrirem o custo? O presidente João Silva teria de se virar para pagar as contas e uma grande crise política se avizinhava.

O torcedor, insatisfeito com tudo o que via, já sem esperança de sair da fila, que aumentaria para nove anos sem a conquista de um título carioca, era só cobrança.

Na tabela o Vasco figurava na nona colocação, junto ao Madureira, ambos com sete pontos. À frente dele o Olaria aparecia com oito, América, Campo Grande e Bonsucesso tinham nove. A vitória valia dois pontos e o Gigante da Colina só dependia de si porque Olaria e Campo Grande ainda se enfrentariam. Para garantir a classificação, bastaria vencer seus últimos dois jogos.

O problema era contra quem seriam disputadas as partidas: Botafogo, líder, e Flamengo, terceiro colocado, além de ser o maior rival do clube.

Primeiro viria o Botafogo, de Manga, Leônidas, Nei Conceição, Afonsinho, Jairzinho, Gerson, Roberto Miranda e, também, do garoto PC Caju (na época Paulo César Lima apenas).

Embora notório freguês do Vasco, naqueles anos 60 o alvinegro mostrava-se como um algoz dos cruzmaltinos. Quatorze vitórias do Botafogo contra nove do Vasco. Na temporada de 1967, duas vitórias vascaínas (1 x 0 e 3 x 2), mas com pouca expectativa de uma terceira seguida, o que não ocorria desde 1954.

Depois seria a vez do Flamengo, tradicional rival, e talvez a vitória, dependendo de outros resultados dos seus concorrentes, pudesse ser fundamental.

Naquele campeonato a equipe cruzmaltina já havia sido derrotada pelo forte Bangu (que seria o vice-campeão ao fim da competição), Fluminense, Olaria, Campo Grande e Bonsucesso, deixara a vitória escapar diante do América, após ter aberto 2 x 0 no placar e passara por três equipes pequenas (Portuguesa, Madureira e São Cristóvão), mas a realidade era de cinco jogos sem vitórias e quatro derrotas consecutivas.

O paraibano Erandy, trazido entre a segunda e a terceira rodada da competição junto ao Santa Cruz-PE, havia estreado na equipe, prometendo ser um ótimo fazedor de gols, mas após a estreia auspiciosa contra o Madureira e gols marcados diante de São Cristóvão e América, mostrara-se praticamente nulo, tanto quanto inconvincente nas partidas seguintes e ainda se contundira.

Ademir Menezes, treinador da equipe, tentou mais uma vez a dupla Nei Oliveira e Adilson (irmão de Almir Pernambuquinho), mas diante do Bonsucesso definitivamente não havia dado certo. Um problema aparentemente sem solução e com o Vasco precisando de gols.

Ademir, o famoso “Queixada”, vinha observando um jovem com faro de gol e muita vontade de acertar.

Walfrido treinava e jogava entre os reservas, atuava nas preliminares e participara com Garrincha de um amistoso contra a Seleção de Cordeiro, única partida do emblemático ponteiro direito com a camisa do Vasco, deixando inclusive sua marca de artilheiro naquele 20/07. Mas agora teria a sua grande chance. Era hora de agarrá-la.

O jovem centroavante, nascido em 17/12/1947, iniciara sua carreira no Sport-PE e ainda juvenil foi para o Santa Cruz-PE. Em 1966 chegava ao Vasco, com 18 anos de idade, buscando seu espaço.

No domingo, dia 05/11/1967, Walfrido viveria o maior teste de sua incipiente carreira, atuando contra o líder Botafogo, sem Jairzinho e Gérson, mas com os demais cobras da equipe inteiros.

Aos 27 minutos da etapa inicial ele mostraria seu cartão de visitas para o público presente ao estádio.

Lançado por Averaldo, o centroavante deu um lençol no zagueiro Zé Carlos e encobriu o goleiro Manga para abrir o placar. Delírio da galera cruzmaltina.

Veio o segundo tempo e com ele o tento número dois cruzmaltino. Danilo Menezes manobrou pela meia, girou o corpo e entregou a Walfrido, que avançou em direção à área e atirou forte, certeiro, fechando a conta.

A vitória improvável tinha um herói surpreendente e o Vasco uma nova opção de centroavante.

Na semana seguinte, a primeira vez de Walfrido contra o Flamengo e uma goleada de 4 x 0 dos cruzmaltinos, com ele próprio fechando o placar aos 39 do 2º tempo.

Em 1968 o atleta não figurou entre os titulares no início da temporada, marcou apenas um gol no Campeonato Carioca, em três partidas e mais dois tentos na Taça Guanabara.

A 23 de junho assinalou pela primeira e única vez, com a camisa do Vasco, entre os profissionais, três gols numa única partida. O hat-trick ocorreu frente ao Rio Negro-AM. Por sinal, somando essa e outras pelejas amistosas naquela temporada, foram sete gols ao todo marcados pelo artilheiro.

Naquele mesmo ano, no Torneio Roberto Gomes Pedrosa, competição nacional oficial da época, Walfrido fez 11 gols, marcando dois deles na vitória cruzmaltina sobre o Botafogo por 2 x 1, outros dois frente ao Santos, de Pelé (triunfo vascaíno por 3 x 2) e um diante do Flamengo, na estreia de Garrincha com a camisa rubro-negra (2 x 0 Vasco o placar final). Duas vezes marcou ainda o artilheiro contra o Internacional-RS, na primeira fase (Inter 2 x 1) e no quadrangular final (Vasco 3 x 2), fora tentos assinalados diante dos seguintes clubes: Atlético-PR (3 x 2), Corinthians (1 x 2), Palmeiras (1 x 3) e Portuguesa de Desportos (2 x 0).

Diante da bela performance na principal competição nacional da época, Walfrido foi convocado para a Seleção Brasileira no final da temporada, há poucos dias de completar 21 anos de idade, embora não tenha chegado a atuar com a amarelinha.

O centroavante viveu um ano de 1969 com mais gols, apesar das fracas campanhas do Vasco nas competições das quais o clube participou.

