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Returno

Escrevo para aqueles com crença no Vasco e não para os que já jogaram a toalha.

Quem tem escutado o programa Casaca! no Rádio sabe das críticas que temos feito à atual situação do clube no futebol.

A lentidão para conclusão de algumas contratações, manutenção de técnico com prazo vencido, falta de percepção do momento de se agir para solucionar problemas futuros tem levado o clube a experimentar inúmeros problemas, até mesmo desnecessários.

O Vasco ainda carece de alguns reforços inquestionáveis, dois são suficientes, para reerguer-se no Campeonato Brasileiro.

O problema da saída de bola é crônico. O Coritiba não foi parâmetro, pois a marcação frouxa e a série de espaços dados pela equipe paranaense proporcionaram a que Serginho e Lucas tivessem um pouco mais de tempo para concatenarem jogadas, atuando ambos de forma elogiável, primordialmente nos primeiros 30 minutos de jogo.

Uma mínima melhora na organização tática do adversário, mais notada na etapa final, iniciou novamente a mesmice de ligações diretas. Sem um nome que comandasse as saídas de bola, dando segurança ao time e ao outro volante viu-se pela enésima vez chutões com pouco rumo e muito improviso, normalmente sem qualquer sequência de jogada a favor do Vasco.

Ainda sobre o jogo, especificamente, a absurda saída de Jorge Henrique e manutenção de Lucas – já sem forças, sob o aspecto físico, para desenvolver o jogo desde a intermediária do Vasco – resultaram numa desarmonia e falta de compactação do time que, nervoso, pressionado em função de a bola não entrar, passou a dar oportunidade a contragolpes cada vez mais perigosos da equipe visitante.

A inoperância ofensiva do Coritiba impedia que o time paranaense abrisse o placar, até a falha de Jomar, bem na partida até ali. Mas o gol foi um acidente de percurso. A partida ia para um 0 x 0, consequência até então de algumas chances inacreditáveis perdidas pelo Vasco.

Como gancho nisso, ressalte-se que o time precisa e muito de um centroavante nato, pois Riascos e Herrera quando atuam por ali quebram um galho e Thales se mantém fora de forma, de ritmo e de jogo, atuando mal consecutivamente até aqui.

Na parte criativa, a contratação de Nenê modificou um pouco o quadro, mas a responsabilidade não pode ir toda para as costas dele. Andrezinho ainda é uma incógnita, embora se espere mais dele quando voltar, e Jorge Henrique vem para ocupar a outra vaga da linha de três. Um meia com talento e experiência seria importantíssimo para o time, até porque serão 19 decisões mais a Copa do Brasil e a tendência é a de que não se consiga contar com essa linha de três (Jorge Henrique, Andrezinho e Nenê) em várias das muitas decisões futuras. Um nome incontestável no setor seria de suma importância.

Para a zaga foi acertadíssima a contratação de João Carlos. O Vasco agora possui três zagueiros de primeira linha, o que é o ideal, pois não dava para imaginar ter Rodrigo e Luan (hoje ainda contundido) até o fim do ano atuando em todos os jogos, sem alterações.

Além disso mais um lateral precisa ser contratado. Cabe aí enxergar a nova comissão técnica se Julio Cesar pretende se comprometer com a reação do Vasco ou não. Christiano continua sendo o melhor preparo físico do elenco, tem agora Nenê ao seu lado para ações ofensivas, ou mesmo Jorge Henrique, se houver qualquer inversão, mas precisa traduzir em gols seus avanços. Este é um setor que ainda dá dor de cabeça ao torcedor, mas pode vir a ser importante como válvula de escape, caso o time finalmente esteja bem articulado, agora com mais peças para isso.

Na direita Madson está absoluto e isso pode também ser um problema. O Vasco não tem reserva à altura para a posição e Jean Patrick quebra mais um galho, mas sua ação ofensiva é muito tímida.

Há ainda laterais no mercado de bom histórico e currículo. Um deles vindo já será importante para a trajetória cruzmaltina até o fim da temporada.

O Vasco tem sim amplas condições de mudar sua história no campeonato. Precisará da torcida e contará com o nosso apoio. Muitos torcem contra por enxergarem no rebaixamento do clube uma oportunidade para o pilharem futuramente e nós precisamos ter a mais ampla noção disso.

É hora de ação, pois a morosidade demonstrada para a tomada de decisões não foi sinônimo de prudência, mas sim de letargia. Em função dela se perdeu um tempo precioso, pois atletas como Nenê e Jorge Henrique poderiam ter vindo muito antes, um volante inquestionável que qualificasse a saída de bola do time idem e a reposição pela saída de Gilberto, ato contínuo a ela, também.

