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O pagador (de promessas alheias)

Em tempo de contratações no clube e inúmeras especulações descabidas, o Vasco permanece em busca de atletas que possam reforçar o time para 2017.

Ao mesmo tempo, a direção dá uma enxugada no elenco, deixando claro não contar com jogadores que ficaram aquém do esperado no ano passado, ao longo de grande parte da temporada.

Dentre as especulações há alguns devaneios impossíveis de concretização, os quais a oposição do Vasco em mídias sociais e nos espaços próprios incitam serem os reforços que “valeriam à pena”.

Mas por qual razão fazem isso? São idiotas, vivem no mundo da lua? Longe disso! Eles querem que Eurico Miranda faça exatamente da maneira como fizeram. Contrate, não pague e a conta bata nele próprio, mais à frente.

Quando estiveram no Vasco, na linha de frente ou auxiliar, esses grupos – que hoje se multiplicam em nomes, slogans e tabelas de Excell para no fim todos se juntarem contra Eurico Miranda – fizeram exatamente isso. Gastaram sem lastro, foram fazendo experiências caras até 2011, quando montaram um time competitivo, tendo-o perdido durante a temporada de 2012. Para quem ficou a conta? Para a tia?

E qual era o discursinho lamurioso deles, uma vez no poder. “Temos jogadores de 2000 para pagar”. “O problema nosso é o pagamento aos atletas olímpicos”. Distorciam a situação com gosto, entendendo ser o torcedor do Vasco dado a pastar na grama verdinha que essa turma encomendava para os cruzmaltinos, sem pagar é claro o fornecedor. Isso também ficou por conta do Eurico saldar.

Como é sabido por muitos que acompanham um pouco mais atentamente o clube, as execuções trabalhistas (oriundas da década de 90 até os primeiros anos do século XXI) estavam sendo impedidas pelo fato de o Vasco ter acertado um acordo em 2004 com a Justiça do Trabalho para fazer um pagamento mensal e um mínimo anual, a fim de satisfazer credores.

O clube, em dezembro de 2007, assinou outro acordo, mais benéfico que o anterior e também mais brando no pagamento, se comparado ao exigido nos casos de Fluminense e Botafogo (Ato 837/07).

A gestão subsequente assumiu o clube em julho de 2008 e no dia 14 de agosto ratificou a participação do Vasco no Ato, nas mesmas condições as quais o clube estava submetido, desde dezembro de 2007. Ela, portanto, não faria novidade alguma. Apenas continuaria a executar pagamentos mensais da mesma forma como o clube procedia há cerca de quatro anos. Assumiu o Vasco sabedora disso e prometendo no discurso uma fila de investidores para o clube.

http://www.casaca.com.br/home/2010/08/03/os-irresponsaveis-pelas-penhoras/

Fora isso o Vasco, até junho de 2008, mantinha acordos com pessoas físicas e jurídicas, com parcelas pagas mensalmente, antes da troca de gestão (Antônio Lopes, Hélio Rubens, Edmundo, Romário, Donizete, Simi {Futsal}, Giovane Gávio {Vôlei}, Torben Grael {Iatismo}, Marcelo Ferreira {Iatismo}, Vasco-Barra…), além de outras dívidas constarem em balanço e os credores saberem da disposição do clube em pagá-los.

Mas o que os novos gestores fizeram?

Além de abolir o pagamento de vários compromissos antes firmados, descumpriram o acordo no TRT e foram excluídos do Ato Trabalhista em julho de 2010. E assim permaneceu a situação por meses a fio. Com isso as consequências da irresponsabilidade foram vistas. Vários credores tentando sair da fila e alguns conseguiram executar o clube em função disso.

A gestão MUV/Dinamite/Amarela continuava contratando, como se não houvesse amanhã. Sim, não pagava a parcela do Ato, mas trazia no mesmo mês Jadson Vieira, Douglas, Fellipe Bastos, Felipe, Éder Luís, Zé Roberto, além de renovar com Carlos Alberto por mais três anos.

Pagaram Romário? Não. Pagaram Edmundo? Não. Pagaram os atletas do basquete? Não. Pagaram impostos? Não. Honraram os acordos que já haviam sido estabelecidos antes? Não. Honraram o acordo, que punha o Vasco no Ato Trabalhista, sem poder ser penhorado em função disso? Não. Pagaram a água? Não. Pagaram a maioria dos fornecedores? Não. Pagaram acordos que eles próprios fizeram? Não. Deram calote.

Mas, por outro lado, pagaram fundos de investidores? Sim. Deixaram dezenas de confissões de dívida para a gestão seguinte? Sim.

Por que não deixaram acordos regiamente pagos até a gestão de Eurico Miranda assumir? Porque acordavam com o credor, pagavam uma ou duas parcelas e depois largavam. Este credor ficava satisfeito, porque o valor devido pelo clube aumentava, com multas contratuais, juros, etc…, a gestão “profissional” daquele chamado “novo Vasco” da mesma forma, porque além de deixar de pagar mais uma coisa já havia jogado para o público que firmara acordo com ex-atleta A ou B, e era por isso que não conseguia pagar seus compromissos, como água, salários, corte da grama, aluguel de campos, fornecedores, gasolina do posto, conserto de ônibus e kombis, por isso não podia ter Remo forte, não podia ter Basquete adulto, não podia ter ar condicionados em todas as salas do Colégio Vasco da Gama, por isso fornecia arroz com salsicha para atletas da base em refeições, por isso não conseguia pagar taxas comezinhas, por isso teve que abandonar o patrimônio.

Há um caso, então, que só rindo para não chorar. Além de não terem continuado, logo no primeiro mês de gestão, o pagamento mensal feito a Romário, que já chegava a 48 parcelas (quatro anos), uma vez acionados na Justiça pelo ex-atleta (Romário cobrava todo o valor devido pela quebra contratual a partir de julho de 2008 e não foi até o fim em sua exigência, por interferência direta do atual presidente do Vasco, Eurico Miranda, à época oposição no clube), ainda deram um percentual pela economia, após o acordo feito, àqueles que aconselharam a manutenção do descumprimento do devido ao credor, ao longo dos anos, porque o valor não seria devido, segundo eles próprios, advogados, assim entendiam.

E quanto às pendências na área cível? O Vasco tinha algumas poucas em fase de execução, como por exemplo no caso da Cambuci, briga que durava mais de 10 anos, iniciada após o clube rescindir unilateralmente o contrato com a Penalty, por questionamentos quanto à qualidade dos produtos. Mas este problema, por exemplo, foi resolvido pela gestão MUV/Dinamite/Amarela com novo acordo junto à empresa para que voltasse a fornecer material ao clube. Logo no anúncio, outro capaz de fazer os incautos imaginarem estar o clube vivendo um conto de fadas com Bob Dinamite e os revolucionários do MUV, foi dito que o contrato traria ao Vasco 64 milhões de reais em quatro anos. Isso mesmo. Sessenta e quatro milhões.

Observem também que o discurso dos novos gestores enquanto oposição era muito focado no fato de o clube não ter um patrocínio e por consequência não ter como fazer isso ou aquilo. Pois bem, o Vasco saiu de um patrocínio máster de 3,6 milhões, celebrado pela gestão de Eurico Miranda em fevereiro de 2008, para outro conseguido com ajuda do governador à época Sérgio Cabral Filho, de 14 milhões de reais, em 2009. Mas diferentemente do que fazia até junho de 2008, não conseguiu manter salários em dia, foi em 2009 despejado do Vasco-Barra, atrasou salários, deixou de cumprir acordos, parou de pagar impostos e os acordos anteriormente feitos com a Receita Federal (regiamente pagos pela gestão anterior àquela até junho de 2008, após inclusão do Vasco na Timemania em novembro de 2007).

Mas o negócio era o futebol. Vamos montar times e que se dane o avião porque quando outro assumir o clube ele é quem será o piloto e não eu.

E o Vasco teve um belo time após um gastadouro desenfreado entre 2009 e 2011, usando os créditos de que dispunha, patrocínios, direitos televisivos, vendas de atletas da base, realizando uma série de negócios, satisfazendo através deles fundos criados e devidamente pagos em 2012, após o clube ter no espaço de 12 meses recebido 60 milhões de reais extras da Rede Globo (junho de 2011 e junho de 2012), mais cerca de 12 milhões de reais com negociação de atletas, mas mesmo assim permanecido com salários atrasados, sem água poucos meses depois, sem time no fim da temporada e com várias ações trabalhistas ajuizadas contra ele.

No final de 2014, enquanto a nova gestão pagava 14 milhões para obter as certidões que a gestão caloteira não tinha mais condições de arrumar, o Cruzeiro negociava para pagar por Arrascaeta, craque uruguaio, 12 milhões de reais por seus direitos econômicos.

Entre o final de 2014 e meados de 2015 o Vasco sanou todas as dívidas deixadas pela gestão anterior com relação ao não pagamento de atletas (salários e direitos de imagem) e funcionários. Algo em torno de 12 milhões. Poderia o Vasco ter investido para trazer, por exemplo, Lucas Pratto no início do ano seguinte por 10,9 milhões de reais, com tranquilidade.

No período de 2015 e 2016, enquanto o Vasco pagava por ordem da FIFA cerca de 21 milhões de reais por atletas, os quais a gestão anterior comprou, mas não honrou, o Palmeiras contratou Dudu, do Dínamo de Kiev-RUS, pagando pelos direitos econômicos 18,7 milhões de reais.

Em agosto de 2008 a nova gestão antecipou pela primeira vez cotas de TV em sua gestão, pois o pagamento quase integral das despesas do clube no mês de julho havia sido garantido com a primeira parcela da venda de Phillippe Coutinho para a Internazionale-ITA, absorvida toda pela ainda incipiente turma da Oportunidade de Ouro. O Vasco tinha o direito de antecipar cotas concernentes ao segundo trimestre de 2009 para frente, num contrato que terminaria em 2011 apenas. Na época o clube recebia cerca de 30 milhões ano da TV.

Quando Eurico Miranda chegou ao Vasco, em dezembro de 2014, o clube não tinha o direito de receber nada referente aos anos de 2015 e 2016 da TV, pois tudo já havia sido antecipado ou estava comprometido por dívidas deixadas pela gestão anterior. O valor das cotas de TV dos dois anos girava em torno de 130 milhões. Caso a situação fosse rigorosamente igual a deixada pelo próprio Eurico em 2008, o Vasco teria tido disponíveis ao longo de 2015 e 2016, cerca de 80 milhões de reais. Se todo esse valor fosse absorvido pelo futebol, a folha salarial do clube poderia aumentar em cerca de 3 milhões de reais entre salários e encargos. Quantos atletas de maior quilate poderíamos ter no elenco desde o ano passado?