No Campeonato Carioca o “Espanador da Lua”, carinhoso apelido dado a ele pelo locutor de rádio Waldir Amaral, marcou cinco vezes; na Taça Guanabara, disputada em seguida, balançou as redes uma vez, diante do Botafogo (vitória cruzmaltina por 3 x 0) e no Torneio Roberto Gomes Pedrosa faturou três vezes, duas delas no empate diante do Fluminense (2 x 2). Fora isso, assinalou gols em cinco oportunidades (jogos amistosos), somando, ao final da temporada 14 tentos.

O ano de 1970, entretanto, seria o de glória para o atleta, vestindo a camisa do Vasco.

O atacante iniciou a temporada na reserva, quando da disputa da Taça Guanabara, competição prévia à Copa do Mundo daquele ano. Foi ganhando espaço com o novo treinador cruzmaltino Tim aos poucos, mas sem ainda garantir a condição de titular.

O Campeonato Carioca viria a ser a primeira disputa oficial do clube, após a conquista definitiva da Taça Jules Rimet, obtida pela Seleção Brasileira no México. E naquele certame Walfrido apareceu em momentos importantíssimos.

Após marcar contra Madureira, Bangu e Olaria (vitórias vascaínas por 2 x 1, 4 x 2 e 3 x 1), uma partida chave na competição estava por vir. Pelo sorteio, Vasco x Flamengo seria o primeiro clássico do returno, a ser realizado logo na segunda rodada.

O jogo do turno fora duríssimo, definido pelo cruzmaltino Silva marcado aos 41 minutos da etapa final, após grande jogada individual do parceiro Walfrido, que driblara dois contrários antes de servir ao companheiro. Um a zero foi o placar final.

Foi no dia 30 de agosto, contra o rubro-negro da Gávea, que o “Espanador da Lua” começaria a construir de vez seu nome na história do clube.

Numa partida debaixo de chuva, o centroavante aproveitou uma bola que parara na poça d`água, após disputa com o zagueiro rubro-negro Washington, e marcou o gol único do jogo, aos 17 minutos do segundo tempo. Delírio total dos vascaínos no Maracanã.

Algumas rodadas depois, mais um gol, frente ao Campo Grande (goleada vascaína por 4 x 0), e quis o destino que fosse dele o tento que garantiria o título carioca por antecipação, após 11 anos de jejum.

Com a ajuda de Moisés, zagueiro alvinegro, o chute do centroavante foi encontrar as redes alvinegras no segundo gol cruzmaltino da vitória conquistada por 2 x 1 (o Botafogo descontaria próximo ao fim do jogo, enquanto Gilson Nunes abrira o placar em cobrança de falta).

Curiosamente foi a última vez que Walfrido balançou as redes adversárias com a camisa do Vasco. A chegada do centroavante Dé, oriundo do Bangu, fez o artilheiro perder espaço na equipe, mas sua participação naqueles dois clássicos em 1970, contra os mesmos adversários diante dos quais brilhara em 1967 (Botafogo e Flamengo), permaneceram por anos nas mentes e histórias do torcedor vascaíno sobre o jogador.

Após quase um ano sem balançar as redes, o “Espanador da Lua” desembarcou em Recife para retornar ao Santa Cruz, vestindo a camisa “cobra coral” no Campeonato Brasileiro de 1971, emprestado que foi pelo Vasco na ocasião para a disputa daquela competição. Entre agosto e dezembro Walfrido marcou cinco gols pelo Santa, três no Torneio Roberto Gomes Pedrosa e dois numa partida amistosa, frente ao CSA-AL.

Em 19/02/1972, após alguns treinos pelo Vasco dos quais participara, o atleta foi negociado em definitivo com o América, vindo o lateral Paulo César Puruca dos rubros para São Januário na troca.

Na equipe americana jogou o Campeonato Carioca e marcou três gols, todos no primeiro turno, um deles contra a conhecida vítima Botafogo, em vitória de sua equipe por 3 x 0 (partida realizada no Estádio Vasco da Gama). Em 20 de outubro, após vários meses sem marcar, recebeu passe livre do América.

Dali por diante atuou no Toluca-MEX, Vera Cruz-MEX, Ypiranga-BA, Paysandu-PA, Noroeste-SP, Volta Redonda, Estrela do Norte-ES, Fluminense de Nova Friburgo, Portuguesa de Acarigua-VEN, terminando sua carreira pouco depois. Tempos mais tarde trabalharia nas divisões de base do Vasco (futebol/futsal masculino e futebol feminino).

Em sua passagem pelo Paysandu, sagrou-se Campeão Paraense de 1976 e vice artilheiro do campeonato. Já na Venezuela terminaria o campeonato nacional de 1980 como artilheiro da competição e vice campeão, defendendo as cores da Portuguesa de Acarigua.

Pelo Vasco, seu principal clube, no qual conquistou, também seu mais importante título, Walfrido marcou 45 gols, curiosamente apenas 8 de cabeça, embora exatamente sua impulsão nas bolas altas tenha lhe trazido o apelido de “Espanador da Lua”.

De qualquer forma, a impulsão e coragem para enfrentar obstáculos e desafios, impulsionado pela crença em si próprio e na sua capacidade de superação, certamente o põem mais próximo do céu, onde chegará misturando português com castelhano, em ritmo de samba, para os que acreditam em céu, samba, alegria e, também, na paz eterna.

Valeu, guerreiro.

Sérgio Frias

Há 55 anos, Vasco goleava o urubu por 4 a 1 e se sagrava campeão do Torneio IV Centenário do RJ

No dia 21 de janeiro de 1965, o Vasco deixava o urubu de 4 no Maracanã, e conquistava o título de campeão do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro. Vale lembrar que cinquenta anos depois, em 2015, quando a cidade do Rio celebrou 450 anos, o campeão da cidade novamente foi o Gigante da Colina.