A janela de contratações abriu e fechou com o Vasco fazendo tão somente duas contratações de maior impacto (Andrezinho e Herrera) e as oportunidades no mercado atual para que se traga ainda alguns atletas rareiam. Existem, mas rareiam.

Há de se imaginar quais são as consequências de uma queda, principalmente no ponto nevrálgico do clube: suas finanças.

Todo o trabalho feito com tanto esforço, denodo e dedicação para tornar o Vasco novamente viável não pode ser posto em xeque pela ridícula e inaceitável campanha do time de futebol.

Por fim, continuaremos a nos manifestar, como fazemos semanalmente no programa Casaca! no Rádio, e fizemos em relação à inacreditável permanência de Roth, tanto quanto à necessidade de se qualificar o time quando o rendimento de vários atletas passou a decair.

No mais, boa sorte à nova comissão técnica e que use tanto o CAPRRES como o setor de Desempenho do clube, tocado por profissionais qualificados e com visão de alcance inatingível para as comissões técnicas anteriores, por falta de conhecimento ou medo do novo. Um medo que quase sempre, em qualquer lugar e circunstância, engessa a evolução.

Sérgio Frias

Curto e médio prazo

A derrota do Vasco contra a Chapecoense ontem foi desenhada com a expulsão de Christiano no início da segunda etapa, sob o aspecto prático, mas no âmbito teórico se deu desde a escalação da equipe.

O belo gol marcado por Biancucchi na quarta passada contra o Avaí apagou a partida burocrática que fazia, espelho de outras diante de Atlético-PR, Cruzeiro e Sport.

A insistência recente, tanto do ex-treinador Doriva como do atual, Celso Roth, em prescindir do futebol de Julio dos Santos na equipe titular para escalação de Biancucchi ou Jhon Clay cria dois problemas de cara para o Vasco quando entra em campo: Madson não tem seu apoio na lateral direita para executar as jogadas ofensivas (cada vez mais raras) e o Vasco perde a chance de usufruir de um atleta com bom passe, proteção de bola, visão de jogo e tranquilidade em campo.

A lentidão de Julio dos Santos seria a justificativa pela barração segundo muitos, mas esta é compensada por suas qualidades, como se viu no Campeonato Carioca, inclusive nos clássicos. A reserva amargada pelo atleta pode se dar também pelas observações em treinamentos, o fato de não ter entrado bem em algumas partidas (exceção da última contra o Avaí quando não comprometeu) ou ainda por qualquer problema de ordem física, mas dentro do elenco atual, sem contar ainda com os novos reforços, ele sobra no setor de meio campo.

Falando de reforços, há a real possibilidade da estreia de dois deles contra o São Paulo, em Brasília.

Andrezinho chega com boa expectativa, não só por suas qualidades ofensivas, como também pelo bom momento vivido no futebol asiático, que possui o calendário norteado no nosso e não no europeu, portanto em meio de temporada.

Falta e continuará faltando, até a contratação de um outro meia ofensivo, um companheiro para o novo reforço, não deixando de se reafirmar que Julio dos Santos seria uma boa opção até a confirmação de tal contratação.

Alguns lembrarão que Dagoberto poderá retornar no futuro, mas o tempo de recuperação ainda é considerável e suas atuações no Estadual e início de Brasileiro deixaram a desejar.

Na frente o treinador poderá promover a estreia de Herrera, banco de Riascos e Gilberto, ou já atuando com um dos dois. Deve somar e muito no time, caso esteja em boa forma física.

Éder Luís é a grande incógnita. Se recuperado fisicamente pode brigar pela posição de titular, mas somente no campo será possível tirar a prova dos 9, no caso dos 7.

Sobre o sistema defensivo do Vasco, sofre com o fraco desempenho do time na frente, não só pelo pouco número de gols como de oportunidades criadas. Rodrigo e Guiñazu permanecem muito bem; Luan, hoje na seleção pan-americana, mostrou-se instável no Brasileirão; Anderson Salles tenta se entrosar com Rodrigo enquanto o titular não retorna; Martin Silva faz muita falta (Charles não teve culpa no gol tomado ontem, mas ainda demonstra insegurança); Madson (absoluto na posição) e Julio Cesar (provável lateral titular) não são marcadores excepcionais, mas compensam, um pela experiência e outro pela qualidade no apoio, e Serginho permanece com altos e baixos, desde o início do ano. Espera-se agora ter uma sombra no banco, com possibilidades até de ganhar a posição no time, caso ratifique o bom momento vivido no futebol português na temporada 2014/2015. Falamos de Bruno Gallo (considerando que se confirme a contratação), apto inclusive a atuar em outras posições, entre elas a lateral esquerda.