Do plantel cruzmaltino, Campeão da Copa do Brasil e Vice-Campeão Brasileiro em 2011, por conta do apito inimigo, havia simplesmente nove atletas os quais o Vasco ainda deve e ficou para Eurico pagar a conta. Fernando Prass, Fágner, Dedé, Rômulo, Fellipe Bastos, Felipe, Juninho (muitos salários mínimos), Diego Souza e Éder Luís. Fora isso, comissões a serem pagas a empresários, procuradores, intermediadores de vários atletas também não foram feitas, o que levou o Vasco hoje a ter de ainda se virar para honrar tais compromissos. Só o procurador de Juninho, José Fuentes, cobra mais de 600 mil reais na Justiça por comissionamento referente a contratos celebrados pelo atleta com o Vasco, entre os anos de 2011 e 2013.

É recorrente o torcedor lembrar daquele time e dizer que o Eurico não montou outro igual, desde 2003 (o de 2002 com Helton, Leonardo Moura, Géder, João Carlos, Alex Oliveira; Donizete, Jamir, Léo Lima, Felipe; Euller, Romário era um time melhor que o de 2011 indiscutivelmente em cinco posições e com Felipe nove anos mais novo, embora nada tenha ganho naquela temporada, até o fim do primeiro semestre, quando se desfez).

De fato, enquanto ele, Eurico, equacionava o clube, por opção, entre 2004 e junho de 2008, mantendo o Vasco na disputa por títulos estaduais, nacionais e até mesmo com uma boa participação numa competição internacional – 2004 (Campeão da Taça Rio e finalista do Estadual), 2006 (finalista da Copa do Brasil e melhor do Rio de Janeiro no Campeonato Brasileiro), 2007 (19 rodadas na zona da Libertadores e sexto colocado na Copa Sul-Americana), 2008 (Semifinalista da Copa do Brasil, com derrota nos pênaltis para aquele queria o campeão daquela edição) – mas com sérias limitações orçamentárias, a gestão seguinte o fizera cair em 2008 – após pegá-lo em nono, com salários em dia, 108 rodadas sem frequentar a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e já tendo figurado na zona da Libertadores numa delas naquele mesmo ano – e danara a gastar desmedidamente entre 2009 e 2011 para conseguir enfim montar um time competitivo e comprometer o Vasco financeiramente menos de um ano depois disso, já completamente destroçado institucionalmente.

Eurico Miranda não assumiu o Vasco em dezembro de 2014 com queixas, mas sim com muito trabalho. Prometeu reestruturar o clube e está fazendo isso; disse que o Vasco nunca cairia de divisão com ele à frente, mas também afirmaria por certo que jamais o clube seria garfado numa competição em 14 pontos (trata-se, de um recorde, de fato); proporcionou mais dois títulos estaduais para a torcida vascaína (agora são 16 no currículo entre os oficiais, desde Estaduais), que no século, até 2014, havia visto o Vasco ganhar apenas um; obteve um feito que ficará registrado na história do clube em sua gestão (maior sequência de jogos oficiais invictos de todos os tempos); fez ressurgir das cinzas o Basquete adulto; manteve em todos os meses de sua gestão, mesmo numa situação catastrófica encontrada, salários em dia; reforçará o Vasco para a temporada de 2017, investindo mais no futebol, mas também ciente do compromisso institucional firmado por ele, como diretriz de governança.

Aos do contra, especulem, esperneiem, distorçam, mintam.

Aos desinformados, informem-se melhor.

Aos vascaínos de raiz, sabedores da situação encontrada ao final de 2014, tenham certeza que no Vasco trabalha-se todos os dias para reverter o quadro – algo já feito em parte – com o objetivo de ver o clube mais forte, mais independente, mais sólido financeiramente, mais vitorioso e mais vezes campeão.

Casaca!

Papo com o Leitor – Promessas

Claudio escreveu:

Só espero que em 2017 vocês não façam o Vasco passar vergonha como vem acontecendo desde 2008. Esse ano foi triste demais e só vejo Eurico fazendo cagada. O que credencia Euriquinho? Isso é um nepotismo vergonhoso. Falavam do Dinamite e fazem o mesmo. A política no Vasco é uma bosta como em Brasília.

P.s – Como é que se justifica a renovação de contrato dessa velharia?

PAREM DE FAZER VERGONHA PELO AMOR DE DEUS!!!
_____
Claro, prometemos.

Aqui no Flamengo, juramos que não vamos ser saco de pancadas do Vasco.

Eu também não aceitei aqueles 7 meses de invencibilidade do clube. Enquanto nós fazíamos o papelão de perder para o Confiança com 11 contra 10 por 80 minutos. Aquela eliminação diante do Fortaleza, da Série C, com duas derrotas, uma fora de casa e outra na casa do Volta Redonda.

E essa diretoria babaca e irresponsável. Brigou para jogar a Copa Sul-Minas, foi eliminada pelo Atlético-PR, o mesmo time montado pelo Cristóvão Borges e ainda pagou mico no Estadual.

Não vou esquecer aquela derrota para o Volta Redonda na casa que às vezes eles nos emprestam.

E nunca mais esqueceremos (fingiremos, mas não esqueceremos) a vergonhosa atitude de fincar a bandeira em Manaus, deixando nossas crianças pelo caminho para tentar intimidar quem na verdade nos intimida, o Vasco! Que papelão! Fomos obrigados a ouvir do Eurico Miranda, a quem DETESTAMOS, que quem demarca território e não cumpre é cachorro. Ou seja, por culpa da brilhante ideia de algum idiota da direção do clube, restou-nos latir apenas.

Fico eu imaginando o que seria de nós se as arbitragens não roubassem nosso rival em 14 pontos no Campeonato Brasileiro de 2015. Aqui na Gávea nós sabemos perfeitamente que com a metade dos garfos o rebaixado seríamos nós em 2015.

Mesmo com essa proteção absurda que recebemos ano a ano, como ocorreu no Campeonato Brasileiro de 2016 outra vez (enquanto vocês tomaram outro grafo na Copa do Brasil diante do Santos), mesmo com o valor de ganho que acumulamos após a passagem da oposição atual do Vasco no poder, quando o humilhamos com 10 vitórias contra três em 22 jogos, com cinco títulos oficiais contra um apenas do rival, com quatro turnos ganhos contra nenhum deles (9 x 1 no total), ainda não aprendemos que o Vasco com Eurico é outra coisa. Não é um ódio gratuito. Há motivo. E como há.

E no Basquete? Como é possível? O Basquete estava dominado! Vem esse porcaria do Eurico e acaba com nossa festa? Como assim? Agora para ganhar Campeonato Carioca tem que contar com Federação, polícia, impunidade, porque na quadra mesmo, mais derrotas do que vitórias na temporada. Onde nós estamos?

Ficamos preocupados quando o Eurico voltou a assumir o Vasco, mas não imaginávamos que o nosso calvário seria tão doloroso.

O cara conseguiu bater seu próprio recorde de invencibilidade nos jogos nossos contra o Vasco. Diferentemente de você não vimos como cagada do Eurico a primeira vitória do ano no estádio onde quando entramos, percebemos quem é, de fato, superior. Havíamos sido eliminados de duas competições no ano passado pelo Vasco e temíamos (é incrível, mas voltamos a temer o Vasco, após fazê-los de gato e sapato por mais de seis anos) o pior. Nosso enterro em Manaus com o Rodrigo nos sacaneando foi muito, mas muito humilhante.

E por falar em invencibilidade, é claro que a imprensa não se manifestou, é claro que ficamos quietinhos, fingindo não ter acontecido, mas o Vasco este ano bateu o recorde de invencibilidade da nossa história, com 34 jogos. Nós ficamos 33 em 1978/1979 (embora tivéssemos 19 amistosos junto, para dar volume). Isso aí eu achei que vocês jamais conseguiriam superar. Malditos!

Não ganhamos qualquer título nesses dois anos. Os caras ganharam dois estaduais em dois anos. E nós temos o Rodrigo Caetano, cheio de credenciais, dadas por vocês aí do Vasco mesmo.

Tivemos um trabalhão para empatar com eles em campeonatos invictos. Lembro-me da raiva que tive após ter de aturar um Campeonato Carioca, o de 1992, na torcida visitante em São Januário, onde com a perda de um turno e a invencibilidade garantida ao final do outro fui testemunha ocular de duas festas daqueles vascaínos.

E logo depois esse desgraçado do Eurico manda pôr na parte de fora das cabines de rádio “Pentacampeão Carioca Invicto” só para nos humilhar, afinal nós não éramos penta de nada. Mas sabe por que? Esse mesmo desgraçado falou que nós fôramos campeões brasileiros, antes da disputa do quadrangular previsto para 1988 (assinado por ele o cruzamento em nome do Clube dos 13), mas depois que a Justiça Comum deu o título ao Sport passou a defender isso, nos fazendo de otários.

Olha, eu tenho muita bronca desse Eurico. E digo mais. Tenho também desse tal de Cristóvão. No Vasco ele nos eliminou de dois turnos em 2012, mas no Flamengo perdeu duas vezes para eles, ano passado, nas duas partidas que dirigiu o nosso time. Esse cara, dirigindo o Atlético-PR, depois de sair da Gávea, aplicou 3 x 0 em nós. Em 2016, já no Corínthians, nos fez cair de quatro. Detesto também essa figura. Queríamos que vocês trouxessem o Luxemburgo, Ney Franco, Abel Braga, caras que como treinadores fizeram história na Gávea ou lá com o nosso papai, Fluminense.

Fiquei também envergonhado quando após cair de quatro nosso presidente reclamou da arbitragem contra o Corínthians. Mas essa pressão que fazemos todo ano por parte da nossa torcida é o que impulsiona o “roubado é mais gostoso”. Sabe como é, né? Nossa cara de pau é infinita. Nós dizemos que o Eurico isso, que o Eurico aquilo, mas quem arma mesmo somos nós. Desde as papeletas amarelas em 1986.

Se esse câncer para o Flamengo não aparece, nós continuaríamos fingindo que éramos a gestão exemplar. Mas o encosto começou a pagar salários de atletas e funcionários em dia, inclusive os atrasados da outra gestão, a fazer e cumprir acordos, pagar impostos após a turma amarelona passar pelo nosso rival e deixar 400 milhões a mais de dívidas em seis anos e meio quase. Aí não tivemos mais como sustentar o discurso, afinal atrasamos um mês de salário em 2015, um mês em 2016, chegamos a ficar devendo 10 meses de direito de imagem ao Mugni e nosso ex-técnico Dorival Júnior (outra que poderia ter vindo para vocês) cobra 12 milhões na Justiça porque o demitimos irresponsavelmente em 2013. Gostaríamos que esse gordo nos desse uma pequena chance de mostrar como é incompetente para podermos ter como argumentar por aqui, mas não adianta. O cara acabou com o nosso discurso. Valha-me imprensa! Nos resta ela e também a oposição do Vasco para fingir que isso não está acontecendo.