“O quadrangular de futebol foi um dentre os vários eventos promovidos para celebrar os quatro séculos da cidade, que havia deixado de ser capital federal cinco anos antes, com a mudança do governo federal para Brasília. Houve concurso de misses corrida de automóveis no antigo Circuito da Barra da Tijuca, samba no Jockey Club e grandes festas. Em janeiro daquele ano, também participaram do torneio o Flamengo, o Atlético de Madrid e a seleção da extinta Alemanha Oriental. Todas as partidas do Torneio Internacional do Quarto Centenário foram no Maracanã. No dia 18 de janeiro, o Vasco derrotou a Alemanha Oriental por 3 a 2, de virada, após ter estado perdendo por 2 a 1. Os gols do time de São Januário foram de Célio (dois) e Maranhão, e os da Alemanha Oriental, de Ducker e Frenzel. No outro jogo, no dia 19 de janeiro, o Flamengo, que havia organizado a competição, ganhou do Atlético de Madrid por 1 a 0, avançando à final prevista para 21 de janeiro.

No mesmo dia 21, na preliminar, os madrilenhos e os alemães orientais empataram em 1 a 1. Na partida principal, diante de 60 mil pessoas no antigo Maracanã, o time de São Januário, treinado há pouco tempo por Zezé Moreira, quebrou uma escrita diante do arquirrival Flamengo, do qual não ganhava havia quatro anos. O time rubro-negro começou melhor, mas as maiores emoções do primeiro tempo ficaram reservadas para o seu final, quando o centroavante vascaíno Célio marcou duas vezes, aos 39 e aos 42, enquanto o lateral Paulo Henrique diminuiu aos 44. No segundo tempo, o atacante Saulzinho assinalou seus gols aos 24 e aos 33, fechando as contas de uma partida em que o Vasco, bem superior, deu olé nos últimos minutos.

Coube ao capitão Barbosinha erguer a Taça Viking, que reproduz um barco do povo escandinavo e foi doada pelo sueco Gunnar Ericsson, desportista e industrial que era um dos donos da empresa Facit, que tinha filial no Brasil e patrocinara a competição (mais tarde ele foi presidente da Federação Sueca e membro do Comitê Olímpico daquele país).” (O Globo – 05/05/2015)

Jornal dos Sports – 22/01/1965
Jornal dos Sports – 22/01/1965

Fichas dos jogos:

17/01/1965
Vasco da Gama 3 x 2 Alemanha Oriental
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Juiz:Eunápio de Queiroz
Auxiliares: Armando Marques e Antonio Viug
Renda: Cr$ 19.701.493,00
Gols: Peter Ducke 21’, Célio (penalti) 23’, Frenzel 27’, Maranhão 38’, Célio 39’
Vasco: Ita; Massinha, Brito, Fontana e Barbosinha; Maranhão e lorico; Mário, Sauzinho, Célio e Zezinho
Técnico: Zezé Moreira
Alemanha: Weigang; Fraesdorf, Walter, Pankau e Koerner; Geisler e Erler; Frenzel, Noelner, Peter Ducke e Vogel (Roland Ducke 34’)

21/1/1965
Decisão
Vasco da Gama 4 x 1 Flamengo
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Juiz: Armando Marques
Auxiliares: Frederico Lopes e Claudio Magalhães
Renda: Cr$ 58.425.080,00
Público: 59.814
Gols: Célio 39’, 42’, Paulo Henrique 44’, Sauzinhjo 69’, 77’
Flamengo: Marcial; Murilo, Ditão, Ananias, Paulo Henrique, Carlinhos, Fefeu, Carlos Alberto, Amauri, Airton (Berico), Fraga (Evaristo)
Técnico: Flávio Costa
Vasco: Ita; Joel, Brito, Fontana e Barbosinha; Maranhão e Lorico; Mário, Sauzinho, Célio e Zezinho
Técnico: Zezé Moreira

 

 

Sérgio Frias fará palestra para Vascaínos em Niterói no dia 08 Agosto

Nesta quinta-feira (08/08), às 19h, Sérgio Frias (Benemérito do Vasco) estará em Niterói para dar a palestra “Passado, Presente e Futuro do Vasco – As superações históricas e os pilares pro nosso clube voltar ao topo”. O evento gratuito acontecerá no auditório do Praia Clube São Francisco.

Como as vagas são limitadas, os vascaínos precisam confirmar presença com os organizadores ou preencher os nomes no pequeno formulário abaixo. Clique aqui para abrir o formulário em outra tela.

CASACA!

Foi-se um revolucionário

Através da música, num momento em que o Brasil revolucionava o mundo no futebol, no basquete, quando Brasilia ainda era um projeto em construção, quando o povo brasileiro parecia mais puro, surgiu mais uma novidade: a Bossa Nova.

O ritmo novo, criado por um gênio, de voz peculiar, aliado a batidas diferentes e harmônicas criou um gênero musical genuinamente brasileiro, ímpar e apaixonante.

Através daquele novo som, de novas melodias, de letras leves e muita poesia o Brasil cruzaria fronteiras e consagraria um estilo, que começou no “Chega de Saudade” e se perpetuou por décadas.

João Gilberto, discreto e comedido, pouco presente na mídia já há muitos anos, jamais deixou de registrar ser um vascaíno, quando teve oportunidade para tal.

Era um torcedor como milhões de outros, pois assim se portava, sem grandes arroubos, mas registrando sempre que possível sua escolha clubística perene.

Descanse em paz, vascaíno.

Você está eternizado na história.

Casaca!

Reinvenção da roda

Você torcedor tricolor sabia que seu time não vence uma final de Campeonato Carioca diante do Flamengo há 83 anos?

E você, alvinegro? Sabia que o Botafogo só derrotou o Vasco numa única final de Campeonato Carioca no século XX, em 1997?

Aquele Fla-Flu de 1963, válido pela última rodada, com 177.020 pagantes, não foi uma decisão, compreendem flamenguistas?

O Vasco x Flamengo, que deu ao clube o Super Super Campeonato Carioca em 1958 também não foi uma decisão, viu vascaínos?