Afinal, o time precisa da contratação de mais um centroavante? Esta posição é outro mistério. Renderá Gilberto, junto a novos reforços, com a bola chegando mais até ele e em melhores condições? Thales – embora mais voluntarioso nas últimas participações – não é nem sombra do atleta que brilhou no time entre o final de 2013 até o fim do estadual de 2014; Herrera pode jogar como referência na frente, mas funciona muito bem atuando pelos lados do campo. Precisaria o Vasco do chamado “fazedor de gols”? Os números (até aqui) dizem que sim.

Sobre o treinador, apesar da clara discordância quanto à ausência de Julio dos Santos na atual equipe titular, ficou evidente ter entrado o Vasco mais ligado nos jogos, mais alerta e mais combativo. Para que se torne compacta a ponto de subir bastante na tabela, a equipe dependerá da produção dos reforços contratados, adaptados ao atual elenco, bem como de quem ainda venha a chegar, com o espírito de não apenas somar, mas sim multiplicar ações ofensivas.

Sobre arbitragens, o chamado ”dois pesos e duas medidas” não pode imperar contra o clube no Brasileirão e na Copa do Brasil, até o final do ano. Se um “agarrão” de Lucas dentro da área do Vasco é pênalti (Atlético-PR x Vasco), uma cotovelada que fez sangrar Gilberto na área adversária também o é, a nosso favor (Sport x Vasco); se Christiano foi expulso ontem pela interpretação do árbitro quanto à cor de cartão, que se faça a mesma a nosso favor em lance similar de algum adversário. E que erros crassos não sejam mais cometidos contra o Vasco, como a anulação do gol de Gilberto diante do o Avaí, por impedimento mal marcado de Jhon Clay.

Reação a curto e médio prazo, até o final do turno, é o objetivo. Serão quatro jogos contra os grandes paulistas, Grêmio fora de casa, um clássico contra o Fluminense e dois adversários teoricamente mais fáceis em casa: Coritiba e Joinville. Espera-se muita melhora ofensiva do time para encarar os desafios e uma compactação da equipe, a fim de impor seu ritmo em campo, independentemente do poderio encontrado nos seus próximos oponentes.

Quanto aos torce contra, deixemos que sofram com as vitórias do Vasco. Como o destino do clube é vencer mais que perder, o sofrimento será um sentimento que não poderá parar, conforme o clube vá se recuperando na competição.

Sérgio Frias

Miopia

O Vasco foi mal escalado novamente. O treinador Doriva não soube fazer o simples, o óbvio.

Julio dos Santos na direita e Julio Cesar na esquerda, dando apoio a Christiano.

Ele escalou mal e sua primeira substituição foi pior ainda. Tirou Jhon Clay e ao invés de pôr Julio dos Santos na direita, preferiu Rafael Silva. Depois trocou Biancuchi por Julio dos Santos, mas aí trouxe Riascos para o meio (que jogava bem pelo lado esquerdo do campo) e colocou Rafael Silva na esquerda. Riascos se contundiu e aí sim entrou Julio Cesar, cerca de um minuto antes do time tomar o segundo gol, na função que deveria ter sido escalado desde o início do jogo. A esta altura Julio dos Santos, ao invés de ser o homem da armação pela direita, jogava quase enfiado na área por aquele lado e o Vasco já tinha se desarrumado de vez, perdendo uma partida que poderia ter vencido com certa autoridade.

Para completar, o consultor/comentarista Juninho Pernambucano afirmou que não gosta de Julio dos Santos na direita, elogiou a formação com o nulo Rafael Silva no início da segunda etapa, cobrou a torcida do Vasco para ir ao estádio, mas depois percebeu que este não era o melhor caminho para “conduzir o gado” e afirmou que a ação da diretoria em preservar o time de xingamentos, insultos, etc…, não informando à imprensa o traslado do time após o jogo, afastava a torcida, criticando ainda o fato de o Vasco jogar em São Januário, pois lá os públicos são baixíssimos.

Claro que o Vasco está contratando e vai se reforçar ainda mais, claro que o campeonato ainda está no começo, claro que a fase vai passar e o Vasco voltará ao eixo, mas perder jogos seguidos por opções completamente equivocadas do seu treinador desde a escalação, passando pelas mexidas e posicionamento dos atletas em campo, após estas terem sido feitas, é perder não para o adversário, mas para si mesmo.

Em tempo, a manutenção de Charles no gol foi um acerto do treinador e a escalação inicial de Riascos (o melhor do time enquanto jogou pelo lado esquerdo do ataque) como segundo atacante, idem. Mas no geral o técnico deixou a desejar e o Vasco, que tinha tudo para somar três pontos na partida, terminou sem nenhum.

Sérgio Frias

Análise

Quatro jogos em São Januário e nenhuma vitória. Esta é a realidade mais preocupante do Vasco hoje, pois seu estádio deixou de ser o tradicional caldeirão de outrora, longe, muito longe da panela de pressão que se fazia contra os mais diversos adversários, independentemente das condições técnicas deles.