Não posso, entretanto, prometer a você que deixaremos de fazer mais fiascos no campo do adversário. Já temos a nossa vergonha particular de não ter campo próprio para atuar, mas nosso presidente teve ainda que engolir e seguir com o rabinho entre as pernas para o maior estádio particular do Rio de Janeiro no Estadual deste ano. Aliás, para nós, São Januário é estádio apenas para jogos contra pequenos no Campeonato Carioca, embora estejamos sendo menos que pequenos quando enfrentamos o Vasco.

Posso dizer que torci muito contra o Vasco na Série B, já no final. Aqueles últimos 11 jogos, quase dois meses, não apagaram todas as humilhações sofridas por nós ao longo dos anos, mas foram um sopro de esperança para 2017. Foi também um delírio para todo rubro-negro ver a torcida do Vasco, em coro, xingando seu presidente na partida contra o Ceará. Diante dos micos intermináveis que estamos pagando em 2016, inclusive o cheirinho de fedor, fruto dos nossos sonhos cândidos de conquista, aquilo foi um alento.

Mas essa realidade vista no final do ano também não foi boa para nós. Se o Vasco simplesmente se mantém por mais 10 rodadas em primeiro na Série B, que liderou por 28, os problemas de produção vistos em vários atletas seriam obscurecidos pelos resultados. Nós levamos bailes em sequência daquilo que aqui na Gávea ficou conhecido como “velharia predadora de urubus” e vibramos com a queda de rendimento de vários trintões do Vasco ao fim da temporada. Mas e agora? Ficou nítido o problema, diagnosticado, e quem está arriscado a pagar o pato novamente no ano que vem? Pois é. Nós. Outra vez.

Em 2017 contamos com vocês, vascaínos com cheirinho de intolerância ao presidente. Afinal fomos parceiros por mais de seis anos na gestão MUV/Amarela. Parceria que deu muitos frutos a nós, enquanto pintávamos e bordávamos com o Vasco e o ridicularizávamos, porque no enfrentamento vocês eram fichinha.

Resumindo, prometemos não fazer a mesma vergonha de 2016 em 2017. Teremos duas oportunidades para igualar o Vasco no ano que vem. Buscaremos o hexacampeonato invicto no Estadual, título que só o clube de vocês possui e o Bicampeonato Sul-Americano, que aqui no Rio também é privilégio só do Vasco. Mas vencer uma partida ao menos do nosso algoz é prioridade na Gávea. Nós disfarçamos, estamos em silêncio, mas não engolimos essa situação.

Gostaria de poder dizer saudações hexas, mas até na despedida o Eurico nos ferrou. Os hexas são vocês, sem discussão. Contamos com a oposição do Vasco para virar esse jogo a nosso favor.

Vicentino Eterno (mais conhecido como vicezinho)

Sinal Fechado – Encontros E Despedidas

“Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe…
Quanto tempo… pois é…
Quanto tempo…”

O tempo parou, o avião caiu, a garganta fechou. Saindo de casa às 7 pra levar filha na escola como no cotidiano do pão-com-manteiga de sempre, o porteiro chama de sopetão e esbaforido: “caiu… o avião da Chapecoense caiu!”. Vou ver um pouco da tv com ele, recebo as primeiras notícias gravíssimas e fico num misto de perplexidade e tristeza relembrando a fábula da pequena equipe que alça voo rapidamente em busca de títulos impossíveis.

Esposa desce de elevador, seguimos para o carro, rapidez pra chegar ao destino, rádios aos montes (não) dão conta do acidente aéreo. Vou catando os nomes jogados por locutores catatônicos: Caio Júnior, Bruno Rangel, Kempes, Josimar, Thiego, Cleber Santana, Mário Sérgio, Deva, Paulo Julio Clement, Victorino Chermont, vários da imprensa, convidados,… Eis que surge um nome aparentemente vivo no meio da consternação radiofônica: Danilo. Sorrio com a compensação pouca, falo de lado: “baita goleiro, ele que defendeu a bola que os levou pra final”. Penso no meu pai com câncer, operado há poucos dias, criado no Oeste de Santa Catarina. Lembro por alguns segundos num sinal fechado qualquer do trânsito do nosso papo no hospital sobre o timaço do Torino que teve seu drama aéreo na Colina de Superga, em 49. O nome do goleiro deles, Bacigalupo (quando moleque, adorava esse nome das histórias paternas; quando ia pro gol nas peladas, me imaginava o tal italiano do esquadrão). Faço uma ponte entre os dois arqueiros. A mistura clássica inconsciente faz das suas e sigo viagem liquidificando imagens infantis às atuais.

O dia passa com buscas vastas por notícias, papos melancólicos em grupos de Whatsapp, olhadelas no Facebook, indicador subindo e descendo tela do Twitter. O choro é geral e em várias tonalidades. Fala-se do conto de fadas espatifado ao meio, do Davi contra Golias, de como aquele time catarinense era tão simpático aos olhos de todos. Na hora do almoço, as esquinas vão jorrando bocados da tragédia sem lá muita ordenação e temperando as teorias de engenharia sobre como ocorreu a queda. Todos falavam sobre futebol, destroços, pane seca, companhia pequena, Bolívia, Venezuela, a morte ou não de Danilo, da grandeza do Nacional de Medellín em desejar dar o título à Chape. Não havia piada, uma mísera piada. Para um povo tão ligado à zoeira como esporte em quaisquer áreas, era assombrosa a capacidade de lidar com o assunto de um modo novo e cuidadoso. Entre grupos, se pedia para que não se colocassem fotos da tragédia como abutres fizeram tantas outras vezes (em redes diferentes de comunicação): Mamonas, Onze de Setembro, atos terroristas outros e qualquer banalidade diária carioca. Houve um respeito por horas, dias. Nenhum meme deu as caras na era da comunicação cada vez mais onomatopeica e primária em que escrever textos além de três frases é quase um acinte.

“Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo… pois é… (pois é… quanto tempo…)”

Os minutos foram céleres na terça melancólica. Danilo foi dado como morto, os sobreviventes e suas lesões foram sendo nomeados com mais precisão, notícias de homenagens dos quatro cantos do mundo nasciam aos borbotões. Minutos de silêncio, “todos somos chape”, “força chape”, escudos brasileiros todos em luto e identificados como um só: Associação Chapecoense de Futebol, em preto e branco. As redes sociais fizeram a vez da praça pública, do encontro entre abraços chorosos de antigamente. Enquanto isso, na Arena Condá, em Chapecó, território marcado pelos feitos da equipe quase toda extinta no voo para Medellín, os torcedores, simpatizantes e familiares das vítimas iam se unindo para o velho rezar de velas na mão em meio a cânticos.

Bailavam na mente vários significantes como “morte”, “futebol”, “fim” e “lenda”. Em poucas horas, percebi que estava diante de algo gigantesco. Passaram terça, quarta, quinta,… Coberturas com especialistas em acidentes aéreos, comentaristas esportivos lamentando a morte de colegas de profissão, âncoras tentando extrair o máximo de entrevistas, boletins médicos de sobreviventes e mortos, postagens nas aceleradas redes sociais de inúmeras celebridades do mundo do futebol, um palavrório sem fim para dar conta do indizível do corte abrupto do sonho. A metáfora mais repetida era de que “iriam conquistar a América e acabaram por conquistar o Mundo”.
Talvez o momento mais generoso e simbólico dessa suspensão do tempo que vivemos foi a incrível celebração confeccionada com um capricho e um cuidado admiráveis pela cidade de Medellín no Estádio Atanasio Girardot que seria palco do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana entre o time da casa, Atletico Nacional de Medellín e a briosa Chapecoense, na quarta-feira. Todos que pagaram por um ingresso para aquilo que seria mais uma partida de futebol acabaram assistindo a uma cerimônia fúnebre de poesia única por unir povos, culturas e dores. Velas e flores entrelaçadas às mãos, camisas brancas, bandeiras verdes tanto do time local quanto do catarinense pintavam o quadro da noite de comunhão de uma humanidade perdida há tempos num baú qualquer empoeirado da civilização.

Foi uma semana inteira daquela angustiazinha dolorida a tomar o ofício diário e as tarefas mais comezinhas. Só pensava no voo da famigerada Lamia, no antes, no durante, no depois que não é mais depois. No tempo que parou. Conversei com toda sorte de gente para compartilhar figurinhas: “troca aqui minha ansiedade carimbada por uma náusea repetida?”. Todos, sem exceção, falavam da Chapecoense.

Todos, sem exceção, de repente, sabiam quem era Alan Ruschel, Jackson Follmann e Neto, sobreviventes da tragédia, o goleiro Danilo e sua defesa milagrosa na semifinal que virou poema e destino, a paternidade recente do Thiaguinho, dos que não voaram por problemas banais e choravam agora nas tvs. Todos eram torcedores do Verdão do Oeste Catarinense, já sabiam de cor sobre a mística da Arena Condá e o pequeno mascote Indiozinho.

No sábado pela manhã, chuva torrencial em Chapecó a receber dezenas de caixões vindos da Colômbia. O momento nevrálgico da devastação iniciava: o velório com os corpos de cinquenta pessoas no campo da Arena Condá lotada. Tvs, rádios, sites mostravam cada quilômetro percorrido pelas carretas e os esquifes. Narrações, comentários e ofício profissional do jornalismo à beira das lágrimas frente ao microfone de trabalho. Não foram poucos os exemplos de repórteres que embargaram a voz, gaguejaram, choraram, se humanizaram. Estávamos diante de algo inédito: um episódio que chocava até os mais veteranos no papel de contar uma história, qualquer que fosse. Antes do sábado, a cena mais emblemática da cobertura da mídia e do caso em si foi o abraço maternal de Dona Ilaíde, mãe do goleiro Danilo, no repórter da SporTv, Guido Nunes. Num amparo que destruía qualquer lógica, a mãe sem filho consolava um representante da imprensa por seus vinte mortos. Rodou o mundo o abraço generoso, símbolo de uma semana única, triste, plena de ruínas, mas demasiadamente humana.
Entravam no estádio, então, os mortos de Chapecó e do mundo. Não eram só os heróis da Chape. Eram mais, muito mais. Cinquenta idas e vindas de oficiais carregando féretros às famílias e o mundo assistindo boquiaberto uma sucessão de angústias, berros, aflições, choros desbragados, cânticos entoados pelas arquibancadas, discursos aos microfones, quadros com fotos de jogadores levantados como troféus a dar volta olímpica e um sentimento inenarrável de empatia, compaixão. Conquistaram a América e o mundo. Por uma semana, nos compadecemos, nos entregamos a tentar entender o outro, o mínimo que fosse.

“Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal …
Eu procuro você
Vai abrir…
Por favor, não esqueça,
Adeus…”

Passou o sábado, a noite escureceu sobre os caixões que restaram ali na Arena Condá. Alguns já tinham voado para serem velados e passar por rituais fúnebres em suas cidades. Passou domingo, segunda e uma semana inteira desde o choque. Todos sepultados, chorados, arranhados, tocados com mãos crispadas a desejar que não fossem para sempre. Enquanto isso, aqui e ali, jornais impressos, mesas-redondas já entoavam a mesma ladainha num misto de tristeza com faxina de serpentinas de fim de carnaval. O “Vida que segue” de João Saldanha virou vírgula pro bem e pro mal. Para se falar de vida, morte, na crença religiosa de cada um ou para desabotoar as falas guardadas por dias sobre Brasileirão, rebaixamento, quem vai para a Libertadores, novos técnicos, como fica 2017 e os ingredientes batidos de sempre. Os encontros com a humanidade, essa vizinha desaparecida, foram escoando pelo ralo pouco a pouco. Enquanto escrevo essas letras, começa um Grêmio x Atlético-MG valendo a Copa do Brasil de 2016. Dizem que o show deve continuar, mas as despedidas solenes, lindas, inesquecíveis da semana que passou não mereciam ser tão fugazes.

Escutando “Sinal Fechado” e seu desconforto desde os primeiros acordes, silêncios cirúrgicos, seu encontro à beira do desencontro, achei a trilha sonora pra angústia que sobrou dos destroços. Enquanto muitos parecem seguir a vida e deixar as vestes do luto ao chão, pois é preciso “seguir a vida”, penso na tensão da música, no desencontro inevitável, nessa relação contemporânea cada vez mais ensimesmada e que de vez em quando tem seus soluços, seus sinais fechados, para abraçar, velar, escrever obituários e chorar. Lágrimas com prazo de validade. Afinal, já se passaram oito dias e as buzinas já estão bufando ali atrás. Não há “timing” para se escrever sobre isso. Porém, a pena aqui se deita no papel de teimosa, o tempo dela nada tem de cronológico. Sou um atrasado crônico, meu tempo é outro.

Diante de tantos aprendizados na última semana, desse eterno vai-e-vem e a plataforma da Estação como metáfora da vida, como na genial música do Milton, só nos cabe ter tempo de calar, chorar, vivenciar as perdas, acalentar feridas abertas, abraçar quem (se) perdeu, sorrir pela generosidade de tantos. Sabermos de que há sim, por mais que o mundo contradiga diariamente, um tempo de espera, de suspiro, de bálsamo, da escuta curiosa e detalhada, do cuidar do outro. Há o outro.

Não tampemos como máquinas ditadas por um relógio tirânico a tampa dos caixões, não devolvamos aos lenços as lágrimas choradas por viúvas, não pensemos em campeonatos, escalações, em rebaixamentos, em tapetões e vilezas. Isso haverá, é da humanidade seguir ao tropeções. Uns seguem sem parar um segundo para olhar para trás, outros demoram um bocadinho mais à beira do jazigo confortando-se com uma prece ou uma conversa amena.

Contudo, que tudo que se fizer por dias, meses, anos a fio sejam crivados por saudade e solidariedade no mundo do futebol e fora dele. Que o luto e a memória do que ocorreu nos últimos oito dias não sejam enterrados na cova rasa dos indigentes.

“Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai
Pra nunca mais… A hora do encontro
(…)
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida…”

Rafael Fabro

Pré-Conceito

Inicialmente solicito ao novo treinador do Vasco, Cristóvão Borges, que ignore os urubus de plantão.

A repulsa a seu nome como novo técnico cruzmaltino por parte de muitos torcedores é ato dos mais ilógicos, não tem respaldo em resultados obtidos por ele no próprio clube, enquanto manifestações de alguns “ditos” entendidos na mídia a seu respeito beiram a intolerância.

Cristóvão é técnico de futebol profissional há apenas cinco anos, dirigiu tão somente equipes de primeira divisão (Vasco, Bahia, Fluminense, Flamengo, Atlético-PR, Corínthians) e suas passagens por elas, principalmente no decorrer de Campeonatos Brasileiros, não deixam dúvida de que incompetente não é.

No Vasco só não conquistou o Campeonato Brasileiro de 2011 em função da arbitragem, porque se no turno a equipe comandada por Ricardo Gomes teve um equilíbrio entre ganhos e perdas de pontos oriundas dela, no returno foi indecente o feito contra o time de São Januário. Um benefício, curiosamente diante do Corínthians, e vários prejuízos, contra Figueirense, Internacional-RS, São Paulo, Santos, Palmeiras e Flamengo, fora outros em jogos nos quais o Vasco venceu.

Era na ocasião um treinador inexperiente e diante disso alguns erros claros cometeu, mas também teve méritos em partidas nas quais o Vasco engoliu seus adversários. Justiça seja feita também ao presidente Eurico Miranda, que na época defendeu por diversas vezes o treinador no programa Casaca! no Rádio, citando inclusive como mérito de Cristóvão a vitória sobre o Fluminense na penúltima rodada do Brasileiro, pela participação de Alecsandro no gol assinalado por Bernardo, como fruto de orientação técnica/treinamento para tal jogada ter saído.

Era evidente que a concentração e união da equipe cruzmaltina, sentindo-se motivada a dar o título a Ricardo Gomes após seu grave problema de saúde, ajudou muito a que o trabalho fosse feito por todos sem grandes problemas, mas no ano seguinte, diante de um quadro extremamente difícil, o treinador conseguiu durante cerca de oito meses manter o Vasco num patamar digno de sua grandeza.

Na Taça Guanabara daquele ano, o Gigante da Colina venceu todas as partidas, até perder na decisão para o Fluminense, que viria a ser o Campeão Carioca e Brasileiro da temporada. No returno (Taça Rio) nova derrota na final, desta vez para o Botafogo, atuando fora de casa e com participação da gandula alvinegra no primeiro gol da partida. Duas das três vitórias vascaínas contra o Flamengo em 22 jogos do período do MUV no clube foram obtidas naquele ano, ambas em jogos de mata-mata.

Em 2012 O atleta Bernardo foi comprado e logo após entrou na Justiça do Trabalho contra o clube, os atletas se rebelaram e aboliram a ideia de se concentrar na véspera da estreia na Taça Libertadores da América, em nenhum momento naquela temporada os salários foram pagos em dia (motivo pelo qual não houve concentração do plantel na ocasião citada acima), e chegou a faltar água em São Januário no mês de setembro daquele ano, oito dias após o treinador ter pedido demissão.

Depois de o Vasco chegar à semifinal da Copa Sul-Americana em 2011, o clube parou no Corínthians, nas quartas-de-final da Taça Libertadores do ano seguinte em confronto dos mais equilibrados. O adversário, por sinal, conquistaria não só aquela competição, como o Mundial Interclubes no fim da temporada.

O começo da equipe vascaína no Campeonato Brasileiro de 2012 foi exemplar e as negociações sequenciais de Allan, após a terceira rodada, Rômulo, após a sétima, Fágner e Diego Souza, após a décima primeira, mais a insatisfação geral do grupo, que parou de acreditar nas lorotas ditas pela direção do clube a Juninho e reverberadas por este na imprensa e para companheiros sobre acertos salariais, principalmente após a saída de quatro dos principais atletas do elenco, levaram o time a uma queda nítida de produção.

Cristóvão assumiu a direção técnica do elenco em quarto lugar na tabela de classificação, um ponto à frente do quinto, após a virada do turno em 2011, e deixou o Vasco também em quarto, dois pontos à frente do quinto, após quatro rodadas disputadas no returno de 2012, tendo sido líder o próprio Vasco em 8 rodadas no somatório das duas edições. Na sequência do Campeonato Brasileiro de 2012, Marcelo Oliveira, técnico Bicampeão Brasileiro pelo Cruzeiro em 2013/14, suportou apenas 11 jogos no comando, enquanto o interino Gaúcho dirigiu o clube por mais quatro partidas no fim do certame, terminando o Vasco na quinta colocação, a 8 pontos do quarto colocado, São Paulo.

Tudo o aqui narrado deveria ser suficiente para uma saudação otimista em seu retorno à casa de origem como treinador, afinal não é fácil dirigir um clube no campo, com tantos problemas fora dele e acúmulos de insatisfação coletiva no plantel.

Cristóvão treinou o Bahia no ano seguinte, terminando o Campeonato Brasileiro na décima segunda colocação. O tricolor baiano não mantinha um mesmo técnico durante toda a competição desde 2001 e o novo treinador teve de lidar com uma briga política interna pelo poder das mais renhidas, com direito a uma intervenção na presidência do clube baiano. Com ele, pela primeira vez a equipe de Salvador ficou uma rodada no G4 na era dos pontos corridos e apesar de inúmeros problemas vividos conseguiu o comandante impedir o rebaixamento do clube à segunda divisão, obtendo 43,7% dos pontos possíveis na competição. A garantia da permanência na Série A se deu matematicamente na penúltima rodada, após vitória sobre o Cruzeiro, já campeão, num Mineirão quase lotado (pouco menos de 50 mil pagantes), no jogo da entrega da taça, por 2 x 1.

Em 2014 assumiu o Fluminense semanas antes do início do Campeonato Brasileiro e terminou o principal certame nacional com o time em sexto lugar e a renovação do contrato garantida para o ano seguinte, durando seu vínculo com o tricolor até março, quando foi demitido após campanha irregular no Estadual.

Em 2015 pegou o Flamengo na quarta rodada da competição, após a equipe ter somado até ali apenas um ponto em três partidas. Sua performance não agradou, com 8 vitórias, 1 empate e 9 derrotas entre Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil (competição na qual obteve uma vitória e uma derrota). Seu substituto, entretanto, o elogiadíssimo Oswaldo de Oliveira, teve rendimento parecido. Somou 8 vitórias, 3 empates e 9 derrotas (na Copa do Brasil apenas um empate).

Nas últimas nove rodadas do Brasileirão 2015 dirigiu o Atlético-PR e colheu 3 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, derrotando, inclusive, o Flamengo de Oswaldo de Oliveira por 3 x 0, motivando a que a equipe paranaense o mantivesse para o início da temporada de 2016 pela performance alcançada. Mesmo com média de aproveitamento superior a 50% dos pontos conquistados, em 20 jogos disputados, foi demitido do Furacão em março, após quatro partidas sem vitória.