Quando o Palmeiras conquistou o Campeonato Paulista no ano do sesquicentenário da Independência (1972), empatando contra o São Paulo, que precisava da vitória para conquistar o título, na última rodada da competição, aquilo não era uma decisão.

O contrário havia se dado no ano anterior. O São Paulo precisava do empate e venceu por 1 x 0, contra o mesmo Palmeiras, que dependia da vitória para conquistar o título. Também não se tratava de uma decisão aquele jogo.

Já o Santos, que atuou na última rodada do Campeonato Paulista de 1984, jogando pelo empate contra o Corinthians, que só levaria a taça vencendo o jogo, conquistou o título, derrotando o rival por 1 x 0, mas isso não se tratou de uma decisão, embora São Paulo inteira entendesse o contrário.

O Fla-Flu da Lagoa, em 1941, disputado cheio de mística, que deu o campeonato ao Fluminense, os títulos do Botafogo em 1948 e 1957 contra Vasco (3 x 1) e Fluminense (6 x 2), a primeira final de Campeonato Carioca da história do Maracanã, valendo o título de 1950 e vencida pelo Vasco, nada disso foi decisão.

Até América e Bangu não venceram numa decisão contra Fluminense e Flamengo respectivamente, porque a partida final entre as duas equipes, que valia o título, não seria, imaginem, uma decisão.

Pobre Botafogo. As inolvidáveis finais contra Flamengo (1962), Bangu (1967) e Vasco (1968) não foram decisões de Campeonato Estadual coisíssima nenhuma, embora houvesse na última rodada duas equipes disputando o título diretamente.

O polêmico título do Fluminense em 1971, diante do Botafogo (que virou livro), também não se trata de uma decisão, o Fla-Flu que decidiu o Campeonato Carioca de 1972, o Vasco x Flamengo que levou o rubro-negro ao título de 1974, o Bi e o Tri do Fluminense, em 1984 e 1985 (contra Flamengo e Bangu), além do gol de barriga do atacante Renato Gaúcho também não foram decisões, assim também como os gols de Marquinho e Tita, que em 1982 e 1987 deram o título na partida final ao Vasco, diante do Flamengo, não eram decisões.

Até mesmo a Copa do Mundo de 1950, definida entre Brasil e Uruguai na última rodada, não se tratou de uma decisão de título mundial. É necessário avisar isso aos uruguaios, que desconheciam o fato até hoje.

Nenhum exemplo dado acima, pois, na cabeça das Organizações Globo e/ou de seus luminares lunáticos, pode ser caracterizada como uma decisão, conforme matérias surgidas nas últimas semanas, veiculadas por seus meios de comunicação e porta vozes.

Ora, se numa disputa com 20 clubes ou três chega-se à última rodada com apenas duas equipes aptas a conquistar o título, sendo garantido a quaisquer das duas vencê-lo com uma vitória naquela partida (dependendo até muitas vezes do saldo de gols) é óbvio e inequívoco que ela é exatamente a decisão do campeonato, torneio, copa, turno…

Se o regulamento da competição permite a disputa direta pelo título, por duas equipes, após fases, turnos anteriores à final terem sido jogados, há decisão. Assim como num triangular final se a última rodada leva a uma embate de dois dos seus protagonistas, idem. Como pode ocorrer isso também na disputa de um quadrangular, pentagonal, hexagonal, octogonal. É o óbvio ululante.

Vamos registrar para o público leitor, a fim de que ele fique bem informado, quais foram as decisões de Campeonatos Cariocas em toda a história.