Por outro lado, o comportamento do time cruzmaltino no jogo de ontem, após tomar o primeiro gol do Cruzeiro, demonstra o estado de nervos dos atletas, a intranquilidade de seu treinador e evidencia o cenário inaceitável posto em seus rostos, além da falta de condições emocionais para reagirem.

O que se viu após a equipe sair atrás no marcador foi desorganização e insegurança. De todos, menos da torcida presente, que ainda se uniu na segunda etapa para tentar empurrar o time desde as arquibancadas.

Sem muitas opções no ataque, Doriva escalou a dupla de frente, na prática, com Jhon Clay e Gilberto. A instabilidade do substituto de Riascos – impedido de atuar por ser atleta do Cruzeiro – tem como contraponto certa criatividade, responsável por boas jogadas do ataque cruzmaltino até a primeira meia hora de partida.

Neste período, os laterais do Vasco não se apresentaram como se impunha diante do esquema escolhido e quando o fizeram o ineficiente Biancucci não lhes serviu de forma adequada, muito menos quaisquer dos volantes, com uma ou outra jogada de exceção.

A escalação de Caucaia e Biancucci nos lugares de Lucas e Julio dos Santos não são justificáveis, seja pela produção de ambos contra o Atlético-PR na rodada anterior, seja pela produção dos outros dois, que já mostraram futebol suficiente para serem primeiras opções no elenco atual, ainda carente de reforço.

Sem Rafael Silva no banco de reservas, machucado, e diante da péssima relação da torcida com Yago, praticamente queimado, o gol do Cruzeiro aos 37 minutos da primeira etapa não deveria ocasionar uma mexida na estrutura tática da equipe, imediatamente depois.

Com a saída de Diguinho, Lucas deveria naturalmente substituí-lo e para a segunda etapa a entrada de Julio dos Santos no lugar de Caucaia era algo até certo ponto óbvio, pois ele, junto a Madson, são responsáveis por uma das mais contundentes jogadas ofensivas do time. A alteração demorou cerca de 10 minutos e quando Julio entrou, logo no minuto seguinte o Cruzeiro ampliou em falha lamentável do goleiro Charles, que leva os mais afoitos a pensarem no retorno de Jordi, o que pode causar uma ciranda entre os dois até a volta de Martin Silva.

Pior que a demora pela participação de Julio no jogo, foi seu posicionamento em campo, hora na meia-esquerda, hora centralizado, sem a devida aproximação com Madson.

A inoperância de Biancucci na partida e o vazio na direita fizeram com que Luan passasse a ocupar aquele setor, mas já não havia cobertura, concentração, nada.

E quanto a Jhon Clay, o mesmo que começara bem? Foi recuado mais para a meia em função da entrada de Yago (veloz mas pouco objetivo) e caiu muito de produção. Acabou substituído por Thales, quando o jogo ainda estava 0 x 2, tendo sido transformado o Vasco num bando em campo até o fim da partida.

Uma menção honrosa a Rodrigo pelo belíssimo gol de falta.

A desorganização do time pareceu ontem ser um reflexo de tantas mexidas e mudanças táticas do seu treinador, independentemente de alguns desfalques.

Diante do atual quadro, o Vasco – que na visão da maioria precisava apenas de um reforço para a criação no meio campo, uma vez que Marcinho e Dagoberto não atuaram nesta temporada da forma como se esperava – pode vir a carecer de mais, conforme os atletas forem sentindo a pressão oriunda dos maus resultados.

A notícia boa é o fato de o desastre ter ocorrido no começo da competição. Que se inicie a reação.

Sérgio Frias

Exemplar

O cair da tarde ontem no Vasco nos trouxe mais luz para o futuro de nossa base imortal.

O assunto do dia era a inauguração da Pousada do Almirante em São Januário – batizada com o nome de “Amadeu Pinto da Rocha”, em homenagem póstuma a quem trabalhou por mais de 50 anos em prol do clube – que servirá às categorias infantil e juvenil.

Primeiro pude ver os atletas profissionais de hoje, que naquele espaço estiveram por anos, abismados ou surpresos com a nova estrutura do local.

Depois me encontrei com gente que vivencia o Vasco semanalmente ou diariamente e era perceptível uma ponta de orgulho no rosto de todos por mais esta realização do nosso clube.

Mas a obra tem – desde a idealização dela por parte de Eurico Miranda, passando pela experiência de quem cuida do patrimônio do Vasco por anos a fio, na condição de vice-presidente do setor, José Joaquim Cardoso Lima, o nosso Quim, robustecida por ajudas anônimas – um nome incontestável de destaque para sua execução: André Luiz Vieira Afonso.