Finalmente em junho deste ano coube a ele a duríssima missão de substituir o técnico da Seleção Brasileira Tite, que já havia fracassado em seu trabalho no Corínthians tanto na Taça Libertadores, como no Campeonato Estadual. Cristóvão assumiu o plantel na décima rodada do certame (em quarto lugar), mas não ficou três meses no comando da equipe paulista (7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, mais um empate em 1 x 1 contra o Fluminense, fora de casa, pelo jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil) e a deixou em quinto na tabela. Hoje o time do Parque São Jorge está em sétimo.

Contabilizando apenas jogos em Campeonatos Brasileiros, dirigindo os seis clubes nos quais esteve, são no total 66 vitórias, 43 empates e 51 derrotas, ou seja, 50,2% dos pontos disputados. Considerando o aproveitamento dos clubes no Campeonato Brasileiro de 2016 na primeira divisão, o sétimo colocado na competição possui 49,5% de aproveitamento, enquanto o quinto e sexto colocados obtiveram até aqui 50,5% dos pontos disputados.

O clima criado contra Cristóvão Borges fora do clube, fomentado por politiqueiros de plantão, é na verdade o único problema do treinador. Nada tem a ver com sua competência ou seus resultados, mas sim com o pessimismo disfarçado de uns e crônico de outros. Muita análise psicanalítica a todos e a certeza de que uma frase ouvida por mim e rapidamente absorvida este ano, tem tudo a ver com o comportamento de diversos em vários momentos: “É muito mais fácil empurrar para baixo do que puxar para cima”. E podem ter certeza, isso não tem nada a ver com rebaixamento ou subida de divisão.

Boa sorte, Cristóvão. Que venha o primeiro título de muitos no Vasco. Que você possa fazer um belo papel no nosso clube e tenha tranquilidade interior para exercê-lo. De nossa parte fica uma mensagem de apoio e confiança no seu trabalho.

Sérgio Frias

Jogando contra

Nada justifica as matérias em sequência veiculadas pelos sites O Globo.com e Extra no assunto Copa do Brasil anteontem.

A primeira estatística que serviu como enredo para uma publicação diz respeito à dificuldade de o Vasco reverter placares desfavoráveis nos jogos de volta da Copa do Brasil.

Em 16 oportunidades nas quais perdemos o jogo de ida, obtivemos a classificação no jogo de volta quatro vezes, diante de Santa Cruz (1994), Atlético-MG (1995), CSA (2002) e Bahia (2003).

Noutras três vezes devolvemos o placar do jogo de ida, mas perdemos a vaga nos pênaltis ou no chamado “gol qualificado”, marcado fora de casa contra nós, fato ocorrido contra Sport (2008), Vitória-BA (2010) e Goiás (2013).

O poder de reação do Vasco, mesmo insuficiente para a obtenção de classificação, também se fez presente em 1997 e 1999, ocasiões nas quais após perder o primeiro jogo por diferença de 2 gols o clube obteve na partida de volta uma vitória por um gol de vantagem.

Em cinco oportunidades o Vasco, após perder a primeira partida, empatou a segunda, fatos ocorridos contra o Cruzeiro (1993, 1996, 1998, 2003) e São Paulo no ano passado. Apenas duas vezes a equipe perdeu os dois confrontos, em toda a história, contra o Corínthians em 1995 e o Flamengo em 2006.

Ressalte-se que nas tais disputas (e isso daria uma boa matéria) o Vasco foi prejudicado em lances capitais por cinco vezes e foi beneficiado numa ocasião apenas.

Se em 1994 o Santa Cruz teve um gol mal anulado em São Januário e o Vasco outro, o que não alteraria em nada a classificação cruzmaltina, por quatro vezes a vaga, a possibilidade de levar a disputa para os pênaltis, ou mesmo o impedimento de duas derrotas nos dois embates teve na arbitragem um fator de desequilíbrio.

No ano de 2003 um pênalti claro sobre Edmundo aos 24 minutos do 2º tempo foi ignorado pela arbitragem, quando o placar de 1 x 1 (que seria o resultado final) permanecia. No jogo de ida a equipe mineira havia vencido por 2 x 1.

Em 2006, na segunda partida da decisão, aos 41 minutos do 1º tempo Wagner Diniz sofreu pênalti não assinalado, quando o Vasco perdia para o Flamengo por 1 x 0, o que seria o placar final da partida. No jogo de ida o rubro-negro vencera por 2 x 0.

Em 2008 um gol mal anulado, marcado por Leandro Amaral diante do Sport, quando o confronto estava empatado em 0 x 0, seria decisivo para a classificação do Vasco, visto que a equipe faria ainda 2 x 0 no marcador mais adiante e com o placar de 3 x 0 chegaria à final da competição.

Finalmente em 2013, após derrota para o Goiás por 2 x 1 no jogo de ida, o Vasco vencia pelo mesmo marcador no embate da volta, ainda na primeira etapa, e um gol de Luan foi mal anulado na ocasião. No segundo tempo cada equipe faria mais um gol e o Vasco se veria eliminado da competição por ter levado em casa dois gols e feito fora apenas um. Caso a vitória se desse por 4 x 2, considerando a validação do gol legal marcado por Luan, a vaga seria vascaína.

Um outro dado garimpado, desta vez pelo site oglobo.com, diz respeito ao número de vezes em que o Vasco venceu por dois gols de diferença seus adversários neste ano, o mínimo necessário para obter a vaga às quartas-de-final hoje contra o Santos (dependendo é claro do número de gols que tome do oponente).

Para levar o vascaíno a imaginar ser a diferença de dois gols algo difícil de se acreditar como possível pegou-se como referência a Série B e ignorou-se por exemplo, o Estadual.

Em primeiro lugar, ganhar de 2 x 0 e ter que ganhar de 2 x 0 são coisas distintas. Se basta muitas vezes ao clube ganhar, pouca diferença faz o saldo de gols da partida.

O Vasco este ano venceu 32 das 51 partidas que disputou. Para começar marcou ao menos um gol em 49 delas.

Fora isso, o clube venceu por dois gols ou mais de diferença 11 das 32 partidas nas quais conquistou vitórias. Uma a cada três, arredondando.

E vale destacar que nas partidas nas quais venceu o adversário por um gol de diferença (21 vezes), construiu a vantagem mínima por cinco vezes na primeira etapa. Ou seja, em metade das 32 partidas vencidas pelo Vasco no ano ou o clube obteve a vantagem de dois ou mais gols de diferença ou já teve metade do caminho percorrido antes do intervalo. Convenhamos que se a matéria do oglobo.com fosse mais rica em detalhes a motivação dada ao torcedor vascaíno seria lógica.

Finalmente a infelicidade completa se deu numa matéria veiculada segunda-feira à tarde, num dos sítios eletrônicos ligados às Organizações Globo que tinha como título a seguinte frase: “Bilheterias vazias” e uma foto referendando a manchete.

Mas a torcida vascaína, desfazendo de tudo isso e do comentário absolutamente infeliz do ex-atleta Edmundo no canal Fox Sports sobre o comportamento da massa cruzmaltina (não nos interessa as outras torcidas) em momentos ruins do time e nos momentos bons, encherá São Januário hoje para torcer pelo Bicampeão Carioca Invicto, pelo time que permaneceu sete meses invicto, entre 2015/ 2016, pela equipe do craque Nenê, do craque Andrezinho, da melhor zaga do Rio de Janeiro, da revelação Douglas Luiz, do veloz Madson, do imprevisível, Yago Pikachu, do seguro Martin Silva, do experiente Julio Cesar, que poderá eventualmente ser substituído pela promessa Allan Cardoso, do eficiente Éderson, de volantes e atacantes outros instáveis, mas que podem crescer na hora certa, como todos nós torcemos.

Por outro lado, torcemos também para que o Vasco hoje não experimente qualquer prejuízo de arbitragem capaz de retirá-lo da Copa do Brasil, pois na competição até aqui dois erros capitais foram cometidos contra o clube, em fases anteriores, mas diferentemente do Campeonato Brasileiro, quando para fazer o clube cair foram necessários 14 pontos de tunga (até nos garfando em 11 não cairíamos), na Copa do Brasil um único erro capital pode pôr tudo a perder e nós torcedores estaremos no estádio cobrando de quem é neutro, neutralidade, afinal a arbitragem é regiamente paga exatamente para demonstrar isso em campo, cumprindo as regras do jogo. Nada mais.

Em oposição à maré midiática novamente jogamos contra. Contra o pessimismo e um quase “já perdeu”, exposto de forma quase desavergonhada em textos nos quais o fomento ao desânimo dos vascaínos mostra-se evidente e incoerente, levando-se em conta matérias entusiasmadas a favor de quem este ano foi eliminado da mesma competição pelo Fortaleza, no Estadual pelo seu carrasco Vasco (por 2 x 0), e mesmo com cinco pontos a mais na balança por conta de arbitragens jamais liderou o Campeonato Brasileiro, que tem cheiro verde.

Sérgio Frias

Comparações

 

Muitas reportagens têm sido veiculadas sobre a presença de público nos jogos do Vasco nesta desinteressante Série B, que o clube só disputa por ter sido garfado em 14 pontos no Campeonato Brasileiro do ano passado (se nos garfassem em “apenas” 11 não teríamos caído).

No Campeonato Carioca deste ano, o Vasco nos jogos em São Januário teve os seguintes públicos pagantes desde a primeira rodada da competição, excluindo clássicos:

31/01 – Vasco 4 x 1 Madureira – Público Pagante: 7.905
10/02 – Vasco 2 x 0 Volta Redonda – Público Pagante: 4.986
25/02 – Vasco 2 x 2 Friburguense – Público Pagante: 2.180
13/03 – Vasco 2 x 0 Bangu – Público Pagante: 3.943
03/04 – Vasco 1 x 1 Volta Redonda – Público Pagante: 4.443
09/04 – Vasco 1 x 0 Madureira – Público Pagante: 4.329
Média de público: 4.631

Se incluirmos os três clássicos realizados em São Januário no estadual a média aumenta ainda mais e chega a 6.205 pagantes por jogo.

Na Série B deste ano, a segundona, o Vasco passeia desde a sua estreia e até por isso relaxou em vários jogos, mas sem que deixasse de ser líder numa rodada sequer. Enquanto havia ainda a manutenção da invencibilidade histórica do clube, iniciada em novembro de 2015 e encerrada sete meses depois, os vascaínos ainda compareciam de forma razoável. Na quarta rodada contra o Bahia, a maior presença de público pagante na competição em jogos realizados no estádio de São Januário: 7.757 torcedores.

Após a derrota para o Atlético-GO em Cariacica foi perceptível o total desinteresse do público numa competição em que quando o Vasco ganha é “obrigação”, quando empata é “resultado ruim” e quando perde é “vexame”.

Exageros à parte, o fato é que após a derrota para o Paysandu (a primeira em São Januário na temporada), jamais o público pagante chegou a 5 mil torcedores em sete oportunidades e nas mais diversas circunstâncias.