1921 – Flamengo 2 x 1 América – Partida única decisiva entre os dois clubes, que terminaram empatados em número de pontos no campeonato.
1924 – Vasco 1 x 0 Bonsucesso (Federação Metropolitana de Desportos Terrestres) – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.
1929 – Vasco 5 x 0 América – Última partida melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1936 – Vasco 2 x 1 Madureira (Federação Metropolitana de Desportos) – Última partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1936 – Fluminense 1 x 1 Flamengo (Liga Carioca de Futebol) – Última partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes
1941 – Fluminense 2 x 2 Flamengo – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1944 – Flamengo 1 x 0 Vasco – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1946 – Fluminense 1 x 0 Botafogo – Última partida, decisiva, do quadrangular de desempate do campeonato (tratado à época como Supercampeonato).
1948 – Botafogo 3 x 1 Vasco – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1950 – Vasco 2 x 1 América – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1951 – Fluminense 2 x 0 Bangu – Segunda partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1955 – Flamengo 4 x 1 América – Última partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1957 – Botafogo 6 x 2 Fluminense – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1958 – Vasco 1 x 1 Flamengo – Última partida, decisiva, do segundo triangular final do campeonato (tratado à época como Super Super Campeonato).
1960 – América 2 x 1 Fluminense – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1962 – Botafogo 3 x 0 Flamengo – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1963 – Flamengo 0 x 0 Fluminense – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1964 – Fluminense 3 x 1 Bangu – Segunda partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1966 – Bangu 3 x 0 Flamengo – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1967 – Botafogo 2 x 1 Bangu – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1968 – Botafogo 4 x 0 Vasco – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1971 – Fluminense 1 x 0 Botafogo – Última partida, decisiva para ambos, na última rodada do campeonato.
1972 – Flamengo 2 x 1 Fluminense – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.
1973 – Fluminense 4 x 2 Flamengo – Primeiro jogo decisivo entre o Fluminense, campeão de um turno e de seu grupo no 3º turno e o Flamengo, campeão de apenas um turno.
1974 – Flamengo 0 x 0 Vasco – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.
1975 – Fluminense 0 x 1 Botafogo – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.*
*O Botafogo precisaria vencer por três gols de diferença para conquistar o título.
1976 – Fluminense 1 x 0 Vasco – Partida extra decisiva, após empate em pontos das duas equipes no quadrangular final do campeonato.
1980 – Fluminense 1 x 0 Vasco – Partida extra decisiva entre os campeões dos dois turnos.
1981 – Flamengo 2 x 1 Vasco – Última partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1982 – Vasco 1 x 0 Flamengo – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.
1984 – Fluminense 1 x 0 Flamengo – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.
1985 – Fluminense 2 x 1 Bangu – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.
1986 – Flamengo 2 x 0 Vasco – Última partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1987 – Vasco 1 x 0 Flamengo – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.
1988 – Vasco 1 x 0 Flamengo – Segunda partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1989 – Botafogo 1 x 0 Flamengo – Segunda partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1990 – Botafogo 1 x 0 Vasco – Última partida, decisiva para ambos, do triangular final do campeonato.
1991 – Flamengo 4 x 2 Fluminense – Segunda partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1993 – Vasco 0 x 0 Fluminense – Última partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1994 – Vasco 2 x 0 Fluminense – Última partida, decisiva para ambos, do quadrangular final do campeonato.
1995 – Fluminense 3 x 2 Flamengo – Última partida, decisiva para ambos, do octogonal final do campeonato.
1997 – Botafogo 1 x 0 Vasco – Segunda partida da melhor de três decisiva entre os dois clubes.
1999 – Flamengo 1 x 0 Vasco – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2000 – Flamengo 2 x 1 Vasco – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2001 – Flamengo 3 x 1 Vasco – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2002 – Fluminense 3 x 1 Americano – Segundo partida decisiva entre os dois vencedores dos quadrangulares finais em seus respectivos grupos.
2003 – Vasco 2 x 1 Fluminense – Segunda partida decisiva entre os vencedores das duas semifinais do Campeonato Carioca.
2004 – Flamengo 3 x 1 Vasco – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2005 – Fluminense 3 x 1 Volta Redonda – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2006 – Botafogo 3 x 1 Madureira – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2007 – Flamengo (4) 2 x 2 (2) Botafogo – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2008 – Flamengo 3 x 1 Botafogo – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2009 – Flamengo (4) 2 x 2 (2) Botafogo – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2012 – Fluminense 1 x 0 Botafogo – Segunda partida decisiva entre os campeões de turno do Campeonato Carioca.
2014 – Flamengo 1 x 1 Vasco – Segunda partida decisiva entre os vencedores das duas semifinais do Campeonato Carioca.
2015 – Vasco 2 x 1 Botafogo – Segunda partida decisiva entre os vencedores das duas semifinais do Campeonato Carioca.
2016 – Vasco 1 x 1 Botafogo – Segunda partida decisiva entre os vencedores das duas semifinais do Campeonato Carioca.
2017 – Flamengo 2 x 1 Fluminense – Segunda partida decisiva entre os vencedores das duas semifinais do Campeonato Carioca.
2018 – Botafogo (4) 1 x 0 (3) Vasco – Segunda partida decisiva entre os vencedores das duas semifinais do Campeonato Carioca.

Casaca!

95 anos da “Resposta Histórica”

O ano de 1924 seria de grande importância para a história vascaína e o futebol nacional, dada a atitude do clube diante do preconceito da elite contra os seus atletas.

Em fevereiro, após muitos entreveros com a LMDT por não terem a maioria qualitativa desejada e ainda por quererem adotar critérios em defesa da pequena elite formada por América, Botafogo, Flamengo e Fluminense, surge entre esses clubes a ideia de sair daquela entidade para fundar a AMEA (Associação Metropolitana dos Esportes Athleticos).

Inicialmente, o Vasco se associaria à nova entidade, mas ao sair o estatuto dela o clube percebe não ser bem-vindo àquela pequena oligarquia formada também pelo Bangu , além dos quatro grandes. O parágrafo único do artigo 5º já trazia um problema ao clube, pois nele era dito claramente que a praça de esportes do clube filiado à Liga não poderia ser arrendada de qualquer outra associação desportiva, vinculada ou não à AMEA. Deveria partir o Vasco para a compra do estádio da Rua Moraes e Silva, alugado até o ano de 1927, ou de algum outro que desejasse e pô-lo em condições de absorver sua torcida a mais popular do Rio de Janeiro à época.

Independentemente disso , no próprio documento formal que regeria a Liga havia uma clara tentativa de impossibilitar atletas menos abastados de participar dela, bem como era imposta uma responsabilização dos dirigentes por tais presenças em seus respectivos times. A questão mais uma vez era atingir os analfabetos, obrigados a passar por novos constrangimentos, e implicitamente impedir esmagadora maioria dos negros de atuar, pois era bastante reduzido na capital federal o número de atletas dessa cor alfabetizados.

Diante do impasse, o Vasco teria que fazer uma escolha. A opção se deu a favor dos seus jogadores e contrária à permanência da AMEA, que considerava os atletas vascaínos – embora campeões e superiores tanto física quanto tecnicamente, desde o ano anterior, aos adversários – inaptos a figurar naquela presunçosa oligarquia. Diante disso a mais famosa resposta dada pelo clube aos intolerantes e intoleráveis foi assinada pelo presidente vascaíno José Augusto Prestes, circulando para além da Liga e sendo, desde então, um marco na história do time, posto como um troféu emblemático (em meio à sala hoje repleta deles), pois retrato de defesa da igualdade social no esporte e do não preconceito. Ei-la:

Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.

Officio No 261

Exmo. Snr. Dr. Arnaldo Guinle,

  1. D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.

As resoluções divulgadas hoje pela Imprensa, tomadas em reunião de hontem pelos altos poderes da Associação a que V. Exa. tão dignamente preside, collocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada, nem pelas defficiencias do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa séde, nem pela condição modesta de grande numero dos nossos associados.

Os previlegios concedidos aos cinco clubs fundadores da A.M.E.A., e a forma porque será exercido o direito de discussão a voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto á condição de eliminarmos doze dos nossos jogadores das nossas equipes, resolveu por unanimidade a Directoria do C.R. Vasco da Gama não a dever acceitar, por não se conformar com o processo porque foi feita a investigação das posições sociaes desses nossos consocios, investigação levada a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um acto pouco digno da nossa parte, sacrificar ao desejo de fazer parte da A.M.E.A., alguns dos que luctaram para que tivessemos entre outras victorias, a do Campeonato de Foot-Ball da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores, jovens, quasi todos brasileiros, no começo de sua carreira, e o acto publico que os pode macular, nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que elles com tanta galhardia cobriram de glorias.

Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da A.M.E.A.

Queira V. Exa. acceitar os protestos da maior consideração estima de quem tem a honra de subscrever

De V. Exa. Atto   Vnr., Obrigado. 

(a) José Augusto Prestes

Presidente

Fonte: “Todos contra ele” (Autor: Sérgio Frias)


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Breve resumo da participação de Eurico Miranda no clube e no futebol brasileiro de 1986 a 2019

Um breve resumo da participação de Eurico Miranda, eterno presidente do CR Vasco da Gama, no clube e no futebol brasileiro de 1986 até 2019:

1986 a 2019 – Conselheiro do Club de Regatas Vasco da Gama.
1986 a 2000 – Vice Presidente de Futebol do Club de Regatas Vasco da Gama.
1988 – Recebeu o título de Benemérito do Club de Regatas Vasco da Gama.
1989 – Ocupou o cargo de Diretor de Futebol da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
1990 – Recebeu o título de Grande Benemérito do Club de Regatas Vasco da Gama.
1992 a 2000 – Segundo Vice-Presidente Administrativo do Club de Regatas Vasco da Gama.
2000 – Eleito através de sua chapa presidente do Club de Regatas Vasco da Gama.
2001 a 2003 – Presidente Administrativo do Club de Regatas Vasco da Gama.
2003 – Eleito através de sua chapa presidente do Club de Regatas Vasco da Gama.
2004 a 2006 – Presidente Administrativo do Club de Regatas Vasco da Gama.
2006 – Eleito através de sua chapa presidente do Club de Regatas Vasco da Gama.
2007 até o golpe político em junho de 2008 – Presidente Administrativo do Club de Regatas Vasco da Gama.
2010 – Eleito Presidente do Conselho de Beneméritos do Club de Regatas Vasco da Gama.
2013 – Reeleito Presidente do Conselho de Beneméritos do Club de Regatas Vasco da Gama, sem oposição.
2014 – Eleito através de sua chapa presidente do Club de Regatas Vasco da Gama.
2015 a 2017 – Presidente Administrativo do Club de Regatas Vasco da Gama.
2018 – Eleito Presidente do Conselho de Beneméritos do Club de Regatas Vasco da Gama.

Eurico Miranda – Títulos no Futebol Profissional:

1986 – Campeão da Taça GB
1986 – Campeão do Torneio de Juiz de Fora – Minas Gerais
1987 – Bicampeão da Taça GB
1987 – Bicampeão do Torneio de Juiz de Fora – Minas Gerais
1987 – Campeão da Taça TAP – EUA
1987 – Campeão da Copa de Ouro – EUA
1987 – Campeão Carioca
1987 – Campeão do Troféu Ramon de Carranza – Espanha
1988 – Campeão da Taça Rio
1988 – Campeão do 3º Turno
1988 – Bicampeão Carioca
1988 – Bicampeão do Troféu Ramon de Carranza – Espanha
1989 – Campeão do Torneio de Metz – França
1989 – Tricampeão do Troféu Ramon de Carranza- Espanha
1989 – Campeão Brasileiro
1990 – Campeão da Taça GB (INVICTO)
1990 – Campeão do Troféu Adolpho Block – Rio de Janeiro
1991 – Campeão do Torneio da Amizade – Gabão
1992 – Campeão da Copa Rio (INVICTO)
1992 – Campeão da Taça GB (INVICTO)
1992 – Campeão da Taça RIO (INVICTO)
1992 – Campeão Carioca (INVICTO)
1993 – Bicampeão da Taça Rio
1993 – Bicampeão Carioca
1993 – Campeão do Torneio João Havelange – RIo/SP
1993 – Campeão do Troféu Ciutat – Espanha
1993 – Campeão do Troféu Cidade de Zaragoza – Espanha
1993 – Bicampeão da Copa Rio
1994 – Campeão da Taça GB (INVICTO)
1994 – Tricampeão Carioca
1995 – Campeão do Torneio Palma de Mallorca – Espanha
1997 – Campeão do 3º Turno
1997 – Campeão Brasileiro
1997 – Torféu Bortolloti – Itália
1998 – Campeão da Taça GB
1998 – Campeão da Taça Rio
1998 – Campeão Carioca
1998 – Campeão da Taça Libertadores
1999 – Campeão do Torneio Rio-SP
1999 – Campeão da Taça Rio (INVICTO)
2000 – Campeão da Taça GB (INVICTO)
2000 – Campeão da Copa Mercosul
2000 – Campeão Brasileiro
2001 – Campeão da Taça Rio (INVICTO)
2003 – Campeão da Taça GB
2003 – Campeão da Taça Rio (INVICTO)
2003 – Campeão Carioca
2004 – Campeão da Taça Rio
2015 – Campeão Carioca
2016 – Campeão da Taça GB (INVICTO)
2016 – Bicampeão Carioca (INVICTO)
2017 – Campeão da Taça Rio (INVICTO)

TOTAL: 52 Taças (38 oficiais)

PS: Em 1996, após intenso trabalho de Eurico Miranda e de seu filho, o hoje professor doutor em História, Mario Angelo Brandão de Oliveira Miranda, o título Sul-Americano Invicto de 1948 foi oficializado pela Conmebol e posto com status de Libertadores.

Em 2001, na última vez que o Vasco atuou em Concepción, vitória por 3 a 1

Hoje o Vasco fará sua estreia na Taça Libertadores 2018 em partida contra a equipe chilena do Universidad de Concepción. Mas não será a primeira vez que o Gigante da Colina atuará no Estádio Municipal de Concepción, também conhecido como “Estádio Collao”.

No dia 09 de maio de 2001, a equipe cruzmaltina entrou em campo para enfrentar o grande rival do atual adversário, o time do Deportes Concepción, em jogo válido pelas oitavas de final da maior competição sul-americana.