Ele, o Vice-Presidente de Obras e Engenharia, era completamente desconhecido no âmbito político e administrativo do clube e foi não uma aposta, mas uma certeza pessoal de Eurico Miranda, quando o chamou para fazer parte de seu quadro administrativo.

A escolha se mostrou não só acertada como cirúrgica e a prova está na belíssima transformação de um espaço em condições lamentáveis para uma referência a ser vista, admirada e até copiada no futuro (quem sabe) pelos sem estádio da zona sul.

Num momento de crepitação contra preço de ingressos para jogos no estádio de São Januário, um modelo como este – que está longe de ser o único dentre colaboradores, diretores, assessores e vice-presidentes das mais diversas áreas, prontos a labutar em prol do clube por prazer e com responsabilidade – faz soar como mera desculpa a justificativa de alguns vascaínos pela ausência em São Januário por conta de R$20,00 a mais cobrados do valor mínimo para ingresso inteiro permitido neste Brasileirão.

Não é preciso gastar muitas linhas para dizer o óbvio: o Vasco está sendo reconstruído, após quase sete anos de iniquidades, descaso e destruição. Exemplos dos que lutam por isso devem ser seguidos (no limite de cada um é claro), pois a união de esforços da torcida vascaína torna o clube praticamente imbatível, independentemente das circunstâncias, favoráveis ou não.

Sigamos juntos.

Sérgio Frias

* Nasceu na última quinta-feira, 28 de maio, mais um vascaíno. Seu nome é Eduardo e veio ao mundo já Campeão. Afinal o Cariocão 2015 é nosso!

Incisividade

Nada mais sólido para o futuro de uma instituição que atitudes fortes e coerentes de quem a gere.

Não foi a primeira nem a centésima vez que vi Eurico Miranda enfrentar o problema e se impor diante dele.

Muitos falam do estilo. Grosseiro? Por que não dizer reto, sem curvas?

O que cabia dizer diante da forma como soou a fala do atleta Dagoberto no último domingo? Dá para ser afável e declarar que respeitamos todas as opiniões, pois somos democratas e estamos buscando no dia a dia uma forma para que mais do que nunca consigamos desenvolver o respeito, que voltou, com responsabilidade, que é de cada um, pois no Vasco todos têm espaço para se manifestar e dizer aquilo que pensam, pois pensar é um dom, um direito, e a palavra do presidente é de apoio às manifestações antes de tudo e que acreditamos no time, mas principalmente nas pessoas, que são seres humanos e merecem todo o nosso respeito, ainda mais agora que este voltou?

É confortável comandar? Depende do comprometimento de quem manda, da disposição, da coragem.

Muito mais fácil seria não se envolver com o problema, passar ao largo e ver que bicho vai dar lá na frente. Mas e as consequências?

Eurico Miranda sabe perfeitamente que não será a imprensa voluntariamente quem irá incensar o Campeão Carioca de 2015, apesar de ter vencido quatro clássicos oficias em sete no ano (perdido apenas um), mesmo estando há dez jogos invicto, classificado para a terceira fase da Copa do Brasil, sem levar gols no Brasileiro até aqui, tendo sofrido apenas três gols em partidas nas quais a zaga titular atuou junta, com seu técnico hiper valorizado, em vantagem por manter o elenco vitorioso em dia quanto aos salários, possuindo um estádio próprio para mandar seus jogos, sem ter perdido qualquer atleta campeão, já tendo trazido quatro novos reforços e podendo em breve contar com outros que hão de vir, caso se adequem à realidade financeira do clube.

No último fim de semana evidenciou-se que o mico dos cariocas no Campeonato Brasileiro, ao final da segunda rodada, era vermelho e preto. Perdeu o vice eterno para o misto do São Paulo na estreia e empatou com o Campeão Brasileiro de 1987, sem fair-play e ainda contando com um atleta de linha no gol adversário para… empatar! Soa ridículo. E é.

O Vasco fez um ótimo primeiro tempo em Santa Catarina e perdeu várias chances de gol, o arqueiro do Figueirense foi considerado o melhor da posição na rodada e o segundo tempo cruzmaltino deixou a desejar, principalmente em função da má performance dos atletas que substituíram os titulares. O time da casa, ainda invicto em seus domínios durante o ano, foi para cima e faltou ao Vasco o contra-ataque, faltou velocidade, faltou impetuosidade. E o placar terminou em branco.

“Ah! Mas temos problemas!”. Óbvio que temos. Poucos clubes no Brasil vivem uma realidade diferente e alguns deles compensam isso atrasando salários, descumprindo acordos e jogando os problemas para debaixo do tapete. Diferentemente do Vasco.