Como justificar, por exemplo, a presença de 3.035 pagantes apenas contra o Paraná, em partida válida pela 13ª rodada, quando o Vasco vinha de duas vitórias fora de casa, diante de Londrina e CRB (esta última com direito a golaço olímpico de Andrezinho)? Na ocasião a equipe comandada por Jorginho tinha cinco pontos de frente para o vice-líder e oito para o quinto colocado. O treinador chegou a dizer que contava com a presença de um bom público para o confronto diante da equipe paranista, mas nada levaria mais o torcedor cruzmaltino a frequentar São Januário em jogos da referida competição.

O time começou a cair de produção na Série B, desde a derrota para o Paraná, mostrando clara falta de motivação, e colheu nos últimos 14 jogos do certame 5 vitórias 5 empates e 4 derrotas. Algo desproporcional se consideradas as 12 primeiras partidas, nas quais foram obtidas nove vitórias, um empate e sofridas apenas duas derrotas.

A equipe é a mesma, os adversários não mudaram grande coisa, o Vasco é líder de ponta a ponta, mas o torcedor vê numa conquista de segundona algo sem a menor importância (no que concordamos), mas comprova, por outro lado, quão importante para o clube foi a conquista do Bicampeonato Estadual, ainda mais como este se deu, isto é, de forma invicta, bem como a importância dada à invencibilidade histórica alcançada neste ano.

De fato, a média de público nos 12 jogos realizados em São Januário pela Série B, até agora, alcança apenas 4.312 torcedores.

Nenhuma partida da segundona teve o público pagante da estreia do Vasco diante do Madureira no Estadual, ocasião na qual o ingresso de inteira na arquibancada custou R$50,00 e de inteira na social R$80,00.

Por outro lado, o menor público pagante em São Januário visto no Campeonato Estadual, diante do Friburguense, ocasião na qual atuamos com um time misto, ainda foi maior que duas das 12 partidas jogadas na Série B, no caso contra Vila Nova-GO e Joinville.

Espera-se, e teremos, um ótimo público para o jogo contra o Santos pela Copa do Brasil. Até aqui a média de público na competição é de apenas 3.689 pagantes.

Finalmente um último dado interessante:

No último título carioca invicto conquistado pelo Vasco antes deste, em 1992, quando a equipe composta por Carlos Germano, Luís Carlos Winck, Tinho (Torres), Jorge Luís, Cássio (Eduardo), Leandro Ávila, Luisinho, Carlos Alberto Dias (Geovani), Bismarck (William), Edmundo, Roberto Dinamite (Valdir) atuou 16 vezes em São Januário, disputando em seu campo os seis clássicos contra Botafogo, Flamengo e Fluminense, a média de público foi inferior a obtida no Estadual de 2016. Naquela oportunidade chegou a 5.857 pagantes, enquanto nesta temporada, em 9 jogos, alcançou 6.205 pagantes.

Casaca!

O Sentimento Parou?

“Penso que o ódio é um sentimento que só pode existir na ausência da inteligência..”
Tennessee Williams

Venho com muita tristeza acompanhando o fim do futebol como esporte de arte e jogadas geniais, o fim dos craques e o fim dos torcedores verdadeiros, aqueles que realmente colocavam o seu clube acima de tudo, acima de qualquer pessoa, na sua defesa intransigente da sua paixão.

Hoje tudo é profissional, até as torcidas organizadas possuem CNPJ, possuem sites, vendem produtos com a marca do clube, se beneficiam dele.

Particularmente sobre a torcida do meu clube, estou muito decepcionado, confesso, até envergonhado.

Eu que rolei na porrada nas ladeiras da Quinta chegando a cair no Lago em defesa da minha tese que Roberto era melhor que Zico, que Fio era merda perto de Valfrido, que torcia por um clube que mal vencia campeonatos, mas que ainda assim o defendia e não ADMITIA QUE NINGUÉM o colocasse abaixo daquilo que eu imaginava.

Foram muitas suspensões no Gonçalves Dias e depois Gaspar Viana (Hoje Nilo Peçanha) por brigar pelo Vasco. Por que decepcionado e envergonhado?

Desde guri presenciei torcedores do Vasco sendo sacaneados… time de português, manchetes de jornais tiravam sarros (até hoje) de qualquer derrota e nunca, NUNCA ninguém a contestar.

Éramos alguns guris, alguns rapazes isoladamente a defender sua paixão.

Éramos orgulhosos da nossa instituição, afinal, mesmo que não divulgado pela mídia, sabíamos sermos Campeões Sul-americanos, e fomos o primeiro do Rio a conquistar o Brasil e, marcas que sempre alcançamos que registram definitivamente as glórias do Vasco, CAMPEÃO DE TERRA E MAR NO ANO DO TRI. Eu lia isso com orgulho num velho ônibus Mercedes que possuíamos.

E tínhamos ainda SJ, apesar de praticamente fechado à jogos, mas com histórias inenarráveis de glórias esportivas, políticas e sociais.

Nossa torcida era discernida, era informada por aqueles que viram a história ser escrita, era a torcida consciente da verdade, da sua grandeza, da sua história.

No final dos anos 70, a balança começou a pender para um certo lado. Para um lado obscuro, um lado que até então nada de significativo havia ganho, salvo apenas uns “carioquinhas”, muitos com erros graves de arbitragens, outros com jogos em que sentavam em campo para minimizarem placares adversários.

Foi criada nessa época uma tal FAF, liderada por um expoente da comunicação televisiva (adivinhem?), um publicitário monopolizador das notícias e “reclames” divulgados antes das seções de cinema e de um gaiato, dono de cartório, que foi o marionete do Sistema que nos dias de hoje vão conseguindo seus intuitos, muito com a ajuda da NOSSA TORCIDA, isso mesmo, vascaínos, DA NOSSA PRÓPRIA TORCIDA.

Criada a FAF, em dois anos eles foram tri campeões ( 2= tri, assim como 5 = hexa ) e iniciou-se a maior série histórica de títulos que eles tanto se orgulham mas que, injustamente, negam reconhecimento ao principal artífice das vitórias nas quatro linhas, um jogador que sempre atuava de preto, as vezes de amarelo (que coincidência!) e carinhosamente chamado pela mídia de Zé, que mais tarde recebeu um emprego por serviços prestados ao Sistema e ao clube. Nascia a FAF, nascia o contra ponto, nascia o antídoto: EURICO MIRANDA.

Era apenas um assessor, mas o pé na porta da elitista FCF, já sendo transformada em FFERJ mostrou aos cartolas da zona sul que a brisa da beira mar se transformaria num furacão. A FAF conseguia seu projeto inicial, sua saída da administração do clube permitiu vitórias (?) a eles que não se repetiriam nos anos seguintes com a volta do antídoto, amargando dois tri vices campeonatos, e a mídia, o sistema e demais inimigos do Vasco viram uma LOCOMOTIVA invadir os ambientes outrora dominados por almofadinhas.

Foram mais de 20 anos de vitórias expressivas do Vasco, sem ajuda de árbitros, sem macetes em tabelas, apenas mostrando ao seu próprio torcedor que o clube não era o vasquinho, era VASCO DA GAMA (“-Não fiz o Vasco grande, apenas lembrei a ele o quanto era.”).

Um fantástico aporte financeiro, títulos e mais títulos.

Na mesma época, um movimento interno do clube, movidos pela inveja, articulava uma forma de evitar que um nome fosse definitivamente lapidado na história do clube, tal qual Ciro Aranha e José Prestes, homens que peitaram o sistema e em cujas épocas, somadas a de Eurico Miranda, somam os momentos de maiores glórias e conquistas esportivas, sociais e patrimoniais da Instituição Vasco da Gama. Era a inveja nascendo, que mais tarde se transformaria em ódio.

Ao mesmo tempo (coincidência?) o Sistema comprava todos os direitos televisivos de futebol do país e regionalmente fundava um jornal cuja capa já mostrava a cara rubro-negra, cujo editor chefe era um ex setorista do clube pego numa situação, digamos, constrangedora que o faz carregar a fama até os dias de hoje como o “Homem do Caramanchão”, isso dito pelos próprios colegas de imprensa.

Era um jornaleco de meia tigela, mas cujas manchetes enaltecendo as parcas vitórias e denegrindo as nossas, ganhava popularidade.

Mas era em vão. A Locomotiva não saía do trilho. Pouco antes um forra de gaiola, parceiro ferrenho do grupelho nascido pela inveja e transformado em ódio. Além deles vieram mais dois, cujos conteúdos pouco tinha para se ler. Eram mais imagens, pois sabemos que o grau de instrução de lá era bem próximo do zero, e desenhar era preciso.

Veio aquele fatídico jogo do São Caetano, uma luta titânica do clube (leia-se ELE) x sistema e nessa hora, os oportunistas se fizeram presentes. Se juntaram aos inimigos do clube, lutaram contra o mérito de um título cristalino conquistado em campo, deram apoio aqueles que sempre nos denegriram.

A decepção está aí.

A outrora discernida torcida do Vasco mostrou-se tão ignorante quanto a deles, acreditou no que ouviu, rejeitou o que viu, renegou o reconhecimento conquistado em campo e passaram juntos a compor um mosaico de horror, cujas vitórias são meras obrigações ou sem valor e que qualquer infortúnio é vergonha, humilhação.

Da mídia, nada a esperar, isso é antigo, lá no passado um certo radialista era obrigado a transmitir jogo sobre um telhado de galinheiro em dia de chuva, pois suas chacotas ao clube fizeram com que fosse IMPEDIDO de entrar em NOSSO ESTÁDIO.

Mas da nossa “TORCIDA”? Inadmissível ! Como pode um vascaíno torcer contra o seu clube? Como pode um vascaíno nos comparar a um time com conquistas holográficas, com torcida virtual, um clube que tem na sua história frases como ROUBADO É MAIS GOSTOSO ou como dito pelo tal radialista da década de 40, “GANHAR DO VASCO É ÓTIMO, MAS GANHAR ROUBADO É MELHOR AINDA”? Como pode, como eles foram levados a isso? Foi a mídia e sua massificação que fez nossa torcida ter síndrome de cachorro largado?

Não, amigos, quem fez isso foram os PRÓPRIOS VASCAÍNOS que em redes sociais, nas esquinas, nos bares e nos próprios jogos depreciam sua instituição, suas conquistas esportivas, seus ganhos patrimoniais.

Estão ajudando o clube? Estão a serviços de grupos políticos? Não, estão a favor do sistema. Esse ambiente criado por esse grupo de torcedores, que acredito serem profissionais políticos e de arquibancadas “apolíticas” traz ao clube médias de público inferiores a times de torcida e conquistas insignificantes, impedem e boicotam programas de sócios que visam capitalizar o clube, reclamam de qualquer aporte feito no clube, seja por patrocínios ou abnegados sócios ou diretores.