O Vasco vinha de uma campanha 100%, com 6 vitórias na fase de grupo, e buscava manter esse aproveitamento. Com Romário, Juninho Paulista, Euller, Pedrinho, Viola, Helton entre outros, não foi difícil conquistar tal objetivo: vitória cruzmaltina por 3 a 1 diante de mais de 30 mil chilenos.

Assim descreveu o jogo o “Jornal do Brasil” do dia seguinte:

Jornal do Brasil (10/05/2001)

“O Vasco manteve seus 100% de aproveitamento na Libertadores da América e a invencibilidade de 17 jogos na temporada. Mas a vitória por 3 a 1 sobre o frágil Deportes Concepción, de virada, ontem à noite no Chile, não foi tão fácil quanto se esperava. A disposição do penúltimo colocado no Campeonato Chileno por pouco não complicou a vida vascaína. Muito superior tecnicamente, entretanto, o time de Joel Santana soube explorar os contra-ataques e chegar à vitória com dois gols de Juninho Paulista e um de Romário – que pediu para ser substituído no fim, mas não preocupa. Com a vitória, o Vasco pode perder por até um gol de diferença no jogo de volta, na próxima quarta-feira, que estará classificado para as quartas-de-final da Libertadores. A partida está marcada para São Januário, mas a diretoria do Concepción tenta mudar para o Maracanã, alegando que o estádio do Vasco não tem capacidade para 30 mil pessoas, como exige a Confederação Sul-Americana de futebol.

Empurrado por sua torcida, o Concepción partiu sem medo pra cima do Vasco. E logo aos  oito minutos, ajudado por uma falha de Helton, a equipe chilena abriu o marcador, com gol do atacante Verdugo: 1 a 0. A festa, no entanto, durou pouco. A frágil defesa do Concepción devolveu a gentileza de Helton, aos 19 minutos, e assistiu  ao pequenino Juninho Paulista subir sozinho na área para marcar, de cabeça, o gol de empate.

Os chilenos não se intimidaram. Mantiveram-se no ataque e, principalmente no início do segundo tempo, pressionaram o Vasco em seu campo de defesa. mas depois de pelo menos três oportunidades desperdiçadas, o Concepción foi castigado: aos 20 minutos, Pedrinho recebeu livre na área, chutou cruzado e a bola sobrou para Romário, sempre bem colocado, virar o placar: Vasco 2 a 1 e quarto gol do baixinho na competição – os artilheiros são González, do Guarani e Giovanni do Cruzeiro, com seis gols.

No fim do jogo, na base da vontade, o Concepción ainda buscou o empate. Mas a pressão abriu espaços na defesa e , já nos acréscimos, Juninho Paulista aumentou para 3 a 1″ (Jornal do Brasil – 10/05/2001)

Esperamos que a escrita seja mantida e o Vasco obtenha hoje um grande resultado, começando assim a trajetória que pode nos trazer o tricampeonato da Libertadores.

Casaca!

Clique aqui e assista este jogo na íntegra

 

 

Há 67 anos, Vasco se sagrava o 1º Campeão Carioca do Maracanã

A história do Maracanã é bem conhecida pela maioria dos brasileiros. O Brasil teve o privilégio de sediar a primeira Copa do Mundo do pós-guerra e o ponto alto dessa organização foi a construção de um estádio novo, gigantesco, pois o Pacaembu e o estádio de São Januário já não acomodavam a massa cada vez maior de apaixonados pelo futebol.

O Maracanã foi inaugurado em 16 de junho de 1950, com capacidade para 200 mil espectadores. Foi palco de cinco dos seis jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, incluindo a final do dia 16 de julho. Precisando apenas do empate, o Brasil perdeu por 2 a 1 para o Uruguai e terminou como vice-campeão, gerando uma onda de frustração por todo o país.

Passado o choque inicial, era chegada a hora de utilizar o Maracanã para o Campeonato Carioca. O Vasco era o atual campeão da competição e, ainda por cima, invicto. O Expresso da Vitória esteve no auge de sua forma em 1949 e havia conquistado 18 vitórias e 84 gols em 20 jogos, numa campanha que até hoje detém o recorde de ter sido a melhor de toda a história do profissionalismo carioca.

Mas em 1950 os jogadores vascaínos estavam abatidos. Também, pudera: nada menos do que oito jogadores (Barbosa, Augusto, Danilo, Eli, Ademir, Chico, Maneca e Alfredo II) e mais o treinador (Flávio Costa) haviam tomado parte na delegação brasileira derrotada em casa pelo Uruguai na Copa do Mundo.

Grande parte da imprensa, que já naquela época não gostava muito do Vasco, aproveitou para explorar ao máximo o trauma da perda da Copa a fim de prejudicar a equipe cruzmaltima. E quase conseguiu seu objetivo. O Vasco realmente teve um começo irregular e, só no primeiro turno, sofreu 3 derrotas (América, Fluminense e Botafogo), fato raro para um time reconhecidamente superior a todos os outros.

À medida que a tristeza pela perda da Copa foi passando, o Vasco foi ganhando mais e mais confiança e voltou a ser o velho “Expresso” de outros tempos, goleando, no segundo turno, o Flamengo por 4 a 1 (e mantendo um tabu de 6 anos sem derrotas para o rival) e o Fluminense por 4 a 0.

Só que, mesmo tendo vencido todos os jogos do segundo turno, o Vasco só conseguiu alcançar a liderança na penúltima rodada, após derrotar o Botafogo por 2 a 0. O Vasco ficou então um ponto à frente do América: 32 a 31. E, como a tabela marcava para a última rodada o jogo Vasco x América, uma vitória rubra poderia pôr a perder a brilhante recuperação da equipe vascaína.