Não tenham dúvidas ser de conhecimento da imprensa em geral que o Vasco com duas peças no time titular e mais outras duas de reposição em posições carentes pode perfeitamente brigar de igual para igual com todos, mas torce para que a massa desande logo com uma derrota (quem sabe hoje ainda) para queimar o elenco com a ajuda dos anti-Vasco, fantasiados com nossa camisa apenas para falar mal de tudo e torcer contra o clube, justificada tal atitude por ódio, despeito ou inveja de seu totem, Eurico Miranda.

A fala do presidente vascaíno foi não só precisa como no momento certo e no tom adequado, mas se vão interpretá-la maldosamente, como já fizeram antes, faz parte de um circo armado pela mídia de picadeiro.

O leitor faria ou falaria diferente no lugar de Eurico? Talvez. Mas qual impacto causaria?

Certa vez no programa Casaca! no Rádio, ainda em 2008, quando o Vasco corria o risco de cair e Eurico soubera que Roberto Dinamite punha a permanência do clube e o futuro dele nas mãos do destino, disse, ao comentar a pérola: “Quem faz meu destino sou eu”.

Os que entenderem a frase e o alcance dela quando o assunto é Vasco, poderão perceber até onde Eurico vai, em nome do clube. Agora, convenhamos, pouco importa se o discurso é bonito. Precisa mesmo é ser eficaz. E foi. A permanência de Doriva no clube, após aliciamento do Grêmio, apenas comprovou isso.

Sérgio Frias

Cariocão

O que se viu ontem na cidade do Rio de Janeiro, em vários cantos, foi um movimento intenso de torcedores, a imensa maioria deles vascaínos, em busca de ingressos para a grande decisão do futebol carioca dos últimos tempos.

Vasco e Botafogo são os mais eficientes nos números até aqui. Um é o melhor time dos play-offs e outro foi o mais competente na Taça Guanabara.

Não há entre as duas equipes uma diferença gritante, embora o Vasco no papel tenha um time melhor, mas o equilíbrio dos dois confrontos disputados neste ano corrobora este raciocínio.

Durante sua risível participação no certame a dupla Fla/Flu tentou de tudo para esculhambar o estadual, mas acabaram castigados com derrotas diante dos dois rivais e lhes sobrou ver a decisão do maior Campeonato Carioca da década pela TV.

Curiosa também foi a postura de alguns setores da mídia desde o início do ano.

A frase “O Respeito voltou” foi entoada em cântico ainda no desfigurado ginásio de São Januário, após a contagem dos votos que dariam ao Vasco nova vida e à chapa de Eurico Miranda uma vitória consagradora. Há 5 meses!

Nenhum veículo de comunicação se incomodou com isso, pois tinham no dizer bravata. Não acreditavam no soerguimento do Vasco em tão pouco tempo. Unidos aos que torcem contra Eurico Miranda e depois pensam em Vasco esperaram o fracasso esportivo para ridicularizar o quanto pudessem a expressão da verdade que teimavam em não enxergar.

Quando Eurico Miranda simplificou tudo e ainda pontuou sua fala, após a justa e legalíssima vitória contra o chorão rubro-negro, foi para os incomodados uma bofetada na cara, um chute no estômago, mas não por haver qualquer agressão contida no dizer e sim porque a ratificação do antes dito, ainda em 2014, era totalmente desprezada pelos sabichões, míopes ou convenientemente céticos.

E Eurico Miranda teve para si as luzes necessárias com o fim de fazer deste estadual um sucesso retumbante. Os holofotes em torno do presidente vascaíno e suas ações em defesa do futebol carioca, voltado para o bem do futebol carioca, tornaram o estadual hoje um sucesso de assistência e audiência.

Eurico Miranda enterrou o “carioquinha” e ressuscitou o Cariocão. São os fatos. Ponto.

Rumo ao título de Campeão Carioca 2015 ou, se preferirem, Cariocão 2015!

Sérgio Frias

Escritas

Domingo passado o Vasco quebrou um tabu dos mais incômodos diante do principal rival, pois em disputas de vaga, taça ou campeonato o clube só havia vencido o rubro-negro uma única vez com o adversário precisando apenas do empate numa decisão improrrogável. Isto ocorreu em 1953, quando com uma vitória por 5 x 2 no Maracanã, de virada, o Expresso da Vitória, contando com atuações destacadas de Sabará, Ademir e Chico, obteve o título do Quadrangular Internacional do Rio de Janeiro, que contou também com a presença dos argentinos Boca Juniors e Racing.

A partir deste fim de semana o time dirigido por Doriva buscará um fato inédito, pois jamais fomos campeões cariocas num embate direto, decisivo para ambos, contra o Botafogo. Se em 1990 o título alvinegro veio no tapetão, com ajuda descarada da imprensa para que a decisão nos fosse desfavorável fora de campo, em 1948, 68 e 97 o clube da estrela solitária derrotou nas quatro linhas o seu maior algoz em clássicos.