Virão alguns aqui falar que o grupo CASACA são euriquetes, que torcem por Eurico e não pelo Vasco. Evidentemente que não são, mas e daí que fossem? Estariam errados em defender quem defende o clube? Onde estavam esses que hoje odeiam o clube ao ponto de o boicotarem e persegui-lo quando o Vasco (leia-se ELE, quem o defendia) estava sendo atacados por todas as instituições investigativas do país, inclusive a mídia?

Estavam do lado de lá, do lado de quem queria um freio daquela instituição única capaz de parar o sistema. Levavam documentos do clube à PF, MP… mentindo, caluniando. No final a verdade prevaleceu, mas e o clube? Quem ganhou com o denegrimento de sua imagem?

O grupo Casaca! atacou veementemente a administração passada. Estavam errados? Mostravam erros, alguns por ignorâncias, outros visivelmente deliberados, que resultaram num aumento de 400 milhões em dívidas em seis anos, dívidas essas que inviabilizam a montagem de times competitivos que tanto cobram nos dias de hoje. Estavam errados em mostrar o que estava por vir?

Fiz meus filhos vascaínos, fiz outras crianças amarem o Vasco e gostaria muito que meus netos fossem Vasco, mas esses tipo de torcedor está acabando com a base de todo clube, com o esquecimento e diminuição da sua história e a sua própria torcida, que é consequência dessas conquistas.

Uma vez esquecidas, depreciadas, não há do que se orgulhar, não há do que se lembrar, não haverá mais histórias para contar aos “corações infantis da nossa imortalidade”. A futura geração será abduzida pelos interesses financeiros, por conquistas efêmeras, a paixão verdadeira, incondicional, morrerá.

Queria ter sido menos longo… Impossível quando se fala de Vasco, a grandeza é natural.

Deixo aqui um apelo a toda essa raça, digo assim mesmo RAÇA, de raça rubro negra, que por ódio a uma pessoa que se estende agora a um grupo de abnegados que se expõem em defesa da instituição e do modo Vasco de pensar de Eurico Miranda, do Vasco forte, cimeiro, que por esse ódio vem a cada dia diminuindo o clube, suas vitórias, seus atletas e patrimônio: SEJAM VASCO PORRA!!!!! VOLTEM A DISCERNIR, PENSEM VASCO COMO NOSSOS ANTEPASSADOS PENSAVAM, LEMBREM-SE DE COMO SE TORNARAM VASCO!

Não quero mais ser obrigado a “dizer” que “Bovino é pior que molambo”, tenham certeza, dói mais em mim que naqueles que tento atingir numa forma de acordarem para a realidade.

O Vasco esteve em coma, hoje respira, a recuperação virá, se não querem ajudar, não atrapalhem!

A mídia que hoje orienta nossa torcida, é a mesma que inflama a mulambada a invadir um aeroporto.

Discernimento

substantivo masculino

1. capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado.
2. capacidade de avaliar as coisas com bom senso e clareza; juízo, tino.

Saudações Vascaínas, verdadeiramente Vascaínas!

O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva à raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento.
Yoda

José Paz Oliveira – Sócio Proprietário do Club de Regatas Vasco da Gama

Erros no turno, erros no returno, mas desta vez o Vasco venceu

Nesta ridícula segundona, onde o Vasco passeia de ponta a ponta, após ter sido arremessado nela pelas arbitragens que nos garfaram em 14 pontos no Campeonato Brasileiro, conseguiram a proeza de nos garfar no turno e no returno contra o mesmo adversário, mas como a competição é fraquíssima, diante do poderio cruzmaltino, mesmo assim ainda fizemos quatro pontos nos dois jogos.

Na noite de terça-feira, 31 de maio, ainda no turno, erros capitais de arbitragem tiraram do Vasco mais uma vitória na sequência que já chega a quatro, antes daquele jogo.

No lance do gol de empate marcado pelo Oeste aos 28 minutos do 1º tempo – antes Nenê abrira o placar com um golaço em chute de primeira – Léo Artur estava em posição de impedimento e mesmo assim concluiu em direção à meta vascaína. Pikachu rebateu e na sobra saiu o gol da equipe anfitriã.

Na segunda etapa, aos 19 minutos, em córner a favor do Vasco, cobrado da direita, o zagueiro Velicka puxou a camisa de Rodrigo dentro da área, deslocando-o e impedindo que o beque cruzmaltino pudesse chegar na bola. Rodrigo inclusive foi ao solo na oportunidade. O lance ocorreu na frente do árbitro, que tinha a visão limpa do lance. Diego Almeida Real, entretanto, nada marcou, prejudicando o Vasco mais uma vez.

Finalmente, aos 47 minutos e 50 segundos, na última bola do jogo, esta foi levantada na área do Oeste, Rodrigo cabeceou para o lado esquerdo e Caio Monteiro recebeu em condições de marcar, próximo à pequena área, mas o lance foi paralisado pela marcação de impedimento inexistente. O mesmo bandeirinha errou duas vezes contra o Vasco, portanto. No primeiro e no segundo tempo.

No último sábado, pela quinta rodada do returno, tivemos um árbitro, Marielson Silva, da Bahia, que variava entre o olho de lince e o olho de cão, quando Rodrigo estava em algumas das áreas, defensiva ou ofensiva.

No lance do primeiro gol do Oeste, Rodrigo recebeu uma agressão do atacante adversário, o que diminuiu seu tempo de reação, na sequência do lance terminado em tento da equipe visitante.

Na segunda etapa, aos 42 minutos, após córner cobrado pelo craque Nenê (grande figura da partida com um gol e uma assistência, levando-se em conta o que foi validado pela arbitragem), Thales disputou por cima e marcou de cabeça um tento legal.

O bravo Marielson, entretanto, não estava olhando para a disputa dos atletas onde a bola desceria, mas sim para Rodrigo, que cometeu falta no lance.

Os puristas se manifestaram concordantes à marcação do árbitro, que abre precedentes para praticamente qualquer gol em bola aérea na área ser anulado, ou pênalti marcado.

Justamente para comprovar isso separamos também no vídeo abaixo, falta sofrida por Madson dentro da área, antes de a bola chegar em Thales. Ou seja, para os puristas de plantão a primeira infração no lance foi cometida pelo Oeste, antes de a pelota chegar em Thales, então seria pênalti para o Vasco e não gol de Thales ou falta de Rodrigo.

No replay do lance, curiosamente, assim como no primeiro gol do Oeste, nem a agressão sobre Rodrigo foi mostrada, muito menos a falta de Madson, mas por sorte há recursos que possibilitam a aproximação da jogada para comprovar o aqui narrado, da maneira como é possível fazer. Vamos caprichar mais na edição de imagens em repetecos da próxima vez, emissoras!

Finalmente, aos 46 minutos do 2º tempo, Thales cruza a bola para a área, Rodrigo tenta chegar nela, mas é impedido faltosamente, na cara do bravo Marielson, que deixa o lance seguir. Para felicidade do Vasco a pelota chega à Pikachu, que marca o gol da vitória vascaína, que poderia ter sido bem mais tranquila, caso a arbitragem (tão elogiada pela mídia) fosse apenas razoável.

Casaca!

Oportunismo de Segunda Divisão

O grupo político comandado (sic) por Julio Brant comemorou os 100 jogos do Vasco na segunda divisão procurando convencer o respeitável publico de que está alheio à marca. Uma visita à história política recente do clube, porém, revela a verdade.

Em 2014, no limiar do processo eleitoral, o grupo político de Brant recorreu à Justiça para manter a acabada gestão de Dinamite no poder. No período de prorrogação, foram assinados diversos acordos tenebrosos. Muitos deles, curiosamente, beneficiam membros do corpo jurídico de tal grupo. Esta sim, autêntica pedalada moral. No dia 10 de novembro de 2014, véspera do pleito, Brant esteve no gabinete do então ainda presidente, a fim de tentar alguma artimanha que lhe prorrogasse ainda mais o mandato, por saber que não tinha chances no dia seguinte.

Mas não só pedaladas morais preenchem o currículo desta distinta organização. Também há certo gosto pelo golpismo. O Vasco está inserido no chamado “Ato Trabalhista”, instrumento através do qual o clube abate suas dívidas trabalhistas sem que suas receitas sejam comprometidas em níveis insustentáveis. Pois o corpo jurídico deste grupo foi responsável por tentativas frustradas no sentido de eliminar o clube do citado instrumento. Como o Vasco, ao contrário do que acreditam Brant e seus asseclas, não é pequeno, manteve-se no Ato.

Também é importante recordar que um dos panos que formam a colcha de retalhos que é a distinta e pitoresca organização comandada (sic) por Brant foi responsável direto pelo “rebobinamento” da dívida com o atleta Romário, quando posou de oposição sendo grupo auxiliar da administração de Dinamite. Uma dívida de 20 milhões, que foi paga até 2008 e tinha sido reduzida para 13 milhões, retornou ao patamar de 20 milhões, na ocasião em que os aventureiros da administração e sua força auxiliar resolveram sumir com o valor devido dos balanços patrimoniais.

Aliás, durante a passagem dessa gente por lá na função auxiliar, quantos balanços deixaram de ser analisados? Quantos orçamentos sequer foram apresentados? Quanto da transparência agora pregada foi solenemente ignorada pela sepulta Cruzada Vascaína, hoje comandada (sic) por Brant?

Portanto, tudo o que acima está mencionado não deixa dúvidas: Brant é Dinamite, Dinamite é Brant; Brant é Olavo, Olavo é Brant; Brant é jornalista, mas diz ser executivo.

O Vasco completou 100 jogos na segunda divisão. Setenta e seis deles diretamente sob a administração dos mentores de Brant e seu pitoresco grupo. Vinte e quatro sob comando da atual administração em 2016, competição disputada pelo Vasco porque a arbitragem da série A de 2015 para lá o arremessou em esquema que beneficiou aos clubes de Santa Catarina – diga-se de passagem, mas também com influência indireta de todos aqueles que contribuíram para levar o clube a uma situação próxima da insolvência. Situação para a qual todos eles, inclusive Brant, seu corpo jurídico e demais comandados (sic) influenciaram decisivamente.

Espera-se que o clube não chegue ao 115° jogo da segunda divisão. O Vasco não voltará a atuar na série B se as ações realizadas forem sustentáveis, como se pretende. Muito se tem trabalhado para isso, sobretudo no saneamento financeiro de uma instituição que foi encontrada arrasada, que precisou passar por literal processo de desinfecção, pois estava tão abandonada que podia ser considerada insalubre nos últimos dias de novembro de 2014. Quem a levou a isso, todos sabem, foram os Brants do passado, que agora se vestem do que não são para ludibriar torcida e quadro social.