E foi nesta situação que pisaram o gramado do Maracanã no dia 28 de janeiro de 1951 (por causa da Copa do Mundo, o Campeonato Carioca começou atrasado e só pôde ser concluído no ano seguinte) C.R. Vasco da Gama e América F.C.: ao América, só a vitória interessava para que conquistasse o seu sétimo título carioca; e o Vasco, com um simples empate conquistaria o nono título carioca de sua história, o quarto em seis anos.

Mais de 100 mil pessoas foram ao Maracanã (na época, chamado apenas de “Estádio Municipal”) naquele domingo, para acompanhar esta verdadeira decisão. O América tinha um ataque perigoso, conhecido como “tico-tico no fubá”. Outro ingrediente da decisão era um confronto entre dois irmãos: Eli do Amparo, do Vasco, e Osni do Amparo, do América.

O Vasco começou melhor e saiu na frente logo aos 4 minutos, com um gol de Ademir Menezes. O América empatou aos 40 minutos, por intermédio de Maneco. O primeiro tempo terminou com um empate em 1 a 1.

Foi no vestiário do Vasco, durante o intervalo, que ocorreu o fato que decidiu o campeonato. Ipojucan, atacante do Vasco, não se sabe por que motivo, estava reclamando de falta de ar e não queria de maneira alguma voltar para a etapa final. O técnico Flávio Costa, que conhecia muito bem seus jogadores, achou que o vascaíno estava fazendo corpo mole e mandou-o de volta a campo debaixo de tapas.

Anos depois, Flávio Costa explicou em uma entrevista como tudo aconteceu: “Eu levantei o Ipojucan no peito e dei-lhe duas bofetadas. Mas não foram bofetadas de agressão, não. Foram terapêuticas. E ele se apavorou e saiu correndo. Eu atrás dele: “Você vai entrar de qualquer maneira!”.”

A tática do comandante do Expresso da Vitória funcionou parcialmente. Se, por um lado, Ipojucan não jogou nada no segundo tempo, limitando-se a fazer número na ponta-direita, por outro lado foi dele o passe que resultou no gol da vitória do Vasco, de Ademir Menezes, aos 29 minutos.

Ainda aconteceu, no campo, uma briga que resultou com a expulsão de dois jogadores de cada time pelo árbitro Carlos de Oliveira Monteiro (conhecido como “Tijolo”), aos 43 minutos: Eli, Laerte (Vasco), Osmar e Godofredo (América).

A torcida do Vasco, no entanto, pouco ligou para a briga, pois já estava comemorando o título e homenageando Ademir Menezes (artilheiro do Carioca com 25 gols) com uma paródia de uma música do Carnaval de 1951:

“Oi zum-zum-zum zum-zum-zum-zum/ Vasco dois a um/ Ademir pegou a bola/ e desapareceu/ foi mais um campeonato/ que o Vasco venceu…”

Domingo, 28/1/1951
VASCO DA GAMA 2 X 1 AMÉRICA
Local: Maracanã (RJ)
Árbitro: Carlos Monteiro
Renda: Cr$ 1.577.0144,00
Público: 104.067
Gols: Ademir 4′, Manec0 40′, Ademir 74′
Expulsões: Godofredo, Laerte, Osmar e Eli
VASCO: Barbosa; Augusto e Laerte; Eli, Danilo e Jorge; Alfredo, Ademir, Ipojucan, Maneca e Dejair. Técnico: Flávio Costa
AMÉRICA: Osni; Joel e Osmar; Rubens, Osvaldinho e Godofredo; Natalino, Maneco, Dimas, Ranulfo e Jorginho. Técnico:Délio Neves

Jornal dos Sports (29/01/1951)
Jornal dos Sports (29/01/1951)
Jornal dos Sports (29/01/1951)
A Noite (29/01/1951)

Campanha vascaína no Campeonato Carioca de 1950:

20/08/1950- São Januário- Vasco 6 x 0 São Cristóvão- Maneca (2), Ipojucan (2), Ademir e Lima
27/08/1950- Maracanã- Vasco 3 x 2 Bangu- Ademir (2) e Tesourinha
03/09/1950- São Januário- Vasco 2 x 3 América- Maneca e Ademir
10/09/1950- Leônidas da Silva- Vasco 4 x 0 Bonsucesso- Ademir (3) e Maneca
17/09/1950- Rua Bariri- Vasco 3 x 1 Olaria- Ipojucan (2) e Lima
24/09/1950- Maracanã- Vasco 2 x 1 Flamengo- Ademir e Alfredo II
01/10/1950- Maracanã- Vasco 1 x 2 Fluminense- Ipojucan
08/10/1950- Maracanã- Vasco 0 x 1 Botafogo
15/10/1950- São Januário- Vasco 9 x 1 Madureira- Dejair (4), Ademir (2), Álvaro (2) e Maneca
22/10/1950- São Januário- Vasco 7 x 0 Canto do Rio- Ademir (2), Dejair (2), Jansen, Maneca e Tesourinha
29/10/1950- Figueira de Melo- Vasco 5 x 1 São Cristóvão- Dejair (3), Ademir e Tesourinha
05/11/1950- Conselheiro Galvão- Vasco 3 x 2 Madureira- Ademir (2) e Dejair
19/11/1950- São Januário- Vasco 4 x 0 Olaria- Ademir (3) e Alfredo II
26/11/1950- Maracanã- Vasco 4 x 1 Flamengo- Ipojucan (3) e Alfredo II
10/12/1950- São Januário Vasco 7 x 2 Bonsucesso- Ademir (3), Dejair (3) e Maneca
17/12/1950- Caio Martins- Vasco 4 x 2 Canto do Rio- Maneca (4)
31/12/1950- Maracanã- Vasco 2 x 1 Bangu- Ipojuca e Maneca
06/01/1951- Maracanã- Vasco 4 x 0 Fluminense- Ipojucan (3) e Ademir
14/01/1951- Maracanã- Vasco 2 x 0 Botafogo- Maneca e Ademir
28/01/1951- Maracanã- Vasco 2 x 1 América- Ademir (2)

Fonte: NetVasco (Texto) Blog do Marcão (Ficha Técnica) Jornal dos Sports e A Noite (Imagens)