Para se quebrar a primeira escrita foi necessário que a coletividade vascaína se conscientizasse ser a vitória possível, a partir do enfrentamento, agora, entretanto, faz-se mister evitar um relaxamento qualquer, pois o Botafogo leva a vantagem de dois empates e obteve a igualdade no confronto direto conosco válido pela Taça Guanabara (1 x 1).

Aos mais jovens cabe lembrar que o título carioca de 2015 tem exatamente o mesmo valor, numericamente falando, de qualquer outro conquistado pelo clube, e se obtido deve ser valorizado tanto quanto se fez diante da perda de qualquer um ao longo do tempo, pois o discurso dos adversários em nossas conquistas tenderá a desvalorização, como ocorreu, por exemplo, em 1998 e 2003. Já a fala do vascaíno, obviamente, deve seguir o caminho oposto.

O Vasco parte portanto para reconquistar um título que não vê desde 2003 e este lapso de tempo sem a obtenção de um Campeonato Carioca coincide com o período máximo de jejum de Flamengo (1927 – 1939) e Fluminense (1924 {AMEA} – 1936) e do próprio Vasco (1958 – 1970) na história da competição.

Que o torcedor não se engane: os inimigos do Vasco aguardam ansiosamente um tropeço nosso e a perda do campeonato para destilar seus venenos contra o clube e por mais que disfarcem babarão de ódio por nossa conquista, caso ocorra, como todos torcemos.

Olho na decisão, concentração total, torcida presente e motivada. Muita garra em campo e harmonia nos cantos, nos coros e na bola. Vasco Campeão causará muita dor de cotovelo nos adversários, pois se o respeito voltou, o incômodo alheio idem.

Sérgio Frias

À torcida

Quantos fatores decidem uma partida de futebol, da amplitude de um Vasco x Flamengo?

Inicialmente temos um desequilíbrio de mídia, favorável ao mais queridinho deles.

Aí, nos bastidores começa a pressão. O juiz que apitou já errou contra um lado, contra o outro? A favor de um ou de outro?

Vem então o mistério das escalações. Fulano sentiu, beltrano tem chance de jogar. Qual o esquema mais eficaz? Este jogador é veloz, aquele é mais hábil, o outro distribui melhor o jogo. Quem escalar? Quem fica no banco?

Enquanto isso os torcedores se motivam mais (ou menos) para a aquisição de ingressos. Tensos por dentro, galhofeiros por fora, muitos quietos, outros falastrões.

No estádio, entretanto, após todos terem cumprido sua parte, o time e a torcida são os verdadeiros artistas do espetáculo.

Há semanas disse aqui que já vi a torcida do Vasco ganhar jogos e virar jogos por diversas vezes, mas necessitava esta do chamado comando de arquibancada para engolir a eterna mentira Flamengo, normalmente inibida quando percebe outra torcida pronta a enfrentá-la no gogó, como ocorreu novamente neste domingo, sete dias depois de ter sido devorada na voz por um grupo bem menor de vascaínos se comparado à audiência dos vices eternos naquela ocasião.

Houve, felizmente, a mais inteligente união pontual de torcidas vista na recente história do Vasco. Com a Força Jovem – indubitavelmente a maior organizada do Vasco – impedida de comparecer, proibida que está, várias outras se entrelaçaram para reger uma orquestra de vozes na arquibancada, desde o penúltimo jogo, e o ritmo da bateria, dos bumbos, pôde marcar o ritmo de confronto e festa, conforme a ocasião mandasse.

A torcida cruzmaltina comprovou a todos que pode fazer a diferença, que pode fazer os atletas acreditarem, quando ela se propõe a acreditar, independentemente de qualquer situação vivida pelo time no jogo, mesmo quando um gol aparentemente marcado não é confirmado pela arbitragem, como ocorreu hoje, mesmo quando um chute na cara de um atleta não enseja expulsão do infrator.

Não há vascaíno que tenha deixado o Maracanã neste domingo, mesmo os mais reticentes, com pelo menos uma ponta de orgulho de sua (nossa) torcida. Ela agigantou o Vasco, o time, o clube e se mantiver nesta final de Campeonato Carioca a mesma união, o mesmo estilo, será fator importantíssimo para que vençamos o nosso maior freguês em jogos comuns e maior algoz em finais, o valente Botafogo, também classificado após ter vencido no sábado último a outra semifinal, no tempo normal e nos pênaltis, diante do Fluminense de Diego Cavalieri.