O Vasco voltará ao seu patamar natural. No início dos anos 80, quando a administração Calçada o colocou atrás do Bangu, como quarta força do futebol do Rio de Janeiro, o clube retomou seu rumo pelas mãos de Eurico para alçar grandes conquistas posteriores, inclusive 3 brasileiros e uma Libertadores. No final dos anos 90, quando o mesmo Eurico trouxe o parceiro Nations Bank para o Vasco, o clube parecia imbatível em diversas modalidades esportivas, até o momento em que rompeu a parceria por inadimplência contratual do banco. E, mesmo nas dificuldades impostas por campanhas sórdidas, tornou o Fluminense um freguês de caderno, venceu o Botafogo em decisões após 50 anos, tem o segundo maior período de invencibilidade contra o Flamengo da sua História, eliminando-o neste período de 3 competições, é bicampeão estadual, sendo um dos títulos o sexto invicto (marca que nem o Olaria possui), e nos últimos 30 jogos contra clubes de primeira divisão, referentes aos últimos 12 meses, venceu 13, empatou 13 e foi derrotado apenas em 4 oportunidades. “Olarização”?

A Instituição oferece claros sinais de que está em recuperação, seja financeira, moral ou esportiva. O estrago feito pelos Brants do passado e que agora querem se perpetuar nos Brants contemporâneos está sendo devidamente superado. Ditos vascaínos que embarcam em campanhas que têm por intenção apenas denegrir o Vasco, baseadas em retóricas superficiais desenvolvidas por quem não participa e conhece os problemas que nos trouxeram aqui, praticam mero oportunismo. Se marcas desagradáveis da História do Vasco servem de mote ao grupo de Brant, está claro que tipo de gente ali se abriga. E, derradeiramente, se esta mesma gente articula nos bastidores para criar barreiras contra os interesses do Vasco, fica evidente o que efetivamente desejam.

CASACA!

Eu acredito

Tive o cuidado de rever a partida contra o Vila Nova, embora a impressão vista no estádio se coadunasse, no fim das contas, com o observado na telinha.

Inicialmente seria ontem a oportunidade ideal para pôr Fellype Gabriel em campo desde o começo da partida. O treinador disse antes da peleja contra o Tupi e após a partida diante da equipe goiana, que não seria ideal ter o atleta entrando no segundo tempo.

O primeiro erro de Jorginho, neste caso, foi não escalá-lo desde o princípio, pois teria no banco, com fôlego para substituí-lo, Evander ou Mateus Vital e este último encaixaria também muito bem na função, pois é um jogador de frente e entraria sem a responsabilidade de cobrir ninguém diretamente, mas apenas recompor.

O segundo erro foi não ter um cabeça de área, primeiro volante se preferirem, no banco de reservas. Diguinho, apesar de voluntarioso e sem medo de se expor (fato) não esteve bem contra o Santos, perdeu na disputa de cabeça no gol do empate diante do Tupi e tem questionada a titularidade por muitos.

Diante disso, William Oliveira, que foi posto indevidamente em campo na partida contra o Santos, numa função que não é a de um primeiro volante (uma insistência, por sinal), deveria constar no banco de suplentes ontem, a não ser em razão de algum problema físico inibitório disso. Seria uma substituição lógica caso Diguinho ficasse pendurado com um cartão, ou não estivesse agradando. Não houve esse cuidado.

A partida morna, com domínio territorial do Vasco, esquentou com o inesperado gol da equipe visitante.

O Vasco, a partir daí, passou a criar oportunidades, inicialmente com uma bola na trave em belo chute de Pikachu, perdeu mais um gol e quando parecia próximo do empate tomou o segundo em nova desatenção da defesa e saída atabalhoada do assustado Jordi.

Mas a equipe até por volta dos 35 minutos ainda manteve alguma tranquilidade e organização, perdida nos 10 minutos derradeiros, quando chutões e lançamentos passaram a ser a opção ofensiva do time.

Em meio a tudo isso uma fraquíssima partida de Evander, e a certeza de muitos que teríamos na etapa derradeira a óbvia entrada de Fellype Gabriel no lugar do ainda jovem promissor (supondo que Jorginho já esquecera o dito em Juiz de Fora quando justificou a entrada do atleta desde o início do jogo), ou uma grande investida do treinador, com Mateus Vital jogando numa função em que ainda não teve oportunidade no Vasco.

A mexida de Diguinho por Madson, entretanto, foi a ousadia, mas já era a tentativa do conserto de uma má escolha na montagem do banco.

A entrada de Éder Luís no lugar de Evander foi um erro crasso.

O caso daquele que foi um bom ponteiro (extrema, segundo atacante, ou o nome que queiram dar) é a negação de uma realidade.

Não dá mais, por mais que o jogador queira, por mais que se torça, por mais que se elogie a sua volta aos gramados para Éder atuar um tempo inteiro, iniciar uma partida.

A experiência adquirida com anos de futebol, a verve ofensiva e a rapidez em lances curtos podem ser um grande trunfo para o Vasco ainda, desde que seja posto na cabeça do atleta ser ele uma grande opção para o time nos 20 minutos finais de jogo, quando entrará em algumas ocasiões (ou ele ou Caio Monteiro, dependendo do enquadramento da partida) e poderá ser decisivo, como foi diante do Santos na Vila, por exemplo.

A torcida vai entender com o tempo, o atleta vai perceber com o tempo e o trunfo pode ser utilizado para o bem de todos, inclusive do próprio jogador.

Todos ganham e teremos um atleta absolutamente concentrado nisso: em 20 minutos dar tudo e, com certeza, aí sim, mudar jogos, com construções ofensivas, assistências e gols.

O treinador se viu obrigado a tirar Diguinho. Apostou em Madson para abrir o jogo, mas deveria deixar o corredor para o lateral, fazendo com que Pikachu derivasse pelo meio e chamasse a marcação, o que se foi dito não foi feito, mas para a sorte do treinador dois atletas organizavam o Vasco muito bem: Julio dos Santos e Douglas Luiz.

Abra-se um parêntese para dizer que Douglas não é simplesmente um bom jogador, um atleta que toca bem a bola e tal. É um grande nome para o presente e futuro do Vasco. Sabe jogar e deve jogar muito mais.

Correndo do maniqueísmo que muitos textos reproduzem é justo destacar quanto à a escalação do talentoso jogador hoje e a entrada na partida contra o Tupi os méritos irrefutáveis do treinador Jorginho.

A entrada de Douglas, inclusive abriu oportunidade a que Julio Cesar atacasse com mais tranquilidade.

Errou o lateral demasiadamente nos cruzamentos, faltou talvez a ele arriscar mais, invadir a área em lances de fundo e não se desvencilhar da bola em algumas oportunidades, mas sim trabalhá-la melhor.

O setor esquerdo com Douglas ao invés de Andrezinho por ali oportuniza a mais avanços, pois a cobertura é melhor. Mas Julio Cesar, neste novo formato do time (se mantido como foi no primeiro tempo) precisa ganhar uma coisa que ele e Madson perderam: confiança.

São ambos atletas com condição de servirem como válvula de escape do time nas jogadas ofensivas pelas extremas.

O Vasco descontou e partia não para o empate, mas sim para a virada no marcador, o que seria uma grande injeção de ânimo para um grupo muito cobrado (justamente cobrado) atualmente pelo péssimo retorno após a parada do início de agosto. Mas aí Jorginho cometeu seu maior pecado no jogo.

O treinador tirou Julio dos Santos, que organizava de forma inteligente o meio cruzmaltino pelo lado direito, manteve no banco Mateus Vital, Fellype Gabriel e pôs Henrique, que até treina como volante de vez em quando, mas é lateral, não volante, e comprovou isso novamente.

A tentativa, se pensada de que o atleta viesse a se entender com Julio Cesar na lateral, com revezamentos constantes entre meia esquerda e extrema é uma suposição para lá de otimista, lembrando que do lado direito já se tentava, sem sucesso o mesmo.

Por mais incrível que se possa parecer o Vasco jogou 34 minutos com quatro laterais de ofício no time, um meia e três atacantes.

A partir da substituição, o time passou a atuar irremediavelmente desorganizado. Luan tentou, Madson tentou, Éder Luiz foi buscar bolas desde a intermediária do campo defensivo do Vasco, Pikachu foi voluntarioso, Thales (que pesado e sem pique, está jogando sua carreira fora) ficou brigando pela “primeira bola” no alto, Ederson buscou deslocar-se, mas o conjunto se apresentou desfigurado e praticamente inoperante.

Algumas chances foram criadas ainda, mais em bolas paradas, mas apenas pela perseverança de um time completamente desorganizado.

Não tenho a menor dúvida de que o Vasco possui hoje um dos oito melhores elencos do país, possui estrutura, possui comando interno e precisa encara a segundona como de fato ela é: uma competição na qual o clube entra para atropelar e que se tivesse sido planejada pela comissão técnica de forma mais corajosa – após o fim da invencibilidade em junho – poderia ter sido nela dada oportunidade a que nomes de jovens atletas aparecessem mais para o público, atuando regularmente.

Como disse no programa Casaca no Rádio! e repito, poupar os titulares para que atuassem uma vez por semana (seis, sete por jogo ou até mais) e experimentar os reservas, principalmente a base, nos jogos fora, ou ao menos uma vez por semana (caso dois jogos dentro ou dois fora fizessem parte da programação), tudo isso após o fim da invencibilidade histórica do clube (repiso), levaria o treinador a ter boas opções de escalação, a em cada jogo do Vasco disputado no seu estádio haver mais expectativa e presença do torcedor e a se perceber em circunstâncias muitas vezes adversas quais supostos reservas podem ser eventualmente grandes substitutos dos titulares definidos e na ponta da língua da massa vascaína.

Faço esse texto, como tantos outros, no intuito de não só ajudar como demonstrar minha confiança em quem cobro ou critico, dos atletas ao treinador.

Não torço a situação. Tenho plena convicção ser possível para o Vasco no mata-mata não parar no Santos e ter como céu o limite e deixo aqui umas últimas palavras. Que sirvam para algo ou para alguém. Já fico satisfeito com isso.

Quando se tem humildade para internamente admitir erros, perde-se alguma coisa, mas ganha-se o grupo.

Quando se tem coragem para individualmente passar verdades, duras verdades, a insatisfeitos, perde-se o sorriso do atleta momentaneamente, mas ganha-se, muitas vezes, um novo atleta para o futuro, afinal é melhor sorrir vermelho uma vez, do que amarelo sempre.

Quando se tem coerência, perde-se menos e ganha-se mais.

Sérgio Frias

PS: Feliz aniversário, pai.