A mesma torcida que há muitas décadas fez do Vasco o time da virada, do amor, do destemor, repetiu seus grandes dias no Maracanã na disputa semifinal deste Carioca. Cumpriu seu papel com louvor e devoção ao clube. Independentemente do resultado numérico das duas últimas partidas, derrotou o adversário em ambas e tem tudo para repetir o êxito nesta nova decisão dos dois próximos domingos.

Para encerrar a prosa, o gol do Vasco adveio de um pênalti corretamente marcado, pois houve um toque por baixo no jogador Serginho, quando este avançava na jogada, mas quem quiser brigar com a própria imagem fique à vontade. Com chororô da muda torcida adversária é mais gostoso.

Sérgio Frias

Vinte Minutos

Domingo teremos a primeira das duas decisões deste estadual.

O Vasco, que começou sem qualquer expectativa do torcedor na competição, provou no último domingo, mesmo ante à deslealdade e violência do adversário, ter futebol para ir à decisão do campeonato e vencê-lo.

Várias organizadas vascaínas se uniram em prol do grito uníssono em nome do Vasco e comprovaram o acerto da medida enfrentando de igual para igual o adversário nas arquibancadas no domingo último.

No decorrer dos últimos dias vimos um exótico movimento de alguns vascaínos xingando Bernardo, um dos que mais brigavam em campo, na partida contra o Rio Branco-AC vencida por 3 x 2; tivemos o comentário despropositado do ex-atleta Juninho, enxergando favoritismo para o Flamengo no jogo de domingo, embora o que se tenha visto no Maracanã há cinco dias dissesse o contrário; e temos, hoje, estampado na capa do Globo eletrônico, duas fotos, “dividindo” a violência do último clássico entre Vasco x Flamengo pelos dois lados, como se os vascaínos tivessem sido tão violentos ou desleais quanto os atletas da Gávea. Até ressuscitaram Dinamite para que falasse suas abobrinhas sobre o clube, poucos dias depois de seu aniversário.

Tudo isso faz parte de uma semana que antecede um jogo Vasco x Flamengo decisivo. Enquanto os torcedores cruzmaltinos, ávidos por notícias que lhes motivem a adquirir ingressos, são surpreendidos com uma série de matérias e opiniões que incensam o rival, ou diminuem o Vasco, os adversários parecem viver blindados e motivados, o que, evidentemente, traz maior confiança a seu torcedor.

Nada justificaria a que a torcida vascaína ainda não tivesse adquirido todos os ingressos do seu setor e ainda milhares de outros bilhetes para pontos mistos do estádio, a não ser tal desmotivação.

Esperamos, evidentemente, que haja entre hoje e amanhã uma reação vascaína quanto ao comparecimento no jogo de domingo.

O Vasco precisa de sua torcida, do incentivo dela e também de sua participação no clássico. Ela pode fazer a diferença mais uma vez, através de seu grito, incentivo e percepção.

De nove a cada dez jogos entre Vasco x Flamengo, os vinte minutos finais mostram um quadro indefinido. Ou uma das equipes está vencendo por diferença de um gol ou a partida está empatada.

No aqui considerado último período do clássico, o vascaíno, por característica própria, desde os anos 70 ao menos, tende, pela apreensão, a se aquietar e esperar um gol do time para aí sim se manifestar ou um do adversário para emudecer de vez.

O erro está aí. É um momento do jogo em que o cansaço predomina entre os jogadores, há esgotamento mental mais que físico e um grito da arquibancada normalmente acarreta numa entrega individual e coletiva maior.

Mas como agir neste momento tão crítico da partida?

Entendendo o torcedor seu papel para a vitória ser obtida. Tomar ou fazer um gol neste período não encerra o jogo, a favor ou contra. É o momento apropriado para haver desequilíbrio na disputa. Vozes cansadas e roucas, coração a mil, maus agouros daquele cara do lado que nunca acredita. É este o momento da superação!

Vem da torcida vascaína o grito de incentivo que mais parece uma invasão de campo aos berros, vem dela a crença na conquista de uma vitória, classificação ou taça e tudo isso chega nos jogadores em campo, podem acreditar.

A relação do atleta com a torcida transforma o profissionalismo frio e pragmático em comprometimento e quando ele em campo percebe que até o fim possui uma massa ao seu lado, incentivando-o, torna-se um digno representante do peso de nossa camisa.

Comparecimento e comprometimento com a vitória. Nesta e em qualquer outra partida decisiva futura cabe à torcida vascaína exercer esse papel, com o orgulho de sempre, mas também com a percepção de ser ela o alicerce para que novas e múltiplas conquistas ocorram, independentemente da situação concreta.

Faça isso o torcedor vascaíno nos jogos decisivos e verá que na maioria das vezes aqueles 20 minutos finais nos favorecerão, afinal somos o time da virada, afinal o Vasco é vencedor!

Sérgio Frias